RESUMO DE DIREITO TRIBUTÁRIO – 2º BIMESTRE OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA A relação tributária, como qualquer outra relação jurídica, surge da ocorrência

de um fato previsto em uma norma como capaz de produzir esse efeito. A lei descreve um fato e atribui a este o efeito de criar uma relação entre alguém e o Estado. Ocorrido o fato, que em direito tributário denomina-se fato gerador (ou fato imponível), nasce a relação tributária, que compreende o dever de alguém (sujeito passivo da obrigação tributária) e o direito do Estado (sujeito ativo da relação tributária). A obrigação tributária pode ser: 1. Principal: nela o sujeito passivo está sempre obrigado a prestação de natureza patrimonial. É sempre uma quantia em dinheiro. Na terminologia do direito privado, diríamos que a obrigação principal é uma obrigação de dar, obrigação de dar DINHEIRO. 2. Acessória: o objeto da obrigação acessória é sempre não patrimonial. Na terminologia do direito privado, diríamos que a obrigação acessória é uma obrigação de fazer. É sabido que obrigação e crédito, no direito privado, são dois aspectos da mesma relação. Não é assim, porém, no direito tributário. O CTN distinguiu a obrigação (art. 113) do crédito (art. 139). A obrigação é um primeiro momento na relação tributária. Seu conteúdo ainda não é determinado e o seu sujeito passivo ainda não está formalmente identificado. Por isto mesmo a prestação respectiva ainda não é exigível. Já o crédito tributário é um segundo momento na relação de tributação. No dizer do CTN, ele decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta (art. 139). Surge com o lançamento, que confere à relação tributária liquidez e certeza. Na obrigação tributária existe o dever do sujeito passivo de pagar o tributo ou a penalidade pecuniária (obrigação principal) ou, ainda, de fazer, de não fazer ou de tolerar tudo aquilo que a legislação tributária estabelece no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Essas prestações, todavia, não são desde logo exigíveis pelo sujeito ativo. Tem este apenas o direito de fazer um lançamento contra o sujeito passivo, criando, assim, um crédito. O crédito – este, sim – é exigível. Assim, podemos definir que a obrigação tributária é a relação jurídica em virtude da qual o particular (sujeito passivo) tem i dever de prestar dinheiro ao Estado (sujeito ativo), ou de fazer, não fazer ou tolerar algo no interesse da arrecadação ou da fiscalização de tributos, e o Estado tem o direito de constituir um crédito contra o particular. A obrigação principal, no dizer do CTN, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária (art. 113, § 1º). Tem sempre conteúdo patrimonial. Já a obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou fiscalização dos tributos (art. 113, § 2º), como por exemplo: emitir nota fiscal, escriturar um livro, inscrever-se no cadastro de contribuintes (obrigações de fazer); não receber mercadorias desacompanhadas da documentação necessária (não fazer); admitir o exame dos livros e documentos pelo fiscal (tolerar). A obrigação acessória não implica para o sujeito ativo (Fisco) o direito de exigir um comportamento do sujeito passivo, mas o poder jurídico de criar contra ele um crédito, correspondente à penalidade pecuniária. Por isso diz o CTN que “a obrigação acessória, pelo simples

fato de sua inobservância, converte-se (?) em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária”. ATENÇÃO: na verdade, o inadimplemento de uma obrigação acessória não a converte em principal. Ele faz nascer para o Fisco o direito de constituir um crédito tributário contra o inadimplente, cujo conteúdo é a multa correspondente. Aliás, o inadimplemento de uma obrigação tributária, seja principal ou acessória, faz decorrer uma sanção. Assim, o § 3º do art. 113 do CTN quis dizer que, ao fazer um lançamento tributário, a autoridade administrativa deve considerar o inadimplemento de uma obrigação acessória como fato gerador de uma obrigação principal. Realmente, pode-se dizer que as obrigações acessórias não precisariam existir se não existissem as obrigações principais. Todo o conjunto de obrigações acessórias existe para viabilizar o cumprimento das obrigações principais. Exemplo: um comerciante, ao vender determinada mercadoria isenta de ICMS, é obrigado a emitir nota fiscal. A operação de venda, no caso, não gera a obrigação de pagar o ICMS. Inexiste, portanto, a específica obrigação tributária à qual diretamente esteja ligada a obrigação acessória de emitir nota fiscal. Entretanto, a emissão da nota fiscal lhe é exigida porque se presta para controlar sua receita e para controlar a circulação de mercadorias. A obrigação acessória, portanto, tem o objetivo de viabilizar o controle dos fatos relevantes para o surgimento de obrigações principais. Justifica-se serem chamadas de acessórias, pois somente existem em razão de outras obrigações, ditas principais. Natureza jurídica Quanto ao objeto, as obrigações em geral podem ser de dar e de fazer, compreendidas nestas últimas as positivas e negativas (esta é a classificação do direito privado). Por sua vez, a obrigação tributária principal corresponde a uma obrigação de dar, seu objeto é o pagamento do tributo ou da multa. Já as obrigações acessórias correspondem a obrigações de fazer, não fazer ou de tolerar. Assim, note que fica difícil uma simples definição da natureza da obrigação tributária, posto que há obrigações de várias naturezas. Na verdade, a obrigação tem características que a tornam incompatível com os moldes do direito privado. Veja, ela não chega a ser uma obrigação, em rigoroso sentido jurídico privado, mas uma situação de sujeição do contribuinte, ou responsável tributário, que corresponde ao direito potestativo do Fisco de efetuar o lançamento. No que diz respeito á fonte, a obrigação tributária é uma obrigação legal por excelência. Decorre diretamente da lei, sem que a vontade interfira com o seu nascimento (já que a lei é que cria o tributo e descreve sua hipótese de incidência, bastando que essa hipótese aconteça para que surja a obrigação tributária). Assim, as fontes da obrigação tributária são a lei e o fato gerador. A primeira é fonte formal. A segunda é material. Ambas são indispensáveis, de forma que não há obrigação tributária sem a descrição legal da hipótese de seu surgimento. Mas só a descrição legal não basta, é preciso que ocorra o fato descrito na hipótese. Hipótese de incidência FATO GERADOR + Fato gerador = Obrigação tributária

Fato gerador da obrigação principal O CTN diz que fato gerador de obrigação principal é: “a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência”. (art. 114). Pois bem, vamos analisar cada parte desta definição: 1. Situação: significando fato ou conjunto de fatos. Fato em sentido amplo. Toda e qualquer ocorrência, decorrente OU NÃO da vontade, ou seja, os elementos subjetivos da situação não possuem relevância. 2. Definida em lei: a definição do fato gerador da obrigação tributária é matéria compreendida na reserva legal. Só a lei é o instrumento próprio para definir a situação cuja ocorrência gera a obrigação tributária principal. (veja que o art. 97 do CTN usa o vocábulo “lei” em sentido restrito). 3. Necessária: sema situação prevista em lei, não nasce a obrigação tributária. 4. Suficiente: a situação prevista em lei é bastante. Para o surgimento da obrigação tributária basta, é suficiente, a ocorrência da situação descrita na lei para esse fim. OBS: outras denominações para fato gerador: suporte fático, situação base de fato, fato imponível, fato tributável, hipótese de incidência. Fato gerador da obrigação acessória O fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável (sim, legislação, pois lembre-se que a obrigação acessória é instituída pela legislação tributária, ou seja, sentido mais amplo do que “lei”), impõe a prática ou abstenção de ato que não configure obrigação principal (CTN, art. 115). A situação de quem pretende instalar um estabelecimento comercial, por exemplo, faz nascer o dever de requerer inscrição nos cadastros fiscais correspondentes. A situação de quem é estabelecido comercial faz nascer as obrigações acessórias de não receber mercadorias sem os documentos fiscais e de tolerar a fiscalização de seus livros e documentos. Uma determinada situação de fato pode ser, ao mesmo tempo, fato gerador de obrigação principal e acessória. Assim, a situação na qual um comerciante promove a saída de mercadores de seu estabelecimento faz nascer, ao mesmo tempo, a obrigação de pagar o ICMS (obrigação principal) e também a obrigação de emitir a nota fiscal correspondente (obrigação acessória). Fato gerador e hipótese de incidência A expressão “hipótese de incidência”, embora às vezes utilizada como sinônimo de fato gerador, na verdade tem significado diverso. Basta ver-se que uma coisa é a descrição legal de um fato, e outra coisa é o acontecimento desse fato. Uma coisa é a descrição da hipótese em que um tributo é devido, outra coisa é a concretização dessa hipótese. Por exemplo: uma coisa é a descrição normativa da hipótese de incidência do IR – aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza- outra coisa é o fato de alguém, concretamente, auferir renda. Assim, a hipótese de incidência é simples descrição, simples previsão, enquanto o fato gerador é a concretização da hipótese, é o acontecimento do que fora previsto.

É sabido que a validade dos atos e negócios jurídicos depende de três requisitos: agente capaz, objeto licito, possível, determinado ou determinável e forma prescrita ou não proibida pela lei. Pois bem, ausente qualquer desses requisitos, o ato é inválido juridicamente. Se aquele que praticou o ato não é juridicamente capaz, ou o objeto é ilícito, o ato, em qualquer dos casos, não tem validade jurídica. Pode ser um ato nulo ou anulável, dependendo do caso. Porém, para fins tributários, essa invalidade é irrelevante. A ilicitude do ato praticado nada tem a ver com a relação tributária. Isso não implica admitir-se a tributação de atos ilícitos. É indispensável estabelecer-se uma diferença entre o ato ilícito como elemento da hipótese de incidência do tributo e a ilicitude que eventualmente pode verificar-se na ocorrência do fato gerador do tributo (essa situação é aquele tal exemplo do cafetão: a atividade de cafetinagem não pode constar como hipótese de incidência de um tributo, mas como ele aufere renda, encaixa-se na hipótese de incidência e pratica o fato gerador do IR – e assim é porque se ele não fosse tributado por auferir renda, ainda que de modo ilícito, seria como premiar o que é ilícito). Assim, nesse caso do IR, é irrelevante que a aquisição de renda se tenha verificado em decorrência de atividade licita ou ilícita. Não se pode, entretanto, admitir um tributo em cuja hipótese de incidência se inclua a ilicitude. Para entender tal questão, vamos pensar na hipótese de incidência e no fato gerador como dois momentos distintos: o primeiro momento é aquele em que o legislador descreve a situação considerada necessária e suficiente ao surgimento da obrigação tributária – nessa descrição a ilicitude não entra. O segundo momento é o da concretização daquela situação legalmente descrita, nessa concretização pode a ilicitude, eventualmente, fazer-se presente. Também não importa ao direito tributário a natureza do objeto dos atos praticados. Ocorrida a situação prevista em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária, deve ser feita uma abstração quanto à natureza do objeto. Não importa, ao direito tributário, a validade jurídica, mas a efetividade e a subsistência dos fatos, de sorte que se o próprio fato, em sua consistência econômica, deixa de existir, não subsiste a relação tributária.

Quando se considera consumado o fato gerador O CTN estabelece algumas regras de quando seria esse momento de consumação, mas deixa uma liberdade relativa ao legislador, para que possa dispor de maneira diversa. Assim, embora haja certa margem de liberdade, não se pode estabelecer, por exemplo, que o fato gerador de determinado tributo se considere consumado antes de que esteja, de fato, presente a situação prevista na hipótese de incidência. Não dispondo a lei de modo diferente, considera-se ocorrido o fato gerador, e existentes seus efeitos, quando: a) Tratando-se de situação de fato, desde o momento em que se verifiquem as circunstancias materiais necessárias a que se produzam os efeitos geralmente decorrentes. b) Tratando-se de situação jurídica, desde o momento em que tal situação esteja definitivamente constituída, nos termos do direito.

Assim, se a hipótese de incidência do tributo é uma prestação de serviços de qualquer natureza (ISS), pode-se dizer que se tem uma situação de fato. E se a hipótese de incidência do tributo é a propriedade de um bem imóvel, pode-se dizer que se tem uma situação jurídica. Tratando-se de situação de fato, considera-se ocorrido o fato gerador do tributo desde o momento em que se verifiquem as circunstancias materiais, isto é, aquelas necessárias à produção dos efeitos que geralmente delas decorrem. No exemplo acima citado, tem-se a ocorrência do fato gerador no momento em que ocorreu a prestação do serviço. Tratando-se de situação jurídica, considera-se ocorrido o fato gerador desde o momento em que qual situação esteja definitivamente constituída. Assim, tratando-se de propriedade de um imóvel, somente quando essa propriedade esteja configurada, com o registro do titulo aquisitivo. O tributo somente é devido quando consumado seu fato gerador. Porém, isto não quer dizer que o fato gerador deva ser considerado como fato instantâneo, isoladamente. Devem ser analisados todos os fatos integrantes do conjunto em que se encarta aquele ato final, necessário à concretização da hipótese de incidência. Por exemplo: o fato gerador do IR não pode ser considerado apenas naquele instante final, dia 31/12, mas sim, deve ser considerado o conjunto de fatos que integram a hipótese de incidência de referido imposto. Norma geral de antielisão A Lei Complementar 104/2001 introduziu o parágrafo único do art. 116 do CTN, estabelecendo o seguinte: “A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária.” Os dizeres deste parágrafo único dá liberdade à autoridade administrativa, entretanto não é todo tipo de ato que pode ser anulado, mas apenas aqueles que visam ludibriar o Fisco. Porém, tal dispositivo legal não estabeleceu critério fixo do que é “burlar o Fisco” (comportamento ilícito) e o que são as práticas de planejamento tributário (são atitudes lícitas, que permitem que eu escolha a via menos onerosa, mas legal, para cumprimento da obrigação tributária). Ademais, cabe diferenciação entre os vocábulos evasão e elisão. De forma que o primeiro tratase de comportamento ilícito e o segundo trata-se de medidas de planejamento tributário e, portanto, totalmente lícito. O que vem a ser esse “planejamento tributário”? É o seguinte: às vezes, para eu atingir uma situação final desejada, eu tenho vários meios possíveis e legais. Por exemplo: vou abrir um boteco com a Josefa – ela tem dinheiro e eu não, mas eu tenho o imóvel em que o bar será instalado. Daí, para eu transferir meu imóvel para a pessoa jurídica, poderei fazer de várias maneiras: I) por compra e venda, onde incidirá ITBI de 2%; II) por doação, onde incidirá ITCMD de 4%; III) integralizar minhas quotas sociais pela transferência do imóvel, hipótese em que não incidirá tributação alguma. Veja, isso é planejamento tributário (escolher, dentro da legalidade, a maneira menos onerosa de adimplir minha obrigação tributária), porém tenho que utilizar-me apenas das alternativas que são normativamente reguladas.

Comportamento diferente, e ilícito, seria eu forjar uma escritura de compra e venda, onde eu minto o valor do imóvel, pro imposto ser menor. Esta alternativa é plenamente ilícita e, para esses casos é que serve a norma geral antielisão, como forma de evitar a evasão fiscal! A crítica acerca desta norma é quanto aos termos genéricos utilizados no parágrafo único do 116. Luciano Amaro diz que não há problema nenhum em escolher caminhos fiscais menos onerosos. Quem tem que ser cautelosa é a autoridade administrativa ao analisar a desconsideração dos atos, porque a impressão que se tem é que o critério jurídico foi substituído por um econômico, colocando minha segurança jurídica por água a baixo, pois, se assim fosse, meus atos estariam sujeitos a desconsiderações desprovidas de critérios claros, ou ainda, por critérios meramente econômicos, como se eu fosse obrigada a seguir o caminho fiscal mais oneroso. Assim, a autoridade administrativa tem que analisar, cautelosamente, em cada caso concreto para ver se a pessoa está apenas se utilizando de uma estratégia de planejamento fiscal, ou se está cometendo ato ilícito de evasão fiscal. Insubsistência do fato tributável Se alguém realizou a hipótese de incidência tributária mediante um fato circunstancialmente ilícito, nasce e subsiste a relação obrigacional tributária, na medida em que subsistir aquele fato no mundo dos fatos, no mundo econômico. Exemplo: se alguém importa mercadoria que esteja temporariamente proibida, mas a importação é consumada, o imposto de importação será devido, uma vez que na hipótese de incidência do II não está a ilicitude como elemento. Assim, a autoridade tributária pode cobrar o imposto e não tomar conhecimento da ilicitude, que o importador não poderá alegar como excludente da obrigação tributária. PORÉM, se a autoridade tributária prefere fazer valer a proibição de importação daquele produto e lhe impõe a pena de perdimento do bem, daí o imposto não será devido, porque o fato não subsistiu; não produziu, na realidade econômica, o efeito que lhe é próprio. Por sua vez, ocorrido o desfazimento da importação, seja pela devolução da mercadoria, seja pela aplicação da pena de perdimento, tem a Administração Tributária o dever de restituir o valor do tributo porventura cobrado. A insubsistência do fato tributável, com a completa supressão de seus efeitos econômicos, implica na possibilidade de exigência do tributo, porque leva ao desaparecimento do suporte fático de incidência da norma de tributação, o qual é signo presuntivo da capacidade contributiva. Assim, não se pode mais falar em obrigação tributária quando não se tem mais o fato gerador respectivo; não se pode mais falar de capacidade contributiva, que desaparece com o perdimento da riqueza sobre a qual incidiria o tributo. Aspectos ou elementos do fato gerador a) Aspecto material ou nuclear O fato gerador da obrigação principal é uma situação de fato geralmente indicada na lei pela referencia a seu aspecto material. Por exemplo, quanto ao IR: a lei diz que o fato gerador é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos. Esse fato, todavia, envolve dois aspectos relevantes para a completa configuração do vínculo jurídico dele decorrente:

o aspecto subjetivo, que diz respeito à identificação dos sujeitos ativo e passivo, e o aspecto objetivo, ou seja, a materialidade de seu objeto, a qual demanda quantificação. A expressão “fato gerador da obrigação tributária” geralmente é utilizada para designar esse aspecto material da obrigação principal. Este aspecto há de ser quantificado e expresso em moeda. Em regra, a lei descreve a denominada hipótese de incidência, reportando-se a fatos economicamente relevantes e estabelece os critérios a serem usados para a quantificação do tributo. Por exemplo: ICMS – a lei descreve que seu fato gerador é circulação de mercadorias, mas não estabelece seu valor, estabelecendo apenas critérios para esta quantificação, ou seja, a base de cálculo e a alíquota. Desta feita, a descrição do aspecto material alberga, necessariamente, uma expressão econômica, que se presta como elemento essencial para a quantificação do objeto correspondente. Base de cálculo É a expressão econômica do fato gerador. Há de estar contida na norma que descreve a hipótese de incidência. Assim, a lei que institui o IR indica o montante da renda como base de cálculo deste imposto. Além do mais, é com a análise da base de cálculo que podemos identificar a natureza do tributo, por exemplo: se a lei cria um imposto sobre circulação de mercadorias, mas estabelece como base de cálculo a receita ou patrimônio da empresa, assim ela estará criando um imposto sobre receita e patrimônio, e não sobre circulação de mercadorias. Assim, a análise da base de cálculo nos permite verificar se o legislador exercitou corretamente a competência que lhe atribui a CF. Sobre a base de cálculo aplicar-se-á a alíquota para obter o valor final do tributo. Alíquota Tal elemento indica o percentual aplicado sobre a base de cálculo para se chegar ao valor do tributo. Temos quatro tipos de alíquota: I. Alíquotas específica e percentual: ressalte-se que nem sempre a alíquota é indicada na forma de porcentagem. Existem pelo menos duas formas de expressão da alíquota dos tributos: uma (a mais rara) é a alíquota específica; a outra é a mais comum e é denominada “ad valorem” e é indicada como porcentagem. A alíquota especifica é aquela usada para o cálculo do tributo sem levar em consideração o valor do objeto tributado, mas sim sua quantidade. Exemplo: IPI incidente sobre cervejas e refrigerantes (o imposto é calculado em função das unidades do produto e não em relação ao seu preço). Alíquotas fixas e variáveis: fixas são aquelas que não se alteram, permanecendo as mesmas seja qual for a importância da base de cálculo. Variáveis são aquelas que se modificam em razão da base de cálculo. Atenção: alíquota fixa não se confunde com tributo fixo. Tributo fixo é aquele cujo valor é indicado diretamente pela lei, não se fazendo necessário qualquer cálculo para determinar seu montante. Já a alíquota fixa é usada para o cálculo do tributo, que será proporcional à base de cálculo, seja qual for o montante desta. Por isto se diz que o tributo calculado com alíquota fixa é um tributo proporcional.

II.

III.

IV.

Alíquotas progressivas e regressivas: são progressivas quando aumentam na medida em que aumenta a base de cálculo; e são regressivas quando diminuem na medida em que aumenta a base de cálculo. Alíquota zero: é uma forma encontrada pelas autoridades tributárias de fugir do princípio da legalidade, segundo o qual a isenção somente pode ser concedida por lei. Pois bem, embora não possa a autoridade tributária conceder isenções, a CF faculta ao Poder Executivo alterar as alíquotas de alguns impostos federais, Assim, a autoridade administrativa tem adotado a prática de fixar em zero a alíquota de um imposto quando pretende conceder isenção deste.

Diferimento de incidência Diferir significa adiar. Existem situações de fato em que a lei estabelece o diferimento da incidência para situação futura. Não se trata de isenção, nem de não incidência tributária, mas de adiamento da incidência para situação futura, que pode vir a ocorrer, ou não. Sujeito ativo Com a lei de tributação, o ente público titular da competência tributária exercita essa competência. Nesse momento, ainda não se pode falar de obrigação tributária, pois esta só existe como simples hipótese. Com a concretização da situação descrita na lei como necessária e suficiente à sua ocorrência nasce, então, a obrigação tributária. Pois bem, o art. 119 da obrigação tributária, definindo seu sujeito ativo, que é o titular da competência para lançar e cobrar o tributo. Como acontece nas relações jurídicas obrigacionais em geral, o sujeito ativo da obrigação é o titular da competência para exigir o adimplemento da obrigação. Pois bem, tem sido colocada a questão de saber se apenas as pessoas jurídicas de direito público é que podem ser sujeitos ativos da obrigação tributaria, ou se também o podem as pessoas jurídicas de direito privado, e até as pessoas naturais. O sujeito ativo da obrigação tributária, nos termos do art. 119 do CTN, não é necessariamente titular da competência para instituir o tributo. Pode ter recebido essa competência por delegação e esta o coloca na condição de sujeito para instituir o tributo. O art. 119 há de ser interpretado em consonância com os artigos 6º e 7º do CTN. Não se há de confundir a competência para INSTITUIR o tributo, que decorre da CF e é indelegável,com a competência para EXIGIR o tributo na condição de sujeito ativo da obrigação. Assim, uma PJ de direito privado pode receber atribuição de arrecadar um tributo. E pode até ser destinatária do produto de sua arrecadação. Mesmo assim, ela não pode ser qualificada como sujeito ativo, por lhe faltar a COMPETÊNCIA PARA EXIGIR seu cumprimento. Tá, mas e qual, exatamente é o significado do termo “exigir” empregado no art. 119? A expressão “titular da competência para exigir o adimplemento da obrigação” significa ter atribuição de constituir o crédito tributário, com o quê lhe confere exigibilidade, e em seguida exigir judicialmente seu pagamento, com a propositura, se necessário, de uma execução fiscal.

As PJ de direito privado e as pessoas naturais não podem promover a execução fiscal, porque, em nossa ordem jurídica, não dispõem de competência para constituir o crédito tributário e inscrevê-lo como Dívida Ativa da Fazenda Pública e, assim, criar o título executivo extrajudicial hábil pata instruir a inicial de execução. Assim, se por titular da competência para exigir o cumprimento da obrigação tributária entendemos a pessoa jurídica que tem condições de constituir o crédito, inscrevê-lo em Dívida Ativa e promover a execução fiscal correspondente, com certeza não podemos colocar nessa condição a PJ de direito privado, nem a pessoa natural. A CF atribui às pessoas jurídicas de direito público competência para instituir tributos. É a competência tributária própria. Competência tributária própria: pertencente a quem pode instituir e arrecadar o tributo, praticando todos os atos a esse fim necessários. SÓ as pessoas jurídicas de direito público, dotadas de Poder Legislativo, não titulares de competência tributária própria. Pode, também, ocorrer que a lei institua um tributo e atribua a uma autarquia a titularidade da competência para respectiva administração e arrecadação. Essas são as competências tributárias delegadas, que é o que ocorre com muitas contribuições especiais. E quanto ao INSS? Se considerarmos tributo as contribuições de seguridade social, teremos uma espécie de competência tributária própria da qual é titular uma pessoa jurídica não dotada de competência legislativa plena, uma vez que o INSS tem apenas competência para edição de normas complementares, que integram a legislação tributária, mas são normas infralegais. Assim, as contribuições para seguridade social não devem ser confundidas com as demais contribuições sociais, pois as primeiras têm sua destinação constitucionalmente estabelecida e não integram o orçamento da União, já as demais contribuições sociais possuem a destinação que a lei lhes atribuir. Em princípio, as pessoas jurídicas de direito público podem ser titulares, por delegação, das funções de arrecadar ou fiscalizar tributos, ou de executar leis, serviços, atos ou decisões administrativas de matéria tributária (art. 7º, CTN). E quando surgir uma pessoa jurídica de direito público em virtude do desmembramento territorial de outra? Por exemplo, um Município surgir do desmembramento de outro. Nesse caso, o novo Município assumirá a posição do primeiro e utilizará sua legislação tributária até que entre em vigor a sua própria (salvo se a lei que disciplinou o desmembramento dispuser de forma diferente). Assim, a entidade nova assume, de imediato, a titularidade ativa das relações tributárias daquela da qual seu território se desmembrou. Se a pessoa jurídica foi criada pelo desmembramento territorial de mais de uma outra, por exemplo, se um Estado foi criado pelo desmembramento de mais de um outro, e se a legislação tributária destes for diferente, daí a lei de criação da nova entidade terá que dispor sobre o assunto. Porém, se não o fizer, será utilizada a legislação tributária mais favorável aos sujeitos passivos. Sujeito passivo

O sujeito passivo da obrigação tributária é a pessoa natural ou jurídica, obrigada a seu cumprimento. O sujeito ativo, como vimes, tem o direito de exigir. O sujeito passivo tem o dever de prestar o objeto. Sujeito passivo da obrigação principal (art. 121, CTN) É a pessoa obrigada ao pagamento do tributo ou penalidade pecuniária. Conforme a sua relação com o fato gerador da obrigação, pode o sujeito passivo ser: I) contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador (art. 121, p.u, inciso I); II) responsável, quando, mesmo sem ser contribuinte, o sujeito tem que cumprir com uma obrigação tributária, a qual decorre de dispositivo expresso na lei (inciso II, p.u, art. 121). Por exemplo: o contribuinte do IR é aquele que aufere renda ou proventos. Mas a lei pode atribuir à fonte pagadora dessa renda a condição de responsável pelo recolhimento do IR. A fonte, no caso, é sujeito passivo da obrigação principal, pois está obrigada a fazer o pagamento do tributo. Entretanto, não e contribuinte, porque não auferiu renda, mas é responsável, porque a lei lhe atribuiu a obrigação de efetuar o pagamento de tal tributo. Ainda sobre o sujeito passivo da obrigação principal, temos que ele pode ser: a) Direto: é aquele que tem relação de fato com o fato tributável, o qual nada mais é do que uma forma de manifestação de sua capacidade contributiva. Assim, no imposto sobre a renda, o sujeito passivo direto é aquele que aufere renda. No imposto sobre o consumo, o sujeito passivo direto é o consumidor, etc. b) Indireto: por conveniência da Administração Tributária, a lei pode atribuir o dever de pagar o tributo a outra pessoa, que não tenha relação, de fato, com o caso; daí teremos o sujeito passivo indireto. Este tipo de sujeito passivo é aquele que, sem ter relação direta com o fato tributável, está, por força de lei, obrigado ao pagamento do tributo. Essa vinculação do sujeito passivo indireto pode dar-se por: i. Transferência: quando existe legalmente o sujeito passivo direto (contribuinte) e, mesmo assim, o legislador sem ignorá-lo, atribui também a outrem o dever de pagar o tributo, tendo em vista eventos posteriores ao surgimento da obrigação tributária. ii. Substituição: quando o legislador, ao definir a hipótese de incidência, coloca, desde logo, como sujeito passivo da relação tributária que surgirá de sua ocorrência, alguém que está a ela diretamente relacionado, embora o fato seja indicador da capacidade contributiva de outros, os quais, em princípio, poderiam ser atribuídos o dever de pagar e que, por suportarem, em princípio, o ônus financeiro do tributo, são geralmente denominados contribuintes de fato (pensou no substituto tributário, há de se pensar em capacidade contributiva de terceiros!). Assim, existe substituto tributário toda vez que a lei coloca como sujeito passivo da obrigação tributária uma pessoa qualquer, diversa daquela de cuja capacidade contributiva o fato gerador é indicador. O substituto legal tributário pode ter, ou não, o direito de transferir o ônus do tributo para o contribuinte de fato. Na maioria dos casos, essa transferência não é proibida.

Assim, nos termos do art. 121 do CTN, o sujeito passivo da obrigação principal pode ser classificado em apenas duas categorias: (a) contribuinte e (b) responsável. Sujeito passivo da obrigação acessória (art. 122, CTN) Já quanto às obrigações acessórias, o sujeito passivo é a pessoa a qual a legislação tributária atribui deveres diversos ao de pagar quantia em dinheiro. De forma que os sujeitos passivos de tais relações podem ser tanto um contribuinte como um terceiro. Desta feita, a definição do sujeito passivo da obrigação acessória depende, única e exclusivamente, de determinação de legislação tributária. Convenções particulares A não ser que a lei específica do tributo estabeleça de modo diferente, as convenções (acordos) entre particulares relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos não pode ser opostas à Fazenda Pública para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias. As convenções particulares podem ser feiras e são juridicamente válidas entre as partes contratantes, mas nenhum efeito produzem contra a Fazenda, no que diz respeito à responsabilidade tributária. Terá esta, apesar do que foi estipulado dos acordos particulares, o direito de exigir o cumprimento da obrigação daquelas pessoas às quais a lei atribuiu a condição de sujeito passivo. Questão relevante reside em saber se aquele que assume a responsabilidade pelo pagamento dos tributos, em virtude de contrato com o sujeito passivo da obrigação tributária, tem direto de defesa no processo administrativo de constituição e exigência do crédito tributário. Se você respondesse que sim estaria dizendo que as convenções particulares são oponíveis ao Fisco, o que não é verdade. Assim, a resposta correta é não, as convenções particulares não operam nenhuma alteração na sujeição passiva tributária. Não obrigam, portanto, a Fazenda a assegurar a quem não participa da relação de tributação o direito de defesa no processo administrativo fiscal. O que se obrigou contratualmente, obrigou-se perante o sujeito passivo, e não perante a Fazenda. Isto, porém, não quer dizer que esteja obrigado ao pagamento de tributo legalmente indevido. Assim, mesmo não sendo parte na relação tributária, aquele que assumiu contratualmente a responsabilidade pelo pagamento de tributos não pode ser compelido a pagar tributo indevido. Se o sujeito passivo pagou, sem oposição, tributo indevido, não terá o direito de cobrá-lo do contratualmente obrigado, pois a cláusula contratual refere-se apenas aos tributos legalmente devidos. Em qualquer caso, aquele que assume, contratualmente, a responsabilidade pelo pagamento de tributos, em face do legítimo interesse de que é titular, pode questionar judicialmente a exigência daqueles que considerar indevidos. Solidariedade Segundo o CC, a solidariedade é a ocorrência de mais de um credor, ou mais de um devedor, na mesma relação obrigacional, cada qual com direito ou obrigação à dívida toda. O que importa ao direito tributário é estudar a solidariedade passiva.

Pois bem, o CTN diz que são solidariamente obrigadas das pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal (art. 124, I) e também as pessoas expressamente designadas por lei (art. 124, II). As pessoas com interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas a esse pagamento, mesmo que a lei específica do tributo não o diga. A norma de solidariedade é geral, aplicável a todos os tributos. Exemplo típico de solidariedade passiva é o das pessoas casadas em comunhão de bens, relativamente ao imposto de renda. A obtenção de renda pelo marido interessa à mulher, sendo a recíproca igualmente verdadeira. Por isto, marido e mulher são solidariamente obrigados ao pagamento do IR. A existência de interesse comum é situação que somente em cada caso concreto pode ser examinada. Assim, para identificar o interesse comum NÃO HÁ LEI que determine, devendo ser cada caso concretamente analisado. Lembrando que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador não deve ser apenas de fato, mas sim um interesse jurídico. Benefício de ordem A solidariedade NÃO comporta benefício de ordem (art. 124, CTN). Tudo bem, mas e o que é esse benefício de ordem? É o direito à observância de uma ordem, ou sequencia, preestabelecida para a execução fiscal, recaindo esta primeiramente contra um, e só depois contra o outro obrigado pelo tributo. O CC, ao cuidar da solidariedade passiva, não se refere ao benefício de ordem, de sorte que ele não existe nesse tipo de obrigação nem mesmo no âmbito do direito privado. Não seria possível, portanto, invocar-se sua aplicação contra o Fisco, sendo que o próprio CTN nada diz sobre este assunto. As dívidas tributárias, portanto, quando exista solidariedade passiva, podem ser cobradas DE QUALQUER DOS SUJEITOS PASSIVOS (salvo a incidência de dispositivo específico da lei tributária). Efeitos da solidariedade Se não houver lei dispondo de outro modo, nas obrigações em que existirem obrigados solidários, as seguintes situações poderão ocorrer:  O pagamento do tributo por um aproveita aos demais obrigados, ficando estes desobrigados.  A isenção ou remissão do crédito tributário respectivo exonera todos os obrigados, a não ser que tenha sido outorgada a um deles em caráter pessoal, pois, neste caso, subsiste a solidariedade quanto aos demais pelo débito.  A interrupção da prescrição, em favor de um dos obrigados, favorece ou prejudica os demais (CTN, art. 125). Um exemplo do primeiro caso acima citado: um estabelecimento comercial transfere mercadorias para outro, no mesmo Município, sem pagar o ICMS devido. O mesmo valor que deixa de ser pago pelo remetente será pago a mais pelo destinatário. Além do mais, observe que os estabelecimentos da mesma pessoa jurídica são considerados sujeitos passivos autônomos, entretanto, são obrigados ao pagamento solidário de dívidas de ICMS um dos outros.

Capacidade tributária As normas de direito tributário orientam-se sempre no sentido de atingir a realidade econômica das situações e evitar a fraude. Assim é que, sendo o sujeito passivo da obrigação tributária uma pessoa física, sua capacidade tributária independe da civil. Ou seja, mesmo juridicamente incapaz, em face do direito tributário, a pessoa tem plena capacidade jurídica (por isso que já vimos que uma compra e venda, por exemplo, feita por uma pessoa doidinha e interditada não terá validada civil, mas será fato gerador de tributo, pois a incidência do direito tributário independe dos caracteres subjetivos das relações). Desta feita, aquele que exerce o comércio mesmo estando proibido de fazê-lo não é incapaz do ponto de vista tributário. O profissional liberal que, suspenso do exercício profissional pelo órgão fiscalizador respectivo, exerce, assim mesmo, sua profissão é plenamente capaz, em face do direito tributário. Qualquer restrição ou limitação à capacidade jurídica das pessoas é irrelevante no que diz respeito à sujeição tributária passiva. Sendo o sujeito passivo da obrigação tributária uma pessoa jurídica, a capacidade desta independe de estar regularmente constituída, bastante que configure uma unidade econômica (CTN, art. 126, III). As razoes práticas que justificam essas regras sobre capacidade tributária passiva são evidentes: se assim não fosse, muita gente poderia sair por ai fazendo negócios jurídicos e, no momento de pagar os tributos, alegariam a incapacidade para esquivar-se de suas obrigações. Além do mais, a capacidade jurídica está ligada à questão da vontade como elemento formativo do vinculo jurídico obrigacional. Ocorre que a vontade é irrelevante na formação do vínculo obrigacional tributário. Em sendo assim, não tem sentido a exigência da capacidade jurídica como condição para que alguém possa ser sujeito passivo. Porém, essa ideia de irrelevância da capacidade jurídica e ‘primazia’ da realidade econômica não quer dizer que o Direito Tributário prestigia a interpretação econômica. É só que a obrigação tributária, de fato, independe da vontade em sua gênese, sendo apenas necessário a descrição normativa e a ocorrência do fato tributável. Não há que se confundir, porém, a capacidade para ser sujeito passivo da obrigação tributária com a capacidade para o exercício de direitos na obrigação tributária. Por isso é que a propositura de ação anulatória de lançamento tributário, assim como a defesa na execução fiscal, exigem a capacidade jurídica. Domicílio tributário Em princípio, o contribuinte pode escolher o seu domicílio tributário, ou seja, o local em que manterá suas relações com o Fisco. Mas o CTN estabelece normas que limitam essa liberdade de escolha. Tratando-se de pessoa física, se não escolheu seu domicílio tributário, este será tido como o lugar de sua residência habitual, ou, sendo esta incerta, o lugar considerado como habitual do exercício de suas atividades (CTN, art. 127, I).

Quando as pessoas jurídicas de direito privado, entre as quais se incluem as firmas individuais, o lugar de sua respectiva sede, ou, ainda, em relação a atos que derem origem à obrigação, o lugar de cada estabelecimento. Assim, se a PJ tem apenas um estabelecimento, daí fica fácil, pois este será seu domicílio, mas se ela tem mais de um, daí fica assim: I. A escolha não pode recair em local fora do território da entidade tributante. II. No que se refere aos tributos cujo fato gerador se verifica em relação a cada estabelecimento (como, por exemplo, o ICMS), a legislação específica, geralmente, exclui essa liberdade de escolha, determinando que o domicílio tributário é o local da sede de cada estabelecimento, que considera, para o efeito de tributação, como contribuintes isolados. III. Quanto aos tributos dos quais, como no IR,o fato gerador é apurado em relação à empresa, em sua totalidade, prevalece a liberdade de escolha, limitada porém, pela regra do art. 127, § 2º, qual seja, a de que a autoridade administrativa poderá recusar o domicílio eleito, quando este impossibilite ou dificulte a arrecadação. Quanto as PJ de direito público, qualquer de suas repartições no território da entidade tributante (art. 127, III). Não cabendo uma das regras enunciadas nos três incisos do art. 127, considerar-se-á como domicílio tributário do contribuinte o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos fatos que derem origem à obrigação (art. 127, § 1º). Também assim será na hipótese em que a autoridade administrativa recusar o domicílio eleito, quando este seja um empecilho à arrecadação. Assim, podemos resumir as regras de domicílio tributário:  Existem tributos cuja legislação específica exclui ou restringe a faculdade de escolha do domicílio tributário.  Nos demais tributos, vigora a liberdade de escolha.  A liberdade de escolha não pode ser usada para impedir ou dificultar a arrecadação ou fiscalização do tributo, pois, neste caso, poderá ser recusado o domicílio escolhido.  Ocorrendo a recusa, o domicílio tributário será o do lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação. Responsabilidade tributária (OBS: achei que esta parte está muito confusa no livro do Hugo, então vou colocar o que consta no meu caderno, que creio que esteja mais compreensível). A palavra “responsabilidade” liga-se à ideia de ter alguém de responder pelo descumprimento de um dever jurídico. Responsabilidade e dever não se confundem. A primeira está sempre ligada ao descumprimento do dever e é a sujeição de alguém à sanção. Tal sujeição, geralmente, é de quem tem o dever jurídico, mas pode ser atribuída a quem não o tenha.

Sentido amplo: responsabilidade é a submissão de determinada pessoa, contribuinte ou não, ao direito do Fisco exigir a prestação da obrigação tributária. Sentido estrito: é a submissão, em virtude expressa de lei, de determinada pessoa que não é contribuinte, mas está vinculada ao fato gerador da obrigação tributária, ou direito do Fisco exigir a prestação respectiva. No CTN a expressão “responsabilidade tributária” é empregada em sentido amplo (ex: arts. 123, 128, 136, etc.). Mas Também é usada em sentido restrito, especialmente quando refere-se ao responsável como sujeito passivo diverso do contribuinte (art. 121, II). Com efeito, denomina-se responsável o sujeito passivo da obrigação que, sem revestir a condição de contribuinte, vale dizer, sem ter relação pessoal e direta com o fato gerador respectivo, tem seu vínculo com a obrigação decorrente de dispositivo expresso em lei. Não é uma vinculação direta e pessoal, pois assim sendo estaria configurada a condição de contribuinte. Mas é indispensável uma relação, uma vinculação com o fato gerador para que alguém seja considerado responsável, ou seja, sujeito passivo indireto. Elementos A responsabilidade não é uma ferramenta que surge apenas à critério do Fisco ou do contribuinte. Temos dois elementos que a integram: a) Reserva legal: apenas a LEI pode definir quem é o sujeito passivo, assim, responsabilidade tributária não surge por mera coincidência. Essa lei é a lei ordinária ou outro instrumento que tenha força de lei ordinária. Não precisa ser por lei complementar. b) Vínculo jurídico-econômico de proximidade: não se exige que o responsável seja diretamente ligado ao fato gerador, mas tem que ter, sim, algum vínculo com ele. Por exemplo: IPTU – o contribuinte é o dono da casa e quem pode ser responsável são os herdeiros, a mulher do dono, o promitente comprador, etc. Assim, não posso falar que o pedreiro que construiu a casa também será responsável, porque lhe falta o vínculo de proximidade. Natureza A responsabilidade tributária é um mecanismo para favorecer o credor dos tributos. Sua ideia não é onerar terceiros, mas, sim, a facilitação da arrecadação pelo Fisco. Qual é a intensidade do dever do responsável? O dever do responsável admite duas gradações: I. Dever integral: todo o dever é do responsável e apenas dele. Assim, o contribuinte fica fora da relação tributária. Nesse caso, o responsável não terá direito regressivo, apenas terá se tiver negócio civil que preveja este direito regressivo, porém, tributariamente, o contribuinte é totalmente excluído da relação. Responsabilidade supletiva: o Fisco pode cobrar tanto do contribuinte como do responsável. Assim, a cobrança pode ocorrer de duas maneiras:

II.

i.

ii.

Subsidiária: há uma ordem, definida em lei, para a cobrança. O Fisco cobra primeiro de um e, se este não pagar, o outro será demandado. Não necessariamente o contribuinte será o primeiro a ser cobrado. Solidariedade: não há ordem de cobrança, podendo o Fisco cobrar tanto do contribuinte, como do responsável.

Surgindo a figura do responsável, o contribuinte torna-se desvinculado da relação tributária?? Nem sempre, apenas se o responsável for integral. Grupos Em certos casos, não é o fato gerador que determinará a figura do responsável. Assim, o Fisco não está temporalmente limitado ao fato gerador. Abaixo, seguem os casos em que o responsável não é determinado por sua ligação com o fato gerador: ● Sucessão O responsável será definido, pelo legislador, por algo que vai ocorrer depois do fato gerador. Assim, é com esse fato superveniente que surge o responsável. Por exemplo: IPVA – responsabilidade tributária do adquirente: comprei um carro em 2008 e o vendi em 2009 sem ter pagado seu IPVA. Pois bem, a partir da compra e venda do veículo, o adquirente será o responsável (e eu, a dona do carro em 2008, ano devido do imposto, serei a contribuinte). Veja, o imposto já era devido desde o momento em que eu passei a ter a propriedade do veículo (ou seja, o fato gerador já estava caracterizado), mas a figura do responsável apenas surge em ocasião superveniente, qual seja, a da venda do veículo. ● Substituição Não precisa de fato superveniente, porque já na ocorrência do fato gerador serão trazidas as figuras do responsável e do contribuinte. O caso mais típico de substituição é do ICMS. ICMS a) Substituição “para trás” (diferimento). Exemplo: 1- Agricultor ----------------------------------- Indústria ------------------------- Comércio 2- Agricultor 3- Agricultor Contribuintes de ICMS Primeiramente, pense que vários são os agricultores necessários ao abastecimento da indústria. Pois bem, é mais interessante e eficaz o Fisco ir atrás da indústria do que dos vários agricultores para a cobrança do ICMS. Assim, nesse caso, a indústria é a responsável “para trás”, porque responde por um tributo que tem seu contribuinte em estágio precedente da cadeia produtiva. b) Substituição “para frente” F.G 1 F.G 2 F.G

Cervejaria -------------- Distribuidora --------------- Bares ----------------- Consumidor Responsável Contribuinte

F.G 1: ICMS F.G 2: ICMS ST (por substituição) Nesse caso, é muito mais fácil cobrar a distribuidora ou a cervejaria, pois estão mais centralizadas que os demais personagens da cadeia de produção. Assim, a cervejaria será contribuinte da venda para a distribuidora e será responsável POR TODA venda de cerveja a partir da distribuidora também. Entretanto, o ICMS ST foi muito criticado pela doutrina, inclusive quanto a sua inconstitucionalidade, pois ele incide sobre fatos geradores que ainda não ocorreram (venda da distribuidora para os bares e destes para os consumidores). Porém, quando o debate chegou nos tribunais superiores, eles decidiram que o ICMS ST é constitucional, porque está de acordo com o art. 13 da LC 87/1996, o qual elenca todos os valores que podem ser incluídos para se chegar no valor da base de cálculo dos impostos, no qual estão incluídos o valor do serviço de transporte, os seguros de transporte e das mercadorias e vários impostos que incidam sobre tais operações. Assim, existem parâmetros para se chegar a esta substituição, não é manobra arbitrária do Fisco. Extensão da responsabilidade *art. 130 – crédito tributário *art. 131 a 133 – “tributo” No art. 130, o CTN diz que o responsável arcaria com o crédito tributário, e essa expressão envolve o valor simples do tributo e, também, eventuais multas, juros e quaisquer outros valores que podem ser agregados. Já nos artigos 131 a 33, o CTN diz que o responsável arcará apenas com o valor simples do tributo, de forma que os demais encargos que podem ser a ele agregados seriam cobrados apenas do contribuinte. Temos aí uma discussão dentro do próprio CTN e acerca desta o STJ decidiu que tudo seria “crédito tributário” (ou seja, a redação dos artigos 131 a 133 também envolveriam multas e juros, além do valor simples do tributo). Assim, o STJ fez uma uniformização de entendimento de forma extensiva. Abaixo seguem as hipóteses que o CTN trás como passíveis da ocorrência de responsabilidade tributária: ● Sucessão imobiliária (art. 130) É a transferência de titularidade de bem imóvel. A título deste artigo, não interessa se a aquisição do domínio foi a título oneroso ou gratuito, pois de qualquer forma poderá surgir a figura do responsável. Analisando a parte final do art. 130, temos que: ao fazer um contrato de venda de bem imóvel, deve-se fazer constar certidão de quitação dos tributos. Assim, eu evito de ser responsável tributário pelas dívidas do proprietário anterior, pois caso na certidão conste que há

tributos pendentes sobre o bem, eu não poderei alegar que não sabia de tais débitos, não podendo me esquivar da responsabilidade de pagá-los. Desta feita, um dos documentos que o comprador de imóvel tem que pedir é a “certidão negativa”, para que ele não corra o risco de tornar-se responsável tributário. Ressalvas Toda certidão negativa traz ressalvas ao Fisco, ou seja, serve para o Fisco dizer: “agora eu não achei nenhum débito sobre este imóvel, mas se posteriormente eu achar, nada me impede de cobrar”. Ou seja, as ressalvas dessas certidões prevalecem apenas no sentido de poder o Fisco cobrar DO CONTRIBUINTE créditos tributários que porventura venha a apurar.Pois a certidão de quitação, mesmo coma ressalva, impede que se configure a responsabilidade tributária do adquirente do bem. Porém, lembre-se que as ressalvas somente não serão oponíveis ao adquirente que tomou a cautela de pedir certidão negativa, caso contrário, o adquirente será responsável. Fraude Este tópico trata de certidões negativas obtidas de modo fraudulento. Se a certidão foi expedida de modo obscuro e fraudulento, não terá efeito perante o adquirente que requereu sua expedição. O servidor público corrupto que expediu a certidão com fraude também passará a ser responsável pelo tributo! (art. 208, CTN). Usucapião O usucapião é modo originário de aquisição da propriedade. Há quem diga que o usucapiente nem conhece a figura do antigo proprietário, assim nunca teve negócio jurídico nenhum com este, por isso, nem teria como transmitir possíveis débitos tributários. Tudo bem, isso é no direito civil. Mas, no âmbito tributário, o fenômeno de transmissão por usucapião é irrelevante, porque as particularidades do modo originário de aquisição aplicamse apenas no direito civil, umas vez que, para o direito tributário, não interessam os caracteres subjetivos do ato para a ocorrência do fato gerador e inscrição do usucapiente em débito tributário. Aquisição em arrematação judicial Há mecanismos quem impedem a responsabilização do adquirente de bens por meio de hastas públicas: se sobre o bem arrematado penderem tributos, o dinheiro do adquirente vai pagar os tributos primeiro e só daí que irá dinheiro para o credor. Ou seja, se o bem custa R$ 100.000 e há uma dívida fazendária de R$ 10.000, o credor receberá apenas R$ 90.000,pois o valor do débito tributário será descontado do valor do bem e a Fazenda Pública, logicamente, será priorizada para recebimento de seus créditos. E assim é para que a arrematação judicial não seja desestimulada, pois, dessa forma, o arrematante nunca será responsabilizado pelos débitos pendentes sobre o bem arrematado. Sucessão “intervivos” mobiliária ou remição (art. 131, I)

Primeiro cabe fazer uma distinção entre remissão e remição. O vocábulo corresponde ao perdão da dívida e o segundo é pagar a dívida para resgatar um bem (isto ocorre quando um bem está vinculado a um débito). Na sucessão imobiliária, o adquirente tem como se livrar de ser responsável tributário, pedindo a certidão negativa. Entretanto, na sucessão de bens móveis, via de regra, não incide a ressalva da parte final do art. 130. Porém, por analogia, aplica-se o mesmo raciocínio do art. 130, na qual eu poderei me livrar de ser responsável se eu pedir as devidas certidões e tomar as cautelas necessárias. Sucessão causa mortis (art. 131, II e III) Vamos pensar na seguinte linha do tempo: Morte Inventário Partilha ________________________________________________________ Inc. III: espólio Inc. II

Ao morrer, não se extinguem as dívidas tributárias e o patrimônio do falecido continua respondendo por suas dívidas. Desta feita, a situação fica a seguinte: 1. Até a morte: contribuinte é o cara (ainda vivo, lógico) e o responsável é o espólio. 2. A partir da morte e antes da partilha: contribuinte é o espólio e o responsável é o cônjuge meeiro, herdeiros e legatário. 3. Depois da partilha: cada herdeiro será o contribuinte da parcela de patrimônio que recebeu.

FIM!! Bons estudos a todos!!

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