Eu sou aquilo que Deus vê quando põe óculos.

Patricia Kenney

Sabe o que acontece quando alguém põe óculos, usa uma lente de aumento, ou um microscópio? Ele enxerga com mais detalhe. Começo a pensar que eu estou aqui para Deus criar minuciosamente a partir da partícula que eu sou. Quando ele vê o mundo através de mim, ele pode ver sua criação sob determinado um ângulo, com mais atenção, destacada de todo o resto. Ele criou todo o universo e de lá de onde está, mesmo sendo tudo, ele pode ver o mundo de um ponto de vista diferenciado - o meu ponto de vista, o seu. E é a partir de cada um de nós, que ele pode criar no detalhe, fazer o mundo com mais capricho. Nossa insignificância diante do tamanho do universo nos faz pensar porque Deus desejaria se manifestar na partícula que eu sou. Porque ele desejaria estar consciente num ser tão minúsculo como eu sou, se não fosse para poder ver e criar o detalhe de um jeito diferente? Quando a gente pensa no tamanho do universo... Leia isso: “Astrônomos utilizando um telescópio do Observatório Europeu do Sul – Chile (ESO, na sigla em inglês) afirmam ter medido a distância até a mais longínqua galáxia conhecida. Segundo os cientistas, as imagens que chegam a nós mostram a galáxia a apenas 600 milhões de anos após o Big Bang, ou seja, a uma distância de 13,1 bilhões de anos-luz. O estudo foi apresentado na revista especializada Nature”
13 BILHÕES DE ANOS LUZ! 13 BILHÕES DE ANOS VIAJANDO A VELOCIDADE DA LUZ... e é só a galáxia mais remota CONHECIDA...

Já a galáxia mais próxima, galáxia clássica, de tamanho comparável a nossa Via Láctea, é a de Andrômeda que está a 2 milhões de anos-luz daqui. De 2 milhões de anos-luz à 13 bilhões de anos-luz.... Sequer é possível imaginar. E, qual é o nosso tamanho nisso tudo? Acho que não passamos de uma partícula de energia. Um quantum momentum – se é que isso existe - de consciência de Deus. Nessa nossa vida, somos uma partícula de existência num tempo espaço de Deus.

Vamos ser honestos. Nós vivemos no microcosmo, ou perto disso – considerando o provável tamanho do universo. Dá para imaginar que a consciência se instale em algo tão pequeno? E porque Deus teria o interesse em se manifestar numa escala tão diminuta? Sim, somos uma piscada de Deus, mas imagine que simultaneamente e por um breve momento, Deus pode deixar de ser o “Deus do Universo” para ser apenas você. E ver o mundo de um ângulo especial, e criar com a mesma maestria com que cria o macrocosmo. Então nós, nesse nosso mundinho insignificante, nessa nossa existência tão efêmera, criamos uma circunstância especial. Um olhar mais atento, uma presença única que dá um “pause” no Universo, e permite a Deus viver e olhar, e admirar o detalhe. E podemos fazer isso com uma grandeza inigualável... Quer um exemplo? Quando enxergamos a beleza e a poesia de uma flor, um detalhe da natureza, ou todo o esplendor de um por do sol. Quando nos encantamos com um sorriso, ou trocamos um abraço. Quando paramos o tempo para olharmos com curiosidade uma pequena lagarta fazendo seu casulo. Quando compomos uma canção, ou fazemos parte de uma grandiosa orquestra. Quando produzimos algumas das maravilhas da humanidade – que são tantas - ou quando passamos uma peça de roupa com carinho, somos Deus criando com o requinte do detalhe. Quando manipulamos a argila e criamos uma pequena peça de cerâmica, estamos criando no detalhe. Somos Deus se deliciando na simplicidade. Quando traçamos um desenho num papel, estamos rabiscando um pormenor que pode ser eternizado como os girassóis de Van Gogh. Quando vamos à cozinha e criamos um prato inesquecível, estamos criando o encanto que torna a vida tão bela. Quando vamos a uma mesa cirúrgica e operamos um milagre, estamos mostrando ao mundo que cada um importa. Pense no que for, cada gesto, cada palavra, cada ação pode produzir um assombro, uma graça, uma magia. Quem já não criou ou produziu algo do qual se orgulhou? E qual é a sensação que isso dá? Intuitivamente sentimos tamanho amor por aquilo que fazemos bem feito, que ficamos admirando nossa obra – é a alegria de Deus criando minuciosamente. Sede perfeito no que faz, porque é Deus criando no detalhe.

Mas, e quando olhamos o nosso mundo e nos damos conta do feio, do imperfeito, da limitação, da doença, da fome, da ganância, da dor? Deus vê isso também? E porque não faz nada? Como? Se você se vê separado de Deus... A primeira coisa a lembrar é que essa criação é a criação do homem separado de Deus. Mas, como diz Goldsmith a respeito do Único Poder: “Não apenas o princípio do único Poder é de grande importância, mas deve ser entendido que aquele poder não é algo externo a você. Aquele poder é o seu Eu, a sua identidade. Não sendo assim, novamente há dualidade. Deus e você. Mas não é assim. Deus está aparecendo como você; Deus está Se manifestando como você; Deus está Se expressando como você: não é você que está se expressando como Deus. Apesar de toda aparência em contrário, essa é uma verdade universal”. Quando estamos conscientes de quem somos de verdade – e isso só acontece no momento presente - quando permitimos a manifestação da Presença milagres acontecem e o mundo de Deus se faz presente no mundo dos homens. Jesus foi um exemplo disso. Ele já dizia: “O Filho, por si só, nada pode fazer” – Ele sabia... Não haveria qualquer miséria no mundo se estivéssemos, desde todo o sempre, conscientes de sermos Deus na Terra, e fizéssemos tudo, absolutamente tudo com amor, com perfeição - conscientes. Quando criamos uma obra prima, estamos criando com amor. É verdade que a humanidade mal se deu conta disso, mas, quanto mais cada de nós se der conta disso individualmente, mais estaremos perto de responder ao propósito da nossa criação. Estaremos também somando esforços para atingir a tal massa crítica capaz de contagiar toda a humanidade. Sim, você é importante. Você é aquilo que Deus vê quando põe óculos. Permita que Deus crie majestosamente no detalhe.

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