“As febres acometem garotos de quatro, dez meses ou um pouco mais velhos, sendo incalculável o número de quantos já morreram

. Principalmente pela tosse característica, que é geralmente chamada de quinta ou quintana, os sintomas são sérios. Os pacientes ficam livres desta tosse terrível por cerca de quatro a cinco horas e depois o paroxismo da tosse retorna, desta vez tão grave que o sangue é expelido com força pelo nariz e pela boca”.

Guillaume de Baillou (1736)

Principalmente nas crianças e nos idosos. eles praticamente triplicaram em cinco anos. conhecida como tosse espasmódica. apesar de terem recebido a vacina na infância ou de terem ficado doentes. ela pode evoluir para quadros graves com complicações pulmonares.2 COQUELUCHE INTRODUÇÃO A coqueluche. Mycoplasma pneumoniae. hemorrágicas e desidratação. . No entanto. que pode levar a complicações graves. O homem é o único hospedeiro da Bordetella pertussis. neurológicas. Chlamydia pneumoniae. de notificação compulsória ao Ministério da Saúde. A Bordetella pertussis é o agente etiológico da coqueluche. Vários outros agentes etiológicos podem determinar apresentação clínica semelhante. conhecida por síndrome pertussis. embora quadros clinicamente mais brandos possam ser causados pela Bordetella parapertussis. houve aumento significativo dos casos de coqueluche em adolescentes e adultos no Brasil. inclusive com óbito. em 2010. Casos de coqueluche costumam ser mais raros na vida adulta. Na América Latina. como alguns tipos de adenovírus. A Coqueluche é uma doença recorrente. além da Bordetella bronchiseptica. De acordo com dados fornecidos pela OMS. é uma doença imunoprevenível de grande importância na infância. tosse seca e contínua por mais de duas semanas em jovens e adultos pode ser sinal de que foram novamente infectados pela bactéria da tosse comprida. Chlamydia trachomatis.

Lembrar que em crianças pequenas. O diagnóstico baseia-se na suspeita clínica de surtos de tosse paroxística seguida de guinchos e vômitos.3 DIAGNÓSTICO CLÍNICO Clinicamente. FASE PAROXÍSTICA: caracterizada por acessos de tosse seguidos de guinchos com expectoração de muco claro. seguidos de vômitos. viscoso e espesso. com linfocitose. com manifestações em vias aéreas superiores. coriza e lacrimejamento. necessitando de meios específicos e imediata inoculação no meio após a coleta. não está presente no sangue. portanto a hemocultura é quase sempre negativa. associada à presença de leucocitose (acima de 20. DIAGNÓSTICO LABORATORIAL O diagnóstico é eminentemente clínico. manifesta-se ao longo de três estádios. A Apneia e a cianose são comuns nesta faixa etária e complicações neurológicas como crises convulsivas podem ocorrer. o quadro clínico é mais grave. mimetizando um resfriado comum. uma vez que a bactéria apresenta dificuldades laboratoriais para ser isolada. com tosse. Além disso.000 céls. Em grande parte dos casos. Dura geralmente de 4 a 6 semanas. • • FASE DE CONVALESCENÇA: desaparecimento dos guinchos com persistência da tosse por até três semanas./mm3). . exames laboratoriais podem ajudar a determinar a presença da bactéria Bordetella pertussis em amostras retiradas da nasofaringe. porém mais inespecífico e os guinchos podem não estar presentes. em especial no primeiro ano de vida. após um período de incubação que varia de 7 a 10 dias: • FASE CATARRAL: de 7 a 14 dias.

Manter o ambiente calmo e tranquilo. enquanto durar a fase de transmissão da doença. pratos e copos para uso exclusivo da pessoa com coqueluche. mas várias vezes ao dia. Elas podem ser sintoma de outras doenças e não da coqueluche. Caso necessário. em pequenas porções. porém casos mais graves em lactentes exigem internação hospitalar. amigos. todos os comunicantes íntimos (familiares. preferindo-se alimentos semi-sólidos. frios e em pequena quantidade. Administrar oxigênio sob máscara durante as crises de paroxismo (em casos mais graves pode ser necessário suporte ventilatório) e aspirar secreções após as mesmas. Deve-se ter cuidado ao alimentar a criança. manter a criança adequadamente hidratada utilizando a via parenteral e controlando o equilíbrio ácido-básico. A hospitalização.4 TRATAMENTO MEDIDAS GERAIS: • Contatar o Departamento de Epidemiologia e Saúde Pública da FMT/IMT-AM. Separe talheres. O paciente transmite a doença por até 3 semanas após o início do período paroxístico. . • Segundo orientação do Ministério da Saúde. Lave cuidadosamente as mãos antes e depois de entrar em contato com o paciente. caso não faça uso de antibióticos. a fim de notificar o caso e iniciar busca de contactantes. • • • • • • Mantenha o doente afastado de outras pessoas e em ambientes arejados. Ofereça-lhe líquidos com frequência para evitar a desidratação e refeições leves. • • • • • • O isolamento respiratório é necessário até 5 dias após o início do tratamento com eritromicina. colegas de escola ou de trabalho) deverão receber uma dose da vacina DPTa. Procure assistência médica se as crises de tosse se manifestarem por mais de 15 dias. Não se iluda com as receitas caseiras para tratamento da tosse típica da coqueluche. geralmente não é necessária.

A dose recomendada é de 35 a 50 mg/kg/dia VO 6/6h. pois a mesma não atinge boas concentrações em secreções das vias respiratórias. . broncodilatadores (salbutamol 0.5 mg/kg/dia VO 8/8h). os anticonvulsivantes diminuem o número e a intensidade dos acessos paroxísticos (fenobarbital: ataque com 15 mg/kg/dose 1x/dia e manutenção com 6mg/kg/dia 6/6h). Iniciar o mais precocemente possível a terapia. Vale ressaltar que o estolato de eritromicina atua melhor. lentamente. levando as falhas terapêuticas. Outras opções terapêuticas são as tetraciclinas (em crianças acima de 8 anos) ou o cloranfenicol. por 14 dias. Na fase paroxística. Não se deve utilizar ampicilina. o uso do antibiótico reduz a transmissibilidade. 6/6h por 2 dias). de preferência até a fase catarral. DROGAS DE SUPORTE: corticosteróides podem alterar a gravidade e o curso da doença (hidrocortisona 30 mg/kg/dia IM. pela sua boa penetração nas vias respiratórias. durante a crise convulsiva. utilizar diazepam 0.5 ANTIBIOTICOTERAPIA: a escolha terapêutica faz-se pela eritromicina. a fim de atenuar a doença.3 mg/kg/dose IV sem diluir. com dose máxima de 2g/dia. uma vez que o estearato e o etilsuccinato não atingem concentrações séricas favoráveis à erradicação da bactéria.3-0. apesar de não diminuir o curso da doença.

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3. 5. Os bebês podem ter coqueluche? Sim. Quais os sintomas da tosse comprida? Na primeira semana. O que é tosse comprida ou coqueluche? Doença contagiosa do aparelho respiratória causada por bactéria. a criança tem acessos de tosse intensos caracterizados por um sibilo ou “guincho” ao fim de cada tossida e às vezes precedidos por períodos curtos de apneia (parada de respiração ou “perda de fôlego”).7 Os folders poderiam ser mais informativos e objetivos. 4. Como se transmite a coqueluche? Pelo espirro ou tosse da criança doente. Perguntas frequentes sobre coqueluche. com algumas das perguntas mais frequentes que seguem. os sintomas assemelham-se aos de um resfriado comum. Pode-se diagnosticar a coqueluche na primeira semana? . Na segunda semana. 1. 2. Não há imunidade congênita para essa doença.

Quanto tempo dura o período de tosse espasmódica? De três a seis semanas. mais de uma vez por dia. 17. nos casos mais graves. . de cinco a quinze acessos. quando a temperatura se normalizar. 10. A tosse é facilmente reconhecida? Sim. 15. Quando ocorrem os acessos de tosse? A qualquer hora. 9. A criança pode sair de casa? Sim. 8. 7. emitindo o som agudo característico. raiva. A criança precisa ficar na cama? Sim. acompanhados de enrubescimento do rosto e inchaço dos olhos. 12. Alguns fatores podem ajudar a desencadeá-los: choro. ou se a criança é muito pequena. Há vomito depois da tosse? Sim. Os bebês tossem e emitem o mesmo som? Não. quando houver febre. 14. banhos. quarenta ou até mais. As crianças com coqueluche devem ficar separadas de outras crianças? Deveriam.8 Em geral. etc. 13. depois da primeira semana. A criança parece ter olhos embaçados e a tosse provoca espasmos. os exames de sangue também ajudam a estabelecer o diagnóstico exato. particularmente os bem pequenos. É necessário hospitalizar a criança com coqueluche? Não. Como pode ser diagnostica a coqueluche? Examinando o material retirado da garganta. a criança respira fundo. de trinta. Quando o diagnóstico é duvidoso. Pode-se ajudar a criança durante o acesso de tosse? Sim. não. 16. 19. com a cabeça curvada para à frente. mantendo-a de pé. durante à primeira semana. esforço físico. Só nos casos graves. alimentação forçada. podem tossir um pouco e depois perder a respiração. 11. A criança tosse mais quando deitada? Sim. Em quanto tempo a tosse desaparece por completo? Em seis ou doze semanas. O acúmulo de muco no fundo da garganta provoca acessos mais freqüentes de tosse. 6. Depois do acesso de tosse. 18. com frequência. Alguns. Quantos acessos de tosse a criança tem diariamente? Nos casos brandos.

pois indicam comprometimento cerebral. O soro hiperimune ajuda a reduzir os acessos de tosse. o contágio é raro. As complicações podem ser tratadas com sucesso? Sim. pneumonia ou. O estado de nutrição será comprometido pelo vômito constante? Sim. 21. 22. 29. Embora não curem. As convulsões são sinais de gravidade? Geralmente sim. 33. Os bebês que vomitam devem ser alimentados novamente após 20 ou 30 minutos. 25. 31. A coqueluche requer uma dieta especial? Sim. Quais as complicações da coqueluche? Otite. Existe algum soro para tratamento da doença? Sim. Essas complicações ocorrem frequentemente? Não. Qual o tratamento para a coqueluche? Além dos medicamentos é. A coqueluche geralmente é transmitida nas quatro primeiras semanas. 28. alimentos leves. A coqueluche pode ocorrer duas vezes na mesma pessoa? Raramente. 30. A pneumonia e a infecção de ouvido são controladas por antibióticos. 27. depois. 26. Existem outras complicações? . Essa é uma das complicações comuns. Quando a criança pode voltar à escola? Depois de cinco semanas. que durante a primeira semana. e é usado nos casos de contato com pacientes de coqueluche. ajudam consideravelmente a evitar complicações. Os antibióticos são úteis no tratamento da tosse comprida? Sim. 32. O soro hiperimune pode ser usado para evitar a moléstia? Sim. 24. em casos mais graves. o máximo de repouso possível. A criança pode transmitir a doença durante todo o período de tosse? Não. convulsões e coma. 34. 23.9 20. Quais as sequelas da tosse comprida? Por um ano depois da doença a criança poder ter acessos de tosse com qualquer resfriado ou infecção.

35. porque a maioria dos adultos é imune a essa doença. 43. convém ministrar-lhe várias doses de soro hiperimune. Há maior incidência de coqueluche em determinadas estações do ano? Sim. 41. É necessário tirar radiografia Fo tórax em caso de coqueluche? Não. Existe algum meio de imunizar a criança contra a tosse comprida? Sim. Uma criança pode ter coqueluche mesmo que tenha sido imunizada? Sim. Ocasionalmente ocorrem pequenas hemorragias no olho ou em volta do pescoço. 45. Qual o tratamento para a criança que teve contato com pacientes de coqueluche? Se ela já foi vacinada. depois de 6 a 12 semanas. Se nunca recebeu a vacina. deve tomar uma dose de reforço. A ginástica e o esforço físico podem provocar a tosse? Sim. 38. Uma criança que não teve coqueluche poderá contraí-la na idade adulta? Sim. Apenas as crianças não imunizadas devem ser isoladas. As que já foram imunizadas e os adultos da família podem ter atividades normais. A vacina contra a coqueluche pode causar algum mal? Não. Essas complicações não são graves e desaparecerão espontaneamente. Os adultos que tiverem contato com um paciente de coqueluche também devem ser vacinados? Na maioria dos casos não é preciso. 39. como resultado dos acessos de tosse. a menos que haja dúvidas quanto ao diagnóstico ou suspeita de complicações. 42. . 40. 37.10 Sim. no inverno e na primavera. porém a moléstia ocorre de forma atenuada. 44. através de vacinação chamada toxóide tetânico e diftérico e pertussis acelular (DTPa). A coqueluche sara espontaneamente? Sim. A família deve ficar de quarentena quando há um caso de coqueluche? Não. 36.

as pessoas infectadas pela Bordetella pertussis algumas vezes apresentam sintomas atípicos.11 CONCLUSÃO Podemos concluir que a coqueluche (ou seja. tosse gritante) está associada tipicamente com uma tosse paroxística prolongada. entretanto. tornando difícil o reconhecimento imediato e provavelmente aumentando a transmissão da infecção. Todas as crianças menores de 6 meses de idade e qualquer lactente que não tenha recebido ainda três doses de vacina toxóide tetânico e diftérico e pertussis acelular (DTaP) são especialmente vulneráveis a infecção pela pertussis. e vômitos pós tosse. Bordetella .

000 crianças por ano.12 Contudo. BISSANTI. a hemaglutinina filamentosa e hemolisina. 1987. Ele não pode sobreviver no ambiente. especialmente entre lactentes vulneráveis que apresentem doença tussígena. Nova Cultura. Bordetella pertussis é um agente patogénico estrito humana que é o agente causador de pertussis (tosse onvulsa). Ela cresce a uma temperatura óptima de 35º – 37ºC. O diagnóstico oportuno da coqueluche em babás e outros contatos de lactentes poderão prevenir as fatalidades da coqueluche no lactente. os clínicos devem considerar a coqueluche como causa de doença. Dr. 3. Seu habitat natural é na mucosa respiratória humana.4 uM. Maltese. REFERÊNCIAS ROTHENBERG. a maioria das quais ocorrem nos países em desenvolvimento. que deve residir em um hospedeiro ou em pequenos grupos ou individualmente. São Paulo: Ed. 0. Drª Andréia. ET AL. . Aos primeiros sinais de tosse. a toxina da adenilato ciclase. São Paulo: Ed. Que produz tosse. Bordetella pertussis é uma pequena bactéria Gram-negativa. incluindo a toxina da tosse convulsa. Vol. é necessário que procure o médico para diagnosticar corretamente a doença e receitar o medicamento correto e evitando a automedicação que pode ser prejudicial. O mesmo que tussíparo. 1987. ou pertussis. Bordetella pertussis produz um número de fatores de virulência. Vol. Apneustia. é uma infecção respiratória no qual um som "convulsa" é produzido quando o doente inspira. Coqueluche mata cerca de 300. ausência de respiração. A tosse convulsa. Único. Dicionário Brasileiro de Medicina. É um aeróbio encapsulado immotile que não faz esporos. angústia respiratória ou Apneia.8 uM. Medicina e Saúde: guia prático. cocóide sobre o tamanho de 0. e se não parar. Robert E.

php?655 acessado em 20 de Maio de 2012.com. Disponível http://www.abcdasaude.br/artigo. Ércio Amaro de. em .13 OLIVEIRA. Dr.

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