São Paulo, outubro/2005 n.

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  CISC  Centro Interdisciplinar   de Semiótica da Cultura e da Mídia 

Ghrebh‐
Revista de Comunicação, Cultura e Teoria da Mídia 
issn 1679‐9100 

O MITO E AS NARATIVAS CONTEMPORÂNEAS       
por Pedro Carvalho Murad 1   (murad@ig.com.br) 
Resumo:   Estudo  acerca  das  relações  entre  mito  e  as  narrativas  na  contemporaneidade,  tendo  por  foco  a  produção  ficcional  midiatizada,  revelando  mecanismos  através  dos  quais  a  fabulação  adquire  retoricidade.  A  partir  do  mito  original  das  sociedades  arcaicas,  buscaremos  desvelar  a  simbiose  entre o mito e a narrativa contemporânea e o modo pelo qual estruturas míticas se imiscuem nas  mediações  simbólicas  contemporâneas,  com  especial  destaque  para  a  produção  de  narrativas.  Perceber a sobrevivência — ainda que camuflada — de modos primitivos de fabulação, presentes  nas estratégias comunicacionais hodiernas.  Palavras‐chave: Mito; Narrativas; Ficção.  Abstract:   Research  about  the  relations  between  myth  and  the  narratives  at  the  contemporaryty,  focusing  the  mediatics  production  for  fiction,  showing  mechanisms  through  a  fabulation  gets  rhetoricty.  Since  the  myth  originary  from  the  arcaichs  societies,  elementary  at  the  civilization’s  project,  we  search to reveal the symbiosis between the myth and the contemporary narrative and the way by  which mythics structures thrust oneself into the simbolics mediations of the contemporaryty, with  a  special  focus  about  the  production  of  narratives.  Perceive  the  survival  —  even  though  camouflaged  —  of  primitives  ways  to  fabulation,  presents  on  the  currents  communicative  situations.  Key words: Myth; Narratives; Fiction. 

 
                                                            
Mestre  pelo Programa  de Pós‐Graduação  em  Comunicação  e  Cultura  ‐  ECO/UFRJ. Dramaturgo,  autor de  mais de duas dezenas de peças. Bacharel em filosofia pelo IFCS/UFRJ. 
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  sendo  primeiramente  levantada  por  Joseph  Campbell.  O  Mito  do  Herói. formas correspondentes a cada cultura. na produção simbólica  moderna. como definiria Campbell.  Ocorre  sempre  uma  jornada.  Desse modo.  somos  levados  a  buscar. 07        CISC  Centro Interdisciplinar   de Semiótica da Cultura e da Mídia  Ghrebh‐ Revista de Comunicação. mas  seu  percurso. perceberemos essa  constância. tanto na mecânica interna da narrativa.  Os  mitos  teriam  um  papel  determinante  na  psicologia  humana.  tanto  na  formação  do  indivíduo. recebe um chamado paratrilhar outro mundo.  tão  cara  ao  espectador. conflitos e situações presentificadas pelos mitos arcaicos.  seguindo  certos  padrões  universais.  uma  chave  para  que  formulemos  uma  compreensão  válida  acerca  da  produção  ficcional na contemporaneidade.  no  mito. de onde todos os símbolos.  Embora  apresentem  diferenças  entre  um  formato  e  outro. o mito do herói se configura dentro de uma rotina básica: O herói vive num  mundo comum e estável. através da qual tenta‐se traçar uma história da mente.  ou  monomito. surgiu nas mais diversas culturas. Se  lançarmos um olharpara toda a produção ficcional.   A noção de que certas estruturas míticas se sobrepõem a todas as formas de narrativa já é  bastante  difundida.    Ghrebh‐ n. Cultura e Teoria da Mídia  issn 1679‐9100  Este  estudo  nasce  de  uma  questão  central:  no  tocante  à  produção  ficcional  contemporânea.  O  personagem assume feições. onipresente em toda produção  ficcional  do  globo.  desde  as  primeiras  formas  de  fabulação.  a  psique  conservaria  rastros  de  etapas  anteriores  do  desenvolvimento  humano.  quanto  no  modo  pelo  qual  um  corpo  social  assume  uma  identidade coletiva.  Logo. que perpassam a totalidade da produção simbólica atual.   Dentre os mitos.  Segundo  o  mesmo  estudo.  no  que  Jung  iria  nomear  por  Inconsciente  Coletivo. Ou seja: pode‐se  perceber  alguma  forma  de  sobrevivência  da  representação  mítica  nas  narrativas  midiáticas da contemporaneidade?  O  modo  de  fabulação  operacionalizado  pelo  mito  nas  sociedades  arcaicas  revela‐se  em  plena atividade mesmo nos dias atuais. constituindo sempre um mesmo mito — o Mito do Herói.  uma  forma  comum. 07      187  . outubro/2005 n.  Trata‐se  do  que  o  antropólogo  viria  a  pensar  como  uma  jornada.  O  Herói  vive  sempre uma mesma jornada. uma herança psicológica comum a toda humanidade.  percebe‐se  a  recorrência  de  determinadas  imagens. Jung. e nas mais diversas  épocas. Num momento.  Deste  modo.  sua  jornada.  poderíamos  extrair  um  modo  constante  de  construção  de  narrativa?  Certa  recorrência  que  subsiste  desde  as  primeiras  formas  de  fabulação  encontrada  nos  mitos arcaicos. quanto no  modo  pelo  qual  se  insere  nas  mediações  simbólicas. características.  arquétipos  e  mitos  derivam.  detém  semelhanças  estruturais  marcantes.  o  conjunto  de  movimentos  numa  trama  são  sempre  os  mesmos.  Em  contato  com a obra de Carl G. um deles alcançou acentuada primazia.  na  qual  o  Herói  empreende  uma  aventura  —  física  ou  psicológica  ou  ambas  —. dramática ou não. pelo  estudo  dos  símbolos.São Paulo.

 o que vem a ser mito. 07      188  .  o  mito  teve  uma  valoração  diferenciada.  em  fins do século XX.  Os  resultados  da  aplicação  consciente  do  monomito  se  faziam  mais  claros.  2003. posteriormente constituindo um elemento primordial no processo civilizatório.  o  papel  distinto  em  cada  cultura.  Essa  noção  não  passou  desapercebida  à  indústria  cinematográfica  norte‐americana.  Toda  narrativa  consiste  nessa  jornada  ao  extraordinário. num embate de vida e morte.  muitas  vezes  anormal.  Esta  dinâmica  se  faz  notar  em  toda  e  qualquer  narrativa  existente.  pelos  estudos  de  Christopher  Vogler. a partir da pesquisa de Campbell.  As  atribuições  são  cambiantes.  das  piadas  mais  grosseiras  aos  mais  altos  vôos  da  literatura.  Caminhando  entre  o  fictício  e  o  real.  sobretudo.  tenha  seguido  uma  mesma  e  constante  dinâmica. 07        CISC  Centro Interdisciplinar   de Semiótica da Cultura e da Mídia  Ghrebh‐ Revista de Comunicação.  podem  ser  entendidos em termos da jornada do herói.  O  estudo  iniciado  por  Carl  G. na produção de roteiros para filmes. em Hollywood.  desde  as  culturas  arcaicas  até  as  sociedades  contemporâneas.  as  prerrogativas culturalmente determinadas.  obriga‐nos a delimitar.  Ele  ajustou  o  monomito  de  Campbell  à  estrutura  dramática  tradicional  conforme  é  utilizado  peloscreenwriting  norte‐americano”  (MACIEL. Tarefa não  muito  fácil.  66).  a  insistência  na  percepção  do  mito.  uma  vez  que  a  ocorrência  dos  mitos  se  deu  já  na  formação  das  sociedades  primeiras. das mudanças.  morrer  e  ressuscitar.  embora não seja uma unanimidade quanto sua eficácia terapêutica ou mesmo pela teoria  da psicologia das profundezas que tenta imprimir. na qual o herói terá que enfrentar desafios. A percepção acerca do monomito  revelou‐se  valiosa  tanto  na  feitura. tendo por ponto de partida as sociedades arcaicas. revelou‐se válido pelos apontamentos  feitos  a  partir  do  Mito  do  Herói  e  sua  aplicabilidade  dramatúrgica.  por parte dos analistas e executivos da indústria do audiovisual norte‐americano. 24). torna qualquer leitura ou audiência cativante.  no  seio  das  sociedades.  em  grande  parte  das  narrativas  existentes. pelas sucessivas rupturas  e deslocamentos. conscientemente ou não.  visto  que  “todas  as  narrativas. outubro/2005 n. p.  como  que  um  prêmio. Justamente  esta viagem em busca da verdade.    Ghrebh‐ n.  p. “O que  fez  Vogler?  Muito  simples. seguem os antigos padrões do mito e que todas as  histórias.  oscilando  entre  essas  duas  categorias.  pela  notória  receptividade  do  público  telespectador.  O  modelo  de  monomito  levantado  por  Campbell  passou  a  ser  adotado  por  escritores.  Porém. o monomito” (VOGLER. e como este se constituiu ao  longo da história ocidental. O impulso maior se  deu. descortinando o mundo cotidiano das  aparências.  retornando  ao  mundo  especial.São Paulo. 1997.  um  analista  de  histórias  dos  estúdios Walt Disney. Hamlet empreende uma viagem sem mesmo deixar a corte. inicialmente. Cultura e Teoria da Mídia  issn 1679‐9100  hostil  e  estranho.  quanto  na  própria  aferição.  Alguém  (o  Herói) sempre quer alguma coisa e se aventura por consegui‐la.  trazendo  algo  novo.  no  íntimo.  por  parte  de  roteiristas.  Jung.  embora.

 Os povos antigos se valiam do mito como explicação primeira  do próprio cosmos.  das  sociedades  humanas. a cada momento em que é acionada.  um  modo. tem para assumir uma consciência cultural integrada.  entre  homem  e  homem.  assim.  não  significa  que  seja  ele  mesmo  fixo.  As  ações  de  uma  sociedade.  no  qual  se  aponta  uma  origem. 07      189  . através do qual se viabiliza.  através  dela. nunca estático. sequer finalizado.São Paulo.  No entanto. Logo.  Trata‐se. a existência de um povo acaba por ser legitimada por algo como  que  uma  missão.  impõe  uma  ética  nas  relações  entre  homem  e  divindade  e. Isso ocorre por  um  aspecto  básico:  ao  contrário  do  que  se  poderia  pensar.  segundo  Platão.  assim.  todas  as  coisas  que  nele  existem.  Assim.     Ghrebh‐ n.  tem‐se  o  mundo  e. outubro/2005 n.  Deste  modo. Não é intrinsecamente  moralizante. Cultura e Teoria da Mídia  issn 1679‐9100  O mito é um relato. mas à própria formação  do indivíduo. portanto.  O  mito. acabam  por serem contextualizadas num mundo inteligível e acessível.  de  uma  narrativa.  Isto  revela  seu  caráter dinâmico.  sobretudo. o mito situa e demarca a origem de uma cultura.  funciona  como um suposto social. o  mito acaba por mapear o espaço e seus elementos.  dos  seres  vivos.  Situa.   Uma vez descrevendo a criação de algo. 07        CISC  Centro Interdisciplinar   de Semiótica da Cultura e da Mídia  Ghrebh‐ Revista de Comunicação.  Uma  fundamentação  do  mundo  e  das  coisas  do  mundo.  vale  salientar. Uma vez que confere ao mundo uma origem e dá um lugar à divindade.   Ora.  o  mito insere o indivíduo num dado tempo e espaço.  tem  nele  um  modo  de  assumir  uma  identidade  e  um  modo  de  estar no mundo.  divindades.  demarca. uma cultura e mesmo uma  nação.  explica‐se  a  existência  dos  fenômenos  naturais. dá‐se pela necessidade que um povo. onde os atos humanos são  alicerçados. do que se supõe ter acontecido num  passado  remoto  e  quase  sempre  impreciso.  Cada  sociedade.  onde  seus  elementos  quedam  fixos.  apenas  dá  uma  significação  plausível  e  necessária  ao  mundo. não existe no mito uma dimensão ética determinada.  tantas  vezes  descrita  nas  narrativas  míticas.  Localiza  o  homem  neste  mundo.  o  mito  situa  a  divindade  no  Mundo.  os  mitos  não  constituem  narrativas  cerradas.  Graças  à  ação  divina.  Tem  por  agentes.  e  mesmo  de  um  homem.  Esta  origem  pode  ser  tanto  de  algo  particular  quanto  do  próprio  cosmos. insere o homem num tempo e num  horizonte  ansioso  por  realizações. Se confere ao mundo alguma fixidez  —  circunstancial. As ações humanas.  Tudo  é  abarcado nessa fabulação.  e  nisto  se  basta. Ou seja:  nenhum mito é inteiramente fixo.  Seus  significados  são  móveis  e  uma narrativa mitológica não é a mesma.  de  expressar  verdades  que  escapam  ao  raciocínio. esse processo não ocorre apenas no que tange à sociedade.  conseqüentemente.  Desse  modo. uma descrição sempre fabulosa. são posteriores e suas implicações não são concernentes ao mito.

  pois  o  homem  “conquista  infatigavelmente  o  mundo.  Não  dá  ao  homem  um  mundo  acabado.  mas  a  própria  produção.  proveniente de uma experiência coesa e constante do sagrado . ao viabilizar uma compreensão acerca  da origem das coisas. suas aplicações também.  organiza‐o. sem significação. A própria referência à divindade tornaria o discurso axiomático e estável.  Uma  vez  que  esta  se  vale  de  dramatizações  acerca  da  origem  do  mundo  e  dos  seres.  carecem  de  uma  atualização  constante. outubro/2005 n. 125) .  um  fosso  semântico  tão  conveniente  à  fabulação  mítica.  Esta  atualização  só  se  faz  possível  justamente pela ordem perpetrada pelo mito.  então.  ainda  que  momentânea.  a  experiência  mítica  possibilita  um  ambiente  simbólico  onde  uma  atuação humana torna‐se viável.  assim  como  toda  e  qualquer  fabulação. mas isso não significa que conferem ao  homem  um  mundo  por  si  só  finalizado. 07      190  .  Os  mitos.  conseqüentemente. 07        CISC  Centro Interdisciplinar   de Semiótica da Cultura e da Mídia  Ghrebh‐ Revista de Comunicação.  Toda  narrativa  carece  finalizar‐se. Uma atribuição relegada  unicamente à experiência religiosa.  1972.  que  não  são  alterados.  124). pois esta constância é ilusória. O modelo mítico presta‐se a aplicações ilimitadas” ( ELIADE.  não  são  de  modo  algum  completos.  basicamente.  1972.  permite  ao  próprio  homem  atualizar  este  mesmo  mundo. torna possível o domínio e o manejo delas.  p. não se trata de algo fixo.  essa  abertura.  transforma  a  paisagem  natural  em  meio  cultural”  (  ELIADE.  Ao  contrário. o mito revela um  caráter  instrumental.  Como dissemos.  como  explicar  as  transformações  nas  sociedades  e. os mitos fundamentam o mundo. Ora. Logo. onde um mundo caótico.  temos  clara  certa  contradição:  se  os  sentidos  lançados  na  descrição  mítica  fossem  sempre  os  mesmos.  no  pensamento  mítico  das  mesmas?  Uma  vez  que  o  mito  fundamenta  uma  sociedade.  então.  assumir  uma  integridade.  homogêneos. Cultura e Teoria da Mídia  issn 1679‐9100  Logo. pois mesmo “a existência de um modelo exemplar não  entrava o processo criador. sequer imutável. sendo igualmente dinâmicas.  Tem‐se  a  nítida  noção  da  narrativa  mítica  como  uma  estrutura  fechada.  como  pensar  em  mobilidade  se  pensamos  em  fundamentos  tão  fixos?  As  respostas  a  estas  questões  encontram‐se  no  foco. ela é falsa.  Neste  caso. p.   Como dissemos.  Se  temos  a  impressão  de  persistência de certas narrativas.São Paulo.  essa  variabilidade  de  sentidos  toda  própria  do  mito.  aparentemente  “prontas”.  Revela‐se.  completar‐se.  Ambas  germinam  em  solo  comum.  Ao  contrário.    Ghrebh‐ n. As narrativas mencionadas não  compreendem  estruturas  monolíticas. se completam. Faz‐se assim.  O  que  acaba  por  deter  alguma  relevância  neste  processo  não  são  os  produtos  da  experiência  mítica.  pois  supõe  certa  abertura  semântica.   Analisemos. esta noção revela certo desconhecimento no que  tange  à  experiência  mítica  e  à  própria  experiência  religiosa. As narrativas  mudam.  onde  os  significados  são  inexoravelmente  determinados.  fica  em  evidência  uma  característica  marcante  do  mito.  têm‐se  a  impressão  da  ocorrência  de  elementos  perenes. Ora.  neste  caso. pois.

 uma vez que o próprio discurso cria realidade. 07      191  .  dá  lugar  a  uma  realidade  cognoscível  e  plenamente  articulável.  que  satisfaz  a  profundas  necessidades  religiosas.  circulação  e  consumo. 14). 1972.  a  diferenciação  entre  narrativas  falsas  de  narrativas  verdadeiras. portanto.  é  prontamente  atestada.  O  mito.  convém  que  levantemos  uma  consideração  básica:  se  existe  um  autor  do  mito — rapsodo. pode ser criada  individualmente. a sociedade estabelece uma digressão acerca do cosmos e  de  si  mesma.   Uma vez que o próprio mundo se revela enquanto linguagem . desse modo.  viabiliza  um  compartilhamento  entre  homem  e  mundo. pelo que é  verdadeiro no discurso. profeta.  seus  signos  e  o  modo  pelo  qual  se  articulam. conferindo à realidade qualquer inteligibilidade.  Curioso  notar  que  a  mesma  estrutura  discursiva  que  viabiliza  a  história  das  origens  do  mundo  e  dos  homens.  A  aceitação  por  parte  de  uma  comunidade  de  ouvintes  de  uma  narrativa  qualquer  implica  no  enquadramento  a  um  conjunto  de  perspectivas  e  valores  da  audiência. não é senhor em seu discurso .  Algo  que  como  uma  co‐participação  no  processo  de  semantização  da  natureza  e  do  homem.  pois  ele  nasce  deste  imperativo.  sem  o  qual  não  existiria.São Paulo.  este  seria  a  “narrativa  que  faz  reviver  uma  realidade  primeva.  a  autoria  real  de  um  evento  narrativo‐mitológico não pode ser atribuída efetivamente a um indivíduo por mais criativo  e influente que seja. situa o homem ônticamente no mundo. p.  Ora.  integrando  um  enredo  onde  todos  os  elementos  se  articulam  como  personagens. O “ autor". ou recitador do mito. O público acaba por ser co‐autor da fabulação mítica.  sendo  sempre  renovável. Nenhuma narrativa.  profano  de  sagrado. seja por sua atribuição — externamente dada.  Uma  vez  que  não  se  trata  de  um  conhecimento  fechado. pertencente a toda uma  coletividade.  aspirações  morais. outubro/2005 n.  tanto  em  sua  produção.  viabilizado  justamente  pelo  mito. a mesma  não teria qualquer validade.  a  pressões  e  imperativos de ordem social. O mito é. pois sua  autoria  está  condicionada  pelo  público. 07        CISC  Centro Interdisciplinar   de Semiótica da Cultura e da Mídia  Ghrebh‐ Revista de Comunicação.  Essa  fabulação  segue  leis  e  se  articula  mediante  certos  mecanismos  discursivos  presentes mesmo  nas  mais  efêmeras  narrativas. vale salientar    Ghrebh‐ n. o conhecimento acerca do  que  fala  este  mesmo  mundo.  familiarizando ambos.  mitos  por  excelência.  conferir  atribuições  secundárias  a  outras. e mesmo exigências práticas” (ELIADE.  se  preste  à  fabulação  fortuita  de  representações  puramente  fictícias. pois.  Neste  ponto. uma criação coletiva. sem ele .  desprovidas  de  qualquer  veracidade. escritor ou dramaturgo — isso não significa que ele  seja autor no sentido estrito do termo. O próprio mito se constitui e se afirma pela diferenciação entre ambas.  Assim. mítica ou não.  É  próprio  das  culturas  arcaicas  diferenciar  narrativas  míticas  de  fabulações  vãs.   Isto  constitui  o  que  é  de  mais  próprio  do  mito. sacerdote.  Legitimar  umas.  pois  que  nenhuma  forma  de  discurso  é  estritamente  fechada.  portadora  da  verdade  primordial  dos  seres. integrando‐os. Uma vez  constituindo‐se como discurso. Cultura e Teoria da Mídia  issn 1679‐9100  disperso  e  confuso.

 Cultura e Teoria da Mídia  issn 1679‐9100  —  como  experiência  do  sagrado.  as  lutas  políticas  na  polis. p. 1972. Ao  contrário  do  que  se  poderia  pensar.  Sobretudo.São Paulo.  mediante  ele. todo e qualquer ente adquire uma historicidade perceptível ao homem através  do  mito.  segundo  Aristóteles. O tempo lhe confere um território.   Porém.  Uma  vez  que  a  realidade  é  revelada  como  narrativa .  Passado pois tudo  que a constitui  no presente é uma equação de atos pretéritos. efêmero e inconstante dá lugar ao  tempo de eternidade do sonho. Uma nação ou povo.  a  problemática  que  se  instaura  não  diz  respeito  às  fabulações  em  si.  Como  poderíamos  pensar  no  tempo  presentificado  nos  mitos?  Segundo  Mircea  Eliade.C.  Torna  o  homem  contemporâneo das façanhas que os deuses efetuaram in illo tempore” ( ELIADE.  pois. torna possível a vivência do sagrado.  O  mesmo  ocorre  com  uma  sociedade.  e  recupera  o  tempo  sagrado  do  mito  .  No  drama.  mas  à  própria  percepção  do  tempo  que  se  forma  neste  período.  A  mencionada  ruptura  no  tempo real das coisas. Esta ruptura com o tempo é uma necessidade não só do indivíduo. o tempo cotidiano e estreito .  justamente  através  dela  o  mito  veio  a  conhecer  seu  aparente  ocaso.  algo  inato  à  própria    Ghrebh‐ n.   Ora  .  o  ritual  mítico  instaura  a  vivência  de  uma  nova  temporalidade.  através  dela.  nas  culturas  ocidentais. outubro/2005 n. Os temas retratados ganham a intimidade do lar.  Uma  vez  vivenciado  pela  arte  —  portanto  sujeito  às  mutabilidades  tão  características  da  reflexividade  da  arte  —  o  mito  tradicional  nas  sociedades  gregas  do  século IV a. existe porque detêm uma história. em qualquer época ou  lugar.  O  drama  de  Eurípides  e  Aristófanes  mostram  certa  tensão  com  os  ideais  propostos  pela  tradição.  pois  seu  destino  também  é  passado.  se  essa  dimensão  temporal  confere  ao  mito  sua  retoricidade  e  importância. O  mito é essa vivência — ainda que fragmentada — de  eternidade. começa a ser questionado. mas da própria  cultura. 07        CISC  Centro Interdisciplinar   de Semiótica da Cultura e da Mídia  Ghrebh‐ Revista de Comunicação. compreensível .  seja  pela  simples  fabulação  e  seus  elementos  constitutivos.  A  arte  deste  período  volta‐se  para  o  cotidiano. torna‐se transparente. O tempo fugidio.  “o  ritual  abole  o  tempo  profano. 07      192  .  o  herói  sublime.  e para tanto o ritual se faz necessário.  uma  divindade  ou  ato  criador  torna‐se  verossímil  e  aceitável.  cronológico. Sofre um gradual processo de esgotamento.  124) . Deste  modo.  longe  de  qualquer  comprovação empírica realizável — O mito recupera este passado quase sempre glorioso  e  inefável. uma  mimetização  criteriosa  de  uma  corrupção  inerentemente  humana.  Uma  criação  que  nasce  sempre  de  um  impasse  semântico  entre  autor  e  público — uma constante teimosamente explorada pela arte.  uma  imitação  dos  homens  melhores e superiores . uma eternidade partilhada.  para  questões diárias. dá lugar ao personagem mais sórdido exposto pela comédia. adquirem feições mais  mundanas  .  perpetua‐se.  recupera  uma  temporalidade  outra. Este mesmo  tempo  tem  início  num  passado  quase  sempre  remoto  —  e  neste  ponto  temos  uma  característica  que  confere  a  fabulação  mítica  plausibilidade:  distanciamento.

  a  história.São Paulo.  onde  se  percebe  no  tempo  presente  um  amplo  escopo  de  atuação.  a  assimilação  radical  desse  novo  modo  de  ser  no  Mundo. Como menciona Mircea Eliade: “ triunfo do logos sobre o mythos.  O  próprio  racionalismo  platônico  e  o  nascimento  de  uma  filosofia  sistemática  viabilizaram  sua  queda.  Com  a  produção  dramática  deste  período  não  seria  diferente. os gregos experimentavam algo inteiramente novo e ocidental por excelência:  a  troca  do  tempo  passado  pelo  tempo  presente.  mais  adiante. Assim. Somente uma cisão radical  no modo de percepção e atuação no tempo e no espaço poderia fomentar esta mudança .  O mito tradicional — melhor dizendo: um certo modo de vivência do mito até então em  curso — cedia espaço para novas formas de percepção de mundo . o fenômeno mítico tradicional conheceu um gradativo  esvaziamento. p.  Em  contraposição  ao  logos. 07        CISC  Centro Interdisciplinar   de Semiótica da Cultura e da Mídia  Ghrebh‐ Revista de Comunicação. outubro/2005 n.8). 1972.  “Os  gregos  foram  despojando  progressivamente  o  mythos  de  todo  valor  religioso  e  metafísico.  e  a  abertura  que  esta  noção conferia ao presente. A vitória do  livro  sobre  a  tradição  oral.  em  total  desprendimento  com  os  temas  mitológicos tradicionais. mas que somente neste ponto poderia ser representado.  1972.  Não  seria  errado  supor  que  neste  preciso  momento.137). 07      193  . Uma nova visão de mundo se sobrepunha à  visão contida nas mitologias clássicas. Ao contrário das sociedades arcaicas que sempre modificavam seu passado.  A  modernidade  que  surgia. Uma história formada  pela  sucessão  de  acontecimentos.  Neste  último.  Daí  ter  sido  relacionado  à  fabulação  enganosa  foi  um  passo..  A  comédia  de  Aristófanes  e  Menandro  operava  diretamente  sobre  o  cotidiano.  que  representa  a  existência  humana.  Em todas as culturas primitivas. pois “ somente devido à descoberta da História . esgueirando‐se por uma vereda na qual o teatro latino de Plauto  e  Terêncio  iria  embrenhar‐se:  retratar  o  cotidiano. o mito precede qualquer desenvolvimento de fabulação  mais  organizada. De certo modo.  assim  posteriormente  . as  sociedades  gregas  percebiam  o  caráter  irreversível  do  passado.102)..  pg. que o mito pôde ser ultrapassado” ( ELIADE.  as  tramas  familiares.   Uma  nova  percepção  linear. 1972.  sepultaria  definitivamente o mito e suas variantes .  Um  novo  mito  se  insurgia  contra os  mitos  tradicionais:  a razão  e  seu  potencial  transformador  nas  sociedades. Cultura e Teoria da Mídia  issn 1679‐9100  vida.  do  documento  ”  (  ELIADE.  O  que  se  nota  é  um  “descolamento”  onde  uma  determinada  narrativa    Ghrebh‐ n.  O  cristianismo  dos  séculos  subseqüentes  —  embora  miticamente  fundamentado  —  viria  a  se  firmar  em  oposição  ao  pensamento  mítico  tradicional  das  sociedades  da  Antigüidade.  as  intrigas  e  os  costumes.  o  mythos acabou por denotar tudo o que não pode existir realmente ” ( ELIADE.  todas  as  mudanças  são  possíveis. p.   Aqui temos algo que merece destaque: o mito é a primeira forma sistemática de narrativa.  de  caráter  irreversível  . não  refletia mais os tempos e as noções correntes.  progressiva  e  histórica  do  tempo  viria  a  se  chocar  com  a  percepção temporal dos mitos antigos.

  a  título  de  exemplo.  de  consumo  meramente  estético. Assume um valor puramente estético.  Neste  caso  podemos  apontar.  animes.  desde  já  fantasioso. o mito torna‐se fabulação. 07      194  .  igualmente.  dificilmente  um  homem  arcaico  estaria  privado  de  uma  apreciação  estética.  certa  impregnação  do  suposto  mitológico  nas  mesmas. Não mais verdades  originárias.  presentes  na  cinematografia.  animações  infanto‐juvenis.  mangas. Uma vez diante de um mito .  sem  qualquer  compromisso  com  a  verdade  primeira  das  coisas.  não  podemos  ser  ingênuos  a  ponto  de  supor  que  não  houvesse. num  ritual  em  curso.  como  vislumbrar  nelas  uma  pista  de  um  fenômeno  mítico  subjacente?  Primeiro.  a  remanescente  produção  literária  dos  gregos  antigos.  entre  tantos  que  abundam  nos  dias  atuais.  faz‐se  necessário  que  estabeleçamos  paralelos  palpáveis  entre  o  mito  nas  sociedades  primitivas  e  as  narrativas  contemporâneas.  peças  publicitárias. Assim.   Um olhar mais atento sobre a produção dramática contemporânea suscita uma questão  mais  profunda:  as  narrativas  contemporâneas.  como  pensá‐lo  senão  camuflado?  Neste  ponto  o  estudo  de  Mircea  Eliade (1972) revela‐se lapidar.  poderíamos  finalmente  pensar  num  esvaziamento  definitivo  do  mito  enquanto  experiência  do  sagrado.  porém  com  igual  importância.  inferir que as narrativas contemporâneas estejam livres de qualquer função mítica.  Se  a  totalidade  da  produção  artística  das  sociedades  arcaicas  tinha  um  caráter  puramente  mítico  e  religioso.   Nesse  ponto. outubro/2005 n.  não  podemos  excluir  uma  função estética às narrativas nas sociedades arcaicas. ainda  que  latente. os mitos nas sociedades contemporâneas  encontram‐se  tão  vivos  quanto  nas  sociedades  arcaicas.  isso  ocorre  não  por  seu  referencial religioso e como fabulação da origem do mundo e dos deuses. tornando‐se parte  da tradição narrativa ocidental. mas pelo seu  valor puramente literário.  Uma  vez  que  as  narrativas  consumidas  massivamente  nesta  modernidade  tardia  estão  despojadas  de  seu  antigo  significado  religioso.  cartuns.  em  paralelo.   Tal  noção  revela‐se  problemática  por  dois  motivos.  sobretudo.São Paulo.  possuem  alguma  função  mítica?  Se  o  mito  conheceu  seu  ocaso. Segundo o autor.  Se  as  descrições  dos  Deuses  feitas  por  Homero  e  Ésquilo  tiveram  uma  considerável  importância  na  tradição  cultural  do  Ocidente.  Como  mencionamos    Ghrebh‐ n.  cartuns.  Seguem  uma  dinâmica  inteiramente  diversa.  entre  tantas.  onde o mito sobrevive por vezes camuflado.  pela  propagação  de  uma  experiência  estética  voltada  para  uma  forma  de  texto  narrativo  puramente  imaginário.  não  podemos.  uma  apreciação  estética.  Ocorre.  aos  filmes. podemos ver um movimento de autonomia da narrativa  em relação ao seu referencial mítico.  Segundo. Cultura e Teoria da Mídia  issn 1679‐9100  perde  seu  referencial  sagrado  e  adquire  um  valor  puramente  estético. Logo.  Primeiro.  As  grandes  mitologias  reduzidas  aos  romances. 07        CISC  Centro Interdisciplinar   de Semiótica da Cultura e da Mídia  Ghrebh‐ Revista de Comunicação.

 ainda em meados do século passado.  Aliás.                                                    .  nos  dias  atuais  ele  é  o  próprio  mundo.  conferindo‐lhe  significações.  real  ou  não.  A  título  de  exemplo. aliada à compressão  acelerada do tempo‐espaço. A missão de Cristo e do personagem Super‐homem  reveste‐se de um conteúdo mágico e igualmente magnífico. O que interessa realmente é  a fabulação.  de  vida.  Assim.  intitulado  Cristo  Deposto. os programas de variedades. Um simples detalhe. Cultura e Teoria da Mídia  issn 1679‐9100  anteriormente.     Em  ambos.  menos  mágico.  Um  modo  singular  de  humanizar  o  mundo. perceberemos que este  princípio  estetizante  não  é. deixa em evidência um processo que se faz presente a quase  um  século:  a  transposição  perceptiva  do  tempo  para  esferas  de  atuação  inteiramente  fluidas. a publicidade.  anônimas  ou  notórias. nada mais que isso.  temos  uma  temática  recorrente:  o  sacrifício  de  um  homem  com  vistas  a  redimir a humanidade . detonaram um  processo que nos dias atuais parece apenas principiar.  de  Frank  Miller  com  outro  clássico  do  pintor  italiano  setecentista  Agnolo  Bronzino.  Hoje. o discurso em si mesmo.  as  narrativas  contemporâneas refletem o mundo.  o  mito  gozava  de  um  prestígio  quase  mágico.   Ora .  Um  sentido  de  mundo. uma realidade simbólica em franco processo de virtualização.  dos  fatos  expostos  em  ambas  torna‐se secundária. Nossa própria esfera  social espelha esta fábula.São Paulo. tornando o próprio mundo uma fabulação.  um  acontecimento  sagrado. outubro/2005 n. tão enraizados em nossa cultura.  nas  sociedades  arcaicas.  de  cosmos.   No  primeiro  caso.  Não  se  trata  mais  de  um  passado  lendário.  No  segundo.  algo  tão  presente  na  experiência  mítica. morte e ressurreição de um homem singular — um exemplo  tão nítido da Jornada do Herói exposta por Vogler e Campbell.  mas  um  espaço  divino. O cinema e outras mídias .  o  herói  sacrifica‐se  para  impedir  uma  catástrofe  planetária  —  um  acontecimento  puramente  ficcional.  todas  as  suas  personalidades. Dor.  mas  o  sentido. 07        CISC  Centro Interdisciplinar   de Semiótica da Cultura e da Mídia  Ghrebh‐ Revista de Comunicação.  a    Ghrebh‐ n.  inteiramente  sobreposto  ao  espaço  presente. ele goza de um princípio estético.  poderíamos  confrontar dois fragmentos aparentemente tão dispares: uma cena de um “ clássico ” dos  cartuns:  O  Cavaleiro  das  Trevas.  A  ocorrência. 07      195  .   O que irmana estas representações distintas não é propriamente a existência concreta dos  fatos  por  elas  representados. onde perspectivas  e  valores  se  potencializam. Se olharmos mais a fundo. o mito  fundamentava  o  mundo.  os  paradigmas  traçados.  por  isso. entre outros —  se utilizam de elementos míticos.  Estas  prolongam  para  outro  plano  a  narrativa  mitológica. Se nas sociedades antigas. Imiscuir‐ se  num  universo  fabuloso  e  conseqüentemente  fantástico. constituindo‐se como arena para um enredo.  tem‐se  camuflado  o  mito.  amplamente exposto nos Evangelhos.  Ou  seja.  Mesmo  a  produção  mais  cotidiana  e  efêmera  —  neste  caso  podemos incluir o jornalismo.  atualizá‐lo.  é  revivido  pelo  consumo  das  narrativas  contemporâneas.

 celebridades ou não. (Trad.  os  costumes.  p.  uma  mesma vivência onírica do eterno .  dos  usuários  dos  games.  Todos  seus personagens . enquadram‐se numa historicidade onde sentidos  são  insistentemente  reafirmados.  ARISTÓTELES. 1972. Poética.  a  ética  das  relações.  o  desejo  de  atingir  outros  ritmos  temporais além daqueles em que somos obrigados a viver e a trabalhar” ( ELIADE.  o  próprio  consumo. O  mito simplesmente subsiste oculto nas mais diversas atividades humanas. não importa se hoje ou em meados do século XX:  “uma  revolta  constante  contra  o  tempo  histórico. é sempre o mesmo.: Eudoro de Souza)     Ghrebh‐ n.São Paulo: Abril Cultural.  sobretudo. Tanto os rituais nas  sociedades arcaicas quanto as narrativas contemporâneas oferecem sempre o mesmo: a  mesma  ruptura  contra  o  tempo.  Signos  de  uma  cadeia  discursiva  mais  ampla  . pois é  imprescindível  à  existência  social.   O que se poderia chamar de um perfeito comportamento mitológico. 07      196  .  1976.  Trata‐se. TeatroVivo: Introdução e História.  um  mesmo  salto  às  cegas  sobre  si  mesmo.  É  sempre  uma  mesma  necessidade  do  indivíduo  em  extraviar‐se.  sendo  constitutivo  do  ser  humano.         Referências Bibliográficas  AMARAL.São Paulo. São Paulo: Abril Cultural.164).  dos  círculos  de  leitores  de  cartuns.  o  mesmo  mergulho  num  espaço‐tempo  outro.   Supor o ocaso do mito nas sociedades modernas é supor o ocaso da própria civilização.  acabam  por  engrenar  algum  tipo  de  narrativa. Subsiste. 07        CISC  Centro Interdisciplinar   de Semiótica da Cultura e da Mídia  Ghrebh‐ Revista de Comunicação. 1973. do conglomerado de telespectadores e mesmo de freqüentadores mais fortuitos  numa performance. Cultura e Teoria da Mídia  issn 1679‐9100  moda  em  curso.  O  anseio  do  público  espectador. Maria Adelaide do.  de  esquemas  invisíveis  e  pré‐ definidos. outubro/2005 n.

 Rio de  Janeiro: Ed. (Trad. 1999. 1998. 1966.. Uma Anatomia do Drama. São Paulo: Ed. São Paulo: Ed. 07      197  . El Hombre y Sus Símbolos.  LOTTINI. A.  A  Jornada  do  Escritor:  Estruturas  Míticas  ParaContadores  de  Histórias e Roteiristas. São Paulo: Companhia das Letras. Mito e Realidade. 1997. ArtePoética.  MACIEL. Batman – O Cavaleiro das Trevas. 1988.  Rio  de  Janeiro:  Ed. 07        CISC  Centro Interdisciplinar   de Semiótica da Cultura e da Mídia  Ghrebh‐ Revista de Comunicação. Rio de Janeiro: Ed.   ESSLIN. DP&A.  Emil. Rio de Janeiro: Ed. Perspectiva. 2003.  JUNG. Firenze: Becocci/Scala. Introdução à Dramaturgia. Martin. 1987.  ELIADE.   MILLER.  HALL.        Ghrebh‐ n. Gli Uffizi: Guida Alle Collezioni e Catalogo Completo  Dei Dipinti.São Paulo. 1986.  ConceitosFundamentais  da  Poética.  STAIGER. A . CECCHI. outubro/2005 n. Carl G. A Identidade Cultural na Pós‐Modernidade. 1993.  2ª  edição. Renata. Cultrix. São Paulo: Ed. 1997.  Tempo  Brasileiro. Stuart.: Jaime Bruna)   CANEVA. NATALI. O Filme. Mircea. Neal. São Paulo: Ed.. Abril.  Christopher. Record. Frank. Rio de Janeiro: Zahar Editores. Cultura e Teoria da Mídia  issn 1679‐9100  ________. O Poder do Clímax: Fundamentos do Roteiro de Cinema e TV.   VOGLER. Madrid: Aguillar. Vida. 1972. Luiz Carlos. Ampersand. C. 2002. Ática.  GABLER.