Ética na era das novas tecnologias

Daniel Cavalcanti Coutinho(11h) Ética Profissional – Marcilene Capper

Os avanços da tecnologia à favor do capitalismo pós-moderno
INTRODUÇÃO Vivemos uma época de grande efusividade por causa da tecnologia e dos meios de comunicação, cada vez mais rápidos e avançados. Hoje, temos um fluxo de informação contínuo nas mais variadas áreas do conhecimento humano, além dos fatos e acontecimentos em tempo quase real, uma esfera intercontectada de sentidos e sensações. No entanto, a produção dessa informação está vinculada aos profissionais atuantes da área, às empresas e aos vínculos trabalhistas que seguem a lógica de uma cadeia produtiva incessante. Nesse contexto, o profissional de comunicação se vê em uma situação onde é preciso não apenas escrever, falar ou fotografar: o profissional de comunicação hoje passa pela tarefa de tornar-se ativamente proficiente em diversas áreas de uma redação. O jornalista precisa ser fotógrafo, redator, locutor e editor de suas próprias matérias. Depois de um tempo em que o trabalho de um repórter era a apuração, temos uma expansão de sua atuação no mercado: repórter hoje é sinal de matéria completa. Mas como fica o indivíduo em um mercado que pede um profissional assim?

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Com o advento da tecnologia no mundo pós-moderno, vemos uma tentativa da indústria das comunicações de modificar a estrutura de pensamento da sociedade. Com a internet, a velocidade e o fluxo de informações se tornou tão constante que uma equipe de profissionais com diferentes habilidade se torna obsoleta, quando um profissional pode desempenhar diversas funções ao mesmo tempo. Richard Sennet, em seu livro A cultura do novo capitalismo, faz uma crítica voraz ao novo modelo. Segundo o sociólogo, o profissional ideal na nova estrutura capitalista tem características não-humanas, maquinais, como: desprendimento total da estabilidade de um emprego fixo, capacidade de realizar diversas tarefas não relacionadas, uma mente altamente flexível que possa mudar constantemente de projeto e uma disponibilidade etérea, de trabalhar quando for necessário, sem se importar com vínculos empregatícios. "Uma individualidade voltada para o curto prazo, preocupada com as habilidades potenciais e disposta a abrir mão das experiências passadas só pode ser encontrada — para colocar em termos simpáticos — em seres humanos nada comuns. A maioria das pessoas não é assim, precisando de uma narrativa contínua em suas vidas, orgulhando-se de sua capacitaçao em algo específico e valorizando as experiências por que passou. Desse modo, o ideal cultural necessário nas novas instituiçoes faz mal a muitos dos que nelas vivem." — SENNET, Richard; A cultura do novo capitalismo; Rio de Janeiro, Editora Record, 2006; tradução Clóvis Marques; Tal modelo de profissional ideal, além de perder suas características humanas, desconsidera a sociedade em que está inserido o indivíduo. Se torna cada vez mais difícil criar um profissional engajado em um trabalho sem perspectivas críveis, estabilidade ou zelo pela própria saúde mental do indivíduo. Estamos na era onde o indivíduo se confunde com
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pela própria saúde mental do indivíduo. Estamos na era onde o indivíduo se confunde com

empresa, e a empresa se confunde com indivíduo. Esse é o fenômeno da terceirização de todo o mercado discutido por Sennet. Quando uma empresa percebe que é mais barato contratar uma empresa para desempenhar funções de uma empresa maior, temos casos fora do comum - hoje tornados corriqueiros - onde uma empresa de tênis pode, assim como a Nike já faz, não possuir nenhuma fábrica de tênis, terceirizando manufaturas por todo o globo ao preço mais barato que encontrar, as leis de oferta e procura nunca foram tão vorazes. Essa distribuiçao irregular de funções pode, inclusive, ser causa de um dos males da internet, o problema da propagação de informações falsas. O pesquisador Andrew Keen, no livro O Culto do Amador critica justamente essa faceta da internet. “É profundamente perturbador que em nosso mundo livre de filtros da Web 2.0, boatos e mentiras inventados por repórteres anônimos (e sem dúvida amadores) sejam legitimados e propagados por canais da mídia convencional." — KEEN, Andrew; O culto do amador: Como blogs, MySpace, YouTube e a pirataria digital estão destruindo nossa economia, cultura e valores; Editora ZAHAR, Rio de Janeiro 2009; Ou seja: seria o profissional um amador, ou seria o modelo adotado pela indústria tão desmoralizante e exigente de resultados rápidos que a integridade da informação fica comprometida?

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CONCLUSÃO Podemos ver o modelo pós-moderno capitalista sendo adotado em outras áreas também - especialmente na área de tecnologia - e o profissional hoje precisa zelar por sua própria forma de atuar no mercado. Com a presença de tantos elementos no mercado global, na indústria da informação e nas mãos das grandes empresas, o profissional está em um processo de anarquia motivacional, de incredulidade no valor de seu trabalho, tão pueril e etéreo quanto a própria notícia, e tão diversificado quanto cargos necessários para se produzir um jornal de qualidade, seja na internet, no rádio ou na televisão.

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