UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ - UNIVALI DIREITO DO TRABALHO II - Prof.

Carlos Alberto Castro ESTABILIDADE NO EMPREGO Conceito: garantia de não rompimento do contrato por vontade do empregador, salvo nas hipóteses permitidas por lei. Surgimento da estabilidade - em função do regime previdenciário (Caixas de Aposentadoria por empresa). A intenção era formar um lastro suficientemente bom para as instituições de previdência. Estabilidade da CLT - o empregado que contasse dez anos de serviço na mesma empresa não poderia ser despedido senão por falta grave ou circunstância de força maior, devidamente comprovados. Presumia-se nula a dispensa aos nove anos de serviço prestado, por obstativa à estabilidade (Enunciado 26 do TST). A estabilidade alcançou status de norma constitucional em 1937, preservada em 1946; em 1967, passou a ser alternativa, juntamente com o FGTS, repetida a regra na Emenda nº 1/69; finalmente, em 1988, foi excluída do ordenamento jurídico como regra geral. Após o regime do FGTS ser considerado “regra geral” existem ainda as seguintes formas de estabilidade: a) contratual; quando as partes pactuam a estabilidade, por cláusula de contrato individual, acordo coletivo ou convenção coletiva, ou ainda, por regulamento da empresa; b) provisória, do dirigente sindical, a partir do registro da candidatura até um ano após o término do mandato, inclusive o suplente (art. 543, § 3º, da CLT); c) provisória, da empregada gestante regida pela CLT ou rural, desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto (art. 10 do ADCT); d) provisória, do membro eleito para a CIPA, inclusive na condição de suplente, a partir do registro da candidatura até um ano após o término do mandato (art. 10 do ADCT), observando-se que o membro eleito para a CIPA pode ser dispensado por justa causa e ainda por motivo técnico, financeiro ou econômico; e) provisória, do acidentado, a partir da cessação do auxilio-doença acidentário, até um ano após; f) provisória, decorrente de sentença normativa, em dissídio coletivo; g) daqueles que já haviam atingido a estabilidade decenal, antes de 05/10/88; h) dos servidores civis da Administração Pública Direta, Autarquias e Fundações, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, admitidos sob regime da Consolidação das Leis do Trabalho, que em 05/10/88 possuíam mais de cinco anos contínuos de serviço, independentemente de aprovação prévia em concurso, salvo os exercentes de cargo em comissão ou função de confiança (art. 19 do ADCT); i) situações especialíssimas (membro do Conselho Nacional de Seguridade Social, membro do Conselho Curador do FGTS, empregados eleitos diretores de cooperativas). A doutrina costuma distinguir entre a estabilidade absoluta e a relativa, apontando que, na primeira, o empregado tem direito à reintegração no emprego, e na segunda, somente direito à indenização do período de estabilidade. A diferença está em que os que detém estabilidade absoluta só podem perder o emprego após após inquérito para apuração de falta grave - o decenal (C.L.T., art. 494), o servidor público (CF, art. 41, § 1º), o dirigente sindical (C.L.T, art. 543), o membro do Conselho Curador do FGTS (Lei nº 8.036/90). Os que possuem estabilidade relativa - os demais - podem ser dispensados por justa causa (e o membro da CIPA, por motivo disciplinar, técnico, econômico ou financeiro), por ato do empregador, cabendo a este provar perante a Justiça, em caso de ação reclamatória trabalhista do empregado, o motivo da dispensa. O empregado estável demitido sem justa causa tem direito, durante o período de estabilidade, à percepção dos salários e demais vantagens, como se não tivesse sido dispensado injustamente. Se cabe direito à reintegração, receberá os meses em que não trabalhou, e o período posterior à reintegração, como se tivesse permanecido em exercício. Se há impossibilidade de reintegração, por incompatibilidade entre as partes contratantes ou por extinção da empresa, ou do estabelecimento, sem a ocorrência de força maior, converte-se a reintegração em indenização dos valores devidos, sendo que o estável decenal recebe um mês de remuneração por ano de serviço ou fração igual ou superior a seis meses, em dobro. A força maior (art.501 da CLT) extingue qualquer contrato, não prevalecendo a estabilidade; mantido, contudo, o direito à indenização, pela metade do valor devido, tanto em relação aos que possuem estabilidade absoluta como em relação aos que possuem estabilidade relativa.

membro da CIPA. de empregado que tenha tempo como não-optante do FGTS. inicialmente. Depósitos fora do prazo: correção monetária. A esta transação se costuma chamar de opção com efeito retroativo. fechamento de quaisquer de seus estabelecimentos. inclusive a indireta.a Constituição não prevê a estabilidade no emprego. c) o seguro-desemprego. Na rescisão de contrato. inciso I. dirigente sindical. acidentado). é obrigado a depositar. conforme o caso. As importâncias depositadas em conta vinculada do trabalhador são impenhoráveis. daquele período. d) o aviso prévio proporcional ao tempo de serviço. Mantém-se a obrigação de efetuar depósitos: na prestação de serviço militar. e não excedendo a parcela movimentada a 80% do montante da prestação. A partir da Constituição de 1988. em uma ou mais empresas. O empregador. mais os depósitos de FGTS do período em que houve a opção. do texto constitucional. O montante dos depósitos é atualizado monetariamente pelos mesmos índices de poupança e capitalizam juros de três por cento ao ano. abrindo mão desta. poderá levantá-los. em 48 horas.01/01/67 . b) o FGTS. culpa recíproca e força maior. juros de 1%/mês e multa de 20%. 500). através do SFH. h) quando permanecer a conta inativa. por confrontar com o art. durante a licença-gestante. sendo que esta retroação pode ir até a sua instituição . por exemplo) ou houver decorrido o prazo prescricional para a ação trabalhista. se dispensado sem justa causa. e durante a licença-paternidade. ou autorização passada pelo Ministério do Trabalho. 4º que o rompimento da relação de trabalho por ato discriminatório faculta ao empregado optar entre: a) readmissão (o correto seria reintegração) com ressarcimento integral de todo o período de afastamento. cumprido o interstício de dois anos de uma movimentação para a outra. e) pagamento de prestações de financiamento junto ao SFH. por mais de três anos sem depósitos. da remuneração do período de afastamento. d) falecimento do trabalhador. como opção à estabilidade decenal. falecimento do empregador. convenção ou acordo coletivo (estes. e o 13º salário. supressão de atividades. o Ministério do Trabalho ou a Justiça do Trabalho (art. O FUNDO DE GARANTIA DO TEMPO DE SERVIÇO: foi instituído.029/95 . i) na extinção normal do contrato a . os que o obtiveram por contrato individual. O estável decenal pode transacionar (renunciar) a estabilidade. na conta vinculada de cada trabalhador. g) pagamento total ou parcial do preço de moradia própria. regulamento de empresa. com os acréscimos legais. mantidos os direitos daqueles que implementaram o período decenal antes de sua promulgação. este terá direito a receber a indenização. mas um conjunto de normas destinadas a desincentivar a rescisão contratual por parte do empregador: são elas: a) a indenização compensatória. em caso de inexistência de direito à indenização (justa causa. ou b) a percepção. entende-se que perdeu a eficácia o art. sem justa causa. corrigidas monetariamente e acrescidas de juros. 60% do que teria direito. É feita por declaração escrita do empregado e registrada na CTPS. 7º. incluídas todas as parcelas integrantes do salário. se o empregador efetuou depósitos de período anterior à opção ou a 05/10/88. em caráter provisório). f) liquidação ou amortização de saldo devedor de financiamento do SFH. c) aposentadoria concedida pela Previdência Social. quando tenha ocorrido a rescisão por esses motivos. ou após 05/10/88. A Consolidação das Leis do Trabalho exige que a rescisão contratual do empregado estável. aos urbanos e rurais. seja necessariamente homologada perante o sindicato de classe. durante licença por acidente de trabalho (sem limite). com mínimo de três anos de trabalho sob regime do FGTS. filiais ou agências. tendo o trabalhador mais de três anos de trabalho sob regime do FGTS. simples ou em dobro. mantendo-se estáveis somente aqueles que já detinham este direito.dispõe sobre práticas discriminatórias na relação de emprego. no mínimo. por um período de doze meses no máximo. na licença para tratamento de saúde de até quinze dias. ainda que seja entidade filantrópica. mediante comprovação do pagamento da indenização devida.Com a promulgação da Constituição de 1988.ou até a data da admissão. estabelecendo em seu art. e aqueles que detém garantia de emprego provisória (gestante. Casos de direito ao saque: a) despedida sem justa causa. se posterior àquela data. Neste caso. mediante o pagamento de indenização de. até o dia sete de cada mês. Lei nº 9. em uma ou mais empresas. mediante pagamento das remunerações devidas. 492 da Consolidação das Leis do Trabalho. b) extinção da empresa. GARANTIA NO EMPREGO . excetuados os domésticos. em dobro. passou a ser o regime único (sem opção). o valor de 8% da remuneração paga ou devida no mês anterior.

inclusive dos trabalhadores temporários. o direito ao saque é relativo aos depósitos do último contrato de trabalho. 20% dos depósitos.40% dos depósitos realizados. j) na suspensão do trabalho avulso por período igual ou superior a noventa dias.036/90 e art. 55 do Decreto nº 99. acrescidos da atualização monetária e juros. Prescrição do direito de ação quanto a depósitos de FGTS: 30 anos (Enunciados 95 e 362 do TST . 23 da Lei 8.684/90). Nos casos ‘a’ e ‘b’.art. . Indenização compensatória .termo. atualizados e acrescidos de juros. em caso de dispensa sem justa causa ou rescisão indireta. em caso de culpa recíproca ou força maior.