Noções Básicas sobre Ciência

Ab initio (de início), afigura-se relevante pontuar e citar, categoricamente, as principais diferenças existentes entre o conhecimento científico e o filosófico. A filosofia trabalha com indução (conexão ascendente = a investigação se dá a partir de fatos particulares para se chegar a conclusões gerais e abstratas) e dedução (conexão descendente = partindo-se de conclusões abstratas e gerais procura-se explicar e interpretar fatos isolados e particulares), havendo, todavia, predominância do método dedutivo, enquanto a ciência se constrói por indução e se aplica por dedução. A Filosofia sistematiza conceitos em nível de abstração, enquanto a ciência é positiva, isto é, junge-se ao experimental - observável, empírico -, relegando a valoração a priori, aceitando o axiológico apenas como expressão fenomênica configurada. A Filosofia, volvendo-se para o concreto, fá-lo a partir de avaliação prefigurada em sistema, ao passo que a ciência, intervindo na realidade, se fundamenta no que esta mesma realidade exprime em nível empírico. Divisão do Conhecimento O gênero "conhecimento: "espécies", a saber: divide-se em três

a) Conhecimento vulgar: este tipo de conhecimento é adquirido aleatoriamente, ou seja, ao sabor das circunstâncias, sem método definido, dependendo de experiências ocasionais. b) Conhecimento filosófico: é organizado, desenvolvendo-se no domínio de abstrações. c) Conhecimento científico: é organizado, desenvolvendo-se, porém, no domínio do concreto e experimental. Opõe-se ao conhecimento vulgar, porque é organizado, sistematizado, e conta com métodos, não se desenvolvendo ao sabor das circunstâncias. Opõe-se ao conhecimento filosófico porquanto se baseia na experiência sensorial, na operação concreta. Evidentemente, a ciência pode aproveitar-se, como o faz, de dados do conhecimento vulgar e filosófico como pontos referenciais, não como dogmas. Sintetizando as características da ciência: positividade do ponto de partida; e  racionalidade do processo de evolução: métodos e organização, tendendo a um sistema.

A ciência, portanto, configura uma sistematização de conhecimentos, um conjunto de proposições logicamente correlacionadas sobre o comportamento de certos fenômenos que se deseja estudar. "A ciência é todo um conjunto de atitudes e de atividades racionais dirigidas ao sistemático conhecimento com objeto limitado, capaz de ser submetido à verificação."

Pode-se conceituar o aspecto lógico da ciência como o método de raciocínio e de inferência acerca de fenômenos já conhecidos ou a serem investigados; em outras palavras, pode-se considerar que o "aspecto lógico constitui o método para a construção de proposições e enunciados", objetivando, dessa maneira, uma descrição, interpretação, explicação e verificação mais precisas. A logicidade da ciência manifesta-se através de procedimentos e operações intelectuais que: "possibilitam a observação racional e controlam os fatos;  permitem a interpretação e a explicação adequada dos fenômenos;  contribuem para a verificação dos fenômenos, positivados pela experimentação ou pela observação;  fundamentam os princípios da generalização ou o estabelecimento dos princípios e das leis" (Trujillo Ferrari, 1974: 8).

As ciências possuem: Objetivo ou finalidade. Preocupação em distinguir a característica comum ou as leis gerais que regem determinados eventos.

Função. Aperfeiçoamento, através do crescente acervo de conhecimentos, da relação do homem com o seu mundo.  Objeto. Subdividido em: a) material, aquilo que se pretende estudar, analisar, interpretar ou verificar, de modo geral; b) formal, o enfoque especial, em face das diversas ciências que possuem o mesmo objeto material.

Os três níveis de conhecimento científico: Inorgânico, Orgânico e Superorgânico No que tange, exclusivamente, ao conhecimento científico, os estudiosos e pesquisadores o dividem em três níveis distintos e específicos, quais sejam: o inorgânico, estudado pelas Ciências Físicas; o orgânico, investigado pelas Ciências Biológicas; o superorgânico, abrangido pelas Ciências Sociais. Consoante esta concepção, o campo de ação das Ciências Sociais tem início justamente quando os estudos físico e biológico do homem e seu universo terminam. Os três níveis encontram-se interrelacionados, sendo que a transição de um para outro é gradativa. O superorgânico é observado no mundo dos seres humanos em interação e nos produtos dessa interação: linguagem, religião, filosofia, ciência, tecnologia, ética, usos e costumes e outros aspectos culturais e da organização social. Logo, ao estudar o superorgânico, as Ciências Sociais têm o seu interesse direcionado para o homem em sociedade. Ciências Sociais ou Humanas - Classificação

Embora os autores apresentem classificações diferentes em relação às Ciências Sociais ou Humanas, consideramos que elas englobam as especificadas a seguir: Antropologia Cultural, Direito, Economia, Política, Psicologia Social e Sociologia. Antropologia Cultural: Estuda as semelhanças e diferenças culturais, origem e história das culturas do homem, sua evolução e desenvolvimento, estrutura e funcionamento, em qualquer lugar e tempo. Exemplos: ritos de passagem (comportamento dos indivíduos quando do nascimento de um filho, cerimonial que envolve a iniciação dos jovens nas responsabilidades de adulto, formalidades que cercam o casamento, procedimento por ocasião de mortes); tipos de organização familiar; religião e magia; artes e artesanato; mito, meios de comunicação. 1. Direito: Estuda as normas, expressas com preocupação de precisão, que regulam o comportamento social, estabelecendo direitos e obrigações entre as partes, através dos sistemas legislativos característicos das sociedades. As leis que regem a vida social podem ser escritas ou consuetudinárias (isto é, baseadas nos costumes). A lei ou regra jurídica é estabelecida por um órgão competente, que se apresenta como um poder, e é válida para todos os casos semelhantes. O Direito é um controle social, que, através da aplicação sistemática da força da sociedade politicamente

organizada, exerce coerção efetiva sobre os indivíduos. Concentra-se, portanto, na análise dos fatores normativos do comportamento social. Exemplos: normas de proteção ao trabalhador (direito trabalhista); tipos de contrato e transações comerciais (direito comercial); divórcio (direito civil); especificação das penalidades por crimes cometidos (direito penal). 2. Economia: Estuda a maneira como se administram os recursos escassos, com o objetivo de produzir bens e serviços e distribuí-los para seu consumo entre os membros da sociedade. Em outras palavras, a economia estuda a forma pela qual os indivíduos e a sociedade fazem suas escolhas e tomam decisões, para que os recursos disponíveis, sempre escassos, possam contribuir da melhor maneira para satisfazer as necessidades individuais e coletivas da sociedade. Convém mencionar, ainda, que a economia somente se preocupa com as necessidades que são satisfeitas por bens econômicos, ou seja, por elementos naturais escassos ou por produtos elaborados pelo homem. Exemplos: Macroeconomia (estudo das atividades econômicas globais da totalidade dos participantes de uma sociedade) - sistema monetário e valor da moeda; bens e propriedades; renda, consumo, poupança e investimento; Produto Nacional Bruto; distribuição da renda. Microeconomia (estudo das atividades econômicas de agentes individuais) -

política salarial de uma empresa; produtividade de uma empresa; orçamento familiar. 3. Política: Estuda a distribuição do poder nas sociedades humanas. Sistematiza o conhecimento dos fenômenos políticos, isto é, do Estado, e investiga o conjunto de processos e métodos empregados para que determinado grupo alcance, conserve e exerça o poder. Portanto, a Política analisa o governo, tanto como organização formal quanto resultante do comportamento de seus componentes, que pode ser determinado pela própria organização ou por suas ideologias ou filosofias de poder. Com efeito, diremos que a Política se refere à teoria, à arte e à prática do governo. Exemplos: formas de governo; partidos políticos; mecanismo das eleições; funções do Estado; transformação da liderança política. 4. Psicologia Social: Estuda o comportamento e a motivação do indivíduo, determinados pela sociedade, e seus valores. O indivíduo recebe estímulo do grupo, e as influências que os contatos sociais exercem sobre a sua personalidade constituem o campo de interesse da Psicologia Social. Esta ciência se ocupa também com todas as reações coletivas, reações de indivíduos que interagem mútua e reciprocamente, alterando suas condutas. Dessa maneira, o conceito central da Psicologia Social é a personalidade moldada pela

cultura

e

pela

sociedade.

Exemplos: atitudes grupais perante a natalidade; comportamento em relação à questão racial; procedimento dos adolescentes; comportamento coletivo. 5. Sociologia: Estudo científico das relações sociais, das formas de associação, destacando-se os caracteres gerais comuns a todas as classes de fenômenos sociais, fenômenos que se produzem nas relações de grupos entre seres humanos. Estuda o homem e o meio humano em suas interações recíprocas. A sociologia não é normativa, nem emite juízos de valor sobre os tipos de associação e relações estudados, pois se baseia em estudos objetivos que melhor podem revelar a verdadeira natureza dos fenômenos sociais. Desta forma, a sociologia se caracteriza pelo estudo e o conhecimento objetivo da realidade social. Exemplos: formação e desintegração de grupos; divisão das sociedades em camadas; mobilidade de indivíduos e grupos nas camadas sociais; processo de competição e cooperação. Há autores que apresentam também como Ciências Humanas ou Sociais ramos de estudo tais como: História, Geografia Humana, Ecologia Humana etc.