APONTAMENTOS TEORIA MUSICAL DE

ISABEL FERREIRA Julho de 2011

Inclinar-me-ei para o teu santo templo, e louvarei o teu nome pela tua benignidade, e pela tua verdade; pois engrandeceste a tua palavra acima de todo o teu nome.Salmos 138:2

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Notação Musical
Nota musical - elemento mínimo de um som, formado por um único modo de vibração regular do ar. De acordo com a sua frequência os sons receberam nomes, são as sete notas musicais que se repetem. Dó Ré Mi Fá Sol Lá Si Cifras A B C D E F G Letras usadas para representarem as notas. Este sistema tem origem grega. Mais tarde surgiram Lá, Si, Dó, Ré, Mi, Fá, Sol de origem latina. Como as escalas gregas começavam em Lá então a correspondência é a seguinte: A Lá B Si C Dó D Ré E Mi F Fá G Sol

As notas têm alturas diferentes. O nosso ouvido pode perceber se os sons são mais graves ou mais agudos. O que nos informa graficamente a altura da nota é a sua posição na pauta, em relação à clave usada. Os sons mais graves aparecem mais abaixo e os mais agudos mais acima.

Dó Ré Mi Fá Sol Lá Si Dó Si Lá Sol Fá Mi Ré Dó
Figura 1 – Representação da altura das notas na pauta musical.

Pauta musical ou Pentagrama – É o conjunto de 5 linhas e 4 espaços que se contam de baixo para cima, onde são grafadas as notas musicais. Cada linha e espaço correspondem a uma tecla branca no piano.

Figura 2 – Pauta musical – espaços e linhas

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Linhas suplementares – São linhas que se acrescentam acima ou abaixo da pauta musical, no sentido de a ampliar. As linhas suplementares podem ser: • • Superiores – quando acrescentadas acima da pauta Inferiores - quando acrescentadas abaixo da pauta

Linhas e espaços suplementares superiores

Linhas e espaços suplementares inferiores Figura 3 – Linhas complementares superiores e inferiores

Clave – É um sinal colocado no início da pauta musical, sobre uma das linhas, determinando o nome das notas musicais que estão grafadas sobre a mesma. Existem claves Dó, Sol e Fá.

Figura 4 – Várias claves

As mais usadas são as claves de Fá sobre a 4ª linha, Sol sobre a 2 e Dó •

A clave de Sol colocada sobre a 2ª linha

Todas notas sobre esta linha serão Sol

Figura 5 – Clave de sol e nota sol sobre a segunda linha

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A clave de Fá colocada sobre a 4ª linha

Todas as notas colocadas sobre esta linha serão Fá

Figura 6 – Clave de Fá colocada sobre a 4ª linha

Endecagrama - É o conjunto de 11 linhas e 10 espaços, contados de baixo para cima, onde são grafadas as notas musicais. Virtualmente, é o conjunto de dois pentagramas unidos por uma linha suplementar. O Dó central situa-se na 6ª linha.

Dó central e linha suplementar

Figura 7 – Endecagrama

Usado, por exemplo, para o teclado em que as notas mais graves até ao Dó3 são notadas nas 5 linhas inferiores com clave de fá e as notas tocadas acima de Dó 3 são grafadas nas 5 linhas superiores com clave de sol.

Figura 8 – Correspondência entre as notas no endecagrama e as teclas do teclado.

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Cada nota pode durar mais ou menos tempo Duração – o tempo que a nota dura. É um tempo relativo não é contado em segundos mas sim de acordo com uma unidade estabelecida. Valor da nota – de acordo com a sua duração em relação a uma unidade, a nota terá um valor. O que nos informa o valor é a sua representação gráfica (figura ou desenho). Figura de valor: As figuras que representam o valor da nota são constituídas por cabeça, haste e um ou mais colchetes. A semibreve não tem haste, nem colchete e a sua cabeça não é pintada. As notas com valor menor do que a mínima são pintadas. As notas com valor = ou menor do que a mínima possuem haste. As notas com valor menor que a semínima têm um ou mais colchetes.

Figura 9 – Constituição da Figura de Valor

Por uma questão estética podemos representar as figuras de valor que possuem colchete em células rítmicas:

Figura 10 – Células rítmicas

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Tabela 1 - Classificação quanto ao valor da nota:
Figura de valor Nome Breve Semibreve Valor O dobro da Semibreve – não usamos 4 tempos – UNIDADE 1/1 É a nota com maior valor actualmente 2 tempos –1/2 da semibreve Número * 1 2

Mínima

4 Semínima 1 tempo – 1/4 da semibreve Metade da semínima – meio tempo 1/8 da semibreve 8

Colcheia

Metade da Colcheia Semicolcheia 1/16 da semibreve

16

Fusa

A metade da Semicolcheia 1/32 da semibreve

32

Semifusa

A metade da Fusa 1/64 da semibreve

64

*(denominador da fracção de compasso - ver mais à frente)

Esquema 1 – Valor relativo das figuras musicais

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Pausa - É o silêncio na música que tem uma duração variável. Cada figura das notas musicais tem o seu tempo de silêncio correspondente e símbolo gráfico que o representa.

Figura 11 – Correspondência entre a figura de valor e respectiva figura de valor negativa ou pausa com a mesma duração.

Compasso e fórmula de compasso
Compasso é a divisão da pauta que comporta um determinado número de notas de determinado valor Travessão é uma barra vertical que divide os compassos

Fórmula de Compasso

Travessão

Compasso

Figura 12 – Fórmula de compasso, Compasso e travessão

Fracção ou fórmula de compasso – É o símbolo em forma de fração que aparece no início das partituras. É uma fracção que determina a quantidade de notas dentro de um compasso e o seu valor.

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Figura 13 – Fórmula de compasso. Relação entre denominador e valor relativo da figura de nota

O número superior ou numerador indica a quantidade de notas que preenchem o compasso. O número inferior ou denominador indica a qualidade ou valor relativo da figura da nota. De acordo com a tabela apresentada na pág. 6. Então no primeiro caso o compasso deve ser preenchido por duas mínimas (nota de valor 2); no segundo caso ocompasso deve ser preenchido por 3 semínimas (nota de valor 4; e no último caso deve ser preenchido por 3 colcheias (nota de valor 8). Apesar de serem uma fração, as fórmulas não são lidas como tal. Deve-se ler “dois por dois”, “três por quatro”, “três por oito” e assim por diante.

Figura 14- Preenchimento do compasso de acordo com a fórmula de compasso

Um compasso pode incluir notas mais longas ou mais curtas que uma batida, desde que a soma de todas as notas dentro do compasso totalizem o número de batidas especificado na fórmula do compasso. O mesmo acontece quando se usam pausas

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Figura 15 – Várias possibilidades de preenchimento dos compassos

Compassos simples e compassos compostos Os compassos simples são aqueles cujo tempo se pode dividir por 2 notas e o composto são aqueles cujo tempo se pode dividir por 3 notas (denominador). Normalmente podemos diferenciar os compassos simples dos compostos pelo numerador. Os compassos simples utilizam 2, 3, 4, 5 ou 7 no numerador. Já os compostos utilizam 6 (binário x 3), 9 (ternário x 3) ou 12 (quaternário x 3) (Olhar para o numerador).

Figura 16 – Compasso Simples e Compasso composto

Pontos e ligaduras São marcações que alteram o valor da nota.
Quando colocamos um ponto à direita da figura o seu valor aumenta em metade do seu valor.

Figura 17 – Ponto de aumento e seus efeitos

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A ligadura de duração é um sinal em forma de arco que soma o valor de duas ou mais notas. Neste caso, o som da primeira nota é prolongado até a última nota ligada. A ligadura também pode unir figuras de diferentes compassos, como no segundo exemplo.

Figura 18 - Ligadura de duração

Oitava é a distância que uma nota percorre até se repetir a si mesma com o dobro da frequência (uma oitava acima) ou com metade da frequência (uma oitava abaixo).

Figura 19 – Parte de um teclado. Oitava/ Notas enharmónicas

Notas enharmónicas – são notas que podem ter dois nomes, apesar de serem tocadas do mesmo modo e emitirem o mesmo som Observe a tecla indicada pela cor azul. Na partitura, podemos escrevê-la como Dó sustenido ou Ré bemol, mas em qualquer dos casos é tocada na tecla assinalada.

Figura 20 - Notas enharmônicas

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Tom e semitom
Tom é a distância entre duas notas que admitem entre si um som intermédio. Semitom é a distância entre 2 notas que não admitem entre si um som intermédio.

Figura 21 - Tom e Semitom

Sabemos que a distância entre Dó e Ré, Ré e Mi, Fá e Sol, Sol e Lá, Lá e Si é de tom, assim como entre Dó# e Ré#, Fá# e Sol#, Sol# e Lá# pois há uma tecla (som) a meio. A distância entre Si e Dó, Mi e Fá é de semitom pois não admitem um som entre si (as teclas estão juntas). O mesmo se passa entre DÓ e DÓ#, DÓ# e RÉ, RÉ e RÉ#, RÉ # e SOL, SOL e SOL# e LÁ, LÁ e LÁ#, LÁ# e SI

Acidentes – são sinais que alteram o tom da nota quando colocados ao seu lado na
pauta. # - sustenido – quando colocado ao lado da nota eleva-a em meio tom. No exemplo a nota fica elevada em meio tom. No teclado, deixa de ser tocado na tecla branca e passa a ser tocada na tecla preta seguinte.

Figura 22 – Sustenido e seus efeitos

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Si# é o mesmo que Dó e Mi# é o mesmo que Fá. - bemol – baixa a nota em meio tom. No exemplo o bemol colcado ao lado da nota Dó faz com que fique mais baixo meio tom e seja tocada na tecla anterior (tecla Si meio tom abaixo).

Figura 23 - Bemol e seus efeitos

- Dobrado sustenido – colocado ao lado da nota eleva-a em 1 tom

- Dobrado bemol – colocado ao lado da nota baixa-a 1 tom. - Bequadro – quando surge elimina todos os acidentes que estavam a ser utilizados na pauta.

Intervalos e Graus - Parte 1
Graus da Escala Cada nota de uma escala tem um nome especial, chamado de GRAU DA ESCALA. A classificação das notas é feita entre a tónica e as demais notas. Os graus são números em algarismos romanos que representam a posição e nome dado a cada nota da escala.

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I (primeiro grau) – Tónica II. (segundo grau) – Supertônica III. (terceiro grau) – Mediante IV. (quarto grau) – Subdominante V. (quinto grau) – Dominante VI.(sexto grau) – Superdominante VII.(sétimo grau) – Sensível

Figura 24- Representação dos graus da escala de Dó M

Embora os 6 primeiros graus sejam iguais para escalas maiores e menores, o 7º grau é especial e se estiver meio tom abaixo da tónica é chamado “sensível”. A tónica, mediante e dominante são importantes para a formação dos acordes

Intervalos – Distância entre a primeira nota de uma escala e cada uma das outras notas dessa mesma escala. Tomemos como exemplo a escala de Dó Maior

Figura 25 – Graus e intervalos

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Escalas (Diatónica Maior e menor)
Escala – é uma sucessão de 8 sons, sendo o oitavo a repetição do primeiro Há vários tipos de escalas, de acordo com a relação das notas entre si: Escala diatónica; Escala cigana; Escala cromática; Escala exótica; Escala harmónica; Escala maior; Escala menor; Escala menor harmónica; Escala pentatómica, etc. Escala diatónica maior – é uma sucessão de 8 sons em que o 8º é a repetição do primeiro, formada por 5 tons e 2 semitons que se encontram do III para o IV grau e do VII para o VIII.

Figura 26 – Fórmula da Escala Diatónica Maior

Esta fórmula tem como base a escala de Dó e a relação das notas entre si:

Mi

Sol

Si

Figura 27 – Aplicação da fórmula da escala maior à escala de Dó M

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Se iniciarmos a escala noutra nota usando apenas as notas naturais esta relação não se mantém. Por exemplo. Sol Lá Si Dó Ré Mi Fá Sol

Se ouvíssemos esta sucessão de notas, o nosso ouvido detectaria que algo não estaria bem, pois o intervalo entre mi e fá e entre fá e sol não está de acordo com a fórmula. Entre mi e fá temos apenas semitom e não tom, e entre fá e sol temos um tom e não semitom. Então, para corrigirmos isto, usamos os acidentes, colocando um sustenido ao lado de fá. Sol Lá Si Dó Ré Mi Fá# Sol

Usando as cifras:: C D E G A B F D E F# A B C# G E F# G# B C# D# A F G A C D E bB G A B D E F# C A B C# E F# G# D B C# D# F# G# A# E C D E G A B
F – É a única escala diatónica maior com

bemol. Se sustenissemos o A (Lá) alterariamos a distância G-A de 1Tpara 1 ½ T, então bemolizamos B para mantermos a fórmula.

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Escalas menores:

Embora apenas exista um tipo de escala diatónica maior, existem 3 tipos de escalas menores: o o o Escala menor natural Escala menor harmónica Escala menor melódica

A escala menor natural é uma escala com 5 tons e dois semitons, sendo que os últimos encontram-se do II para o III grau e do V para o VI grau. Neste caso a escala de referência é a escala de Lá menor.

.

Escala Menor Natural de C Escala Menor Natural de D Escala Menor Natural de E

C D E

D E F#

Eb F G

F G A

G A B

Ab Bb C

Bb C D

C D E

Para formarmos as outras escalas partimos da fórmula e utilizamos os acidentes para a respeitar. A escala menor harmónica é uma escala, em que partindo da escala menor natural, se eleva o VII grau em meio tom

Em seguida podemos ver a conversão das escalas anteriores em escalas harmónicas.

+1/2t

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Escala Menor Harmónica de C Escala Menor Harmónica de D Escala Menor Harmónica de E

C D E

D E F#

Eb F G

F G A

G A B

Ab Bb C

B C# D#

C D E

A escala menor melódica é uma variação da escala menor natural, em que se eleva em meio tom o VI e VII grau.

+1/2t

+1/2t

Melódica

#

Escala Menor Melódica de C Escala Menor Melódica de D Escala Menor Melódica de E

C D E

D E F#

Eb F G

F G A

G A B

Ab Bb C

B C# D#

C# D# F

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Por exemplo: A escala de Dó menor natural Pela armadura (*ver armadura de clave mais à frente) podemos ver que nesta escala as notas Mi, Lá e Si são bemolizadas.

Para a transformamos numa escala de Dó menor harmónica, queremos aumentar o VII grau que é o Sib. Para isso colocamos o bequadro ao lado do Si de forma a anular o bemol, o que significa que subiu a nota em meio tom, passando de Si bemol a Si.

Para a transformamos numa escala de Dó menor melódica, queremos aumentar o VI e o VII grau que são o Láb e o Sib. Para isso colocamos o bequadro ao lado de Lá e de Si de forma a anular o bemol, o que significa que as notas subiram em meio tom, passando de Láb a Lá e de Sib a Si.

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Intervalos - Parte 2
O intervalo de primeira, também conhecido como prima, ocorre quando duas notas iguais, na mesma altura, são tocadas consecutivamente. Ou quando notas iguais são tocadas juntas, num acorde, dizemos que estão em uníssono. Embora tenham durações diferentes, sendo a mesma nota tocada mais de uma vez, estão num intervalo de primeira. Quando duas notas ocupam a mesma linha ou espaço, elas estão a um intervalo de 1ª, ou prima. O intervalo de Dó Para Dó ou para Dó # ou para Dób é um intervalo de 1ª.

As notas podem estar perpendiculares ou sobrepostas. Quando as notas estão perpendiculares encontram-se num intervalo de 2ª e quando estão directamente sobrepostas encontram-se num intervalo de terça. À medida que as notas ficam mais distantes, o tipo de intervalo aumenta.

Estes Intervalos são intervalos genéricos. Genéricos pois não é calculado pelo número de semitons, apenas determinado pela distância entre as notas dentro do pentagrama. Intervalos específicos Para uma precisão melhor do cálculo utilizamos a expressão intervalo específico:

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Vejamos os exemplos: Uníssono duas notas iguais tocadas em simultâneo Intervalo de 2ª menor = formado por 1 semitom Intervalo de 2ª Maior = formado por 2 semitons Intervalo de 3ª menor = formado por 3 semitons Intervalo de 3ª Maior = formado por 4 semitons Intervalo de 4ª Perfeita/Justa = formado por 5 semitons Intervalo de 5ª Perfeita/Justa = formado por 7 semitons Intervalo de 6ª menor = formado por 8 semitons Intervalo de 6ª Maior = formado por 9 semitons Intervalo de 7ª menor = formado por 10 semitons Intervalo de 7ª Maior = formado por 11 semitons Intervalo de 8ª Perfeita/Justa = formado por 12 semitons

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Armadura

Armadura de Clave

Figura 28 – Armadura de clave

A armadura da clave é o nome que se dá ao conjunto dos acidentes colocados ao lado da clave na pauta musical, indicando que as notas correspondentes à localização na pauta onde a armadura foi escrita, devem ser tocadas sempre um semitom acima ou abaixo de seu valor natural, conforme se usem sustenidos ou bemóis, respectivamente, na armadura.

Então deixamos de escrever os acidentes ao lado das notas porque, pela armadura, sabemos que as notas correspondentes ao longo da peça têm esses acidentes. O efeito da armadura, isto é as notas que ela afecta, transformando-as em sustenidos ou bemóis, permanece por toda a peça ou movimento, a menos que seja anulado por outra armadura ou por um bequadro. Pode ainda surgir um acidente ocasional, específico para uma dada nota na peça, que não está na armadura. A armadura geralmente é escrita imediatamente após a clave no início da pauta musical embora possa aparecer em outro local da partitura, especialmente após um compasso iniciado por uma barra dupla. Esta é a escala em Si maior, escrita com os acidentes que identificam a tonalidade

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E aqui a mesma escala (são tocadas as mesmas notas) escrita usando-se a armadura da clave.

Por exemplo, uma armadura com cinco sustenidos é colocada no início de uma peça. Todas as notas Fá, Dó, Sol, Ré e Lá que aparecerem na música, em qualquer oitava serão executadas sustenidas. Na escala acima a nota Lá, a penúltima nota, é tocada como um Lá sustenido mesmo estando uma oitava acima da posição onde o sustenido na nota Lá foi indicado na armadura. No exemplo abaixo verificamos o que acontece quando se pretende anular esse efeito para determinada nota. Precede-se a nota por algum acidente (bequadro ou outro um acidente específico), como podemos ver no segundo compasso.

Existe uma ordem para os sustenidos e bemóis na armadura: Sustenidos: Fá Dó Sol Ré Lá Mi Si Bemóis: Si MI Lá Ré Sol Dó Fá Geralmente, quando há apenas um sustenido, este é Fá #. Pois é o primeiro sustenido da ordem dos sustenidos e o tom é SolM ou o seu relativo menor mi menor. Através da armadura podemos determinar o tom em que está escrita a peça.

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Se a armadura contiver bemóis: Se a armadura tiver um bemol apenas, à partida, a peça encontra-se no tom de Fá pois é a única escala diatónica maior que contém apenas um bemol em Si.

Quando possui mais do que um bemol olhamos para o penúltimo bemol. Neste caso, está no tom de mi bemol maior.

Quando a armadura contém sustenidos, o que determina o tom é o último sustenido ao qual acrescentamos ½ tom. Por exemplo, neste caso o último seria ré # logo, logo o tom seria mi maior.

Cálculo da Armadura de Clave Existem 30 armaduras diferentes (15 para escalas maiores e 15 para escalas menores). Usando o método de cálculo da armadura, só é preciso memorizar sete.

-1 FáM

0 DóM

1 SolM

2 RéM

3 LáM

4 MiM

5 SiM

Neste método de cálculo, cada armadura ganha um valor numérico baseado na quantidade e no tipo dos acidentes. Sustenidos são positivos; bemóis são negativos.

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Esses sete valores precisam ser memorizados antes que possamos ir adiante. É fácil porque é a mesma ordem dos sustenidos que já aprendemos antes. Fá Dó Sol Ré Lá Mi Si. O Fá já sabemos que é -1 porque tem 1 bemol, depois fechamos a mão e vamos abrindo os dedos pela ordem dos outros: Dó punho fechado = zero acidentes e levantamos 1 dedo para cada um dos seguinte, representando os sustenidos de cada escala.

Dó b

Dó#

A seguir, vamos comparar Dó Bemol, Dó, e Dó Sustenido Maior. Se começamos em Dó Maior e subtraímos 7, chegamos a Dó Bemol Maior. Se começamos em Dó Maior e adicionamos 7, chegamos a Dó Sustenido Maior. Essas duas relações numéricas podem nos ajudar a calcular armaduras que não conhecemos.

Regra: Para calcular uma armadura de um tom bemol subtraímos 7, para calcular uma armadura de tom sustenido adicionamos 7.

Por exemplo, vamos calcular a armadura de Mi Bemol Maior. Primeiro, sabemos pela sequencia memorizada que Mi Maior, que tem um valor numérico de 4. Para converter para Mi Bemol Maior, subtraímos 7. O resultado é -3; logo, Mi Bemol Maior tem 3 bemóis.

Para calcular a armadura de Fá Sustenido Maior, partimos do valor numérico de Fá Maior que sabemos que é -1, adicionamos 7. O resultado é 6; logo, Fá Sustenido Maior tem 6 sustenidos.

A seguir, examinaremos as escalas menores. Vamos comparar Dó Maior com Dó Menor.

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Dó M (Dó Maior)

dó m (Dó menor)

O Valor numérico de Dó maior é 0, o dedo menor é -3 (os bemóis são negativos)

Regra: Para converter uma escala maior em sua paralela menor, subtraímos 3.

Para calcular Ré Menor, partimos de Ré Maior, que é 2 e subtraímos 3. O resultado é -1. Logo, Ré Menor tem 1 bemol.

Para calcularmos Fá Menor. Partimos do valor numérico de Fá Maior, que é -1 e subtraímos 3. O resultado é -4. Logo, Fá Menor tem 4 bemóis. -1-3=-4

Algumas armaduras exigem duas conversões. Por exemplo, para calcular Sol Sustenido Menor: Começamos com o Sol Maior, que tem um valor numérico de 1. Adicionamos 7 para chegar ao Sol Sustenido Maior. Por fim, subtraímos 3 para convertê-lo a Sol Sustenido menor. O resultado é 5. Sol Sustenido Menor tem portanto 5 sustenidos.

Introdução aos acordes
Acorde é uma combinação simultânea de 3 ou mais notas (Por exemplo na viola o acorde de Dó tem mais do que três notas). Os acordes são constituídos a partir de uma nota fundamental e tomam o nome dessa nota. Damos o nome de "baixo" à nota mais grave do acorde (ela fica sempre por baixo das outras notas na pauta). Quando os acordes estão no estado fundamental a nota fundamental é o baixo. Quando os acordes estão em inversão (ver mais à frente) a fundamental não é o baixo.

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Acordes maiores Os acordes maiores são constituídos pelo I, III, V graus. Existindo 2 tons ou 4 semitons entre o I e III graus e 3 ½ tons entre o 1º e V grau,

Por exemplo:

Figura 29 – Tríade maior

Este é o acorde de C M (Dó Maior) [C, E, G], mas poderíamos acrescentar outras notas, como por exemplo uma das notas que já fazem parte da sua formação mas uma oitava acima. Acorde menor Constrói-se como o acorde maior, usando o I, III e IV grau da escala. A diferença é que entre o I e o III grau o intervalo é de 3ª menor (isto é de 3 semitons).

Figura 30- TYTriade menor

I

II

III

IV V

C D bE F G V V 1 T + 1 st = 2 st + 1 st = 3st O acorde de C m (dó menor) é formado por Cm [C, bE, G]

Acordes relativos São acordes que têm a terça e a quinta iguais e apenas a tónica diferente, o que os torna muito semelhantes. As escalas a partir dos quais são formados têm o mesmo número de acidentes.

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Por exemplo, Lá menor é o acorde relativo de Dó maior. CM [ C, E, G] Am [A, G, E]

Os acordes são escritos na pauta da seguinte forma: No exemplo abaixo temos 3 acordes formados por semibreves

Figura 31 –Representação dos acordes na pauta

Ciclo das Quintas e Ciclo das Quartas
O Ciclo das Quintas e o Ciclo das Quartas são a progressão das notas separadas pelo intervalo de uma quinta justa ascendente (Ciclo das Quintas) ou de uma quarta justa ascendente (Ciclo das Quartas). Estes ciclos são muito úteis como ferramenta auxiliar para definição dos acidentes fixos nas escalas maiores, formação de acordes, memorização dos acordes relativos menores. O Ciclo das Quintas definirá os acidentes "sustenidos" e o Ciclo das Quarta definirá os acidentes "bemóis". Assim facilmente construímos a armadura de clave de cada escala e sabemos a formação dos acordes

Círculo das Quintas Partindo-se da Escala de Dó Maior, a partir da Quinta ascendente teremos a Escala de Sol Maior. Na nova Escala, colocando-se um sustenido no Grau VII, neste caso o F, teremos Fá sustenido (F #), ou seja, nesta Escala, o acidente fixo é F#. Nesta nova Escala (Sol Maior), a partir da Quinta ascendente teremos a Escala de Ré Maior. Na nova Escala, mantendo-se o Fá Sustenido e colocando-se um sustenido no Grau VII, neste caso o C, teremos Dó sustenido (C #), ou seja, nesta escala os acidentes fixos são F # e C# e assim sucessivamente.

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Ao final teremos os sete possíveis sustenidos e sua ordem de incidência, ou seja, F# / C# / G# / D# / A# / E# / B#. Nota: sabemos qual é o sustenido a acrescentar mesmo sem saber qual é VII grau pois já sabemos a ordem dos sustenidos: Fá / Dó / Sol / Ré / Lá / Mi / Si
Escala ou Tonalidade Maior Dó (C) Sol (G) Ré (D) Lá (A) Mi (E) Si (B) Fá sustenido (F#) Dó sustenido (C#) Qtde. de Acidentes 0 1 2 3 4 5 6 7 Fá Fá / Dó Fá / Dó / Sol Fá / Dó / Sol / Ré Fá / Dó / Sol / Ré / Lá Fá / Dó / Sol / Ré / Lá / Mi Fá / Dó / Sol / Ré / Lá / Mi / Si

Sustenidos

Também sabemos qual é o relativo menor, basta contar três graus para trás na primeira escala. Por exemplo na escala de Dó: Dó Si Lá. No ciclo eles estarão também separados por intervalos de 5ª.

Círculo das Quartas O Ciclo das Quartas, para a identificação da sequência de incidência dos bemóis, é semelhante ao Ciclo das Quintas, porém, aplicando a Quarta Ascendente para formar as Escalas e colocando-se um bemol nos Graus IV de cada Escala, partindo-se da Escala de Dó Maior. Assim, ao aplicar a Quarta Ascendente à Escala de Dó Maior, teremos a escala de Fá Maior. Na nova Escala, colocando-se um bemol no Grau IV - neste caso, o Si teremos Si bemol (Bb), ou seja, nesta Escala, o acidente fixo é Bb. Nesta nova Escala (Fá Maior), a partir da Quarta Ascendente, teremos a Escala de Si bemol Maior. Nesta nova Escala, mantendo-se o Si bemol (que agora é a Tónica da nova Escala) e colocando-se um bemol no Grau IV - neste caso, o Mi - teremos Mi bemol (Eb), ou seja, nesta escala os acidentes fixos são Bb e Eb, e assim sucessivamente.

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No final teremos os sete possíveis bemóis e sua ordem de incidência, ou seja, Bb / Eb / Ab / Db / Gb / Cb / Fb.
Escala ou Qtde. de Tonalidade Acidentes Maior Dó (C) Fá (F) Si bemol (Bb) Mi bemol (Eb) Lá bemol (Ab) Ré bemol (Db) Sol bemol (Gb) Dó bemol (Cb) 0 1 2 3 4 5 6 7 Si Si / Mi Si / Mi / Lá Si / Mi / Lá / Ré Si / Mi / Lá / Ré / Sol Si / Mi / Lá / Ré / Sol / Dó Si / Mi / Lá / Ré / Sol / Dó / Fá

Bemóis

QUARTAS

QUINTAS

Figura 32 – Círculo das quintas e das quartas

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Acordes - Inversões
Um acorde está em seu estado fundamental, quando a tônica (ou fundamental) está no baixo (nota mais grave do acorde). Inversão: ocorre quando as notas são reorganizadas de modo que, a nota mais grave do acorde não seja a tónica (ou fundamental). Podemos dividir essa reorganização das notas em três inversões: 1ª Inversão - quando a terça vai para o baixo.

2ª Inversão - quando a quinta vai para o baixo.

Tríade - Tríade é um acorde formado por 3 notas. As suas três notas constituintes são a fundamental, nota mais grave e que dá o nome ao acorde, a 3ª, também chamada nota modal, que determina o carácter do acorde (maior ou menor) e a 5ª. Tétrade - é o acorde consistido de quatro notas, organizados para formarem intervalos de terças sobrepostas. Exemplo em Do maior e lá menor C7M - T 3M 5J 7M CM7 [C, E, G. B] Am7 - T 3m 5J 7m Am7 [A, C, E, G]

3ª Inversão - quando a sétima vai para o baixo.

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Como já foi explicado, a fórmula de formação dos acordes (com 3 notas) tem por base a I, III e V de cada escala correspondente a diferença está nos respectivos intervalos. Para formar os ACORDES DIMINUTOS, o intervalo entre a “I”(primeira) e a “III”(terceira), é de 1tom e meio e entre a “III”(terceira) e “V”(quinta), também é de 1tom e meio. Mais uma vez vamos somar os intervalos. A distância entre a “I”(primeira) e a “III”(terceira) tem que ter 1tom e meio. Então soma-se: DÓ# + RÉ + MIb = 1tom e meio. Fica sendo a “III”(terceira), um MIb. A distância entre a “III”(terceira) e a “V”(quinta) também tem que ter 1tom e meio. Então soma-se: MI + FÁ + SOLb = 1tom e meio. Fica sendo a “V”(quinta) a nota SOLb. Veja a sequência de todos os acordes diminutos: .: Acorde “C° “(dó com diminuta) :.

.: Acorde “D° “(ré com diminuta) :.

.: Acorde “E° “(mi com diminuta) :.

.: Acorde “F° “(fá com diminuta) :.

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.: Acorde “G° “(sol com diminuta) :.

.: Acorde “A° “(lá com diminuta) :.

.: Acorde “B° “(si com diminuta) :.

ACORDES AUMENTADOS. A base da triade é sempre a mesma I, III e V da escala correspondente onde a diferença se dá pela soma dos intervalos. Os ACORDE AUMENTADOS tem que ter 2 tons entre a “I”(primeira) e a “III”(terceira) e 2tons entre a “III” e a “V”(quinta). Vamos somar os intervalos: A distância entre a “I”(primeira) e a “III”(terceira) tem que ter 2tons. Então soma-se: DÓ# + RÉ + RÉ# + MI = 2tons. Nesse caso a nota MI não teve auteração porque tem a distância de 2tons entre a “I”(primeira) e a “III”(terceira). A distância entre a “III”(terceira) e a “V”(quinta) tem que ter 2tons. Então soma-se: FÁ + FÁ# + SOL + SOL# = 2tons. Como a “V”(quinta) nota foi acrescida de 1/2 meio tom, ela torna-se SOL#.

.: Acorde “C(#5)“(dó aumentado) :.

32

.: Acorde “D(#5)“(ré aumentado) :.

.: Acorde “E(#5)“(mi aumentado) :.

.: Acorde “F(#5)“(fá aumentado) :.

.: Acorde “G(#5)“(sol aumentado) :.

.: Acorde “A(#5)“(lá aumentado) :.

33

Acorde “B(#5)“(si aumentado) :.

Transposição
Podemos transpor qualquer música de tom facilmente. Basta sabermos qual o intervalo entre o tom em que está a música e o tom par ao qual a queremos passar e aumentar ou diminuir cada cifra de acordo com essa diferença.

A D C

E A G

A D C

A7 D7 C7 Tom original - C (Dó M)

Deus está aqui Aleluia A D E A D7 G A D A7 F G C Tão certo como o ar que eu respiro D C# F#m G F# Bm F E Am Tão certo como o amanhã que se levanta B E Em A Dm G Tão certo como eu te falo A D C E podes me ouvir
Transposição para tom D (Ré M) Transposição para tom A (Lá M)

Tirar música de ouvido

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A maior parte das músicas respeitam uma determinada sequência de acordes. São acordes que estão dentro de um campo harmónico da nota que confere o tom à música.

IM

IIm

IIIm7 IVM

VM

VImR

VIIo

(M – maior m – menor m7 – menor de sétima R – relativo o – aumentado)
Acorde Tonal (Maior)

Relativo Menor
Dm Ebm Em Fm F#m Gm G#m Am Bbm Bm Cm C#m Em Fm F#m Gm G#m Am A#m Bm Cm C#m Dm D#m F Gb G Ab A Bb B C Db D Eb E G Ab A Bb B C C# D Eb E F F# Am Bbm Bm Cm C#m Dm D#m Em Fm F#m Gm G#m Bo Co C#o Do D#o Eo E#o F#o Go G#o Ao A#o

C Db D Eb E F F# G Ab A Bb B

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. João 3:16-17

Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve. Jesus em Mateus 11:28-30

Entrega o teu caminho ao SENHOR; confia nele, e ele o fará. Salmos 37:5 NÃO HÁ MAIOR AMOR DO QUE O AMOR DE DEUS.

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