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RESUMO DO LIVRO CURSO DE PROCESSO PENAL – MOUGENOT

COMPETÊNCIA (Pág. 213-253)

Competência

: É a medida ou limite em que poderá o julgador exercer o seu poder de jurisdição,

aquele que lhe foi investido pela Constituição Federal, ou seja, a competência determina a porção do poder jurisdicional que é conferido a cada órgão investido de jurisdição, visto que todo magistrado possui poder jurisdicional, mas são limitados pela lei quanto a sua competência para que possam exercer seu efetivo exercício.

Critérios de fixação:

O art. 69 CPP, elenca os critérios que determinam a competência, sendo eles: o lugar da infração, o

domicílio ou residência do réu, a natureza da infração, a distribuição, a conexão ou continência, a prevenção e a prerrogativa de função.

A doutrina utiliza-se de elementos mais abstratos para fixar competência, visando a relação jurídica

material que constitui o objeto do processo, denominada competência material, e os atos processuais

que remete a competência funcional.

A competência

jurídica, a qualificação das pessoas que compõem o litígio e o território.

MATERIAL

subdivide-se pelos aspectos: do direito material que rege a relação

1. Competência “ratio materiae”

Esta é determinada em razão da natureza do direito material que rege a relação jurídica levada ao poder jurisdicional, trata-se da competência em razão da natureza da infração, a exemplo; os crimes dolosos contra a vida devem ser julgados pelo tribunal do júri- (Art 5º, XXXVIII, d). Tratar-se-á de competência absoluta.

O

critério da natureza da infração também é adotado pelas leis de organização judiciária, como prevê

o

art 74 CPP “A competência pela natureza da infração será regulada pelas leis de organização

judiciária, salvo a competência privativa do Tribunal do Júri.”

2. Competência “ratione personae”

Leva em conta as características das pessoas envolvidas no litígio. Trata-se de uma questão de política criminal, onde determinadas pessoas, ao desempenhar certas funções ou cargos, devem ser julgados por órgãos diferenciados. A exemplo tem-se a competência por prerrogativa de função, ou seja, nesses casos, o réu só pode ser julgado por tribunal. Remete a competência absoluta, inderrogável.

3. Competência “ratione loci

Trata-se da competência em razão do território, ou seja, para sua fixação adota-se o local onde ocorreram os fatos, ou o local do domicílio ou residência do réu. Competência relativa pode ser modificável.

Competência

FUNCIONAL

: Competência Absoluta.

1. Distribuição conforme a fase do processo: a exemplo tem-se o tribunal do júri, onde a instrução é conduzida por um órgão e o julgamento por outro, são diferentes juízes porém na mesma instância.

2. Distribuição conforme o objeto do juízo: Ocorre quando os órgãos julgadores apenas podem atuar no processo em relação a uma parcela específica do seu objeto.

3. Distribuição Vertical: Quando atuam no processo órgãos julgadores alocados em diferentes instancias.

As incompetências tanto absoluta, quanto relativa podem ser reconhecidas de ofício pelo julgador, de acordo com art 109 CPP “Se em qualquer fase do processo o juiz reconhecer motivo que o torne incompetente, declará-lo-á nos autos, haja ou não alegação da parte, prosseguindo-se na forma do artigo anterior. Contrário ao direito processual civil.- Há correntes em contrário.

DISTRIBUIÇÃO:

A Constituição Federal, como norma superior, ao instituir os órgãos que detém o poder jurisdicional, já determina a distribuição dessa competência, muitas vezes de forma hierárquica.

Exemplos: Art. 102 e 103 CF (competência do Supremo Tribunal Federal), art. 105 (competência do Superior Tribunal de Justiça), Art. 108-109 (competência d Justiça Federal) e Justiças Especiais (art. 114, 121,124,125 – CF) ; etc

JURISDIÇÕES ESPECIAIS E COMUNS.

São jurisdições especiais: Justiça militar federal e estadual, Justiça Eleitoral e do Trabalho, e entende- se por justiça comum, as Justiças Federais e Estaduais, para a justiça comum, essa distribuição ocorre de forma residual.

JUSTIÇA MILITAR:

Cabe a esta processar e julgar crimes militares previstos em lei, praticados por integrantes do exército, da marinha ou da Aeronáutica, e crimes praticados por civis contra Instituições Militares Federais (art. 124 CF). Para a justiça militar estadual cabe julgar crimes cometidos por policiais militares e bombeiros.

Crimes Próprios: Crimes definidos somente pela lei penal militar, “aqueles que só podem ser praticados por militares, pois constituem violações e deveres próprios da sua função.”

Crimes Impróprios: Crimes que encontram tipos análogos na legislação comum, ou seja, são crimes de natureza comum, praticados por militares.

QUESTÕES ESPECÍFICAS: EXCEÇÕES

1- Crimes praticados por militares que não se inserem na competência da Justiça Militar: abuso de autoridade, não é considerado crime militar, pois é regulado por lei específica (4.898/65, e Súmula 172), portanto cabe a justiça comum julgar militar por crime de abuso a autoridade, ainda que praticado em serviço, porém a súmula 172 STJ, não encontra aplicação nos casos em que a vítima do crime é também militar, estando em serviço, e se o crime é praticado dentro das dependências militares, pois a súmula faz menção apenas ao abuso de autoridade contra civis. Este tipo de crime acaba tendo teor militar, pois possui previsão tanto na legislação comum, quanto especial.

2- Facilitação de fuga de preso de estabelecimento penal, desde que este estabelecimento não seja de administração militar (Súmula 75 STJ), compete à justiça comum e estadual julgar o policial militar por este tipo penal.

3- Desacato a autoridade, quando não for praticado em relação ao superior, militar ou civil, no exercício de função ou em razão dela, em lugar sujeito a administração militar, é competente a justiça comum, não importando se foi praticado por militar em serviço.

4- Crimes dolosos contra a vida, praticados por militares. Se o crime doloso contra a vida, for praticado contra civil, é competente a justiça comum.

5- Julgamento de civis pela justiça militar estadual: é vedado a Justiça Militar Estadual, processar e

julgar civis, ainda que as infrações por eles praticadas atentem contra Instituições Militares Estaduais.

A competência militar Estadual é limitada a julgar policiais militares e bombeiros.

A Justiça militar Federal é competente para julgar

crimes praticados por militares , e por civis nos casos em que praticados contra as Instituições militares, independente de terem sido praticados em concurso com militares.- Súmula 298 STF “o legislador ordinário só pode sujeitar os civis a Justiça Militar, em tempo de paz, nos crimes contra a segurança externa do pais, ou as instituições militares.”

6- Julgamento de civis pela justiça militar federal:

7- Acidente de Trânsito envolvendo viatura da polícia militar: Súmula 6- STJ: Compete a Justiça

comum estadual julgar este tipo de delito, exceto se o acidente ocorrer entre policiais militares (autor

e réu), em situação de atividade.

8- Crimes praticados fora do território, em que é competente a Justiça Militar Estadual local. Súmula 78 STJ: Compete a Justiça militar processar e julgar policiais de corporação estadual ainda que o delito tenha sido praticado em outra unidade federativa

JUSTIÇA ELEITORAL

“Art. 121. Lei complementar disporá sobre a organização e competência dos tribunais, dos juízes de direito e das juntas eleitorais.”

Duas correntes sobre a definição de crimes eleitorais:

1- Enquadramento responsabilidade.

dos

crimes

eleitorais

como

comuns,

distinguindo-os

dos

crimes

de

2- Crimes eleitorias, como delitos específicos, de natureza especial, pela necessidade de serem julgados pela Justiça eleitoral.

Nas hipóteses de concurso de competência comum e especial, prevalece sempre à especial, neste caso a Eleitoral (art. 78, IV CPP). A outra hipótese trata do concurso entre crime eleitoral e crime doloso contra a vida, visto que este é de competência do tribunal do júri. Há divergências com relação à competência, pois uma corrente adota que nestes casos a competência eleitoral se prorroga, sendo competente para julgar o crime doloso contra a vida e o crime eleitoral, já a segunda corrente determina que ocorra a divisão das competências, a Justiça eleitoral julga o crime eleitoral e o tribunal do júri, como previsto na Constituição, julga o crime doloso contra a vida.

JUSTIÇA DO TRABALHO

Art 114 CF, onde são elencadas todas as hipóteses de incidência da competência trabalhista, tais como: as ações oriundas da relação de trabalho, as ações que envolvam exercício do direito de greve; as ações sobre representação sindical, entre sindicatos, entre sindicatos e trabalhadores, e entre sindicatos e empregadores; assuntos de natureza penal, como: os mandados de segurança, habeas corpus e habeas data , quando o ato questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição; os conflitos de competência entre órgãos com jurisdição trabalhista; as ações de indenização por dano moral ou patrimonial, decorrentes da relação de trabalho; as ações relativas às penalidades administrativas impostas aos empregadores pelos órgãos de fiscalização das relações de trabalho.

Crimes cometidos em detrimento dos bens, serviços ou interesses da União.

(Art 109, IV, CF)

Julgamento de crimes cometidos contra sociedade de economia mista: Súmula 42 STJ, compete a Justiça Comum Estadual, processar e julgar as causas cíveis em que é parte a sociedade de economia mista- Ex: Roubo de uma agência do Banco do Brasil.

Crimes de falso relativos a estabelecimento particulares de ensino: Súmula 04 STJ- compete a

Justiça Comum Estadual, julgar os crimes dede falsificação e uso de documento falso relativo a estabelecimento particular de ensino.

Crimes ambientais: Competência

interesses da União, estas serão julgadas pela Justiça Federal.

da

Justiça comum,

exceto

as

hipóteses

que atingem

os

Crimes contra funcionário público federal ou por este praticado no exercício da função ou em razão

dela.- Súmula 147 STJ- Competência da Justiça Federal, quando relacionados com o exercício da função ou em razão dela.

Crime de falso testemunho cometido no processo trabalhista- Súmula 175 STJ- Competência da

Justiça federal, pois o falso testemunho afronta interesses da União.

Crime de responsabilidade: Súmula 208 STJ- Compete a Justiça Federal, julgar prefeito municipal

acusado de desvio de verba, sujeito a prestação de contas, perante órgão federal.

Crimes cometidos por juízes estaduais e do Distrito Federal, e territórios, ou por Membros do MP.

Estes casos, compete ao Tribunal de Justiça do Estado, em que servir o magistrado ou promotor, (art 96, III “aos Tribunais de Justiça julgar os juízes estaduais e do Distrito Federal e Territórios, bem

como os membros do Ministério Público, nos crimes comuns e de responsabilidade, ressalvada a competência da Justiça Eleitoral”)

Crimes previstos em tratado e convenção internacional (art. 109, V, CF)

Tráfico de drogas com o exterior: Súmula 522 STF: Competência da Justiça Federal, porém se o

tráfico ocorre dentro do território nacional, compete a Justiça dos Estados.

Os crimes contra a organização do trabalho e, nos casos determinados por lei, contra o sistema financeiro e a ordem econômico-financeira (art. 109, VI- CF). Nestes casos somente serão de competência da Justiça Federal, os crimes contra organização do trabalho, relativos aos interesses trabalhistas de natureza coletiva.

Falsa anotação em carteira do trabalho: Súmula 62 STJ- Competência da Justiça Estadual.

Os crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves, ressalvada a competência da Justiça Militar; ( Art 109, IX-CF)

A competência da Justiça Federal, para julgar crimes cometidos em aeronaves e embarcações, se restringe aos civis, pois se fossem referentes a barcos e aeronaves militares, a competência seria da Justiça militar

Crimes relativos a indígenas são da competência da Justiça federal?

Art 109, XI, CF- a disputa sobre direitos indígenas são de competência dos juízes federais, mas isso não significa que os crimes onde indígenas sejam réus ou autores, são de competência da Justiça Federal.

Grave violação dos Direitos Humanos- (Art. 109, V-A, CF)

Com a E. C nº 45/2004, acrescenta a grave violação dos direitos humanos, para competência da Justiça Federal. O deslocamento da competência para justiça federal, dependerá da decisão do STJ, por procuração do procurador-geral da república, se este entender a necessidade de julgamento pela Justiça Federal, visando assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil seja parte.

Concurso entre competências da Justiça Federal e Justiça Estadual.

Prevalece a Justiça Federal sobre a Justiça Estadual- Súmula 122 STJ.

Tribunal penal internacional

possui jurisdição sobre as pessoas responsáveis pelos crimes de maior

gravidade com alcance internacional, tendo uma competência material subsidiária, assim somente será competente se inerte o órgão originalmente competente, para julgar os crimes de genocídio, crimes contra humanidade, crimes de guerra, ou seja, o tribunal exercerá sua jurisdição sempre que esgotadas ou falhas as instâncias internas dos Estados.

CRITÉRIO TERRITORIAL

Determina-se dentro do território do país, o foro competente para julgar e processar o feito, este critério de divisão pressupõe uma distribuição geográfica de juízes, investidos de jurisdição, relacionados com certas localidades.

Este tipo de competência é relativo, portanto prorrogável.

A Justiça Federal comum, é divida em seções judiciárias, que subdividem-se em varas, e as Justiças estaduais comuns, são dividas em comarcas (limite territorial da competência dos juízes estaduais).

COMPETÊNCIA PELO LUGAR DA INFRAÇÃO

A competência para julgar a ação penal do foro do local em que for consumada a infração. Art. 70 “A competência será, de regra, determinada pelo lugar em que se consumar a infração, ou, no caso de tentativa, pelo lugar em que for praticado o último ato de execução.”

Tem-se como local da infração, o lugar em que houver ocorrido o resultado da prática criminosa. - A lei processual adotou a teoria do resultado, enquanto a lei material adotou a teoria da ubiqüidade.

Justificativa: Elege-se o local do fato, por dois motivos; por tratar de uma razão de política criminal, para que a repressão penal atinja sua finalidade, e por se tornar mais adequado o julgamento da infração no local do fato, para que se possa encontrar vestígios e provas do crime.

§ 1 o Se, iniciada a execução no território nacional, a infração se consumar fora dele, a competência será determinada pelo lugar em que tiver sido praticado, no Brasil, o último ato de execução.

§ 2 o Quando o último ato de execução for praticado fora do território nacional, será competente o juiz do lugar em que o crime, embora parcialmente, tenha produzido ou devia produzir seu resultado.

Os dois artigos mencionados acima tratam dos chamados crimes á distância, onde a execução se inicia em um país, e se consuma em outro.

Quando incerto o limite territorial entre duas ou mais jurisdições, ou quando incerta a

jurisdição por ter sido a infração consumada ou tentada nas divisas de duas ou mais jurisdições, a competência firmar-se-á pela prevenção. Esta hipótese ocorre quando não há elementos suficientes para determinar o local da prática do delito. Pela prevenção, serão competentes os juízos de qualquer dos foros onde há suspeita que haja ocorrido o fato delituoso, até que a ação seja ajuizada, o primeiro

juízo que conhecer a causa, tornar-se-á prevento, cessando a competência no caso concreto, dos juízes das demais localidades.

§ 3 o

Em caso de infrações continuada ou crime permanente, adota-se o art. 71 “Tratando-se de infração continuada ou permanente, praticada em território de duas ou mais jurisdições, a competência firmar-se-á pela prevenção.” Crimes em que a consumação se protrai no tempo. No caso de crime continuado, em que for instaurado mais de um processo, aplica-se o art.82, cabendo a autoridade prevalente, ou seja, a autoridade que tiver primeiro conhecido a ação, avocar os demais processos que se reunirão sob a sua competência.

CASOS ESPECIAS:

Crimes falimentares: O foro competente é o local em que for decretada a falência, concedida a recuperação judicial, ou homologado o plano de recuperação extrajudicial.

Crimes plurilocais: São aqueles em que a execução e consumação, ocorrem em lugares diversos, aplicando-se assim a teoria do resultado, sendo competente o local em que ocorre o resultado da prática delitiva.

.Crimes de estelionato: Em se tratando de estelionato doloso praticado mediante emissão de cheque sem provisão de fundos, é competente o foro do local onde se deu a recusa ao pagamento pelo sacado, se a hipótese for de falsificação de cheque, será competente o juízo do local da obtenção da vantagem ilícita.

Crimes qualificados pelo resultado: O foro competente será o do local onde ocorrer o resultado que o qualifica.

Crimes contra a vida: Reconhece-se o juízo competente do local , em que se deu o último ato de execução, caso o crime tenha se consumado em lugar diverso.Existe divergência sobre o assunto na doutrina- opinião em contrário.

Crimes de uso de documento falso, o juízo federal competente para acusar e julgar o acusado de crime de passaporte falso é o do lugar onde o delito se consumou.

JUIZADOS ESPECIAIS CRIMINAIS “será competente o juizado do lugar em que foi praticada a infração penal”- Possui Três correntes:

1) o foro competente seria o do local que se realizou, a ação ou omissão, adotando assim a teoria da atividade. 2) Segue a teoria do CPP, estabelecendo a competência territorial, pelo lugar da consumação da infração. 3) Adota a teoria da ubiqüidade, fixando a competência tanto pelo lugar em que ocorreu a ação/omissão, quanto pelo local em que ocorreu o resultado da infração, e se houver conflito de competência, resolve-se pela prevenção.

COMPETÊNCIA PELO DOMICÍLIO OU RESIDÊNCIA DO RÉU

Art. 72. Não sendo conhecido o lugar da infração, a competência regular-se-á pelo domicílio ou residência do réu.

Trata-se de um foro subsidiário, supletivo, para as hipóteses em que houver impossibilidade de se determinar a localização de onde se consumou o crime.

Se o réu tiver mais de uma residência, aplicam-se os parágrafos 1º e 2º do mencionado artigo, que afirma: Se o réu tiver mais de uma residência, a competência firmar-se-á pela prevenção ou se se o réu não tiver residência certa ou for ignorado o seu paradeiro, será competente o juiz que primeiro tomar conhecimento do fato .Adota- se a regra da prevenção quando houver pluralidade de réus, com domicílios ou residências diferentes.

Se a ação for exclusivamente privada, é facultado ao querelante optar pelo foro do domicilio ou residência do réu, mesmo quando conhecido o lugar da infração, (Art. 73 CPP)

Domicílio: local em que a pessoa estabelece sua residência, com animo definitivo.

Residência: relação de fato, o lugar em que a pessoa habita ou tem o centro de suas ocupações.

Fixação: Havendo mais de um juízo com idêntica competência, deve-se estabelecer qual deles julgará a causa, para isso utiliza-se da Prevenção ou Distribuição.

Prevenção: Critério residual de determinação de competência, que incide nos casos onde há pluralidade de juízes com idênticas competências em razão de matéria e território, ou nos casos de jurisdição cumulativa, em que possuem competências idênticas em razão de matéria, mas diversas em territórios. Considerar-se-á prevento aquele que tiver antecedido aos outros na prática de algum ato do processo ou de medida a este relativa, ainda que anterior ao oferecimento da denúncia ou da queixa.

HIPÓTESES PARA SE APLICAR A PREVENÇÃO:

, entre duas ou mais localidades submetidas as competências á juízos diversos, o

local em que se haja consumado o delito, quando não se puder determinar o juízo competente, pois a infração consumada ou tentada, ocorreu na divisa entre várias localidades. ( art 70 § 3 o Quando incerto o limite territorial entre duas ou mais jurisdições, ou quando incerta a jurisdição por ter sido a infração consumada ou tentada nas divisas de duas ou mais jurisdições, a competência firmar-se-á pela prevenção).

Quando

incerta
incerta

Nos casos de infração

permanente, praticada em território de duas ou mais jurisdições, a competência firmar-se-á pela prevenção.

(Art. 71. Tratando-se de infração continuada ou

continuada ou permanente

Desconhecido o lugar da infração

 

possuir residência certa

ou for

ignorado seu paradeiro

, ou se o réu possuir

mais de uma residência

. (art. 72 § 1º e 2º)

, ou quando

não
não

Quando por

Quando incerta ou não puder determinar a competência pelos referidos artigos: Art. 89. Os crimes

cometidos em qualquer embarcação nas águas territoriais da República, ou nos rios e lagos fronteiriços, bem como a bordo de embarcações nacionais, em alto-mar, serão processados e julgados pela justiça do primeiro porto brasileiro em que tocar a embarcação, após o crime, ou, quando se afastar do País, pela do último em que houver tocado Art. 90. Os crimes praticados a bordo de aeronave nacional, dentro do espaço aéreo correspondente ao território brasileiro, ou ao alto-mar, ou a bordo de aeronave estrangeira, dentro do espaço aéreo correspondente ao território nacional, serão processados e julgados pela justiça da comarca em cujo território se verificar o pouso após o crime, ou pela da comarca de onde houver partido a aeronave.

conexão ou continência

, a questão não puder ser solucionada. (Art. 78 e incisos).

A competência determinada pela prevenção é relativa.

Súmula 151 STJ: A competência nos crimes de contrabando ou descaminho define-se pela prevenção do juízo Federal do lugar da apreensão dos bens.

Se nos casos de pluralidade de juízos com competências idênticas, não houver juiz prevento, aplica-se a distribuição: ou seja, a repartição dos feitos entre juízes de competência idêntica, permitindo um equilíbrio quantitativo, entre juízes e ações. Após distribuída ação, firma-se a competência, na vara que primeiro a houver recebido. (Art. 75 CPP).

“Perpetuatio jurisdictionis” – Na competência territorial

Nas ações penais, não há dispositivos que obriguem que seja determinada competência no processo penal, no momento do ajuizamento da demanda. Porém há discordâncias de autores, que defendem que a competência deve ser determinada no início da ação, por se tratar de uma garantia constitucional do juiz natural.

Pode ocorrer modificação das leis de organização judiciárias, durante o trâmite do processo, logo é admissível por uma parte da doutrina o deslocamento deste processo para outra comarca competente.

NATUREZA DA INFRAÇÃO

Esta competência é regulada pelo Art. 74. “A competência pela natureza da infração será regulada pelas leis de organização judiciária, salvo a competência privativa do Tribunal do júri.” Sempre que houver crime doloso contra a vida, mesmo que não consumado a competência é do Tribunal do Júri. Havendo desclassificação do crime, ou seja, se o Juiz entender que o dispositivo legal que tipifica o fato julgado é diferente daquele apontado na acusação, logo ocorre modificação de competência, o juiz remete o processo ao juízo competente, em razão de matéria. E vem assegurado pelo art. 74 § 2 o “Se, iniciado o processo perante um juiz, houver desclassificação para infração da competência de outro, a este será remetido o processo, salvo se mais graduada for a jurisdição do primeiro, que, em tal caso, terá sua competência prorrogada. Ocorre o fenômeno da perpetuatio jurisdictiones.

Se a desclassificação for proferida pelo tribunal do júri,pelo art 492 §1, entende-se que o presidente do tribunal do júri, deve proferir a sentença, julgando-a se se tratar de delito de menos potencial ofensivo, e se quando houver crime conexo não doloso contra a vida, compete ao juiz presidente também julgá-lo.

LATROCÍNIO E TRIBUNAL DO JÚRI

O Latrocínio ora trata de crime contra o patrimônio, podendo conter em si uma conduta de crime doloso contra a vida. Portanto havia divergências quanto a fixação da competência no mencionado crime, mas segundo entendimento do STF, a competência para processar e julgar crimes de latrocínio é do juiz singular e não do tribunal do júri- Súmula 603.

COMPETÊNCIA POR CONEXÃO OU CONTINÊNCIA.

Reunião de processos intimamente relacionados, para que sobre uma mesma competência de juízo, possam ser proferidas decisões harmônicas- Princípio da Economia processual.

Conexão: vínculo que entrelaça duas ou mais ações, a ponto de decidir que o mesmo juiz delas

tome conhecimento e as decida.

Conexão Intersubjetiva: Art. 76. “ A competência será determinada pela conexão”:

I - se, ocorrendo duas ou mais infrações, houverem sido praticadas, ao mesmo tempo, por várias pessoas reunidas, ou por várias pessoas em concurso, embora diverso o tempo e o lugar, ou por várias pessoas, umas contra as outras.

Este tipo de conexão, as circunstâncias se relacionam, pelos sujeitos da prática delituosa, por três critérios:

Simultaneidade: ocorre quando duas ou mais infrações houverem sido praticadas por várias

pessoas ocasionalmente reunidas (SEM a intenção da reunião), porém em um só contexto temporal e espacial.

Por concurso: Ocorre quando duas ou mais infrações são praticadas por várias pessoas em

concurso, em diferente tempo e lugar.

Por reciprocidade: duas ou mais infrações, praticada por várias pessoas umas contra as outras.

Conexão Objetiva: Art. 72, II “- se, no mesmo caso, houverem sido umas praticadas para facilitar ou ocultar as outras, ou para conseguir impunidade ou vantagem em relação a qualquer delas”

Teleológica: Ocorre quando duas ou mais ações são praticadas, para FACILITAR a prática de

outro delito.

Conseqüencial: Duas ou mais ações dão praticadas para OCULTAR a prática de outras, ou para

conseguir impunidade ou vantagem- ( art.61, II, b CP e 121 § 2º, V CP)

Conexão Probatória: Também chamada de instrumental, ocorre quando a prova de uma infração ou de qualquer de seus elementos influírem na prova de outra infração. (art. 73,§ 3º CPP)

CONTINÊNCIA

Acontece quando uma demanda, em face de seus elementos (partes, causa de pedir e pedido) esteja contida em outra. Art. 77 CPP.

reconhece-se uma infração praticada por várias pessoas, configurando o concurso de pessoas- (Art.

77, I)

Cumulação Objetiva: Ocorre nos casos de concurso formal de crimes (Art.70 CP), ou na hipótese

de erro na execução (aberratio ictus- Art. 73 CP) e resultado diverso do pretendido (aberratio criminis-

Art 74 CP). Enfim ocorre sempre a conduta do agente produzir mais de um resultado.

Cumulação subjetiva: quando duas ou mais pessoas forem acusadas pela mesma infração,

FIXAÇÃO DO “FORUM ATTRACTIONIS”

Após constatada a conexão ou continência, deve-se determinar qual o foro competente, para reunião das causas. (art. 78 CPP).

Júri e órgão comum: Inciso I, do mencionado artigo, concorrendo a competência do Tribunal do

júri e de outro órgão de competência comum, prevalece a competência do tribunal do júri, que também julgará os casos que tenham relação ao crime doloso contra a vida.

Jurisdições do mesmo grau:Inciso II- Em concurso de jurisdições de mesma categoria, mesmo

grau hierárquico, com juízes competentes para julgar as mesmas causas, analisa-se:

- Gravidade da pena: Prevalecerá o foro do juízo competente para o julgamento da infração, a qual for prevista em abstrato, a pena mais grave.

- Número de infrações: Sendo as infrações de igual gravidade, prevalecerá o foro onde houver ocorrido o maior número de infrações.

- Prevenção: Se as infrações forem de igual gravidade, praticadas em igual número em cada

localidade- A competência será firmada de forma residual, pela prevenção. (art. 83 CPP).

Jurisdições de graus diversos: Inciso III- Entre jurisdição superior e inferior, prorrogar- se-á a competência do órgão de maior graduação.

Nos casos em que houver concurso de agentes, e apenas sobre um deles incida a regra do foro de prerrogativa de função, a competência do Tribunal determinada pelo foro especial, será prorrogada permitindo-lhe o julgamento de ambos os acusados. Decisão do STF. Porém nos casos em que a prerrogativa de função estiver prevista pela Constituição federal, a tramitação e julgamento dos processos correm em separado, pois não pode uma Lei ordinária alterar a competência constitucionalmente estabelecida.

Jurisdição comum e especial: Inciso IV. Nestes casos se houver concurso em jurisdição comum

e especial, prevalece à especial.

Em se tratando de Justiça Federal, ela é considerada especial, em relação a Justiça Estadual comum, cabendo-lhe o julgamento de crimes conexos de competência das Justiças Estaduais.

SEPARAÇÃO DE PROCESSOS:

Quando não é possível ocorrer a reunião dos processos por conexão ou continência. O art.79 CPP, impõe a separação obrigatória dos processos, e o art. 80 CPP, define os processos que podem ser separados a critério do juiz.

OBRIGATÓRIA:

a) Quando houver concurso entre jurisdição comum e militar (art. 79, I) Mesmo que os crimes

constituam conexão ou continência, serão julgados em separado, cada qual pelo seu juízo competente.

Obs: A Justiça Militar Federal tem competência para julgar militares e civis, enquanto a Justiça Militar Estadual, pode somente julgar militares (policiais e bombeiros militares).

b) Concurso entre a jurisdição comum e a do juízo de menores, Art. 79, II- A justiça comum é

absolutamente incapaz de julgar infrações praticadas por menores de 18 anos (inimputáveis),

tornando impossível a reunião de processos. O menos que praticou a infração será submetido ao Juízo da Infância e da Juventude.

79 § 1 o “Cessará,

c) Casos em que houver que suspender o processo em relação a um dos co-réus

em qualquer caso, a unidade do processo, se, em relação a algum co-réu, sobrevier o caso previsto no art. 152.” (doença mental manifestada após o cometimento da infração.)

FACULTATIVA:

a)

Quando as infrações tiverem sido praticadas em circunstâncias de tempo ou lugar diferentes.

b)

Quando houver excessivo número de acusados, e para não lhes prorrogar a prisão provisória.

c)

Por qualquer outro motivo relevante.

PERPETUATIO JURISDICTIONIS EM RELAÇÃO AOS PROCESSOS REUNIDOS.

Ocorrendo a prorrogação da competência por conexão ou continência, e verificada a reunião dos processos, a competência do órgão julgador fixa-se sobre todos os processos reunidos, mesmo que o juiz ou tribunal venha proferir sentença absolutória ou desclassifique a infração.

Exceções aos crimes submetidos à competência do tribunal do júri.

- Decisão de pronúncia: Art. 81 CPP p.ù “Reconhecida inicialmente ao júri a competência por conexão ou continência, o juiz, se vier a desclassificar a infração ou impronunciar ou absolver o acusado, de maneira que exclua a competência do júri, remeterá o processo ao juízo competente.” Em resumo, se a desclassificação ou absolvição, que exclua a competência do tribunal d júri, ocorrerem no momento de decisão de pronúncia, cessa a competência daquele órgão , devendo o processo ser remetido ao juízo competente. Pronúncia: momento terminativo da primeira fase do procedimento do júri é o juízo de admissibilidade da acusação, no qual caberá ao juiz que conduziu a instrução criminal decidir em quatro opções, 1-se envia o réu a julgamento pelo tribunal do júri, pronunciando-o, 2- desclassifica a infração, 3- impronuncia o réu, ou 4- pode absolvê-lo sumariamente.

- Absolvição pelo Conselho de Sentença: Se a absolvição do crime doloso contra a vida ocorrer, em decorrência das respostas dos jurados em relação aos requisitos, aplica-se a regra do art. 81 CPP, cumprindo ao Conselho de Sentença a apreciação dos crimes conexos ou continentes, subsistindo os efeitos da prorrogação da competência.

- Desclassificação pelo Conselho de Sentença: Se o Conselho de Sentença ao invés de absolver o

réu, desclassificar o crime doloso contra a vida, para outro que não é da Competência do Tribunal do Júri, caberá o juiz presidente proferir sentença, e se tratar de infração de menor potencial ofensivo, aplica-se o art. 69 da Lei 9.099/95. Em relação ao crime conexo não doloso contra a vida, caberá ao juiz presidente julgá-lo.

AVOCAÇÃO

Todos os processos que deverão ser reunidos por conexão ou continência, já devem ser propostos perante o juízo competente, porém nem sempre isso ocorre, pois a acusação pode desconhecer no momento do ajuizamento das ações concernentes a cada fato, as circunstâncias da existência de causas de reunião de processos. Prevendo a ocorrência dessa situação, o art. 82 “Se, não obstante a conexão ou continência forem instaurados processos diferentes, a autoridade de jurisdição prevalente deverá avocar os processos que corram perante os outros juízes, salvo se já estiverem com sentença definitiva. Neste caso, a unidade dos processos só se dará, ulteriormente, para o efeito de soma ou de unificação das penas.”

Com referência aos processos que já foram ajuizados perante juízos diferentes, onde já tenha sido proferida a sentença definitiva, ou seja decisão de primeiro grau, a Súmula 235 STJ estabelece que : “ a conexão não determina a reunião dos processos, se um deles já foi julgado.” Sendo assim a unidade de processos só poderá ocorrer após, durante a fase de execução da pena, para efeito de soma (concurso material) ou de unificação das penas( concurso formal e crime continuado).

A questão é relevante aos crimes continuados, ou concurso formal, pois o não reconhecimento dessas circunstâncias implicará desvantagem ao réu, no cômputo da pena a aplicar, se eventualmente condenado por mais de uma infração. Portanto entende-se que o art. 82 CPP, encontra aplicação nas hipóteses de crimes continuados, devendo-se proceder nesses casos avocatória, ou não sendo mais possível, a unificação das penas perante o juízo das execuções.

COMPETÊNCIA PELA PRERROGATIVA DE FUNÇÃO

Pessoas que ocupam determinadas funções ou cargos públicos, assim enquanto no exercício do cargo ou função, passarão a ter por prerrogativas serem processados e julgados por órgãos diferenciados, também conhecido vulgarmente como foro privilegiado. Porém não é um privilégio, pois não recai sobre qualidades pessoais, mas sim sobre função desempenhada.

CASOS ESPECÌFICOS: COMPETÊNCIA PARA PROCESSAR E JULGAR:

COMPETE ao Supremo Tribunal Federal (art 102, I, b e c CF).

- nas infrações penais comuns, o Presidente da República, o Vice-Presidente, os membros do

Congresso Nacional, seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da República, não constando previsão expressa a Advogado Geral da União.

- nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade, os Ministros de Estado e os

Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, ressalvado o disposto no art. 52, I. Ressalta- se que os crimes Atribuídos pelo Art. 52, I, são de competência privativa do Senado Federal, possuindo este, jurisdição para julgar crimes praticados pelos Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica nos crimes de responsabilidade conexos com os crimes praticados pelo Presidente, ou Vice- Presidente da República.

Vale lembrar que, pela lei nº 11.036/2004 que transformou o cargo de Presidente do Banco Central do Brasil em cargo de Ministro de Estado. Há corrente divergente que afirma a inconstitucionalidade de tal dispositivo, pois as competências originárias dos Tribunais Superiores são previstas na Constituição, e não podem ser alteradas por legislador ordinário.

- os membros dos Tribunais Superiores, os do Tribunal de Contas da União e os chefes de missão diplomática de caráter permanente.

As infrações penais comuns abrangem todas as modalidades de ilícitos penais, inclusive contravenções, exceto os chamados crimes de responsabilidade.

Superior Tribunal de Justiça (art 105, I, a- CF)

- nos crimes comuns, os Governadores do Estado e do Distrito Federal.

- Nos crimes comuns e de responsabilidade, os desembargadores do Tribunais de Justiça dos

Estados e do Distrito Federal, e dos Tribunais Regionais Federais, Dos Tribunais Regionais Eleitorais

e do Trabalho, os Membros dos Conselhos, ou Tribunais de Contas dos Municípios e os do Ministério Público da União que oficiem perante Tribunais.

Tribunais Regionais Federais.

- Os juízes Federais da área de sua jurisdição, inclusive os da Justiça Militar e do Trabalho, nos crimes comuns e de responsabilidade, e os membros do MP da União ressalvada a competência da Justiça Eleitoral (art 108, I, a CF).

Tribunais de Justiça.

- julgamento prefeito municipal (art. 29, X CF) pela prática de crimes comuns competência Justiça

Comum Estadual. Súmula 701 STF: “a competência do Tribunal de Justiça para julgar prefeitos, restringe-se aos crimes de competência da Justiça Comum Estadual, nos demais casos, a competência originária caberá ao respectivo tribunal do segundo grau. E a Súmula 208 STJ : “ Compete a Justiça Federal Processar e julgar prefeito municipal por desvio de verba sujeita a prestação de contas perante órgão federal, e ainda a Súmula 209 STJ: “ compete a Justiça Estadual processas e julgar prefeito por desvio de verba transferida e incorporada ao patrimônio do município.

È de competência do Tribunal Regional Eleitoral, os crimes eleitorais praticados por prefeitos municipais, porém caso cometer crime doloso contra a vida, será julgado pelo Tribunal de Justiça.

- Julgamento de juízes estaduais e do Distrito Federal e Territórios, bem como os membros do MP, nos crimes comuns de responsabilidade, ressalvada a competência eleitoral (art. 96, III CF).

- Os magistrados e membros do MP, serão julgados pelos Tribunais de Justiça do Estado em que

exercem suas funções. È irrelevante onde foi praticado o crime (local), se dentro ou fora do Estado, ou se a competência originária seria atribuída á Justiça Federal, em todos os casos, a competência é do Tribunal de Justiça do Estado, em que ocupa o cargo público.

Competência por prerrogativa de função determinada em Constituição Estadual.

Possui competência quando se tratar de crimes cometidos por autoridades do Estado, sendo que a Competência constitucional do Tribunal do Júri, prevalece sobre o foro de prerrogativa de função, estabelecido pela Constituição Estadual.

- Conexão ou Continência: sendo o crime praticado em concurso de pessoas, a competência por prerrogativa de função alcança o co-réu que não goza de igual prerrogativa, pois prevalece o foro especial.

- Duplo grau de jurisdição: O julgamento dos Tribunais no exercício de competência originária, em razão da pessoa ( ratione personae) não está sujeito ao duplo grau de jurisdição. Lei nº 10.628/2002 Prevalência da Competência Especial após a cessação do exercício funcional. A competência por prerrogativa de função abrange tão somente os delitos praticados na duração do exercício funcional- Súmula 451 STF “ a competência especial por prerrogativa de função não se estende ao crime cometido após a cessação definitiva do exercício funcional.”

OBS: O processo que ainda estiver em trâmite após a cessação do exercício funcional, que não foi julgado, de acordo com o art. 84º § 1º da mencionada lei, afirma que prevalece a competência especial, mesmo que o inquérito ou a ação judicial sejam iniciados após a cessação da função pública. E no parágrafo 2º do mesmo artigo, determina a competência originária por prerrogativa de função para os delitos de improbidade administrativa. Estes artigos foram revogados, sendo assim fica o entendimento de que não prevalece o foro por prerrogativa de função para inquérito ou ação penal iniciados após a cessação do exercício da função pública.

Art. 85 CPP: Nos processos por crime contra a honra, em que forem querelantes as pessoas que a Constituição estabelece o foto por prerrogativa de função, caberá aos tribunais que possuírem competência para julgar o ofendido, o julgamento da exceção da verdade quando oposta e admitida. A competência do Tribunal nestes casos, limitar-se-á tão-somente ao julgamento da exceção da verdade, cabendo a instrução do feito ao juiz de primeira instância, a quem retornarão os autos após o julgamento. Julgada improcedente a exceção, o juízo de origem julgará a ação penal. Se for julgada procedente, extrair-se-ão cópias das peças pertinentes, que serão encaminhadas ao MP, onde servirão de base a uma possível ação judicial. A doutrina majoritária entende que os crimes do art. 85 CPP, crimes contra a honra, será aplicado nas hipóteses de calúnia, a qual admite a exceção da verdade e o deslocamento da competência.

DIPOSIÇÕES ESPECIAIS:

Crimes cometidos no estrangeiro, submetidos à jurisdição brasileira: Art. 88 CPP (No processo por crimes praticados fora do território brasileiro, será competente o juízo da Capital do Estado onde houver por último residido o acusado. Se este nunca tiver residido no Brasil, será competente o juízo da Capital da República). Trata-se de uma hipótese de extraterritorialidade, ou seja a aplicação da lei penal brasileira aos delitos cometidos no estrangeiros.

Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro: Extraterritorialidade incondicionada, é obrigatória a aplicação da lei brasileira nos crimes: contra a vida ou a liberdade do Presidente da República; contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estado, de Território, de Município, de empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público; contra a administração pública, por quem está a seu serviço; de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil;

Extraterritorialidade condicionada: os crimes: que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a

praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes

reprimir; praticados por brasileiro;

ou de propriedade privada, quando em território estrangeiro e aí não sejam julgados

§ 1º - Nos casos do inciso I, o agente é punido segundo a lei brasileira, ainda que absolvido

ou condenado no estrangeiro.

§ 2º - Nos casos do inciso II, a aplicação da lei brasileira depende do concurso das seguintes

condições (condições objetivas de punibilidade): entrar o agente no território nacional; ser o fato punível também no país em que foi praticado; estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição; não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena; não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, não estar extinta a punibilidade, segundo a lei mais favorável.

§ 3º - A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil, se, reunidas as condições previstas no parágrafo anterior: não foi pedida ou foi negada a extradição; houve requisição do Ministro da Justiça.

Crimes cometidos em embarcações ou aeronaves:

Art. 89 CPP: “Os crimes cometidos em qualquer embarcação nas águas territoriais da República, ou nos rios e lagos fronteiriços, bem como a bordo de embarcações nacionais, em alto- mar, serão processados e julgados pela justiça do primeiro porto brasileiro em que tocar a embarcação, após o crime, ou, quando se afastar do País, pela do último em que houver tocado. Ressaltando que compete a Justiça federal o julgamento dos crimes praticados a bordo de navios (embarcações de grande porte) advertidos os da Justiça Militar-( art. 109, IX, CF). Os crimes praticados a bordo de aeronaves nacionais, dentro do espaço aéreo correspondente ao território brasileiro, ou em alto-mar, ou a abordo de aeronave estrangeira, dentro do espaço aéreo correspondente ao território nacional serão processados pela Justiça da localidade em cujo território se verificar o pouso após o crime, ou da localidade de onde houver partido a aeronave. Compete a Justiça Federal o julgamento dos crimes praticados em aeronaves, ressalvada os da Justiça Militar-( art. 109, IX, CF).

OBS: Art. 91. Quando incerta e não se determinar de acordo com as normas estabelecidas nos arts. 89 e 90, a competência se firmará pela prevenção

Territorialidade; Art. 5º CP - Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito internacional, ao crime cometido no território nacional.

§ 1º - Para os efeitos penais, consideram-se como extensão do território nacional as embarcações

e aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro onde quer que se encontrem, bem como as aeronaves e as embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, que se achem, respectivamente, no espaço aéreo correspondente ou em alto-mar.

§ 2º - É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves ou embarcações estrangeiras de propriedade privada, achando-se aquelas em pouso no território nacional ou em vôo no espaço aéreo correspondente, e estas em porto ou mar territorial do Brasil.

EXEMPLO- Onde deve ser processado o marinheiro, que pertencendo a navio público, desce em um porto de outro Estado e pratica um crime?

E na hipótese de Navio Privado?

Em se tratando de Navio Público, deve-se observar: por qual motivo o marinheiro desceu do navio. Se for á serviço público e cometeu um crime, fica sujeito a lei penal de bandeira que o navio ostenta, sendo assim, será competente para julgar o caso, a Justiça Brasileira, mas se o marinheiro descer do navio, por motivos particulares e cometer um crime, será processado pela lei local, ou seja, o Estado onde foi cometido o crime, pois se desvinculou da função pública.

Prevendo a hipótese de o delito ser cometido dentro do navio, tem-se a seguinte regra:

Os navios públicos, independentemente de se encontrarem em mar territorial brasileiro, mar territorial estrangeiro ou em alto-mar, são considerados território nacional. Qualquer crime cometido dentro de um desses navios indiferentemente onde encontrem, deverá ser julgado pela justiça brasileira( art. 5°,§ 1°, 1ª parte do CP). Pela mesma razão, os crimes praticados em navios públicos estrangeiros, em águas territoriais brasileiras, serão julgados de acordo com a lei da bandeira que ostentem.

Em se tratando de Navios Privados, tem-se a hipótese de o marinheiro ter descido do navio, e cometer um crime, como a referida questão, neste caso adota-se a regra da competência definida pelo lugar da consumação da infração- (Artigo 70º, § 2º - CPP). Sendo o crime praticado fora do território nacional, cabe competência ao juiz do local onde o crime produziu ou devia produzir efeitos, ou seja, a jurisdição do local do cometimento do fato, pois estava fora do navio, logo será processado no país em que se encontre. Porém na hipótese de o crime ser praticado por marinheiro dentro do navio, quando este estiver em alto - mar, segue a lei da bandeira que estadeiam, e quando estiverem em portos ou mares territoriais estrangeiros, segue a lei do país em que se encontrem (art.5°,§1°, 2ª parte CP).

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