PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO FACULDADE DE DIREITO Prof.

Roberto Dias SEMINÁRIO DE DIREITO CONSTITUCIONAL – ESPÉCIES NORMATIVAS 1º Bimestre – 2012 Turma MG5 – 5º Semestre

1)

O art. 146 da Constituição Federal brasileira trata sobre o Sistema Tributário Nacional, dispondo expressamente que: Art. 146. Cabe à lei complementar: I - dispor sobre conflitos de competência, em matéria tributária, entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; II - regular as limitações constitucionais ao poder de tributar; III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; c) adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas. No entanto, o Código Tributário Nacional brasileiro, que compila disposições gerais a respeito do Direito Tributário pátrio, foi instituído pela lei ordinária nº 5.172 de 25 de outubro de 1966. Pergunta-se: O referido Código é inconstitucional?

2) O art. 37, VII, da Constituição Federal previa originalmente a regulamentação da greve dos servidores públicos por meio de lei complementar. Posteriormente, por força da EC 19/98, a exigência de lei complementar foi alterada pela expressão “lei específica”. Pergunta-se: a) O que significa essa alteração?

Sendo assim. ABERTURA DOS DE CRÉDITO EXTRAORDINÁRIO. publicidade e eficiência e.A emenda constitucional nº 19/98. impessoalidade. não havendo alternativa a não ser a regulamentação normativa pelo próprio STF para dar eficácia ao direito. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 402. pode ele promover a alteração demonstrada acima. b) Poderia o alteração? Poder Constituinte Reformador ter promovido essa Art. simplificando a votação. que ao invés de ser lei complementar que exige quorum de maioria absoluta (maioria dos membros) passou a ser lei ordinária que exige quorum de maioria simples (maioria dos presentes à seção). DE 16 DE ABRIL DE 2008. que modificou o processo legislativo para a elaboração da norma regulamentadora da greve dos servidores públicos civis. através de emendas ou revisão. CONVERTIDA NA LEI Nº 11. moralidade. mas de nada adiantou. dos Estados. VII .o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica. MEDIDA CAUTELAR EM AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União. ao seguinte: [. também. 3) Leia o seguinte julgado e responda: CONSTITUCIONAL.] VII .656. de 1998) O Poder Constituinte Derivado Reformador (De Emenda Ou De Revisão) tem poder anterior e superior aos poderes constituídos que reforma a Constituição da República.o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei complementar. AUSÊNCIA REQUISITOS CONSTITUCIONAIS DA IMPREVISIBILIDADE E DA URGÊNCIA . DE 23 DE NOVEMBRO DE 2007. do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade.. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19.. 37.

são eles: relevância e urgência. para o orçamento do exercício financeiro subseqüente (§ 2º do art. 167 DA CF). Ela somente se exaure ao final do exercício financeiro para o qual foi aberto o crédito extraordinário nela referido. 2. Portanto. Tribunal Pleno. Violação que alcança o inciso V do mesmo artigo. julgado em 05/11/2008. 4. nos limites de seus saldos. ADI 4049 MC. Precedente: ADI 4. ou suplementar. as Medidas Provisórias só poderão ser editadas em caráter excepcional quando houver relevância e urgência. 1. na medida em que o ato normativo adversado vem a categorizar como de natureza extraordinária crédito que. que evidentemente não se caracterizam pela imprevisibilidade e urgência. esse entendimento já é pacífico na . A abertura de crédito extraordinário para pagamento de despesas de simples custeio e investimentos triviais. 167 da CF). Para esse tipo de controle. 5. que devem ser de imediato submetidos à apreciação do Congresso Nacional. A lei não precisa de densidade normativa para se expor ao controle abstrato de constitucionalidade. viola o § 3º do art. verifica-se a exigência de dois requisitos fundamentais para edição de Medidas Provisórias. b) A posterior conversão em lei sanaria eventuais vícios na edição da Medida Provisória? A posterior conversão da medida provisória viciada em lei não sana os vícios que ela já comportava.PP-00247) a) Quais são os requisitos para a edição de Medida Provisória? Pelo texto constitucional. A conversão Federal em lei da medida vícios provisória na que abre crédito de extraordinário não prejudica a análise deste Supremo Tribunal quanto aos apontados ação direta inconstitucionalidade. Medida cautelar deferida. Hipótese em que a abertura do crédito se deu nos últimos quatro meses do exercício. CARLOS BRITTO. devido a que se trata de ato de aplicação primária da Constituição. Medida provisória que abre crédito extraordinário não se exaure no ato de sua primeira aplicação. não passa de especial.048-MC. 3. 167 da Constituição Federal. projetando-se. em verdade. exige-se densidade normativa apenas para o ato de natureza infralegal. DJe-084 DIVULG 07-05-2009 PUBLIC 08-05-2009 EMENT VOL-02359-02 PP-00187 RTJ VOL-00211.(§ 3º DO ART. Relator(a): Min. (STF. CONCOMITANTEMENTE.

sendo tal confiado ao Chefe do Executivo. que podem as ser objeto de de medidas emendas provisórias. não se vislumbra. Como exemplo segue acórdão sobre a matéria. projetos de decreto legislativo e resoluções. em segundo momento. 4) Analise a seguinte notícia e responda: Temer diz que MP não tranca mais a pauta do plenário 17 de março de 2009 | 17h 43 DENISE MADUEÑO . desde que também como reiteradamente vem proclamando o Excelso STF. A MP só trancará a pauta quando for projeto de lei ordinária. Se a MP não trancará mais a pauta depois de 45 dias de editada. A sessão ainda está ocorrendo na tarde de hoje com os deputados discursando sobre a nova interpretação de Temer. que expedirá a MP após a análise dos critérios de oportunidade e conveniência e. o alegado vício apontado.AFERIÇÃO SUBJETIVA . conforme já reiteradamente afirmado pela Corte Suprema de Justiça deste País. isso exclui propostas constitucionais. tal não é possível ao Poder Judiciário. Temer anunciou a decisão durante a reunião de líderes e depois foi ao plenário para comunicar a todos os deputados. os projetos de lei complementar. ao Legislativo. EMENTA: MEDIDA PROVISÓRIA Nº340/2006 CONVERTIDA NA LEI FEDERAL Nº 11. os parlamentares . A decisão retira poderes do presidente da República. deu nova interpretação à Constituição e decidiu que a medida provisória (MP) não tranca mais a pauta do plenário na maior parte das votações. sob pena de incorrer este em ingerência indevida em outro Poder.INCONSTITUCIONALIDADE AFASTADA.jurisprudência brasileira. quando para sua análise. a MP só impedirá a votação de projetos sobre ou assuntos seja. na espécie. Pela interpretação de Temer.482/2007 . há que se fazer avaliação subjetiva. a aferição da inexistência de pressupostos de relevância e urgência para a adoção de medidas provisórias somente se faz quando objetivamente evidenciada.INCIDENTE DE INCONSTITUCIONALIDADE FUNDADO NA ALEGADA AUSÊNCIA DE RELEVÂNCIA E URGÊNCIA PARA SUA EDIÇÃO . A Constituição veda o uso de MP para esse tipo de projeto. quando de sua conversão em Lei. Michel Temer (PMDB-SP). Em que pese a veracidade do argumento de que eventual vício de inconstitucionalidade da Medida Provisória não se supera pela sua conversão em lei.Agencia Estado O presidente da Câmara. outrossim. nos temas que podem ser objeto de medidas provisórias. Mesmo assim.

não as converter em lei dentro do prazo . sendo assim o Poder Executivo estaria “impedindo” o Poder Legislativo de exercer suas funções. O presidente da Câmara disse que tinha consciência de que a interpretação que ele estava dando à Constituição era "ousada" e que achava positivo que a discussão fosse ao Supremo. já que seu caráter é de relevância e urgência. Sendo assim. Temer afirmou que. O líder do DEM. ele a colocará em prática em breve. se o Supremo não conceder liminar contra a nova interpretação na ação do DEM. e que terão força de lei. deputado Ronaldo Caiado (GO). O líder do governo na Câmara.poderão deixar de votar essas MPs que perderão a validade em 120 dias. ou avaliada por uma comissão mista. a medida provisória é enviada de imediato ao Congresso Nacional. como anunciou Caiado. afirmou que a decisão de Temer foi "arbitrária" e anunciou que vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão. disse ter sido surpreendido e que vai discutir o assunto com a assessoria jurídica do governo. entretanto. a) Qual é o rito de tramitação de uma medida provisória? As medidas provisórias são "providências (como o próprio nome diz. provisórias) que o Presidente da República poderá expedir. Henrique Fontana (PT-RS). o Poder Legislativo . em na grande maioria das vezes não é o que ocorre. onde será avaliada por representantes de ambas as casa do Congresso Nacional. será eliminada desde o início se o Congresso Nacional. em caso de relevância e urgência. b) A interpretação dada pelo então presidente da Câmara está correta? Haveria violação aos fundamentos constitucionais da medida provisória? Está correta.que não correrá durante o recesso parlamentar de 120 dias contados a partir de sua publicação". a quem serão imediatamente submetidas. depois de reunir os líderes. ficando a mercê de exercer suas funções limitadas pela apresentação de inúmeras medidas provisórias que em sua grande maioria não respeitam os limites de relevância e urgência. com ressalva de certas matérias nas quais não são admitidas. enviada posteriormente a outra casa para efetivar definitivamente seu valor. cuja eficácia. e não ocorre violação aos fundamentos constitucionais da medida provisória. onde será estudada ou por comissão de uma casa. 5) No exercício de sua competência constitucional.

Diante de tal situação. em oposição à lei ordinária. Na verdade não há hierarquia entre lei ordinária e lei complementar. Segundo Jurisprudência do STF nao cabe Tratado Internacional sobre matéria reservada à Lei Complementar. adicionar algo à constituição. mas o STJ acha que existe justamente por causa da diferença entre os quóruns. ou seja. Nem todas as leis complementares. por expressa disposição constitucional. e nao absoluta. ou seja. e exige quórum qualificado. poderá esta lei ser alterada por lei ordinária posterior? c) Há hierarquia entre as duas espécies normativas. que de tal prescinde. sendo a lei complementar hierarquicamente superior a lei ordinária (baseia-se na regra da pirâmide de Kelsen.veicula determinada norma mediante lei complementar. pois o constituinte. A lei complementar diferencia-se da lei ordinária desde o quorum para sua formação. pergunta-se: a) A referida lei é constitucional? b) Sendo constitucional. entre lei complementar e lei ordinária? d) E se a situação fosse contrária. para cuja disciplina seja desejável e recomendável a obtenção de um maior consenso entre os parlamentares. como se pensa erroneamente. ela seria válida? RESPOSTA A TODAS AS PERGUNTAS: No direito. No Brasil. o que há são campos de atuação diversos. destinam-se a complementar diretamente o texto constitucional. que exige quorum de maioria simples. explicar. a lei que a Constituição Federal de 1988 determinou fosse criada para regulamentar determinada matéria denomina-se "complementar". requisito da Lei complementar. fosse veiculada por lei ordinária. Isso porque o Tratado Internacional é aprovado por Decreto Legislativo. Disto decorre que: . A lei ordinária exige apenas maioria simples de votos para ser aceita. já a lei complementar exige maioria absoluta. não se atentando ao fato de que sua matéria seria efetivamente afeta a lei ordinária. reserva à lei complementar matérias de especial importância ou matérias polêmicas. se a norma afeta a lei complementar. a lei complementar é uma lei que tem como propósito complementar. Segundo jurisprudência STF não existe tal hierarquia. originário ou reformador. sobre a hierarquia das leis).

pois seus campos de abrangência são diversos. – Lei votada com o procedimento de Lei Complementar e denominada como tal. ainda assim. se versar sobre matéria não reservada constitucionalmente à lei complementar. a lei ordinária que invadir matéria de lei complementar é inconstitucional e não ilegal. – Dispositivos esparsos de uma lei complementar que não constituírem matéria constitucionalmente reservada à lei Complementar possuem natureza jurídica de Lei Ordinária . Assim.– Não existe entre lei complementar e lei ordinária (ou medida provisória) uma relação de hierarquia. terá efeitos jurídicos de lei ordinária. podendo ser revogada por lei ordinária posterior.