História do e-learning

E-learning é um termo normalmente utilizado para descrever qualquer tipo de ambiente de aprendizagem apoiado por plataformas tecnológicas, nomeadamente, o computador. O termo é tão abrangente que parte do significado se perdeu. A formação à distância evoluiu a partir do e-learning e refere-se a um ambiente de aprendizagem que decorre fora da sala de aula da formação tradicional. O e-learning começou, sensivelmente, ao mesmo tempo que a utilização do computador para fins pessoais. De facto, o conceito e a prática de formação à distância precede a era do computador em quase um século. Por exemplo, em 1840, na Inglaterra, surgiram cursos de estenografia por correspondência. Considera-se que a educação à distância moderna existe, pelo menos, desde Isaac Pitman ensinou uma técnica de estenografia na Grã-Bretanha por correspondência, em 1840 (estenografia – método de escrita abreviado e simbólico que aumenta a velocidade ou brevidade da escrita, quando comparado com os métodos normais de escrever num a língua). Pitman era um professor qualificado e leccionou na escola privada que ele próprio fundou em Wotton-Under-Edge. Ele decidiu começar um curso à distância e enviava as actividades aos estudantes por correio que, por seu turno, as efectuavam e enviam novamente por correio (http://www.leerbeleving.nl/wbts/1/history_of_elearning.html) . A melhoria de qualidade dos serviços postais fez com que este método de aprendizagem se tivesse tornado muito popular no início do século passado, o que deu origem ao aparecimento de vários tipos de programas educativos realizados por correspondência. Além do correio, a televisão, os vídeos e até os rádios, contribuíram para o desenvolvimento da formação a distância. Quem não se lembra da tele-escola ou das emissões da Universidade Aberta transmitidas pela RTP. O computador apenas veio simplificar e facilitar a formação à distância... O ponto de partida para o e-learning, terão sido as inovações tecnológicas da televisão, surge a terceira geração do Ensino à Distância: o uso da imagem como plataforma para difusão da informação. A televisão e o videocassete trouxeram uma nova dimensão para o trabalho com a educação a distância tanto em cursos livres como em cursos regulares, ou mesmo em programações com um relevo no campo educacional sem estar, porém, directamente ligado a um planeamento estruturado de curso. Além disso, surgem estúdios de TV ligados a diferentes tipos de instituições educacionais, envolvidos com trabalhos por tele conferências e utilizando televisão a cabo.

Também começam a ter visibilidade empresas voltadas para um trabalho directo de produção de fitas de vídeo para utilização didáctica em salas de aulas regulares. Com toda essa evolução tecnológica, populações, geográfica e fisicamente separadas, passaram a ter condições de acesso a cursos e a diferente tipo de instrução, antes impossíveis. Múltiplas tecnologias ajudaram a percorrer o caminho entre os primeiros cursos por correspondência e a possibilidade de interação conseguida com os cursos via televisão e, mais intensivamente, com os cursos mediados pelos computador: a quarta geração do Ensino a Distância (EAD). Num primeiro momento, o computador permitiu que textos fossem trocados via correio electrónico, numa comunicação assíncrona, e, também, tornando possível a Comunicação Síncrona de várias pessoas, por meio dos chats. Com o aparecimentos da [World Wide Web] - WWW - também conhecida como Teia Mundial ou simplesmente Web - o EAD passa a ter, com sua utilização, uma ampliação de sua capacidade de encaminhamento e apresentação de materiais e de opções de pesquisa, com o uso dos diferentes meios passíveis de serem usadas na Web. Tudo isso leva a uma enorme ampliação da interactividade entre os participantes do processo educativo. Esta interactividade passa a ser possível tanto entre professor-aluno, aluno-aluno, como entre professores-alunos e alunos-alunos. Num mesmo meio é possível a comunicação de um-para-um, um-para-muitos e muitos-para-muitos. São estas interacções entre os alunos e professor/aluno que preparam o terreno para bons resultados na aprendizagem. O conhecimento é transmitido e trabalhado colaborativamente e criados significados mais amplos e mais profundos. Com a evolução da tecnologia, a grande comunidade de informação se amplia cada vez mais. Actualmente acontece de maneira mais ampla, através das intranets corporativas e da Internet, fundamentalmente pela utilização das ferramentas colaborativas da web 2.0- a web que liga pessoas em vez de computadores. A primeira geração da internet, a que alguns chamam Web 1.0, tem como principal característica a enorme quantidade de informação disponível, a que todos poderíamos aceder. O papel do utilizador neste cenário era o de mero espectador da acção que se passava na página que visitava, não tendo permissão para alterar ou editar os seus conteúdos. A evolução para a geração denominada Web 2.0 surge com uma nova e ampla gama de ferramentas online para os mais diversos propósitos (blogs, wikis, podcasts, editores de páginas online, ferramentas colaborativas,…).A utilização destes recursos é gratuita e intuitiva, não exigindo profundos conhecimentos de programação ou de ambientes sofisticados informáticos, para aceder à acção e sobretudo para participar nela.

De acordo com esta nova filosofia o utilizador torna-se produtor de informação, distribuindo e partilhando através da Internet os seus conhecimentos de forma rápida e fácil. Como consequência, aparece o e-learning, usufruindo de desta evolução até aos dias de hoje. O e-learning assenta nos conceitos da:
• • • • •

Conversação, Interacção, Partilha, Criação e, Participação

A relação homem/tecnologia está estabelecida e entra dentro do processo educativo. Para o professor, esta questão torna-se também premente e angustiante, uma vez que ele tem que reaprender a desenvolver sua acção pedagógica em um outro contexto e a partir de um outro paradigma mas, sabendo que "o humano e o tecnológico não podem e não devem ser vistos como forças antagónicas nesse processo, pois, do contrário, nunca teríamos a possibilidade de vermos o triunfo da ciência e, nem tão pouco, a felicidade das pessoas". Actualmente, o EAD traduz uma mudança do foco de ensinar para o aprender e acentua o potencial da tecnologia como mediadora do processo de acesso, sem distância, ao ensino e à formação. Quanto á situação em Portugal, apresenta-se aqui uma breve resenha da história e evolução do e-learning no nosso país.

O que impulsionou o e-learning O que impulsionou o e-learning foi um conjunto de vários aspectos, estes são desde tecnológicos, económicos, sociais e demográficos. A revolução tecnológica dos computadores e da Internet Os computadores passaram a estar presentes nas nossas vidas, eles estão presentes em casa, no trabalho, nas instituições de ensino e/ou formação e nas empresas. A grande explosão da Internet alterou por completo o estilo de vida da maioria dos indivíduos. Foram modificados hábitos, modos de trabalhar, de realizar negócios e até mesmo a ocupação dos tempos livres. Um número significativo de pessoas ocupa o seu tempo a navegar na Internet, ou mesmo em conferências em tempo real com os seus amigos virtuais.

Pode-se assim afirmar que a sociedade evolui baseando-se no domínio da informação e do conhecimento e que é suportada pelas redes digitais (Missão para a Sociedade da Informação). Globalização da economia A globalização da economia e a feroz concorrência são hoje uma realidade e pode dizer-se que resultaram da revolução tecnológica dos computadores e da Internet. As empresas e organizações tendo como meta a resposta aos desafios que lhes são colocados, procuram cada vez mais recursos humanos com boas habilitações e qualificações profissionais. Assim, procuram indivíduos criativos, empreendedores e polivalentes. Para além disto, pretendem que esses recursos humanos actualizem as suas aprendizagens através de formações contínuas tornando-os deste modo aptos no acompanhamento dos ditos desafios já referidos. Formação Profissional Neste mundo onde reina a globalização e a evolução tecnológica é fundamental a existência de técnicos e operadores capazes de criar e dar manutenção a todos os equipamentos existentes. Neste sentido, as próprias empresas fabricantes têm interesse em proporcionar formação aos seus funcionários através de cursos de certificação. Mudança de paradigma na aprendizagem A crescente evolução tecnológica mudou a forma como a aprendizagem é encarada hoje em dia. Antigamente a aprendizagem ficava pelas idades mais novas, mas tal já não se verifica. Nos nossos dias é fundamental a aprendizagem ao longo da vida, assegurando desta forma a actualização quer científica, quer tecnológica. Neste sentido, o e-learning surge como um novo paradigma do ensino/aprendizagem. Andragogia uma maneira diferente de olhar a formação Na língua portuguesa, o conceito de Andragogia, é tão recente que não possui, ainda, um lugar nos nossos dicionários e enciclopédias. De acordo com Ortiz Jiménez (2002), este neologismo foi proposto “pela UNESCO, em substituição da palavra Pedagogia, para designar a ciência da formação dos Homens, de modo a que não se reporte a formação e educação das crianças, mas sim á educação permanente”. Mudanças sociais e demográficas no ensino Actualmente, verifica-se um aumento do número de alunos com mais de 25 anos a frequentarem instituições de ensino superior. Este novo grupo de trabalhadores-estudantes procura horários mais flexíveis e em regime póslaboral de modo a poderem conciliar com as suas vidas profissionais.

É também importante referir o aparecimento de um novo grupo de alunos, os seniores. Muitos indivíduos depois de reformados procuram ocupar o seu tempo com actividades de formação científica ou humanística, promovendo assim a criação de universidades seniores.

Contacto humano
Muitas criticas têm sido feitas ao e-learning quanto à ausência do contacto humano directo e as deficiências geradas por tal facto. Defensores do elearning argumentam, entanto, que a aprendizagem baseada em tecnologia compensa a falta do contacto humano directo com a criação de comunidades virtuais que interagem através de chats, fóruns, emails, etc, enriquecendo o processo relacional de pessoas com o mesmo interesse, mas com diferentes visões e localizadas em distintas regiões ou países. B-learning Uma das evoluções que ultimamente se registaram na área do e-learning foi o reconhecimento que para leccionar algumas matérias e conteúdos de cariz essencialmente prático são ainda necessárias sessões presenciais, então a esse tipo de ensino misto de presencial e a distância chama-se b-learning. Esta prática de ensino é a perfeita combinação e integração das diferentes tecnologías e metodologias de aprendizagem e vai ao encontro das necessidades especificas das organizações melhorando a eficácia e a eficiência dos processos educativos. Esta metodologia promove também a redução de custos e a maximização da qualidade da formação.(http://www.novabase.pt/ConteudosHTML/MFblendedlearning.pdf) para outras leituras referentes ao tema incluo um blogue interessante com links a diferentes artigos que abordam esta temática do b -learning. http://blogs.ua.pt/bloguoel/?p=11 As "armadilhas" (mitos, crenças) do e-learning Na década de 90 generalizou-se a ideia de que a aprendizagem com recursos a novas tecnologias poupava tempo e dinheiro, aumentava a eficácia e proporcionava também mais satisfação comparativamente à aprendizagem convencional (Reinman, 2006). Estas expectativas vieram a revelar-se exageradas, sendo necessário proceder à sua desconstrução: 1) mito da rapidez - a aprendizagem não se deixa acelerar segundo os nossos desejos. É um processo que requer tempo, independentemente de incluir ou não novos meios de comunicação (Cf. Siebert, 2001 cit in Reinman, 2006). 2) mito da redução dos custos - afectou de forma particularmente dura a economia, pois a expectativa de que a aprendizagem com novos meios de comunicação poupava tempo e dinheiro na formação contínua foi, em larga medida, defraudada. Muitas empresas reduziram os seus planos de e-learning, inicialmente concebidos num ambiente de euforia, limitando o uso do ensino electrónico a acções de formação em massa destinadas a ministrar conhecimentos e competências simples (Reinman, 2006).

3) O mito da eficácia inerente à aprendizagem com novos meios de comunicação. Ainda hoje continuam a ser promovidos financeiramente projectos de meios de comunicação, segundo critérios nem sempre transparentes, sem que se saiba, na maior parte das vezes, onde, quando e como os novos meios de comunicação podem melhorar verdadeiramente e de forma sustentada a aprendizagem (Multimedia Kontor Hamburg Serviço Multimédia de Hamburgo? e MMB Institut für Medien- und Kompetenzforschung [Instituto MMB para a Investigação dos Meios de Comunicação e das Competências, 2004 cit in Reinman, 2006). 4) O mito da maior satisfação - com a vitória da informática tivemos muito tempo a esperança de nos termos finalmente livrado do esforço de aprender. Mas o pressuposto de que a aprendizagem pode ser sempre um prazer também é uma falácia: aprender implica sob muitos pontos de vista trabalho, trabalho ligado à concentração e ao esforço. Não se nega que o esforço pode proporcionar também seguramente satisfação e que a aprendizagem virtual necessita urgentemente de estabelecer ligação com as emoções do formando. O que é um facto é que a aprendizagem em ambientes virtuais não é equivalente a uma ida ao cinema ou a um parque de diversões (Reinman, 2006).

AS REDES …. QUE MUDANÇAS NO ENSINO TRADICIONAL?

Como influenciam as redes o processo educativo?
“Nunca en la historia de la educación esta se há visto tan presionada com la incorporación de diferentes tecnologias de la información e comunicación, tanto en la vertiente formal, como en la informal o no formal.” Júlio Cabero

Com o desenvolvimento da sociedade de informaçãoalgumas transformações têm vindo a ocorrer na esfera do ensino tradicional caracterizado por metodologias pouco flexíveis e uniformizadas ao nível das variáveis de espaço, de tempo e de acção: ” Todos el mismo lugar, al mismo tiempo, realizando las mismas actividades de aprendizaje.” Salinas. De facto, e considerando o ensino convencional como uma estrutura e organização rígida e predeterminada: com um rácio de professor aluno de um para trinta; timings de aprendizagens disciplinares definidos em horários pré elaborados e inflexíveis; salas de aula ocupadas por tempos definidos e objectivos programáticos a atingir (não do aluno) …não(?) parece que as TIC provoquem mudanças importantes na forma de ensinar. Porém, com a implementação e o acesso às redes podem constituir excelentes recursos para os alunos e professores para que a dimensão educacional possa assumir uma perspectiva mais global, interactiva, transdisciplinar e colaborativa e que a aprendizagem surja segundo um modelo mais centrado no aluno. Também ao nível das técnicas e estratégias didáticas se podem concretizar algumas, tais como: Las tecnicas uno solo, uno a uno y muchos a muchos tão relevantes na história do e-learning. Neste contexto, não nos podemos esquecer que as TIC não são por si só, responsáveis pelas vastas possibilidades de mudança e de enriquecimento curricular. De facto, torna-se imprescindível criar nas famílias, na escola e na

sociedade uma cultura de tecnologia que permita conhecer as vantagens e riscos deste novo recurso. Ou seja, é necessário desenvolver “acções educativas relacionadas com o uso, selecção, utilização e organização da informação” de forma a desenvolver no aluno atitudes positivas na sua nova relação com o conhecimento. Na verdade, a nossa sociedade encontra-se sujeita a grandes mudanças culturais, económicas e tecnológicas exigindo que o sistema educativo defina novos objectivos e responda às necessidades das pessoas de hoje. E hoje não chega só educar para o emprego. Hoje exige-se uma nova visão educativa que preveja, também, a educação para a vida, a educação para o mundo, a educação para o desenvolvimento pessoal e educação para o ocio / tempos livres. De facto, tem-se verificado que os eixos políticos do sistema educativo têm sido determinados pela educação formal. Porém, nesta nova era, a educação informal (tempos livres) rompe com as barreiras espaço-temporais e manifesta-se no processo de ensino-aprendizagem invadindo os novos horizontes do espaço digital que possibilita o acesso a parques temáticos, museus virtuais, cine-digital e vídeo-jogos, impelindo para a construção de novos cenários educativos…. Também, nos contextos de educação formal, as redes podem ser usadas como recursos em diferentes situações de ensino, nomeadamente: no ensino e aprendizagem em grande grupo; trabalho tutorial em pequeno grupo; trabalho não supervisado em pequenos grupos autoestudo individual no campus, autoestudo individual à distância. Todos sabemos que as TIC têm vindo a influenciar todos os níveis de educação, contudo denota-se um maior impacto destes meios no ensino superior. Aqui, com o uso das salas virtuais, perspectiva-se um ensino misto que combine o ensino presencial com um ensino flexível e à distância. Neste âmbito a formação contínua tornou-se num grande desafio para este novo espaço educativo em rede de forma a responder às necessidades educativas provocadas pela evolução social e tecnológica. Também a formação ao longo da vida gerou a necessidade de se criar espaços alternativos de aprendizagem e, neste tipo de formação os ambientes tecnológicos promovem a individualização e autogestão da aprendizagem permitindo que o indivíduo só aprenda quando necessitar. Obviamente que, muitos países ainda se encontram numa fase de implementação, pelo que, “ainda não é notada real influência que a tecnologia pode ter na prática educativa.” Porém, o conceito de rede como “um importante banco de informação de experiências e recursos pode provocar mudanças importantes na forma de ensinar, tanto nos professores como nos alunos” (Salinas). E, neste contexto é importante que as escolas aprendam a mudar para diferentes formas de aprender de modo a que o potencial das TIC traga vantagens para cada aluno.

A Brecha Digital
As TIC ampliam ou diminuem a brecha digital? Favorecem-na ou prejudicam-na? Assistiu-se, nas últimas décadas a um desenvolvimento acelerado das TIC provocado pela conjunção de diversos factores, nomeadamente à evolução dos sistemas, aos avanços na electrónica e à convergência tecnológica das indústrias de telecomunicações, informática e audiovisual (industrias que anteriormente se encontravam separadas). Esta nova visão tecnológica e transdiciplinar impôs-se no mercado com a produção de novos sistemas, novos serviços, novas redes, novas comunicações, contribuindo para o desenvolvimento da divisão entre nações, comunidades e países, ou seja, para o (re) surgimento da brecha digital. Esta visão mercantilista das Tecnologias de Informação e Comunicação faz com que o próprio “poder seja digitalizado e informatizado” e provoque um abismo económico entre os países “excessivamente” ricos e os países “excessivamente” pobres. Na verdade, os países que exploram estas potenciais indústrias pouco, ou nada têm feito, em prol dos países com fracos recursos, dando razão a Marchesi quando afirma que “ a Internet se converteu numa poderosa causa de desigualdade”. Acentuam-se, então as roturas e divergências entre grupos de pessoas socialmente e economicamente distintas: o grupo dos que não têm e “não são” e o grupo dos que possuem e “ existem”. A verdade é que os que estavam na margem aí permanecem (agora, também, infoexcluídos) e a “brecha digital” parece acentuar-se!.... Este conceito de brecha digital tem vindo a enriquecer-se ao longo dos tempos. E, actualmente este fenómeno pode estar associado a diferentes situações e a diferentes contextos: · À possibilidade ou não possibilidade de acesso; · Ao uso dos recursos integrados nas TIC, refere-se ás que acedem aos serviços , mas não sabem como usá-los; · À qualidade dos serviços; · À capacitação dos usuários – Verifica-se o aparecimento do conceito de alfabetização digital associado ao conceito de brecha digital. Analisando, o que foi dito poderemos afirmar que de facto as TIC tiveram um papel preponderante no desenvolvimento da brecha digital. Contudo, alguns indícios parecem revelar que a brecha digital parece estar a reduzir. Esta débil redução reflecte-se no aumento do uso de alguns serviços TIC, nomeadamente o telefone, telemóvel, Internet, e de computadores portáteis… Estou confiante que com a implementação global da rede telemática, e com a implementação sistemática de novos serviços e novos acordos, as TIC venham a ter um papel fundamental na redução desta divisão entre os povos.

TIC
Algumas ideias sobre as TIC O Desenvolvimento das TIC veio revolucionar o comportamento humano na sua dimensão individual, social, educativa, política e económica. A forma como hoje se interage com as necessidades de saber, conhecer e partilhar ou com as possibilidades de criar círculos de amigos, de interesses ou de culturas, tornou-se diferente da de ontem. Parece que tudo o que é mensurável, existente ou quiçá irreal, se encontra retido na simples acção de pressionar um botão, teclar uma tecla ou “gerir” um cursor. A informação está logo ali, e saber geri-la é aprender a conhecer. Saber seleccioná-la é delinear o caminho para onde e por onde se quer ir. Os factores tempo, espaços e amplitude de conteúdos inerentes a estas novas tecnologias vieram provocar mudanças nas formas de aquisição de culturas provocando alterações sobre os papéis do indivíduo na sociedade. E, com as TIC, mudam, igualmente, as formas de comunicar, provocando novos comportamentos sociais e alteração nos perfis de personalidade. Consequentemente terá de mudar a nossa visão dos crianças de hoje, pois, perante tais alterações, não podemos esquecer que, actualmente, tal como diz Mead, “estamos criando crianças desconhecidas para um mundo desconhecido” Em suma, a presença das TIC impôs-se no desenrolar dos acontecimentos mais simples ou das situações mais complexas e deu um novo rumo ás noções de distância, de espaço e de tempo. A informação ficou mais próxima, mais fácil, rápida e veloz…mais presente ou “omnipresente em quase todos os aspectos da nossa vida”. De tal forma presente que pode conduzir a uma “saturação informativa devido á publicação digital e à possibilidade de acesso da informação na Internet”. No entanto, não podemos esquecer que “ as mudanças geram dificuldades e incertezas, mas também criam novos espaços e oportunidade.” Associada ao desenvolvimento das TIC aparece um novo conceito relacionado com a info-exclsão: A Brecha Digital.

novos cenários educativos
Que novos cenários de aprendizagem surgem com as redes? Com a aplicação das novas tecnologias no meio educativo como forma de resposta ás novas necessidades sociais, culturais, politicas e económicas, surgem novos ambientes de aprendizagem que, embora não venham “ a substituir as aulas tradicionais complementam e diversificam a oferta educativa”, simultaneamente, abrem--se novas perspectivas para o conceito de espaço e de tempo. Contudo, para que ocorra uma mudança significativa é necessário que todos os elementos da comunidade educativa participem dessa mesma mudança e se tornem elementos activos da construção de novos cenários. E em que consistem estes cenários? Ora em educação um cenário é, quase sempre, o relato do que se passa num dia ou numa determinada situação relativa ao estudante ou ao professor. Em suma,“ um escenário viene a ser la descrición, en detalle, de que lo estamos concibiendo o imaginando y de lo que significaria,llevado á realidad para um grupo particular”. E, participar nesta descrição e construção de cenários ajuda a compreender todo o processo de mudança ao nível das coordenadas espacio-temporais, objectivos, conteúdos, metodologias, estratégias, recursos… Assim, e no acto de pensar e criar cada cenário é fundamental ter presente a disponibilidade tecnológica e as características das componentes do processo educativo, principalmente as características dos usuários. Na verdade, cada um deles revela personalidades e identidades próprias. Cada um com interesses, necessidades e níveis de independência diferente da do outro. De facto, o impacto que as TIC exerceram no ensino convencional além de tornar a aprendizagem mais flexível, interactiva e dinâmica contribuíram grandemente para o aparecimento de novos cenários. E, desta forma podemos contemplar: a aprendizagem em casa; a aprendizagem no posto de trabalho e a aprendizagem num centro de recursos de aprendizagem ou centro de recursos multimédia. E em que diferem cada um destes cenários? Na aprendizagem em casa : a disponibilidade tecnológica e os recursos são limitados; a aprendizagem é feita, normalmente, através dos canais clássicos; a rede é utilizada como feedback da comunicação com o professor, outros alunos e com os centros de aprendizagem. Prevê-se um grande crescimento deste tipo de aprendizagem devido à grande capacidade de comunicação e da (futura) existência dos materiais de aprendizagem na rede. Desta forma questiono-me se, de facto a aprendizagem em casa, futuramente, não será o modelo mais expandido, pois, parece-me que a disponibilidade tecnológica, a acessibilidade espacial, disponibilidade temporal e o assesssoramento e apoio irão permitir uma boa e eficaz qualidade de ensino. Na aprendizagem no trabalho as características referenciadas estão dependentes do perfil e desenvolvimento de cada empresa. Neste modelo a aprendizagem apoia-se em programas de formação externos. Como tal, que as possibilidades de disponibilidade tecnológica, de acessibilidade espacial, de disponibilidade temporal e de assesssoramento e apoio se manifestam de fraca qualidade. Na aprendizagem nos centros de recursos: o centro de recursos pode ser considerado como um local que o aluno pode frequentar. Se considerarmos a possibilidade de estes centros se assumirem como um conjunto de

serviços transdisciplinares , onde prevaleçam “distintos âmbitos educativos, teletrabajo, serviços institucionais, criação de mediateca”,…e ao mesmo tempo cumpra a função de ligação com o exterior, então o Centro de Recursos de aprendizagem “ tendria que poner los recurso de la própria instituición no solo a disposición de los sus propios usuários, mas sino de todos los possibiles usuários que accedan por la red”.E desta forma as variáveis de disponibilidade tecnológica, de acessibilidade espacial, de disponibilidade temporal e de assesssoramento e apoio inerentes a este tipo de aprendizagem serão elementos facilitadores da mesma.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful