TERMINAL AEROPORTUÁRIO DE PASSAGEIROS: FUNÇÕES, LAY-OUTS E GENERALIDADES Fontes: Apostilas de Cursos do IAC (vários anos); Ashford, Stanton

e Moore (1997); Wells (1996); Edwards (1998); Hart (1991). O Terminal de Passageiros (TPS, TPAX, TEPAX) é o elemento que atua como a interface entre os pólos geradores de tráfego e o aeroporto. O TEPAX possui três funções principais, a saber: TRANSFERÊNCIA MODAL O passageiro troca o veículo particular, táxi, ônibus, trem, metrô, van, barcas, etc. pelo avião. Ao fazer esta transferência, o passageiro atravessa fisicamente algumas áreas do Terminal, de acordo com uma movimentação quase que “prédeterminada”. Estas movimentações ocorrem nas chamadas Áreas de Circulação. PROCESSAMENTO No TEPAX ocorrem certas atividades que diretamente possibilitam esta transferência modal: compra/recebimento de passagem, check-in, despacho e recebimento de bagagem, vistoria alfandegária e de imigração, etc. Para que estas atividades sejam desempenhadas é necessário haver as Áreas de Processamento. MUDANÇA DO TIPO DE MOVIMENTAÇÃO Os passageiros e seus acompanhantes chegam e partem dos Aeroportos em fluxos praticamente contínuos. A fim de que estes processos de chegada-esaída sejam otimizados, o TEPAX funciona também como um “pulmão” para abrigar estes passageiros e acompanhantes “em movimento”. INSTALAÇÕES NECESSÁRIAS NO TEPAX: Devido às suas funções de TRANFERÊNCIA MODAL, PROCESSAMENTO e MUDANÇA DO TIPO DE MOVIMENTAÇÃO, é do interesse das EMPRESAS AÉREAS e da ADMINISTRAÇÃO DO AEROPORTO, que o TEPAX seja projetado objetivando o maior NÍVEL DE SERVIÇO possível para os PASSAGEIROS, SEUS ACOMPANHANTES, os VISITANTES ENVENTUAIS, sem mencionar para as próprias empresas aéreas, o operador do aeroporto e todas as demais empresas de apoio às operações aéreas e terrestres. São I N S T A L A Ç Õ E S do T E P A X: • as Instalações de Acesso para os Usuários (“lado terra” = vias de acesso, estacionamento, terminais de ônibus, táxi, metrô, monorail, VLT, “meio-fio” de embarque/desembarque, etc.); • as Áreas de Processamento de Passageiros (check-in, despacho e

lojas. terraço panorâmico. Em todos os casos. etc. • Número de Empresas operantes. sanitários. VARIAÇÕES NO PROJETO DO TEPAX O Projeto do TEPAX depende fundamentalmente da natureza do tráfego de Passageiros. salas VIP. etc. DESCENTRALIZADO ou um MIX de AMBOS. Saúde. metrô. entre outras diferenciações. bancos. telefones. • Divisão do tráfego em Doméstico e Internacional. restaurantes. escadas rolantes. • as Áreas de Operação das Empresas Aéreas e dos Serviços de Apoio (escritórios de administração/operações das empresas aéreas. o passageiro (e seus eventuais acompanhantes) passam a maior parte do seu “tempo de aeroporto” nestas Áreas de Espera. raio-X. correio. No PROCESSAMENTO CENTRALIZADO o máximo possível dos elementos da seqüência de Processamento de Passageiros estará alocada para um local determinado. atividades aduaneiras. local para carrinhos de bagagem.). etc.). aluguel de carros. De uma forma geral. e de outros órgãos públicos presentes nos Aeroportos Internacionais. etc. podendo haver diferenciação dos terminais pelas Empresas Aéreas que os operam (conceito de Unidade Terminal) e pelo tipo de tráfego (doméstico e internacional).).recebimento de bagagem. esteiras de bagagem. guarda-volumes. elevadores. balcão de informações. escritórios da Receita e Polícia Federal. controle de imigração e de alfândega. salas do pessoal da segurança. No PROCESSAMENTO DESCENTRALIZADO há um espalhamento destas atividades. VLT. há de se observar que a concepção recairá sobre um tipo de Processamento de Passageiros: CENTRALIZADO. • as Áreas de Espera (saguões. despacho e recebimento de bagagens. projetado para este acúmulo de atividades (emissão de passagens. etc). pontes de embarque. free-shop. etc.). • as Áreas de Circulação e de Acesso às Aeronaves (corredores diversos. A concepção geral é então função de alguns fatores decorrentes desta natureza: • Volume de tráfego. • Principais vias e modos de Acesso (carro. Min.). . check-in. compra de passagens.

entre outros. Paris/Orly. livrarias. Frankfurt.CONCEITOS BASEADOS NA DISTRIBUIÇÃO FÍSICA DO TERMINAL São considerados aqui os lay-outs dos terminais. desde o meio fio até o portão de embarque a ser utilizado. Rio de Janeiro/Santos Dumont. atividades de filtragem como a vistoria anti. entre outros. passam a contar com diversos módulos de embarque e desembarque distintos.). salas de pré-embarque e.seqüestro e a vistoria de passaportes (em vôos internacionais). etc. Exemplos: São Paulo/Guarulhos (foto). O lay-out de um terminal linear deve considerar a possível expansão do mesmo para outros conceitos. Fort Lauderdale (foto). nas suas raízes. Em aeroportos de grande porte são utilizados esteiras rolantes para minimizar a distância percorrida pelos passageiros. isto é. Neste conceito a interface entre o terminal e as aeronaves se dá em corredores originados em um prédio central. tendo saídas diretas para o pátio de aeronaves. lojas. Este conceito é o utilizado na maioria dos aeroportos brasileiros devido ao baixo movimento nesses aeroportos e a limitação financeira existente para sua construção. Entre os principais lay-outs. Exemplos: Dallas–Fort Worth International. destacam-se: LINEAR O terminal linear é aquele constituído de áreas comuns tanto de processamento de passageiros quanto de espera. Kansai/Osaka. Rio de Janeiro/Galeão. sendo a segunda posição a mais freqüente. O terminal linear apresenta pequenas distâncias a serem percorridas pelos passageiros. [VIDE FILME NO TERMINAL DE FRA] Foto: Aeroporto Internacional de São Paulo/Cumbica/Guarulhos (SBGR) . tendo cada um algumas características de operação. São Paulo/Congonhas. Foto: Aeroporto Internacional Tancredo Neves/Confins (SBCF) PIER O edifício terminal em pier é um conceito centralizado muito utilizado em aeroportos que precisam dispor de uma fronteira aeronave−edificação mais extensa. Nos casos de maior movimento os terminais lineares tornam-se descentralizados. BH/Confins/Tancredo Neves (foto). as aeronaves são posicionadas ao longo do eixo do píer paralelamente ou "nose-in". New York La Guardia. Nos corredores pode-se encontrar facilidades (lanchonetes.

Toronto/Mirabel. [VIDE FILME EM DULLES] COMBINADO ou HÍBRIDO O conceito híbrido é a composição de dois ou mais conceitos ponderando para isso as vantagens e as desvantagens de cada um em função das mudanças do perfil operacional do aeroporto. Chicago O’Hare Terminal United Airlines/Star Alliance. Foto: Aeroporto Internacional JK/Brasília (SBBR/BSB) "TRANSPORTER" O conceito de "transporter" baseia-se no estacionamento das aeronaves em posições distantes ao edifício terminal e o acesso dos passageiros às aeronaves dá-se por intermédio de ônibus ou salas de embarque móveis ("mobile lounges"). uma vez que os próprios "mobile lounges” (ou mesmo os ônibus) cumprem essa tarefa Exemplos: Washington/Dulles. EUA (FLL) SATÉLITE O terminal em satélite surgiu de uma evolução do conceito píer. Em alguns casos. Paris/CDG Terminal 2 (linear + transporter). as aeronaves são estacionadas ao redor de uma edificação (isolada ou não) do terminal ou edifício principal do aeroporto. c) um conector subterrâneo.Foto: Aeroporto Internacional de Fort Lauderdale. São Paulo/Guarulhos (pier + transporter). Brasília (linear + satélite + transporter). Nos satélites. Os diversos tipos de transporte dos passageiros entre o satélite e o edifício principal criam as variações deste conceito. Exemplos: Brasília. É exatamente no terminal principal que encontram-se as áreas de espera e/ou de processamento. b) um conector de superfície. Este conceito afasta os inconvenientes da operação das aeronaves próximo ao edifício principal (poluição sonora). traz a desvantagem de um transporte intermediário onerando assim a operacionalidade do processo. pode até dispensar as salas de pré-embarque na edificação principal. No caso do satélite. entre outros. d) sistemas de transporte terrestres. Exemplos: Rio de Janeiro/Galeão (linear + transporter). Floria. São Paulo/Congonhas (linear + transporter). as aeronaves transferem seus passageiros de ou para um edifício que não o principal. Paris/CDG Terminal 1. Estas ligações podem ser: a) um pier. Atlanta (pier + satélite/transporter). Genebra. entre outros. . Entretanto.

Para exemplificar que ainda não existe um consenso da literatura sobre as formas conceituais (tipologia) para os lay-outs de TEPAXs. Tabela 1 – Algumas vantagens e desvantagens dos conceitos de TEPAX Conceito Vantagens Desvantagens Linear •acesso direto do meio fio ao portões de embarque •flexibilidade para expansões •não permite a utilização comum de recursos •pode gerar altos custos operacionais se expandido para edifícios diferentes Píer •possibilidade de expansão em pequena escala •melhor controle de operações internacionais dentro do terminal •atraente custo/benefício de implantação •maiores distâncias percorridas •falta de relação direta entre o meio fio e os portões de embarque Satélite •facilidade de manobra das aeronaves em torno do satélite •possibilidade de concentração de operações internacionais •facilita operação de conexões •alto custo de implantação •falta de flexibilidade para expansões •distância percorridas elevadas "Transporter" •possibilidade de se "moldar" à demanda •reduz o movimento de aeronaves no pátio •pode reduzir a distância percorrida pelos passageiros •os "transporters" elevam o tempo dos processos de embarque e desembarque de passageiros . [OBSERVAR AS OPERAÇÕES NO GALEÃO/TOM JOBIM] Na Tabela 1. a seguir. (2) Centralizado (Pier-Finger. Pier-Satélite e Satélite-Remoto). e (3) Transporter. Linear e Curvilíneo). EUA.Foto: Aeroporto Internacional de Seattle. Wells (1996) faz referência a 3 conceitos básicos: (1) Gate-Arrival (Simples. algumas vantagens e desvantagens de cada conceito são listadas. Washington.

•pode gerar congestionamento de veículos no pátio .

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful