ORIENTAÇÃO E CRITÉRIOS

CIENTÍFICOS DOS AÇORES
para identificação de áreas marinhas ecológica ou
biologicamente significativas e concepção de redes
representativas de áreas marinhas protegidas em oceano
aberto e mar profundo
Conhecemos menos sobre os habitats de águas
profundas do que sobre a superfície da lua
A maioria dos estudos científicos debruçou-se sobre as
acessíveis águas costeiras e superfície do oceano. Apenas
uma pequena proporção do fundo marinho tem sido alvo
de investigação biológica.
Descobrindo a beleza natural e o valor ecológico
dos habitats de águas profundas
Com os avanços tecnológicos das últimas décadas,
passámos a conhecer melhor os habitats de águas profundas,
e começámos a compreender o valor e a importância deste
vasto e remoto habitat para a vida na Terra.
Os habitats do fundo marinho, durante muito tempo
considerados desertos biológicos, acolhem uma grande
abundância de espécies. As estimativas actuais para a
diversidade de espécies de águas profundas variam entre
500 mil e 10 milhões de espécies. Resultados científicos
recentes sublinham que uma maior biodiversidade pode
melhorar o funcionamento e eficiência dos ecossistemas de
profundidade. Sem a existência de vida no fundo do mar a
vida na Terra estaria comprometida. A vida no mar profundo
tem um papel fundamental nos ciclos biogeoquímicos
globais, incluindo a renovação de nutrientes e do próprio
oxigénio. Como tal, a sustentabilidade da nossa biosfera
depende significativamente dos bens e serviços fornecidos
pelos ecossistemas do mar profundo.
AS FONTES HIDROTERMAIS foram o primeiro ecossistema a
ser encontrado na Terra praticamente independente do
sol como primeira fonte de energia, sustentando-se, em
vez disso, da quimiossíntese. Os organismos das fontes
hidrotermais de profundidade toleram temperaturas
extremas da água e sobrevivem a concentrações tóxicas
de metais pesados. São, por isso, de particular interesse
devido à sua capacidade de adaptação a altas pressões,
temperaturas elevadas, e a um ambiente de elevada acidez
e toxicidade. Apesar destas condições extremas, a biomassa
dos organismos em redor das fontes é muito elevada e
constituída por espécies endémicas.
OS MONTES SUBMARINOS e a coluna de água adjacente servem
de importantes habitats, áreas de alimentação e locais
de reprodução para muitas espécies de peixes, tubarões,
tartarugas marinhas, mamíferos marinhos, aves marinhas e
organismos bênticos de oceano aberto e profundo. Assim,
os montes submarinos formam hotspots com uma fauna
distinta, abundante e diversa e, por vezes, revelando muitas
espécies novas para a ciência.
OS RECIFES DE CORAIS DE ÁGUA FRIA podem ter de centenas a
milhares de anos de existência. Devido à idade e taxas de
crescimento reduzidas, os recifes contêm registos de grande
precisão de alterações climáticas a longo prazo e podem
também servir como centros importantes de especiação em
águas profundas. Pesquisas recentes em paleoclimatologia
descobriram o enorme potencial de registos do clima nos
corais de água fria, dado que estes podem ser encontrados
em todos os oceanos e em todas as batimetrias, desde o
nível do mar até pelo menos 4 km abaixo da superfície.
Os oceanos cobrem 70% da superfície do nosso planeta e representam mais
de 95% da biosfera viva.
Eles contêm uma vasta diversidade de tipos de habitats e paisagens marinhas
impressionantes, albergando 32 dos 34 phyla do reino animal do planeta, dos
quais cerca de 13 são exclusivamente ou maioritariamente marinhos.
“Quão inapropriado chamar Terra a este planeta, quando é evidente que deveria chamar-se Oceano”
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Ameaças crescentes resultantes de actividades humanas
O oceano aberto e o mar profundo estão sob ameaça crescente
devido a várias actividades humanas. As ameaças mais críticas
vêm da sobrepesca, de práticas de pesca destrutivas e de outras
actividades piscatórias ilegais, não registadas e não regulamentadas.
Outros problemas recentes incluem detritos marinhos, poluição pelos
navios, transferência de espécies exóticas invasoras, descarga ilegal de
resíduos e a herança histórica da descarga de lixo no mar, extracção
de minerais no mar profundo e poluição sonora. A descoberta do
enorme valor potencial de recursos genéticos associados aos habitats
de profundidade, para vários sectores, particularmente os sectores
da saúde e alimentação, veio realçar o valor da biodiversidade
do mar profundo mas também o colocou sob um risco adicional
devido a pesquisas e bioprospecção fracamente controladas e com
impactos adversos. Outras preocupações emergentes que exigem uma
gestão adequada são a fertilização do oceano e outras actividades
propostas para armazenamento ou captura de dióxido de carbono
no leito oceânico. A conjugação dos impactos destas ameaças bem
como os impactos climáticos potenciais e a acidificação do oceano
colocaram milhares de espécies em risco de extinção, e debilitaram a
estrutura, função, produtividade e a capacidade de recuperação dos
ecossistemas marinhos.
Oceanos do mundo, seriamente subprotegidos
Actualmente, os oceanos do mundo estão seriamente subprotegidos,
com apenas cerca de 0,8% dos oceanos e 6% dos mares territoriais
classificados como áreas protegidas. Em resposta a estas preocupações
crescentes relativas à saúde dos ecossistemas de oceano aberto e
mar profundo, em 2002, a Cimeira Mundial sobre Desenvolvimento
Sustentável, no seu Plano de Implementação, pediu que os países
desenvolvessem e facilitassem o uso de abordagens e ferramentas
diversas, incluindo a abordagem ecossistémica, a eliminação de práticas
de pesca destrutivas e o estabelecimento de áreas marinhas protegidas,
em consonância com as leis internacionais e com base em informação
científica, incluindo redes representativas, por volta de 2012.
“Quão inapropriado chamar Terra a este planeta, quando é evidente que deveria chamar-se Oceano”
—Sir Arthur C. Clarke
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Objectivo comum e partilhado
Manter, proteger e preservar a biodiversidade marinha global
através da conservação e protecção dos seus componentes numa rede
biogeograficamente representativa de sítios ecologicamente coerentes.
Mensagem do Secretário Executivo da Convenção sobre a Diversidade Biológica, Dr. Ahmed Djoghlaf,
no seu discurso no Dia Mundial dos Oceanos de 2008
“Convidam-se todos os membros da família da biodiversidade oceânica a renovar o seu empenhamento com o Mandato de Jacarta e
partilhar o seu saber, conhecimento, experiências e recursos tendo em vista a implementação dos compromissos feitos na nona reunião
da Conferência das Partes à Convenção. Trabalhando em conjunto para Um Oceano, podemos salvaguardar a sustentabilidade do
Nosso Futuro neste Planeta Azul. O NOSSO FUTURO RESIDE NO NOSSO OCEANO!”
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Passo histórico dado pela COP 9
A Conferência das Partes à Convenção sobre a Diversidade
Biológica (COP), no seu nono encontro, adoptou os critérios
científicos (Quadro 1) para identificação de áreas marinhas
ecológica ou biologicamente significativas com necessidade
de protecção e a orientação científica (Quadro 2) para a
concepção de redes representativas das áreas marinhas
protegidas. A orientação e os critérios científicos foram
consolidados no Workshop Técnico sobre Critérios
Ecológicos e Sistemas de Classificação Biogeográfica para
Áreas Marinhas com Necessidade de Protecção realizado
nos Açores, Portugal, de 2 a 4 de Outubro de 2007.
Identificação de áreas marinhas ecológica ou
biologicamente significativas e/ou vulneráveis
com necessidade de protecção
A COP 9 instou as Partes e convidou outros Governos e
organizações relevantes a aplicarem, como apropriado,
os critérios científicos (Quadro 1) e a orientação científica
(Quadro 2) de modo a identificar áreas marinhas ecológica
ou biologicamente significativas e/ou vulneráveis com
necessidade de protecção.
A aplicação da orientação e dos critérios científicos baseados
na melhor informação cientifica disponível e aplicando a
abordagem precaucional e a abordagem ecossistémica, pode
habilitar as Partes, outros Governos e organizações relevantes
a ajudarem a travar a rápida perda de biodiversidade marinha
nos habitats de oceano aberto e mar profundo.
Próximos passos
O Secretariado da Convenção sobre a Diversidade
Biológica está a organizar um workshop de especialistas
sobre orientação técnica e científica no uso de sistemas de
classificação biogeográfica e identificação de áreas marinhas
com necessidade de protecção para além da jurisdição
nacional, em Otava, no Canadá, de 26 de Setembro a 2 de
Outubro de 2009. Este workshop foi solicitado pela COP 9
(Decisão IX/20, parágrafo 19) para ajudar as Partes nos seus
esforços de aplicação dos critérios científicos (Quadro 1).
Este workshop de especialistas vai analisar e sintetizar o
progresso na identificação de áreas para além da jurisdição
nacional, que estejam em conformidade com os critérios
científicos, e a experiência na utilização de sistemas de
classificação biogeográfica. Vai ainda fornecer orientação
científica e técnica sobre a identificação de áreas para
além da jurisdição nacional que estejam em conformidade
com os critérios científicos da CDB e orientação sobre
o uso e o desenvolvimento futuro dos sistemas de
classificação biogeográfica. Os resultados deste workshop
serão apresentados à 14ª reunião do Órgão Subsidiário
de Aconselhamento Científico, Técnico e Tecnológico,
agendada para Maio de 2010, para posterior análise na
10ª Conferência das Partes, tendo em vista aconselhar a
Assembleia Geral das Nações Unidas.
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Critérios Definição Fundamentação
Singularidade
ou raridade
Área contém (i) espécies, populações ou
comunidades únicas (“a única do seu tipo”),
raras (ocorre apenas em poucos locais) ou
endémicas, e /ou (ii) habitats ou ecossistemas
únicos, raros ou distintos; e/ou (iii) caracterís-
ticas geomorfológicas ou geográficas únicas ou
invulgares
·฀ Insubstltuivels
·฀ Perdu฀slgnlncurlu฀o฀provuvel฀
desaparecimento definitivo da diversidade
ou de uma característica, ou redução da
diversidade em qualquer nível
Especial
importância para
etapas do ciclo
vital das espécies
Áreas necessárias para uma população
sobreviver e desenvolver-se
Várias condições bióticas e abióticas que em
conjunto com preferências e constrangimentos
fisiológicos específicos das espécies, tendem
a tornar algumas zonas marinhas mais
adequadas do que outras para determinadas
funções e etapas dos ciclos vitais das espécies.
Importância
para espécies
e/ou habitats
ameaçados, em
perigo de extinção
ou em declínio Área contendo habitat para sobrevivência e
regeneração de espécies em perigo de extinção,
ameaçadas ou em declínio ou áreas com
conjuntos significativos de tais espécies.
Garantir o restauro e a recuperação de tais
espécies e habitats.
Critérios científicos para identificação de áreas marinhas ecológica ou biologicamente significativas com necessidade
de protecção em oceano aberto e mar profundo
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Exemplos Considerações na aplicação
Águas de oceano aberto
·฀ Mur฀de฀Surgusso,฀colunu฀de฀Tuylor,฀polinlus฀perslstentes
Habitats de profundidade
·฀ comunldudes฀endemlcus฀em฀redor฀de฀utols฀submersos,฀
fontes hidrotermais, montes submarinos, depressão
pseudo-abissal
·฀ Rlsco฀de฀vlsüo฀purclul฀du฀slngulurldude฀observudu฀
dependendo da disponibilidade de informação
·฀ Esculu฀de฀dependenclus฀de฀curucteristlcus฀tuls฀como฀
características únicas a uma escala que podem ser
típicas noutra, assim devem ser tidas em conta
perspectivas global e regionais
Área contendo: (i) locais de
reprodução, zonas de desova,
habitat de juvenis ou outras
áreas importantes para
etapas dos ciclos vitais das
espécies; ou (ii) habitats de
espécies migratórias (áreas de
alimentação, de hibernação ou
de repouso, rotas de reprodução,
fixação, migratórias)
·฀ Conexüo฀entre฀us฀etupus฀dos฀clclos฀vltuls฀dus฀especles฀
e ligações entre áreas: interacções tróficas, transporte
físico, oceanografia física, ciclo vital das espécies
·฀ As฀lontes฀de฀lnlormuçüo฀lncluem.฀por฀ex.฀detecçüo฀
remota, localização por satélite, dados históricos de
captura e de captura acessória, dados dos sistemas de
monitorização de navios (VMS)
·฀ Dlstrlbulçüo฀e/ou฀ugreguçüo฀espuclul฀e฀temporul฀dus฀
espécies
Áreas críticas para espécies e/ou habitats ameaçados, em
perigo de extinção ou em declínio contendo (i) locais de
reprodução, zonas de desova, viveiros, habitat de juvenis
ou outras áreas importantes para as etapas dos ciclos vitais
das espécies; ou (ii) habitats de espécies migratórias (áreas
de alimentação, de hibernação ou de repouso, rotas de
reprodução, fixação, rotas migratórias)
·฀ Inclul฀especles฀com฀ureus฀geogruncus฀de฀ocorrenclu฀
amplas
·฀ Em฀multos฀cusos฀u฀recuperuçüo฀vul฀exlglr฀o฀
restabelecimento das espécies nas suas áreas de
ocorrência históricas
·฀ As฀lontes฀de฀lnlormuçüo฀lncluem.฀por฀ex.฀detecçüo฀
remota, localização por satélite, dados históricos de
captura e captura acessória, dados dos sistemas de
monitorização de navios (VMS)
Critérios científicos para identificação de áreas marinhas ecológica ou biologicamente significativas com necessidade
de protecção em oceano aberto e mar profundo (Anexo I da Decisão IX/20 da CDB)
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Critérios Definição Fundamentação
Vulnerabilidade,
fragilidade,
sensibilidade ou
recuperação lenta
Áreas que contenham uma alta proporção
de habitats sensíveis, biótopos ou espécies
funcionalmente frágeis (altamente susceptíveis
à degradação ou esgotamento devido à
actividade humana ou a causas naturais) ou
com recuperação lenta.
Os critérios indicam o grau de risco que ocor-
rerá caso a actividade humana ou as causas
naturais na área ou componente não consigam
ser geridas de forma eficaz ou prossigam a um
ritmo insustentável.
Produtividade
biológica
Área contendo espécies, populações ou
comunidades com uma produtividade biológica
relativamente alta, em termos comparativos
O papel importante na nutrição dos ecossis-
temas e no aumento das taxas de crescimento
de organismos e da sua capacidade
reprodutora
Diversidade
biológica
Área que contém uma diversidade de
ecossistemas, habitats, comunidades ou
espécies comparativamente mais elevada, ou
que tem uma maior diversidade genética
Importante para a evolução e manutenção da
resiliência das espécies e dos ecossistemas
marinhos
Naturalidade Área com um alto grau de naturalidade, em
termos comparativos, em resultado da ausência
ou da reduzida perturbação ou degradação
induzidas pela actividade humana
·฀ Proteger฀ureus฀com฀estruturu,฀processos฀e฀
funções quase naturais
·฀ Munter฀estus฀ureus฀como฀sitlos฀de฀relerenclu
·฀ Sulvuguurdur฀e฀melhorur฀u฀reslllenclu฀do฀
ecossistema
Critérios científicos para identificação de áreas marinhas ecológica ou biologicamente significativas com necessidade
de protecção em oceano aberto e mar profundo
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Exemplos Considerações na aplicação
Vulnerabilidade das espécies
·฀ Inlerldu฀du฀hlstorlu฀de฀como฀us฀especles฀ou฀populuçoes฀
em outras áreas semelhantes responderam às
perturbações
·฀ Especles฀com฀tuxu฀de฀lecundldude฀reduzldu,฀cresclmento฀
lento, maturidade sexual tardia, grande longevidade (por
ex. tubarões, etc.)
·฀ Especles฀do฀mur฀prolundo฀com฀estruturus฀que฀olerecem฀
habitats biogénicos, tais como os corais, as esponjas e os
briozoários
Vulnerabilidade dos habitats
·฀ Areus฀cobertus฀de฀gelo฀susceptivels฀u฀polulçüo฀por฀nuvlos
·฀ A฀ucldlncuçüo฀oceûnlcu฀pode฀tornur฀os฀hubltuts฀de฀mur฀
profundo mais vulneráveis a alterações e aumentar a
susceptibilidade às alterações provocadas pela actividade
humana
·฀ Interucçoes฀entre฀u฀vulnerubllldude฀uos฀lmpuctos฀du฀
actividade humana e os fenómenos naturais
·฀ Dennlçüo฀uctuul฀enlutlzu฀noçoes฀especincus฀de฀ureu฀
e pede consideração pelas espécies com mobilidade
elevada
·฀ Os฀crlterlos฀podem฀ser฀usudos฀lsoludumente฀e฀em฀
conjunto com outros critérios
·฀ Zonus฀de฀lrente
·฀ Aßorumentos฀(upwellings) upwellings upwellings
·฀ Fontes฀hldrotermuls
·฀ Polinlus฀dos฀montes฀submurlnos
·฀ Pode฀ser฀medldo฀como฀u฀tuxu฀de฀cresclmento฀dos฀
organismos marinhos e suas populações, quer através
da fixação de carbono inorgânico por fotossíntese,
quimiossíntese, ou através da ingestão de presas, matéria
orgânica dissolvida ou matéria orgânica em partículas
·฀ Pode฀ser฀lnlerldo฀u฀purtlr฀de฀produtos฀de฀detecçüo฀
remota, por ex. a cor do oceano ou modelação numérica
·฀ Podem฀ser฀usudus฀serles฀temporuls฀de฀pescurlus,฀mus฀e฀
necessária precaução
·฀ Montes฀submurlnos
·฀ Frentes฀e฀zonus฀de฀convergenclu
·฀ Comunldudes฀de฀coruls฀de฀uguu฀lrlu
·฀ Comunldudes฀de฀espon|us฀do฀mur฀prolundo
·฀ A฀dlversldude฀tem฀de฀ser฀unullsudu฀em฀reluçüo฀uo฀
ambiente envolvente
·฀ Os฀indlces฀de฀dlversldude฀süo฀lndllerentes฀us฀
substituições das espécies
·฀ Os฀indlces฀de฀dlversldude฀süo฀lndllerentes฀u฀que฀especles฀
possam estar a contribuir para o valor do índice, e por
isso, não destacam áreas importantes para espécies
ameaçadas, tais como as espécies em perigo de extinção.
·฀ Pode฀ser฀lnlerldu฀u฀purtlr฀du฀heterogeneldude฀ou฀
diversidade de habitat como substituto para a
diversidade das espécies em áreas onde a biodiversidade
não tenha sido intensamente amostrada.
A maioria dos ecossistemas
e habitats possuem
exemplos com níveis
variados de naturalidade e o
objectivo é que os exemplos
mais naturais sejam
seleccionados
Critérios científicos para identificação de áreas marinhas ecológica ou biologicamente significativas com necessidade
de protecção em oceano aberto e mar profundo (Anexo I da Decisão IX/20 da CDB) Continuação
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Propriedades e
componentes
necessárias à rede Definição
Considerações aplicáveis a
áreas (inter alia)
Áreas ecológica
e biologicamente
significativas
Áreas ecológica e biologicamente
significativas são áreas geográfica e
oceanograficamente discretas, que fornecem
serviços importantes a uma ou mais
espécies/populações de um ecossistema ou
ao ecossistema como um todo, comparadas
com outras áreas envolventes ou áreas de
características ecológicas semelhantes, ou
que de outra maneira estão conforme os
critérios identificados no anexo I para a
decisão IX/20.
·฀ Unlcldude฀ou฀rurldude
·฀ Especlul฀lmportûnclu฀puru฀estupus฀dos฀
ciclos vitais das espécies
·฀ Importûnclu฀puru฀especles฀e/ou฀hubltuts฀
ameaçados em perigo de extinção ou em
declínio
·฀ Vulnerubllldude,฀lrugllldude,฀senslbllldude฀
ou recuperação lenta
·฀ Produtlvldude฀blologlcu
·฀ Dlversldude฀blologlcu
·฀ Nuturulldude
Representatividade A representatividade é captada numa rede
quando consiste em áreas representando as
diferentes subdivisões biogeográficas dos
oceanos globais e dos mares regionais, que
reßlctum฀ruzouvelmente฀todu฀u฀gumu฀de฀
ecossistemas, incluindo a diversidade biótica
e de habitat desses ecossistemas marinhos.
Uma gama completa de exemplos através
de um habitat biogeográfico ou classificação
da comunidade; saúde relativa de espécies
e comunidades; integridade relativa do(s)
habitat(s); naturalidade
Conectividade Conectividade na concepção de uma rede
permite ligações pelas quais os sítios prote-
gidos beneficiam de intercâmbio larvar e/
ou de espécies e de ligações funcionais com
outros sítios da rede. Numa rede conectada,
os sítios, individualmente, beneficiam uns
com os outros.
Correntes; giros; constrições físicas; rotas
migratórias, dispersão das espécies, detritos,
ligações funcionais. Sítios isolados, tais
como as comunidades isoladas dos montes
submarinos, podem também ser incluídos.
Características
ecológicas replicadas
A replicação de características ecológicas
significa que mais do que um sítio deve
conter exemplos de uma dada característica
numa determinada área biogeográfica. O
termo “características” significa “espécies,
habitats e processos ecológicos” que
naturalmente ocorram numa determinada
área biogeográfica.
Prevenir para a incerteza, a variação natural
e a possibilidade de eventos catastróficos.
Características que apresentam menor
variação natural ou são definidas de forma
precisa podem necessitar de menos réplicas
do que as características que têm uma
alta variabilidade inerente ou são apenas
definidas de forma muito genérica.
Sítios adequados
e viáveis
Sítios adequados e viáveis indica que todos
os sítios no âmbito de uma rede devem
ter a dimensão e protecção suficientes
para garantir a viabilidade e integridade
ecológicas da(s) característica(s) pelas quais
foram seleccionados.
Adequação e viabilidade vão depender da
dimensão; forma; zonas tampão; persistência
de características; ameaças; ambiente
envolvente (contexto); constrições físicas,
escala de características /processos;
excedente/compacidade
Orientação científica para a selecção de áreas para o
estabelecimento de uma rede representativa de áreas marinhas
protegidas, incluindo em oceano aberto e mar profundo
(Anexo II da Decisão IX/20 da CDB)
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Agradecimentos
O Secretariado da Convenção sobre a Diversidade Biológica agradece o generoso financiamento por parte do Governo
Regional dos Açores e do Governo de Portugal para a publicação desta brochura. O Secretariado agradece também a
Ricardo Serrão Santos (Departamento de Oceanografia e Pescas, Universidade dos Açores, Portugal), a Kristina Gjerde
(IUCN) e a Pedro Ivo Arriegas (ICNB, Portugal) pelas suas contribuições na selecção das imagens e na edição desta
brochura. Os agradecimentos estendem-se a todos os funcionários do Secretariado da Convenção que contribuíram para a
edição e produção desta brochura.
CAPA: (Forskalia edwardsi) © Gavin Newman / Greenpeace Forskalia edwardsi Forskalia edwardsi
PÁG. 2 ESQUERDA: (Hoplostethus atlanticus) © Malcolm Clark / NIWA Hoplostethus atlanticus Hoplostethus atlanticus
PÁG. 3 DIREITA: (Paragorgia sp. and Stylaster sp.) © Alberto Lindner
/ NOAA
PÁG. 3 TOPO:฀©฀Mury฀Grudy฀/฀NOAA฀Oceun฀Explorer
PÁG. 3 CENTRO: UNEP / TOPOham
PÁG. 3 EM BAIXO: (Lepidochelys olivacea) tortugamarina.org /
PRETOMA
PÁG. 3 EM BAIXO-LONGO: (Prionace glauca) © Imen Meliane / IUCN
Photo฀Llbrury
PÁG. 5 TOPO: (Atolla (( sp.) © David Shale
PÁG. 5 EM BAIXO: (Physeter macrocephalus)฀©฀1orge฀Fontes฀ Physeter macrocephalus Physeter macrocephalus
/ ImagDOP
PÁG. 6 TOPO ESQUERDA: (Orcinus orca)฀©฀1oe฀Stunlord฀/฀NSF
PÁG. 6-7 TOPO CENTRO: (Gnathophausia sp.) © David Shale
PÁG. 7 TOPO DIREITA: (Bathymodiolus azoricus, Mirocaris fortunata e
Segonzacia mesatlantica)฀©฀SEAHMA฀÷฀POCI฀/฀FEDER฀/฀FCT฀
/ Portugal
PÁG. 6 QUADRO ESQUERDA: (Munidopsis sp.) © David Shale
PÁG. 6 QUADRO DIREITA: (Chaminés de fontes hidrotermais)
©฀SEAHMA฀÷฀POCI/฀FEDER฀FCT฀/฀Portugul
PÁG. 7 QUADRO: (Paraliparis sp.) © David Shale
PÁG. 8 TOPO ESQUERDA: (Anfípode) © David Shale
PÁG. 8 TOPO CENTRO: (Rimicaris exoculata) © SEAHMA — POCI
/฀FEDER฀/฀FCT฀/฀Portugul
PÁG. 8 TOPO DIREITA: (Bathysaurus ferox) © David Shale Bathysaurus ferox Bathysaurus ferox
PÁG. 8 EM BAIXO ESQUERDA: © Gavin Newman / Greenpeace
PÁG. 8 EM BAIXO DIREITA: (Clione limacina) © David Shale
PÁG. 9 CENTRO ESQUERDA: (Iridogorgia sp.) © SEAHMA — POCI
/฀FEDER฀/฀FCT฀/฀Portugul
PÁG. 9 EM BAIXO ESQUERDA: (Aeginura grimaldii (( ) © David Shale Aeginura grimaldii Aeginura grimaldii
PÁG. 9 TOPO DIREITA: (Bolinopsis sp.) © David Shale
PÁG. 11: (Paragorgia arborea) © 2006 MBARI/ NOAA
CONTRA-CAPA: (Ofiuróide em gorgónia) © David Shale
Créditos fotográficos
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Secretariat of the Convention on Biological Diversity
413 Rue St. Jacques, Suite 800
Montréal, Québec, H2Y 1N9 Canada
Tel.฀+1-514-288-2220฀Fux.฀+1-514-288-6588฀
Email: secretariat@cbd.int
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tartarugas marinhas. e começámos a compreender o valor e a importância deste vasto e remoto habitat para a vida na Terra. a biomassa dos organismos em redor das fontes é muito elevada e constituída por espécies endémicas. passámos a conhecer melhor os habitats de águas profundas. desde o nível do mar até pelo menos 4 km abaixo da superfície. revelando muitas espécies novas para a ciência. Apenas uma pequena proporção do fundo marinho tem sido alvo de investigação biológica. os montes submarinos formam hotspots com uma fauna distinta. e a um ambiente de elevada acidez e toxicidade. os recifes contêm registos de grande precisão de alterações climáticas a longo prazo e podem também servir como centros importantes de especiação em águas profundas. da quimiossíntese. tubarões. Como tal. em vez disso. OS RECIFES DE CORAIS DE ÁGUA FRIA podem ter de centenas a milhares de anos de existência. abundante e diversa e. Resultados científicos recentes sublinham que uma maior biodiversidade pode melhorar o funcionamento e eficiência dos ecossistemas de profundidade. Apesar destas condições extremas. dado que estes podem ser encontrados em todos os oceanos e em todas as batimetrias. aves marinhas e organismos bênticos de oceano aberto e profundo. Os habitats do fundo marinho. Os organismos das fontes hidrotermais de profundidade toleram temperaturas extremas da água e sobrevivem a concentrações tóxicas de metais pesados. áreas de alimentação e locais de reprodução para muitas espécies de peixes. de particular interesse devido à sua capacidade de adaptação a altas pressões. mamíferos marinhos. OS MONTES SUBMARINOS e a coluna de água adjacente servem de importantes habitats. durante muito tempo considerados desertos biológicos. a sustentabilidade da nossa biosfera depende significativamente dos bens e serviços fornecidos pelos ecossistemas do mar profundo. A vida no mar profundo tem um papel fundamental nos ciclos biogeoquímicos globais. sustentando-se. Devido à idade e taxas de crescimento reduzidas. dos quais cerca de 13 são exclusivamente ou maioritariamente marinhos. São. . AS FONTES HIDROTERMAIS foram o primeiro ecossistema a 2 Descobrindo a beleza natural e o valor ecológico dos habitats de águas profundas Com os avanços tecnológicos das últimas décadas. acolhem uma grande abundância de espécies. Assim. “Quão inapropriado chamar Terra a este planeta. por isso. temperaturas elevadas. incluindo a renovação de nutrientes e do próprio oxigénio. ORIENTAÇÃO E CRITÉRIOS CIENTÍFICOS DOS AÇORES Eles contêm uma vasta diversidade de tipos de habitats e paisagens marinhas impressionantes. albergando 32 dos 34 phyla do reino animal do planeta. Sem a existência de vida no fundo do mar a vida na Terra estaria comprometida. Conhecemos menos sobre os habitats de águas profundas do que sobre a superfície da lua A maioria dos estudos científicos debruçou-se sobre as acessíveis águas costeiras e superfície do oceano. Pesquisas recentes em paleoclimatologia descobriram o enorme potencial de registos do clima nos corais de água fria. As estimativas actuais para a diversidade de espécies de águas profundas variam entre 500 mil e 10 milhões de espécies. por vezes. ser encontrado na Terra praticamente independente do sol como primeira fonte de energia.Os oceanos cobrem 70% da superfície do nosso planeta e representam mais de 95% da biosfera viva.

extracção de minerais no mar profundo e poluição sonora. A descoberta do enorme valor potencial de recursos genéticos associados aos habitats de profundidade. em 2002. para vários sectores. não registadas e não regulamentadas. em consonância com as leis internacionais e com base em informação científica. pediu que os países desenvolvessem e facilitassem o uso de abordagens e ferramentas diversas. transferência de espécies exóticas invasoras.Ameaças crescentes resultantes de actividades humanas O oceano aberto e o mar profundo estão sob ameaça crescente devido a várias actividades humanas. com apenas cerca de 0. A conjugação dos impactos destas ameaças bem como os impactos climáticos potenciais e a acidificação do oceano colocaram milhares de espécies em risco de extinção. poluição pelos navios. As ameaças mais críticas vêm da sobrepesca. incluindo redes representativas. de práticas de pesca destrutivas e de outras actividades piscatórias ilegais. Outros problemas recentes incluem detritos marinhos. a Cimeira Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável. por volta de 2012. Outras preocupações emergentes que exigem uma gestão adequada são a fertilização do oceano e outras actividades propostas para armazenamento ou captura de dióxido de carbono no leito oceânico. no seu Plano de Implementação.8% dos oceanos e 6% dos mares territoriais classificados como áreas protegidas. descarga ilegal de resíduos e a herança histórica da descarga de lixo no mar. veio realçar o valor da biodiversidade do mar profundo mas também o colocou sob um risco adicional devido a pesquisas e bioprospecção fracamente controladas e com impactos adversos. função. particularmente os sectores da saúde e alimentação. seriamente subprotegidos Actualmente. Clarke ORIENTAÇÃO E CRITÉRIOS CIENTÍFICOS DOS AÇORES 3 . a eliminação de práticas de pesca destrutivas e o estabelecimento de áreas marinhas protegidas. os oceanos do mundo estão seriamente subprotegidos. e debilitaram a estrutura. produtividade e a capacidade de recuperação dos ecossistemas marinhos. Em resposta a estas preocupações crescentes relativas à saúde dos ecossistemas de oceano aberto e mar profundo. quando é evidente que deveria chamar-se Oceano” —Sir Arthur C. Oceanos do mundo. incluindo a abordagem ecossistémica.

Dr. O NOSSO FUTURO RESIDE NO NOSSO OCEANO!” ORIENTAÇÃO E CRITÉRIOS CIENTÍFICOS DOS AÇORES Objectivo comum e partilhado Manter. Ahmed Djoghlaf. proteger e preservar a biodiversidade marinha global através da conservação e protecção dos seus componentes numa rede biogeograficamente representativa de sítios ecologicamente coerentes. podemos salvaguardar a sustentabilidade do Nosso Futuro neste Planeta Azul. Trabalhando em conjunto para Um Oceano. experiências e recursos tendo em vista a implementação dos compromissos feitos na nona reunião da Conferência das Partes à Convenção.Mensagem do Secretário Executivo da Convenção sobre a Diversidade Biológica. conhecimento. no seu discurso no Dia Mundial dos Oceanos de 2008 “Convidam-se todos os membros da família da biodiversidade oceânica a renovar o seu empenhamento com o Mandato de Jacarta e partilhar o seu saber. 4 .

em Otava. Os resultados deste workshop serão apresentados à 14ª reunião do Órgão Subsidiário de Aconselhamento Científico. A orientação e os critérios científicos foram consolidados no Workshop Técnico sobre Critérios Ecológicos e Sistemas de Classificação Biogeográfica para Áreas Marinhas com Necessidade de Protecção realizado nos Açores. Identificação de áreas marinhas ecológica ou biologicamente significativas e/ou vulneráveis com necessidade de protecção A COP 9 instou as Partes e convidou outros Governos e organizações relevantes a aplicarem. A aplicação da orientação e dos critérios científicos baseados na melhor informação cientifica disponível e aplicando a abordagem precaucional e a abordagem ecossistémica. no seu nono encontro. os critérios científicos (Quadro 1) e a orientação científica (Quadro 2) de modo a identificar áreas marinhas ecológica ou biologicamente significativas e/ou vulneráveis com necessidade de protecção. Próximos passos O Secretariado da Convenção sobre a Diversidade Biológica está a organizar um workshop de especialistas sobre orientação técnica e científica no uso de sistemas de classificação biogeográfica e identificação de áreas marinhas com necessidade de protecção para além da jurisdição nacional. agendada para Maio de 2010. no Canadá. ORIENTAÇÃO E CRITÉRIOS CIENTÍFICOS DOS AÇORES 5 . Vai ainda fornecer orientação científica e técnica sobre a identificação de áreas para além da jurisdição nacional que estejam em conformidade com os critérios científicos da CDB e orientação sobre o uso e o desenvolvimento futuro dos sistemas de classificação biogeográfica. Este workshop de especialistas vai analisar e sintetizar o progresso na identificação de áreas para além da jurisdição nacional. Técnico e Tecnológico. de 26 de Setembro a 2 de Outubro de 2009.Passo histórico dado pela COP 9 A Conferência das Partes à Convenção sobre a Diversidade Biológica (COP). como apropriado. tendo em vista aconselhar a Assembleia Geral das Nações Unidas. que estejam em conformidade com os critérios científicos. Este workshop foi solicitado pela COP 9 (Decisão IX/20. para posterior análise na 10ª Conferência das Partes. e a experiência na utilização de sistemas de classificação biogeográfica. de 2 a 4 de Outubro de 2007. adoptou os critérios científicos (Quadro 1) para identificação de áreas marinhas ecológica ou biologicamente significativas com necessidade de protecção e a orientação científica (Quadro 2) para a concepção de redes representativas das áreas marinhas protegidas. parágrafo 19) para ajudar as Partes nos seus esforços de aplicação dos critérios científicos (Quadro 1). Portugal. outros Governos e organizações relevantes a ajudarem a travar a rápida perda de biodiversidade marinha nos habitats de oceano aberto e mar profundo. pode habilitar as Partes.

ou redução da diversidade em qualquer nível 6 Especial importância para etapas do ciclo vital das espécies Áreas necessárias para uma população sobreviver e desenvolver-se Várias condições bióticas e abióticas que em conjunto com preferências e constrangimentos fisiológicos específicos das espécies. . raros ou distintos. ameaçadas ou em declínio ou áreas com conjuntos significativos de tais espécies. e/ou (iii) características geomorfológicas ou geográficas únicas ou invulgares Fundamentação ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ desaparecimento definitivo da diversidade ou de uma característica. populações ou comunidades únicas (“a única do seu tipo”). em perigo de extinção ou em declínio Área contendo habitat para sobrevivência e regeneração de espécies em perigo de extinção. Garantir o restauro e a recuperação de tais espécies e habitats. raras (ocorre apenas em poucos locais) ou endémicas. e /ou (ii) habitats ou ecossistemas únicos. tendem a tornar algumas zonas marinhas mais adequadas do que outras para determinadas funções e etapas dos ciclos vitais das espécies. Importância para espécies e/ou habitats ameaçados.ORIENTAÇÃO E CRITÉRIOS CIENTÍFICOS DOS AÇORES Critérios científicos para identificação de áreas marinhas de protecção em oceano aberto Critérios Singularidade ou raridade Definição Área contém (i) espécies.

rotas migratórias) ฀ ฀ ฀ amplas ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ restabelecimento das espécies nas suas áreas de ocorrência históricas ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ remota. ciclo vital das espécies ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ remota. de hibernação ou de repouso. dados históricos de captura e de captura acessória. rotas de reprodução.ecológica ou biologicamente significativas com necessidade e mar profundo (Anexo I da Decisão IX/20 da CDB) Exemplos Águas de oceano aberto ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ Habitats de profundidade ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ fontes hidrotermais. rotas de reprodução. zonas de desova. dados históricos de captura e captura acessória. migratórias) ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ e ligações entre áreas: interacções tróficas. assim devem ser tidas em conta perspectivas global e regionais Área contendo: (i) locais de reprodução. dados dos sistemas de monitorização de navios (VMS) ฀ ORIENTAÇÃO E CRITÉRIOS CIENTÍFICOS DOS AÇORES 7 . viveiros. ou (ii) habitats de espécies migratórias (áreas de alimentação. transporte físico. montes submarinos. habitat de juvenis ou outras áreas importantes para etapas dos ciclos vitais das espécies. em perigo de extinção ou em declínio contendo (i) locais de reprodução. oceanografia física. ou (ii) habitats de espécies migratórias (áreas de alimentação. zonas de desova. localização por satélite. fixação. depressão pseudo-abissal Considerações na aplicação ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ dependendo da disponibilidade de informação ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ características únicas a uma escala que podem ser típicas noutra. dados dos sistemas de monitorização de navios (VMS) ฀ espécies ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ Áreas críticas para espécies e/ou habitats ameaçados. de hibernação ou de repouso. habitat de juvenis ou outras áreas importantes para as etapas dos ciclos vitais das espécies. fixação. localização por satélite.

fragilidade. em resultado da ausência ou da reduzida perturbação ou degradação induzidas pela actividade humana ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ funções quase naturais ฀ ecossistema ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ . sensibilidade ou recuperação lenta Definição Áreas que contenham uma alta proporção de habitats sensíveis.Critérios científicos para identificação de áreas marinhas de protecção em oceano aberto Critérios Vulnerabilidade. em termos comparativos O papel importante na nutrição dos ecossistemas e no aumento das taxas de crescimento de organismos e da sua capacidade reprodutora 8 Diversidade biológica Área que contém uma diversidade de ecossistemas. biótopos ou espécies funcionalmente frágeis (altamente susceptíveis à degradação ou esgotamento devido à actividade humana ou a causas naturais) ou com recuperação lenta. habitats. comunidades ou espécies comparativamente mais elevada. populações ou comunidades com uma produtividade biológica relativamente alta. em termos comparativos. Fundamentação Os critérios indicam o grau de risco que ocorrerá caso a actividade humana ou as causas naturais na área ou componente não consigam ser geridas de forma eficaz ou prossigam a um ritmo insustentável. ou que tem uma maior diversidade genética Importante para a evolução e manutenção da resiliência das espécies e dos ecossistemas marinhos Naturalidade Área com um alto grau de naturalidade. ORIENTAÇÃO E CRITÉRIOS CIENTÍFICOS DOS AÇORES Produtividade biológica Área contendo espécies.

tais como as espécies em perigo de extinção. ฀ A maioria dos ecossistemas e habitats possuem exemplos com níveis variados de naturalidade e o objectivo é que os exemplos mais naturais sejam seleccionados ORIENTAÇÃO E CRITÉRIOS CIENTÍFICOS DOS AÇORES Vulnerabilidade dos habitats ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ 9 . tubarões.) ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ habitats biogénicos. maturidade sexual tardia. grande longevidade (por ex.ecológica ou biologicamente significativas com necessidade e mar profundo (Anexo I da Decisão IX/20 da CDB) Continuação Exemplos Vulnerabilidade das espécies ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ em outras áreas semelhantes responderam às perturbações ฀ Considerações na aplicação ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ actividade humana e os fenómenos naturais ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ lento. etc. quimiossíntese. matéria orgânica dissolvida ou matéria orgânica em partículas ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ remota. por ex. a cor do oceano ou modelação numérica ฀ ฀ ฀ necessária precaução ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ambiente envolvente ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ substituições das espécies ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ possam estar a contribuir para o valor do índice. quer através da fixação de carbono inorgânico por fotossíntese. não destacam áreas importantes para espécies ameaçadas. e por isso. tais como os corais. ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ diversidade de habitat como substituto para a diversidade das espécies em áreas onde a biodiversidade não tenha sido intensamente amostrada. ou através da ingestão de presas. as esponjas e os briozoários ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ e pede consideração pelas espécies com mobilidade elevada ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ conjunto com outros critérios ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ profundo mais vulneráveis a alterações e aumentar a susceptibilidade às alterações provocadas pela actividade humana ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ upwellings) upwellings ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ organismos marinhos e suas populações.

Sítios adequados e viáveis Sítios adequados e viáveis indica que todos os sítios no âmbito de uma rede devem ter a dimensão e protecção suficientes para garantir a viabilidade e integridade ecológicas da(s) característica(s) pelas quais foram seleccionados. que fornecem serviços importantes a uma ou mais espécies/populações de um ecossistema ou ao ecossistema como um todo. giros. incluindo em oceano aberto e mar profundo (Anexo II da Decisão IX/20 da CDB) Propriedades e componentes necessárias à rede Áreas ecológica e biologicamente significativas Definição Áreas ecológica e biologicamente significativas são áreas geográfica e oceanograficamente discretas. Correntes. ameaças. forma. O termo “características” significa “espécies. que ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ecossistemas. Numa rede conectada. habitats e processos ecológicos” que naturalmente ocorram numa determinada área biogeográfica. zonas tampão. Uma gama completa de exemplos através de um habitat biogeográfico ou classificação da comunidade. os sítios. escala de características /processos. individualmente.Orientação científica para a selecção de áreas para o estabelecimento de uma rede representativa de áreas marinhas protegidas. rotas migratórias. comparadas com outras áreas envolventes ou áreas de características ecológicas semelhantes. Adequação e viabilidade vão depender da dimensão. ligações funcionais. tais como as comunidades isoladas dos montes submarinos. ou que de outra maneira estão conforme os critérios identificados no anexo I para a decisão IX/20. Sítios isolados. beneficiam uns com os outros. a variação natural e a possibilidade de eventos catastróficos. Características ecológicas replicadas A replicação de características ecológicas significa que mais do que um sítio deve conter exemplos de uma dada característica numa determinada área biogeográfica. constrições físicas. Considerações aplicáveis a áreas (inter alia) ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ciclos vitais das espécies ORIENTAÇÃO E CRITÉRIOS CIENTÍFICOS DOS AÇORES ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ameaçados em perigo de extinção ou em declínio ฀ ou recuperação lenta ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ Representatividade 10 A representatividade é captada numa rede quando consiste em áreas representando as diferentes subdivisões biogeográficas dos oceanos globais e dos mares regionais. ambiente envolvente (contexto). detritos. integridade relativa do(s) habitat(s). constrições físicas. naturalidade Conectividade Conectividade na concepção de uma rede permite ligações pelas quais os sítios protegidos beneficiam de intercâmbio larvar e/ ou de espécies e de ligações funcionais com outros sítios da rede. podem também ser incluídos. saúde relativa de espécies e comunidades. persistência de características. Prevenir para a incerteza. excedente/compacidade . Características que apresentam menor variação natural ou são definidas de forma precisa podem necessitar de menos réplicas do que as características que têm uma alta variabilidade inerente ou são apenas definidas de forma muito genérica. incluindo a diversidade biótica e de habitat desses ecossistemas marinhos. dispersão das espécies.

3 EM BAIXO-LONGO: PÁG.) © Alberto Lindner ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ PÁG. 5 EM BAIXO: ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ (Bolinopsis sp. 3 CENTRO: (Paraliparis sp. O Secretariado agradece também a Ricardo Serrão Santos (Departamento de Oceanografia e Pescas.org / (Prionace glauca) © Imen Meliane / IUCN PÁG. 2 ESQUERDA: PÁG. 3 DIREITA: ฀ PÁG. and Stylaster sp. 7 QUADRO: ฀ ฀ (Chaminés de fontes hidrotermais) ฀ ฀ ฀ ฀ (Anfípode) © David Shale / NOAA PÁG. 6 QUADRO ESQUERDA: PÁG. 6 QUADRO DIREITA: (Munidopsis sp. 3 EM BAIXO: ฀ ฀ ฀ PRETOMA PÁG. 8 EM BAIXO DIREITA: ฀ PÁG.) © David Shale (Physeter macrocephalus ฀ ฀ Physeter (Orcinus orca ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ PÁG. Mirocaris fortunata e Segonzacia mesatlantica ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ / Portugal CONTRA-CAPA: ORIENTAÇÃO E CRITÉRIOS CIENTÍFICOS DOS AÇORES . 6-7 TOPO CENTRO: PÁG. 3 TOPO:฀ PÁG. 11: (Gnathophausia sp. Créditos fotográficos CAPA: (Forskalia edwardsi) © Gavin Newman / Greenpeace Forskalia edwardsi (Hoplostethus atlanticus) © Malcolm Clark / NIWA Hoplostethus atlanticus (Paragorgia sp. 8 TOPO DIREITA: PÁG. Universidade dos Açores.) © David Shale / ImagDOP PÁG. 9 TOPO DIREITA: PÁG. 8 TOPO CENTRO: UNEP / TOPOham (Lepidochelys olivacea) tortugamarina. 9 CENTRO ESQUERDA: PÁG. 8 EM BAIXO ESQUERDA: PÁG.) © David Shale (Paragorgia arborea) © 2006 MBARI/ NOAA (Ofiuróide em gorgónia) © David Shale (Bathymodiolus azoricus. Os agradecimentos estendem-se a todos os funcionários do Secretariado da Convenção que contribuíram para a edição e produção desta brochura. Portugal).11 Agradecimentos O Secretariado da Convenção sobre a Diversidade Biológica agradece o generoso financiamento por parte do Governo Regional dos Açores e do Governo de Portugal para a publicação desta brochura. 6 TOPO ESQUERDA: PÁG.) © SEAHMA — POCI (Aeginura (Aeginura grimaldii) © David Shale PÁG.) © David Shale PÁG. 9 EM BAIXO ESQUERDA: PÁG. a Kristina Gjerde (IUCN) e a Pedro Ivo Arriegas (ICNB. Portugal) pelas suas contribuições na selecção das imagens e na edição desta brochura. 5 TOPO: ( (Atolla sp. 7 TOPO DIREITA: PÁG.) © David Shale (Rimicaris exoculata) © SEAHMA — POCI ฀ ฀ (Bathysaurus ferox) © David Shale Bathysaurus ferox © Gavin Newman / Greenpeace (Clione limacina) © David Shale (Iridogorgia sp. 8 TOPO ESQUERDA: PÁG.

cbd. All Rights Reserved.Secretariat of the Convention on Biological Diversity 413 Rue St.int Web: www. H2Y 1N9 Canada ฀ ฀ ฀ ฀ Email: secretariat@cbd.int © CBD Secretariat 2009. Suite 800 Montréal. . Québec. Jacques.

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