Curso

PEDAGOGIA
Disciplina

ENSINO MÉDIO E EDUCAÇÃO PROFISSIONAL

Antônio NEY

www.avm.edu.br

2011.1

Olá, caro aluno sou ANTONIO NEY, Doutor em Educação pela UFF área de confluência Trabalho e Educação - com graduação em Engenharia Mecânica pela UFF. Destaco que fiz pós-graduação “lato sensu” em Engenharia de Segurança pela Fundação da Escola de Engenharia da Souza Marques, em Gestão da Qualidade Total no Programa de Formação de Executivos da Grifo Enterprise, especialização em Política e Estratégica pela ADESG e em Logística e Mobilização Nacional pela ESG. Tenho formação de docente em Matemática para o Ensino Fundamental e Médio e de Gestão Escolar pela Candido Mendes. Trabalho como docente no programa de pós-graduação “A Vez do Mestre” desde o ano de 2000 e no programa de ensino a distância, tendo elaborado já vários módulos para os cursos de pósgraduação, principalmente nas áreas de Política Educacional, Planejamento e Gestão. Ministrei disciplinas técnicas em Escolas Técnicas desde meado dos anos 70. Elaborei o Planejamento Estratégico e Operacional para abertura de escola técnica para PROEP - MEC; como Engenheiro desde 1975 em órgão público. Falei isto tudo para que você me dê um voto de confiança e acredite no que proponho. Retorne e procure entrar em contato com a instituição para qualquer ajuda que necessitar. Boa sorte nesta empreitada, ela vale a pena.

Sobre o autor

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07 09 27 55 Sumário Apresentação Aula 1 Cidadania. trabalho e educação Aula 2 Trabalho: conceitos e definições Aula 3 Práticas educacionais e ensino médio Aula 4 As diretrizes curriculares nacionais da educação profissional Aula 5 Planejamento de currículos por competências Aula 6 Certificação profissional Aula 7 Avaliação Aula 8 Estágios 89 105 119 129 149 166 Referências bibliográficas .

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É importante deixar claro que a cidadania não consiste apenas no direito ao trabalho. CADERNO DE ESTUDOS . Do exposto. iremos desenvolver nossa abordagem sobre o trabalho e a cidadania de modo que o aluno entenda a diferença entre formar para o trabalho ou formar pelo trabalho. Objetivos gerais Apresentação Este caderno de estudos tem como objetivos:  Conhecer as normas principais que norteiam a educação profissional.  Entender a construção de programas para a educação profissional. Inicialmente. e  Adquirir competências para trabalhar na educação profissional. Ao final dele. qualificação e competências. convidamos para navegar e estudar um tema em “moda” no meio empresarial e educativo.Ensino Médio e Educação Profissional: Fundamentos e Metodologia Neste Caderno de Estudo iremos estudar a relação entre o trabalho e a educação com o propósito de qualificar o pedagogo para trabalhar na educação profissional. bem como oferecer condições de qualificar o aluno para desenvolver programas educacionais também para a educação corporativa. e temos a absoluta certeza que você irá encontrar e trabalhar. com as competências. o aluno deverá alcançar as competências necessárias para trabalhar em um mercado que tenha como pré-requisito a “pedagogia das competências”.  Conhecer o papel fundamental que o estágio representa na formação profissional. ao longo de sua carreira como educador. Abordaremos as questões sobre formação. mas muito mais.

AULA . por meio dos seus vários conselhos. Por isto. Vocês terão a oportunidade de conhecer o debate que envolve a educação brasileira com relação à formação para o mundo do trabalho. mundo do trabalho e mercado de trabalho. Na saúde. após o estudo do conteúdo desta aula. pois aqui temos várias facetas diferentes. porque saúde? O que tem a ver saúde e educação? Lembramos.Cidadania. Saúde. É bom o aluno ter a mão o material referente a política educacional. não basta apenas olhar o currículo de um técnico de nível médio em Mecânica em termos de educação sem consultar o Conselho de Engenharia. mas a política aparece ampliada devido o envolvimento também de outras áreas governamentais (Trabalho. controla e fiscaliza o profissional da área. Engenharia etc). Você deve estranhar. Trabalho e Educação Antônio Ney 1 Nesta aula teremos a oportunidade de discutir e estabelecer a conceituação sobre cidadania. Ciência e Tecnologia. A abordagem sobre o trabalho é fundamental para que o aluno entenda o processo da formação e da qualificação profissional. também se normatiza. pois o exercício profissional dependerá do referido Conselho. trabalho e educação.  Conhecer as visões políticas que dominam a formação e qualificação profissional. em primeiro plano que o Ministério do Trabalho regulamenta e fiscaliza o trabalho no país e que cerca de 90% das profissões de nível superior são regulamentadas. você seja capaz de:  Conhecer a conceituação sobre cidadania. Objetivos Apresentação Esperamos que.

ao mesmo funções e não apenas aquela qualificação para o exercício tempo. Procure analisar e cidadania sintetizar seu para entendimento. em profissional. básicos habilidades e para o desenvolvimento de atitudes (CHA) COMPETÊNCIAS específicas da função necessárias ao visada. pois é importante conceituar primeiro usá-la corretamente. aparecem os conceitos de da velha idéia de adestramento ou polivalência do que ainda se entende hoje mesmo (trabalhador capaz de como mero treinamento de funções executar várias codificadas. apenas as habilidades de modo a estimular o indivíduo a profissionais. integral do mundo do trabalho em contínua mutação. a respeito do verbete FORMAÇÃO PROFISSIONAL: :: Formação Integral: O 5º PNAS atribui à formação profissional o duplo e indissociável papel de propiciar aos alunos a A FORMAÇÃO garantia do exercício eficiente de suas INTEGRAL está colocada no sentido atividades no mercado de trabalho do simultaneamente a sua FORMAÇÃO trabalhador possuir as INTEGRAL. atitudes e valores exercício éticos. Esse enfoque Nessa visão diferencia-se. a oriunda sua profissional e a capacitação para a atividade vivência específica). radicalmente. privilegiando. . trabalho. complementar sua preparação básica ao longo da vida.Aula 1 | Cidadania. ou seja. Observe o texto abaixo. Veja que não utilizamos a palavra idéias”. CIDADÃO. a educação deveria ser pelo trabalho”. ao processo de educação permanente. que inclui conhecimentos competências. Trabalho e Educação 9 Considerações iniciais Para pensar Vamos iniciar a nossa caminhada a partir Veja esta definição afirmação de da seguinte de CIDADÃO dada por Celso Antunes educação não Mendes: “A (2003): Durmeval Trigueiro deveria ser para o “Indivíduo reconhecido pelo Estado como portador deEsta afirmativa feita entre os anos de direitos. portanto. constante do livro “Formação e Trabalho” publicado pelo SENAC. bem sentido que a educação profissional (utilizando a como do direito de intervir no curso de contemporânea) pode possuir na terminologia sua própria vida e da formação e na qualificação profissional de um sociedade através da expressão de suas indivíduo. deveres sociais 1960 e legalmente 1970 destaca de modo muito claro o constituídos. todo o século conhecimentos gerais e especializados passado. hábitos.Essa linha segue a ênfase dada pela Organização Internacional do posição contrária aos princípios (OIT) à integração gradual e Trabalho que predominaram em contínua de habilidades técnicas.

A tendência para a terceirização de diversas atividades – tanto na indústria quanto no comércio e serviços . assistência médica e a cobertura previdenciária no caso da incapacidade provisória ou definitiva para o trabalho. configurando um mercado de trabalho nãoconvencional. Nesse contexto formam-se redes de profissionais de diferentes especialidades que se tornam fornecedores de produtos e serviços.) a mais ampla para para o o partindo exercício do nível de escolaridade desse farão no futuro? analisar a situação. procure uma preparação “(. o que implica em muitos casos o esforço do profissional para gerar renda própria mediante atividades autônomas. Mas sim Agora. Trabalho e Educação 10 A formação profissional também não deve visar apenas os chamados “empregos fixos” – cada vez mais raros. dos cartões INTEGRAL que está conceituada apenas no para pagamento de passagens. qualificação exercício profissional e a capacitação para a vivência . A partir dele conseguimos fazer uma análise que colocam questões fundamentais para entender o trocador de ônibus mundo do trabalho. (1997.. sentido de não ser mais um simples adestramento ou treinamento. Esta reestruturação do mercado de trabalho – com a proliferação de microempresas de um só profissional – exige uma qualificação mais específica ainda.reduz os postos de trabalho regulares. Vamos vê-las: 1) A profissão de em nosso país tem a tendência de desaparecer. Observe a frase: O que eles pessoal. em virtude das catracas O primeiro ponto se refere à FORMAÇÃO eletrônicas.Aula 1 | Cidadania.. profissional durante a vida. Para pensar Este verbete coloca a visão do capital perante o trabalho.. e entre esses e as empresas e/ou consumidores finais que constituem a sua clientela.. grifos nossos). cuja face perversa é a perda das conquistas sociais como aposentadoria. etc. já que o trabalhador terá que ter maior eficácia no autogerenciamento para conquistar clientes e preservar seu espaço de trabalho.

.) o que implica em muitos casos o esforço do profissional para gerar renda própria mediante atividades autônomas..Aula 1 | Cidadania. inclusive. Aliás..“. Quando Trigueiro Mendes afirma: ”A o “EMPREENDEDORISMO”. o verbete destacará afirma: (. 2) A responsabilidade pela educação continuada está atribuída “(. profissão. ou melhor. função.”. Como a tendência para o futuro é o trabalho informal e precário. 4) O reforço da idéia do EMPREENDEDORISMO aparece no parágrafo seguinte quando se fala da microempresa de um só funcionário e da perversa possibilidade de perdas de direitos trabalhistas. atividade ou tarefa sob pena de se tornar um adestramento ou treinamento para o exercício de uma atividade profissional.” significa que a educação não pode ser voltada diretamente para uma ocupação profissional.) ao sua trabalhador o preparação quando a ao aparece: estimular indivíduo básica complementar longo da vida. pois educação não deveria ser para o trabalho. O Senac acima amplia a formação profissional. esta tem sido a marca da formação PARA o trabalho ao longo da história.... mas mantém o foco na atividade profissional em si. Trabalho e Educação 11 integral do mundo do trabalho em contínua mutação. é apontada a predominância do trabalho terceirizado. 3) A crítica ao emprego formal. a visão do seu desaparecimento é colocada no momento que se afirma que não devemos formar para “empregos fixos”. .

à educação e aos serviços sociais. ao trabalho e à justiça. Que direitos são estes? São os direitos de toda a pessoa e alguns especiais de crianças e dos jovens – direitos pelos quais os trabalhadores vêm lutando duramente nos últimos séculos. São os direitos civis ou individuais: direito à liberdade pessoal e à integridade física. A escolaridade requisitada pelo posto de trabalho é mínima. à alimentação. São os direitos políticos. Esta formação profissional tem foco no emprego existente no mercado de trabalho. Trabalho e Educação 12 principalmente. como o direito de participar do exercício político como investido da autoridade política ou como eleitor. à liberdade de palavra e de pensamento. e. geralmente.Aula 1 | Cidadania. à saúde. direito à propriedade. por sua vez são os fundamentos dos direitos estabelecidos na vida em sociedade. Entretanto. ao trabalho. é uma escolaridade inferior ao ensino fundamental completo. São os direitos sociais como o direito ao bem-estar econômico. pois o sujeito de uma sociedade . a brasileira. o trabalhador fica sem condições de se requalificar ou se transferir para outra profissão por possuir uma baixa escolaridade sem condições de alcançar uma nova formação. ao vestuário. à moradia. ou seja. à participação social e cultural. Será que os direitos apontados por Ciavatta têm relacionamento com a cidadania? Quantos brasileiros efetivamente possuem e estão exercendo tais direitos? E Ciavatta deixa claro que tais direitos não constituem o compromisso básico e fundamental de nossa sociedade. o trabalhador só necessita conhecer o necessário a ser aplicado na sua atividade. se por qualquer motivo essa ocupação profissional desaparecer. Quem não se lembra dos datilógrafos? Ciavatta (2006) destaca: Para pensar O trabalho ou as atividades a que as pessoas se dedicam são formas de satisfazer as suas necessidades que.

cit): “(. trabalho individual a produção em desta tarefas mercadoria leva a divisão e a hierarquização do implicando “simples”. tem que “se esperar o bolo crescer para ser distribuído”. muito freqüente é a perspectiva de se reduzir a dimensão Ciavatta e Ramos (2005) . cujas marcas ainda são profundamente visíveis na sociedade. Foram séculos de trabalho escravo. A formação PARA o trabalho é fundamental e adequada para o capitalismo. sofrimento e/ou remissão do pecado. Por exemplo. A mentalidade empresarial e das elites dominantes tem a marca cultural da relação escravocrata. “parciais” e mecanizadas. Ou. nem o homem. O primeiro (crescimento econômico) é procurado prioritariamente no desenvolvimento. Ou seja. o Brasil foi a última sociedade no continente a abolir a escravidão.Aula 1 | Cidadania. como já se afirmava no passado. Em resumo. declaram: Primeiramente. restringindo o potencial do trabalhador. Um dos critérios de contratação de trabalhadores. não raro. mas o mercado.. Por fim. Trabalho como castigo. como forma disciplinar e frear paixões.. o capital. Trabalho e Educação 13 capitalista não é a criança. o segundo (crescimento social). trazida pela perspectiva de diferentes religiões. o foco é outro. há uma separação clara e evidente entre os crescimentos econômico e social. O segundo aspecto é a visão moralizante do trabalho. como afirma Ciavatta (op. ainda. Logicamente. é pela religião. Frigotto.) esvaziamento completo dos interesses e motivações pessoais do ato de trabalhar”. os desejos ou os vícios da “carne”. enquanto.

surgirá a educação PELO trabalho. da escola unitária como conceituada por Antonio Gramsci. por exemplo Célestin Freinet na obra “A Educação do Trabalho” afirma: “Na busca prática de . aprender fazendo..20). Ou seja. a posição descrita por Ciavatta. produzindo a existência humana. e que ele (trabalho) é a relação criadora. Historicamente. é difícil imaginar uma formação de cidadania (de emancipação) que inicie neste tipo de trabalho. A importância do trabalho como fonte inspiradora para a educação tem em outros autores a sua defesa.692/71. a educação deveria ser pelo trabalho” significa que o trabalho deveria ser o princípio educativo. Trigueiro Mendes ao mencionar: ”. atualmente) e de características reducionista e tecnicista. o meio e não o fim do propósito da educação. Como se vê. a educação profissional ou a formação profissionalizante esteve separada da educação básica (propedêutica para o ensino superior). (p. Aqui. do homem com a natureza. 5.Aula 1 | Cidadania.. Não se trata da repetição da formação profissional aplicada após a Lei nº. Esta era apenas para os alunos que complementavam ensino de 2º grau (médio. Trabalho e Educação 14 educativa do trabalho à sua função instrumental didático-pedagógica. Trata-se da educação politécnica. ou seja. ou seja. É a segunda vez que aparece a expressão “formação integral”. embora a formação para o trabalho seja voltada para esse viés. e se caracterizou por formação acelerada para o emprego sem preocupação com a escolaridade do trabalhador. Ciavatta (2006) deixa claro que o trabalho não é apenas emprego. A formação integral defendida por Ciavatta e de origem socialista é que todos deveriam ter uma sólida educação básica integrada à formação profissional. a da FORMAÇÃO INTEGRAL.

Trabalho e Educação 15 uma concepção de educação popular interessante. mas com uma dimensão mais democrática e social. baseado no texto da aula. EXERCÍCIO 1 Faça um resumo. do que você entendeu por: “formação PARA o trabalho”: ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ “formação PELO trabalho”: ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ “formação INTEGRAL”: ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ Sob recorremos esta à questão do e pensamento. História da obra “Filosofia . eficiente e humana. Freinet trabalho.Aula 1 | Cidadania. Suas referências estão na Escola Nova. temos que esclarecer que Freinet é um idealista e os autores que abordamos (Ciavatta. configura uma toda educação uma pelo trabalho. irá. a partir da realidade do desenvolver pedagogia moderna e popular.153). p.” (1998. Frigotto e Ramos) são pessoas de outra linha de pensamento. O trabalho será sua base e motor a um só tempo. Entretanto. ou seja.

Fonte: Filosofia e História da Educação Brasileira” de Ghiraldelli.Hipótese e/ou ConscientizaCatarse Formulação de ção Heurística ção novas narrativas. A apresentação procura motivar o aluno em função da importância e relevância do tema para ele. onde o autor elaborou um quadro do pensamento didáticopedagógico brasileiro bastante elucidativo para a opção do trabalho do pedagogo e para posicionar o leitor. ção e/ou social e julgamento política. Aplicação ExperimentaAção política Prática Social Ação cultural. Associação Coleta de ProblematizaInstrumentalizaDiscussão dos e dados ção ção problemas assimilação através da dos construção de conceitos narrativas por sem comparahierarquização ção epistemológica e articulação das narrativas com as narrativas da vida dos alunos. Após estas etapas. Esta APRESENTAÇÃO é o segundo passo. Generaliza. o romance pessoal. Trabalho e Educação 16 Educação Brasileira” de Ghiraldelli (2003). PENSAMENTO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO BRASILEIRO Dewey Freire Saviani Ghiraldelli Atividade e Vivência Prática Social Apresentação pesquisa e/ou representação de problema ApresentaEleição do Temas Problematização Articulação ção problema geradores dos problemas apresentados e os da vida real. o aluno estaria em condições . Herbart Preparação O pensamento de ensino-aprendizagem de HERBART inicia com a PREPARAÇÃO que tem o objetivo de levar o aluno a se lembrar da matéria dada anteriormente e o que se pretende na atual aula.Aula 1 | Cidadania.

transmitido gera a Estes problemas e dificuldades é ampliação da base que motivarão os estudantes a desenvolver o material de conhecimento do aprendizagem. (Murad. problemas ao tentar executar as suas 2ª.2003) Na realidade. definidos pelo Importante conceitos e leis posteriormente Para John Dewey a resolvendo exercícios. . 1ª. ele sairá da situação generalizações. o aluno deve ser levado a aplicar tais conhecimentos observando professor. Obviamente. o professor deve forçar o aluno a esta dedução. As matérias de JOHN Para DEWEY acredita que o ensino se processo manifestam nade ensino-aprendizagem tem seu início familiaridade e no no momento trato daquilo que a em que os estudantes encontram criança já conhece. A particular etapa para posterior traçar as é a da GENERALIZAÇÃO.Aula 1 | Cidadania. ao segundo momento na qual. após uma série fundamental na a atividade de pesquisa e de procura de possíveis soluções é do estudante. Tratase da fase de ASSOCIAÇÃO e ASSIMILAÇÃO de novos conhecimentos. O professor é o grande mediador do processo. aplicação dos exercícios Primeiramente. A EDUCAÇÃO É INTENCIONAL. A ELEIÇÃO DE PROBLEMAS é de conhecimento do fundamental para o processo. Finalmente. Esta motivação leva processo de estudante. qual o professor avalia o Assim. ela terá três etapas: APLICAÇÃO é a fase na que foi aprendido. De forma lógica e racional haverá a identificados. Na etapa seguinte (COLETA DE DADOS). Trabalho e Educação 17 de assimilar novos conhecimentos em função das idéias e conceitos que já conheciam. a O pedagogia de papel do professor é projetos nasce com postura dos problemas. estudante. a e aprendidas em adquiridos. ou seja. mas Dewey. é escolhido o projeto de problemas integração da a ser da base ampliação trabalhado. O saber ATIVIDADES. e 3ª.

a VIVÊNCIA ou a realidade do aluno será o ponto de partida. o professor deve incentivar o aluno a formular as soluções (possíveis HIPÓTESES) para o problema. CONSCIENTIZANDO da sua realidade e do seu papel na sociedade e de seu relacionamento com o poder. A Escola desta for baseada na realidade do aluno. mas com a diferença que essa motivaçãopode ser para busca do leitura a livros: conhecimento só irá ocorrer. Freire fecha seu 4. Educação e Ensino aluno-professor. Marx e a Gramsci de Paolo desenvolvido na Na etapa seguinte. PAULO FREIRE defende que o processo de ensino-aprendizagem tem seu início quando o educador vive efetivamente a comunidade dos leitura estudantes. o professorPedagogia Moderna incentivará a formulação do problema. o de Marx e Engels – Centauro Editora. É importante destacar que o problema de Mario Manacorda obtida na relação horizontal entre professor-aluno e 3. mas a preferência para o uso dos recursos é do estudante. Textos sobre é colocado como uma questão política. Trabalho e Educação 18 o professor deve ajudar o estudante na coleta de dados em busca para solução do problema. Cortez. No último estágio. pensamento colocando a possível solução de seu tema gerador em termos políticos e apontando para AÇÃO POLÍTICA. Em função de Nossela – Editora vivência são definidos TEMAS GERADORES. Dica de Assim. dospartida 1. 2. Posteriormente. . Todos os recursos disponíveis devem ser utilizados. se e somente se. a iniciativa deve ser do aluno. Freire tem a mesma convicção de pensamento marxista com O entendimento do Dewey com relação à motivação para relação a educação aprendizagem. A Educação para Além do Capital de estudanteIstván Mézáros acaba se Boitempo Editorial. De posse de todos os dados e informações coletadas. faz-se a opção por uma ou duas soluções (hipóteses) através dos PROCESSOS EXPERIMENTAIS. ou seja. Finalmente.Aula 1 | Cidadania. Esta PROBLEMATIZAÇÃO é – Editora Cortez.

é fundamental se pensar e identificar os conhecimentos necessários para alcançar as soluções para a problematização. são elaboradas e incorporadas como superestruturas. do momento em que os instrumentos culturais seriam transformados em elementos ativos de transformação social Finalmente. ou seja.. A catarse do pensamento de Saviani é assim apresentada por Ghiraldelli (2003. políticas e econômicas. os pensamentos de Paulo Freire e de Dermeval Saviani implicam em . convivência entre professores e alunos cujo posicionamento diferenciado. Este pensamento se estrutura no pensamento marxista e que podemos resumir na frase de Marx: “a existência é que determina a consciência e não a consciência que determina a existência”.Aula 1 | Cidadania. ou seja como conjunto articulado de noções dos mais diversos tipos nas consciências dos alunos.236): . o retorno à prática social permitirá ao aluno obter o conhecimento e ser capaz intervir na prática social. É a etapa da INSTRUMENTALIZAÇÃO. Trabalho e Educação 19 DERMEVAL processo Prática em que ele SAVIANI de entende em vê como o início relação mundo do de é termos PRÁTICA SOCIAL. p. Tratar-se–ia. A seguir.é o momento em que as bases sociais. A questões segunda que etapa é ser definida resolvidas pela na relação ao construção da PROBLEMATIZAÇÃO em cima de precisam sociedade. assim. Em resumo. as estruturas de vida social.

Ghiraldelli (2003. não dogmáticos. pois aqui se busca o novo conhecimento. é inspirada nos filósofos neopragmatistas Richard Rorty e Donald Davidson. em conjunto. EXERCÍCIO 2 Você conheceu cinco alternativas de pensamentos . 241) não concorda com os passos de conscientização em Paulo Freire e com a catarse de Saviani. A proposta de PAULO GHIRALDELLI JR. a articulação entre o problema apresentado e os da vida cotidiana. Ele acredita que o ponto de chegada para o aluno é conhecer a realidade como ela é. Trabalho e Educação 20 pensamentos didático-pedagógicos críticos e de caráter político. Para ele. o último que é a divulgação pelos pares dessas narrativas. o passo inicial ocorre em função de narrativas dos estudantes que trazem problemas. A seguir.Aula 1 | Cidadania. pois tais passos corresponderiam a um purificador de idéias para a intervenção na prática social e na lida política. O passo seguinte é aquele na qual vão ser reconstruídas novas narrativas em função do passo anterior e que não deve haver julgamento ou hierarquização das narrativas. Ou seja. o professor escolhe com os alunos as narrativas mais interessantes e constrói. o que não ocorreria em Freire e Saviani. os próprios alunos têm seus problemas e não há necessidade de externamente os problemas a serem construídos. mas de intenção transformadora. Por fim. p.

Entretanto. existem outras. são originárias de Dewey. Educação no Brasil de alternativas de 1995 a 2002 de Paulo Renato Souza editado pela Financial Times – Prentice Hall. pergunta-se: o que você entende por purificação de idéia? E a formação crítica. projetos. pois o pensamento de desenvolvimento por ele defendido “não purifica a idéia”. A . Obviamente. formação quando para ou abordamos pelo a trabalho Dica de estamos colocando à mesa a grande disputa política e ideológica dos sentidos e objetivos que Se for do interesse ampliar o conhecimento sobre as reformas Alternativas educacionais ocorridas no governo de FHC leia: A Revolução Gerenciada: disputa de. a contribuição de Herbart e de Dewey não podem ser ignoradas e nem colocadas de lado. Do exposto. e hoje aparecem sendo aplicadas no mundo inteiro. Ghiraldelli procura deixar claro que a sua opção não é a mesma de Paulo Freire e de Dermeval Saviani. para a educação A política educacional está marcada pela pelo menos. aonde ela está? ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ É importante destacar que fizemos um comparativo entre o pensamento de Freire. Nós iremos retornar ao assunto posteriormente. mas vejam bem. Em discussão resumo. exemplo. Saviani e Ghiraldelli. duas grandes propostas para a educação. leitura a educação deve possuir.Aula 1 | Cidadania. pois representam As idéias da propostas pedagogia que de atendem por pensamentos e correntes políticas importantes. Trabalho e Educação 21 didático-pedagógicos.

desperta a educação no Brasil” e “Ensino Técnico e Vocacional: os sonhadores e suas vítimas” em seu A taxa de brasileiros que possuem o ensino médio (13%) é insignificante quando comparada a dos países como Para pensar . Melhor tentar fazer o possível do que contentar-se com utopias impossíveis (grifos nossos). p.como defendido pelos sonhadores.141) defende a racionalidade e a otimização dos recursos nacionais com relação às políticas públicas na educação.139) que afirma: A essência dos problemas da formação profissional permanece sendo o preconceito contra o trabalho manual.Aula 1 | Cidadania. ele critica o modelo de ESCOLA ÚNICA (a Politecnia) para todos . Castro acaba vendo o preconceito contra o trabalho manual naqueles que defendem a politecnia. não conheceram as características e exigências. É uma proposta de formação integral na qual a educação geral e profissional acontece de modo simultâneo e para todos. Castro escreve nos capítulos “Finalmente. mas que este não dão certo. E ele afirma que os sonhadores deveriam ver a realidade de outros países e que só nos EUA existem aplicações de modelo semelhante. O pensamento é oriundo de Marx e Gramsci. Castro afirma que Marx e Gramsci. Ele diz que o Senai oferece uma boa formação profissional. ou seja. Na realidade Castro (op. Castro acaba apresentando uma série de :: Politecnia: A Politecnia foi muito discutida nos anos de 1980. Trabalho e Educação 22 primeira pode ser representada no pensamento de Cláudio Moura Castro (1974. Nos países onde este preconceito é forte. Assim. transformase em realidade no Governo de Fernando Henrique Cardoso. não conheceram a indústria moderna. sistematicamente falham as tentativas de oferecer o ensino profissional em instituições dominadas pelos valores do ensino acadêmico. em 1997.cit. mas este (Senai) é vítima de denúncias da esquerda por deixar estudantes sem perspectivas de acesso a níveis mais elevados e que as boas escolas técnicas do país acabam se tornando cursos preparatórios para o ensino superior. SEPARAR O ENSINO PROFISSIONAL DO ENSINO REGULAR PARECE INDISPENSÁVEL. já falecidos. p. propostas que anos mais tarde.12 anos de escolarização para ricos e pobres que freqüentariam a mesma escola .

Soares no artigo “Educar para o trabalho e para a vida” afirma A educação escolar deverá ser organizada de modo que a educação geral desenvolvida cumpra esta função: proporcionar ao aluno o domínio de conhecimentos. os cursos técnicos de nível médio focados técnicos nas com necessidades estruturas do mercado e de por trabalho e a construção de cursos tecnológicos e modulares competências são algumas das ações que as políticas educacionais passaram apresentar ao final dos anos de 1990 e que são defendidas por Castro. dos deveres da pessoa humana. etc. da família e dos demais grupos que compõem a sociedade.Aula 1 | Cidadania. do Estado. pela finalidade apresentada o ensino médio deveria ser obrigatório na educação brasileira. do cidadão. Trabalho e Educação 23 outro livro ”Crônicas de uma Educação Vacilante” que as reformas da educação no governo FHC correspondem o despertar da educação no Brasil. A separação entre o ensino médio e a educação profissional. A alternativa a esta proposta se refere à formação integrada. o incentivo aos cursos Seqüenciais e Tecnológicos em detrimento das graduações. teóricos. e este ensino médio . que o capacitem a tirar o máximo proveito dos conhecimentos e habilidades oferecidas por qualquer uma das diversas maneiras de formação profissional. Logicamente. princípios gerais básicos. No sistema educacional brasileiro a educação tem como fim a compreensão dos direitos. que: E. aí.

mas possibilitando o cumprimento dos objetivos em nível de formação global do aluno. Essa dicotomia também contribuiu para uma valorização extrema aos diplomas e as carreiras de nível superior. Ou seja. somente substituído no final do século XIX.Aula 1 | Cidadania. buscando atender aos empregos oferecidos no mercado. Soares conclui afirmando: Conclui-se que tanto a educação geral Importante Não podemos dizer que a dicotomia existente entre a formação acadêmica e a formação profissional seja a única causa para a supervalorização dos diplomas no Brasil. na realidade. a educação básica com qualidade é uma condição essencial para se alcançar à plenitude da cidadania permanece praticamente como um privilégio para cerca de 13% dos brasileiros. reforça a dupla saída: uma voltada para o vestibular que atende as elites brasileiras e outra com foco no mercado de trabalho. A dicotomia existente entre o ensino médio propedêutico para o ensino superior (formação acadêmica) e o ensino médio profissionalizante. Ambos. Diante deste fato histórico. Trabalho e Educação 24 oferecido para todos os brasileiros. Soares continua: A transformação do ensino de nível médio em profissionalização (como modalidade) fez com que a educação ficasse mais direcionada para uma área. o país foi um dos últimos a abolir a escravidão no mundo. Entretanto. no caso da formação profissional. o trabalho manual sempre foi desvalorizado. ou seja. de característica acelerado e reduzida. pois o foco fica o vestibular e a profissionalização. somente o ensino fundamental é efetivamente um direito e obrigatório. Esta dicotomia tem raízes históricas muito fortes tendo em vista que o regime de produção escravocrata perdurou séculos no Brasil. . se afastam dos objetivos essenciais do ensino médio com relação à preparação dos estudantes.

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como a profissional se complementam para o progresso da formação do aprendente. Devem estar integradas fazendo parte de um processo global para que possa contribuir de forma efetiva no desenvolvimento integral do discente. Este importância último da texto demonstra ou a seja,

educação

integral,

aquela que congrega a educação geral e a educação profissional em um único processo. Voltamos a destacar que a educação integral NÃO é aquela instituída pela lei nº. 5.692/71 que obrigava da a uma formação profissional sérios compulsória. Temos que lembrar que ambos os segmentos educação sofreram prejuízos com redução e adaptação para que os cursos terminassem em três anos. Esta política se constituiu em um fracasso e a formação compulsória no ensino médio termina pela lei nº. 7.044/82. Ciavatta (2005, p.98 a101) aponta seis pressupostos para a implantação da formação integrada: “a existência de um projeto de sociedade; manter na lei a articulação entre o ensino médio de formação geral e a educação profissional; pela a adesão de gestores e de da uma e professores responsáveis pela formação geral e formação da específica; formação articulação é instituição com os alunos e os familiares; o exercício integrada experiência de democracia participativa; resgate da escola como um lugar de memória; garantia de investimentos na educação”. O Decreto Federal nº. 5.154/04 que substituiu o Decreto Federal nº. 2.208/97 permite a implantação da educação integral à nível de ensino médio, mas como depende de

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regulamentação não garante a sua implantação.

EXERCÍCIO 3
Faça um resumo das alternativas de educação em disputa. Procure entender a diferença das propostas. ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________

RESUMO
Vimos até agora:  As visões políticas que dominam a formação e qualificação profissional;  As propostas e lutas que estão em debates.  É importante que você tire as suas conclusões e tome uma postura com relação a proposta mais adequada ao desenvolvimento do seu trabalho. Procure responder: que homem pretendo formar?

Trabalho: Conceitos e Definições
Antônio Ney

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Apresentação

Nesta aula iremos desenvolver a conceituação de trabalho. Inicialmente, vamos buscar a fundamentação teórica a partir da definição de trabalho constante do dicionário. Posteriormente, a conceituação baseada nas diversas vertentes políticas e a divisão do trabalho são vistas de modo que a questão das competências e da qualificação sejam temas essenciais para o correto entendimento da educação profissional. Esta combinação é necessária para à construção do perfil profissional. Procure estudar com cuidado, entendendo as noções de competência, perfil profissional, ocupação e profissão. Aqui, nós teremos a oportunidade de conhecer o mundo do trabalho.

Objetivos

Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de:  Conhecer a conceituação sobre o trabalho.  Conhecer as visões políticas que dominam a formação e qualificação profissional.

AULA

etc. profissão etc. 9. 18. Aplicação das forças e faculdades humanas para alcançar um determinado fim. em forma de dicionário na .Atividade coordenada. 14. Trabalho (2) remunerado ou assalariado. 5. 17. que damos como sugestão de leitura. Nossa viagem sobre o trabalho começa com uma curiosidade que encontramos na publicação do SENAC denominada “Formação e Trabalho”. Trabalho de parto. obrigação.. Grandeza cuja variação infinitesimal é igual ao produto escalar de uma força pelo vector deslocamento infinitesimal de seu ponto de aplicação. 6. Ação contínua e progressiva de uma força natural. Assim. Resultado útil de qualquer máquina.. lide. (1988. 1. 11. iniciaremos pelo termo mais importante: Trabalho .. 13. artístico. feitura. 15. necessária à realização de qualquer tarefa. e o resultado dessa ação. Fenômeno ou conjunto de fenômenos que ocorrem num organismo e de algum modo lhe alteram a natureza ou a forma.12. ofício. O exercício dessa atividade como ocupação.Aula 2 | Trabalho: conceitos e definições 28 Fundamentação Teórica Para se estudar e discutir sobre a formação profissional e o mercado de trabalho tem que ser conceituado e definido uma série de termos que são fundamentais para o entendimento do tema. favor. 4. Tarefa para ser cumprida.8. Maneira de trabalhar a matéria. Fatura. Atividade que se destina ao aprimoramento ou ao treinamento físico. trabalho com cinzel. p. lida. 16. serviço. local onde se exerce essa atividade. intelectual. Fis. serviço. faina.S. Econ.m. 7.642). Atividade humana realizada ou não com auxílio de máquinas e destinadas a produção de bens e serviços. pois trata-se de uma viagem concisa a história do trabalho. 10. Esforço incomum. Biol. 2. Méd. de caráter físico e/ou intelectual. 3. A obra é composta por um livreto. serviço ou empreendimento. com manejo ou a utilização de instrumentos de trabalho. responsabilidade. luta. Qualquer obra realizada. trabalho ao microscópio. Tarefa.

grifos nossos para a colocação de . e de um CDROM muito interessante.Aula 2 | Trabalho: conceitos e definições 29 qual define a terminologia empregada no trabalho. à dimensão qualitativa dos diversos trabalhos. como na acepção de Marx em O Capital (. individual e social (. para a reprodução da vida humana. Esta modificação de terminologia significa que o SENAC tem como novo objetivo formar o indivíduo para uma área de trabalho com possibilidades de uma mão-de-obra polivalente e multifuncional em substituição a formação profissional para um único posto de trabalho ou cargo. o que se está pensando é na formação por competências. no verbete “ÁREA OCUPACIONAL”.1988. O trabalho concreto corresponde à utilidade da mercadoria (valor de uso). O trabalho abstrato corresponde ao valor de troca da mercadoria.. O conceito de trabalho abstrato alude ao dispêndio de energia humana.. Ela acrescenta: Pressupondo-se exclusivamente o trabalho humano.. É nessa qualidade de trabalho humano abstrato que o trabalho cria valor de mercadoria. e sim por área de formação. ou seja. contribuindo. A definição de trabalho está no Dicionário do Aurélio e está essencialmente direcionada para o trabalho abstrato conforme Eliada Liedke destaca. p-269. que não mais classifica seus cursos por formação profissional. direta ou indireta voltada à produção de bens e serviços. o trabalho estritamente físico ou mecânico.) Na sociedade capitalista. Na página 10 do citado livro. o SENAC deixa claro. sem considerar as múltiplas formas em que é empregada.) o trabalho é atividade resultante do dispêndio de energia física e mental. assim. na aquisição diariamente de novas competências e na mão-de-obra flexível.. o trabalho contido na mercadoria possui duplo caráter: trabalho concreto e trabalho abstrato. (Liedke apud Cattani. Logicamente. Vale a pena adquirir. independentemente das variações das características particulares dos diversos ofícios.

outro fia. que nem mais detinham suas ferramentas. a conceituação do trabalho já está com duas vertentes importantes: a do TRABALHO ABSTRATO e a do TRABALHO CONCRETO. (SENAC. outro alinha. 2000.que criou a linha de montagem automatizada em 1913. Quando se fala em existência social. 1997). outra tece.27). Com o advento do mercantilismo e com o surgimento do Capitalismo. logo após a Idade Média. Era a era do “Artesanato”. p.Aula 2 | Trabalho: conceitos e definições 30 conceitos) Sérgio Lessa confirma a conceituação acima quando afirma em sua obra que Luckás define o conceito de trabalho em termos de atividade humana responsável pela transformação da natureza nos bens necessários à reprodução social. p. E obviamente. outro puxa. realizando todas as operações e detinha todos os recursos para fazê-los. outro passa e empacota. Na Antiguidade o trabalho era realizado pelo Artesão. do que todas as operações mencionadas são canhestramente executadas por uma só mão”. Quem fez esta afirmação não foi Henry Ford . A divisão do trabalho surgiu de modo a aumentar a produção e a produtividade.27) complementa esclarecendo que este salto ontológico é que diferencia a existência humana das determinações biológicas. o capitalista passou a ser dono dos recursos e os trabalhadores. ele dominava todo o processo. Agora. passaram a vender sua força de trabalho. famoso economista do século XVII. mas também porque o trabalhador perde o conhecimento global do processo produtivo. duas relações são fundamentais e imprescindíveis: a dos . categoria fundante do mundo dos homens. ou seja. DIVISÃO DO TRABALHO: “A fabricação de roupa deve ficar mais barata quando uma carda. mas William Petry. Lessa (2000. A vantagem da divisão do trabalho não é só em termos de aumentar a produção. mas não se pode esquecer que o trabalho é uma categoria social e que a existência social é mais ampla que o próprio trabalho (Lessa.

Books. HISTÓRIA DO PENSAMENTO ECONÔMICO DE HUNT E SHERMAN. 5. 3. Esta obra mostra como o trabalhador foi explorado ao longo de séculos e das conquistas que eles alcançaram. quando se comenta a emancipação humana tem que se pensar no homem transformando ou sendo capaz de transformar a própria sociedade. SUOR E LÁGRIMAS: A evolução do Trabalho do autor inglês Richard Donkin e editado pela M. com o trabalho em si. p. . e o interessante é verificar que ele aparece no campo. O trabalho escravo. SANGUE. Por isso. mas esclarece situações sobre o trabalho. Obra que descreve a história econômica. e a dos homens entre si.28).Aula 2 | Trabalho: conceitos e definições 31 homens e a natureza. NOSTALGIA DO MESTRE ARTESÃO de Antonio Santoni Rugiu que é editado pela Autores Associados . editado pela Jorge Zahar. Marx e Engells afirmavam que o trabalho abstrato era uma atividade social mensurada pelo tempo de trabalho necessário e produtor da mais-valia. podem existir as interligações. gerador de mais valia. a princípio. o trabalho fundante do mundo dos homens nada tem a ver com o trabalho abstrato. Dica de Leitura Caro aluno. 4. também. A vida social também terá as suas atividades que nada tem a ver. O NASCIMENTO DAS FÁBRICAS DE EDGAR DE DECCA editado pela Brasiliense. se desejares aprofundar o conhecimento sobre a História do Trabalho e sobre o Trabalho propriamente dito sugerimos: 1. A ORIGEM DO CAPITALISMO DE ELLEN MEIKSINS WOOD. É uma bela história do trabalho. Este pequeno livro é bem sucinto na descrição da história das fábricas. Entretanto. O trabalho infantil e feminino são abordados. Obra que resgata o trabalho feito pelo Artesão. 2. editado pela Vozes. Entretanto. eles viam o trabalho como uma atividade de transformação real construída pelo homem como ser individual e como totalidade social na qual participa (Idem. Daí. A autora americana apresenta a história do Capitalismo.

São estudos sobre a história do Operariado. editado pela Guanabara. Lessa destaca a expressão “sinônimo” para esta confusão conceitual. As relações capitalistas no mundo globalizado estão se ampliando e se incorporando a todas as formas de práxis social para valorização do capital. estoques. Obra que apresenta novos estudos sobra a História Operária. A outra tendência é a diminuição da distância entre as atividades de planejamento (gerência. As atividades de “controle” e de “planejamento”. OS TRABALHADORES DE ERIC HOBSBAWM. Elas têm uma base de discussão em defesa do trabalho e de caráter socialista. Com o Just in time. que na etapa fordista tendiam a ser separadas das atividades da linha de montagem. p. há também uma diminuição da distância entre as atividades que realizam a mais-valia (a esfera da circulação das .28). (Idem. pelo qual são aproximadas cada vez mais do próprio ato de produção. engenharia.) e o próprio processo produtivo. Estas obras sugeridas permitirão aos alunos um conhecimento sólido e profundo sobre a história do trabalho ao longo dos séculos. MUNDO DO TRABALHO DE ERIC HOBSBAWM. editado pela Paz e Terra. 8. TRABALHO E CAPITAL MONOPOLISTA DE HARRY BRAVERMAN. Esta extensão gera a impressão de que Trabalho e Trabalho Abstrato sejam a mesma coisa. marketing etc. 7. Ele aponta como uma causa para esta confusão duas tendências da “reestruturação produtiva”: Uma é o impulso à eliminação. mas que discute a degradação do trabalho no século XX. Obra antiga. ou à forte diminuição. agora parecem realizar um movimento inverso.Aula 2 | Trabalho: conceitos e definições 32 6. de empregos voltados para o controle dos trabalhadores na atividade produtiva direta.

entre o engenheiro e o operário. executava as atividades e as tarefas que eram determinadas. 3. Desse modo. e com isto necessitava de uma forte ligação intermediária entre a cúpula do processo produtivo e o trabalhador. 2. Na conceituação de Marx trata-se da mais-valia relativa. todo o trabalho imaterial tinha que ser executado por outros trabalhadores que não são os operários. Assim. de comprar a matéria-prima e os insumos.Aula 2 | Trabalho: conceitos e definições 33 mercadorias) produzem. mas havia toda a necessidade de planejar. e a maior organicidade entre circulação e produção é concebida como fusão das duas esferas. iremos sugerir obras que podem servir de contraponto. de A produtividade caracteriza-se pela produção produzida na unidade de tempo. Lessa diz: “. maior será a maisvalia obtida. de automação e de microeletrônica.. ou mesmo subsidiar conhecimentos daquelas obras: 1. Este último. E em trecho abaixo.29) Dica de Leitura No bloco anterior colocamos uma série de obras de vertente socialista. . de programar. quanto mais se produzir na mesma unidade de tempo. editado pela Makron Books. e aquelas que a (Idem.. Uma visão do Banco sobre a questão de emprego na América Latina. encontramos alguns pontos interessantes: :: Produtividade: 1º PONTO A produção oriunda da etapa fordista não possuía os recursos tecnológicos de informática. O FIM DOS EMPREGOS DE JEREMY RIFKIN. p. p. Obra que defende o processo de globalização.30). Aqui. PROCURAM-SE BONS EMPREGOS: O MERCADO DE TRABALHO NA AMÉRICA LATINA do Banco Interamericano de Desenvolvimento.” (Idem. Assim. Estes possuem a escolaridade mais elevada e recebem melhor remuneração. de controlar. Este autor americano discute a mudança do trabalho à luz da modernidade. CRESCIMENTO E POBREZA DO BANCO MUNDIAL. ou seja. analisando as últimas afirmações de Lessa e observando o processo produtivo atual. GLOBALIZAÇÃO. com escolaridade mínima.

4. apontadores. Ver caderno 22 na página 239. era desprovido do trabalho intelectual. A fábrica atual compra e instala um “robot”. capaz de aumentar a produtividade e fabricar um produto de maior qualidade com a utilização de uma quantidade bem menor de mão-de-obra. plantas e de atividades começam a ser geradas pelas máquinas e transmitidas diretamente da cúpula produtiva para o executor. por isto. com o propósito de se tornar mais competitiva e moderna atendendo as exigências do capital. Aqui é importante destacar que o trabalho manual dos executores. desenhos. ordens. 2º PONTO Dica de leitura O processo de gestão se transforma da produção fordista para a toyotista. ao mesmo tempo. fazendo desaparecer os postos de trabalhos voltados para planejadores. Entretanto. tendo em vista que a classe trabalhadora deveria ser posicionada como uma “coisa” (máquina). controladores. No Brasil. a cada momento.editado pela Civilização Brasileira. os técnicos de nível médio ocupam essa faixa intermediária de ponta e. não só aproxima o trabalho riscadores. desenhistas material e imaterial. esta classe intermediária passa a ser “enxugada” e grande parte das diretrizes. com o advento das tecnologias citadas. etc. pois os mentores das técnicas administrativas oriundas do Japão passam a perceber que é fundamental e imprescindível que o Sugerimos a leitura do texto “AMERICANISMO E FORDISMO” de Antonio Gramsci na obra Cadernos de Cárcere – vol. do pensar.Aula 2 | Trabalho: conceitos e definições 34 estocar etc. passa a existir uma classe intermediária na hierarquia das empresas. maior escolaridade o processo produtivo passa a exigir das empresas de tecnologia uma dos trabalhadores. teoricamente. Este quadro. de modo a atender as atividades do processo fabril buscando o aumento da produtividade e. .

em 1913. responsabilidade Dica de filme Veja o filme “Tempos Modernos” de Chaplin que é uma crítica a “produção em massa” desenvolvida pelo Fordismo. a mão-de-obra começa a ser definida como polivalente e flexível. O toyotismo revolucionou a fabricação industrial em todo o mundo partindo do princípio que atrás das máquinas tinha um homem. Gramsci associa tal sistema de produção à forma de racionalização que define um modo de vida. No fordismo a mão-de-obra só executava enquanto.. incluindo práticas administrativas.. da manutenção e da avaliação do seu próprio trabalho. e que este é plenamente capaz de tomar micro decisões. surgiu após a Segunda Guerra Mundial com concepção da própria Toyota em suas fábricas. Agora.” (2002. relações de trabalho e princípios de gestão de empresas voltadas para o aumento da produtividade desenvolvido pelos japoneses. em Highland Park. Assim.. que o utiliza para caracterizar o sistema de produção e gestão empregado por Henry Ford em sua fábrica. p. Este modelo também chamado de “Modelo Japonês”. a Ford Motor Co.123). Troca-se um homem totalmente alienado e cumpridor de ordens por um capaz de decidir e escolher a melhor maneira de produzir. :: Toyotismo Este termo aparece em função do conjunto de técnicas de organização da produção e do trabalho industrial. pensava. na Gestão da Qualidade Total. poucos fora do processo executor. o primeiro passo para seu sucesso é criar um processo educativo que restaure a autoestima numa do etapa trabalhador. Por isso. bem como participar efetivamente do processo produtivo. a idéia é que o executor também participe do planejamento. :: Fordismo Do Dicionário de Cattani temos a seguinte definição: “Fordismo é um termo que se generalizou a partir da concepção de Gramsci.Aula 2 | Trabalho: conceitos e definições 35 executor das tarefas (trabalhador) interfira no processo fabril toda a vez que verificar a sua necessidade. Além de ser uma comédia. . seguinte e a Busca-se alcançar a o conscientização por meio de novos valores para comprometimento participativa. Detroit. é uma crítica maravilhosa ao fordismo.

Sem embargo. Estamos aí diante de nova confusão e esta se amplia quando é discutido o trabalho improdutivo. esta definição de trabalho produtivo é uma contradição em relação à visão do pessoal do processo de produção ou de administração que o define como: aquele trabalho realizado. e não seria aceitável afirmar que este tipo de trabalho não seja produtivo. independente Ou seja. por exemplo. circulação e consumo. Na realidade. a aproximação entre os processos de produção. sociedade. ou seja. é o assumir da forma abstrata do trabalho. útil ou não O a TRABALHO PRODUTIVO é aquele capaz de produzir a mais-valia. segundo Marx. fruto da reestruturação produtiva e da própria tecnologia leva ao surgimento de teses que procuram alterar a própria centralidade do trabalho. distribuição. O trabalho abstrato poderia ser visto ainda sob dois prismas: o produtivo de e o improdutivo. pois nessa categoria estaria o trabalho voluntário ou filantrópico. a necessidade capitalismo tem provocado a extensão das relações do capital sobre a quase totalidade das atividades de trabalho. construído ou fabricado em um produto para torná-lo mercadoria. se expandir E. O senso comum não entende e nem aceita a definição do TRABALHO IMPRODUTIVO como aquele não gerador de mais-valia. . ser aquele trabalho voltado diretamente para o processo produtivo com objetivo da valorização do capital.Aula 2 | Trabalho: conceitos e definições 36 3º PONTO A subsunção do trabalho ao capital (Marx) é uma característica do do mundo de capitalista.

A noção de COMPETÊNCIA que ora é inserida no mundo da educação e do trabalho. Todas as Ocupações Classificação (CBO). A sua presença modifica as relações coletivas por causa da dependência do mercado. pois a cada momento as competências necessárias podem ser alteradas e. ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ Qualificação X Competências O conceito de QUALIFICAÇÃO é históricoconcreto e fruto da relação do trabalhador com o emprego e o trabalho propriamente dito. praticamente anulando o papel dos sindicatos e dos demais órgãos coletivos. Todas as relações fundamentais do trabalho estão sob sua constituição. A qualificação é a fonte indicadora de atribuições de um posto de trabalho. Procure apontar as diferenças de formação do trabalhador para ambas as idéias. com isto o perfil profissional do nas qualidades subjetivas do profissionais Brasileira constam de da Ocupações . toma a posição central deslocando a Qualificação e valorizando o capital no momento que se fundamenta trabalhador.Aula 2 | Trabalho: conceitos e definições 37 EXERCÍCIO 1 Considere as duas idéias – Taylorismo/Fordismo e Toyotismo – e estabeleça as diferenças existentes entre as duas idéias. de uma ocupação profissional.

vá ao site do Ministério do Trabalho (www. elaboração de planos de cargos e salários. CBO indica Classificação Brasileira de Ocupações.mte. a competência profissional de um Perfil Profissional poderá conter: A noção de competência vincula-se as necessidades do capital e servirá de base para o trabalhador manter a sua empregabilidade (condição de atender o mercado de trabalho profissionalmente) adquirindo continuamente novas competências e .br) e veja no menu CBO.gov. ferramentas etc. condições de trabalho. formariam os trabalhadores. COMPETÊNCIA conhecimentos PROFISSIONAL e habilidades articular necessários desempenho eficiente e eficaz de atividades requeridas pela natureza do trabalho. :: Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) Se você desejar ampliar seus conhecimentos sobre ocupações profissionais e suas atividades e tarefas. Esta estrutura curricular facilitará até a certificação profissional e o aproveitamento de conhecimentos. E mobilizar.Aula 2 | Trabalho: conceitos e definições 38 trabalhador é outro e a negociação do empregador tenderia ser As diretamente empresas. estatísticas. suas atividades. o que é e competência é a em colocar profissional? capacidade ação para de o valores. Vale a pena conhecer. realizada na com é cada que trabalhador. definindo seus perfis e suas carreiras de acordo com sua necessidade. A CBO serve para decisões judiciais sobre trabalho. devendo o currículo dos cursos de formação profissional ser estruturados em módulos com certificações parciais nos casos de haverem formações terminais para o trabalho. Assim sendo. realidade. nela estão descritas todas as ocupações profissionais. O PERFIL PROFISSIONAL será constituído por COMPETÊNCIAS e HABILIDADES. tarefas.

O trabalhador é multifuncional e não pode ficar limitado estaticamente como no mundo das qualificações e descrito na CBO. ele ficou marcado por determinadas correntes que afirmam que o governo deseja fugir de sua responsabilidade educacional. sugerimos: 1) CONSTRUIR AS COMPETÊNCIAS DESDE A ESCOLA de Philippe Perrenoud. quando se diz itinerário profissional corresponde aos caminhos que uma pessoa pode escolher para alcançar sua empregabilidade. Assim sendo. Para evitar esta conotação. editado pela Artmed. (ver Parecer CNE/CEB nº 16/99) Esta noção leva o trabalhador a definir seu “itinerário profissional” e com isto a própria PROFISSIONALIDADE. pois as atribuições da ocupação passam a não existir de acordo com a visão estática regulamentada na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). :: Empregabilidade O termo “empregabilidade” tem sido utilizado no sentido da pessoa adquirir as competências para conseguir entrada no mercado de trabalho. sem questionar se determinada atribuição é de sua incumbência. Como é um termo que leva apontar o indivíduo como responsável por obter sua empregabilidade. A LABORABILIDADE “traduz-se pela mobilidade entre múltiplas atividades produtivas. . imprescindível numa sociedade cada vez mais complexa e dinâmica em suas descobertas e transformações. transferindo para o trabalhador a culpa de seu desemprego. :: Itinerário Profissional: Uma das idéias que o sistema de competências apresenta. através dos módulos. DESAFIOS ATUAIS E PROPOSTAS de Phillipe Zarifian. editado pelo SENAC. Do exposto. As competências são dinâmicas. os cursos devem permitir. 2) O MODELO DA COMPETÊNCIA: TRAJETÓRIA HISTÓRICA. é que cada trabalhador é responsável por traçar sua caminhada profissional. Este tema é obrigatório para quem deseja entender de capacitação profissional. Por este motivo. ou laborabilidade. A qualificação é questionada.Aula 2 | Trabalho: conceitos e definições 39 habilidades. os documentos oficiais têm usado a palavra: LABORABILIDADE. pois se trata de um novo sistema. ou seja. várias alternativas diferentes de capacitação profissional. Ele sempre terá que aprender e desenvolver novas competências para se atualizar e fará o máximo para manter seu emprego. em resumo consiste na capacidade (constituída por competências) da pessoa para se empregar na sociedade atual.

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3) OBJETIVO COMPETÊNCIA: POR UMA NOVA LÓGICA de Philippe Zarifian, editado pela Atlas; 4) A PEDAGOGIA DAS COMPETÊNCIAS: AUTONOMIA OU ADAPTAÇÃO? de Marise Nogueira Ramos, editado pela Cortez. Esta obra é um contraponto ao que é pregado nas três primeiras obras; 5) COMPETÊNCIAS E HABILIDADES: DA TEORIA À PRÁTICA de Maria C. Mello e Amelia Escotto do Amaral Ribeiro, editado pela WAK;

A qualificação, como atualmente existe, define as funções técnicas estabelecendo direitos e deveres, só permitindo a certificação de modo formal. O mundo do trabalho atual não permitirá este tipo de trabalhador, já que este terá que ser polivalente (flexível para atender as obrigações do trabalho) e com mobilidade funcional. Trata-se de uma visão dinâmica diferente da estática das qualificações, onde o Diploma prevalece. Este é o discurso oficial e do empresariado. Os critérios de remuneração e dos planos de carreiras deverão sofrer profundas mudanças, tendo em vista que as negociações salariais tende a passar da coletividade para a individualidade. Atualmente já existem as primeiras empresas desenvolvendo planos de carreiras por competência e individualizado. A COMPETITIVIDADE e a disputa de espaço podem levar a deterioração do ambiente de trabalho, tendo em vista que cada um, individualmente, irá procurar seu itinerário e fará tudo para se destacar. Entretanto, aqui surge outro aspecto provocado pela competência: o trabalho em equipe. Neste momento,

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terá que ser entendido que ele existirá pela necessidade de serviço, do mesmo modo que a visão crítica ou o pensar antes de agir refere-se apenas as questões de execução do trabalho. O “fetiche” da GLOBALIZAÇÃO esconde o individualismo por meio da competitividade.

Realidade do Mundo do Trabalho
No capítulo anterior foi observado um modelo de empresa e de trabalhador do futuro. A FLEXIBILIDADE é um ponto marcante que inclusive com gera a aos mudança perfis do sistema de das qualificação para o sistema de competências relação profissionais empresas. Os planos de cargos e salários de uma série de organizações já estão estruturados em competências. As escolas já procuram montar seus currículos em função deste novo sistema e a trabalhar mais próximo possível do mercado de trabalho. Entretanto, é a economia que dita a realidade do mundo do trabalho, em virtude que cada país depende de sua política de ciência, tecnologia, desenvolvimento, emprego e renda para criar postos de trabalho. A economia apresenta alguns conceitos fundamentais para o conhecimento da realidade do trabalho: A POPULAÇÃO EM IDADE ATIVA (PIA) que corresponde a todos aqueles, na faixa de 15 a 65 anos, que deveriam estar trabalhando. importante citar a:  POPULAÇÃO ECONOMICAMENTE ATIVA (PEA) É

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que corresponde à população que deseja e tem interesse no trabalho. Ou seja, é composta por aquelas pessoas que tem ou querem trabalho.  POPULAÇÃO (PEI) que ECONOMICAMENTE corresponde aqueles INATIVA que não

querem ou não tem interesse em trabalhar. O PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) que

corresponde a uma medida de riqueza de um país. É a soma de todos os produtos e serviços produzidos na economia numa unidade de tempo. O que foi feito pela indústria, pelo comércio e pela agricultura é contabilizado. Os dados sobre a PEA fornecem a realidade da mão-de-obra disponível para o mundo do trabalho, ou seja, do total da população quem está disponível para o trabalho. É em função deste índice que são apontados os níveis de desemprego, de trabalho formal (carteira assinada) e de trabalho informal. O PIB permitirá verificar o crescimento ou não de um país. Assim, se o PIB de um ano do país não teve crescimento implica que não foram criados novos empregos.

Crescimento do PIB brasileiro (1990-1998) Ano 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 % -4,3 0,3 -0,8 4,2 6,0 4,3 2,9 3,0 1,5 Fonte: Conjuntura Econômica

Caro aluno pela tabela da para verificar a forte recessão do início dos anos 90, pois os três primeiros anos, o PIB variou de –(4,3) a (–0,8). Depois tivemos um crescimento da economia, e por fim, a queda para o final dos anos 90. Como nossa PEA cresceu no período. Aumentou o

Assim sendo. Se fosse deseja conhecer em detalhes tais propostas e outras. causa deste empresas multinacionais têm procurado instalar suas fábricas nos países em desenvolvimento que oferecem incentivos fiscais e baixo custo de mão-de-obra.Aula 2 | Trabalho: conceitos e definições 43 Em econômico. Os mercados de trabalho dos países em desenvolvimento financiando a têm sido procurados e a com grande freqüência. de modo a ter no local todo o trabalhador necessário para a instalação da fábrica. Entretanto. Alemanha. O desemprego nos países desenvolvidos tem levado a seus governantes proporem medidas na Organização Mundial de Comércio (OMC) a criar medidas que vá punir países em desenvolvimentos que utilizam trabalho escravo. ou seja. constata-se na tabela nº1 que Por os países desenvolvidos fato. deixando nos países desenvolvidos o trabalho de pesquisa e de desenvolvimento de projetos/produtos/serviços. Esta questão é a permissão de qualquer trabalhador do mundo exercer seu trabalho em qualquer país. as apresentam elevado custo por hora para seus trabalhadores. os custos de mão-de-obra variam de país para país. um paraguaio ou brasileiro procurar emprego livremente na França. Itália etc. inclusive com as empresas escolaridade capacitação profissional da região escolhida. leia o livro: O Brasil e a OMC organizada por Welber Barral e editado pela Juruá. a desativa a fábrica e faz a multinacional transferência. é importante deixar claro que caso outro país (ou região) ofereça vantagens fiscais compensatórias. . Trata-se de excelente trabalho para um posicionamento a respeito do papel da OMC. Entretanto. Estados Unidos. uma questão não é abordada e permitida. função dos do e desenvolvimento das conquistas impostos Dica de leitura trabalhistas.

Quando se fala que é mais vantajoso para um país como o Brasil não investir em pesquisa e capacitar sua mão-de-obra de acordo com o mercado de trabalho.33 24. Como você vê a situação do trabalhador em ambas. qual a posição do Brasil nesta tabela? qualificação profissional e um regime de competências. A proposta deste caso leva o nome de ”CLÁUSULA SOCIAL”.88 29. Se você desejar conhecer melhor este processo estude a história da indústria naval brasileira. EXERCÍCIO 2 Para pensar Faça uma descrição das diferenças entre um regime de Após ler a tabela abaixo você acha que a nossa mãode-obra é cara? Não colocamos de propósito o valor do Brasil (custo-Brasil).28 26. ou leia livros sobre a vida do Barão de Mauá. está se pensando neste ideário neoliberal.  Liberalização da educação superior ser oferecida por qualquer instituição mundial sem barreiras de países como se fosse serviço ou mercadoria. Além dessa medida existem outras do tipo:  Liberalização dos serviços de engenharia e arquitetura para a utilização por partes de multinacionais que ganharam concorrência de usar a mão-de-obra que desejar de qualquer país do mundo no país anfitrião.78 .Aula 2 | Trabalho: conceitos e definições 44 trabalho infantil etc.88 25. ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ CUSTOS DE MÃO-DEOBRA POR HORA DE PRODUÇÃO EM DIVERSOS PAÍSES-1995 PAÍS Custos em Dólares Americanos (US$) Alemanha Suiça Bélgica Áustria Finlândia 31.

59 0.03 14.70 7.28 5.40 13. China Malásia Filipinas 24.Aula 2 | Trabalho: conceitos e definições 45 Noruega Dinamarca Países Baixos Japão Suécia França Estados Unidos Itália Canadá Austrália Reino Unido Espanha República da Coréia Cingapura Taiwan.82 1. China Hong Kong.38 24.77 12.40 7.82 4.71 .34 17.20 16.18 23.66 21.48 16.19 24.36 19.

25 Fonte: Stalker.The Impact of Globalization on International Migration (OIT) apud Banco Mundial (2003). um minerador (operário) possuir todas estas competências e habilidades. Perfil Profissional do Empreendedor O trabalhador do século XXI deve ter o perfil profissional abaixo descrito. Salvo melhor juízo. Devemos olhar a formação ou qualificação do técnico de apoio escolar olhando os atributos postos neste perfil profissional.Aula 2 | Trabalho: conceitos e definições 46 Tailândia 0. as inovações tecnológicas.30 China 0. P.46 Indonésia 0. Você pode estar achando um absurdo. Análise dos Atributos A figura apresenta um trabalhador onde destacamos as características que irão compor o PERFIL PROFISSIONAL de um empreendedor. a produtividade do ramo em que o trabalhador estiver envolvido. a competitividade das empresas.25 Índia 0. de se a informatização com ou a necessidades trabalhar equipamentos .

A conscientização concomitantemente. produtivos e de gestão na busca dos aumentos :: Sensibilização: citados. O A sensibilização se processa trabalhador tem que mudar. e quem não possuir escolaridade. e  O movimento social de criação do espírito de :: Conscientização: empreender. Como. dos métodos valores e crenças. iniciar gerir empreendimento. a camisa e sabendo que ele lucra com o sucesso da empresa. É por isso que a Gestão da Qualidade Total (GQT) e o empreendedorismo surgem como imprescindíveis na sociedade moderna. A tarefa deEntenda que o segundo eixo não é conscientização apenas no sentido de se ter um negócio. já não O trabalhador tem têm grande que conhecer sua margem para crescimento. Qualquer proposta para um Programa Educacional deve levar em contas as perspectivas do mercado de trabalho em que . o empreendedorismo deve voltado para três eixos:  A  A capacidade capacidade pessoal de (individual) e para o estar empreender. A conscientização e e a sensibilização são necessárias para que o sensibilização vão implicar no aumento homem se torne um trabalhador que produza da responsabilidade pelo trabalho em com qualidade e produtividade cada vez melhor. existe a importância e valor de mudança dos processos nonecessidade processo produtivo. Daí. as profissões estão vivendo num mundo de mutações sem precedentes na história do mundo do emprego. de trabalho. Os aumentos também educando da importância de da produção e da produtividade estão limitados “vestir a camisa” em funçãocapacidade diária de produzir e na melhoria na da mudança dos princípios. mas implica em convencer o de agir como empregado. Assim.Aula 2 | Trabalho: conceitos e definições 47 sofisticados exigirão um novo perfil profissional. busca de melhores vestindo resultados. estes. fatalmente será excluído.

os insumos. pois atualmente uma série de micro decisões são tomadas no chão da fábrica ou no balcão de atendimento da empresa. pelo empregador.Aula 2 | Trabalho: conceitos e definições 48 está inserido profissional. peças de reposição devem ser mínimos. Entretanto. mas também do comércio e dos serviços. Tem que levar em consideração obrigatoriamente as possíveis evoluções do modo de produção. por padrinho ou político para resolver um problema. EXERCÍCIO 3 Você conhece uma pessoa empreendedora? Que características diferencia você delas? ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ As Características Pessoais Um empreendedor como vimos deve ter as seguintes características: INICIATIVA O programa educacional deve incentivar a pessoa não esperar pelo governo. A pessoa deve ser preparada a . pelo chefe. pois os custos são elevados e podem tornar inviáveis as próprias empresas. os avanços dos processos de fabricação e dos perfis profissionais envolvidos. chamamos a atenção que profissionais empreendedores e competentes tem que ser meta contínua. por parente. Não pense que estamos falando só da indústria.Os estoques de produtos.

ou seja. A imagem de um vencedor é motivadora e geradora de entusiasmo. e automaticamente coragem moral para atos.Aula 2 | Trabalho: conceitos e definições 49 buscar solução. DECISÃO E RESPONSABILIDADE Obviamente desenvolvido Para pensar um indivíduo e a que tem a iniciativa autoconfiança possui condições primordiais para a tomada de Você é uma pessoa motivada com responsabilidade de seus assumir a entusiasmo e o programa educacional não pode otimismo? Dê uma nota (de 1 a 5) no exercício de casos que levem o para você e caso não seja a maior. negligenciar educando a MOTIVAÇÃO E ENTUSIASMO Estas duas características são fundamentais para uma pessoa empreendedora. A motivação e o prazer daquilo que faz são imprescindíveis na obtenção dos resultados e no envolvimento de outras pessoas no seu trabalho. tomar razões escreva as decisões. decisão. para isto. Assim. de oferecer-se para realizar tarefas desafiadoras. Isto significa que a crença pessoal gera no indivíduo o atributo de ousar. de desenvolver confiança e a seja capaz de conhecer e acreditar em modo que iniciativa na empresa? si mesmo. o indivíduo deve ter a capacidade de agir partindo para a solução do problema sem ser guiada. Para pensar Peter Senge em sua obra “A QUINTA Quais deveriam ser as DISCIPLINA” destaca a necessidade do homem técnicas e métodos para possuir a autodomínio pessoal e modelos mentais. . AUTO-CONFIANÇA O programa educacional deve procurar desenvolver nos educandos a autoconfiança.

tem que acreditar. OTIMISMO Um empreendedor tem que ser otimista por natureza. tomando as ações corretivas a tempo e hora. mas com motivação e entusiasmo. o indivíduo abandona descansar as ou suas idéias. Ou seja. por isso dono que não se motiva e não tem entusiasmo fracassa em suas empreitadas. PERSISTÊNCIA Um empreendedor tem a certeza que as coisas não acontecem da noite para o dia. pois ele é irradiante como o sol. para frutificar e dar lucro. É igual à natureza. O empreendedor tem que ter persistência. pois é mais fazer cômodo naquele justificar para não momento determinada atividade. o otimismo e a persistência necessitam de uma forte capacidade de energia.Aula 2 | Trabalho: conceitos e definições 50 O entusiasmo complementa a motivação. Um projeto para dar frutos. tem que insistir. e principalmente acompanhar os resultados. O programa educacional deve incentivar a pessoa a fazer bem feito as coisas. estabelecer objetivos e metas com o risco calculado. todo o projeto tem seu tempo para madurar. Sem energia. ENERGIA O programa educacional tem que deixar claro para o educando que a motivação. Você já deve ter ouvido falar que boi só engorda com o olhar do dono. leva tempo. Entretanto. e sim. cabe esclarecer que otimismo não é se iludir com sonhos ou utopias inalcançáveis ou de alto risco. muitas vezes. o entusiasmo. pois já trabalhou . tem que acreditar nas oportunidades ou nas possibilidades oferecidas pela vida.

todas as características anteriores se completam na energia. ele saber que correr risco é normal em qualquer atividade. é primordial. atividades e tarefas. Vejam bem. mas que este risco pode ser calculado e planejado. fatalmente no sábado e domingo é que as vendas serão intensas e se você não trabalha serão lucros serão menores. pois sem ela nada se faz. Estude o quadro e a situação. situação. O combate a determinados paradigmas do tipo: não trabalho aos sábados. então. obter os resultados positivos. É importante. Do fracasso. procurandoVocê já ver que o desconhecido com PLANEJAMENTO. se você fez um analisou alternativas você deve planejar após ter escolhido a melhor opção. você cuidado. deve procurar lidar com a sua ansiedade e impaciência. um Para pensar pessoa se propõe a realizar. Assim sendo. implica numa possibilidade A aceitação do risco implica em vencer o empreendedor medo: não deve ter medo do risco. .Aula 2 | Trabalho: conceitos e definições 51 muito. mas Decalculá-lo. o decorrer do tempo vai se tornando diagnóstico conhecido. Assim. Um exemplo simples é o vendedor de terrenos em regiões de veraneio. Busque e antecipar tal negócio. PENSAR SEMPRE ANTES DE AGIR. O programa educacional tem que ter como um de para seus objetivos e capacitar planejar o seu educando diagnosticar trabalho. As alternativas são Do trabalho. porque trabalhei a semana toda e tenho que descansar. ACEITAÇÃO DO RISCO Qualquer negócio ou trabalho que uma de riscos. e Danecessárias e devem ser analisadas com muito responsabilidade. deve ter as ouvido falar em do pois bem. diagnosticando as alternativas para perder dinheiro.

Esta tem um aspecto interessante. que saiba conviver com as críticas de terceiros. Não deve ser esquecido que um grande número de pessoas se preocupam com o que os outros vão pensar delas. se faz um concurso. Assim. Assim é importante que o educando acredite em si mesmo. Em resumo. e para isto. procura sempre uma justificativa para dizer que não fracassou. O medo do fracasso apresenta outra característica que os derrotados trazem consigo a REJEIÇÃO.Aula 2 | Trabalho: conceitos e definições 52 SEM MEDO DO FRACASSO Talvez aqui esteja a característica que mais leve uma pessoa ao fracasso educacional e profissional. mas seja capaz de analisar e aproveitar a sua parte útil. a característica de não ter medo ao fracasso e a rejeição compõe a personalidade de um empreendedor. CONTROLE Esta característica se apresenta em três aspectos diferentes:  Aspecto Pessoal . o agrado excessivo ao semelhante e até uma submissão desastrosa. mesma a pessoa deve possuir sobre domínio as suas pessoal. o fracassado acha que não está trabalhar naquilo. e isto provoca um efeito de derrota muito grande. Ou seja. pois sempre acha que vai fracassar. O indivíduo se torna um perdedor. pois o medo da rejeição provoca nas pessoas a subserviência. é fundamental que a tenha controle .conforme proposto por Senge.

Aula 2 | Trabalho: conceitos e definições

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emoções;  Aspecto Externo - quando acredita que seu sucesso acontecerá e dependerá de si mesmo, e não apenas de ações de forças externas. Estas ações externas têm que ser controladas e direcionadas em favor do seu projeto; e

 Aspecto Profissional - quando falamos em planejamento na característica de aceitação de que risco, quem estávamos não planeja, pensando não em administração. Não é novidade para ninguém administra. que para Entretanto, cabe ressaltar

administrar é fundamental que exista um controle sob o planejamento. As ações terão que ser monitoradas as ações passo de a passo a para e se que continuamente verificar avaliadas, modo

corretivas

objetivos e metas traçadas sejam alcançadas. TRABALHO EM EQUIPE Esta Dica de característica leitura é fundamental numa

época de grande competitividade, pois todos
Leia ESTRATÉGIAS PARA admite mais o “dono da verdade”, “o APRENDIZAGEM EM EQUIPE no caderno imprescindível”, e o nosso melhor exemplo vem de campo da obra do Disciplina, de Quintaesporte. O sucesso de uma equipe de voleibol Senge, 1995. depende do Caso não encontre conjunto. No futebol é a mesma esta obra, leia coisa, a algum livrobem como no basquetebol. Tomando um respeito.

devem “vestir a camisa do negócio”. Não se

exemplo deste último esporte. Bill Russell, que foi um dos maiores astros da NBA, fazia dezenas

de pontos por partida e foi o cestinha de vários campeonatos. Entretanto não era campeão. O Boston Celtics não ganhava

Aula 2 | Trabalho: conceitos e definições

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campeonato e o novo treinador Red Auerbach assumiu a equipe. Chamou Bill e disse a ele que sozinho, ele não conseguiria chegar ao título de campeão, mas que passando a bola, rapidamente, a um colega melhor colocado e buscando o trabalho de equipe alcançaria resultados melhores. Ser o cestinha não era o mais importante. Acreditem ou não o Boston Celtics, a partir deste momento conquistou onze de treze campeonatos no período de 1957 a 1969, façanha jamais alcançada por outra equipe. Era contínuo o aprendizado em equipe. Em resumo, equipe é um conjunto e não um grupo de pessoas com algumas estrelas. Analisando tudo o que foi dito, podemos verificar que a UNESCO ao afirmar que a educação deve ser sustentado sob quatro pilares, esta imaginando a formação humana de acordo com o pensamento empreendedor, pois;  Aprender a aprender significa caminhar com seus próprios pés;  Aprender a ser implica no homem conhecer a si mesmo e a sociedade em que está inserido;  Aprender a fazer de corresponde suas habilidades ao e

desenvolvimento do trabalhador; e

técnicas que estruturam o perfil profissional

 Aprender a conviver significa que o homem deve desenvolver a sua capacidade de viver em harmonia com os seus semelhantes, ou seja, na capacidade de trabalhar em equipe. A qualificação profissional deve estar voltada para uma melhor escolaridade e formação profissional,

Aula 2 | Trabalho: conceitos e definições

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tendo em vista que os avanços tecnológicos podem amanhã excluir o trabalhador do mercado de trabalho, mas este terá condições de se requalificar continuamente.

RESUMO
Vimos até agora:  Tivemos a oportunidade de abordar e de discutir a conceituação e as relações que envolvem o trabalho;  Fizemos a comparação entre a qualificação e as competências;  Procuramos ver a realidade do trabalho no mundo atual.

que tem a disposição. Conhecer o ensino médio. Nesta caminhada. Entender a diferença entre os modelos. Entender a importância do ensino médio. por objetivos ou por competências. Objetivos Esperamos que. A seguir. após o estudo do conteúdo desta aula.Práticas Educacionais e Ensino Médio Antônio Ney 3 Apresentação Esta aula levará você (aluno) a ter os conhecimentos básicos de práticas educacionais e sobre o ensino médio que marcaram a educação nos últimos tempos. O aluno deve observar a diferença de trabalhar com os métodos e com as didáticas tradicionais. a discussão e análise das Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Médio são elementos obrigatórios e fecham a visão global que o aluno deve ter da Educação Básica. AULA . Entender a prática por objetivo. Conhecer a pedagogia das competências. conhecer o papel e a importância do ensino médio na formação do homem é fundamental para a vida de um pedagogo. você seja capaz de:       Entender a prática tradicional.

ou seja. 9 e 10) abaixo: Lembramos que este modelo recebeu de Paulo Freire a denominação de “Educação Bancária”.Aula 3 | Práticas educacionais e ensino médio 57 Práticas de Ensino PRÁTICA TRADICIONAL O modelo tradicional de ensino ocorre de acordo com o esquema (adaptado de Barreira e Moreira. aquela em que o professor deposita o “conhecimento” a ser aprendido no aluno como se fosse uma conta bancária. 2004. . p.

É fundamental deixar claro que o comportamento humano manifesta-se sob o domínio cognitivo. isto é.Aula 3 | Práticas educacionais e ensino médio 58 PEDAGOGIA DOS OBJETIVOS Do modelo da educação bancária de Paulo Freire passamos objetivos). estabeleceram-se taxonomias. “ciências das leis de classificação das formas vivas” (Viviane e Gilbert de Landsheere apud Barreira e Moreira. o domínio afetivo e o domínio psicomotor. Esquematicamente o comportamento humano pode ser visto da seguinte maneira: COMPORTAMENTO HUMANO Domínio Cognitivo Domínio Domínio Afetivo Psicomotor Conhecimento Valores Movimentos Corporais Compreensão Atitudes Aptidão do Interesses pensamento Com o propósito de discriminar comportamentos. a desenvolvida por Bloom et al (1956). o processo de educar consiste no conduzir o aluno a alcançar um determinado objetivo pré-estabelecido pelo professor. 2004. Tomamos como exemplo. p. Assim. A taxonomia de Bloom é composta em seis categorias: 1) Conhecimento 2) Compreensão 3) Aplicação 4) Análise . 11). A Pedagogia por Objetivos considera o ao modelo behaviorista (pedagogia por comportamento como resultado da resposta a um estímulo.

Esta pedagogia centraliza seu processo de ensino-aprendizagem na planificação e avaliações rigorosas. transmite o conhecimento e avalia. Desse modo. O papel do professor é central. podemos ver que a taxonomia de Bloom se apresenta em estágios que são direcionados em função da complexidade. pois ele planifica. Quando educacional estudamos tal planejamento taxonomia para destacamos estabelecer objetivos. O quadro abaixo permite uma análise de avaliação sobre a pedagogia por objetivos: VANTAGENS E DESVANTAGENS DA PEDAGOGIA POR OBJETIVOS Vantagens Desvantagens .Aula 3 | Práticas educacionais e ensino médio 59 5) Síntese 6) Avaliação Um objetivo que busca dar ao aluno apenas Para pensar CONHECIMENTO àquela que é de complexidade capacitar a inferior pretende COMPREENDER um fenômeno. Você concorda que elaborar uma ANÁLISE ou uma SÍNTESE de algum APLICAR implica em dificuldades bem fato é mais complexo do que maiores do que aquelas de só CONHECER ou CONHECER um fenômeno? COMPREENDER determinado conhecimento. é construída selecionando estabelecendo-se conteúdos. A concepção desta pedagogia admite uma seqüência lógica de atividades/tarefas em função dos objetivos estabelecidos. cit) afirmam que a pedagogia por objetivos objetivos. Barreira e Moreira (op. escolhendo estratégias e momentos de avaliação.

A competência é.Proporciona mais segurança a .Limita a criatividade Fonte: Viviane e Gilbert de Landsheere. (op cit. Estados Unidos e norte da África. uma virtualidade. p. saberes-estar.Aumenta o rigor na ação didática . com vistas à resolução de um problema em contexto. então. em sociologia e ciências do trabalho.Permite uma comunicação fácil e clara . Barreira conceituação: O conceito de competência começou por ser utilizado em lingüística (contributo por Chomsky). gerando novas práticas pedagógicas (Barreira e Moreira). a concepção de competência é uma Importante e Moreira apresentam a seguinte O Currículo Nacional do Ensino Básico aqui mencionado é de Portugal e não o do Brasil.Pode cair-se na mecanização de comportamentos (prática do formalismo) .Nem todos os professores definem os professores e alunos objetivos em termos operatórios . uma possibilidade.Nem todos os objetivos podem ser explícitos .2001).Permite feedback (ajustamento e . . em psicologia.Facilita a aprendizagem . saberes-fazer.Torna mais eficiente a ação didática . Definir os objectivos da educação. saberes-tornar-se. Contudo.Aula 3 | Práticas educacionais e ensino médio 60 . 1976 apud Barreira e Moreira PEDAGOGIA DAS COMPETÊNCIAS A pedagogia das competências surgiu na década de 1990 quando foi introduzida nos sistemas escolares de alguns países da Europa. em ciências da educação. rigorosamente seguido.Melhora a planificação . pode tornar-se diretivo .14) Os autores apresentam a seguinte conceituação para competências: COMPETÊNCIAS – Mobilização integradora de saberes. Lisboa. entendida como uma abstração.Melhora a avaliação . veio assumir um significado diferente.O plano. No CURRÍCULO NACIONAL DO ENSINO BÁSICO (DEB/ME.Corre-se o risco de atomizar os modificação de estratégicas) comportamentos .

nomeadamente em situações-problema.Aula 3 | Práticas educacionais e ensino médio 61 noção ampla que integra conhecimentos. p. op cit. são de as aptidões de Antunes apresenta a seguinte SABER-FAZER SABER-ESTAR (participar. uso de habilidades. Na primeira conceituação os conhecimentos aparecem como SABERES. 2001. Os saberes são colocados como conhecimentos que podem ser de origem disciplinares ou não. As SITUAÇÕES-PROBLEMA consistem em situações mais próximas possíveis da realidade. a competência seria a manifestação específica de uma habilidade integrante de uma Inteligência. (op cit.41) Celso conceituação: COMPETÊNCIA – Compreensão. social. habilidades e atitudes. programar).. capaz de utilizar os saberes e as capacidades para o exercício profissional.) Na tabela seguinte encontramos uma . Para alguns. de modo que o aluno se torne um profissional competente. (op cit. atitudes e comportamentos que facilitam a aprendizagem e o crescimento intelectual. (Barreira e Moreira. físico e emocional dos alunos. As capacidades algo. capacidades e atitudes e que pode ser entendida como saber em acção ou em uso em várias situações. As capacidades atuam sobre os saberes. interessar) e de SABER TORNAR-SE (planejar. 94) Comparando as conceituações podemos concluir que as competências englobam três componentes essenciais: conhecimentos.

402 de Getúlio Vargas.O aluno deve “saber-fazer” o que lhe é proposto.O professor negocia projetos com os alunos (pedagogia diferenciada) .O professor assume uma postura semidiretiva. conduzindo o aluno a alcançar objetivos propostos Fonte: Barreira e Moreira (2004)..A situação deve ser analisada em todas as suas dimensões .O professor deve ser autônomo.Todos os alunos podem alcançar os mesmos objetivos (é uma questão de tempo) .A competência caracteriza-se por ser criativa (resposta a problemas).) . organizar situações complexas. a resposta é.O professor deixa de ser o protagonista. rigorosamente ensinados e controlados . eficaz (dá sentido aos saberes e capacidades) e integradora (toma em conta os diversos componentes) . que o aluno é incitado a analisar . .Socioconstrutivista (o aluno trabalha a informação e integra os saberes) .Aula 3 | Práticas educacionais e ensino médio 62 comparação entre a pedagogia por objetivos e por competências: PEDAGOGIA POR OBJETIVOS . mais que transmissor de conhecimentos .. animador. pois Você sabia? Repare que a responsabilidade pela educação profissional não superior em para médio brasileiro aponta 1909 não era do Ministério ora estava direcionada para da Educação. por vezes. inventar problemas e desafios) .Apresentação de situações.Todos os alunos devem aprender um certo número de “saberes-fazer” . criativo.As atividades são reduzidas a objetivos.Behaviorista (o aluno é capaz de. torna-se um formador (compete-lhe sustentar a aprendizagem. única e padronizada PEDAGOGIA DAS COMPETÊNCIAS . Este ministério só foi instituído como Ministério da Educação e Saúde em 1930 pelo Decreto 19. O Ensino Médio CONSIDERAÇÕES INICIAIS A história do ensino a falta de identidade.

que criou as 19 escolas de aprendizes artífices com o objetivo de atender aos órfãos. ora para a formação propedêutica do ensino superior. Na verdade. As escolas deveriam ser mantidas pelo MINISTÉRIO DA AGRICULTURA. CONSULTADAS. grifos nossos) Importante Observe que o autor destaca dois pontos A consulta da escola no texto grifado: o PRIMEIRO. p. A finalidade dessas escolas era a formação de operários e contramestres. o ensino médio ficou na dualidade entre a educação básica em busca do vestibular para a elite e a educação profissional para o trabalhador ao longo do tempo.566.2002). enquanto o com em outros instrumentos legais em vários momentos consulta da escola as indústrias SEGUNDO. 7. em “OFICINAS DE TRABALHO MANUAL OU MECÂNICO QUE FOREM MAIS CONVENIENTES E NECESSÁRIOS AO ESTADO EM QUE FUNCIONAR A ESCOLA. a da educação brasileira como ocorre atualmente.63. 2000a. responsável na época pelo ensino profissional não superior (Cunha. No formação início do Brasil foi Republicando organizada a profissional pelo Decreto nº. de 23 de setembro de 1909 do Presidente Nilo Peçanha. Para se ter uma idéia veja o que Cunha afirma: Já no início de 1910 punham-se em funcionamento as dezenove escolas. . INDÚSTRIA E COMÉRCIO. AS ESPECIALIDADES DAS INDÚSTRIAS LOCAIS” (Cunha. mediante ensino prático e conhecimentos técnicos necessários aos menores que pretendessem aprender um ofício. QUANDO POSSÍVEL. cujas datas de inauguração vão de 1º de janeiro a 1º de setembro de 1910. 2000a e Nunes. a preocupação ao “mercado” irá aparecero trabalho manual ou mecânico. pobres e desvalidos da sorte.Aula 3 | Práticas educacionais e ensino médio 63 o emprego.

A São segunda década a da Primeira República – apresenta o Governo Federal e o Governo Estadual de Paulo promovendo “marca sinalizadora” expressão de Cunha (2000b) – que era a criação de escolas profissionais para trabalhadores.244. aos quais poderia se suceder. no nível ginasial. secundário propedêutico e superior. destinava-se a todas as crianças de 7 a 12 anos (Decreto-lei nº 8. As “leis” orgânicas decretadas a partir de 1942 redefiniram os currículos e as articulações entre cursos. Por razões econômicas (a formação de força de trabalho que possibilitasse a realização do projeto de desenvolvimento assumido pelo Estado Novo) e razões idelógicas (montar um quadro geral e simétrico que abrangesse todos os tipos de ensino). enquanto as elites tinham outro caminho – ensino primário. compreendia CINCO RAMOS. O ensino secundário (Decretolei nº 4. o sistema educacional escolar passou a ter a seguinte configuração: (1) O ensino primário com quatro ou cinco anos de duração. (2) O ensino médio. Cunha descreve: A “Lei” orgânica do ensino industrial foi a primeira de uma série de seis que redefiniram a estrutura de todo o sistema educacional brasileiro. Os trabalhadores tinham outras opções em cursos rurais ou cursos profissionais de quatro anos de duração. para jovens de 12 anos ou mais.Aula 3 | Práticas educacionais e ensino médio 64 locais para montar os cursos de acordo as necessidades locais. pelo próprio ensino ministrado e pela preparação para o .529. Vejamos as linhas principais da estrutura resultante dessa legislação. ciclos e graus. de 9 de abril de 1942) tinha o objetivo de formar os dirigentes. 2002). ramos. Esta era a cara da estrutura dualista de nosso ensino (Nunes. de 2 de janeiro de 1946).

Técnico Industrial acesso as universidades. 2002). (2000b.Técnico Comercial . a criação do SENAI junto ao empresariado. e por fim. Assim. o ensino médio . qualquer um dos cursos de ensino médio permitia acesso à universidade. das escolas técnicas que formariam o técnico de 2º ciclo por áreas de aplicação (técnico industrial.692/1971) irá dar uma nova identidade ao . bem como SENAI e SENAC organizavam seus cursos a fim de obter a equivalência com os níveis primários e médios (não ocorria anteriormente).024/1961 irá promover a plena equiparação entre os cursos profissionalizantes e propedêuticos no sentido do prosseguimento de estudos.40 e 41. o que de acarretava diplomas” diferente prestígio simbólico (Nunes. 2000b). uma estrutura organizacional para a educação (Cunha. Agora. p. “é o desde 1930 do estabelecimento de diferentes tipos de escola para os seus destinatários de acordo com a classe social de origem. mas mantinha a separação ELITE: entre a formação dos Colegial Secundário (propedêutico ao trabalhadores. 5. A LDB do período militar (Lei nº. Pobres ensino superior): Científico e Clássico. técnico comercial e técnico agrícola).Normal .Aula 3 | Práticas educacionais e ensino médio 65 superior. Vargas procurava o atender seu com a de dos Importante educação adequada projeto e desenvolvimento. intelectuais para acesso os ao cursos ensino profissionalizantes sem TRABALHADOR: superior e os ricos para os propedêuticos com . grifos nossos) Durante a década de 1940 a reforma educacional do governo Getúlio Vargas irá promover. A Lei 4.Técnico Agrícola a 1961 (1ª LDB – Lei nº 4. por meio das Leis Orgânicas.024).

ou seja. 7. O fracasso desta política foi fruto da resistência da própria sociedade e que se materializou pela Lei nº. EXERCÍCIO 1 Você concorda com a afirmação de que a identidade do ensino médio é formar para a cidadania e que este nível de ensino é formativo? Justifique.044/82. se normatizou o que ocorria na escola e se atendeu a vontade dos jovens e adolescentes. caracterizou a proposta de uma identidade formativa para este segmento. ou seja. A nova LDB (Lei nº 9394/96) enfatiza que o ensino médio (ex-2ºgrau) é a etapa final do ensino básico. ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ .Aula 3 | Práticas educacionais e ensino médio 66 ensino médio. O Decreto Federal nº. Esta identidade era a profissionalização compulsória no 2º grau. 2208/97 reforça tal proposta quando destaca a necessidade de conclusão ou realização simultânea do ensino médio para se cursar o ensino profissional de nível médio.

para continuar aprendendo. mas apenas capaz de . inclusive ao se utilizar a expressão “flexibilidade” se estabelece o foco em um homem capaz de múltiplas ações do em oposição ao modelo de um predominante taylorista-fordista. a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental. com DURAÇÃO MÍNIMA DE TRÊS ANOS. Cuidado para não confundir com as Diretrizes Curriculares. de modo a ser capaz de ser adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores. em seu Capítulo II (Da educação básica) e na Seção IV (Do ensino médio) estabelece as finalidades e diretrizes para o ensino médio.Aula 3 | Práticas educacionais e ensino médio 67 A LDBEN E O ENSINO MÉDIO :: Diretrizes: A Lei nº 9394/96 no Título V (Dos níveis e das modalidades de educação e ensino). possibilitando o prosseguimento de estudos. o destacando ensino que este e é complementa fundamental As diretrizes aqui mencionadas são referentes ao Ensino Médio. etapa final da etapa da educação básica. Observe que o legislador procurou deixar clara à característica de FORMATIVA para o ensino médio. a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando. Vamos ver o que diz cada artigo da referida seção: Art. terá como finalidade: A Lei define neste artigo a duração e destaca as seguintes finalidades: I. O ensino médio. II. pois estas possuem outro direcionamento. homem especializado.35. Você é capaz de diferenciá-las? propedêutico ao ensino superior. A intenção de formação básica para o trabalho e para a vida aparece definida.

bem como. o currículo do ensino médio observará o disposto na Seção I deste Capítulo e as seguintes diretrizes: I.36. muitas vezes é inadequada para efetiva realização. cabe ressaltar o significado do “pensamento crítico”. acesso ao conhecimento e exercício da cidadania. a formação do docente. mas a realidade das escolas acaba afastando a existência desta integração. Aqui. É contraditório se falar em pensamento crítico quando a escola apenas reflete a situação vigente. relacionando a teoria com a prática.Aula 3 | Práticas educacionais e ensino médio 68 executar ações mecânicas e rotineiras com um mínimo de escolaridade. III. a língua portuguesa como instrumento de comunicação. no ensino de cada disciplina. das letras e das artes. O legislador procura deixar claro que o ensino médio deve oferecer uma formação baseada na ética com autonomia intelectual e pensamento crítico. O artigo 36 leva a formação do currículo do . incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico. a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos. Entretanto. o aprimoramento do educando como pessoa humana. destacará a educação tecnológica básica. a compreensão do significado da ciência. Art. A integração entre teoria e prática é imprescindível. o processo histórico da transformação da sociedade e da cultura. fundamentos é fundamental deixar claro dos que os científico-tecnológicos processos produtivos têm que ser trabalhados. pois as expressões “autonomia intelectual” e “pensamento crítico” são genéricas e merecem ser repensadas. IV.

II. § 1º. A Filosofia e a Sociologia a serem trabalhadas neste segmento da nossa educação são fundamentais serem pensadas para um . domínio dos conhecimentos de Filosofia e Sociologia necessários ao exercício da cidadania. a definição do sistema de avaliação. São três pontos que o pedagogo jamais pode deixar de lado. a escolha da metodologia é fundamental. III. bem como. Assim. apresenta a constituição do que deve ser o currículo deste nível de ensino. adotará metodologias de ensino e de avaliação que estimulem a INICIATIVA dos estudantes. será incluída uma língua estrangeira moderna. as metodologias e as formas de avaliação serão organizados de tal forma que ao final do ensino médio o educando demonstre: I. Observe que o§ 1º praticamente estabelece o perfil esperado do aluno ao final do ensino médio.Aula 3 | Práticas educacionais e ensino médio 69 ensino médio e em seu primeiro parágrafo traça a essência do conteúdo. da procuramos e da destacar a importância iniciativa criatividade porque são elas que irão permitir ao aluno crescer e ter autonomia e independência. conhecimento das formas contemporâneas de linguagem. III. como disciplina obrigatória. e uma segunda em caráter optativo. II. dentro das disponibilidades da instituição. Os conteúdos. escolhida pela comunidade escolar. ou seja. domínio dos princípios científicos e tecnológicos que presidem a produção moderna. Quando falamos em práticas na primeira parte desta aula.

§ 2º.  Superior Seqüencial. Todas as opções acima são em caráter de prosseguimento. habilitação profissional. . poderão ser de graduação Tecnológica Tecnólogos. o egresso tem atualmente a oportunidade de cursar um curso de:  Técnico de nível médio. da idéia a ensino Observe preocupação com o prosseguimento dos estudos.Aula 3 | Práticas educacionais e ensino médio 70 homem que conheça a si mesmo e a sociedade em que esta inserida. A preparação geral para o trabalho e. poderá prepará-lo para o exercício de profissões técnicas. O legislador deixa clara à intenção da formação geral e coloca a possibilidade da formação para o trabalho. Encontramos propedêutica para aqui o um reforço médio. que visão de mundo será trabalhada? Entretanto. § 4º. Os cursos do ensino médio terão equivalência legal e habilitarão ao prosseguimento de estudos. atendida a formação geral do educando. Deve conhecer as várias formas de pensamento e entender o mundo em que vive. O ensino médio. § 3º. ou seja. O cuidado que temos aqui é o da distorção que a formação para o trabalho pode provocar (reducionismo do ensino médio). Ao final do ensino médio. facultativamente.  Superior  Graduação. para que seja atingido tais objetivos é imprescindível a formação de um docente com competência adequada e que este tenha as condições mínimas de trabalho (infra-estrutura e material instrucional escolar também adequados).

Aula 3 | Práticas educacionais e ensino médio 71 desenvolvidas nos próprios estabelecimentos de ensino médio ou em cooperação com instituições especializadas em educação profissional. Voltamos a destacar para os riscos e para as tendências . Aqui é destacada a possibilidade de uma preparação geral para o trabalho e oferece a instituição de ensino as possibilidades de realizálas.

Você concorda com esta afirmação crítica? Justifique. de 26 de junho de 1998 instituiu as Diretrizes Curriculares para o Ensino Médio. de . alguns críticos colocam que houve um retorno a política dos anos de 1940 com uma escola de nível médio para os ricos e outra.Aula 3 | Práticas educacionais e ensino médio 72 EXERCÍCIO 2 Historicamente. A organização curricular de cada escola será orientada pelos valores apresentados na Lei 9394. O objetivo é vincular a educação ao mundo do trabalho e a prática social. como foi visto. profissional. Art. existiu uma dualidade entre a formação profissional para os trabalhadores e o ensino médio para as elites. Observando a política educacional do governo FHC com o seu Decreto nº 2208/97. aos direitos e deveres dos cidadãos. Estas Diretrizes se constituem num conjunto de definições doutrinárias sobre princípios. para os pobres. Assim. a saber: I. ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ AS DIRETRIZES CURRICULARES DO ENSINO MÉDIO: UMA ANÁLISE A Resolução do CNE/CEB nº 3. fundamentos e procedimentos a serem observados na organização pedagógica e curricular de cada unidade escolar integrante dos diversos sistemas de ensino. o ensino médio deve preparar para o exercício da cidadania e permitir a preparação básica para o trabalho.2º. os fundamentais ao interesse social.

Aula 3 | Práticas educacionais e ensino médio 73 respeito ao bem comum e à ordem democrática. os que fortaleçam os vínculos da família. numa sociedade de consumo individualista e sem tolerância. os mecanismos de formulação e implementação de política educacional. A partir deste ponto. Art. 3º Para observância dos valores mencionados no artigo anterior. tais valores consistem num enorme desafio para a sua obtenção. II. é que deve ser planejado e executado . mas os professores e comunidade terão que buscar os meios para a existência e concretização destes valores. a prática administrativa e pedagógica dos sistemas de ensino e de suas escolas. tendo em vista que vivemos com um distanciamento família com comprometimento do valor da família). a organização do currículo e das situações de ensino aprendizagem e os procedimentos de avaliação deverão ser coerentes com os princípios estéticos. os laços de são solidariedade pontos da e de tolerância de uma certo recíproca merecedores (até análise. abrangendo: O artigo 3º chama a atenção para a necessidade de coerência dos princípios estéticos. O fortalecimento dos vínculos da família. Este artigo estabelece os valores a serem desenvolvidos visando oferecer uma base estrutural e cultural ao aluno de modo que possa se alcançar a cidadania e exercê-la com vistas ao bem comum. políticos e éticos. as formas de convivência no ambiente escolar. Ou seja. Não só a escola. os laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca. políticos e éticos para se alcançar os valores estabelecidos no artigo 2º. os critérios de alocação de recursos.

estimulando a criatividade. o combate a todas as formas discriminatórias e o respeito aos princípios do Estado de Direito na forma sistema federativo e do regime democrático e republicano. da sexualidade e da imaginação um exercício da liberdade responsável. valorizar a qualidade. o espírito inventivo etc. bem como facilitar a constituição de identidades capazes de suportar a inquietação. acolher e conviver com a diversidade. as formas lúdicas e alegóricas de conhecer o mundo e fazer do lazer. mas a história do ensino médio tem demonstrado a grande dificuldade que é a sua existência. a qualidade deste ensino e as . conviver com o incerto e o imprevisível. tendo como ponto de partida o reconhecimento dos direitos humanos e dos deveres e direitos da cidadania. o espírito inventivo. é o professor o grande responsável. a sutileza. visando à constituição de identidades que busquem e pratiquem a igualdade do acesso aos bens sociais e culturais. pois a princípio substituiremos a repetição e a padronização por um processo que permita a criatividade. para que isto venha a ocorrer não adianta constar da legislação. I. Como formar e preparar o professor para este empreendimento? II.. ou seja. que deverá SUBSTITUIR A DA REPETIÇÃO E PADRONIZAÇÃO.Aula 3 | Práticas educacionais e ensino médio 74 todas as políticas e ações para o ensino médio. Entretanto. a delicadeza. a ESTÉTICA DA SENSIBILIDADE. a curiosidade pelo inusitado. abandonaremos o modelo centrado em taylor-ford por outro que leve a uma formação de acordo com as necessidades do mundo moderno. e a afetividade. Este primeiro eixo é fundamental. o respeito ao bem comum. A dualidade do ensino médio. O eixo da igualdade é imprescindível. A POLÍTICA DA IGUALDADE. o protagonismo e a responsabilidade no âmbito público e privado. pois é em sala de aula teria que acontecer a mudança e aí.

buscando superar dicotomias entre o mundo moral e o mundo da matéria. no âmbito das relações capital-trabalho. previstas pelas finalidades do ensino médio estabelecidas pela lei: Zibas comenta: No que diz respeito à CONSTRUÇÃO DE COMPETÊNCIAS BÁSICAS. 4º As propostas pedagógicas das escolas e os currículos constantes dessas propostas incluirão COMPETÊNCIAS BÁSICAS. pelo reconhecimento. tem sido acusado. principalmente pelo individualismo e valores reinantes. incentivando a . social. saída. CONTEÚDOS E FORMAS DE TRATAMENTO DOS CONTEÚDOS. A ÉTICA DA IDENTIDADE. enfatizada nas Diretrizes. III. praticando um humanismo contemporâneo. de ter os seguintes desdobramentos: (1) enfraquecer a associação de trabalhadores. próprias diferenças de classes. Art. diversos especialistas lembraram as críticas que têm sido feitas a esse objetivo pedagógico. da responsabilidade e da reciprocidade como orientadoras de seus atos na vida profissional. principalmente na França. o público e privado. para constituir identidades sensíveis e igualitárias no testemunho de valores de seu tempo. É sabido que esse modelo. O eixo da identidade apresenta uma série de pontos que tem que ser trabalhados.Aula 3 | Práticas educacionais e ensino médio 75 oportunidades dele oriundas demonstram que tal política é quase de um sonho das pelo não reconhecimento. respeito e acolhimento da identidade do outro e pela incorporação da solidariedade. civil e pessoal. em vista de sua associação ao modelo de competências desenvolvido na área empresarial para seleção e treinamento de trabalhadores. mas que se tornam outro desafio tendo em vista a sociedade em que vivemos.

p.81) A utilização do modelo de competências na nossa educação merece uma reflexão tendo em vista a contradição entre políticas de igualdade e a ética de identidade tem com um sistema cujo propósito é trabalhar (formar) individualmente e para competição o aluno. e (2) responsabilizar cada trabalhador por suas possibilidades de empregar-se e manter-se empregado. (2001. constituição de significados socialmente construídos e reconhecidos como verdadeiros sobre o mundo físico e natural. No profissões âmbito e da qualificação profissional.Aula 3 | Práticas educacionais e ensino médio 76 competição entre eles. compreensão do significado das ciências. sobre a realidade social e política. têm ser a das ocupações vemos Cada a profissionais formação um sentido tratada sua pensarmos em ações coletivas. domínio dos princípios e fundamentos busca empregabilidade. Esta é uma questão a ser analisada e .de modo a possuir as competências e habilidades necessárias ao exercício da cidadania e do trabalho. em especial as do Brasil. vista com cuidado. I. de modo a ser capaz de prosseguir os estudos e de adaptar-se com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento. II. mas no sistema de competências individualmente. assim. das letras e das artes e do processo de transformação da sociedade e cultura. as condições macroestruturais determinantes dos níveis de emprego e desemprego. minimizando. III. da autonomia intelectual e do pensamento crítico. IV. desenvolvimento da capacidade de aprender e continuar aprendendo.

Aula 3 | Práticas educacionais e ensino médio 77 científicos-tecnológicos que presidem que presidem a produção moderna de bens. Art 5º Para cumprir as FINALIDADES do ensino médio previstas pela lei. Aqui estão recomendações para o currículo do ensino médio que devem estar presentes na sua elaboração para atingir as . serviços e conhecimentos. ter presente que as linguagens são indispensáveis para a constituição de conhecimentos e competências. de modo a ser capaz de relacionar a teoria com a prática e o desenvolvimento da flexibilidade para as novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores. adotar metodologias de ensino diversificadas. das línguas estrangeiras e outras linguagens contemporâneas como instrumentos de comunicação e como processos de constituição de conhecimentos e de exercício de cidadania. as escolas organizarão seus currículos de modo a: I. Na realidade já comentamos esta parte quando falamos da LDB. a solução de problemas e outras competências cognitivas superiores. ter presente que os conteúdos curriculares não são fins em si mesmos. priorizando-as sobre as informações. tanto em seus produtos como em seus processos. competência no uso da língua portuguesa. que estimulem a reconstrução do conhecimento e mobilizem o raciocínio. IV. reconhecer que as situações de aprendizagem provocam também sentimentos e requerem trabalhar a afetividade do aluno. II. V. mas meios básicos para constituir competências cognitivas ou sociais. a experimentação. III.

Identidade. Sobre o agrupamento das disciplinas iremos comentar quando chegarmos ao artigo 10. e d) as competências básicas. c) a contextualização. diversidade e autonomia devem ser desenvolvidas em todo o currículo do ensino médio. Entretanto. ou seja. É um conceito polissêmico e com poucas experiências relatadas. Art 6º Os princípios pedagógicos da Identidade. trata-se de um conceito nebuloso e que merece ser definido. pois caracterizam a própria cidadania. b) a interdisciplinaridade.Aula 3 | Práticas educacionais e ensino médio 78 finalidades do ensino médio. Art 7º Na observância da Identidade. serão adotados como estruturadores dos currículos de ensino médio. se chama de interdisciplinaridade uma variedades de práticas de sala de aula. Sobre as competências básicas já falamos. da Interdisciplinaridade e da Contextualização. diversidade e autonomia. referentes a programas municipais de ensino fundamental. segundo Zibas (2001). Diversidade e Autonomia. a reforma do ensino médio trouxe aspectos pedagógicos importantes em seu bojo que podem afastar da formação adequada com relação à identidade. Diversidade e Autonomia. Com relação à interdisciplinaridade. os sistemas de ensino e as escolas. na busca da melhor adequação possível às necessidades dos alunos e do meio . a saber: a) o agrupamento de disciplinas por áreas de conhecimento.

jovens e adultos e a necessidade de serem respeitadas as condições de espaço e tempo de aprendizagem.Aula 3 | Práticas educacionais e ensino médio 79 social: I. as diretrizes curriculares destacam a identidade própria da instituição tendo em vista a predominância de adolescentes. contemplando a preparação geral para o trabalho. mediante A INSTITUCIONALIZAÇÃO DE MECANISMOS DE PARTICIPAÇÃO DA COMUNIDADE. inclusive espaciais e temporais. II. b) uso dos várias possibilidades pedagógicas de organização. Esta integração servirá para a definição da organização institucional. sempre que viáveis . fomentarão a diversificação de programas ou tipos de estudo disponíveis. admitidas as opções feitas pelos próprios alunos. Logicamente. c) articulações e parcerias entre instituições públicas e privadas. Observe que as Diretrizes conclama para a institucionalização de mecanismos de participação da comunidade na busca da melhor integração entre a instituição e a comunidade em que está inserida. alternativas de organização institucional que possibilitem: a) identidade própria enquanto instituições de ensino de adolescentes. admitida a organização integrada dos anos finais do ensino fundamental com o ensino médio. de acordo com as características do alunado e as demandas do meio social. desenvolverão. a partir de uma BASE COMUM. jovens e adultos. respeitadas as suas condições e necessidades de espaço e tempo de aprendizagem. estimulando alternativas.

criarão mecanismos que garantam liberdade e responsabilidade das instituições escolares na formulação de sua proposta pedagógica. a fim de acompanhar os resultados da diversificação. parte diversificada (ver artigo 26 da LDB).Aula 3 | Práticas educacionais e ensino médio 80 técnica e financeiramente. instituirão mecanismos e procedimentos de avaliação de processos e produtos. com protagonismo de todos os elementos diretamente interessados. essas diretrizes e propostas pedagógicas das escolas. e evitem que as instâncias centrais dos sistemas de ensino burocratizem e ritualizem o que. a legislação do ensino. pois se espera que os resultados da diversificação atendam ao interesse social. instituirão sistemas de avaliação e/ou utilizarão os sistemas de avaliação operados pelo Ministério da Educação e do Desporto. visando desenvolver a cultura da . Os sistemas de avaliação devem estar voltados para avaliar os resultados da própria proposta da instituição de ensino. e VI. de divulgação dos resultados e prestação de contas. em especial dos professores. tendo como referência as competências básicas a serem alcançadas. criarão os mecanismos necessários ao fomento e fortalecimento da capacidade de formular e executar propostas pedagógicas escolares características do exercício da autonomia. Assim. V. IV. as Diretrizes destacam as possibilidades da diversificação de programas que atendam as demandas sociais e as opções dos alunos. base comum nacional e a segunda. no espírito da lei. Lembra-se que os currículos do ensino médio como no ensino fundamental são divididos em duas partes: a primeira. III. deve ser expressão de iniciativa das escolas.

puderem contribuir . Aqui as Diretrizes apontam para a necessidade do sistema de ensino e das escolas de se criar a capacidade de formular e executar propostas pedagógicas escolares consistentes e capazes de permitir o exercício da autonomia. OBJETIVOS QUE SÃO MAIS FACILMENTE ALCANÇÁVEIS SE AS DISCIPLINAS. de complementação. explicar. de ampliação. para o estudo comum de problemas concretos. partirá do princípio de que todo o conhecimento mantém um diálogo permanente com outros conhecimentos . Art 8º Na observância da INTERDISCIPLINARIDADE as escolas terão presentes que: I. prever e intervir. e por esta razão as disciplinas devem ser didaticamente solidárias para atingir esse objetivo. ou para o desenvolvimento de projetos de investigação e/ou de ação. III. carregam sempre um grau de arbitrariedade e não esgotam isoladamente a realidade dos fatos físicos e sociais. a Interdisciplinaridade. II. de iluminação de aspectos não distinguidos. nas mais variadas formas. as disciplinas escolares são recortes das áreas de conhecimentos que representam. INTEGRADAS EM ÁREAS DE CONHECIMENTO. que pode ser de questionamento.Aula 3 | Práticas educacionais e ensino médio 81 responsabilidade pelos resultados e utilizando os resultados para orientar ações de compensação de desigualdades que possam resultar do exercício da autonomia. devendo buscar entre si interações que permitam aos alunos a compreensão mais ampla da realidade. o ensino deve ir além da descrição e procurar constituir nos alunos a capacidade de analisar. a aprendizagem é decisiva para o desenvolvimento dos alunos. cada uma com sua especificidade. IV. de negação. de modo que disciplinas .

inventado ou produzido. e por causa desta transposição didática deve ser relacionado com a prática ou a experiência do aluno a fim de adquirir significado. nas . Já comentamos a Interdisciplinaridade anteriormente e aqui cabe ressaltar que a proposta de se substituir as disciplinas tradicionais por disciplinas integradas em áreas de conhecimento não tem sido desenvolvidas em vários países cujos sistemas de educação são mais bem estruturados do que o nosso. e cada disciplina contribua para a constituição de diferentes capacidades. a característica do ensino escolar. Zibas (2001) aponta que analisou o currículo de 36 países e que nenhum possui esta matriz. a relação entre teoria e prática requer a concretização dos conteúdos curriculares em situações mais próximas e familiares do aluno. tal como indicada no inciso anterior. social e afetivo mais completo e integrado.Aula 3 | Práticas educacionais e ensino médio 82 diferentes estimulem competências comuns. V. sendo indispensável buscar a complementariedade entre as disciplinas a fim de facilitar aos alunos um desenvolvimento intelectual. Art 9º Na observância da CONTEXTUALIZAÇÃO as escolas terão presentes que: I. o conhecimento é transposto da situação em que foi criado. competências e valores que permitam o exercício pleno da cidadania e a inserção flexível no mundo trabalho.amplia significativamente a responsabilidade da escola para a constituição de identidades que integram conhecimentos. na situação de ensino e aprendizagem. II. Concordamos com Zibas (2001) quando afirma a falta de clima institucional para inovações como as prescritas pelas Diretrizes Curriculares do ensino Médio.

Art. relacionando textos com seus contextos. expressão. objetivando a constituição de competências e habilidades que permitam ao educando: a) Compreender e usar os sistemas simbólicos das diferentes linguagens como meios de organização cognitiva da realidade pela constituição de significados. III. organização. A CONTEXTUALIZAÇÃO é fundamental para facilitar o processo de ensino aprendizagem. a aplicação de conhecimentos constituídos na escola às situações da vida cotidiana e da experiência espontânea permite seu entendimento. A BASE NACIONAL COMUM dos currículos do ensino médio será ORGANIZADA EM ÁREAS DE CONHECIMENTO. mediante a natureza. CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS. d) Compreender e usar a língua portuguesa como língua materna. geradora de significação e integradora da organização do mundo e da própria identidade. LINGUAGENS. comunicação e informação. estrutura das manifestações.Aula 3 | Práticas educacionais e ensino médio 83 quais se incluem as do trabalho e do exercício da cidadania. pois a realidade em que vive o aluno serve de base para o trabalho educacional. a saber: I. b) Confrontar opiniões e pontos de vista sobre as diferentes linguagens e suas manifestações específicas. função. interpretar e aplicar os recursos expressivos das linguagens. crítica e revisão. 10. de acordo com as condições de produção e recepção. . c) Analisar.

relacionando o desenvolvimento científico com a transformação da sociedade. f) Entender os princípios das tecnologias da comunicação e da informação. h) Entender o impacto das tecnologias da comunicação e da informação na sua vida. b) Entender e aplicar métodos e procedimentos próprios das ciências naturais. entendendo como elas se desenvolvem por acumulação. associá-las aos conhecimentos científicos. nos processos de produção. no desenvolvimento do conhecimento e na vida social. análise e interpretação de resultados de processos ou experimentos científicos e tecnológicos. II. continuidade ou ruptura de paradigmas. bem como a função integradora que elas exercem na sua relação com as demais tecnologias. objetivando a constituição de habilidades e competências que permitem o educando: a) Compreender as ciências como construções humanas. d) Compreender o caráter aleatório e não determinístico dos fenômenos naturais . e i) Aplicar as tecnologias da comunicação e da informação na escola.Aula 3 | Práticas educacionais e ensino médio 84 e) Conhecer e usar língua(s) estrangeira(s) moderna(s) como instrumento de acesso a informações e a outras culturas e grupos sociais. CIÊNCIAS DA NATUREZA. no trabalho e em outros contextos relevantes para a sua vida. às linguagens que lhes dão suporte e aos problemas que se propõem solucionar. c) Identificar variáveis relevantes e selecionar os procedimentos necessários para a produção. MATEMÁTICA E SUAS TECNOLOGIAS. g) Entender a natureza das tecnologias da informação como integração de diferentes meios de comunicação. linguagens e códigos.

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e sociais e utilizar instrumentos adequados para medidas, determinação de amostras e cálculo de probabilidades;. e) Identificar, analisar e aplicar conhecimentos sobre valores de variáveis, representados em gráficos, diagramas ou expressões algébricas, realizando previsão de tendências, extrapolações e interpolações e interpretações;. f) Analisar qualitativamente dados quantitativos representados gráfica ou algebricamente relacionados a contextos socioeconômicos, científicos ou cotidianos; g) Apropriar-se dos conhecimentos da física, da química e da biologia e aplicar esses conhecimentos para explicar o funcionamento do mundo natural, planejar, executar e avaliar ações de intervenção na realidade natural; h) Identificar, representar e utilizar conhecimento geométrico para aperfeiçoamento da leitura, compreensão e da ação sobre realidade; o o da a

i) Entender a relação entre o desenvolvimento das ciências naturais e o desenvolvimento tecnológico e associar as diferentes tecnologias aos problemas que se propuseram e propõem solucionar; j) Entender o impacto das tecnologias associadas às ciências naturais na sua vida pessoal nos processos de produção, no desenvolvimento do conhecimento e na vida social;. k) Aplicar as tecnologias associadas às ciências naturais na escola, no trabalho e em outros contextos relevantes para sua vida; e l) Compreender conceitos, procedimentos e estratégias matemáticas e aplicá-las a situações diversas no contexto das ciências, da tecnologia e das atividades cotidianas. III. CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS

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TECNOLOGIAS, objetivando a sua constituição de competências e habilidades que permitam ao educando: a) Compreender os elementos cognitivos, afetivos, sociais e culturais que constituem a identidade própria e dos outros; b) Compreender a sociedade, sua gênese e transformação e os múltiplos fatores que nelas intervêm, como produtos da ação humana; a si mesmo como a gente social; e os processos sociais como orientadores da dinâmica dos diferentes grupos de indivíduos; c) Compreender o desenvolvimento da sociedade como processo de ocupação de espaços físicos e as relações da vida humana com a paisagem, em seus desdobramentos político-sociais, culturais, econômicos e humanos; d) Compreender a produção e o papel histórico das instituições sociais, políticas e econômicas, associando-as às práticas dos diferentes grupos e atores sociais, aos princípios que regulam a convivência em sociedade, aos direitos e deveres da cidadania, à justiça e à distribuição dos benefícios econômicos; e) Traduzir os conhecimentos sobre a pessoa, a sociedade, a economia, as práticas sociais e culturais em condutas de indagação, análise, problematização e protagonismo diante de situações novas, problemas ou questão de vida pessoal, social, política, econômica e cultural; f) Entender os princípios das tecnologias associadas ao conhecimento do indivíduo, da sociedade e da cultura, entre as quais as de planejamento, organização, gestão, trabalho de equipe, e associá-las aos problemas que se propõem resolver; g) Entender o impacto das tecnologias associadas às ciências humanas sobre a vida pessoal, os processos de produção, o desenvolvimento do conhecimento e a vida social;. h) Entender a importância das tecnologias

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contemporâneas de comunicação e informação para o planejamento, gestão, organização, fortalecimento do trabalho de equipe; e i) Aplicar as tecnologias das ciências humanas e sociais na escola, no trabalho e outros contextos relevantes para a sua vida. 1º. A base nacional comum dos currículos do ensino médio deverá contemplar as três áreas do conhecimento, com tratamento metodológico que evidencie a interdisciplinaridade e a contextualização. 2º. As propostas pedagógicas das escolas deverão assegurar tratamento interdisciplinar e contextualizado para: a) Educação Física e Arte, como componentes curriculares obrigatórios; e b) Conhecimentos de filosofia e sociologia necessários ao exercício da cidadania. O artigo 10 resume os conteúdos

essências que os currículos do ensino médio devem possuir. Art. 11 Na BASE NACIONAL COMUM e na PARTE DIVERSIFICADA será observado que: I. as definições doutrinárias sobre os fundamentos axiológicos e os princípios pedagógicos que integram as DCNEM aplicar-se-ão a ambas; II. a parte diversificada deverá organicamente integrada com a base nacional comum, por contextualização e por complementação, diversificação, enriquecimento, desdobramento, entre outras formas de integração; III. a base nacional comum deverá compreender, pelo menos, 75 % do tempo mínimo de 2.400 horas, estabelecido pela lei como carga horária para o ensino médio; IV. além da carga horária mínima de

O artigo 12 reforça o anterior e chama a atenção que a preparação básica para o trabalho não pode ser confundida a formação profissional. poderão ser aproveitados para a obtenção de uma habilitação profissional. serão incluídas no cômputo da carga horária da parte diversificada. nem esta última se confundirá com a formação profissional. Art. O ensino médio. O artigo 11 tem a preocupação de estabelecer as condições de integração entre a parte comum nacional e a parte diversificada. bem como deixa clara a independência entre o ensino médio e a educação profissional. tanto a obrigatória quanto as optativas. Aqui cabe se ter muito cuidado para que não haja descontinuidade na proposta pedagógica. em cursos realizados concomitantemente ou sequencialmente.400 horas. em suas propostas pedagógicas. a língua estrangeira moderna. independentemente de distinção entre base nacional comum e parte diversificada. até o limite de 25 % do tempo mínimo legalmente . as escolas terão. por articulação com a educação profissional.13 Estudos concluídos no ensino médio. mantida a independência entre os cursos. incluindo a preparação básica para o trabalho. Art 12 Não haverá dissociação entre a formação geral e a preparação básica para o trabalho.atendia a formação geral. §2º. liberdade de organização curricular.Aula 3 | Práticas educacionais e ensino médio 88 2. e V. tanto da base nacional comum quanto da parte diversificada. §1º. A preparação básica para o trabalho deverá estar presente tanto na base nacional comum como na parte diversificada. poderá preparar para o exercício de profissões técnicas.

154/04.400 horas – horas mínimas previstas na lei. deverão ser realizados em carga horária adicional às 2. respectivamente. Art. 2) Posterior ao ensino médio.Aula 3 | Práticas educacionais e ensino médio 89 estabelecido como carga horária para o ensino médio. Este aproveitamento está limitado a 25 % do tempo mínimo legalmente estabelecido como carga horária para o ensino médio. As formas de realizar a educação profissional podem ser: 1) Concomitante. A forma integral que na época da expedição do Decreto nº 2. passou a ser após o Decreto nº 5. 14 Caberá. Parágrafo único: Os órgãos normativos dos sistemas de ensino deverão regulamentar o aproveitamento de estudos realizados e de conhecimentos constituídos tanto na experiência escolar como na extra-escolar. O artigo 13 analisa o aproveitamento de estudos concluídos no ensino médio serem aproveitados na educação profissional para a obtenção de uma habilitação profissional. considerando as pecularidades regionais ou locais. independentemente de serem feitos na mesma escola ou em outra escola ou instituição. observadas as disposições destas diretrizes. . Parágrafo único: Estudos estritamente profissionalizantes. aos órgãos normativos e executivos dos sistemas de ensino o estabelecimento de normas complementares e políticas educacionais.208/97 não era permitida. de FORMA CONCOMITANTE OU POSTERIOR AO ENSINO MÉDIO. e 3) Integral.

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Aula 3 | Práticas educacionais e ensino médio 91 EXERCÍCIO 3 Elaborar um resumo sobre a identidade do ensino médio e da educação profissional. e  Procuramos ver a realidade do trabalho no mundo atual. .  Fizemos a comparação entre a qualificação e as competências. ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ RESUMO Vimos até agora:  Tivemos a oportunidade de abordar e de discutir a conceituação e as relações que envolvem o trabalho.

Assim.As Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Profissional Antônio Ney 4 Apresentação Esta aula levará você (aluno) a ter os conhecimentos básicos fundamentais para entender a nova visão da educação profissional. AULA . Entender como ficam as mudanças e necessidades em função do planejamento. dificilmente. você seja capaz de:     Entender as diretrizes nacionais da educação Saber por que não gostamos de planejar? Conhecer as faces do problema “Planejar”. É de grande valia para o aluno que ele saiba que sem CONHECER os princípios que regem atualmente a educação profissional. o objetivo principal é o conhecimento das diretrizes curriculares nacionais da educação profissional. Objetivos Esperamos que. ele poderá no futuro desenvolver um bom trabalho. após o estudo do conteúdo desta aula.

a Lei de Diretrizes e Bases norma as estabelecidas pelas da Educação Nacional (LDBEN) e o Decreto instâncias superiores: nº. 2208/97 (substituído pelo Decreto nº Federal É importante destacar que ela terá 5. uma diretriz curricular emitida pelo Ministério da Educação corresponde a uma linha reguladora (trajetória obrigatória) a ser seguida por todos aqueles que desejam trabalhar na educação nacional. não elaborar procurou.. Assim.) uma linha reguladora do traçado de um caminho ou de uma estrada. uma ação. HIERARQUIA LEGAL Importante Lembramos que as validade nacional. p.154/04). um negócio etc. A formação anterior . atender a podendo ultrapassar o seu efeito de Constituição Federal.1995.224).. O Conselho Nacional de Diretrizes Curriculares têm que Educação/Câmara da Educação Básica ao obedecer a seguinte hierarquia legal. CONSTITUIÇÃO FEDERAL A CONCEPÇÃO PARA AS COMPETÊNCIAS LEI DE DIRETRIZES E BASES DA As EDUCAÇÃO razões NACIONAL que levaram ao governo Fernando Henrique Cardoso a separar o ensino médio da educação profissional. uma diretiva” (Ferreira. na formação do médio estão justificadas pelas DECRETO FEDERAL técnico de nível necessidades: DIRETRIZES CURRICULARES 1ª CONCEPÇÃO: REFERENCIAIS CURRICULARES TÉCNICOS DE DE FLEXIBILIZAR A FORMAÇÃO DOS NÍVEL MÉDIO EM FUNÇÃO DO MERCADO DE TRABALHO.Aula 4 | As diretrizes curriculares nacionais da educação profissional 93 A Importância das Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Profissional de Nível Técnico O QUE É? Uma DIRETRIZ significa: “(. Conjunto de instruções ou indicações para se tratar e levar a termo um plano.. inicialmente.

no caso de ter que parar o curso. Não interessava região ou o mercado que o técnico fosse trabalhar. 2ª CONCEPÇÃO: DO CONTEÚDO DOS CURSOS ESTAREM DE ACORDO COM OS MERCADOS DE TRABALHO.Aula 4 | As diretrizes curriculares nacionais da educação profissional 94 era engessada e todos os técnicos tinham que ter a mesma formação. e 6ª CONCEPÇÃO: . tendo em vista que boa parte dos técnicos formados estudava em escolas técnicas porque eram excelentes escolas. e ofereciam um bom preparo para o vestibular gratuitamente. Grande parte dos jovens não alcançava a sua EMPREGABILIDADE por causa da defasagem dos conhecimentos dos seus cursos estarem defasados do mercado. principalmente as públicas. 5ª CONCEPÇÃO: DE FACILITAR O ACESSO AO MERCADO DE TRABALHO. inclusive alguns cursos sem nenhuma inserção no mercado de trabalho. As formações destes técnicos. 3ª CONCEPÇÃO: DE EVITAR INTERESSADOS NOS CURSOS TÉCNICOS APENAS PARA FAZER O VESTIBULAR. desde 1971. era a mesma sem a inclusão e atualização das novas tecnologias. 4ª CONCEPÇÃO: DE EVITAR QUE O ALUNO LEVE TRÊS A QUATRO ANOS PARA CONCLUIR UM CURSO TÉCNICO. não ter nenhuma preparação profissional para o mercado de trabalho. Outros tinham a possibilidade de trabalhar como técnicos até alcançar a formação superior. correndo o risco.

Inicialmente.Aula 4 | As diretrizes curriculares nacionais da educação profissional 95 DE DIMINUIR O ELEVADO CUSTO DOS ALUNOS DAS ESCOLAS TÉCNICAS. melhorando a relação custo-benefício entre a oferta e a procura dos cursos. . Com esta separação o governo imagina que o ramo da educação profissional só será procurado por aqueles que efetivamente desejassem ser técnicos de nível médio. faz a separação do ensino médio e da educação profissional. Para satisfazer tais necessidades. o governo FHC em 1997 promove uma reforma educacional.

conteúdos. a escola técnica deve definir o PERFIL PROFISSIONAL. articular e :: Competências: habilidades necessários para o desempenho eficiente e eficaz de atividades As COMPETÊNCIAS PROFISSIONAIS GERAIS são requeridas pela natureza do obrigatórias e foram estabelecidas pelo Conselho trabalho. mobilizar. Nacional de Educação/Câmara de educação Básica através da Resolução CNE/CEB nº 04/99.208/97). independente de autorização prévia. elejam disciplinas. As COMPETÊNCIAS BÁSICAS são aquelas que os alunos alcançam ao terminar o ENSINO capacidade de É a MÉDIO. estar preocupado com elas.Aula 4 | As diretrizes curriculares nacionais da educação profissional 96 Para reforma satisfazer as demais necessidades. As inerentes a e competências específicas de sua organização curricular” (Inc. ficando reservado um percentual mínimo de trinta por cento para que os estabelecimentos de ensino. Como exemplo.Decreto nº. a utilização a da educacional determina Pedagogia das Competências. relacionamos abaixo AS COMPETÊNCIAS PROFISSIONAIS GERAIS DA ÁREA DE SERVIÇOS DE APOIO ESCOLAR: 1) Identificar o papel da Competências Básicas = escola + na construção da sociedade contemporânea. II – Artigo 6º . COMPETÊNCIAS PROFISSIONAIS e COMPETÊNCIAS PROFISSIONAIS ESPECÍFICAS. A Instituição de Ensino da Educação Profissional nãoações colocar em deve valores. mas com as outras conhecimentos e competências. Importante PERFIL PROFISSIONAL DE competências profissionais gerais DE TÉCNICO são SERVIÇOS DE uma das vinte e uma áreas profissional APOIO ESCOLAR apontadas no Quadro II. Assim.Competências gerais Profissionais + Competências específicas Profissionais . habilidades 2. constituído por COMPETÊNCIAS BÁSICAS. para facilitar o acesso do aluno ao mercado de trabalho. Estas competências: “não poderão ultrapassar setenta por cento da carga horária mínima obrigatória.

à operação de multimeios didáticos e manutenção da infra-estrutura material e ambiental. 7) Dialogar e interagir com os outros segmentos da escola no âmbito dos conselhos escolares e de outros órgãos de gestão democrática da educação. 9) projetos. conferindo-lhes maior qualidade educativa. 8) organizar e analisar dados Coletar. a partir do estudo inicial e permanente da história. execução e avaliação da proposta executar estratégias e ações no âmbito das diversas funções educativas não docentes. à alimentação escolar. da legislação escolar. 4) Reconhece Identificar as diversas funções educativas presentes na e do financiamento da educação r e constituir identidade profissional educativa em sua ação nas escolas e em órgãos dos sistemas de ensino.Aula 4 | As diretrizes curriculares nacionais da educação profissional 97 2) Assumir uma concepção de escola inclusiva. 3) escola. 5) pedagógica da instituição de ensino. 6) Formular e Cooperar na elaboração. referentes à secretaria escolar. em articulação com as práticas docentes. da vida social pública e privada. relatórios e outros Redigir documentos .

multimeios. obedecidas as Diretrizes Curriculares Nacionais definidas pelo CNE e as normas específicas dos respectivos sistemas de ensino. A Instituição de Ensino deve incluir obrigatoriamente as competências acima relacionadas no perfil profissional do técnico de Serviço de Apoio Escolar e. no limite de 70% da carga horária mínima obrigatória (1200 horas). Tais perfis profissionais e os planos de curso deverão ser aprovados pelo respectivo sistema de ensino e inseridos no Cadastro Nacional de Cursos Técnicos de nível médio. As funções de secretaria escolar. alimentação escolar. mantido e divulgado pelo MEC (Parecer CNE/CEB nº 16/2005). Esta carga horária mínima inclui um bloco de estudos pedagógicos. para as diversas funções de apoio pedagógico e administrativo. As competências específicas de cada habilitação profissional são definidas pelos estabelecimentos de ensino. um bloco de estudos técnicos e um bloco de prática profissional supervisionada. como vimos.Aula 4 | As diretrizes curriculares nacionais da educação profissional 98 pertinentes à vida escolar. didáticos e infra-estrutura dão origem às habilitações profissionais mais correntes na área (Parecer CNE/CEB nº 16/2005). ÁREAS PROFISSIONAIS Áreas Agropecuária Artes Comércio Comunicação Construção Civil Design Geomática Gestão Imagem Pessoal Indústria Informática Lazer e Desenvolvimento Carga horária mínima 1200 800 800 800 1200 800 1000 800 800 1200 1000 800 . inclusive em formatos legais.

manutenção educação. As . recreios. execução. pode ser visto a Secretaria de de Educação sério procuram a Educação Básica do Ministério da Educação e o Conselho combater Nacional um através do Técnico de Serviços de Apoio Escolar problema referente . pelos diversos de sistemas de ensino. Não adianta imaginar. de aceitar e implantar a política Como estabelecida. competências profissionais dos técnicos de Serviços de Apoio Escolar.não forem aceitos funções secretaria escolar. hortas ruim e fora da ambientes requeridos pelas e outros realidade.os cursos forem portarias. de planejamento. controle e avaliação de funções de apoio pedagógico e administrativo nas Para pensar escolas públicas e privadas de Educação Básica e Superior.não haver didáticos e infra-estrutura dão origens comprometimento às habilitações profissionais mais das lideranças e das correntes na escolas no sentido área. com qualidade instalações esportivas. se: da infra-estrutura. Esses Serviços de Apoio uma formação de adequada para os realizados em espaços Escolar são profissionais da como secretaria escolar. apenas para “inglês laboratórios. jardins. oficinas. são funções procurar educativas que se desenvolvem desenvolver uma complementarmente à ação do política que permita docente. criar e Tradicionalmente. . cantinas. nas respectivas modalidades.Aula 4 | As diretrizes curriculares nacionais da educação profissional 99 Meio Ambiente Mineração Química Recursos Pesqueiros Saúde Telecomunicações Transportes Turismo e Hospitalidade Serviços de Apoio Escolar 800 1200 1200 1000 1200 1200 800 800 1200 OS TÉCNICOS DE SERVIÇOS DE APOIO ESCOLAR Para tomamos a como definição exemplo das as competências. diversas modalidades de ensino. multimeios . alimentação escolar. Para não perder a oportunidade e esclarecer ao aluno o papel de tais profissionais apresentamos abaixo a caracterização da área. ver”. constante do Parecer CNE/CEB nº 16/2005: Compreende atividades em nível técnico.

pelas são contemplados políticas educacionais e que grande parte desses funcionários foi recrutada por critérios clientelísticos. como exemplos merendeiras e serventes. Os Infantil serão nas regulamentados posteriormente. Historicamente.Aula 4 | As diretrizes curriculares nacionais da educação profissional 100 profissionais profissionais não não docentes. . É importante ressalvar que as habilitações profissionais desses técnicos não permitirão atuar no atendimento direto a Educação Infantil. para em a profissionais crianças em especial Educação instituições de creches.

A FLEXIBILIZAÇÃO DA FORMAÇÃO EM FUNÇÃO DO MERCADO DE TRABALHO foi planejado pela construção do perfil profissional entre a escola e o empresariado. O CONTEÚDO DO CURSO DE ACORDO COM O MERCADO também é atendido pelas medidas anteriores.692/71 três a quatro anos sem nenhuma profissionalização.Aula 4 | As diretrizes curriculares nacionais da educação profissional 101 AVALIANDO AS NECESSIDADES Anteriormente apontamos uma série de necessidades para a reforma FHC da educação. Concomitante a partir do 2º ano do ensino médio. No caso da formação junto às do Técnico e de Serviço de Apoio as Escolar. Seqüencial (pósmédio). A formação desse Perfil Profissional é ajudado pela separação de Competências Profissionais Gerais e pelas Competências Profissionais Específicas. como a ocorria separação pela já Lei nº 5. Acrescendo que os cursos técnicos teriam de 800 a 1200 horas de carga horária. . com relação a dicotomia entre educação propedêutica para o ensino superior e a educação para o trabalho ? Procure pensar e refletir sobre esta separação. Agora iremos esclarecer como a reforma pretendeu suprir tais necessidades. ajudaria. 2. uma pessoa fazer um curso que tenha conteúdo apenas técnico para fazer vestibular. Duas formas para realizar ensino médio e educação profissional: 1. Não tem sentido. não estaríamos decretando para os jovens de classe menos favorecida o afastamento do ensino superior? Será que não estamos retornando aos anos 40 do Século XX . a instituição de ensino deve verificar escolas seus empresários competências que deverão ter tais profissionais. Esta última definida em parceria com o empresariado. O AFASTAMENTO DO VESTIBULANDO é imaginado na separação dos cursos técnicos e dos cursos de ensino médio. Para evitar que um jovem fique numa escola técnica. a formação Para pensar Será que ao separar os dois cursos. Estaria perdendo tempo.

Assim. Um ponto positivo se refere ao aproveitamento de estudos ou aprendizagens do mundo do trabalho. Logicamente. ou seja. Procure entender os tipos de competências que envolvem seu perfil profissional e onde obtê-las. se a escola montou o seu curso de acordo com a vontade do empresariado. Do mesmo modo. Deste modo. Onde o aluno por meio de uma avaliação pode ter seus conhecimentos reconhecidos e suas competências aprovadas. ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ . Mas a grande redução foi imaginar os CURRÍCULOS MODULARES com vários desses MÓDULOS TERMINAIS. com uma formação profissionalizante. o empresariado pode financiar o curso ou parte dele. em um curso técnico. EXERCÍCIO 1 Faça um resumo sobre o Técnico de Serviços de Apoio Escolar. diminuindo os custos do curso. o seu aluno terá EMPREGABILIDADE e maior facilidade de acesso ao mercado de trabalho. o aluno só recebe quando termina todos os módulos e o ensino médio. na pior das hipóteses. um jovem Importante que cursasse seis meses e o módulo fosse terminal receberia um CERTIFICADO. ele poderia ter módulos certificados.Aula 4 | As diretrizes curriculares nacionais da educação profissional 102 do técnico de nível médio já estaria reduzida para um ano e meio. O DIPLOMA DE TÉCNICO. Os CERTIFICADOS quando o aluno termina os módulos terminais (profissionalizantes) A crítica feita ao sistema é que alunos ao receber determinado certificado podem abandonar o curso para trabalhar.

pois tem em média os seguintes requisitos como exigências: 1) Conhecimento. percussoras.Aula 4 | As diretrizes curriculares nacionais da educação profissional 103 TRABALHANDO COM COMPETÊNCIAS As competências profissionais começaram a ser utilizadas como resultados das pesquisas de David McClelland nos anos de 1970. As mudanças no mundo do trabalho são motivados por dois fatores que geram novos desafios para a educação profissional:  Mudanças tecnológicas e organizacionais. Estas pesquisas permitem identificar o desempenho no trabalho. 6) Participação. e 8) Capacidade de decisão. 5) Iniciativa. . 7) Responsabilidade. e  Os paradigmas da produção flexível. 3) Cooperação. O diferente novo profissional que tem um perfil no daquele predominou taylorismo-fordismo. 2) Autonomia. As transformações econômicas dos anos 80 levaram a centralização das competências no mercado de trabalho em virtude dos modos de produção. 4) Criatividade. programas A inadequada de formação relação e as entre os práticas empresariais em virtude da valorização dos conhecimentos acadêmicos gera as necessidades de mudanças em A busca Inglaterra de qualidade foi uma e das produtividade.

criatividade.. Nos Estados Unidos são desenvolvidos uma série de trabalhos que vão influenciar nas políticas e práticas educacionais. SABER-SER: que implica no seu comportamento. p. Assim. . autonomia. O APRENDER À SABER-SER e APRENDER À APRENDER corresponde ao SABER-AGIR. 22): 1) GESTÃO DE RECURSOS: tempo. material.. O foco passa a ser a capacidade de desempenhar efetivamente o trabalho.Aula 4 | As diretrizes curriculares nacionais da educação profissional 104 A este perfil profissional temos acrescer a POLIVÂNCIA. SABER: que implica em adquirir conhecimento. princípios e atitudes devem ser desenvolvidos. assim como a outras oportunidades profissionais que poderão apresentarse e abrir-lhes perspectiva de carreira. e APRENDER: permanentemente buscar os seus próprios caminhos para se manter atualizado e com “empregabilidade”. as competências devem estar Importante direcionadas para os pilares da educação estabelecidos pela UNESCO. SABER-FAZER: que implica no desenvolvimento das habilidades para a execução das competências dos ofícios em aprendizagem. Em função do exposto. logística e pessoal. Os boletins SCANS (Secretary`s Comission on Achieving News Skills) destacam cinco tipos de COMPETÊNCIAS TRANSVERSAIS (Vargas. É ter iniciativa. 2001. ou seja. é fundamental que: O NOVO PROFISSIONAL APRENDA À. responsabilidade e capacidade de decisão. valores. a fim de ajudá-lo a adaptar-se às características específicas do trabalho e à evolução técnica futura. finanças. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) apresenta a seguinte conceituação para a polivência: Modalidade de formação destinada a dar aos participantes a mais ampla formação em vários ofícios relacionados com a profissão escolhida.

fazer manutenção e reparar equipamentos. ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ RESUMO . EXERCÍCIO 2 Procure traçar as diferenças entre a formação profissional para o taylorismo-fordismo e a formação profissional contemporânea baseada em competências. a implantação do modelo de competência depende das políticas públicas educacionais. 3) GESTÃO DE INFORMAÇÃO: obter e avaliar informação. 4) COMPREENSÃO SISTÊMICA: compreender as inter-relações complexas. negociação e trabalhar com pessoas diferentes. serviços a clientes. aplicar as tecnologias em tarefas. 5) DOMÍNIO TECNOLÓGICO: escolher tecnologias. interpretar e comunicar. O uso das competências também ocorre nas empresas na gestão dos Recursos Humanos. monitorar e corrigir desempenhos e melhorar a estrutura dos sistemas. entender os sistemas. utilizar computadores. organizar e manter sistemas de informação. liderança. capacidade de instrução.Aula 4 | As diretrizes curriculares nacionais da educação profissional 105 2) RELAÇÕES INTERPESSOAIS: trabalho em equipe. Logicamente.

.  Na próxima aula.  Discutimos sobre as competências a serem desenvolvidas na Educação Profissional.Aula 4 | As diretrizes curriculares nacionais da educação profissional 106 Vimos até agora:  Falamos a respeito das Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Profissional. iremos discutir a construção dos currículos por competências para a educação profissional.

É fundamental este conhecimento. AULA . As dificuldades para se planejar um currículo por competências. O aluno pode verificar como uma atividade complexa está interligada entre o perfil profissional (saída do aluno) e a sala de aula. sua importância e sua construção e como ela serve de base para discutir a organização curricular. e  Identificar os passos para a construção de competências de currículos. Você deve ler e tentar elaborar o currículo. após o estudo do conteúdo desta aula. Iremos começar apresentando uma metodologia de planejamento de currículo por competência: “O que é” uma Matriz Referencial de Resultados. você seja capaz de:  Conhecer metodologias e técnicas relacionadas à construção de currículos por competências. Objetivos Apresentação Esperamos que.Planejamento de Currículos por Competências Antônio Ney 5 Esta aula tem o propósito de mostrar ao aluno como se processa a construção de currículos por competências.

. Metodologia Técnicos para Planejamento de Currículos por Competências para Cursos A construção de um currículo por competências deve obedecer duas etapas. A primeira etapa consiste da elaboração da Matriz Referencial de Resultados. em todos os casos.Aula 5 | Planejamento de currículos por competências 108 Considerações iniciais Uma metodologia para planejar currículos por competências para cursos técnicos não é uma simples receita que se repetindo. iremos inicialmente discutir a construção da Matriz Referencial de Resultados. Assim. A montagem deve ser muito bem pensada por causa dos riscos de construção de currículos que não permitirão aos alunos alcançarem as competências esperadas. sucessivamente. Foi deste modo que a Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação justificou a criação de uma nova área de técnica de profissionalização nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional de Técnico de Nível Médio. onde fica estabelecido Perfil Profissional esperado para o final do curso. enquanto a segunda engloba a construção do currículo em função da Matriz Referencial de Resultados construída na etapa anterior. sempre será garantia de sucesso. A MATRIZ REFERENCIAL DE RESULTADOS O objetivo primordial para o planejamento de currículos por Competências é a definição do PERFIL PROFISSIONAL esperado ao final do curso de formação.

2) Instalar e configurar computadores. indica se elas são ou não competentes. que. em ambientes de programação. se estão ou não qualificadas para atuar em seu âmbito de trabalho. (SENAI) EXEMPLO DE UM PERFIL PROFISSIONAL O profissional. deverá possuir um conjunto de competências que permitam atuação no projeto. desenvolvimento. 5) Desenvolver algoritmos através de divisão modular e de refinamentos sucessivos. (Adaptado de curso do CEFET-Alagoas) O esquema abaixo mostra o passo a passo para a construção da Matriz Referencial de Resultado. no desenvolvimento de softwares. confrontado com o desempenho real das pessoas. É o marco de referência. 3) Utilizar os serviços e funções dos sistemas operacionais. 6) Utilizar estruturas de dados na resolução de problemas computacionais. Tal conjunto compreende: 1) Compreender o funcionamento e o relacionamento entre os componentes de computadores e seus periféricos. isolados ou em redes. É expresso em termos de competências profissionais. 7) Aplicar linguagens. ao concluir o curso. o ideal para o desenvolvimento profissional. implantação e gerenciamento de sistemas de informação. periféricos e softwares. 4) Selecionar programas de aplicação a partir da avaliação das necessidades do usuário.Aula 5 | Planejamento de currículos por competências 109 PERFIL PROFISSIONAL é a descrição do que idealmente é necessário saber realizar no campo profissional correspondente a determinada qualificação. .

legislações e dados referentes para a construção do currículo. MODELO DE MATRIZ REFERENCIAL DE RESULTADOS Bases Função Subfunção Competências Habilidades Tecnológicas A primeira etapa da construção da Matriz Referencial de Resultado deve consistir na obtenção das informações.Aula 5 | Planejamento de currículos por competências 110 EXERCÍCIO 1 Você consegue imaginar as razões que levam ao estudo do processo produtivo (por exemplo. ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ Inicialmente construiremos uma Matriz Referencial de Resultados que consta no quadro abaixo. Para cumprir esta etapa é fundamental ser . o processo dos serviços de apoio escolar) para se definir uma matriz de resultados.

a proposta com o pedagógica currículo. ser a formação se referir a uma PROFISSÃO REGULAMENTADA.394/96 e atualmente do Decreto Federal nº 5. à A legislação educacional e profissional que se profissional legislação profissional deve ser avaliada com muito cuidado.EDUCACIONAL E DA PROFISSÃO: É aplica a fundamental formação ser identificada desejada.154/04 sobre a educação profissional.Aula 5 | Planejamento de currículos por competências 111 utilizada(o):  LEGISLAÇÃO ATUALIZADA . O Parecer CNE/CEB nº 16/99 e as Resoluções do CNE/CEB nº 04/99 apresentam os fundamentos a serem seguidos na elaboração do perfil profissional e no currículo. As determinações da Lei nº 9. As questões essenciais da educação são vistas neste momento: Que homem se pretende formar? Quais são os valores a serem desenvolvidos? Quais são as deficiências da escola a serem vencidas para a oferta do curso? consonância DO PROJETO PEDAGÓGICO DA .  BASES ESCOLA É importante que o Projeto Pedagógico tenha previsão de trabalhar com a Pedagogia das Competências. principalmente. Esta legislação permite o entendimento sobre o significado da formação técnica por competências e o currículo flexível. esteja ou em seja.

responsabilidade.. as bases tecnológicas e os itinerários formativos. tais como domínio técnicoprofissional.) Por sua vez. (. dependendo da qualificação profissional em questão. em nosso país. que uma maior escolaridade possibilite o alcance de níveis mais elevados de qualificação. o cenário e tendências da área que está se pretendendo formar. em geral. iniciativa. as subfunções. autonomia.. técnico e tecnológico. uma vez que os primeiros são conferidos pelo grau de complexidade exigido no desempenho profissional. definem-se. e os segundos o são pelo grau de escolaridade. (SENAI)  CLASSIFICAÇÃO BRASILEIRA DE OCUPAÇÕES (CBO) E LEGISLAÇÃO DA PROFISSÃO São fundamentais para se verificar a descrição das atividades e tarefas exercidas e os limites de . Procure verificar o panorama. Não há uma correspondência rígida entre os NÍVEIS DE QUALIFICAÇÃO e os NÍVEIS DE FORMAÇÃO. os níveis de formação são definidos em função das etapas educacionais concluídas. diretamente relacionadas. Com base nesses critérios.208/97: básico. tomada de decisões e complexidade do trabalho.Aula 5 | Planejamento de currículos por competências 112  REFERENCIAIS DA ÁREA São fundamentais CURRICULARES NACIONAIS para a construção dos currículos tendo em vista que os referenciais implicam em excelente ferramenta para ajudar na construção da Matriz Referencial de Resultados e do próprio currículo. Veja as funções. cinco níveis de qualificação. :: Níveis de Qualificação Profissional Os NÍVEIS DE QUALIFICAÇÃO referem-se ao domínio de um desempenho profissional e à complexidade dos conteúdos de trabalho que ele engloba. Podem-se utilizar outros critérios. no entanto. com os níveis de educação profissional estabelecidos no Decreto Federal no 2. É de se supor. em função do grau de exigência relacionado ao desempenho profissional. coordenação/participação. Eles são estabelecidos com base em critérios de classificação.

bem como o público-alvo a ser atendido.  RESULTADOS DE ESTUDOS DE DEMANDAS São importantes para sinalizar as necessidades de emprego e da atualização de perfis profissionais. Nesta documentação se consegue ver responsabilidades. . específicas alguns esta pesquisa. mas só tem utilidade se seus alunos conseguem se empregar. campo de atuação e quais são os órgãos reguladores da profissão. autonomia.Aula 5 | Planejamento de currículos por competências 113 atuação profissional.  ESTUDOS DA REALIDADE SÓCIO-ECONÔMICA DA REGIÃO Servem para identificar novos perfis profissionais e de “nichos” que o mercado de trabalho procura. existe Por a em municípios possibilidade da instalação de um siderúrgica ou pólo petroquímico e as secretarias estaduais. municipais e escolas técnicas não procuram fazer uma pesquisa para definir os tipos de profissional necessários ao empreendimento e continuam formando profissionais que não terão acesso ao mesmo. É importante para a definição das competências profissionais exemplo. Aqui se procura comparar as ofertas com as demandas. de modo a evitar formações que não terão espaço no mercado regional. Um curso profissional pode ter excelente nível pedagógico e técnico. Os resultados de estudos de demandas e os estudos da realidade sócioeconômica da região são instrumentos úteis para se estabelecer as profissões e ocupações a serem formadas.

Para esta identificação de funções e subfunções. ou seja. e  CONSULTAS À COMUNIDADE CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA em caráter prospectivo. ou seja. A formação profissional não pode estar voltada apenas para o dia de hoje. as tendências e as previsões prospectivas para definição dos perfis profissionais. .Aula 5 | Planejamento de currículos por competências 114 A segunda etapa corresponde à construção da Matriz Referencial de Resultados propriamente dita.  CONSULTAS A TRABALHADORES ou seja. Este olhar do Setor Produtivo é imprescindível. bem como o que ele espera do profissional a ser formado. temos a identificação e estudo do PROCESSO PRODUTIVO em foco. mas deve observar as tendências de inovações tecnológicas existentes sob pena de uma formação inadequada para o processo produtivo. E EMPREGADORES. como funciona e como opera o setor produtivo. os subsídios devem ser oriundos dos (as): 1) REFERENCIAIS (RCN/EP):  NORMAS OCUPACIONAIS existentes. pois é preciso as necessidades. ouvir CURRICULARES NACIONAIS trabalhadores do ramo e empregadores é fundamental para se obter detalhes e entender desempenho profissional para a definição do perfil profissional. O aluno formado ao término do seu curso já poderia estar necessitando requalificação. Inicialmente. Nesta identificação é importante se esclarecer as FUNÇÕES e SUBFUNÇÕES.  ANÁLISE DO SETOR PRODUTIVO. as normas que a formação profissional deve atender.

 EXIGÊNCIAS INDIVIDUAL DA são SOCIEDADE pois E a fundamentais. pois estas são obrigatórias para a formação do técnico da área em formação.Aula 5 | Planejamento de currículos por competências 115 A partir da definição das funções e subfunções. Procura-se definir “como”. A quarta etapa é a identificação das habilidades requeridas. A identificação das competências requeridas deve ser realizada baseada nas (os): 2) DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL (DCN/EP):  ANÁLISE DO SETOR PRODUTIVO sob a ótica da educação é importante tendo em vista que a análise anterior tinha o enfoque no mercado de era trabalho o que o e onde a preocupação trabalhador executava e como procedia. Agora. pedagogicamente formação. devem ser identificadas as habilidades que atende cada . Ao se elaborar a Matriz Referencial de Resultados não se pode ignorar a verificação das COMPETÊNCIAS PROFISSIONAIS GERAIS que constam da Resolução CNE/CEB nº 04/99. a matriz será trabalhada com a identificação das competências (terceira etapa) necessárias para cada função e cada subfunção. deve ser realizada a visão de formação não se deve prender apenas a questão técnica. fruto da identificação e estudo do processo produtivo. mas também aquelas ligadas com a formação da cidadania e da cultura local. ou seja. a visão deve ser outra.

Logicamente. O erro na identificação de habilidades levará a uma formação incompleta e inadequada para o mercado de trabalho.  AMBIENTES DE ATUAÇÃO. quanto mais próximo do cotidiano estiver a formação. pois uma formação profissional deve estar voltada para a realidade que o profissional irá atuar. Por exemplo. Assim. engenheiros e médicos que embora possuam excelentes formações técnicas e teóricas não conseguem exercer na prática as suas atividades. tornando profissionais inabilitados para o exercício profissional. As correções são complexas e as vezes impossíveis. pois para cada competência devem ser identificadas que habilidades são necessárias para se alcançar a capacitação no uso competência. os profissionais como advogados. refletindo seriamente na formação do profissional. Por .Aula 5 | Planejamento de currículos por competências 116 competência ferramentas:  QUADRO DE com a utilização das seguintes COMPETÊNCIAS definido na etapa anterior. Esta etapa é fundamental. Tais alunos se não adquiriram as competências devidas.  TAREFAS REALIZADAS PELO PROFISSIONAL. e  SABERES APLICADOS. Um ponto importante é o contexto da atuação ou do ambiente. bem como as ferramentas e instrumentos que utiliza. melhores serão os resultados obtidos. não conseguem se comunicar (falar) com um estrangeiro. existe uma dissociação clara entre teoria e prática. Quantas pessoas freqüentam durante anos seguidos cursos de línguas estrangeiras e ao final do curso.

a matriz deve ser submetida a uma comissão representativa de empregadores e trabalhadores. A sexta etapa implica na definição dos critérios de evidência para avaliação das competências. A Matriz Referencial de Resultados deve ser validade pelos agentes que serviram de base para a sua construção. Quais são os padrões aceitáveis de desempenho no mundo produtivo? Esta é a grande questão a ser respondida nesta etapa. A relação entre a atividade. cada público alvo tem tratamento específico e apropriado.Aula 5 | Planejamento de currículos por competências 117 exemplo. a formação de um docente para alfabetização deve considerar o que é trabalhar com crianças e o que é trabalhar com os jovens e adultos. a competência e a habilidade tem que ser pensada cuidado. científica e o mundo produtivo servirão de base para esta etapa. . pois a literatura tecnológica. A quinta etapa corresponde a definição das bases tecnológicas (saberes) relacionadas as competências e as habilidades. É o refinamento da etapa anterior. Assim. a tarefa. Um lembrete que deixamos nesta hora. É fundamental que os Referenciais em bases técnicas e com muito Curriculares Nacionais da Educação Profissional sejam utilizados para auxiliar na execução desta etapa. Os saberes envolvidos não podem ser negligenciados devido gerar uma formação técnica ruim. são contextos diferentes.

.Aula 5 | Planejamento de currículos por competências 118 A validação (sétima etapa) é uma etapa importante porque através dela serão realizados os ajustes finais (oitava etapa) para casar a formação proposta pelos educadores com a necessidade do mercado de trabalho.

Operação de programas de instalação.Conhecer o funcionamento e relacionamento entre os componentes de um computador. .Instalar e .Adequar e memórias.Princípios de de funcionamento instalação. BASES TECNOLÓGICAS . MODELO DE MATRIZ REFERENCIAL DE RESULTADO PREENCHIDO FUNÇÃO Uso e gestão de computadore s e sistemas operacionais SUBFUNÇÃO Instalação.Coordenar a instalação de softwares básicos e aplicativos. . HABILIDADE . .Vocabulário configurar técnico em equipamentos.Aula 5 | Planejamento de currículos por competências 119 EXERCÍCIO 2 Descreva com as suas palavras as diferenças entre as diretrizes curriculares e os referenciais curriculares. .Interpretar geral de os manuais computador.Sistemas operacional numéricos às decimal. de processadores . português e inglês. programas e sistema . . .Coordenar a instalação de computadores e seus acessórios essenciais.Utilizar programas . Você consegue ver utilidade para existir os referenciais curriculares. de equipamentos.Identificar os componentes de um computador. configuração e operação de computadores COMPETÊNCIAS .Arquitetura . ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ Um exemplo de da Matriz Referencial de Resultado preenchida pode ser vista no quadro a seguir. do usuário. binário necessidades e hexadecimal.

Aula 5 | Planejamento de currículos por competências 120 Utilização. A princípio. as saídas intermediárias e finais. A primeira etapa consiste na definição de TERMINALIDADES por conjunto de competências que se integram e articulam em função do mercado de trabalho. A segunda etapa corresponde à definição dos itinerários. ou seja. Instalação e utilização de aplicativos computacionais. parte-se para a organização curricular por módulos. As saídas podem ser intermediárias (quando atende a ocupações do mercado – certificado) ou final (quando o aluno alcança um título de técnico – diploma). Organização Curricular De posse da Matriz Referencial de Resultados. diversas opções de saídas para o mercado de trabalho. e os certificados e diploma. considerando as funções e subfunções do processo produtivo são desenhados os módulos do currículo. Entretanto. É fundamental esclarecer que um curso pode ser constituído por uma rede de módulos que irão permitir ao aluno várias possibilidades de itinerários. cada terminalidade implicará em um módulo e darão ao aluno um certificado que permitirá acesso ao mercado. . Veja a figura nº I abaixo. cabe deixar claro que existem MÓDULOS NÃO TERMINAIS. manipulação e configuração de sistemas operacionais. os critérios de acessos aos módulos e ao curso. Assim.

ou seja.Aula 5 | Planejamento de currículos por competências 121 O DIPLOMA DE TÉCNICO DE NÍVEL TÉCNICO só é obtido quando o aluno apresenta o certificado de conclusão do ensino médio e conclui todos os módulos do curso. É fundamental a definição do professor-coordenador de cada projeto. em função do processo produtivo. A quarta etapa implica no planejamento dos diversos insumos requeridos em cada projeto integrador. Nesta etapa deve ser formulado os problemas desafiadores. Os problemas desafiadores têm que estar com a maior sintonia possível com a realidade que o aluno encontrará no mundo do trabalho. a para não se repetir identificação de competências básicas. pois se cuidado competências básicas na educação profissional. principalmente. Nesta etapa é discutida essencialmente “como” será composto e trabalhado cada projeto integrador. É importante do utilizar Médio as Diretrizes na Curriculares ensino em (DCNEM) definição dos itinerários e critérios de acesso aos módulos tendo deve ter o vista. da matriz referencial de resultados e do contexto do trabalho se define as situações problemas que os alunos terão que trabalhar na busca de consolidar as competências. habilidades e atitudes desejadas. A quinta etapa corresponde a definição . A terceira etapa corresponde ao planejamento dos projetos integradores para o desenvolvimento dos diversos módulos.

. o reconhecimento e o enquadramento do aluno no curso. Entretanto. tem a oportunidade de aplicar seu conhecimento sem o acompanhamento direto dos seus professores. mas também um fator de justiça social. Na sexta etapa temos a definição do processo de avaliação da aprendizagem de e dos critérios de de aproveitamento estudos. a avaliação deve ser criteriosa e observando o resultado esperado para a competência. instrumentos acompanhamento e avaliação de alunos. A estruturação dos cursos por módulos facilita a avaliação das competências. Quais instrumentos e ferramentas devem ser usados para o acompanhamento do aluno em cada competência? Assim. de habilidades e de atitudes de alunos que procuram à escola. Esta etapa é complexa tendo em vista que a avaliação deve ser feita observando se o aluno obtém efetivamente os resultados esperados de cada competência. os critérios de reconhecimento de competências. independente da forma como foi obtida. A diferença entre a aula prática e o estágio corresponde que na primeira (aula prática) o aluno desenvolve a atividade com o acompanhamento direto do professor no ambiente escolar. de habilidades e de atitudes devem ser definidos com clareza e cuidado. é imprescindível a supervisão por parte da escola. fora do ambiente escolar. o que não ocorre no estágio. O reconhecimento de competências.Aula 5 | Planejamento de currículos por competências 122 do estágio supervisionado é importante por se tratar de uma atividade educacional na qual o aluno. É essencial e deve estar prevista nos Planos de Cursos este reconhecimento. Assim. O aproveitamento de estudo não é só o cumprimento de uma determinação da LDB.

. ambientes de aprendizagem e recursos necessários a operação do curso.  Na próxima aula iremos ver a certificação profissional. EXERCÍCIO 3 Quais diferenças podem ser identificadas entre um estágio e uma aula prática. horários.  Devido ao espaço não podemos desenvolver um currículo por competências.Aula 5 | Planejamento de currículos por competências 123 A etapa final implica na organização de tempo. mas a aula permitiu conhecer e identificar como se trabalha por competências. ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ RESUMO Vimos até agora:  Tivemos a oportunidade de ter visto como se planeja e constrói um currículo por competências.

Objetivos Apresentação Esperamos que. (exemplo. O país ainda discute sua regulamentação. após o estudo do conteúdo desta aula. AULA . atividade ou tarefa. O pedagogo deve estar atento ao processo. É um processo de inclusão social.Certificação Profissional Antônio Ney 6 Esta aula tem o propósito de apresentar ao aluno o processo de certificações profissionais e seus objetivos. sua composição. O aluno deverá conhecer a estrutura de um sistema de certificação. você seja capaz de:  Conhecer a conceituação sobre certificação profissional e seus objetivos. bem como de garantia que a qualificação mínima para uma ocupação. mas já existem vários sistemas que estão trabalhando. aplicação e limitações. independente da forma que obteve. instalador de kit de gás em automóveis).  Entender um sistema de certificação profissional. A certificação profissional procura avaliar se uma determinada pessoa possui o conhecimento que afirma ter.

com o curso médio já realizado. inclusive a de tornearia mecânica que faz parte do curso citado. o de permitir qualificações ou especializações especiais para determinadas atividades especiais e de risco do mundo do trabalho. este torneiro ao se matricular numa escola técnica deverá ser submetido a uma avaliação. A certificação profissional tem este objetivo. este aluno teria que entrar para um curso técnico e cursar todas as disciplinas. ele será certificado nos módulos correspondentes do curso e dispensado de cursar os módulos afins de sua certificação. Entendeu? Achou justo? Deste modo. aprendeu seu ofício na oficina do pai. grande maioria.Aula 6 | Certificação profissional 125 Considerações sobre Certificações No levados básica. essa garantia de qualidade mínima de um profissional para executar uma atividade de risco numa organização é dada pela certificação impede a profissional. e caso apresente os conhecimentos e habilidades desejadas (competências). no nada de processo . Anteriormente. sua utilização Entretanto. de modo informal ou no mundo trabalho. antes mundo justo trabalho completar a idade mínima e a escolaridade existirem mecanismos conhecimentos aprendidas fora permitam habilidades reconhecer profissionais âmbito escolar. bem como. Um torneiro mecânico. A certificação dá o direito a ele de exercer oficialmente a profissão de torneiro mecânico aprendida de modo informal. Brasil em ao é onde sua do as crianças e os são de que e do adolescentes. ou seja. Ele tem o propósito de concluir o curso Técnico de Mecânica de Nível Médio. mesmo considerando a sua experiência da parte prática desta máquina-ferramenta. Atualmente.

ou seja. poderá ser objeto de avaliação.  Ser novo “filtro” para o mercado de trabalho. Esse processo. na qual um bom profissional fica impedido do exercício oficial de uma profissão porque não freqüentou uma escola ou não tem o diploma da profissão. o a certificado mais das servir como para um se requisito empresas . o governo está discutindo como implementar de modo mais coerente e racional o sistema de certificações.Aula 6 | Certificação profissional 126 capacitação básica do trabalhador em substituição a educação formal. independente da forma como foram alcançados. INCLUSIVE NO TRABALHO. presente na página 118. apresenta a estrutura de um sistema de certificações. O artigo diz: O conhecimento adquirido na educação profissional. O artigo nº 41 da LDB estabelece o reconhecimento e a certificação de conhecimentos. pois dependendo de como ele for estruturado pode levar a:  Desmoralização do sistema em virtude de certificar o trabalhador sem a competência devida e com isso. como já afirmamos. mas é competente para exercê-lo. e no caso brasileiro. Estrutura de um sistema de Certificação O esquema. reconhecimento e certificação para prosseguimento ou conclusões de estudo. as empresas não reconhecer o valor da certificação. é democrático e permite regularizar situações ridículas. Uma das razões para a existência do sistema de competências na formação e capacitação profissional é facilitar este reconhecimento de estudos.

O trabalho do Governo e do Ministério do Trabalho e Emprego (MTe) é complexo e para realizá-lo ele tem recebido a contribuição da profissionais que podem ter .Aula 6 | Certificação profissional 127 conseguir um emprego. O atores: 1º NÍVEL – DIRIGENTE: No governo caso brasileiro que corresponde ditará as ao sistema apresenta três níveis de brasileiro bases (regulamentará o processo) com relação à:  IDENTIFICAÇÃO: implica na identificação das ocupações certificação.  FORMAÇÃO: implica no estabelecimento de bases para o processo de qualificação do trabalhador. tendo em vista que para ocupações específicas o certificado já é uma condição satisfatória.  Ser mero compromisso a existência assistencial. de se ou for propiciar políticas demagógicas. e  CERTIFICAÇÃO: implica no estabelecimento de bases para o processo de avaliação e certificação.  NORMALIZAÇÃO: implica no estabelecimento de normas para o processo de um modo geral. Este risco é razoável. principalmente considerado a alta das taxas de desemprego e a baixa escolaridade da PEA (População Economicamente Ativa).

um curso de Tecnólogo ou de Técnico de Nível Médio para funcionar tem que ser autorizado pelo referido ministério. procurando responder: Quais são as vantagens que eu tenho no exercício de uma profissão regulamentada? A quem interessa tais medidas? . Do mesmo modo. o Ministério da Educação (MEC) tem uma participação fundamental. pois o sistema deve ser tripartite (governo-empresáriotrabalhador). Este último papel é regulamentado pelos diversos conselhos. que o um da sistema Saúde. Obviamente. ou ainda um médico. desta o do magnitude possui. O MEC é responsável pela formação profissional. tem participações que são fundamentais: os empresários e os trabalhadores. o CRM etc. Arquitetura e Agronomia (CREA) da região que vá trabalhar. debates e congressos buscando conhecer todas as opções como e o interferências da Educação. Entretanto. Um dos objetivos da reforma trabalhista é diminuir ou praticamente acabar com profissões regulamentadas sob o discurso de que a “flexibilização” dos tempos modernos exige. uma enfermeira tem que ter o COREN. tendo em vista que é da sua responsabilidade o processo educacional de formação (capacitação). Vários ministérios têm envolvimento Desenvolvimento e outros tendo em vista a importância da questão. EXEMPLOS: Um engenheiro para o exercício profissional tem que ter registro do Conselho Regional de Engenharia. Com isto teríamos a utilização de mão-de-obra polivalente.Aula 6 | Certificação profissional 128 Organização Internacional do Trabalho (OIT). Cerca de 80 % dos cursos no Brasil de graduação (superior) atendem profissões regulamentadas. Entretanto. Assim. Pense nesta informação e analise. Para a implantação nacional têm sido promovidos seminários. o exercício profissional é da competência do Ministério do Trabalho e Emprego.

o governo não tem condições de definir e estabelecer Métodos e Normas operacionais sobre todas as áreas do conhecimento humano.Aula 6 | Certificação profissional 129 2º NÍVEL . A partir daí. Assim. avaliação e certificação. A ABNT possui várias câmaras setoriais diferentes que estudam e criam as normas respectivas situação. de modo a constituir os diversos perfis profissionais. dentro de sua competência. Os setores terão o papel de fiscalizar o sistema. pelas escolas ou pelos centros de certificações. em a existência cada setor. Entretanto. e logicamente. 3º NÍVEL . as normas são elaboradas de modo que se defina o processo de formação.OPERACIONAL Constituídos pelos centros de formações profissionais. a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) tem exercido o papel de estabelecer normas técnicas. de de organismos estabelecer tais procedimentos. avaliação e certificação. é fundamental capazes. aqui estamos diante de uma nova . que são os responsáveis pela capacitação. ou setores profissionais. Atividades e tarefas de cada ocupação têm que ser plotadas e analisadas. No Brasil.SETOR É claro que este sistema de certificação tem que atender ao interesse de todos os envolvidos. O papel setorial é ditar qual método a ser utilizado e como devem ser identificadas as ocupações profissionais de sua área.

enquanto para as profissional tem que . Ao empresariado é importante que sua mão-deobra tenha um mínimo de QUALIDADE PROFISSIONAL para o exercício de seu trabalho. as normas mínimo de qualidade mínima da empreendimento sob pena da queda de competênciase é. que o Setor Dirigente interfere em todo desenvolver. Entretanto. independente da aceitação do mercado de trabalho. Tem que se estabelecem um ter rigor neste seja. dentro do processo neoliberal defende o afastamento absoluto do Estado nesta questão. continuamente. O empresariado.Aula 6 | Certificação profissional 130 Este assunto era abordado no Decreto Federal nº 2208/97 que regulamentava a educação profissional e consta do Parecer CNE/CEB nº 16/99. A Certificação é fundamental para dar garantia que o Setor Dirigente se mantenha. Importante O esquema acima demonstra que. ou de certificação profissional. o Decreto Federal nº 5154/2004 que substituiu o Decreto nº 2208/97 não menciona mais o assunto. acompanhando e fiscalizando a sistemática mão-de-obra.o qualidade que por esta razão. o sistema.a Profissional serve planejando.

ou seja. e 5) O guia de avaliação registra o que deve ser avaliado. 2) Estão definidos na norma. 3) Está posto o campo de aplicação. aonde o fisioterapeuta poderá desenvolver a sua atividade e que fatalmente exigirá estas competências. Por para a profissão de . A participação dos três níveis é imprescindível. mas sem condição de exercer a profissão. Lembre a regras estabelecerá as obedecidas sistemática para o processo. A identificação de ocupações que podem e devem ser certificadas tem que ser escolhidas obedecendo aos critérios de segurança. os critérios e as evidências de desempenho. 4) No campo das Evidências de conhecimento e compreensão constam os saberes. Na página seguinte colocamos um exemplo de norma para que você tenha uma idéia. Cabe destacar que: 1) A página mostrada apresenta uma unidade de competência Fisioterapeuta. A fase de formação deverá respeitar e montar os cursos de modo a atender todas as normas de competências de uma profissão. viabilidade e cuidados. A fase seguinte corresponde à elaboração de normas a para serem permitir norma a realização e definirá do a processo.Aula 6 | Certificação profissional 131 categorias profissionais é imprescindível que não apareçam no mercado pessoas com certificados.

ELEMENTO DE COMPETÊNCIA: Orientar o paciente e sua família sobre os cuidados e as atenções para com a pessoa portadora de deficiência. Finalmente. CRITÉRIOS DE DESEMPENHO a) As informações dadas aos pacientes e sua família estão de acordo com a patologia e o tipo de deficiência b) As informações dadas ao paciente incluem indicações e contra-indicações c) Utiliza meios gráficos de comunicação para facilitar a compreensão do paciente e de sua família d) A linguagem é clara e o profissional se assegura de que o paciente compreende as instruções dadas CAMPO DE APLICAÇÃO a) Serviços de fisioterapia de qualquer natureza. a fase avaliação e certificação serão trabalhadas de acordo com a norma para verificar “in loco” o desempenho do profissional e para isto existe o guia de avaliação. b) Hospitais. sua família e a comunidade para que atuem como coadjuvantes no atendimento.Aula 6 | Certificação profissional 132 isto é importante que os cursos técnicos sejam modulares de modo que facilitem a entrada de alunos que desejam alcançar todas as competências de um técnico. c) Domicílio dos pacientes. clínicas e centros de reabilitação. EXEMPLO DE NORMA DE COMPETÊNCIA PROFISSÃO: Fisioterapia UNIDADE DE COMPETÊNCIA: Estabelecer comunicação com a pessoa portadora de deficiência. EVIDÊNCIAS DE CONHECIMENTO E COMPREENSÃO a) Técnicas de comunicação b) Indicações e contra-indicações segundo as patologias c) Tecnologia educacional EVIDÊNCIAS NECESSÁRIAS À AVALIAÇÃO EVIDÊNCIAS DE DESEMPENHO DESEMPENHO DIRETO a) Comparação entre as instruções e a patologia do paciente b) Perguntas dirigidas ao paciente e familiares sobre as indicações recebidas EVIDÊNCIA DO PRODUTO a) Existência de meios gráficos para facilitar a compreensão b) Realização de uma sessão de orientação .

EXERCÍCIO 1 Elabore uma norma para uma profissão que você conheça. Procuramos aproveitar e adaptar o exemplo anterior para a questão da certificação . GUIA DE AVALIAÇÃO: d) Comunicação alternativa a) Observação de uma sessão de orientação b) Questionamento ao paciente e a sua família c) Comparação entre as recomendações feitas pelo profissional e as indicações estabelecidas para a patologia do paciente. pois é importante o aluno ter esta noção.  Procuramos dar uma idéia. Fique fixada numa atividade e procure desenvolver uma unidade de competência. você encontrará uma ficha para o desenvolvimento deste exercício. No WebEnsino.Aula 6 | Certificação profissional 133 d) Organizações que prestam atendimento a pessoas com deficiências. Fonte: BARRENNE et al (2004). ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ RESUMO Vimos até agora:  Discutimos profissional.  Na próxima aula retornaremos ao assunto com relação à avaliação.

.Aula 6 | Certificação profissional 134 a profissão de inspetor escolar.

Entretanto. Objetivos Esperamos que. você seja capaz de:  Analisar a importância da avaliação na educação profissional.Avaliação Antônio Ney 7 Apresentação Nesta aula teremos a oportunidade de abordar a avaliação para a formação e capacitação profissional de qualquer trabalhador. quando compulsoriamente as escolas foram obrigadas a oferecer educação propedêutica e profissional juntas. A educação profissional tem as suas especificidades e a avaliação deve ser adequada a ela. Talvez por isso nos governos militares. AULA . após o estudo do conteúdo desta aula. mas tem que ser esclarecido que não faremos crítica aqui a nenhum modelo ou sistemática. cabe ressaltar que vocês devem ter visto em Didática e em outras disciplinas vários conceitos e técnicas sobre avaliação. se tenha cometido o maior erro educacional da nossa história.

a nosso ver este papel descrito no parágrafo anterior não é uma verdadeira avaliação. normal em qualquer tipo de aprendizagem e faz parte do processo Avaliar e examinar são a mesma coisa? Para pensar natural da vida. corriqueira e que deveria ser comum e estar focada no desempenho do aluno. a avaliação em vez de um ato contínuo e comum. inclusive em um processo contínuo. estaremos sempre fazendo avaliações. espetacular e até um show na escola. mas avaliar jamais deve ser um show. de fato. mas sempre tenho que estar avaliando para verificar se estou no caminho certo para alcançar o meu objetivo estabelecido. Sem embargo. Antunes apresenta a seguinte definição para avaliação: Sistema de levantamento de informações que determinam o estado de algo em um período determinado. Celso Antunes afirma: “A vida é um processo permanente de avaliação”. A avaliação é para todos os objetos. O “terrorismo” do dia do exame ou o seu uso como elemento disciplinador transformaram a avaliação em um mistério.Aula 7 | Avaliação 136 Avaliação: Para Que Serve? A avaliação é um ATO EDUCATIVO. avaliar é muito mais do que examinar. faço o planejamento de todas as atividades. mas sim uma atividade escolar importante. vira um fato especial. pessoas. bem como. fomos. Se eu planejo tirar férias. Entretanto. Esta frase resume a continuidade e a importância da avaliação. somos e seremos avaliados por toda a vida. A avaliação escolar visa detectar e analisar o desenvolvimento de um aluno em um período determinado da . situações e fatos.

por seu turno. um a transforma fator ensino- Você consegue ver diferença entre a avaliação escolar e a avaliação para certificação profissional? imprescindível aprendizagem.Aula 7 | Avaliação 137 experiência escolar. em processo Assim. O paradigma mais usual na avaliação escolar é estabelecer valores máximos onde o desenvolvimento escolar é expresso por notas ou conceitos e esses referenciais padronizam desenvolvimentos individuais. Veja o esquema para avaliação de um sistema de ensino-aprendizagem: . p. (2003. dar o “feedback” (retorno) ao sistema de ensinoaprendizagem do desenvolvimento do aluno e da turma em que ele está inserido. considerando o progresso conquistado em relação a um ponto inicial. A esse paradigma se contrapõe a avaliação por valores ótimos em que o desenvolvimento do aluno é medido apenas em relação a ele mesmo.86) Antunes LEVANTAMENTO DETERMINAM O fala DE em SISTEMA DE ALGO DE QUE EM Para pensar INFORMAÇÕES ESTADO DETERMINADO MOMENTO. Este sistema deve possuir instrumentos e coletar os dados para permitir a análise e. O “feedback” permite avaliação os ajustes se no do sistema.

Este esquema pode dar a idéia que estamos diante de uma proposta avaliativa meramente matemática e pragmática. coletados e uma análise para definir o resultado e permitir dar o feedback (resposta) para os ajustes necessários ao sistema de ensino-aprendizagem ou de certificação. ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ Para pensar Quando Você acredita na possibilidade de uma alternativa para esta escola de massa? O estudo individualizado será possível? E a avaliação em grupo será possível? falamos em CERTIFICAÇÃO PROFISSIONAL destacamos que uma das fases do processo era a da avaliação. Assim queremos deixar claro que a avaliação neste caso. bem como ao aluno ou a um candidato à certificação a sua situação. a avaliação irá identificar o HIATO (gap) existente de entre os Este desempenhos sistema esperado e o DESEMPENHO APRESENTADO por meio de um sistema avaliação.Aula 7 | Avaliação 138 O esquema deixa claro que a partir de um DESEMPENHO ESPERADO do aluno ou de um candidato à certificação. EXERCÍCIO 1 Você concorda que a avaliação procura verificar a diferença em ter o que um aluno deveria ter aprendido e o que ele realmente aprendeu? Justifique. entretanto a sua constituição é apenas didática para facilitar o entendimento. é um processo no qual um avaliador verifica se o candidato à certificação possui ou não as competências e habilidades requeridas . de utiliza e instrumentos dados (geralmente observação medição).

no futuro permitirá para candidato a certificação conhecer o que pode e o estudar evoluir profissionalmente. processo. os empregados e o Estado. Fizemos um corte para falar sobre a avaliação da certificação profissional com o propósito de estabelecer uma analogia entre os processos de ensino-aprendizagem e os do mundo do trabalho. Na para se escola avançar o de se na busca acompanhar da o o desenvolvimento do aluno e construir os ajustes formação pois pessoa. educação formal que leva aos títulos (ou ao ensino superior) e pensando em massa com as pessoas sempre tendo desempenhos idênticos. Observe que os objetivos são exatamente os mesmos. inclusive neste processo é acenado as necessidades de escolaridade. a educação profissional e a educação especial. Será que para a Educação Especial não se poderia utilizar um processo semelhante em substituição a uma exclusão motivada pelo fato que o aluno não consegue se desenvolver em Ciências ou Inglês ou Matemática? A questão é que a escola de tem instituído modelos a padronizados formandos. seu modelo. o objetivo permanece dependendo que deve mesmo. valorizando Observe que fizemos analogia entre a educação formal (básica). ao enquanto com relação à certificação. Ou seja.Aula 7 | Avaliação 139 por um perfil profissional ou estabelecidas em normas para o desempenho profissional. Temos que lembrar que os perfis Importante profissionais nascem (ou deveriam) de reuniões entre os empregadores. Em todas deixamos claro o cuidado com a diversidade e a inserção social. é esquecido que nós (seres humanos) . Os saberes para empregabilidade emergem dessas reuniões tripartite.

pois consiste na prova que mede o desenvolvimento do aluno em um determinado momento. A avaliação. A primeira é um DIAGNÓSTICO onde se verifica e analisa o que está ocorrendo com aprendizagem. Em suma. que o belo está na diversidade. classificatória e retém o aluno. é pontual. ela não contempla a diversidade. Temos que lembrar. tem três fases. é contínua. Então.Aula 7 | Avaliação 140 somos diferentes por natureza. observa o aluno como um todo (integral). ou seja. é uma avaliação quantitativa. Importante A avaliação Educativa não é pontual. procura detectar o conhecimento do aluno para outras aprendizagens e tem uma característica central de ser qualitativa. . Antunes diz que: “é preciso avaliar o aluno em sua integralidade”. pelo que vimos até aqui. a escola tem que pensar que não existe uma única forma de avaliar e a avaliação tem que ser menos padronizada e mais abrangente. A segunda é a TOMADA DE DECISÃO onde se verifica que ações podem ser desenvolvidas para ajustar o ensino-aprendizagem a A avaliação é um ciclo CONTÍNUO. A Avaliação Somativa está baseada na memória. a avaliação tem o sentido de inserir socialmente a pessoa. Em resumo. É uma fotografia da realidade. A sociabilidade faz parte da formação humana e ela tem que ser desenvolvida porque somos seres sociais. é importante que a avaliação seja pertinente e tenha significado para o avaliado. Tipos de Avaliação A avaliação pode ser SOMATIVA ou EDUCATIVA. principalmente.

como aquele que representa o sistema de ensino e realiza a prática pedagógica. e o critério de qualificação refere-se às expectativas de desempenho que tem o educador.significa atribuir-lhe uma qualidade. Veja que agora a visão da continuidade aparece claramente. são os dados de desempenho do estudante. Logicamente. Para se CONSTAR a realidade realizamos um diagnóstico. para se QUALIFICAR estamos diagnosticando e tomando decisões e finalmente. E ele afirma com relação a qualificar a realidade: ... permanente. O quadro da realidade configurada é a descrição dos dados do que está ocorrendo com o desempenho. este é um ciclo contínuo e Luckesi aponta três etapas para a fase do ato de diagnosticar: CONSTATAR.. tendo em vista o sucesso da aprendizagem. p. como são os questionários. a partir de um processo de comparação entre o quadro do desempenho configurado e o critério de qualificação estabelecido. coletados por meio de algum instrumento metodológico de coleta de dados.. O ATO DE AVALIAÇÃO não pode ser confundido com O ATO DE EXAMINAR. No caso da aprendizagem. Este é um . para PROCEDER INTERVENÇÕES estamos qualificando e obtendo resultados..Aula 7 | Avaliação 141 realidade e por fim. (2005. o critério de qualificação é definido pelo padrão de desempenho esperado. QUALIFICAR A REALIDADE E PROCEDER UMA INTERVENÇÃO. testes. verificar os RESULTADOS.6) As etapas apontadas por Luckesi não são diferentes em essência das fases citadas anteriormente.

não defendemos trabalhos em grupos como ocorre em nossas escolas e faculdades. A avaliação em grupo pode ser utilizada sempre que os objetivos e o planejamento estabeleceram condições para se trabalhar em grupo. mediador ou dialógico (há de se ter negociação. vestibular e concursos). embora o ensino é individualizado. principalmente porque apresenta atributos da pessoa que só são demonstrados na relação com os seus pares. includente. onde um aluno desenvolve o trabalho e os demais são agregados sem demonstrar nenhuma participação. Assim. O ato de avaliação é ao contrário. . Importante Obviamente. a questão do como proceder nestes casos fica estabelecida. as atividades que desenvolvemos é em parcerias. diálogo). seletivo. O aspecto dinâmico do ato educativo é permitir um diagnóstico formativo. antidemocrático e classificatório. O professor acaba fingindo que não está avaliando. democrático e dinâmico. Como podemos a partir daí utilizar um processo de avaliação em grupo? A avaliação em grupo é importante. não pontual. Este trabalho é um exame que só mede individualmente quem realizou sem nenhum significado para os demais. EXERCÍCIO 2 Descreva com as suas palavras a diferença entre AVALIAR e EXAMINAR.Aula 7 | Avaliação 142 ato pontual (exemplo. ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ O trabalho do ser humano é em grupo.

de vamos de imaginar um jovem de 13 anos que deseja se instalador sistema combustível à gás em automóvel. analise o que representa as oportunidades de atividades exercidas pelos homens e mulheres em função das limitações e maturidade das crianças. Em que ciclo da vida encontra-se o aluno? Qual atividade que ele exerce ou irá exercer? Neste ponto é essencial destacar que um avaliador deve olhar com muito cuidado a relação do trabalho a ser feito e o nível de maturidade do avaliado. A Pedagogia de Projetos está aí para comprovar tal proposta. adultos e idosos especiais. EXERCÍCIO 3 Pensando numa avaliação inclusiva. A idade já aponta para uma inadequação da atividade pelo risco ao adolescente e para a sociedade. para que Qual elas será sejam o valor que determinadas avaliadas e disciplinas realmente teriam na vida destas pessoas continuamente reprovadas? ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ Para qualificar esclarecer para este ponto. A ação mediadora do docente é fundamental. jovens. A maturidade de cada aluno deve ser considerada nas avaliações.Aula 7 | Avaliação 143 A avaliação em grupo deve ter o rigor devido e é possível ser desenvolvido. bem como não ser uma idade aconselhável e legal .

Do mesmo modo um avaliador de carteira de motorista deveria ficar atento não só aos conhecimentos teóricos e habilidades no dirigir de um candidato a carteira de motorista. mas também ao seu equilíbrio emocional e as suas atitudes.Aula 7 | Avaliação 144 para responsabilidade e qualificação profissional. .

.Aula 7 | Avaliação 145 AVALIAÇÃO TRADICIONAL X AVALIAÇÃO DE COMPETÊNCIAS Irigoin Barrenne e all apresentam um quadro interessante onde comparam a avaliação tradicional e a avaliação de competências. p. geralmente como vigia de prova Baseia-se em conteúdos programáticos internacionalmente AVALIAÇÃO DE COMPETÊNCIAS Baseia-se nos conceitos ”competência apropriada” “ainda não apropriada” É individualizada de ou Os avaliados conhecem as áreas que estão sendo avaliados Os avaliados participam definição de objetivos da É um processo planejado e coordenado internacionalmente Focaliza evidências de desempenho em situação real do trabalho O avaliador desempenha papel ativo. Mertens (1997) e Gonzci (1996) apud Irigoi Barrenne e all (2004. Observe o quadro abaixo: AVALIAÇÃO TRADICIONAL Utiliza escalas numéricas internacionalmente Compara o rendimento do grupo Os avaliados desconhecem sobre o que serão avaliados Os avaliados não participam da definição dos objetivos da avaliação Realiza-se em um determinado momento Normalmente utiliza testes escritos ou exercícios práticos simulados O avaliador desempenha papel passivo. inclusive como educador Não leva em consideração os conteúdos programáticos. mas sim as evidências de conhecimentos Não inclui conhecimentos Inclui a avaliação de além dos conteúdos conhecimentos previamente programáticos adquiridos por experiência.160). Fonte: Adaptado de Fletcher 91994).

conhecimentos e habilidades necessários para o desempenho eficiente e eficaz de atividades requeridas pela natureza do trabalho”. identificando as áreas de desempenho que requerem reforço.157) Pelas definições.Aula 7 | Avaliação 146 EXERCÍCIO 4 Caro aluno. (Irigoin Barranne et all. Avaliar não é medir. para alcançar o nível de competência exigido. você deve estar pensando: fiz a leitura de várias páginas e em nenhum momento se falou em provas e testes que tanto sofri ao longo da minha vida. a avaliação por competências é . articular e colocar em ações valores. Uma outra definição sobre avaliação por competências é a seguinte: A avaliação por competências é um processo de coleta de evidências sobre o desempenho profissional de um trabalhador com o objetivo de se formar um juízo sobre sua competência a partir de uma referência padronizada. 2004.p. por meio da capacitação. fizemos uma introdução sobre o essencial a respeito trabalhar de a avaliação avaliação para na agora efetivamente profissional. Inicialmente é fundamental relembrar a educação definição de competência profissional: “É a capacidade de mobilizar. uso ou não provas objetivas? ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ Avaliação por Competências Até aqui. E aí.

produto e conhecimentos. isto permite ao candidato a certificação conhecer as competências que domina e aquelas que ele terá que buscar desenvolver para evoluir. p. bem como aquelas competências que ainda deve desenvolver. Tal procedimento serve para que o trabalhador prossiga seus estudos. a avaliação tem o propósito de ver se o trabalhador tem ou não os requisitos para o exercício profissional. o trabalhador conhece de antemão o que se espera dele no desempenho do cotidiano e tem elementos para comparar o desempenho esperado . expresso na norma . com o desempenho apresentado. matriculando-se em um módulo de curso técnico/profissionalizante para seu desenvolvimento. A avaliação por competências é formativa e permite avaliar o grau no qual o candidato dispõe das competências.158) Em resumo. Irigoin Barrenne et all complementa: A avaliação baseada na competência professional incorpora os princípios da AVALIAÇÃO FORMATIVA (grifos nossos). expresso nas evidências de desempenho . Ou seja. Nessa modalidade de avaliação .Aula 7 | Avaliação 147 um processo no qual um avaliador verifica se um aluno de um curso técnico ou um candidato à certificação demonstra as competências requeridas por um perfil profissional ou norma de competência a fim de estabelecer se o aluno ou candidato tem o perfil para o desempenho profissional. (op cit. Como dito a avaliação se processa sobre a base das EVIDÊNCIAS estabelecidas em perfil profissional ou em normas. .

mas sim se ele desenvolveu objeto trabalho. A quarta implica no fato de que não interessa saber o quanto a pessoa sabe.Aula 7 | Avaliação 148 Características da Avaliação Vargas et all (2001) apresenta as seguintes características: A habilidade curso. mas a determinação é se o trabalhador é competente ou não. Ou seja. A terceira implica na não utilização de notas ou conceitos na avaliação estabelecendo-se valores que não tem significados. . A visão está no trabalho. em preferencialmente. no competência realiza-se esperada. o guia de avaliação. as normas apresentam os critérios esperados de avaliação e os resultados profissional a serem um no desempenho para trabalho bem-feito. situação primeira ou corresponde dos ao fato que mas a as comparação para a avaliação não é um padrão da competência pares. A sexta é o respeito ao ritmo e a capacidade individual do aluno para aprender e é exatamente por isto que tem que ser diferenciada. real de desempenho profissional. Os alunos devem saber quais critérios serão utilizados para avaliação. A segunda corresponde ao conhecimento por parte do avaliado dos critérios e resultados esperados. competências definidas nas normas ou no plano de profissional esperado por competências e habilidades. As normas estabelecem além do perfil da os resultados que irão refletir ou no seja.

o perfil profissional de um INSPETOR DE ALUNOS. ainda não competente. norma ou um padrão de desempenho corresponde à descrição do que o trabalhador deve ser capaz de fazer. Ela é orientativa.  Inspecionam o comportamento do aluno no ambiente escolar. A oitava busca a orientação para crescimento acadêmico e profissional avaliado.  Orientam o aluno sobre regras e procedimentos. p. norma ou um padrão de desempenho previamente elaborado. Não interessa saber como aprendeu.207):  Cuidam da segurança do aluno nas dependências e proximidades da escola. . A referência.  A comparação das evidências com o padrão.  A garantia de qualidade do processo. regimento escolar. mas sim se sabe utilizar e aplicar nas situações de trabalho.  O processo de coleta de evidências. Um exemplo.  A formulação de um conceito: competente. o do Componentes para a Avaliação Irigoin Barrenne e all (op cit) aponta que a avaliação por competências deve possuir os seguintes componentes básicos:  Uma referência. segundo a CBO 2002 (2003.Aula 7 | Avaliação 149 A sétima considera o reconhecimento de competências adquiridas na experiência profissional e de vida. ou dentro de uma escala de domínio.

orientando fiscalizando entrada espaços e saída e de de alunos. Exemplo: da orientação aos sobre alunos regras podemos e colocar uma unidade de competência: ”Estabelecer comunicação com os alunos procedimentos. regimento escolar. Observe que o plano de um curso técnico para esta modo ocupação qualquer profissional norma deve que obrigatoriamente vise certificar contemplar todas as ações descritas acima. que podem ser utilizados na ação profissional.Aula 7 | Avaliação 150 cumprimento dos horários.  Organizam o ambiente escolar e  Providenciam a manutenção predial.em resultados constatáveis em em função desses critérios são estabelecidasou as desempenhos observados EVIDÊNCIAS DE DESEMPENHO. Importante Logicamente.  Prestam apoio nas atividades acadêmicas. instrumentos de trabalho etc. equipamentos. No perfil profissional estão descritos todas as atividades e tarefas que o inspetor de aluno tem que realizar. também. ferramentas. Da descrição do Perfil profissional do Inspetor de alunos constatam-se várias unidades de competências que terão que ser trabalhadas. A norma deve. os critérios de desempenho A competência voltados aos atributos dos elementos de evidência de desempenho deve ser encontrada E esperados do profissional deverão constar da norma. cumprimento dos horários”. descrever o ambiente onde irá se desenvolver o trabalho do aluno: materiais.  Controlam as atividades livres dos alunos.  Ouvem reclamações e analisam fatos. . recreações definindo limites nas atividades livres. Do mesmo profissionalmente um inspetor de alunos terá que percorrer o mesmo caminho.

candidato a certificação. Campo de aplicação Evidências de conhecimento e compreensão . cumprimento dos horários.Aula 7 | Avaliação 151 Observe que esta unidade de competência é mais ampla do que a própria atividade. a) Comparação a) Existência de procedimentos e entre as normas meio gráfico para regimento escolar. regimento escolar e cumprimento de horários. regimento escolar. bem como conhece as normas e procedimentos escolares. Desenvolver esta competência implica em desenvolver no aluno ou verificar no candidato a certificação se ele efetivamente tem conhecimentos e habilidades para se comunicar. MODELO DE NORMA DE COMPETÊNCIA PARA A OCUPAÇÃO DE INSPETOR DE ALUNOS PROFISSÃO: Inspetor de Alunos UNIDADE DE COMPETÊNCIA: Estabelecer comunicação com os alunos sobre regras e procedimentos. b) As informações dadas aos alunos b) Perguntas aos b) Realização de incluem as alunos sobre o uma ação para contrapartidas e entendimento da verificar as punições quando mensagem. d) A linguagem é clara e o inspetor se assegura que o aluno entendeu a mensagem. c) Utiliza meios gráficos para facilitar a compreensão dos alunos. compreensão. EVIDÊNCIAS NECESSÁRIAS À CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO DESEMPENHO Evidências de Desempenho a) As informações Desempenho Evidência do dadas aos alunos Direto Produto estão de acordo com as regras. competências do aplicáveis. e o problema do facilitar a aluno. ELEMENTO DE COMPETÊNCIA: Orientar os alunos sobre a importância de se cumprir regras e procedimentos.

c) Comparação entre as normas e o problema do aluno. perguntas escritas. Ele pode utilizar para verificar evidências: perguntas orais. O avaliador procura observar as ações executadas pelo avaliado. b) Questionamento aos alunos. A avaliação por competências deve ter as seguintes etapas:  1ª os ETAPA – Estabelecer da avaliação. simulações de situações especiais. é importante que o avaliador deixe bem claro o que é esperado a cada momento do avaliado. . pois os critérios já estão predefinidos. produto do trabalho e coletar informações e dados anteriores do aluno ou candidato. O processo para de a coleta de evidências das e os procedimentos comparação evidências coletadas com o padrão devem fazer parte da norma. observação do desempenho. Entretanto. GUIA DE AVALIAÇÃO a) Observação de uma ação do candidato. conjuntamente Esta etapa (avaliador e aluno ou candidato à certificação) objetivos raramente acontece.  2ª ETAPA – Verificar o cumprimento dos critérios de desempenho. Fonte: Adapatado de Irigoin Barrenne et all.Aula 7 | Avaliação 152 a) Técnicas de Comunicação a) Escolas públicas b) Escolas privadas b) Tecnologia Educacional c) Comunicação alternativa d) Conhecimento do sistema disciplinar da escola.

O sistema de avaliação pode ter escala de qualificação do tipo: INICIANTE. Perguntas aos alunos sobre o entendimento da mensagem. apenas para se ter uma idéia. A seguir.  5ª ETAPA – registrar os resultados. Todo avaliado deve possuir um portfólio onde ficam registrados os resultados do avaliado. .  4ª ETAPA – Estabelecer o resultado da avaliação em função de todo o conjunto de evidências estabelecidas pelos critérios de desempenho. TAREFA: Explicar aos alunos a importância de serem assíduos e pontuais. provas como produtos elaborados. Verificação Critério de Observações Não Desempenho do aluno Sim Não analisável Existência de meio gráfico para facilitar a compreensão. GUIA DE AVALIAÇÃO PARA A PROFISSÃO DE INSPETOR DE ALUNOS FUNÇÃO: Orientar os alunos sobre a importância do cumprimento dos horários. BOM e INSUFICIENTE. mas observe que para cada competência da norma ou do perfil profissional temos que avaliar. Tais escalas podem estabelecer níveis diferentes.Aula 7 | Avaliação 153  3ª ETAPA – Verificar bem os conhecimentos escritas verificar e os exigidos perguntas utilizando-se orais. vamos apresentar um modelo de guia de avaliação.

2) O número de amostras ou verificações a serem correta. 4) O trabalho em grupo visto numa avaliação individual. 5) A real capacidade de agir do avaliado. podemos constatar que a avaliação fica mais subjetiva do que com provas e testes. como também se torna mais complexa em virtude de estar baseada no trabalho feito do que no trabalho meramente acadêmico. 3) A dificuldade de se identificar efetivamente os pontos centrais da competência e que saberes foram mobilizados. e 6) A experiência do avaliador.Aula 7 | Avaliação 154 Aspectos Críticos Como qualquer processo de avaliação existe pontos críticos como: 1) A ampliação do grau de subjetividade. Analisando estes pontos críticos. pois é observadas para uma avaliação imprescindível que ele possua conhecimento técnico e habilidade para avaliar. EXERCÍCIO 5 Quais são as características mais importantes da avaliação por competências? ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ .

Aula 7 | Avaliação 155 ____________________________________________ RESUMO Vimos até agora:  Discutimos ao longo desta aula a questão da avaliação sob o aspecto (olhar) da educação profissional.  Procuramos esclarecer como funciona uma avaliação no campo da educação profissional. fizemos analogia com a educação formal e com a educação especial. . Esta analogia teve o propósito chamar a atenção para o foco da avaliação.  Discutimos ao longo desta aula a questão da avaliação sob o aspecto (olhar) da educação profissional. O cuidado em não se excluir crianças. adultos e idosos.  Ter a avaliação direcionada para o trabalho e as possibilidades dos avaliados com relação as suas dependências físicas e psicológicas. fizemos analogia com a educação formal e com a educação especial.  Procuramos esclarecer como funciona uma avaliação no campo da educação profissional. bem como considerando a sua maturidade. jovens.

Aula 7 | Avaliação 156 .

você seja capaz de:      Conhecer a importância dos estágios na educação profissional. no Brasil. com a coordenação de profissionais. Conhecer os conceitos básicos sobre estágios.Estágios Antônio Ney 8 Nesta aula teremos a oportunidade de abordar um tema importante para a formação e capacitação profissional de qualquer trabalhador. iremos concentrar nossa discussão no sentido da pedagogia. Preparar um programa de estágio. mas corresponde a uma oportunidade do estudante consolidar a sua aprendizagem teórica. Conhecer a legislação a respeito de estágios. já inseridos no mundo do trabalho. Entretanto. Esta oportunidade implica na chance dele (estudante) ver e praticar “in loco” o que aprendeu. Apresentação Objetivos Esperamos que. mas supervisionados por professores de seu estabelecimento de ensino. principalmente os curriculares. Conhecer os tipos de estágios existentes. embora permitindo ao estudante conhecer como estão legislados e são operados os estágios. É importante deixar claro que estágio não significa primeiro emprego. AULA . após o estudo do conteúdo desta aula.

o estágio é um ato educativo. para atualizar o conteúdo dos programas e currículos da escola. Assim. pois o seu objetivo principal é de complementar a formação / qualificação profissional. baseado em sua proposta pedagógica e curricular do curso. Obviamente. A aula. é importante deixar claro que o estágio é curricular e tem que ser SUPERVISIONADO pela IE. procurando de imediato demonstrar a aplicação prática do conhecimento. 2003). e. (Antunes. Assim. por exemplo. :: Currículo: Cabe a IE estabelecer. também. pois permite ao aluno adquirir conhecimentos “in loco” de sua futura profissão ou ocupação profissional.Aula 8 | Estágios 158 Considerações Iniciais :: Ato Educativo: A necessidade de integrar e de interagir teoria e Ato Educativo ou Ato Pedagógico é uma atividade na qual o educando e educador mantêm uma relação objetivando a aprendizagem. tem a oportunidade de vivenciar o seu curso no cotidiano do mundo do trabalho. . o planejamento do estágio deve ser constituído em consonância com a parte teórica do curso. Na conceituação moderna. geralmente. portanto da competência da Instituição de Ensino (IE). as necessidades e o conteúdo do estágio. O estágio NÃO é primeiro emprego. sem o acompanhamento da estrutura escolar. o currículo envolveria todas as atividades compreendidas no planejamento pedagógico. 2003). Entretanto. não só com o objetivo de verificar o desempenho e a aprendizagem do aluno. Trata-se de excelente oportunidade. prática nos diversos tipos de cursos na educação gera a grande razão para a existência do estágio. Constitui um instrumento de auxílio na preparação do aluno para participar de maneira produtiva na cultura em que vai viver e conviver. É o primeiro momento em que o estudante. A supervisão do estágio . é um ato educativo. inclusive. (Antunes. incluindo a execução e a avaliação de um trabalho. para a educação profissional tratase de um ato vital e imprescindível. ou seja. deve ser um ato planejado e plenamente integrado ao currículo de curso. mas. Essa atividade. Habitualmente é considerado como conjunto de atividades desenvolvidas em uma escola.é uma obrigação da IE.como já vimos . de identificar os pontos fracos e omissos na formação / qualificação dos estagiários. ocorre mediante um programa de ensino. e nem deve ser assim considerado.

Aula 8 | Estágios 159 Não se pode confundir atividades práticas supervisionadas no interior da IE com estágios. mas o mercado de trabalho tem se posicionado ao contrário. . designado a trabalhar naquela que parece mais adequada ao seu perfil profissional. pois estes últimos (os estágios) se realizam em ambientes externos a IE. A LDBEN (Lei nº 9394/96) no seu artigo 82 determina: Os sistemas de ensino estabelecerão as normas para realização de estágios dos alunos regularmente matriculados no ensino médio ou superior em sua jurisdição. sem vínculos empregatícios e previsto no currículo. fica claro que o estágio é um ato educativo. podendo o estagiário receber bolsa de estágio. (Antunes. Parágrafo Único: O estágio realizado nas condições deste Artigo não estabelecem vínculo empregatício. Infelizmente o meio acadêmico não dá o devido valor ao estágio. curricular e de responsabilidade da Instituição de Ensino. onde o estudante áreas sendo organização e a aplicação dos conhecimentos :: Estágio: Treinamento técnico-profissional realizado em empresa pública ou privada. 2003). Os estagiários têm a oportunidade de desenvolver novas competências específicas com relação às atitudes teóricos. diversas e acaba O processo diferentes escolhido mais da ou comum é o sistema de trainee. Do exposto. e aí se tem a chance de ver o aluno agir sem a “proteção” escolar. e tem utilizado os estágios que oferece como meio de seleção passa de por profissionais. estar segurado contra acidentes e ter cobertura previdenciária prevista na legislação específica.

os ALUNOS REGULARMENTE MATRICULADOS em cursos vinculados ao ensino público e particular. em intermediar são Basicamente.Aula 8 | Estágios 160 Atores Importante Um estágio para ser realizado depende Não teria sentido se oferecer estágios para alunos que estejam com matrículas trancadas nas IE. ou em locais que o aluno não encontrasse profissionais e atividades ligadas a sua formação. facilitam a obtenção dos estágios.494. ESTAR FREQÜENTANDO CURSOS DE NÍVEL SUPERIOR. em ambas as situações deixaríamos de ter o ato educativo por falta de supervisão e coordenação das atividades. EXECUTADOS. § 2º o estágio somente poderá verificar-se em UNIDADES QUE TENHAM CONDIÇÕES DE PROPORCIONAR EXPERIÊNCIA PRÁTICA NA LINHA DE FORMAÇÃO DO ESTAGIÁRIO. agências que por meio de contatos com organizações e empresas. 2) Instituição de Ensino (IE). segundo o disposto na regulamentação da presente lei. comprovadamente. basicamente de três atores: 1) Organização oferecedora do estágio. § 3º Os estágios devem propiciar a COMPLEMENTAÇÃO DO ENSINO E DA APRENDIZAGEM E SER PLANEJADOS. e 3) Aluno. como estagiários. ACOMPANHADOS E AVALIADOS EM CONFORMIDADE COM OS CURRÍCULOS. A LEI Nº 6. os órgãos de Administração Pública e as Instituições de Ensino podem aceitar. devendo o aluno estar em condições de realizar o estágio. PROFISSIONALIZANTE DE 2º GRAU. podem existir estágios instituições (agentes especializadas integradores). de 07 de dezembro de 1977. bem como pela ausência de integração com currículo escolar. em seu artigo 1º apresenta: As pessoas jurídicas de Direito Privado. PROGRAMAS E CALENDÁRIOS ESCOLARES. § 1º os alunos a que se refere o caput deste artigo devem. . (Grifos nossos) Independente destes atores principais. OU ESCOLAS DE EDUCAÇÃO ESPECIAL. pois.

f) Co-participar. e) Tomar providências pertinentes em relação ao seguro a favor do aluno estagiário contra acidentes pessoais ou de responsabilidade civil por danos contra terceiros. de 21 de janeiro de 2004 a respeito de agente integrador: Art. com o estabelecimento de ensino. d) Tomar providências relativas à execução do pagamento da bolsa de estágio. 4º As Instituições de Ensino e as organizações concedentes de estágio. quando o mesmo for caracterizado como estágio remunerado. OS AGENTES DE INTEGRAÇÃO PODERÃO RESPONDER POR INCUMBÊNCIAS TAIS COMO: a)Identificar oportunidades de estágio e apresentá-las aos estabelecimentos de ensino. os agentes de integração poderão ter as incumbências acima desde que firmadas em convênio. MEDIANTE CONDIÇÕES ACORDADAS EM INSTRUMENTO JURÍDICO APROPRIADO.Aula 8 | Estágios 161 Veja o que diz a Resolução do CNE/CEB nº 1. (grifos nossos) Pelo descrito no artigo 4º. Parágrafo único. g) Cuidar da compatibilidade das competências da pessoa com necessidades educacionais especiais às exigências da função objeto do estágio. tais como cadastramento de estudantes e de campos e oportunidades de estágio. do esforço de captação de recursos para viabilizar o estágio. b) Facilitar o ajuste das condições do estágio a constar de instrumento jurídico próprio e específico. PODERÃO CONTAR COM OS SERVIÇOS AUXILIARES DE AGENTES DE INTEGRAÇÃO. c) Prestar serviços administrativos. públicos ou privados. .

é uma lei que tem quase trinta anos e merece uma revisão com relação às necessidades contemporâneas.080.859. 8. de 18 de agosto de 1982. 1. Nº: 89. de 23 de janeiro de 2001. o CNE/CEB expediu a RESOLUÇÃO Nº. No ano seguinte. de 04 de abril de 2005 que modifica o inciso 3º do artigo 5º (VER QUADRO DE ESCLARECIMENTO) A Resolução do CNE/CEB nº 2 promove a seguinte modificação no artigo 5º da Resolução nº1: Onde se lê: § 3º As modalidades específicas de estágio profissional supervisionado somente serão admitidas quando vinculadas a um curso específico de educação . cabe esclarecer que recentemente o CNE/CEB expediu a RESOLUÇÃO Nº. Nº: 8. está em vigor e regulamentada pelos DECRETOS DE Nº: 87. de 21 de março de 1984. de 21 de janeiro de 2004 que estabelece as diretrizes nacionais para a organização e a realização de estágios de alunos da Educação Profissional e do Ensino Médio.497.Aula 8 | Estágios 162 Legislação A LEI Nº 6.494. Obviamente. de 23 de março de 1994 que estendeu o direito de estágios a alunos da educação especial. e Nº: 2. temos a PORTARIA do Ministério de Estado do Planejamento.859. de 07 de dezembro de 1977 é a que dispõe sobre os estágios de estudantes de ensino superior e de ensino profissionalizante de 2º grau e Supletivos. Com relação ao funcionalismo público e a estágios no serviço público. Finalmente. Entretanto. inclusive nas modalidades de Educação de Jovens e Adultos e de Educação Especial. de 23 de março de 1994. posteriormente modificada pela LEI NO 8. de 26 de novembro de 1996. 2. Orçamento e Gestão Nº.467.

os alunos para realizarem um estágio deverão estar freqüentando o curso (ou seja. Leia-se: § 3º As modalidades específicas de estágio profissional supervisionado somente serão admitidas quando vinculadas a um curso específico de Educação Profissional. 1/2004 estabelece para: o ensino médio.154/04 que substituiu o Decreto Federal nº. inicial a a legislação estabelece passo existência de um CONVÊNIO entre a IE e a Organização concedente do estágio. A Resolução do CNE/CEB nº.Aula 8 | Estágios 163 profissional. e voltamos a repetir que este (estágio) é um ATO EDUCACIONAL. a supervisão do estágio é obrigatoriamente realizada pela IE. 5. nos níveis básico. o estágio curricular deve estar incluído no plano de curso da IE e em consonância com o perfil profissional desejado para a conclusão do curso. a educação de jovens e adultos e a educação especial. bem como o Ensino Médio com orientação e ênfase profissionalizantes. ou de ensino médio. Logicamente. Sistemática de operação Partindo do pressuposto que o estágio é uma atividade educacional como e curricular. Obviamente. nas formas integradas com o ensino médio ou nas formas concomitante ou subseqüente de articulação com essa etapa da Educação Básica. A alteração é fruto da expedição do Decreto Federal nº. 2208/97. técnico e tecnológico. e detalhe . com orientação e ênfase profissionalizantes. regularmente matriculados). na modalidade formação inicial e continuada de trabalhadores e na modalidade Educação Profissional Técnica de nível médio. a educação profissional.

executado e avaliado em conformidade com os objetivos propostos. Entretanto. das características regionais e locais. afirmam que um aluno (sem estágio) concluiu o curso. § 2º Cabe ao respectivo sistema de ensino. os estágios não podem ser oferecidos para alunos concluintes de cursos. em decorrência da natureza da ocupação. que deve integrar a proposta pedagógica da escola e os instrumentos de planejamento curricular do curso. o estágio tem que ter sido realizado com desempenho favorável. POR PROFISSIONAL ESPECIALMENTE DESIGNADO. o estágio é uma disciplina e para se obter o título de Técnico do Ensino Médio.Aula 8 | Estágios 164 importante. é essencialmente UMA ATIVIDADE CURRICULAR DE COMPETÊNCIA DA INSTITUIÇÃO DE ENSINO. os pais e as pessoas que desconhecendo a legislação. Infelizmente. não concluiu o curso técnico tendo em vista que uma das condições para a obtenção do Diploma de Técnico é ter concluído o estágio. Alunos formados não podem estagiar porque são profissionais formados. § 1º A concepção do estágio como atividade curricular e Ato Educativo intencional da escola implica a necessária ORIENTAÇÃO E SUPERVISÃO DO MESMO POR PARTE DO ESTABELECIMENTO DE ENSINO. Este aluno. bem como das . cabe esclarecer que na educação profissional. Veja o que diz o artigo 2º da Resolução com relação à observação que fizemos: O estágio. porque fez com desempenho todas as disciplinas teóricas. respeitando-se a proporção exigida entre estagiários e orientador. à vista das condições disponíveis. muitas vezes. devendo ser planejado. como procedimento DIDÁTICO-PEDAGÓGICO e ATO EDUCATIVO.

EM CARÁTER EXCEPCIONAL. QUANDO COMPROVADA A NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DO ESTÁGIO OBRIGATÓRIO EM ETAPA POSTERIOR AOS DEMAIS COMPONENTES CURRICULARES DO CURSO. EXERCÍCIO 1 A sua escola deseja oferecer um estágio a um aluno que já concluiu o curso de pedagogia. § 3º O estágio deve ser realizado ao longo do curso. (grifos nossos). Como você (supervisor de estágios da escola) pode justificar a impossibilidade de se aceitar tal graduado como estagiário? ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ O § 4º do artigo 2º comprova as nossas afirmativas com relação ao citado referente à conclusão do curso técnico de nível médio.Aula 8 | Estágios 165 exigências profissionais. ou seja. permeando o desenvolvimento dos diversos componentes curriculares e não deve ser etapa desvinculada do currículo. É importante deixar claro que a mesma Resolução estabelece em seu artigo 5º as MODALIDADES DE ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO: . O ALUNO DEVE ESTAR MATRICULADO E A ESCOLA DEVE ORIENTAR E SUPERVISIONAR O RESPECTIVO ESTÁGIO. ele está graduado. O QUAL DEVERÁ SER DEVIDAMENTE REGISTRADO. estabelecer os critérios e os parâmetros para o atendimento do disposto no parágrafo anterior. § 4º OBSERVADO O PRAZO-LIMITE DE CINCO ANOS PARA A CONCLUSÃO DO CURSO DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL DE NÍVEL TÉCNICO.

em empreendimentos ou projetos de interesse social ou cultural da comunidade. nos termos do respectivo projeto . em termos de educação para o trabalho e a cidadania. caracterizado pela participação do aluno.ESTÁGIO PROFISSIONAL OBRIGATÓRIO. SÓCIOCULTURAL OU DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA. ou prestação de serviços voluntários de relevante caráter social. a partir de demanda de seus alunos ou de organizações de sua comunidade. NÃO INCLUÍDO NO PLANEJAMENTO DA INSTITUIÇÃO DE ENSINO. assumindo a forma de atividade de extensão. mas incluído no respectivo plano de curso. planejado. em decorrência de ato educativo assumido intencionalmente pela Instituição de Ensino.ESTÁGIO PROFISSIONAL. II.ESTÁGIO PROFISSIONAL NÃO OBRIGATÓRIO. previsto na proposta pedagógica da escola como forma de contextualização do currículo. mantendo coerência com o perfil profissional de conclusão do curso. NÃO OBRIGATÓRIO. objetivando o desenvolvimento de competências para a vida cidadã e para o trabalho produtivo. como ato educativo: I. a serem incluídas no projeto pedagógico da Instituição de Ensino e no planejamento curricular do curso. V. executado e avaliado à luz do perfil profissional de conclusão do curso.ESTÁGIO SÓCIO-CULTURAL OU DE INICIAÇÃO CIENTIFICA.Aula 8 | Estágios 166 São MODALIDADES DE ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO. III. o que o torna obrigatório para os seus alunos. em sistemas estaduais ou municipais de defesa civil. em função das exigências decorrentes da própria natureza da habilitação ou qualificação profissional. o que o torna obrigatório para os seus alunos. mas assumido intencionalmente pela mesma. IV.ESTÁGIO CIVIL. desenvolvido pelas equipes escolares. ou em projetos de prestação de serviço civil.

ESTE TEXTO CONSTA DA RESOLUÇÃO Nº 2 QUE SUBSTITUIU O TEXTO DA RESOLUÇÃO Nº 1 COM RELAÇÃO A ESTE INCISO. deve ser devidamente registrado no seu prontuário.Aula 8 | Estágios 167 pedagógico. for de livre escolha do aluno. atividade trabalho exploração infantil e de adolescentes. Após haver um convênio entre a IE e a Organização concedente do estágio. faz-se necessário todo este cuidado. bem como o Ensino Médio com orientação e ênfase profissionalizantes. . esta última deve solicitar os estudantes para estágio procurando definir: 1) Curso e habilitação pretendida: ex. assumido intencionalmente pela escola como ato educativo. § 3º As modalidades específicas de estágio profissional supervisionado somente serão admitidas quando vinculadas a um curso específico de Educação Profissional. nas formas integrada com o ensino médio ou nas formas concomitante ou subseqüente de articulação com essa etapa da Educação Básica. (grifos nossos) Como verificamos até aqui. Técnico de . § 2º A modalidade de estágio civil somente poderá ser exercida junto a atividades ou programas de natureza pública ou sem fins lucrativos. na modalidade formação inicial e continuada de trabalhadores e na modalidade Educação Profissional Técnica de nível médio. o legislador teve uma o constante estágio a pois preocupação como uma do em caracterizar educacional. § 1º Mesmo quando a atividade de estágio. e a distorção do estágio para atividades profissionais que nada tem a haver com a formação e a qualificação profissional é uma realidade.

onde com é as mínima estágio. a Organização concedente e cada estagiário. Só há uma exceção que corresponde aos estágios de ação comunitária (artigo §2º do artigo 3º da Lei nº 6. 5) Atividades que vão desempenhar. A IE deve com estágio. haverá necessidade de se firmar um Termo de Compromisso entre a Instituição de Ensino.494/77. Escolhido os estagiários. encaminhando-os fundamental necessária atividades do aluno. profissional habilitado na mesma profissão que o estudante pretende se formar para ser o orientador do estágio.494 / 77). A organização concedente do estágio irá avaliar e selecionar aqueles que preenchem o perfil mais adequado para a atividade. apresentar um a a carga os estudantes. 4) Duração e data de início.Aula 8 | Estágios 168 Mecânica de nível Médio. 3) Se é estágio remunerado ou não remunerado. 2) Quantidade de estagiários. É do documento horária do concordância estabelecer pela propostas concedente apresentar o supervisor do estágio e o histórico escolar fundamental que a IE verifique se a organização possui ambiente e condições de ofertar o estágio. onde constarão todas as atribuições das três partes. Seguro e duração É importante destacar que a IE ou a Organização concedente tem a obrigatoriedade de fazer um SEGURO CONTRA ACIDENTES DO ESTAGIÁRIO de acordo com o artigo 4º da Lei nº 6. A Resolução CNE/CEB .

SEGURO CONTRA ACIDENTES PESSOAIS. Outro aspecto se refere à NÃO CRIAÇÃO DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO Entretanto. § 8º O valor das apólices de seguro retro-mencionadas deverá se basear em valores de mercado.Aula 8 | Estágios 169 nº1/2004 no seu artigo 6º determina o seguinte sobre seguro: § 6º A realização do estágio. salvo na condição de aprendiz. PODERÃO SER CONTRATADOS PELA ORGANIZAÇÃO CONCEDENTE DO ESTÁGIO. sendo as mesmas consideradas nulas quando apresentarem valores meramente simbólicos. a contratação de profissionais já graduados sob condição de estagiário. SEGURO DE RESPONSABILIDADE CIVIL POR DANOS CONTRA TERCEIROS. a favor do aluno estagiário. OU o PREVIDENCIÁRIO. (grifos nossos) É comum as IE e as organizações deixarem por conta do aluno fazer os seguros com isto não cumprem a determinação legal. mencionados no parágrafo anterior. Por exemplo. diretamente ou através da atuação conjunta com agentes de integração. . OBRIGA A INSTITUIÇÃO DE ENSINO OU A ADMINISTRAÇÃO DAS RESPECTIVAS REDES DE ENSINO a providenciar. mas ficam sujeitos ao rigor da lei e suas conseqüências. conforme o caso. bem como. O ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece em seu artigo 60 que: É proibido qualquer trabalho para menores de quatorze anos de idade. remunerado ou não. descumprimento dos instrumentos legais da legislação de estágios pode levar a este vínculo. § 7º O seguro contra acidentes pessoais e o seguro de responsabilidade civil por danos contra terceiros.

muitas vezes. II.Aula 8 | Estágios 170 Veja o que diz o Art. Ao oferecer um estágio. A IE estabelece a carga horária . na realidade.497/82: “Em nenhuma hipótese poderá ser cobrada ao estudante qualquer taxa adicional referente às providências administrativas para a obtenção e realização do estágio curricular “. os estudantes acabam providenciando o seu seguro com medo de perder a oportunidade. aprendiz. assistido em entidade governamental ou não-governamental. aluno da escola técnica.realizado em horários e locais que não permitam a freqüência à escola.67: Ao adolescente empregado. mas lembramos que uma organização que não assume a sua responsabilidade já apresenta um indicativo negativo com relação à credibilidade do próprio estágio que está oferecendo. O seguro deve ser mencionado no TERMO DE COMPROMISSO.noturno. III. realizado entre as 22 horas de um dia e 5 horas do dia seguinte. a empresa deve tomar muito cuidado com estes artigos. é vedado trabalho: I. principalmente.perigoso. insalubre ou penoso. e. inclusive a identificação da apólice e da companhia seguradora. moral e social.realizado em locais prejudiciais à sua formação e ao seu desenvolvimento físico. Um outro ponto a deixar claro se refere à duração do estágio. Este procedimento de deixar para o estudante a responsabilidade de providenciar o estágio contraria o dispositivo do artigo 10º do Decreto nº 87. com a idade mínima 16 anos. Entretanto. psíquico. IV.

)”.. A Resolução CNE/CEB nº1/2004 no seu artigo 7º determina o seguinte sobre carga horária: A carga horária. (. definidas de comum acordo entre a Instituição de Ensino. perfazendo o total de 20 horas semanais. a serem cumpridas pelo estagiário. duração e jornada de estágio curricular. o Decreto nº 87. respeitada a legislação em vigor. .497/82 aponta no que: “As instituições de ensino regularão a matéria contida neste Decreto e disporão sobre ( . duração e jornada do estágio. ajustadas de acordo com o termo de compromisso celebrado entre as partes. que NÃO PODERÁ SER INFERIOR A UM SEMESTRE LETIVO. de natureza não profissional. de forma a não prejudicar suas atividades escolares. perfazendo 30 horas semanais. devem ser compatíveis com a jornada escolar do aluno..) b) carga-horária. § 3º O estágio profissional supervisionado referente a cursos que utilizam períodos alternados em salas de aula e nos campos de estágio não pode exceder a jornada semanal de 40 horas. § 2º A carga horária do estágio supervisionado de aluno do ensino médio.. § 4º A carga horária destinada ao estágio será acrescida aos mínimos exigidos para os respectivos cursos e deverá ser devidamente registrada nos históricos e demais documentos escolares dos alunos. a parte concedente de estágio e o estagiário ou seu representante legal. não poderá exceder a jornada diária de 4 horas. § 1º A carga horária do estágio profissional supervisionado não poderá exceder a jornada diária de 6 horas. § 5º Somente poderão realizar estágio supervisionado os alunos que tiverem. Entretanto.Aula 8 | Estágios 171 mínima artigo para 4º cada um dos seus cursos..

prevista igual ou superior a 01 (um) ano deverão contemplar proporcional ao tempo de atividade. concedido juntamente com as férias escolares. Entretanto. bem como o trabalho desempenhado pelo estagiário avaliado. tendo em vista que a presença do orientador técnico é para evitar tais ocorrências e porque o estagiário é um aprendiz. Operação Firmado o Termo de Compromisso. inclusive os modelos de relatórios de estágio têm que estar anexados. Conforme verificamos a possibilidade de duração do estágio deve ser no mínimo de um semestre. o estágio pode iniciar e a organização concedente do estágio deve apresentar o estudante ao seu coordenador de estágio (orientador da mesma habilitação profissional) e estabelecer o PROGRAMA DE ESTÁGIO. preferencialmente. após um ano de estágio deve existir um recesso de um mês no período das férias.Aula 8 | Estágios 172 no mínimo. A freqüência deve ser acompanhada mensalmente pela coordenação do estágio. de modo que o estagiário tenha todas as informações. Lembramos que O ESTAGIÁRIO NÃO É RESPONSÁVEL PELAS ATIVIDADES EXECUTADAS.” (artigo 8º). No Programa de Estágio devem constar todas as atividades e critérios de avaliação de desempenho. . A Resolução CNE/CEB nº 1/2004 determina: “Os estágios supervisionados a existência que de apresentem período de duração recesso. 16 ANOS COMPLETOS na data de início do estágio.

pois neste nível de educação cada curso e instituição de ensino têm diretrizes próprias em função dos cursos e das entidades que regulamentam as profissões. procuramos mostrar os cuidados a serem tomados para não ocorrer distorções ou explorações de crianças e adolescentes em trabalhos incompatíveis com a formação do jovem. Não comentamos a respeito de estágios de cursos superiores. . A IE deve desenvolver um setor de estágio para acompanhamento dos estágios tendo em vista a necessidade de melhoria dos currículos dos cursos. a organização deve enviar as informações para a escola.  Vimos às condições de realização e a legislação a respeito do assunto.  Entretanto. Mesmo que a IE não solicite.Aula 8 | Estágios 173 Ao final do estágio.  Destacamos a importância e a relevância do tema no processo de aprendizagem. RESUMO Vimos até agora:  Fizemos uma viagem sobre a questão do estágio. a organização deve fazer uma avaliação completa do estagiário e firmar o TERMO DE DESLIGAMENTO com o estagiário.

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