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CURSO ON-LINE – DIREITO PENAL TEORIA E EXERCÍCIOS P/ AGENTE E ESCRIVÃO DA POLÍCIA FEDERAL PROFESSOR PEDRO IVO

AFC-CGU
AFC-CGU

APRESENTAÇÃO

Caros alunos de todo Brasil, sejam bem vindos!

É com grande felicidade que inicio mais este curso aqui no Ponto, com foco total no concurso para a POLÍCIA FEDERAL, tendo por base o edital do último concurso.

Antes de tudo, para que me conheçam um pouco melhor, farei minha apresentação.

Meu nome é Pedro Ivo, sou servidor público há 10 anos e, atualmente, exerço o cargo de Auditor-Fiscal Tributário no Município de São Paulo (ISS-SP).

Iniciei meus trabalhos no serviço público atuando na Administração Federal, na qual, durante alguns anos, permaneci como Oficial da Marinha do Brasil.

Por opção, comecei a estudar para a área fiscal e, concomitantemente, fui aprendendo o que é o “verdadeiro espírito de concurseir o”, qualidade que logo percebi ser tão necessária para alcançar meu objetivo.

Atualmente, após a aprovação no cargo almejado, ministro aulas em diversos cursos do Rio de Janeiro e de São Paulo, sou pós-graduado em Auditoria Tributária e pós- graduando em Processo Penal e Direito Penal Especial.

Agora que já me conhecem um pouco, posso, com certa tranqüilidade, começar a falar de nosso curso. Digo isto porque espero, nas próximas semanas, poder estar conversando com vocês sobre o Direito Penal e Processual Penal em suas casas, no trabalho, no metrô, no ônibus, enfim, em qualquer lugar em que vocês estiverem lendo as aulas.

Nosso curso será no método QP, ou seja, Quase-Presencial.

“Mas, professor

...

Eu nunca ouvi falar neste tal de “QP”, o que é isso?”

É o método através do qual eu apenas não estarei fisicamente na sua frente, mas buscarei com que se sintam em uma sala de aula, aprendendo a matéria através de uma linguagem clara e objetiva, voltada para a sua aprovação.

Durante nossos encontros, buscarei evitar o máximo possível o uso do “juridiquês”, ou seja, da linguagem que, via de regra, utilizamos na faculdade de Direito.

É claro que em alguns momentos não conseguiremos fugir da utilização de termos jurídicos, pois alguns são adotados pelo CESPE e, assim, precisam passar a fazer parte do seu linguajar.

O curso será composto das seguintes aulas:

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AULA 00

NOÇOES INTRODUTÓRIAS – PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL

AULA 01

A INFRAÇÃO PENAL: ELEMENTOS, ESPÉCIES.

 

SUJEITO ATIVO E SUJEITO PASSIVO DA INFRAÇÃO PENAL.

AULA 02

TIPICIDADE, ILICITUDE, CULPABILIDADE, PUNIBILIDADE.

 

IMPUTABILIDADE PENAL

AULA 03

CONCURSO DE PESSOAS

AULA 04

CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – PARTE 01.

AULA 05

CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – PARTE 02.

AULA 06

CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO

AULA 07

CRIMES CONTRA A PESSOA

   

Cada aula será composta de 40 a 60 páginas, com exceção da demonstrativa. Ao término de cada encontro, apresentarei exercícios comentados a fim de fixar a matéria. Serão cerca de 20 questões por aula, totalizando aproximadamente 150 exercícios no decorrer do curso.

Dito isto, futuros POLICIAIS FEDERAIS, vamos começar a subir mais um importante degrau rumo à aprovação?

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Bons estudos !!!

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AULA 00 – DIREITO PENAL - NOCÕES INTRODUTÓRIAS

1.1 DIREITO PENAL

1.1.1 CONCEITO

De acordo com o autor José Frederico Marques, “é o conjunto de normas que ligam ao crime, como fato, a pena como conseqüência, e disciplinam também as relações jurídicas daí derivadas, para estabelecer a aplicabilidade de medidas de segurança e a tutela do direito de liberdade em face do poder de punir do Estado”.

Resumindo, o Direito Penal é o ramo do direito público que se destina a combater os crimes e as contravenções penais, através da imposição de uma sanção penal. Aqui, surge um primeiro questionamento importantíssimo, caro aluno, qual a diferença entre crime e contravenção?

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CRIME

X

CONTRAVENÇÃO

Para encontrar a diferenciação entre estes dois termos tão utilizados, devemos recorrer à Lei de Introdução ao Código Penal, que dispõe em seu artigo 1º:

Art 1º Considera-se crime a infração penal que a lei comina pena de reclusão ou de detenção, quer isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com a pena de multa; contravenção, a infração penal a que a lei comina, isoladamente, pena de prisão simples ou de multa, ou ambas. alternativa ou cumulativamente.

Logo, do exposto, podemos resumir:

CRIME PENA DE RECLUSÃO OU DETENÇÃO (isoladamente, alternativa ou cumulativamente com multa)

CONTRAVENÇÃO MULTA.

ISOLADAMENTE

PRISÃO SIMPLES OU

Agora você já sabe que a diferença primordial entre crime e contravenção é a penalização. Mas resta saber o que diferencia a reclusão da detenção e da prisão simples. Vamos esclarecer:

Na prática, não existe hoje diferença essencial entre reclusão e detenção. A lei, porém, usa esses termos como índices ou critérios para a determinação dos regimes de cumprimento de pena.

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Se a condenação for de reclusão, a pena é cumprida em regime fechado, semi-aberto ou aberto.

Na detenção, cumpre-se em regime semi-aberto ou aberto, salvo a hipótese de transferência excepcional para o regime fechado.

A prisão simples é prevista para as contravenções penais e pode ser cumprida nos regimes semi-aberto ou aberto, não sendo cabível o regime fechado.

Para finalizar, dizemos que o direito penal é um ramo do direito público por ser composto de regras aplicáveis a todas as pessoas e por ter como titular exclusivo do direito de punir o ESTADO.

1.1.2 CARACTERÍSTICAS DO DIREITO PENAL

Caro aluno, podemos afirmar que por cominar penalidades o Direito Penal é predominantemente repressivo? É claro que não.

Na verdade, o Direito Penal tem como principal característica a finalidade preventiva, ou seja, antes de punir o infrator estabelece normas proibitivas e comina penas visando evitar a prática do crime.

Havendo lesão ao bem protegido, a sanção abstrata, através do processo legal, transforma-se em efetiva, atuando sobre o infrator.

Continuando com a caracterização do nosso objeto de estudo, conforme os ensinamentos do renomado autor Magalhão e Noronha, “é o Direito Penal ciência cultural normativa, valorativa e finalista”.

• NORMATIVO PORQUE O DIREITO POSITIVO TEM COMO OBJETO A NORMA. • VALORATIVO PORQUE ESTABELECE A
• NORMATIVO PORQUE O DIREITO POSITIVO TEM COMO OBJETO A NORMA.
• VALORATIVO PORQUE ESTABELECE A SUA PRÓPRIA ESCALA DE VALORES.
DEFINE QUAL DELITO É MAIS “PESADO” E COMINA SANÇÕES MAIS RÍGIDAS.
• FINALISTA
PORQUE
VISA
À
PROTEÇÃO
DOS
BENS
JURÍDICOS
FUNDAMENTAIS COMO GARANTIA DE SOBREVIVÊNCIA DA ORDEM JURÍDICA.

Além das já citadas características, podemos ainda dizer que o Direito Penal é sancionador, pois não cria bens jurídicos, mas estabelece sanções que tutelam preceitos definidos para outros ramos jurídicos. Exemplo: A constituição garante o direito à vida, mas ela fala o que deve acontecer se um indivíduo matar alguém? É ai que surge o Direito Penal, sancionando a conduta.

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Finalizando, o Direito Penal tem caráter fragmentário, pois não tutela TODAS as condutas. A proteção dada pelo Direito Penal é eminentemente subsidiária, pois resguarda apenas as situações em que a proteção oferecida por outros ramos do Direito não seja suficiente para inibir sua violação ou em que a exposição a perigo do bem jurídico tutelado apresente certa gravidade.

Nesse sentido, posiciona-se o Professor Julio Fabbrini Mirabete: “Muitas vezes as sanções civis se mostram insuficientes para coibir a prática de ilícitos jurídicos graves, que atingem não apenas interesses individuais, mas também bens jurídicos relevantes, em condutas profundamente lesivas à vida social. Arma-se o Estado, então, contra os respectivos autores desses fatos, cominando e aplicando sanções severas por meio de um conjunto de normas jurídicas que constituem o Direito Penal. Justificam-se as disposições penais quando meios menos incisivos, como os de Direito Civil ou Direito Público, não bastam ao interesse de eficiente proteção aos bens jurídicos.”

O autor Heleno Cláudio Fragoso complementa: “as lesões de bens jurídicos só podem ser submetidas a pena quando isso seja indispensável para a ordenada vida em comum. Uma nova política criminal requer o exame rigoroso dos casos em que convém impor pena (criminalização), e dos casos em que convém excluir, em princípio, a sanção penal (descriminalização), suprimindo a infração, ou modificar ou atenuar a sanção existente (despenalização). Desde logo deve excluir-se do sistema penal a chamada criminalidade de bagatela e os fatos puníveis que se situam puramente na ordem moral. A intervenção punitiva só se legitima para assegurar a ordem externa. A incriminação só se justifica quando está em causa um bem ou valor socialmente importante.”

Agora, elencando as principais características, temos:

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1.1.3 DIVISÕES DO DIREITO PENAL

Concurseiro, a doutrina apresenta diversas divisões do Direito Penal, mas com FOCO NO EDITAL e no CESPE, nem todas são importantes para você. Desta forma, apresentarei somente as que você precisa saber. Vamos lá:

  • 1. Direito penal comum Abrange as regras penais aplicáveis a todas as pessoas, e não só a uma determinada “classe”, como a dos funcionários públicos ou dos militares. A título de exemplo podemos citar a lei nº. 11.343/2006 (Lei de drogas).

  • 2. Direito penal especial Aplica-se somente a pessoas que se enquadram em certas condições legalmente exigidas. Podemos citar como exemplos o Código Penal Militar e o Decreto-lei 201/67, que trata da responsabilidade dos vereadores e prefeitos.

  • 3. Direito penal objetivo É o conjunto de normas em vigor impostas pelo Estado, a cuja observância os indivíduos podem ser compelidos mediante coerção. É o conjunto de normas que a todos vincula, constituindo um padrão de comportamento em razão do qual se dirá se uma conduta é correta ou incorreta no plano jurídico.

  • 4. Direito penal subjetivo É o direito que detém o ESTADO de punir o indivíduo que afrontar o Direito penal objetivo. O poder de punir do Estado é também chamado de “jus puniendi”.

  • 5. Direito penal material (também chamado de substantivo) É o Direito Penal propriamente dito.

  • 6. Direito penal formal (também chamado de adjetivo) É o Direito Processual Penal propriamente dito.

1.1.4 FONTES DO DIREITO PENAL

Neste tópico não iremos nos aprofundar, mas ao menos um conceito básico é necessário.

Fonte, em sentido usual, é o lugar de onde provém algo. Desta forma, podemos conceituar fontes do direito penal como o ponto de partida das normas, princípios e preceitos que norteiam este ramo jurídico. Dentre os diversos doutrinadores, a classificação que você, concurseiro, precisa ter conhecimento é a subdivisão das fontes em formais e materiais:

1 - Fontes materiais Aqui estamos tratando de quem será responsável pela edição de normas específicas sobre o Direito Penal no nosso País. Encontramos esta resposta na Constituição Federal que, em seu Art. 22, I, dispõe:

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Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:

I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho; (grifo nosso)

Desta forma, caro aluno, podemos afirmar que a única fonte material do Direito Penal é a UNIÃO, correto??? ERRADO!!! Excepcionalmente, lei estadual (ou distrital) poderá tratar sobre questões específicas de Direito Penal, desde que permitido pela União por meio de lei complementar, nos termos do Art. 22, parágrafo único, da Carta Magna. Observe:

Art. 22 [ ] ...

Parágrafo único. Lei complementar poderá autorizar os Estados a legislar sobre questões específicas das matérias relacionadas neste artigo.

2 - Fontes formais Aqui, diferentemente, estamos tratando da forma como as normas jurídicas são exteriorizadas. No Direito Penal brasileiro, temos como fonte formal a lei, que recebe a denominação de fonte imediata.

Além da fonte IMEDIATA, também existem fontes MEDIATAS que, embora não vinculem a atuação do Estado, servem de embasamento na atuação Estatal. São elas:

Os costumes, os princípios gerais do direito, os atos administrativos, a doutrina e a jurisprudência.

Alguns doutrinadores tratam de outras fontes, mas para você, caro aluno, que fará uma prova do CESPE, são essas as fontes que são de conhecimento necessário.

Podemos resumir o exposto da seguinte forma:

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REGRA: UNIÃO EXCEÇÃO ESTADOS (DELEGAÇAO POR LC)

MATERIAIS
MATERIAIS
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FONTES
FONTES
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LEI
LEI
IMEDIATAS
IMEDIATAS
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FORMAIS
FORMAIS
  • 1 – COSTUMES

  • 2 – PCP. GERAIS DO DIREITO

  • 3 – ATOS ADMINISTRATIVOS

  • 4 – DOUTRINA

  • 5 - JURISPRUDÊNCIA

MEDIATAS
MEDIATAS
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1.1.5 PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL

O Direito

Penal

brasileiro é

regido por

uma

série de princípios, cujo estudo

aprofundado e exata compreensão é de suma importância para um bom aprendizado dos assuntos que estão por vir.

Segundo o doutrinador Celso Antônio Bandeira de Mello:

“Princípio é, por definição, mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce dele, disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas,

compondo-lhes o espírito e servindo de critério para a sua exata compreensão e inteligência, exatamente por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo, no que lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico. É o conhecimento dos princípios que preside a intelecção das diferentes partes componentes do todo unitário que há por nome sistema jurídico positivo". (grifo nosso)

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Dito isto, vamos conhecer aqueles que serão importantes para a sua prova:

PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL Uma das características de vital importância do direito penal brasileiro é o chamado princípio da reserva legal, o qual encontra previsão não só no Código Penal, mas também na Constituição Federal. Observe:

Art. 5º (CF)

[ ] ...

XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal;

O princípio da reserva legal não é sinônimo do princípio da legalidade,

senão espécie. A doutrina não raro confunde

ou

não

distingue

suficientemente o princípio da legalidade e o da reserva de lei. O primeiro

significa a submissão e o respeito à lei, ou a atuação dentro da esfera

estabelecida

pelo

legislador. O segundo consiste em estatuir que

a

regulamentação de determinadas matérias há de se fazer

necessariamente por lei formal.

Segundo o Professor DAMÁSIO E. DE JESUS:

"(

)

O princípio da ou de reserva legal tem significado político, no sentido

... de ser uma garantia constitucional dos direitos do homem. Constitui a garantia fundamental da liberdade civil, que não consiste em fazer tudo o

que se quer, mas somente aquilo que a lei permite. À lei e somente a ela compete fixar as limitações que destacam a atividade criminosa da atividade legítima. Esta é a condição de segurança e liberdade individual.

Assim, não há crime sem que, antes de sua prática, haja uma lei descrevendo-o como fato punível. É lícita, pois, qualquer conduta que não

(

...

)

se encontre definida em lei penal incriminadora.”

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE Este princípio tem base no já citado art. 5º, XXXIX, da Carta Magna e estabelece a necessidade de que o CRIME e a PENA estejam PREVIAMENTE definidos em LEI.

Mas e durante o chamado “vacatio legis”, período entre a publicação da lei e a sua entrada em vigor, já pode um indivíduo ser punido? A resposta é negativa, e para o nosso curso lembre-se sempre de que:

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A LEI PENAL PRODUZ EFEITOS A PARTIR DE SUA ENTRADA EM VIGOR. NÃO PODE RETROAGIR, SALVO SE BENEFICIAR O RÉU.

PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA OU CRIMINALIDADE DE BAGATELA Este princípio surgiu com a idéia de afastar da esfera do direito penal situações com pouca significância para a sociedade. Observe o que o STF diz sobre o tema no HC 92.961/SP – 2007:

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STF - HABEAS CORPUS: HC 92961 SP

HABEAS CORPUS. PENAL MILITAR. USO DE SUBSTÂNCIA

ENTORPECENTE. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. APLICAÇÃO NO

ÂMBITO DA JUSTIÇA MILITAR. ART. 1º, III DA CONSTITUIÇÃO DO

BRASIL. PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA

[ ] ...

A mínima ofensividade da conduta, a ausência de periculosidade social da ação, o reduzido grau de reprovabilidade do comportamento e a inexpressividade da lesão jurídica constituem os requisitos de ordem objetiva autorizadores da aplicação do princípio da insignificância.

[ ] ...

Mas e se Tício furta um grão de arroz de Mévio, podemos afirmar que o princípio será aplicado e, portanto, a tipicidade afastada?

A resposta é negativa, pois o simples fato de um objeto ter um reduzido valor patrimonial não quer dizer que ele não é importante para quem o detém. E se o supracitado grão de arroz tiver sido dado a Mévio por um parente próximo, poucos instantes antes de morrer, não será valioso para ele?

Ok, caro concurseiro, grão de arroz no leito de morte

Realmente peguei

... pesado, mas acho que agora você não esquece mais!!! Vamos ver o que diz o STJ sobre o tema:

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STJ - HABEAS CORPUS: HC 60949 PE 2006/0127321-1

HABEAS CORPUS. DIREITO PENAL.

FURTO

DE

PULSOS

TELEFÔNICOS. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA.

POSSIBILIDADE. ORDEM CONCEDIDA.

1. O pequeno valor da res furtiva (objeto do furto) não se traduz, automaticamente, na aplicação do princípio da insignificância. Há que se conjugar a importância do objeto material para a vítima,

levando-se em consideração a sua condição econômica, o valor

sentimental do bem, como também as circunstâncias e o resultado

do crime, tudo de modo a determinar, subjetivamente, se houve

relevante lesão. Precedente desta Corte.

2. Consoante se constata dos termos da peça acusatória, a paciente foi flagrada fazendo uma única ligação clandestina em telefone público. Assim, o valor da res furtiva pode ser considerado ínfimo, a ponto de justificar a aplicação do Princípio da Insignificância ou da Bagatela, ante a falta de justa causa para a ação penal.

Para finalizar este importante princípio, é importante ressaltar que, obviamente, ele não se aplica só aos delitos contra o patrimônio, mas A QUALQUER CRIME. Durante o curso voltaremos a tratar deste tema.

PRINCÍPIO DA ALTERIDADE Este princípio é interessante e de fácil entendimento. Imagine que Tício, assim como o seu professor de penal, é torcedor do Fluminense e a cada jogo que vê na televisão ele, desesperado, começa a bater em si e fica todo machucado. Tício poderá ser condenado criminalmente por algo?

A resposta é NÃO, pois segundo o princípio da alteridade ninguém pode ser punido por causar mal APENAS A SI PRÓPRIO.

PRINCÍPIO DA INTERVENÇÃO MÍNIMA Segundo este princípio, o Direito Penal deve ser utilizado com muito critério, devendo o legislador fazer uso dele SOMENTE nas situações realmente NECESSÁRIAS de serem rigidamente tuteladas. Veja como o STF trata o assunto:

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STF - HABEAS CORPUS: HC 92463 RS

[ ] ...

O sistema jurídico há de considerar a relevantíssima circunstância de que a privação da liberdade e a restrição de direitos do indivíduo somente se justificam quando estritamente necessárias à própria

proteção das pessoas, da sociedade e de outros bens jurídicos que

lhes sejam essenciais, notadamente naqueles casos em que os

valores penalmente tutelados se exponham a dano, efetivo ou potencial, impregnado de significativa lesividade. O direito penal não se deve ocupar de condutas que produzam resultado, cujo desvalor - por não importar em lesão significativa a bens jurídicos relevantes - não represente, por isso mesmo, prejuízo importante, seja ao titular do bem jurídico tutelado, seja à integridade da própria ordem social.

[ ] ...

PRINCÍPIO DA INTRANSCENDÊNCIA Ninguém pode ser responsabili- zado por um fato que foi cometido por um terceiro. Tal princípio tem base constitucional. Veja:

Art. 5º

[ ] ...

XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido;

Segundo o STF, “O postulado da intranscendência impede que sanções e restrições de ordem jurídica superem a dimensão estritamente pessoal do infrator”.

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PRINCÍPIO DO NE BIS IN IDEM Não é admitido em nosso ordenamento jurídico a DUPLA PUNIÇÃO.

Com base neste princípio, temos a súmula 241 do STF que dispõe: “A reincidência penal não pode ser considerada como circunstância agravante e, simultaneamente, como circunstância judicial”.

É importante citar que não há que se falar em afronta a este princípio quando um indivíduo sofre ações penais diversas por fatos distintos.

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RESUMO DOS PRINCIPAIS PONTOS TRATADOS

-CARACTERÍSTICAS DO DIREITO PENAL

DIVISÕES DO DIREITO PENAL

-PREVENTIVO -NORMATIVO -VALORATIVO -FINALISTA -FRAGMENTÁRIO -COMUM -ESPECIAL -OBJETIVO -SUBJETIVO -MATERIAL -FORMAL
-PREVENTIVO
-NORMATIVO
-VALORATIVO
-FINALISTA
-FRAGMENTÁRIO
-COMUM
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PRINCIPAIS PRINCÍPIOS

-RESERVA LEGAL

-ANTERIORIDADE

-INSIGNIFICÂNCIA

-ALTERIDADE

-INTERVENÇÃO MÍNIMA

-INTRANSCENDÊNCIA

-“NE BIS IN IDEM”

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Por enquanto é só! Espero encontrá-lo(a) em breve na nossa próxima aula.

Abraços e bons estudos,

Pedro Ivo