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Introdução: O amor  banquete O

- O que ama o Amor? O que dura o perene imortal, ama o bem pois amar é desejar que o bom nos pertença para sempre. - O que o amor nos corpos bons? Sua beleza interior e exterior. Amando o belo exterior, eros nos faz desejar as coisas belas; Amando o belo interior, nos faz desejar almas belas. O amor da almas belas concebe engendra o primeiro acesso a verdadeira importalidade: As virtudes. - Onde reside o belo nas coisas corporais? Na perfeição de suas figuras, de suas proporções, de sua harmonia e simetria. Assim, no coração da matéria perecível e imperfeita, suegem sinais do imperecível: A beleza da forma. - Onde reside o belo nas almas? Na perfeição de suas ações, de seus dircursos e de seus pensamentos. Assim o coração da alma imortal anuncia-se o perfeito imperecível: A beleza do saber, a manifestação do lógos ( A ciência). - O que deseja o desejo? Que ama o amor? A beleza imperecível, seu supremo e único bem. - Que é desejar-amar o belo-Bem? Desejar possui-lo, participando de sua bondadebeleza. - Como participar do objeto desejo-amor? Pelo conhecimento ⎯ Filosofia. Na contemplação da beleza-bondade os humanos alcançam a ciência ou o saber, por meio de qual concebem, engendram e dão nascimento as virtudes e por meio delas se tornam imortais. Desejo de formosura foi o que a tradição consagrou com a expressão “amor platônico”.

 Viagem a siracusa
- Com a queda dos trinta (o governo dos trinta tiranos instalado por Critias, primo de Platão, para recolocar asritocracia no poder.) Platão esperava um retorno das leis e do governo democrático, mas, em vez, viu socrátes arrastado ao tribunal para ser injustamente condenado e seus amigos, entre os quais ele próprio, posto sob suspeita. O desanimo invade e por isso em 388 A.C realiza a primeira viagem a siracusa. Conhecendo as ideia de platão, dião se entusiasma e faz o filósofo aproximar - se de dionísio I, na esperança de convence-lo de que o bom governo se faz com leis e sabedoria e de que é preciso dar uma constituição a siracusa, abandonando assim a tirania, não foi possivel tal feito, assim platão volta à Atenas e funda a Academia (Primeira escola de filosofia.) - A convite de Dião ( Agora no poder) retorna a siracusa agora com a esperança de que o filósofo eduque politicamente dionísio, o jovem. Enquanto aguarda que dionísio II se torne filósofo e bom governante Dião tenta aplicar as concepções platonicas em siracusa. - Em uma terceira viagem a siracusa a convite de Dionísio II, é solicitado a Platão que exponha e a outros membros do governo suas ideias e os aconselhe no exrecicio do poder. No entanto um novo golpe a atingiria Platão e este é mantido prisoneiro no palacio. A experiencia de siracusa foi vivida por ele como verdadeira tragédia que nele produziu resignação: a certeza de que não é possivel fazer de um rei um filósofo. Desse fracasso nasce a famosa expresão: Nao tendo podido fazer do rei um filósofo platão escreverá sua filosofia para fazer do filósofo, rei. - A narrativa dessas viagens e das experiencias malogradas é feita por ele na famosa carta sétima, escritas ao amigos de siracusa a fim de ser lida em público, primeiro texto em que vemos Platão expor a relação pratica entre sua paideía politica e sua teoria do conhecimento. Essa passagem da carta setima, ao lado dos aspectos biograficos e da imagem desoladora de Atenas, contêm algumas ideia que,, desenvolvidas em vários dos dialogos

da magia natural. .Que ideias platonicas passram para a tradição do pensamento politico? Primeiro. Platao da renascença: Platao neoplatonico das emanacoes do Bem (ou Deus).teologia. ou seka . Platao dos romanticos: filosofo do sistema. Platao dos primeiros cristaos: Platao da imortalidade da alma. .com o ser e o nao ser e com as questoes logicas do conhecimento.aparencia e ideia.C.da oposicao entre opiniao e verdade..a treva pura. quantr as suas preocupações filosoficas profundas.Muitos estudioso do platonismo e da filosofia platonica. os esfor’ços para tira-la da condição de tirania -. formarão uma especie de solo e fundo permanente do pensamento pollitico ocidental. Platão nos deixa sem saber exatamente se suas preocupações filosoficas são essencialmente politicas ou ontologicas e . inaugure o novo pensamento da politica .a carta setima é a prova de que seu interesse pela politica nunca desapareceu.politica.etica. Platão narra suas viagens a siracusa. isto é.nele.luz infinita.dando-he uma Constituição escrita e um bom governante --.animadas pelo sopro da Alma do Mundo e de Eros.impensavel e inalcançavel pelo espirito comum. Por fim. poism de um lado.da critica ao corpo como prisao da alma.Para Jaeger. nesse relato. a ideia de remedios para combater ou curar a corrupção politica. mas a pratica da justica por aqueles que possuem a ciencia do bem comum).Após essa abertura da Carta.da dialetica como metodo de conhecimento ⎯ diferenca entre imagem e ideia e da importancia dos paradigmas.indo desde as formas puramente espirituais e imateriais até a materia bruta. Ou seja . Platonismo interpretado como parte da filosofia hermética. Platao de Victor Goldschmidt: é o da teoria do conhecimento. Platão precura resumir os principios da educação filosofoca que pretendera ministrar aos dois tiranos. o filosofoto declara que. de outro . É o Platao dos paradigmas. os estudiosos se dividiram.espalhando-se em emanaçoes que formam o mundo. entre um platão eminentemente politico e um outro contemplativo e metafisico.da purificacao espiritual como forma de salvacao.politicos. Platao de seu dissipulo Aristoteles: filosofo preocupado com a distincao entre o mundo sensivel das aparencias e o munto inteligivel das essencias. Platao redescoberto no seculo VI: preocupado com a teologia: o Bem (ideia suprema) é o ser uno e indizivel.isto é. Platao de Jaeger: A politica surge como nucleo da obra platonica.isto é. a cada epoca surge um novo Platao.dos vinculos secretos entre as coisas. lebando em consideração a autobiografia contida na carta sétima. endereçado aos amigos.embora tomasse formas diferentes e novas.sensivel e inteligivel. pensam que a politica é o tema central de seu filosofia. as peripecias da vida da corte e a corrupção. - - . a ideia da relação entre virtude moral dos governantes e qualidade do regime politico( Bom governo) Segundo.teoria do conhecimento sao aspectos internamente articulados de uma unica doutrina acabada e coerente. as perseguições e o fracasso para substituir a violencia ou a força -.“Problema Platão” e dois deles estão brevemente indicados na passagem que acabamos de citar. a da relação entre a ciência da politica ou saber teorico sobre a politica e direito de governar(politica não é uma arte ou tecnica de governo. até que maquiavel. . a vontade de um só (o tirano) 00 pelo poder justo e impessoal das leis. em criar a politica em sitracusa. trazendo a perspectiva da medicina grega para o campo politico. não declara que os siracusanos não conhecem seus pensamentos porque ainda não o escreveu e sim que não o escreverá nunca. a ideia de que a regeneração ou saude politica dependem do feliz encontro entre um bom governante e as circunstacias ou a ocasão oportuna (o kairós). no seculo xv d. nunca se escreverá e jamais deixará por escrito. ao mesmo tempo que justifica a esctita de suas obras.  O “problema Platão” e a historia da filosofia Como é frequento noe sestudos teoricos e na historia da filosofia. durante muito tempo.

. Para Nietzsche Platao foi destruido pelo racionalismo ressequido de Socrates.ja que os leitores interpretam a obra e deformam. em segundo. .oferecendo-se aos nossos sentidos e pensamentos. os escritos que foram citados. . --> véu que encobriria o pensamento do proprio filosofo.2) Nao ha um unico dialogo que Platao esteja diretamente presente. Era uma escola que prentendia.politicas.possibilitando uma multiplicidade de leituras e interpretacoes. como modelo as seitas religiosas dos misterios. 3)Platao procura confundir o leitor em seus diálogos.Nesta. em primeiro lugar.para as quais elabora um conhecimento novo.sob influencia do pensamento neoplatonico e do hermetismo. . Dialogos são um modo de expressão filosofica inventado por Platão. A obra é o campo temporal da escrita-leitura-escrita .que repudiou o mundo sensivel pelo das puras ideias.resposta e duvidas de um filosofo diante das questoes culturais. 5)Grandiosidade de suas obras.Para Heidegger. O ideal da educação autonoma significa.de tal modo que a obra de um filosofo.conversas entre mortos e vivos. Em vez de transmitir valores éticos e politicos .assim as primeiras leituras foram baseadas em alguns textos da maturidade e da velhice de Platao e posteriormente. 3) uma obra de pensamento é constituida pelo conjunto dos textos do filosofo e de todos os textos que foram escritos sobre ela ou por causa dela. em todos os campos do saber.A obra de Platao sao os escritos motivados pelas questoes teoricas e praticas do seu tempo.A fundação da Academia e os diálogos. ensinar o livre espirito de pesquisa . particularmente Aristóteles.o ser manifestava por si mesmo e em si mesmo. .isto é. sem modelos anteriores senào a conversa socrática.nos faz pensar sobre outras que nos preocupam porque sao as de nossa época.. a propô-los a partir da reflexão e da teoria. em vez de transmitir doutrinas. estimular a autodeterminação ética e politica.destuindo a essencia grefa da verdade. fundada na mesma epoca. -  A Obra .fatos anteriores ao nascimento de determinado personagem. tinham. Ao contrario das primeiras escolas filosoficas.Platao inventou a verdade como “adequacao entre o intelecto e as coisas”.em primeiro lugar porque parte da obra se perdeu..que lhe tirou a energia agonistica para transformá-lo no metafisico das ideias. realizar o ideal socratico da autonomia da razão e da ação contra a heteronomia em que se comprazia o sofista Isócrates.em segundo porque o ensinamento platonico se dividia em duas partes ⎯ uma para o publico e outra para discussoes fechadas. POr isso.assim nao podemos saber se as ideias apresentadas sao dele ou de outros.Seria possivel encontrar o verdadeiro Platao? As leituras e interpretacoes sao relativas.o compromisso do pensamento apenas com a verdade e ..criando uma posterioridade. istoé .dependeriam de inumeras condicoes do leitor. isto é os escritos que foram citados. 4)Nem toda obra de Platao foi sempre conhecida.etc. 2) uma obra filosofica recolhe e se insere em tradicoes filosoficas.Platao de Nietzsche e de Heidegger: o Platao da metafisica. embora leigas.criteria da tradição. isto é. espirito socrático. que .Qual o verdadeiro Platao? É um conjunto de textos que nao poderia ser lido nunca. comom lemos no menôn “ o dever de pricurar o que não sabemos”. comentados ou criticados pelos antigos. obs 2: 1) uma obra filosofica é um tecido de indagacoes. a academia foi o primeiro instituto de investigação filosofica do Ocidente.e a posterioridade filosofica que seus escritores tiveram a forca para suscitar. comentados ou criticdos pelos antigos. a academia ensinava a pensar ou. a Academia rivalizava e combatia a Escola de Retorica. particularmente Aristóteles. do sofista Isocrates.sociais. a Academia ensinava a cria-los.etc.ao pensar alguma questao.criterio do testemunho. Verdade --> atividade da razao obs: razoes pelas quais existem diversos platoes: 1) ninguem nunca conheceu a totalidade de seu pensamento.a alethéia.

Em segundo. peças dramaticas de beleza e legancia sem par. no Banquete. trazendo novos elementos para enriquecer uma posição. no Fedro. Os dialogos platonicos não são apenas obras filosoficas. no Politico. . no timeu. os que ainda expõem as ideias de Sócrates e os que já apresentam as ideias do próprio Platão. escritos que contiverem contradições (e não simplesmente diferenças de argumentos).Critério da doutrina. o mito de Tot. expressões linguisticas. M Crombie distinção muito interessante entre os dialogos.Republica. os destrutivos. pois platão possui estilo proprio e inconfundivel.Discurso e o mito. 2) criticar ospoetas. modo de construção das frases. debate-las. mostrando que a filosifia é um pensamento que se elabora na discurssão e sem preconceitos prévios. fazendo-nos desejar impor nossa vontade e nossa opinião aos demais. . o mito da origem das leis. Em primeiro lygar. Platão revê argumentos. o mito de Eros(Narrado por ditima). Ora. Os dialogos que não fazem parte dos vinte e tres são chamados apócrifos porque foram indevidamente atribuidos a Platão. usando uma forma que era familiar aos interlocutores ou por meio de uma alegoria ou parabola. A ignorancia e a irracionalidade são expressões e causas de violência. Por que Platão teria escolhido a forama do dialogo? Pelo menos por tres razoes principais. falta de proporção. dois propositos de conhecimento: 1)tornar acessivel a ideia que Platão quer transmitir. sem mudá-la no essencial. faz acrescimos para fortalecer a argumentação .Estes criterios precisam ser usados simultaneamente para que a autenticidade ou não de um escrito seja definida. no Fédon. o mito do anel de Giges. O recuso a mitos. se comparados aos atribuidos a platão . oferecendo seguraça ao intérprete. . Violênca aos outros. mas tambem.e nos fazem querer que os outros seja heteronomos -. três tipo: os construtivos. isto é.criterio de estilo. que é nossa melhor parte.somos governados pelas coisas que desejamos -. . no Critias. mocidade. o mito da caverna e o mito de Er ou da reminiscência. No decorrer de sua vida. . cada um dos participantes pode expor livremente suas opniões. Em terceiro . isto é. violência e injustiça realizam-se principalmente por meio de dois instrimentos: pela . passar pela ironia e pala maiêutica. não aconteceram.  Violência. Que violência há no poderio irracional das paixões? a violência que fazemos contra nossa razão. o mito da Atlantida. como narrativa de fatos que teriam acontecido. cada um deles controla e confirma os outros. recurso poético. O prazer insaciável e o conflito dos prazeres é a violencia contra si e os outros. que usavam o mito como exposição da verdade. verdadeiras joias literarias. mais acessivel ao leitor quando o assunto debatido é extremamente dificil.Violencia que os homens praticam entre si como na guerra e na politica. pode ser usto e praticar a virtude. isto é. Injustiça e linguagem .sejam governados pela nossa vontade. são considerados inautênticos ou apócrifos.Sócrates afirmara que o mais precioso no homem é sua alma racional e que graças à razão. . parte do conteudo filosofico platonico. os enigmaticos. figuras de linguagem. mas que. porque são uma criação literária de carater dramatico. equelibrio e medida constituem a violencia reciproca. As paixões nos tornam heteronomos -. tendo feito por si mesmo o caminho do conhecimento. Dialogos platonicos são divididos em socraticos e não socraticos. .. de fato. porque conservar a forma de fazer filosofica inaugurada por Sócrates. o estilo e a finalidade. o mito do cocheiro. velhice. Desordem e conflito. contrução dramatica das personagens e do entrecho. encontrando prazem em dominá-los e submetêlos. como ainda nos torna tiranicos.I. maturidade. o mito das idades do mundo.As cartas eram textos para serem lidos em publico para um grupo de amigos. porque essa é a forma mais adequada para expor a dialética como método de conhecimento. tendo sido escritos por autores desconhecidos. pois a paixão não só quer possuir sozinha tudo quanto lhe traga prazer e luta contra os demais por essa posse.

isto é.retorica x dialetica : na dialetica.nem ciencia.Tanto na Republica como no Górgias.sua funcao é fazer com que um dos interlocutores compreenda que esse tipo de enfretamento nao tem saida senao à aprente vitória do mais hábil ou mais forte.Arte da seducao e da mentira. que se discute o que é a justiça.o sofista define a justica como um ato de violencia que deixaria de ser violento simplesmente por ser natural ⎯ justica é o dominio dos mais forte sob o mais fraco.seu engano esta em cofundir a forma sensivel ou sensorial das coisas . “o que é o homem justo?”. 3)politica .O filosofo um perito da dialética..no dialogo. por meio de ilusões.a seguir.Gorgias retórica nao é uma arte.Platao afirma que se quisermos filosofar.seres cuja natureza permanece sempre identica no espaco e no tempo. O combate platonico a violencia e a injustica comeca pelo combate a mentira.a dominacao pelos mais fortes.cada um dos interlocutores perceba o vazio e o nao senso daquilo que dizia e para.”o que é virtude?” . Porque o mundo sensível ou das sensaçoes é o mundo das aparencias e das mudancas.enfrentam-se duas opinioes. A lei justa sera a que realizar esse direito definido pela natureza. isto é. A intervencao de Trasímaco e a de Cálides sao exemplares pois.e a justica.O direito da natureza afirma que o justo é o prazer do mais forte.nele e dele só podemos ter opinioes e estas sao mutaveis e contraditorias como seus objetos. . No entanto.matar o pai Parmênides ⎯ adimitir a existencia do nao ser.mas uma habilidade ligada ao prazer.mas para que.“o que é justiça?”.por meio delas Platao explicita a dimensao violenta da linguagem.isto é.sempre igual a si mesma. . . . No grego a voz media situa-se entre a voz ativa e a voz passiva. .Por que a dialetica é o exercício nao violento da linguagem? Pois é a voz media.De volta à Republica.ambos defendem o poder do mais forte -->direito natural da tirania 4) a ética . A dialetica trabalha para desfazer o exercicio da palavra como batalha verbal. o sofista Trasímaco define a justica como “a conveniencia dos mais fortes” . pois em cada Estado as leis nào são outra coisa senão a expressão da conveniencia dos mais fortes.deixando de falar de si mesmos para começar a buscar o que é aquilo de que querem falar.mas diferentemente na retorica.Heráclito é o filosofo que explica o mundo em que vivemos e que.ambos interrompem a cena dialética com fúria. .porque nela o agente é a pessoa afetada ou beneficiada pela acao ⎯ o agente sofre o efeito da acao que realiza. 2)ambos desprezam a filosofia --> fraqueza.aparencias e simulacros.mas tambem pode ser um instrumento capaz de “curar”se usado na hora certa.primeiro.levá-los a interromper a emissao desordenada de opinioes subjetivas (achismo). . O dialogo dialetico nao é feito para que alguem diga alguma coisa.como na retorica.uma vez que este exige que encontremos essencias.o devir incessante impossibilita o conhecimento. . mas exatamente no sentido inverso.sao chamadas de pericias de adulaçao ⎯ a linguagem nas maos do sofista e do retórico é mascara.garantindo a necessidade de sua realidade e a universalidade de seu conhecimento .O sofista é um perito em imitacoes. Essa mesma tese é defendida no Górgias pelo sofista Cálicles.de fato. .fazendo parte de um conjuto de habilidades desse tipo que.esta em devir..teremos que cometer um parricidio.  Dialética e teoria do conhecimento . Platao aprendeu com Socrates a empregar as duas vozes do verbo e esse emprego é propriamente a dialetica platonica.No inicio da Republica.força fisica ou a das armas e pela palavra. 1) estilo dramatico. simulações e dissimulações conseguidas com belas e astutas palavras. visto que a cidade e suas instituições existem apenas por convenção.o devir é a marca prorpia do mundo corpóreo ou das aparencias das coisas percebidas por meio de nossos sentidos. à linguagem que deliberadamente diz o falso. lei e natureza sao opostas --> leis tidas como injustas pois sao feitas pelos fracos para dominar os mais fortes --> tecnicas de inversao de hierarquia.

mas é dizer o que é em si mesma a coisa procurada.Opiniao formada de varias opinioes. . -Como no Górgias. Platao mostra que a pergunta “o que é?” pressupoe que conhecer é oferecer uma explicacáo racional nao sobre o objeto da pergunta e sim sobre as opinioes que dele formamos. A unidade de uma opiniao so pode ser produzida se houver uma atividade mental.capaz de unifica-las.ou seja.e que a marca da opiniao é sua dependencia tanto da variacao das sensacoes individuais como da variacao de testemunhos.corporeas com a forma inteligivel ou intelectual das essencias reais.que nos fazem conhecer alguma coisa por ouvir dizer.algumas vindas das sensacoes outras vindas do que escutam.o ser.quando. .ao seu nao ser ⎯ por essa razao a dialetica platonica trabalha para supera-los e diferencia-se da sofistica porque mostra ser impossivel das a mesma força cognitiva a duas . 1) o que é conhecer? O preocedimento socratico é reflexivo: o interlocutor termina voltando-se para seu propriodiscurso ou para seu prorpio pensamento e emite um juizo nao sobre a coisa perguntada e sim sobre as respostas que ofereceu na tentativa de dizer o que a coisa é.aquelas que podem receber a definicao encontrada. Assim estava certo ao distinguir as sensacoes do ser.Parmênides errou em supor que havia uma unica forma inteligivel. . -O trabalho do diáologo consiste em ir encaminhando o interlocutor para que indague quais sao os atos corporais e mentais com que percebemos.afirmamos ou negamos.tal que seu conhecimento permita identificar.existe uma pluralidade de formas ou essencias.“O que é?” – a definicao oferece como resposta o ser proprio da coisa procurada e por isso mesmo nao poderá ser aplicada ao contrario dessa coisa.ou do mudo puramente inteligível que só alcançamos pelo pensamento e jamais pelos sentidos ou pelas sensaçoes.ainda que tivesse afirmado que o verdadeiro conhecimento nao provém dos sentidos. No caso da sensaçao é a alma que realiza a unificaçao.duas modalidades de conhecimento – a sensaçao e a opiniao – sao examinadas de maneira a mostrar que a marca da sensaçao nao é depender apenas das condicoes variáveis do corpo daquele que sente ou percebe. . .uma unica ideia ou essencia.numa pluralidade de coisas ou numa pluralidade de açoes.mas tambem da variacao ou dos movimentos que acontecem no objeto sentido ou percebido.A identidade.perenidade e unidade das formas imateriais é a marca das essencias ou das ideias. Ora definir nao é apenas que X é isso.imobilidade.justificamosou explicamos alguma coisa – o dialogogo encaminha a discussao para o exame das atividades cognitivas do sujeito do conhecimento.conhecidas exlcusivamente pelo pensamento.que sao as ideias. -No Górgias.é dizer qual a verdadeira essencia da coisa buscada.na verdade.Definir é também oferecer a ideia da coisa de tal maneira que a definicao nao possa aplicar-se a coisas quaisquer nem possa aplicar-se a coisas contrarias ao definido – definicao é o universal de um conjunto de coisas particulares determinadas e precisa ser encontrada de maneira tal que nao se aplique a coisas cujas qualidades ou propriedades sejam opostas ou contrárias à da coisa definida.essa distincao entre o sensivel e o inteligivel ou entre o visivel e o invisivel é a base da teoria platonica. No Teeto. .diferente das proprias opinioes.“O que é?” ⎯ solicita ao interlocutor a definicao da coisa.tambem no Teeto pergunta-se se algumas opinioes nao seriam corretas e se a ciencia ou o saber nao seria somente a opiniao correta para a qual podemos oferecer explicaçoes e justificativas racionais.

Na carta sétima.Porem. . Sao 4 os modos de conhecimento: os 3 primeiros sao os meios de adquirir conhecimento e o quarto é o conhecimento propriamente dito.como delas podemos ter as mais diversar opinioes.mas nossos sentidos.a definicao nominal de uma coisa lhe atribui um nome e a descreve.a essencia inteligível de alguma coisa.com o verdadeiro objeto do conhecimento.o filosofo se limita a dizer que nossa alma aspira ao quinto modo de conhecimento.e as afirmaçoes de filósofos nao viam diferença entre conhecer e ser conhecido.definirmos.distinguindo os meios para adquirir conhecimento.nossa educacao e nossos preconceitos dificultam a chegar até ele.traçarmos e pensarmos.O quarto modo é o conhecimento do conhecer.definir e racionar sobre alguma coisa e essa própria coisa em si mesma.muito próximos das operaçoes corporais.opinioes contrárias.o próprio conhecimento e o objeto conhecido.o segundo definicao.nem a referir-se ao conhecimento verdadeiro como aquele que oferece a definicao intelectual da coisa procurada. .nomear. ⎯ a funcao do quarto modo de conhecimento é preparar-nos para alcançarmos o objeto real.o próprio objeto ou a coisa em si mesma ou a coisa em si mesma. O primeiro é o nome.das inclinaçoes e das paixões.Platao introduz a noçao de modos de conhecimento. Platao acrescenta aos quatro elementos iniciais um quinto elemento.torna-se capaz de avaliar como nas coisas sensíveis há contradiçoes.o terceiro imagem e o quarto conhecimento.quando ela o alcança.isto é. Teoria do conhecimento na carta sétima .os filósofos não viam diferença entre conhecer e ser conhecido.uma que diria o ser da coisa e outra que diria o nao ser dela -Platao nao se limita a apresentar os aspectos subjetivos e objetivos do conhecimento.e as afirmacoe de Heráclito.pois nelas a verdade nao existe.a referir-se à alma como um poder unificador do diverso das sensaçoes e das opinioes e como superadora da sensacao e da opiniao. 2.o sabermos que temos tres modos de conhecer e sabermos que o objeto alcançado por esses tres modos nao se confundem com o objeto real.e por isso tendem a confundir o objeto materializado em sons ou em figuras com sua essencia inteligivel. -Até Platao.isto é. A definicao filosófica ou definicao real é aquela à qual se chega no percurso do conhecimento e nao aquela da qual se parte para conhecer alguma coisa. .mas não diz o que a coisa é em si mesma nem como e por que tal coisa é real e verdadeira.Parmênides.ou melhor. -a finalidade da exposicao da teoria do conhecimento na carta sétima é mostrar que os modos de conhecer ainda estão muito presos à sensaçao e à percepçao.que existe fora de nós e independentemente de a percebemos.sobre a qual o conhecimento versa. .Zenão ou dos atomistas quando distinguiam sensacoes e pensamento nao se referiam à natureza das próprias coisas como sensiveis ou pensaveis. Os quatro modos de conhecer e o quinto elemento indicam a diferenca entre o que se passa em nossa alma nos atos de perceber.

a cada modo ou grau de conhecimento corresponderá um tipo de objeto ou de coisa.isto é. OS OBJETOS DO CONHECIMO Mundo inteligível Eîdos (formas.nome.e a natureza do objeto conhecido: na aikasía.de tal maneira que.ideias) Tá mathéma (obejtos matemáticos) Mundo sensível Zoá (coisas vivas e coisas visíveis) Eíkones (imagens) OS MODOS DO CONHECIMENTO Noésis (intuiçao intelectual): episteme Dianoia (raciocínio dedutivo) Pístis (crença) e doxá (opinião) Eikasía (“imaginaçao”..coisas sensíveis (confiança na sensaçao.cópias (imaginaçao.simulacros) . -tambem pode ser representado por um diagrama no qual se ve a dstancia entre cada um dos modos de conhecimento e os objetos correspondentes a cada um deles: 4 degrau: Nóesis.em que Platao distingue modos de conhecer e a coisa em si mesma.o mais importante de sua teoria : os modos de conhecer sao apresentados como graus de conhecimento servindo para indicar uma distancia entre.ao mesmo tempo.A Teoria do Conhecimento na República -No livro VI da republica. na pístis ou dóxa.definicao.uma delas é maior do que a outra.arte) -Platao estabelece uma correspondencia total entre o modo de conhecer.imagem e. -Platao apresenta os modos ou graus de conhecimento distribuídos em um diagrama dividido em duas partes desiguais.na Republica.uma imagem deformada e ilusória da coisa sensivel.o filosofo nos mostra qual é a açao cognitiva realizada pelo corpo e pela alma e quais sao os objetos correspondentes a cada um dessas atividades cognitivas. 3.cada qual com seus modos de conhecer hierarquicamente distribuídos.em casa um deles.a própria ideia.a exposiçao da separaçao e diferença entre o sensível e o inteligível.a atividade cognitiva é a percepcao indireta de alguma coisa e o objeto conhecido é uma sombra. Na Republica a teoria dos modos de conhecer ou dos graus de conhecimento encontrará uma exposiçao mais clara e mais completa.um reflexo.percepçao – opiniao que formamos) 1 degrau: Eikasía ⎯ imagem das coisas sensíveis.a atividade cognitiva é a sensacao e ouvir dizer e o objeto conhecido é a coisa sensivel percebida ou ouvida.de outro. na diánoia.episteme ⎯ intuicao inteletual ou ciencia intuitiva – Eîdos ou Ideia (tem um saber) 3 degrau: Diánoia ⎯ Raciocínio ou pensamento discursivo.a exposicao da teoria do conhecimento é.de um lado.a operaçao realizada pela alma.diferentemente do que ocorre na carta sétima.matemática (que seprar argumentos e razoes para uma deduçao) 2 degrau: Pístis ou dóxa ⎯ crença e opiniao.isto é.a atividade cognitiva é o raciocínio discursivo e .

dialética pode ser resumida: 1) é a arte de conduzir uma discussao para captar contradicoes e desvios que interrompem o caminho para chegar em uma definicao 2)é o metodo filosofico-cientifico para desenvolver o conhecimento por meio de perguntas e respostas 3)é o metodo para que a alma racional consiga apreender intelectual e conceitualmente uma realidade.enquanto a dialetica alcança a mesma coisa em sua unidade e integridade indecomponíveis.caráter dinamico do conhecimento ⎯ dialética. 8) é uma técnica perfeita da alma. .alegoria da teoria do conhecimento e da paideía platonicas.e que pode conhecê-lo porque é de mesma natureza que ele ⎯ no banquete recebe o nome de Eros ou amor e por isso ali é feita a distinçao entre dois amores.além de operar hipotética e dedutivamente. 6)difere das matematicas porque estas. na noésis.o objeto conhecido é uma idealidade . 4.uma pedagogia (paideía) do espirito que o prepara para contemplar o ser ou a Verdade. . MUNDO SENSÍVEL MUNDO INTELIGÍVEL .a dialética é a educaçao da inteligencia.mas que ainda precisa de representaçao imagética e do movimento sucessivo do raciocínio ou da deduçao.a forma inteligivel apreendida diretamente pela inteligencia.bem como as relacoes entre ideias. Mito da caverna . ⎯ encontra causa da verdade do objeto conhecido e por isso nele a alma alcança a episteme.no livro VII da Republica. 7) é uma atividade que somente pode ser exercitada por aqueles que conhecem as matemáticas.Por ser passagem.Platão narra o Mito da Caverna.para explicar o movimento da passagem de um grau de conhecimento para outro. 4)metodo pelo qual a razao entra em contato direto com seu objeto ⎯ alcança o lógos.o amor pelo perecível e o amor pela boa-bela .eîdos.comparável a medicina para um corpo ⎯ é a passagen de um estado de privaçao a um outro de aquisiçao de uma qualidade conforme à natureza da coisa. graus superiores é fazer a alma passar de hipotese em hipotese (diánoia) até a visao intelectual (nóesis) do nao hipotetico e incondicionado.captando sua essencia ou forma ou ideia.alma participa da natureza do objeto conhecido e que pode conhece-lo porque é de mesma natureza do objeto conhecido.pois seu ponto de partida sao as hipoteses matematicas.isto é o eîdos 5)é uma atividade que se realiza em duas etapas: a primeira opera com contradiçoes das opinioes e a segunda opera ultrapassando demonstraçoes.a atividade cognitiva é a intuiçao direta e o objeto conhecido é ideia pura.operam com relaçoes entre elementos ou entre partes.

opiniao. -o mito da caverna estabelece uma relaçao interna ou intríseca entre a paideía e a alétheia: a filosofia é a educaçao ou pedagogia para a verdade . -ao sair da caverna.portanto nao podem se ver nem ver os outros ⎯ nao sabem que o que veem na parede sao sombras de um outro mundo. Os grilhoes sao a confiança nos nossos sentidos. As sombras sao as coisas sensíveis.privaçao de verdade -essa analogia é o tema do Mito da caverna.depois de um caminho difícil.privaçao de luz Ignorancia.conhecer – vendo as essencias ou formas (eíde) – para descobrir seu parentesco com elas. -para os prisioneiros da caverna o unico mundo real é a caverna. Ao chegar os demais nao acreditam nele.que tomamos como verdadeiras.a tragetoria realizada pelo prisioneiro é a descriçao da essencia do homem e dua destinaçao verdadeira ⎯ seu destino.sente-se dividido entre a incredulidade e o deslumbramento. Somos prisioneiros.descobrindo que havia sido prisioneiro a vida toda.Sol Bem Luz Verdade Cores Ideias Olhos Alma racional ou inteligencia Visao Intuiçao Treva.o mito da caverna apresenta a dialetica como movimento ascendente de libertaçao do olhar intelectual que nos livra da cegueira para vermos a luz das ideias. ⎯ conhecer é.criadas por artefatos fabricadores de ilusao.da dialética e do conhecimento verdadeiro. movimento descenso: praticar com outros o trabalho para subir até as ideias -relato de subida e descida ⎯ paideía como dupla violencia necessaria para a liberdade e para a realizacao da natureza verdadeira da alma -no mito a dialética leva a alma a ver sua propria essencia ou forma (eîdos) – isto é. O prisioneiro que escapa é o filósofo.a facilidade de ver as proprias coisas. .isto é.cegueira.tornando motivo de zombaria. .pois. Interpretaçao do mito da caverna por Heidegger -segundo Heidegger esse mito é a exposicao platonica do conceito da verdade.volta a caverna para tentar salvar os demais.para Sócrates.um ato de libertaçao e de iluminaçao . O fogo que projeta as sombras é um reflexo da luz verdadeira (Bem e das ideias) sobre o mundo sensivel.fica cego com a luminosidade.a caverna é o mundo sensível onde vivemos.pois a alma é parente da ideia como os olhos sao parentes da luz. O homem esta destinado à razao e a verdade .pois acostumar-se com o escuro é mais dificil do que com o claro.e as imagens ou sombras dessas sombra. Encanta-se com o mundo e tem finalmente.narrado por sócrates a Glauco para fazê-lo compreender o sentido da paideía filosofica. Movimento de ascensao: imagem⎯crença⎯intuiçao intelectual . 5. A volta foi dolorosa.

porque vagamente. proposta do mito da caverna : educaçao do olhar.crenças e opiniões os homens possam supor que existe algo alem deles e que esse algo é a verdade.verdade deixa de ser o proprio ser se desocultando ou se manifestando aos homens para tornar-se uma operaçao da razao humana que.a paideía é uma mudança na direçao de nosso pensamento.vivendo no mundo sensível.os mitos possuem a funçao de afirmar que nascemoas no verdadeiro e destinados a ele. 2) Platao precisa recorrer aos mitos para explicar por que.alguns homens sentem atraçao pelo mundo inteligível. e tambem é a ideia suprema tanto porque a visibilidade é plena como porque é a causa da visibilidade de todo mundo inteligivel. o verdadeiro é a relacao entre a inteligencia e a verdade.sabemos que a encontramos?” --> conhecer é lembrar.sem sombras.o inteligivel e a inteligencia. --> trabalho de investigaçao os interpretes se dividem muito acerca do significado do Mito do Er.a dialética seria uma - 6.a saber.que poderão lembrar-se das ideias e alcançar o conhecimento verdadeiro. Enquanto na Republica o mito de Er complementa o mito da caverna.pelo olhar intelectual. Independentemente da discussao. no Menon a reminiscencia é apresentada para responder “como ao encontrar uma verdade.obtida apenas pelas operaçoes da propria alma. O mito de Er se resume basicamente na escolha das almas (ao reencarnar) entre uma vida de poder.evidência .. verdade --> a-létheia a verdade como lembranca e o conhecimento como reminiscencia ja aparecera em Menon.no entanto esquecem as ideias que contemplaram ou uma vida de sabedoria.serão atraídas por ela.que deixa de olhar as sombras e passa a olhar as coisas verdadeiras -ideia do Bem⎯Sol ilumina as outras tornando-as visiveis para o olho do espirito.sem possuirmos conhecimentos verdadeiros. Procurar e aprender é reencontrar um saber já adquirido que está esquecido.no qual era o próprio ser que se manifestava no mundo e ao mundo.desejamos o conhecimento verdadeiro. O mito ER ou a reminiscência é preciso explicar como.ou seja.apreende a ideia como essencia inteiramente vista e contemplada.lembraram-se de que ja viram e ja tiveram.riqueza e gloria..estas desejarão a verdade.na Republica. - - - - - .e o substituiu por aquele que prevalecerá no pensamento ocidental.se jamais a viram? Para decifrar esse enigma Platao.narra o Mito de Er.aprender é reativar um saber total. De onde sai o desejo de sair da caverna? Como explicar que vivendo entre simulacros. Sem isso.a evidencia como adequaçao entre a ideia e o intelecto.respondendo à pergunta “como que vive desde sempre na aparencia e na ilusao pode sair em busca da verdade?”.a verdade dependerá do olhar correto. 1) Platao atraves dos mitos recupera a antiga nocao da alétheia --> toma a verdade como evidencia. Platao destituiu o antigo conceito de verdade.da ideia do Bem verdade⎯ visao plena. .filosofia ⎯ conhecimento da verdade.

mesmo que ela nao esteja de posse da verdade. .técnica impossivel.nao encontraria uma dynamis para realizar sua obra.pois nao teria o que atualizar em nossa alma. Os dois mitos significam que há na alma a tendencia para o verdadeiro.