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O Movimento Institucionalista, a autoanálise e a auto-gestão

Gregório Baremblitt – Compêndio de Análise Institucional

• Movimento Institucionalista ou Instituinte: • Um conjunto de escolas, um leque de tendências.

• Não há uma escola única, mas uma multiplicidade de abordagens.

• Mas, encontramos características em comum: os ideais máximos do movimento.

• Esperam propiciar, apoiar, deflagar nas comunidades, nos coletivos processos de auto-análise e autogestão.

a complexidade da vida social atingiu sua máxima intensidade. .• Na civilização industrial.

o grau de complexidade. de diversidade que as nossas atingem é superior àquelas. com a nossa. .• Se compararmos: uma civilização primitiva. uma organização medieval.

• Nossa civilização: grande diversidade e complicação interna. .

.• Nossa civilização: produziu uma soma de saber muito grande.

houve um processo de produção de conhecimento. de saber muito intenso.• Assim. .

da sociedade como objeto de estudo.• Saberes produzidos: tecnologias. ciências naturais. mas também um saber acerca de seu próprio funcionamento. .

intelectuais.• Isso tem gerado profissionais. . experts.

• Esses conhecedores tem se colocado a serviço das classes dominantes. .

. em consequência. se vêem despossuídos de um saber acumulado por anos.• Os povos.

.• Esse saber. em detrimento do saber tecnológico e científico. fica relegado em segundo plano. que as comunidades acumularam.

elas tem perdido o controle sobre suas vidas. .• Além do saber.

.• Ficam dependentes do saber e dos serviços dos experts.

• Os experts conhecem e decidem segundo interesses das classes dominantes. . pois eles tb pertencem a tais classes.

• Os seus saberes já estão produzidos dentro de tais classes e valores. .

• DEMANDA: • Há necessidades básicas indiscutíveis e universais? .

• Para o Institucionalismo: • Não há necessidade básica natural. não existem demandas espontâneas. .

moduladas. as demandas. é gerado em cada sociedade. • O mínimo. . que se pensa como básico.• As necessidades são produzidas.

• As comunidades acham que necessitam daquilo que os experts dizem que eles necessitam. .

• Os coletivos têm perdido. têm alienado o saber acerca de sua própria vida e suas reais necessidades. . demandas e limitações. desejos.

• Eles têm perdido um grau de compreensão sobre que recursos e formas de organização devem dispor para resolver seus problemas. .

se não conseguem saber. . quais são seus problemas e como resolvê-los.• Mal podem organizar-se para resolver seus problemas. a princípio.

• 2 Objetivos básicos do Institucionalismo: • Auto-análise e autogestão. .

como protagonistas dos seus problemas. necessidades e demandas. adquirir um vocabulário próprio para saber acerca da própria vida.• Auto-análise: As comunidades. possam enunciar. compreender. .

ou do que precisam. . ou de cima. para dizer-lhes quem são.• Não vem alguém de fora. ou o que devem pedir.

os recursos para o melhoramento da vida. .• Auto-organização: A comunidade se articula. ela mesma. se organiza para construir dispositivos para produzir.

mas no seio heterogêneo do coletivo interessado. .• A autogestão tb não é feita de fora.

relacionam-se.• Auto-análise e autogestão: Caminham juntas. . articulam-se.

.• Mas não significa dizer que os coletivos não precisam dos experts.

• Os experts tem um saber importante. . seu modo de trabalhar com os coletivos. eles devem repensar sua função. seu papel.

.• Eles precisam entrar em contato direto com os coletivos que estão se auto-analisando e autogestionando.

• Eles têm de reformular sua condição profissional. . seu saber específico.

num trabalho feito em conjunto com as comunidades e numa relação de horizontalidade. .• Só conseguirão essa reformulação.

• Seus saberes e capacidades estarão integrados ao movimento de auto-análise e autogestão dos coletivos. .

..• Auto-análise e autogestão: Processos simultâneos e articulados. .

. não pode haver uma organização sem um saber.• Assim. não pode haver um saber sem uma organização.

ou autoritarismos. o que não implica em abuso de poder. .• Vai haver hierarquia.

• Só que as decisões podem ser tomadas coletivamente. .

• Na auto-gestão. . os coletivos deliberam e decidem.

• Onde se produz saber. produz-se poder. . o saber produzido é distribuído e exercido na vida coletiva. Nos processos autoanalíticos.

• Quando esse saber é delegado a alguns. . já se trata de uma delegação. não é um saber produzido fora dos interesses do coletivo.

• Uma delegação. os saberes foram produzidos dentro do coletivo .

.• Nesse caso. delega-se ao expert um saber que é a expressão dos interesses do coletivo.

.• Expert – exercitando o poder com sentido instituinte e a serviço do coletivo.

revalorizar o saber espontâneo que ele tem acerca do que precisa. .• O coletivo pode revitalizar seu saber.

em conjunto com os experts. . criticar os saberes e construir novos saberes.• Comunidades: recuperar os saberes espontâneos.

• Expert integrado à comunidade. .

..• Utopia Ativa – colocada em cada ato do cotidiano. .

.• Gênese histórico-social e gênese conceitual.

.• Processos auto-analíticos e autogestivos: condições desfavoráveis.

. ..Mas são possíveis.