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FLORICULTURA TROPICAL

Alonso da Mota Lamas
Novembro 2004

Curso: Floricultura Tropical – Técnicas de Cultivo ALONSO DA MOTA LAMAS NOVEMBRO 2004 <> Página 1

ALONSO DA MOTA LAMAS

Engenheiro Agrônomo, graduado pela Escola Superior de Agricultura do Espirito Santo – Centro Agropecuário da Universidade Federal do Espirito Santo (Alegre/ES, 1979); Pós Graduado pela Universidade Federal de Viçosa (Viçosa/MG, 1997) em Proteção das Plantas e pela Universidade Federal de Alagoas (Maceió/AL, 1991) em Aproveitamento de Recursos Hídricos; Consultor Técnico em Agronegócios – Agrifloricultura Tropical, Projetos Agropecuários, Agro-industriais; Ministra cursos e palestras sobre Agrifloricultura tropical; Autor do Livro FLORICULTURA TROPICAL – Técnicas de Cultivo Produtor e Comerciante de Plantas, Flores e Folhagens Ornamentais em Maceió/AL. CONTATO Endereço: Av. Dr. Antonio Gouveia, 225-Apto201 - Pajuçara 57.030-170 – Maceió / AL Telefone :Cel +82 93021955 Fax +82 326-1081 e-mail aml@fapeal.br e alonsolamas@hotmail.com

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Caro (a) Amigo(a):

Nas próximas páginas, está condensada grande parte dos conceitos que serão expostos por mim, durante o “Curso Floricultura Tropical – Tecnologia de Cultivo”. Elaborei esta apostila, com a intenção de complementar o que foi dito nas aulas ministradas durante o Curso, em Tabatinga/AM. Portanto está longe de pretender ser ensaio literário ou um livro técnico, mesmo assim, é bom imaginar que este resumo poderá acrescer alguns conhecimentos à Você, que gosta de plantas e que procura neste agronegócio um alimento para suas emoções e para seu cotidiano, estando assim divididos os assuntos:

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Manual de Propagação das Plantas Ornamentais......................... pág 4 Floricultura Tropical ........................................................................ pág 13 Perfil Técnico do Agronegócio: Cultivo de Flores para Corte • Cultivo de Helicônia ........................................................... pág 22 • Cultivo de Alpínia ............................................................... pág 31 • Cultivo de Bastão do Imperador ......................................... pág 36 • Cultivo de Gengibre Ornamental ....................................... pág 42 • Cultivo de Antúrio .............................................................. pág 45 • Cultivo de Folhagem para Corte • Cordyline .......................................................................... pág 56 • Aspargo Ornamental ........................................................ pág 59 Bibliografia Recomendada para Consulta .................................. pág 65

Alonso da Mota Lamas.

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PROPAGAÇÃO DAS PLANTAS ORNAMENTAIS
Em plantas ornamentais, como nas demais espécies vegetais, a qualidade da muda para uma produção comercial ou uma composição paisagística é de grande importância para que se alcancem os objetivos almejados. A produção de uma boa muda depende da qualidade das matrizes e das técnicas de propagação utilizadas. Na propagação de plantas ornamentais são utilizadas desde sementes até estruturas vegetativas das mais diversas; assim sendo, cuidados especiais devem ser adotados com as plantas que servirão de matrizes para multiplicação da espécie. As matrizes devem ser mantidas sob rigoroso controle fitossanitário, visando o máximo de qualidade das mudas que serão geradas a partir destas plantas. Outro fator é dispor de campos distintos, evitando proximidade de coleção de matrizes e áreas de produção comercial de flores ou mudas. A aquisição de plantas matrizes deve ser criteriosa, não anexando a coleção novas plantas, sem antes proceder uma quarentena, na observância quanto ao estado geral da nova planta. Do mesmo modo, todo equipamento de trabalho deve ser conveniente desinfetado, antes e depois de sua utilização. Um procedimento interessante é manter ferramentas distintas para os diferentes talhões de cultivo. TIPOS DE PROPAGAÇÃO Existem dois tipos de propagação de plantas, que são divididas conforme o meio de propagação. Elas são: Propagação Sexual e a Propagação Assexual ou vegetativa . 1 – PROPAGAÇÃO SEXUAL A propagação sexuada ocorre quando a semente botânica é utilizada como estrutura de reprodução para produção de novas plantas, sendo um meio muito utilizado para se obter novas variedades e, em alguns casos, é o único meio de propagação para algumas espécies. As plantas propagadas por sementes podem mostrar duas fases distintas de crescimento. Na primeira, denominada fase juvenil, as plantas, em geral, tem um crescimento vigoroso, apresentando folhas mais inteiras, maiores que as que apresentaram na fase adulta. Na segunda, denominada fase madura, a planta exibe menor crescimento, folhas mais partidas, com conformação típica da variedade. A rapidez com que as plantas superam a fase juvenil é variável, podendo durar alguns dias ou semanas após a germinação, ou meses e anos para outras, a exemplo das heras, coníferas e tuias. Entre as principais vantagens da propagação através de sementes, destacamse a possibilidade de obtenção de plantas isentas de moléstias, a conservação de bancos de germoplasma além de se tratar de um método pouco dispendioso. 2 – PROPAGAÇÃO ASSEXUAL OU VEGETATIVA Na propagação assexuada ou vegetativa não ocorre a fecundação para gerar uma nova planta, ou seja não há “sexo”. Com isto, obteremos a reprodução fiel da planta matriz, ou seja um processo de clonagem. Nesse tipo de propagação, as
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formas de propágulos são as partes tidas como vegetativas nas plantas, quer dizer as partes utilizadas para formação de novas mudas são: galhos, ramos, raízes, gemas, filhotes, rebentos, folhas etc. Em qualquer dos métodos de propagação assexual o grupo de mudas provenientes da matriz é chamado de CLONE. Pelo fato de ser um processo mais rápido e de apresentar um baixo custo, associado a facilidade e rapidez, a propagação vegetativa é amplamente utilizada. PROCESSOS NATURAIS DE PROPAGAÇÃO ASSEXUAL Nos processos naturais de propagação assexual na natureza, as plantas propagam-se através de: bulbos, cormos, rizomas, tubérculos, raízes tuberosas, estolões ou estolhos, bulbos aéreos, rebentos ou filhotes, folhas, esporos. BULBOS: São caules subterrâneos que apresentam pequeno crescimento vertical em virtude do diminuto número de nós e, principalmente, pelo reduzido comprimento dos entrenós. Caracterizam-se pelo acúmulo de reserva. Exemplos de plantas bulbosas: íris, tulipa, etc. CORMOS: Os cormos nada mais são que caules sólidos, inchados pelo acúmulo de nutrientes, capazes de desenvolverem gemas. São caules subterrâneos que têm a porção expandida da base da haste recobertos por uma ou duas bases foliares secas (similares às túnicas), semelhantes a escamas secas. Possuem um prato basal, onde surgem as novas raízes. RIZOMAS: De modo semelhante aos bulbos e cormos, os rizomas são caules modificados. Apresentam crescimento horizontal, podendo ser superficial ou subterrâneo. São ricos em reservas, mostrando todas as características de um caule: nós , entrenós, gemas laterais e dominância apical. Exemplo de plantas rizomatosas bastão-do-imperador, hemerocale, helicônias, alpínias, estrelícia, algumas samambaias. TUBÉRCULO: Os tubérculos, como os bulbos, os cormos e os rizomas, são caules modificados, formados pela expansão e pelo grande acúmulo de reserva na região apical de estolhos produzidos na parte subterrânea da planta. São conhecidas popularmente por batatinhas. Exemplo de plantas caládio tinhorão etc. RAÍZES TUBEROSAS: Embora as raízes não tenham gemas vegetativas, algumas vezes, podem ser utilizadas na propagação vegetativa natural. Exemplo plantas com raízes tuberosas gloxínia, begônia-tuberosa, dália, etc.

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ESTOLHOS OU ESTOLÕES São caules de crescimento horizontal, distinguindo-se dos rizomas por terem menos diâmetro, entrenós mais longos e sem raízes ao longo dos entrenós. Podem ser aéreos ou subterrâneos e, normalmente, apresentam alternância de gemas normais e gemas atrofiadas. São exemplos de estalões aéreos: moranguinho e begônia. Este também é o tipo de caules das gramíneas. BULBILHOS AÉREOS Algumas vezes a propagação pode se dar por meio de pequenos bulbos produzidos na aérea da planta. REBENTOS E FILHOTES São brotações surgidas da planta-mãe. Exemplos de rebentos: brotações que ocorrem no manacá, na Ravenala madagascariensis (árvore do viajante), em broméliasm etc FOLHAS Algumas plantas apresentam brotações na folhas ainda ligadas à planta matriz, como algumas samambaias. Outras, como folha-da-fortuna, flor de maio, flor de outubro, sianinhas e diversas cactáceas só desenvolvem brotações nas margem das folhas, quando destacadas da planta-mãe. ESPOROS São estruturas produzidas pelos plantas ditas “interiores”, a exemplo de avencas e samambaias os esporos são produzidos na face inferior das folhas. Estas estruturas podem sobreviver por períodos longos, até que condições propícias venham contribuir para sua germinação. PROCESSOS ARTIFICIAIS DE PROPAGAÇÃO ASSEXUAL Nos processos artificiais são englobados aqueles que não ocorrem freqüentemente na natureza. O homem, através da observação da fisiologia vegetal e utilizando-se da capacidade regeneradora dos tecidos vegetativos, desenvolveu várias técnicas para facilitar a plena realização deste fenômeno, permitindo, assim, que pedaços de caules, de folhas e de raízes venham a se regenerar em plantas completas. Os principais processos artificiais de propagação assexual ou vegetativa são: Estaquia, Mergulhia, Alporquia, Enxertia e Cultura de Tecidos

ESTAQUIA: A estaquia é o processo de propagação, no qual pequenas porções das hastes, folhas ou raízes são posta sob condições que favorecem o enraizamento, formando nova planta.

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A- ESTACAS DE CAULE: As estacas de caule de plantas podem ser tomadas de diferentes regiões, podendo ser classificada quanto à consistência, em : • Estacas herbáceas (tratam-se das estacas retiradas da ponta dos caules e são bem tenras); • Estacas semi-lenhosas (tratam-se de estacas retiradas de regiões do caule de meia maturação); • Estacas lenhosas (tratam-se de estacas retiradas de região madura dos ramos ou caules). A classificação das estacas lenhosas é a que se faz de acordo com a posição que ocupam no ramo de origem, como segue: • Estacas apicais ou terminais • Estacas medianas • Estacas basais Quanto ao modo de preparo, as estacas podem ser classificadas em: - Estacas simples - tomada na porção do caule, ex.: jasmim, crisântemo, hibisco, etc. - Estaca com talão - tomada de uma porção de um ramo com pequenos pedaços do ramo que lhe deu origem, ex.: buxinho, ligustro; - Estaca em cruzeta - tomada de modo semelhante à estaca com talão porém com pedaço basal do ramo de origem, bem maior. Ex.: ficus; - Estaca de gema - é aquela composta por uma seção do ramo contendo apenas uma gema, podendo ou não conter a folha que lhe é adjacente, ex : calonchoe, ficus, peperonia. Quanto ao tamanho e o comprimento, as estacas podem ser classificadas em: - grandes, - médias e - pequenas. B- ESTACAS DE FOLHAS: Diferentes plantas apresentam folhas com características de regenerarem plantas completas. Isto ocorre com begônia-rex, gloxinia, violeta-africana entre outras . C- ESTACAS DE RAÍZES Algumas plantas apresentam raízes com habilidade de desenvolverem gemas adventícias como por exemplo o ipê, o manacá, a jabuticaba, a fruta pão, e outras mais. Nestas plantas , quando suas raízes são secionadas, regeneram novas plantas.

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MERGULHIA A mergulhia é o método de propagação vegetativa que nos permite enraizar uma porção da planta, sem desligá-la da planta-mãe. Assim , durante o processo de enraizamento, ocorre o suprimento de reservas, de água e de hormônios pela matriz, tornando o método mais efetivo. Neste método, o ramo da planta-mãe é forçado a passar por dentro do solo, deixando de fora a porção ligada à planta e à sua parte apical. Pode ser utilizado em qualquer planta, desde que tenha disponibilidade de ramos adequados. Neste processo temos as seguintes etapas: 1. Fazer cortes ou anelagem na porção do ramo que será mergulhada (enterrada) no solo para enraizamento, 2. Mergulho (enterramento) da parte anelada, 3. Desmame quando a planta estiver enraizada, 4. Plantio da muda em sacos no local definitivo ALPORQUIA É uma variação de mergulhia, onde ao invés de se levar o ramo ao solo, leva-se o solo ao ramo. Este processo de multiplicação vegetal permite a obtenção rápida de plantas maiores que as obtidas em outros processos, sem perdas de folhas, e já formadas, conforme o ramo escolhido. O processo consiste, em síntese, na remoção das folhas da região efetuando-se cortes ou anelagem nesta área onde quer promover o enraizamento; nesta área coloca-se uma porção de substrato úmido, que é envolvida com um filme plástico (preferencialmente transparente – para observar-se o enraizamento), e amarrado nas partes inferior e superior. Atualmente, em alporquia tem se usado o gel (grão d´água) envolto em papel alumínio. Lembrando que o uso de fito-hormonios é pratica usual visando acelerar o processo, o AIB (acido indol-butírico) é o mais usado, em proporções que variam de 500 a 3.000 ppm. ENXERTIA A enxertia é um processo de multiplicação que leva em conta a capacidade de duas ou mais plantas combinarem-se e crescerem simultaneamente em um único pé. Na enxertia, temos o cavalo ou porta-enxerto que será a espécie ou a variedade que dará origem ao sistema radicular e, o enxerto ou cavaleiro que dará origem à parte aérea e está sobre o porta-enxerto. Em plantas ornamentais, a enxertia é utilizada em poucas espécies, como por exemplo roseira, cacto, etc. Para que a enxertia seja bem sucedida é preciso que o enxertador seja pessoa com aptidão e treino para tal; disponibilidade de ferramenta adequada e bem afiada, além de conhecimento sobre métodos de enxertia e as épocas que sejam as mais adequadas, bem como, higiene e asseio em todo o processo.

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TIPOS E TÉCNICAS DE ENXERTIA a) BORBULHIA A borbulhia é o método de enxertia feto usando uma gema ou borbulha, que será o enxerto, sobre o porta-enxerto. A gema deve ser retirada de um ramo de uma planta saudável e sadia. Ela pode ser realizada através de várias técnicas, dentre elas: • de escudo sob casca (“T” normal, “T” invertido, “T” duplo), • de janela aberta e • de anel. b) GARFAGEM A garfagem consiste no processo de enxertia onde o material utilizado como enxerto é um ramo ao invés de uma gema. A garfagem também tem variações conforme a forma de se introduzir o garfo no porta-enxerto. Ela pode ser feita pelos seguintes processos: • de fenda cheia, • de topo ou cunha; • lateral sob casca simples, • lateral sob casca à inglesa, • de topo, meia fenda, • de topo, sob casca, c) ENCOSTIA A encostia é o processo de enxertia onde enxerto e porta-enxerto são colocados lado a lado. Faz-se no enxerto e no porta-enxerto um corte lateral, expondo-se, aproximadamente, a mesma área de tecido. Isto feito, justapõem-se as superfícies cortadas, amarrando-se bem para forçar o contato entre as mesmas. Sintetizando o processo de enxertia por encostia consiste em: 1 – Corte do enxerto e do porta-enxerto, 2 – Encostia das partes (enxerto e porta-enxerto), 3 – Pega e cicatrização, 4 – Desmame do enxerto.

CULTURA DE TECIDOS ou MICROPROPAGAÇÃO Diferentes são as tecnologias empregadas pelo homem, atualmente, para melhorar o rendimento de suas culturas. Algumas são bem conhecidas pela população, como as anteriormente descritas. Porém uma pouco divulgada que possui cada vez mais importância é a cultura de tecidos vegetais, conhecida também como micropropagação, oferecendo inúmeras vantagens e aplicações.

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As vantagens desta tecnologia são muitas, pois ela permite que com uma pequena quantidade da material obtenhamos muitas plantas, que serão idênticas. Também possibilita que se obtenham plantas livres de doenças fúngicas, bacterianas e aquelas provocadas por vírus, pois os explantes são retirados de regiões jovens e que não foram, ainda, contaminados com o patógeno. Com o seu uso foram obtidos avanços significativos em diferentes culturas de alimentos, de madeiras, ornamentais entre outras. Por exemplo, na produção de abacaxi comestível e ornamental, em diversas aráceas (antúrios, espatífilio, monstera, filodendro), em alpínias, em helicônias, em orquídeas e em bromélias. Isto tem propiciado o cultivo comercial de espécies extremamente raras na natureza, contribuindo para que se evite o extrativismo de espécies nativas. A cultura de tecidos é uma importante alternativa aos métodos convencionais de propagação de plantas, pois possibilita níveis de multiplicação de até 1 para 100.000, ou seja, que de uma única planta se obtenha até 100.000 novas plantas, onde a planta resultante é geneticamente idêntica à planta original, o que coloca a cultura de tecidos na vanguarda da produção de plantas em relação aos demais métodos, associada à garantia de mudas limpas e sãs, em tempo e espaços reduzidos se comparada com os sistemas tradicionais. Este é o melhor meio de se obter mudas para os plantios comerciais; é vanguarda e garantia de sucesso na exploração comercial de plantas ornamentais.

ESTRUTURAS E ORNAMENTAIS

LEITOS

PARA

A

PROPAGAÇÃO

DE

PLANTAS

Para a propagação eficiente de plantas ornamentais podemos escolher as mais diversas instalações dentre os usualmente utilizados estão: viveiros telados ou ripados, cobertura com plástico, ou estruturas mais simples como caixas ou caixotes cobertos. Para o cultivo comercial de plantas ornamentais deve-se optar por estruturas mais sólidas, no caso a utilização de viveiros telados ou estufas cobertas com vidro ou com filmes plásticos. Nestas estruturas deve-se projetar instalações tais como: canteiros, escritório, depósito para insumos, mesas para manipulação, instalações elétricas e hidráulicas, entre outros. O sentido para implantação deve ser na observância dos pontos cardeais norte-sul, e sua construção devem oferecer as seguintes condições: a) conforto térmico, evitando oscilações de temperatura; b) umidade relativa constante; c) luminosidade adequada; d) renovação constante de ar; e) proteção contra a insolação excessiva e/ou deficiente. A construção de canteiros de propagação sob ambiente controlado de sol contribui para a redução da transpiração, associada também ao fato de que em sistemas radiculares delicados, o excesso de calor é especialmente prejudicial às estacas recém-enraizadas e às mudas novas. Outro fator para adoção destas estruturas de proteção é que uma menor freqüência de regas é necessária quando a planta se encontra na sombra, já que a transpiração das plantas e a evaporação do solo são bastante reduzidas.

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Na propagação vegetativa, os processos de obtenção de mudas por estaquia exigem leitos e estruturas que melhorem o ambiente para o enraizamento Os leitos ou canteiros para enraizamento podem ser feitos sob o solo, embutidos ou suspensos, devendo ser bem drenados, As dimensões relativas são as mais variáveis, dependendo do tipo e quantidade de estacas que se quer trabalhar. Em geral a largura deve ser de 0,80 – 1,00 m o que facilita o trabalho de condução; quanto ao comprimento fica a critério e é o mais variável. . Os SUBSTRATOS para propagação devem ser bem estudados, e, vários são os materiais utilizados para esta finalidade, bem como muitas combinações entre eles são feitas, tendo como resultado final misturas ideais para a germinação de sementes e enraizamento de estacas. Os substratos ou misturas para a propagação de plantas ornamentais devem ter as seguintes características: • • • • • • • • ser firme, denso e ter volume constante, quer úmido quer seco; ser livre de sementes de ervas daninhas, pragas e doenças; possuir baixo índice de EC (salinidade baixa ou inexistente); propiciar suporte ou ancoragem para a planta. proporcionar suficiente porosidade de modo a permitir o ingresso de oxigênio e o escape de gás carbônico e etileno produzidos durante a respiração das raízes. propiciar alguma reserva de água para as plantas. suprir a planta com nutrientes. possibilidade de esterilização.

Dentre os materiais utilizados temos:

Areia lavada, Vermiculita, Casca de arroz carbonizada, Carvão de madeira, Coxim (pó de coco),Xaxim, Turfa. Esfagno e a Mistura ou mesclas dos substratos acima.

Para a propagação em pequena escala (dita caseira) pode-se utilizar a água como meio para enraizamento de diferentes plantas, que sejam fáceis de enraizar como: violeta africana, jibóia, ficus, cordilines, dracenas, etc. A presença de folhas ajuda no enraizamento das estacas, em especial das herbáceas. Para que as folhas permaneçam túrgidas e ativas é necessário manter a alta umidade no ambiente, o que se consegue com a aspersão de água em espaços curtos de tempo. Geralmente são construídas estruturas especiais compostas de aspersores “nebulizadores”, acionados por temporizadores, tendo por finalidade manter o ambiente sempre úmido em espaços intercalados de tempo, sem contudo permitir o encharcamento, evitando a morte das estacas. A ÁGUA é um insumo primordial para a propagação de plantas. Uma água ideal não deve exceder o limite de 1400 ppm de sólidos totais, na observância de elementos tais como: NA, Ca, Mg, Cl e F. Face a isto, a água deve ser de boa procedência, se possível tratada para evitar agentes contaminantes e apresentar uma EC menor que 0,5 mS/cm. A SALINIDADE/Teor total de sais solúveis (TTSS) refere-se aos constituintes inorgânicos capazes de se dissolver em água. A sensibilidade à concentração de sais
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varia conforme a espécie e a idade da planta - quanto mais jovem a muda, mais sensível. Segundo Rober e Shaller, 1985 os níveis de salinidade (TTSS em g/L-1) são: baixo (0,5 a 1,0), médio (1 a 2 ) e alto (2 a 3). Na seleção de materiais para substratos busca-se sempre a salinidade abaixo de 1,0 g/litro. O pH ideal para enraizamento deve estar na faixa entre 5,5 e 6,5. A FITOSSANIDADE deve ser sempre observada para o sucesso na propagação de plantas, e partir sempre de medidas preventivas. O substrato e/ou o leito de enraizamento deve ser tratado evitando as ocorrências agentes patogênicos tais como: fungos, bactérias e nematóides. Para o tratamento de solo, sementes, estacas, rizomas, etc.. no mercado encontram-se fungicidas específicos para esta finalidade. - Durante o cultivo as plantas ficam sujeitas a pragas e moléstias. As pragas são em geral representadas por pequenos organismos que causam danos a estrutura da muda (folhagem, ramos), entre os mais freqüentes temos: ácaros, cochonilhas, lagartas, lesmas e caracóis, pulgões, tripes, formigas cortadeiras e os tatuzinhos. Estas pragas são controladas mediante pulverizações preventivas e/ou curativas com produtos específicos, o mesmo procedimento deve ser dado para o controle das doenças. O uso de FITOREGULADORES é adotado para o processo de enraizamento de estacas e/ou para quebra de dormência em sementes Como fitorreguladores são empregados comumente AIB (ácido indol-butírico), ANA (ácido naftalenacético), GA3 (ácido giberélico), citocinina, etileno, nitrato de potássio, a thiouréia, entre outros. PROPAGAÇÃO DAS PLANTAS ORNAMENTAIS BIBLIOGRAGIA CONSULTADA E RECOMENDADA:
BARBOSA, A . C. S – Paisagismo, Jardinagem e Plantas Ornamentais – Ed Iglu – S. Paulo/SP, 1989. CASTRO, C. E. F. – Curso Técnicas de Cultivo de Flores Tropicais, 1998. KAMPF, A . N. & FERMINO, M. H. – Substratos para Plantas – A base na produção vegetal em recipientes, Porto Alegre/RS, 2000. KAMPF, A . N. & ALL – Produção Comercial de Plantas Ornamentais, Porto Alegre/RS, 2000. LAMAS, A . M. – Plantas Ornamentais Tropicais e Floricultura Tropical – Curso Técnicas de Cultivo, Maceió, 2000. LAMAS, A. M. – Técnicas de Cultivo de Ornamentais Tropicais e Floricultura Tropical , editado pelo Instituto Frutal, Fortaleza/CE, 2002 LAMAS, A. M. – Floricultura Tropical – Técnicas de Cultivo, Edição Sebrae – Série Empreendedor, Recife/PE, 2001 LAMAS, A. M. – Floricultura Tropical -Técnicas de Cultivo, editado pelo Instituto Frutal, Fortaleza/CE, 1999 LOPES, L.C. & BARBOSA, J.G. – Propagação de Plantas Ornamentais – Boletim de Extensão nº 267, Viçosa/MG, UFV, 1988. MULER, C.H. & KATO, A . K. – Infra-estrutura e equipamentos simples para enraizamento de estacas, Belém/PA, EMPRAPA, CPATU, 1983. REED, D.W. – Agua, Substratos y Nutrición em los cultivos de flores hajo invernadero, Ball Publishing y Edicionies HortiTecnia Ltda. Santiago de Bogotá, Colombia, 1999 RIBEIRO, S. L. – Jardim & Jardinagem, Brasilia, 1994. www.biotecnologia.com.br www.ciagri.usp.br

www.uvnt.universidadevirtual.br

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FLORICULTURA TROPICAL Aspectos Gerais do Agronegócio
1- INTRODUÇÃO A demanda atual de plantas ornamentais e flores cortadas dos países de Primeiro Mundo alcança US$ 90 bilhões por ano, com uma taxa de crescimento estimada da ordem de 12 % aa. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Floricultura - IBRAFLOR, o Brasil no negócio das flores movimenta, anualmente cerca de US$ 1 bilhão, em uma área cultivada de aproximadamente 5.250 ha e 200.000 postos de trabalho; e o Estado de São Paulo é responsável por 70 a 80% da produção nacional. O segmento da produção responde por 30% do faturamento global do setor, a distribuição por 20%, as empresas de acessórios por 10% e os pontos de venda por 40% A floricultura, envolvendo flores cortadas, flores em vasos, folhagens ornamentais e outros itens, há tempos sempre teve à margem da discussão como atividade econômica por puro preconceito. A flor que era considerada “supérfluo”, e atualmente trata-se de uma das melhores alternativas para quem busca investimento na agricultura. Isto porque demanda pouca área e o ciclo de produção, dependendo da cultura, é curto, o que permite rápido retorno do capital. A produção e o mercado de flores são pouco organizados e estruturados no país, exceto São Paulo. nesse sentido o potencial de crescimento e exploração do mercado interno é muito grande. o consumo per capita no Brasil, segundo dados publicados é de US$ 3,00 até US$ 6,00 dependendo da Fonte, tendo grandes possibilidades de aumento neste mercado. No setor de flores e plantas ornamentais, coexistem pequenos produtores com uma grande variedade de espécies e grandes com poucas linhas de produção. A tecnologia não é homogênea, sendo melhor apropriada pelos grandes produtores. O capital inicial não é grande, o que facilita a entrada de novos produtores. As tendências apontam para a especialização dentro do setor a fim de que se atinja uma dada escala de produção, e o principal indicador de gestão neste negócio é a produtividade das espécies, associada a qualidade como principal fator de competição, onde o binômio qualidade x preço, é que fará o setor expandir mais rapidamente. O Brasil tem potencial de mercado, por exemplo, para plantas e flores tropicais como: helicônias, bromélias, alpínias, antúrios entre outras, que tem como chamariz de produto tropical. As condições são lastreadas na tecnologia à disposição do produtor: estufas com controle total das condições ambientais internas, propagação vegetativa por meio da biotecnologia, nível de conhecimento técnicos em fisiologia e nutrição vegetal. O que nos falta é nos estruturarmos em moldes empresariais. Para isto, contudo, é necessário equacionar diversos problemas, levando aos empreendedores nesta atividade uma visão holística deste agronegócio a viabilidade do empreendimento de cada um.
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O potencial do agronegócio “Plantas e Flores Ornamentais Tropicais” encontra no Nordeste, Norte e Centro Oeste, ótimas condições para seu desenvolvimento, pois nesta área não existe risco climático de baixa temperatura, aliado a presença da água e tendo encontrado condições de solo com boa profundidade e matéria orgânica para completar seu ciclo, o sucesso deste empreendimento estará garantido. A demanda nos mercados locais, nas outras regiões do Brasil e dependendo da produção e qualidade das flores com que estas chegarão aos mercados mais distantes tais sejam o Mercosul, a Comunidade Européia e o EUA. O mercado de Flores e Folhagens Tropicais tem crescido substancialmente no mercado interno, a exemplo lembramos as experiências positivas de empreendedores de Pernambuco (RECIFLORA), Alagoas (AFLORAL, COMFLORA), Ceara, entre outros. O lançamento do Programa Nacional de Floricultura pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em outubro de 2001, serve de um marco referencial para o desenvolvimento do setor, onde linhas de crédito específicas foram criadas para o segmento, além de recursos para financiamento de pesquisas para implementar o setor. Outra iniciativa que visa incentivar a produção de flores no Brasil é o Programa Flora Brasilis, que visa ampliar as exportações de flores brasileiras. Este programa é fundamentado em linhas de ação que englobam as áreas de marketing, capacitação e prospecção de produtos e processos, onde os produtores estarão sob uma logomarca “guarda chuva” denominada FLORABRASILIS, marca esta que identificará o produto brasileiro no mundo, este programa é uma parceria do Instituto Brasileiro de Floricultura (IBRAFLOR) e a Agencia de Promoção as Exportações (APEX) órgão ligado ao SEBRAE e que tem por objetivo alavancar as exportações brasileiras. O potencial do mercado de demanda de flores e plantas ornamentais no Brasil, segundo dados do IBRAFLOR, pode ser representado conforme tabela

PRINCIPAIS EVENTOS PARA FLORES

PONTOS DE VENDA QUE ATENDEM ESTES EVENTOS

ESTIMATIVA DE PARTICIPAÇÃO DE MERCADO PARA CADA UM DELES

PERCENTAL DA POPULAÇÃO COMO MERCADO POTENCIAL

Nascimentos. Aniversários. Dia das Mães Dia da Secretária Dia dos Namorados Natal Casamentos Formaturas Festas Decorações Falecimentos Finados Jardinagem Decoração doméstica

Floriculturas

55%

30%

Decoradores Funerárias Floras Supermercados

20% 10% 5% 8%

10% 50% 10% 10%

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2- ESCOLHA DAS ESPÉCIES E CULTIVARES

A escolha das espécies e cultivares deve sempre levar em conta a preferência do mercado consumidor. Associado a isto deve também considerar o peso das hastes florais, pois para exportação o frete é fator a considerar, pois fica muito onerosa a associação de peso e de volume do material.

Uma outra característica a observar é a cor das flores com a preferência dos Clientes, podemos exemplificar a Espanha onde o consumidor dá preferência às cores vermelhas e brancas.

A seguir estão listadas algumas espécies e cultivares :

ALPINIA
( Alpinia purpurata )

Aspectos de Inflorescências Aspectos de Cultivo

alpinia vermelha Red Ginger

alpinia rosa Pink Ginger

Jungle King / Jungle Queen

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HELICONIA
( Heliconia spp. )

Psittacorum Golden torch

stricta Carli Sharonii

bihai humilis

stricta
Fire Bird

psittacorum
Fire opol

psitacorum
Adrian

charthaceae
sexy pink

Wagneriana

platystachys
sexy orange

rostrata

caribaea
red

rauliniana

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BASTAO DO IMPERADOR
(Etlingera elatior)

vermelho

porecelana

rosa

OUTRAS

antúrio

musa

costus

Folhagens tapeinoquilos

gengibre ornamental shampoo

3- TIPOS DE MUDAS 3.1.Rebentos As mudas podem ser obtidas diretamente no plantio, destacando-se os rebentos das touceiras. Deve-se observar se o material é retirado de touceiras com bom estado fitossanitário. Os rebentos têm que ser vigorosos e uniformes para ter certeza do sucesso da cultura.
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3.2 Rizoma No caule tipo rizoma que é caule subterrâneo ele apresenta várias gemas podendo ser seccionado e colocando-se para brotar o material em pó de coco ou material semelhante que retenha a umidade, tomando sempre a precaução de se fazer um tratamento com fungicidas e inseticidas para evitar pragas e doenças no material. 3.3 Sementes A maioria das espécies de flores tropical é propagada por sementes, no entanto, plantas provenientes de sementes levam mais tempo para produzir flores. 4 - IMPLANTAÇÃO 4.1 Preparo do solo O solo deve ser preparado com grade pesada a uma profundidade de 20cm após essa garagem entra-se com a formação de canteiros. 4.2 Formação dos Canteiros Formar canteiros com 1,0m de largura e 1,5m entre canteiros que poderão ter o comprimento de até 50m para facilitar a colheita e tratos culturais. Ver desenhos esquemáticos apresentados para implantação da cultura. NOTA : caso o produtor queira poderá optar por plantar em covas (cultivo mínimo), lembrando que o ideal é covas de 0,40x0,40x0,50 m 4.3 Espaçamento O espaçamento nas plantas tropicais dependerá muito do porte da espécie usada quando o porte é baixo até 1,50m de altura, usa-se o espaçamento de 1,50 – 3.00 m entre fileiras e 1,00 – 2,00 m entre plantas. Para plantas de porte até três metros de altura e formadoras de touceiras grandes recomenda-se o espaçamento de 3,00 a 4,00 m entre fileiras e 1,50 – 3,00 m entre plantas. 4.4 Drenagem Orienta-se o plantio em canteiro justamente para haver uma pequena drenagem que facilita a respiração das raízes na estação das chuvas.

4.5 Adubação As plantas tropicais na maioria das espécies são plantas de reação de solo de 4.5 a 6.5, recomenda-se portanto a incorporação de calcário dolomítico de acordo com a análise do solo e colocando o calcário 30 dias antes do plantio. Sendo os solos tropicais pobres em matéria orgânica e as plantas tropicais altamente exigentes a esse material recomenda-se que se dê preferência ao Composto Orgânico na dosagem que vai de 8 a 15 litros por cova, ou a opção por de estrume de curral ou pó de coco curtido 15 a 20 kg . Para um bom crescimento e desenvolvimento de planta recomenda-se a aplicação da mistura NPK (1-2-1 +micro), na dosagem de até 600 gramas por m², por ano, parcelando-se em 6 a 12 aplicações em superfície. O importante da fertilização na floricultura tropical não é a quantidade de fertilizantes, mas sim a freqüência com que o mesmo é fornecido as mesmas.
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4.6 Plantio Ideal é preparar as mudas provenientes de rizomas e quando as mesmas estiverem com 3–5 folhas leva-los ao campo, ou se a opção de plantio for por rizomas diretos ao solo, selecionar rizomas com φ superior a 2 cm e planta-lo com as folhas, ou com o maior comprimento de haste possível. Planta-se uma muda por cova uniformizando-se as mudas por fileiras. 5- CONDUÇÃO DA TOUCEIRA Para obtenção de produtividade maior, deve-se utilizar espaçamentos mais generosos, pois o crescimento radial dessas plantas leva ao entouceiramento. A vida útil de um cultivo comercial de helicônias estende-se por 7 a 13 anos, exceção as H. psittacorum que cada 2-3 anos de cultivo as touceiras serão divididas e replantadas. O período que se estende do plantio até a colheita, varia de acordo com a espécie ou a cultivar, qualidade da muda e o manejo. E na média esse período varia de 8 a 10 meses para inicio da primeira florada. 6 - ADUBAÇÃO DE FORMAÇÃO É realizada próxima a touceira até o quarto e quinto mês de plantada porém é o período de maior exigência de nitrogênio. 7- IRRIGAÇÃO O consumo de água é proporcional a idade da planta, a eficiência do sistema de irrigação e as condições de solo e clima. Como regra básica, recomenda-se irrigar todas as vezes que o solo tiver perdido 50% da água disponível. A aspersão convencional pode e deve ser adotada para as tropicais, na observância de um turno de rega que possibilite a secagem das brácteas. Pode-se adotar a irrigação por gotejamento ou micro-aspersão. A nossa experiência nos leva a sugerir, via de regra, adoção de um sistema de irrigação que possibilite um custo menor de implantação da cultura, e o sistema que possibilita isto é o de aspersão convencional. Porém deve-se levar em conta a disponibilidade de água na propriedade, tipo de solo e em especial a relação custo x benefício. . 8- CONTROLE DE PLANTAS CONCORRENTES Para as pequenas áreas plantadas o controle das plantas concorrentes seria feito mecanicamente mantendo limpo os canteiros e roçando a faixa entre eles. Para grandes áreas recomenda-se uso de herbicidas em pré-emergência e pósemergência, convém consultar um agrônomo para indicação dos mesmos.
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9- CONTROLE DE PRAGAS E DOENÇAS A importância das pragas e doenças na floricultura tropical está associada a quatro fatores principais, assim discriminados: Limitam a produção Afetam a qualidade das flores Aumentam o custo de produção e Impede o cultivo de espécies valiosas. Para o sucesso na atividade torna-se necessária a adoção da Redução na intensidade de pragas e doenças com poucos efeitos no ambiente, valorizando praticas simples tais como: Seleção de áreas para plantio Utilização de mudas de qualidade (selecionadas e certificadas) e Adoção do MIPE (Manejo Integrado de Pragas e Enfermidades) o O MIPE deve compreender Monitoramento das zonas de cultivo para determinar a natureza e intensidade dos problemas presentes. Controle físico – barreiras e outros para reduzir o nível de inoculo. Controle cultural – limpeza e sanidade Controle mecânico – podas, desbastes, remoção de plantas doentes. Controle biológico – uso de variedades resistentes, de parasitos e predadores e produtos biológicos. Controle químico – (rotação de produtos pelo modo de ação e grupo químico – buscando evitar indução de resistência nas pragas a controlar) Com a adoção desse princípios o produtor tem toda condição favorável para uma produção equilibrada, uma flor com selo verde, e o meio ambiente preservado. As principais ocorrências de pragas na floricultura tropical são: Brocas, lagartas foliares e de rizomas, pulgão, cochonilha, ácaro, caracóis, lesmas, trips, formigas cortadeiras, formiga lava-pés. As principais ocorrências de doenças na floricultura tropical são: Doenças fúngicas. Doenças bacterianas. Doenças causadas por nematóides. Doenças causadas por virus 11 – COLHEITA A colheita deve ser feita nas horas mais frescas do dia, preferencialmente no final da tarde (após as 16 horas) ou no início da manhã (até às 9 horas). Assim que forem colhidas as Inflorescências devem ser colocadas em balde com água e levadas para o tratamento pós-colheita
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11.1 Ponto de colheita As flores deverão ser colhidas quando se apresentam totalmente abertas, para as helicônias quando tiverem 3 a 4 brácteas abertas e para os antúrios as flores devem ser colhidas quando a espate estiver toda aberta e a espádice apresentar-se com metade a três quartos do seu tamanho com coloração modificada. Flores colhidas antes ou depois do ponto, tendem durar menos. 11.2 Classificação As flores são classificadas por tamanho, cor e forma das hastes. 12- PÓS COLHEITA - TRATAMENTO, EMBALAGEM E COMERCIALIZAÇÃO Os procedimentos no pós-colheita obedece ao seguinte cronograma:

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1ª Fase – as inflorescências e/ou folhagens são imersas em recipiente com água e detergente neutro, ficando por um período variável em função do tipo de planta, o que facilita a limpeza das mesmas; 2ª Fase – após a 1ª fase, as inflorescências são limpas e lavadas em água corrente; 3ª Fase – após a 2ª fase, as inflorescências devem ser escorridas e colocadas às hastes em pé, em recipiente com água limpa para promover uma melhor hidratação (período mínimo de duas horas), 4ª Fase – após a 3ª fase, as inflorescências são selecionadas e dispostas de forma a serem embaladas e ou acondicionadas em caixas especiais para transporte e comercialização 5ª Fase – Acondicionamento das flores (inflorescências) em caixas de papelão. Essas caixas poderão acomodar duas a cinco dúzias de hastes cortadas.

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CULTIVO DE HELICÔNIAS
Heliconia spp INTRODUÇÃO As Helicônias são plantas herbáceas de tamanho variável podendo alcançar até 12 m de altura, conforme a espécie. Crescem através de rizomas subterrâneos, que emitem brotações à superfície. Estes brotos podem ser solitários ou agregados, o que caracteriza a capacidade de disseminação de cada espécie. Cada planta é composta por um pseudocaule, as folhas e uma inflorescência. As folhas são compostas por um pecíolo e uma lâmina em um único plano, em disposição dística. As plantas mostram diferentes hábitos de crescimento, o que facilita o reconhecimento das diferentes espécies. São três os hábitos de crescimento das helicônias: 1) Musóide – as folhas tem pecíolos grandes, em posição vertical tomando a aparência das Musas; 2) Zingiberoíde – as folhas tem pecíolo curto e se dispõem de forma mais horizontal, tomando aparência de Gengibre; 3) Canóide – as folhas apresentam pecíolos curtos e médios e se dispõem em posição obliqua e tem a aparência dos gêneros Canna e Alpínia. As inflorescências podem ser eretas ou pendentes variando de forma e cor. As helicônias são plantas botanicamente pertencentes à ordem Zingiberales, que compreende plantas que fazem parte de sub-bosque nos ambientes tropicais úmidos. A maioria das espécies é nativa aqui no Brasil, atingindo também a América Central e o Sul do México. Existem seis espécies que comprovadamente ocorrem nas Ilhas do Sul do Pacífico, como Fidji, Samoa e Ilhas Salomão, como é o caso a Helicônia bihai, que tem flores eretas durante o ano todo e que hoje também é cultivada aqui no Brasil, onde sua ocorrência vai de Santa Catarina até o Amazonas as quais são bastante conhecidas e popularmente denominadas por “bananeira de jardim”, “bico de papagaio” e “paquevira”. Apesar de estudos constantes durante os últimos cem anos a taxonomia do gênero Heliconia é controversa na determinação do número exato de espécies que há dentro deste gênero,. O número de espécies, mais aproximado, deste gênero, estaria entre 225 e 260, segundo especialistas como José Abalo e Gustavo Morales (Venezuela), W. John Kress (EUA) e Lucia Atehortúa (Colômbia). A primeira descrição botânica que se conhece para o gênero Heliconia se deve a Plumer (1703), depois a Linneu (1753), e este nome é uma alusão ao Monte Helicon, na Grécia, onde segundo os relatos mitológicos vivia o Deus Apolo, junto com as Musas. Um outro botânico, cujo nome era Nakai, colocou a Heliconia como único membro da família Heliconiaceae, devido às características próprias de individualização que elas possuem. Mais tarde, outros cientistas endossaram esta interpretação, entre eles Petersen (1890), Kuntze (1891), Baker(1893), Schumann (1900) e finalmente botânico Griggs (1903, 1904 e 1915) introduziu uma classificação mais completa. Depois deste último tratamento dado por Griggs não se conhece outra revisão sistemática que descreva a totalidade do gênero Heliconia

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As helicônias desempenham um importante papel ecológico dentro dos ecossistemas, pois são componentes freqüentes da flora dos bosques e sub-bosques, bem como em ambientes abertos. Em alguns ecossistemas atuam como pioneiras no processo de regeneração natural da vegetação e restauração de solo degradado, além de manter importantes relações coevolutivas com outras espécies animais e vegetais, constituindo-se um importante elemento dentro do complexo da vida nas florestas tropicais úmidas. O gênero Heliconia ocorre em altitudes que variam entre 0 e 2.900 metros, em clareiras e sub bosques, em locais sombreados ou em pleno sol, e sua preferência é por locais úmidos, onde se desenvolvem esplendidamente. Estas plantas são usadas em jardinagem, para cobrir cantos, dando verticalidade de formas e, por vezes, são utilizadas para dividir ambientes. Quando usada como flor de corte, quando nesta situação, somente em um recipiente com água pode durar de duas a mais semanas. As inflorescências das helicônias têm um excepcional potencial de comercialização, pois alem da exuberância de cores e formas, produzem flores continuamente, em quantidade, e tem uma durabilidade excepcional após o corte. As helicônias são plantas herbáceas que possuem rizomas subterrâneos, característica esta que facilita sua propagação. Todas têm folhas parecidas com a bananeira e formam touceiras que alcançam de 1 a 6 m de altura. As inflorescências abrem-se, preponderantemente, nas cores vermelho e amarelo; a grande diferença entre elas é que são pendentes e outras, eretas. Como as flores exudam uma grande quantidade de néctar, transformam-se em um atrativo enorme para os beija-flores, que retribuem essa iguaria adocicada, transportando o pólen e fecundando outras inflorescências. Conforme o tipo da inflorescência segundo CASTRO, 1997, as helicônias estão divididas em quatro grupos principais: Grupo 1 A - inflorescências eretas e em um plano (leves); Grupo 1 B - inflorescências eretas e em um plano (pesadas); Grupo 2 - inflorescências eretas e em mais de um plano; Grupo 3 - inflorescências pendentes e em um plano; Grupo 4 - inflorescências pendentes e em mais de um plano. Ao se implantar um cultivo comercial com helicônias recomenda-se o plantio de diferentes espécies, objetivando atender o mercado com produtos diferenciados em formas e cores. Outra preocupação é a de se determinar um calendário de florescimento das espécies, contribuindo para um fluxo de oferta constante de produto, durante todos meses do ano, otimizando, com isto, o retorno econômico ao investimento realizado. MERCADO O aproveitamento principal dado ao cultivo de helicônias até a década de 80 era na jardinagem; a partir daí iniciaram-se cultivos comerciais para produção de flores de corte, e um mercado cada vez mais ávido pela beleza, forma, coloração e exoticidade destas flores, com uma demanda crescente.

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Atualmente, os principais produtores mundiais de helicônias são: Estados Unidos (Havaí), Equador, Jamaica, Costa Rica e Venezuela. Os principais importadores são a Comunidade Européia, Estados Unidos e Japão. Espécies As principais recomendações para espécies e cultivares para o cultivo comercial, nas condições de norte/nordeste brasileiro são:

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PROPAGAÇÃO A propagação de helicônias pode ser vegetativa, através de divisão de rizomas ou cultura de tecidos, ou por sementes. Na propagação por sementes o tempo de desenvolvimento da planta, desde a germinação até a formação das primeiras flores, demora de um a dois anos, enquanto que na divisão de rizomas algumas espécies iniciam a produção de flores em quatro a cinco meses após o plantio.
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O método mais eficiente para a helicônia é a propagação vegetativa, através da divisão de rizomas. Neste processo as plantas matrizes que irão fornecer os rizomas devem apresentar características tais como: produtividade, vigor e sanidade. Para a divisão de rizomas deve se utilizar ferramentas bem afiadas, salientando que o procedimento de desinfecção das ferramentas, entre uma e outra touceira deve ser observado, evitando com isto disseminação de enfermidades. Antes de transplantar, os rizomas devem ser desinfestados com inseticida/nematicida, fungicida e bactericida ou banhado em solução de hipoclorito de sódio. Esta prática contribui para se evitar possíveis danos com nematóides, insetos, fungos e bactérias. Um rizoma ideal é aquele que tem pelo menos um mínimo de três gemas e, dependendo da época do ano podem ser plantados diretamente no campo, ou plantados em sacolas plásticas e preferencialmente colocadas sob irrigação e sombreamento entre 30 e 60%, o que facilitará muito o enraizamento. A profundidade de plantio recomendada para os rizomas é em torno de duas vezes o diâmetro do rizoma. O solo ideal para propagação é uma mistura de 1:1:2 (areia, terra e composto orgânico). As brotações das gemas acontecem de três a seis semanas após o plantio.

CONDIÇÕES DE CULTIVO LUMINOSIDADE As helicônias, dependendo da espécie, podem ser cultivadas em pleno sol ou em locais sombreados. Cada espécie tem diferentes necessidades de iluminação, porém, em geral, pode se dizer que preferem a luz direta do sol ou sombra parcial. Os cultivos em sol pleno necessitam de mais água e fertilizantes (macro e micro elementos). Segundo Kress, Betancur e Echeverry, 1999, a diminuição da luz solar pode baixar de forma considerável a produção de inflorescências. Por exemplo, quando se cultiva H. psittacorum a sol pleno e com boa fertilização, estas chegam a produzir 130 inflorescências/mês/ano; se for reduzida em 37% a insolação, em média, somente produzir-se-á 35 inflorescências/mês/ano. Espécies como alguns cultivares de H. bihai e H. stricta, H. psittacorum e caribea podem ser cultivadas a sol pleno, outras como H. orthotricha, H xantovillosa, H. stricta, H. carthaceae preferem sombreamento entre 30 e 50%. Para o plantio de espécies que requerem sombreamento devem-se plantar de forma intercalada arvores para esta finalidade. As espécies mais recomendadas são: gliricidia (Gliricidia sepium), sombrero (Clitoria racemosa), samam (Pithecolobium saman); ingá (Inga spp); ou qualquer outro tipo de árvore que não venha competir por nutrientes e luminosidade com a helicônia.

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TEMPERATURA E UMIDADE A faixa de temperatura está relacionada com a altitude na qual cresce naturalmente cada espécie e situa-se entre 14 e 34oC (Kress, 1999). O ideal é temperatura média que oscile na faixa dos 21°C noturna e 26°C diurna. A umidade relativa do ar deve estar entre 60 e 80%. SOLOS E ADUBAÇÃO As helicônias crescem em qualquer tipo de solo, quer seja argiloso ou arenoso, mas o solo ideal deve ser rico em matéria orgânica, profundo, poroso e bem drenado. O pH ideal para cultivo deve estar na faixa de 5,0 a 6,5. Quando do plantio, a adubação orgânica deve ser observada, pois tratam-se de plantas oriundas de extratos de floresta úmida onde a compostagem orgânica natural se faz presente. A fertilização, como em todas as plantas cultivadas, deve-se basear em análise de solo ou foliar. Recomendação de adubação:
IDADE/NUTRIENTES Até 12 meses (todas cultivares) Após o 13º Mês Cultivares pequenas e médias Cultivares grandes N 300 400-450 440-500 P 100 200-250 220 - 275 K 200 – 250 300-400 330 – 450 Ca e Mg Ca Ca

A adubação foliar com fertilizantes formula completa 20-20-20 + micro ou 20-2020 + 2 de Mg. As formulações foliares podem ser na forma de quelatos, aminoácidos ou metalosatos, o importante é que sejam fertilizantes de alta solubilidade e qualidade comprovada A adubação foliar semanal no cultivo de heliconia é necessária nos primeiros 12 meses de cultivo. A analise foliar deve ser realizada trimestralmente. Para analise foliar coleta-se a parte mediana da 4ª e 5ª folha, totalizando uma amostra de 100 gramas de folhas por talhão ou cultivar a ser analisado. Os níveis ótimos definidos para helicônias são: Heliconia pequenas (gruo psittacorum)
MACRONUTRIENTES (%) N P K Ca Mg S 1,67 – 1,79 0,27 - 0,38 1,27 – 2,13 0,75 – 0,81 0,33 – 0,38 0,36 – 0,39 Fe Mn B Cu Zn Mo MICRONUTRIENTES (ppm) 30 – 40 26 – 93 10 – 15 5–8 16 – 23 1,76 – 2,05

ELEMENTOS DISPENSÁVEIS (ppm) Na Al 4065 – 6121 7-8 HARRY MILLS / J.BENTON JONES JR Curso: Floricultura Tropical – Técnicas de Cultivo ALONSO DA MOTA LAMAS NOVEMBRO 2004 <> Página 27

Fonte: Plant Analysis Handbook II -

Heliconia médias, grandes e pendentes
ELEMENTO Nitrogenio Fósforo Potássio Cálcio Magnésio Enxofre BAIXO % 2,50 - 3,00 0,15 - 0,19 3,00 - 3,50 0,75 - 1,25 0,18 - 0,24 0,18 - 0,24 ppm 7,00 9,00 4,00 - 5,00 50,00 - 75,00 75,00 - 99,00 20,00 - 25,00 ALTO % 3,10 - 3,80 0,20 - 0,40 3,50 - 4,50 1,26 - 1,75 0,25 - 0,80 0,25 - 0,80 ppm 10,00 - 75,00 6,00 - 25,00 76,00 - 300,00 100,00 - 1.000,00 26,00 - 250,00 SUFICIENTE % > 3,80 > 0,40 > 4,50 > 1,75 > 0,80 > 0,80 ppm > 75,00 > 25,00 > 300,00 > 1.000,00 > 250,00

Boro Cobre Ferro Manganes Zinco Fonte: Publicação de Lucia Atehortua - Coordenadora de Biotecnologia da Universidade de Antioquia, Medellim - Colombia no livro - Aves del Paraiso, Gingers e Heliconia, 1998

IRRIGAÇÃO Pode ser por aspersão, micro-aspersão ou infiltração. Deve-se manter o solo úmido, sem contudo causar excessos. Os melhores resultados em cultivo de helicônia, obtêm-se com a aspersão convencional (cobertura total), mas a opção ficará a cargo do floricultor e a disponibilidade de água e energia existentes na propriedade. SISTEMA DE PLANTIO E ESPAÇAMENTO Recomenda-se o plantio em canteiro de comprimento variável, o ideal é de trinta metros, levemente elevados de 10 a 20 cm acima do solo. O sistema de plantio é o de fileira simples, com plantas espaçadas de 1,00 – 3,00 m entre plantas e de 2,00 – 4,00 m entre fileiras, dependendo da espécie. Segundo nossas observações o ideal para cultivo é fileiras duplas com 3 m e ruas de 4 - 5 m, barateia o custo da irrigação localizada ficando mais acessível ao produtor, pois reduz em até 50% o material a ser utilizado. O plantio deve ocorrer preferencialmente no início do período chuvoso. TRATOS CULTURAIS • Manter o cultivo livre de ervas daninhas. • Promover podas de limpeza visando retirar folhas e outras partes da planta que estiverem quebradas, secas ou doentes. • Corte das hastes que já tenham florescido e que não servirão mais para a comercialização, evitando com isto a competição por luz, água e nutrientes com as novas hastes. • Tutoramento para manter as hastes eretas e evitar que a queda, em especial das espécies pendentes. • Fertilização sistemática do cultivo. • Controle de pragas e doenças e • Irrigação sistemática

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PRAGAS E DOENÇAS As principais pragas que incidem em helicônias são as cochonilhas de raiz, os ácaros, os nematóides, as formigas e os pulgões. Como doenças destacam-se as podridões de raízes e rizomas, bem como as manchas foliares como antracnose e bipolaris.

PRODUÇÃO E COLHEITA Para obter-se boa durabilidade das inflorescências, as plantas devem estar muito bem hidratadas antes da colheita, o que se recomenda é regar o cultivo na noite que antecederá o corte. As hastes florais devem ser colhidas quando apresentam de duas a cinco brácteas abertas. O comprimento das hastes varia de acordo com as espécies helicônias grandes e pendentes entre 0,90 – 1,20m, helicônias medianas entre 0,50 – 0,90m, helicônias pequenas - 0,40 a 0,60m, considerando ponta a ponta. As hastes são cortadas na base da planta, em corte diagonal, deixando pelo menos de 10 a 15 cm do pseudocaule da haste. Cortam-se as folhas e logo após a limpeza as hastes devem ser colocadas em recipientes com água limpa, ainda no campo. PÓS-COLHEITA, EMBALAGEM, TRANSPORTE E CONSERVAÇÃO Chegando ao packing house, as hastes devem ser imersas em água limpa. Essa prática aumenta a durabilidade pois contribui para diminuir a temperatura das mesmas, além de limpar a sujidade e retirar o mau cheiro de algumas espécies. As flores de helicônia podem destinar-se a diferentes usos. Em função disso a classificação é importante, tomando-se o cuidado de selecioná-las pelo número de brácteas abertas - geralmente um ponteiro e de uma a cinco brácteas abertas. Recomenda-se antes do empacotamento cortar a haste e submergi-la em recipientes com água com solução de cloro a 0,02%. Esta solução atuará como bactericida. No manuseio e na embalagem das inflorescências de helicônias, como nas demais flores, são requeridos cuidados especiais que devem ser observados para evitar injúrias e danos as mesmas. A temperatura ideal para manuseio das inflorescências de helicônia está entre 17 e 19ºC e a de armazenamento acima de 14ºC. Uma prática, face a suscetibilidade à baixa temperatura é escrever nas caixas os dizeres "NÃO REFRIGERAR".

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HELICONIAS BIBLIOGRAFIA CONSULTADA E RECOMENDADA
ABALO, J. E. & MORALES, G. Siete (7) heliconias nuevas de Colombia. Phytologia, Corvallis, Oregon, 57:42-64, 1985. ABALO, J. E. & MORALES, G. Diez (10) heliconias nuevas de Colombia. Phytologia, Piainfield, New Jersey, 54:411-433, 1983. ABALO, J. E. & MORAIES, G. Doce (12) heliconias nuevas del Equador. Phytologia, Plainfield, New Jersey, 52:387-413, 1983. ABALO, J. E. & MORALES, G. Veinticinco (25) heliconias nuevas de Colombia. Phytologia, Plainfield, New Jersey, 51:1-61, 1982. ARISTEGUIETA, I. EI genero Heliconia en Venezueia. Instituto Botânico. Naturales Renovables. Ministério da Agricultura y Cria, Caracas. 1961.32p. Dirección de Recursos

ATEHORTUA, L – Aves del Paraiso, Gingers, Heliconias – Ediciones Hortitecnia, Santafé de Bogotá – Colombia, 1998 BERRY, F. & KRESS, W. J. Heliconia: An Identification Guide. Smithsonian Institution Press. 1991. BROSCHAT, T.K.; DONSELMAN, H.M. Tropical cut flower research at the University of Florida's Ft. Laudardale Research and Education Center. Bali. Heliconia Soc. Inter v.2, n.3/4. p.5-6,1987. CASTRO, C. E. F. – Curso Técnicas de Cultivo de Flores Tropicais, 1998. CASTRO, C.E.F. de Heliconia para exportação: aspectos técnicos da produção. Brasília: MAARA-SDRFRUPEX/ISPI, 1995. (FRUPEX. Publicações Técnicas, 16). CASTRO, C. E. F. Heliconias como flores de corte: adequação de espécies e tecnologia pós-colheita. Tese de Doutorado. Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz. Piracicaba., 1993. CHAGAS,, A.J. C., FREITAS,, N.B. Características da Exploração do Cultivo de Flores Tropicais na Região da Mata Atlântica de Pernambuco. Recife, 1999. COSTA, J. T. de M. Floricultura no Nordeste - In Agroanalisis. Vol. 15, nº 9. 1995 COSTA, J.T. de M. Panorama da Floricultura no Estado de Pernambuco. X Congresso Brasileiro de Floricultura e Plantas Ornamentais. Campinas, 1995. KEPLER,, A. K. e MAU I. R. Exotic tropicais of Hawaii - heliconias, gingers, anthuriuns & decorative foliage. Ed. Mutual Publishings. Honolulu. Hawaii. l989. KRESS, W.J.; BETANCUR, J; ECHEVERRY, B – Heliconias – Llamaradas de la selva colombiana. Cristina Uribe Editores, Colombia, 1999. LAMAS, A . M. – Plantas Ornamentais Tropicais e Floricultura Tropical – Curso Técnicas de Cultivo, Maceió, 2000. LAMAS, A. M. – Floricultura Tropical – Técnicas de Cultivo, Edição Sebrae – Série Empreendedor, Recife/PE, 2001 LEITÃO, A . P. S – Curso de Produção de Flores Tropicais – FLORTEC – Holambra, 2000. LORENZI, H. & SOUZA, H. Plantas Ornamentais do Brasil: arbustivas, herbáceas e trepadeiras. Nova Odessa/SP. Ed Plantarum, 1995. PAIVA, W.O. de; Cultura de helicônias. Fortaleza: EMBRAPA-CNPAT, 1997. PAIVA, W.O. de; BEZERRA,, F.C. O Agronegócío de flores no estado do Ceará. Fortaleza: EMBRAPACNPAT, 1996.

Curso: Floricultura Tropical – Técnicas de Cultivo ALONSO DA MOTA LAMAS NOVEMBRO 2004 <> Página 30

CULTIVO DE ALPÍNIA
[Alpinia purpurata (Vieill.) Schum] INTRODUÇÃO

A Alpinia purpurata (Vieill.) Schum, é uma planta tropical pertencente a família Zingiberaceae. Cultivada há muito tempo como planta ornamental em paisagismo, pode seu porte oscilar de 1,5 até 7,0 m de altura. Suas inflorescências são terminais, envoltos em folhas apicais que podem chegar de 15 a 30 cm de comprimento, e atingir tamanhos maiores com a idade. Trata-se de uma planta ornamental bastante utilizada na jardinagem de parques, residências face a uma intermitente florada durante todo ano. DESCRIÇÃO BOTÂNICA Estas plantas tropicais são perenes, de crescimento vigoroso, formando touceiras espessas, têm odor característico que se assemelha ao de gengibre. Podem crescer até 4 metros e formar touceiras de até 1,50 m de expansão. As folhas são lanceoladas, com bordas orladas e elas são produzidas em talos densos. As inflorescências são terminais e consistem de brácteas nas cores vermelha e rosa. A hibridação promoveu tons de cores que variam entre o vermelho e o rosa, até tonalidades mais esbranquiçadas. As flores tubulares são produzidas em agrupamentos do pedúnculo das inflorescências. VARIEDADES O cultivo comercial de alpínias como flor de corte tem como principais variedades os cultivares: Red Ginger, Pink Ginger , Aillen Mcdonald, Jungle King e Jungle Queen. Recentemente cruzamentos entre as espécies Aileen Macdonald e Jungle King resultaram em 14 clones novos denominados kimi, dos quais quatro já despontam como excepcionais

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MERCADO A demanda por flores de alpínia tem sido crescente e esta flor, a cada dia, mais e mais se sedimenta no mercado. Os principais mercados produtores estão localizados nos seguintes Países: Filipinas, Tailândia, Jamaica, Havaí, Costa Rica, Venezuela, Equador e Colômbia. Os principais mercados Comunidade Européia e Japão. importadores são: Estados Unidos, Canadá,

A oferta do produto se dá durante todo ano, mas o pico desta oferta ocorre entre os meses de outubro a abril, nas condições de nordeste brasileiro. Os valores praticados no mercado internacional para as inflorescências de alpínia oscilam de US$ 0,35 a US$ 0,80. CONDIÇÕES DE CULTIVO LUMINOSIDADE O cultivo de alpínia desenvolve-se bem a meia sombra (em especial as de coloração rosácea). Sob um sombreamento de 20 a 45%, as plantas apresentam bom desenvolvimento vegetativo e florescimento adequado. A necessidade luminosa oscila de 50.000 a 75.000 lux. Podem, também, ser cultivadas em pleno sol. Para se conseguir o sombreamento necessário, pode-se utilizar plantio intercalado de mamona (Ricinus communis), arvore da chuva (Pithecolobium saman), sombrero ( Clitorea racemosa) ou de gliricidia (Gliricidia sepium); esta última tem-se mostrada muito eficiente e sua reprodução por estacas facilita sua implantação; outro meio é o cultivo da alpínia debaixo de telados. TEMPERATURA E UMIDADE A faixa de temperatura de cultivo adequada está situada entre 22 e 35° C , com uma temperatura máxima noturna de 27º C e mínima de 18 º C. A temperatura ótima para produção está entre 24–30 º C. A umidade relativa do ar deve oscilar entre 60 a 80% SOLOS E ADUBAÇÃO O cultivo desta ornamental (Alpinia purpurata) requer para um desenvolvimento adequado solos profundos, ricos em matéria orgânica e bem drenados. A saturação de base deve estar na faixa de 70% e o pH ideal para cultivo deve estar entre 5,6 a 6,2. Recomenda-se a adubação química em conformidade com análise de solo. A cultura responde muito bem a fertilização nitrogenada.

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Recomendação de adubação:
IDADE/NUTRIENTES Até 12 meses Após 13 meses em diante N 200 350-400 P 100 200-250 K 200 - 250 300-350 Ca e Mg Ca

A adubação foliar com fertilizantes formula completa 20-20-20 + micro ou 20-2020 + 2 de Mg. As formulações foliares podem ser na forma de quelatos, aminoácidos ou metalosatos, o importante é que sejam fertilizantes de alta solubilidade e qualidade comprovada. A fertilização foliar deve ser utilizada semanalmente, na dosagem de 1,5 a 2%, até as plantas atingirem o tamanho de 1,70 m a partir daí deve-se aplicar utilizar a adubação em conformidade com a analise foliar, que deve ser realizada a cada três meses. Para analise foliar coleta-se a parte mediana da 5ª e 6ª - totalizando uma amostra de 100 gramas de folhas por talhão de cultivo. Os níveis ótimos definidos para as alpínias são:
MACRONUTRIENTES (%) N P K Ca Mg S 2,19 – 2,70 0,30 – 0 37 2,46 – 3 34 0,75 – 1,35 0 35 – 0,47 0,29 – 0 48 Fe Mn B Cu Zn Mo MICRONUTRIENTES (ppm) 31 – 50 214 – 529 10 – 17 13 – 16 75 – 116 0,53- 1,69

ELEMENTOS DISPENSÁVEIS (ppm) Na Al 97 – 249 16 - 54 HARRY MILLS / J.BENTON JONES JR

Fonte: Plant Analysis Handbook II .

A cultura requer, também, a incorporação de matéria orgânica. De preferência sempre a compostagem orgânica. A dosagem ideal é da ordem de 12 a 18 kg por m²/ano, parcelada em, pelo menos, seis aplicações, ou seja a cada dois meses. IRRIGAÇÃO Pode ser por aspersão, micro-aspersão, gotejamento, ou mesmo infiltração. Deve-se manter o solo úmido, sem contudo causar excessos. A alpínia é bastante sensível a falta de umidade no solo, podendo afetar em muito a qualidade do produto. Os melhores resultados com alpínia, segundo especialistas, obtêm-se pela aspersão convencional, irrigando-se nas primeiras horas do dia e promovendo a colheita ao final da tarde, com isto otimizando o processo produtivo. A aspersão convencional ajuda a conservar a umidade relativa do ar alta.

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SISTEMA DE PLANTIO E ESPAÇAMENTO Recomenda-se o plantio em canteiro de comprimento variável, o ideal é de trinta metros, levemente elevados de 10 a 15 cm acima do solo. O sistema de plantio é o de fileira simples, com plantas espaçadas de 1,50 – 2,00 m entre plantas e de 3,00 – 4,00 m entre fileiras. PROPAGAÇÃO O método de propagação por divisão de rizomas é mais utilizado. Os rizomas são caules especializados que crescem horizontalmente, tanto acima como abaixo da superfície do solo. Deve-se dar preferência a rizomas provenientes de cultivos com mais de três anos de idade, com diâmetro acima de 2 cm e elevado peso. Plantas obtidas por este método, provenientes de matrizes maduras com pelo menos três anos de cultivo, produzirão mais precocemente entrando em produção comercial aos 12 – 15 meses de idade. Os rizomas devem ser lavados e retirados as porções mortas, e após este procedimento receber o cuidados fitossanitários como: a aplicação de inseticidas, nematicidas, bactericidas e fungicidas, visando o controle de fungos, insetos e nematóides. O controle de nematóide pode ser por nematicidas específicos ou através de controle térmico que é ser feito com água quente, entre 40 a 42 graus C, durante 15 a 30 minutos, dependendo do tamanho da porção. O plantio pode ser efetuado diretamente no campo, em sacos plásticos ou vasos para um posterior transplante. Os rizomas devem ser plantados com todo pseudo-caule com as folhas ou com haste no maior tamanho possível. Caso o procedimento seja o cultivo dos rizomas em recipientes, as mudas deverão ser levadas para campo quando tiverem em torno de 40 cm de altura e com no mínimo quatro folhas verdadeiras formadas.

TRATOS CULTURAIS Manter o cultivo livre de ervas daninhas. Promover podas de limpeza visando retirar folhas e outras partes da planta que estiverem quebradas, secas ou doentes. Fertilização sistemática do cultivo. Controle de pragas e doenças e Irrigação constante

PRAGAS E DOENÇAS Quanto às pragas e doenças, o principal problema da cultura é a ocorrência de cochonilha nos rizomas e nas inflorescências, com isto atraindo formiga lava-pés. A ocorrência de nematóides exige, para seu controle, o tratamento do solo antes do plantio, bem como de rizomas ou mudas . É raro a ocorrência de ácaros, cochonilhas e
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pulgões. Entre as doenças destacam-se as fúngicas, causadas, principalmente, por Phytophtora e Pythium.

CICLO PRODUTIVO, PRODUTIVIDADE E COLHEITA A vida útil de um cultivo de alpínias é indefinida, mas em média, a cada dez ou doze anos, devemos renovar os canteiros. A produtividade ótima acontece após o terceiro ano de cultivo e vai crescendo, desde que mantido os cuidados com a nutrição e com o controle de pragas e enfermidades. As alpínias florescem durante o ano todo com picos de produção, que devem ser determinados pelo produtor para as diferentes regiões, o que facilitará, em muito, a sua programação de vendas. A produção nas condições do nordeste é bem linear e uniforme, ocorrendo picos de produção nos meses de novembro a abril. A produtividade média da alpínia é de três inflorescências por semana, ou seja cento e cinqüenta e seis inflorescências por touceira, das quais em torno de 60% será de padrão exportação. Caso o produtor cultive em espaçamento 3,00m x 3,00 m terá um stand 1.111 touceiras/ha onde são produzidas, em média, .14.400 dúzias ao ano, ou 273 dúzias semanais. O horário melhor para a colheita da alpínia é durante a manhã, bem cedo, o que prolonga sua vida no ponto de venda. A colheita pode ser realizada diariamente, mas esta em função da programação de vendas do empreendimento. A inflorescência é colhida com o talo inteiro, intacto que deve ser o mais longo possível, na observância do calibre (diâmetro) das hastes, que deve ser superior a 1 cm. As inflorescências têm diferentes pontos de colheita, desde a fase de botão até totalmente expandidas, e estão em função dos clientes e do mercado a que se destina. O ponto de colheita em que as alpínias apresentam maior durabilidade é quando o terço superior das brácteas já se encontra totalmente expandido. As hastes após colhidas, são colocados, então, imediatamente em recipientes com água, de forma a impedir que desidratem; uma vez cheios de flores, os recipientes são colocados ao término dos canteiros para coleta, transporte e empacotamento feitos em instalações adequadas. A pré-classificação deve ser observada ainda no campo, removendo flores fora de padrão, com danos mecânicos ou flores deformadas. Isto facilita muito as demais operações. PÓS-COLHEITA, EMBALAMENTO, TRANSPORTE E CONSERVAÇÃO Ao chegar ao galpão de tratamento (packing house), as hastes devem ser imersas em água limpa - essa prática aumenta a durabilidade, pois contribui para diminuir a temperatura das mesmas além de facilitar a limpeza.

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A folhagem remanescente deve ser removida. As folhas das hastes devem ser removidas rente ao pseudocaule, podendo deixar as duas folhas terminais, o que facilita a embalagem, pois estas folhas envolvem as inflorescências protegendo-as de injúrias Quanto aos procedimentos, após o corte no campo e na observância de que as hastes sempre estejam imersas em água, estas inflorescências apresentarão uma durabilidade, de pelo menos, quinze dias, aproximadamente. O pH da água para manuseio durante o pós colheita deve estar na faixa dos 4,5. Os tamanhos das hastes para comercialização variam de 0,60m a 1,10 m, incluindo a inflorescência. A classificação das alpínias se dá pelo tamanho das inflorescências, nas seguintes classes: O transporte e o armazenamento da alpínia carecem de cuidados especiais, em função da sua sensibilidade ao frio e à desidratação. O ideal para o armazenamento e transporte de alpínia é um ambiente refrigerado a uma temperatura de 15-18ºC e com umidade relativa elevada.

ALPINIA BIBLIOGRAFIA CONSULTADA E RECOMENDADA
ATEHORTUA, L – Aves del Paraiso, Gingers, Heliconias – Ediciones Hortitecnia, Santafé de Bogotá – Colombia, 1998 CASTRO, C. E. F. – Curso Técnicas de Cultivo de Flores Tropicais, 1998. LAMAS, A . M. – Plantas Ornamentais Tropicais e Floricultura Tropical – Curso Técnicas de Cultivo, FRUTAL-2002, Fortaleza-CE, 2002. LAMAS, A . M. – Plantas Ornamentais Tropicais e Floricultura Tropical – Curso Técnicas de Cultivo, Maceió, 2000. LAMAS, A. M. – Floricultura Tropical – Técnicas de Cultivo, Edição Sebrae – Série Empreendedor, Recife/PE, 2001 LORENZI, H. & SOUZA, H. Plantas Ornamentais do Brasil: arbustivas, herbáceas e trepadeiras. Nova Odessa/SP. Ed Plantarum, 1995 MEYER, J-Y.. Preliminary review of the invasive plants in the Pacific islands (SPREP Member Countries), 2000 SHERLEY, G. Invasive species in the Pacific: A technical review and draft regional strategy. South Pacific Regional Environment Programme, Samoa, 1999. SMITH, A. C. Flora Vitiensis Nova: A New Flora of Fiji. Lawai, Kauai, Hawaii. National Tropical Botanical Garden, 1979 WARREN L., DERRAL R. HERBST & SOHMER S.H.. - Manual of the flowing plants of Hawai'i. University of Hawaii Press, Honolulu. 1990

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CULTIVO DE BASTÃO DO IMPERADOR
(Etlingera elatior R.M.Smith)

INTRODUÇÃO Etlingera elatior R.M.Smith, também conhecido por Bastão do Imperador, flor da redenção e gengibre de tocha, é uma herbácea rizomatosa e robusta, tendo como centro de origem a Malásia, pertencente a família Zingiberaceae, podendo atingir de três a seis metros de altura; possui hastes eretas que lembra a cana e dispõe de folhas grandes e alongadas em tonalidades do verde rosado até um marrom avermelhado. DESCRIÇÃO BOTÂNICA O gênero Etlingera inclui várias espécies, geralmente com inflorescências belas e vistosas em diferentes tonalidades, variando do vermelho escuro, vermelho claro, cor-de-rosa, rosa claro e até mesmo como na variedade conhecida como Branco de Sabá que é quase totalmente branca. Há outra espécie de formato diferenciado que se assemelha a uma tulipa nas cores vermelha, indo até ao chocolate escuro (quase negro); também sua folhagem é diferenciada com uma coloração bronze, alem de outros cultivares com folhagens que chegam a cor chocolate. O bastão do imperador tem preferência por solos ricos em matéria orgânica, úmidos e o espaçamento entre as touceiras deve ser generoso ( no mínimo de 2,50 m entre fileiras e 1,50 entre covas), vez que formam touceiras enormes tanto em altura como em extensão. São plantas que exigem temperaturas elevadas e calor constante para estimular o florescimento. Nessas condições eles crescem vigorosamente, entouceirando com muita rapidez. As inflorescências se originam diretamente no sistema de rizomas, sendo separadas das hastes vegetativas. Depois de plantado, a nova planta irá florescer em ano e meio a dois anos. Além de serem ornamentais, flores e brotos são também comestíveis, fazendo parte da culinária de diversos países asiáticos. Eles são fatiados finamente e pode ser somado a vários pratos, que dão um flavour picante pungente diferente do gengibre comercial. VARIEDADES Comercialmente quatro cultivares são explorados: uma de inflorescências com brácteas vermelhas (cultivar Red Torch); duas de brácteas rosadas (cultivares Pink Torch e Porcelana); e uma de brácteas rubras ( em formato de tulipa).

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MERCADO A demanda interna pelo bastão do imperador tem sido crescente e esta flor, a cada dia, mais e mais se sedimenta no mercado. Os principais mercados produtores estão localizados nos seguintes Países: Filipinas, Tailândia, Jamaica, Havaí, Costa Rica e Equador, salientando que nas Filipinas e Tailândia o Bastão do Imperador é considerado hortaliça e usado na alimentação humana.. Os principais mercados importadores são: América do Norte (Estados Unidos, Canadá), Europa( Holanda, Alemanha, Dinamarca, Bélgica, França) e Japão. A oferta do produto atualmente se dá durante todo ano, mas o pico de oferta ocorre entre os meses de novembro a fevereiro. CONDIÇÕES DE CULTIVO LUZ, TEMPERATURA E UMIDADE O bastão do imperador adapta-se a uma grande faixa de temperatura. Porém, em explorações comerciais, para um melhor sucesso, convém a faixa diurna de 22 a 35°C e noturna de 18 a 27°C. A temperatura ótima para produção está entre 24º C e 30ºC. O bastão do imperador desenvolve-se melhor em ambiente com umidade relativa elevada (70 - 80%).Os cultivos podem ser implantados tanto a sol pleno como em locais parcialmente sombreados. São plantas vigorosas de crescimento muito rápido e, em face disto, requer implantação de quebra-ventos como medida de proteção. SOLOS E ADUBAÇÃO A adubação influencia bastante o crescimento e a produção de flores, principalmente sob alta luminosidade. Além disso, os bastões do imperador são plantas que preferem solo levemente ácido. Se for necessário corrigir o solo para obter o grau de acidez adequado ao cultivo (pH entre 5,6 e 6,2), recomenda-se a adição de calcário dolomítico. A saturação de base deve estar na faixa de 70%. Por ocasião do plantio, o ideal é fazer uma adubação orgânica, incorporando-se ao solo folhas decompostas e esterco de curral curtido (20 l/cova) + NPK-Micro (300 g/cova da formulação 4-14-8+micro). Recomendação de adubação:
IDADE/NUTRIENTES Até 12 meses Após 13 meses em diante N 200 300-350 P 100 200-250 K 200 - 250 300-350 Ca e Mg Ca

A adubação foliar com fertilizantes formula completa 20-20-20 + micro ou 20-2020 + 2 de Mg. As formulações foliares podem ser na forma de quelatos, aminoácidos ou metalosatos, o importante é que sejam fertilizantes de alta solubilidade e qualidade comprovada.
Curso: Floricultura Tropical – Técnicas de Cultivo ALONSO DA MOTA LAMAS NOVEMBRO 2004 <> Página 38

A fertilização foliar deve ser utilizada semanalmente, na dosagem de 1,5 a 2%, até as plantas atingirem o tamanho de 1,70 m a partir daí deve-se aplicar utilizar a adubação em conformidade com a analise foliar, que deve ser realizada a cada três meses. Para analise foliar coleta-se a parte mediana da 5ª e 6ª - totalizando uma amostra de 100 gramas de folhas por talhão de cultivo. Os níveis ótimos definidos para as alpínias são:
MACRONUTRIENTES (%) N P K Ca Mg S 2,00 – 4,00 0,25 – 1,00 2,00 – 4,00 0,50 – 0,76 0 25 – 1,00 0,20 – 0 40 Fe Mn B Cu Zn Mo MICRONUTRIENTES (ppm) 50 - 200 50 – 200 25 – 75 8 –25 20 – 200 0,12- 1,00

ELEMENTOS DISPENSÁVEIS (ppm) Na Al 50 – 200 10 - 46 HARRY MILLS / J.BENTON JONES JR

Fonte: Plant Analysis Handbook II -

Os solos para o cultivo do bastão do imperador devem ser orgânico e muito bem drenados. IRRIGAÇÃO: Pode ser por aspersão, micro-aspersão, gotejamento, ou mesmo infiltração. Deve-se manter o solo úmido, sem contudo causar excessos. Como toda família Zingiberaceae, o bastão do imperador é bastante sensível a falta de umidade no solo, podendo afetar em muito a qualidade e a produtividade. SISTEMA DE PLANTIO E ESPAÇAMENTO Recomenda-se o plantio em canteiro de comprimento variável (o ideal é de trinta metros) levemente elevados, de 10 a 20 cm acima do solo. O sistema de plantio é o de fileira simples, com plantas espaçadas de 1,25 m entre plantas e de 2,50 m entre fileiras. Com este espaçamento teremos um stand de 3.200 plantas por hectare. Com este stand de plantas, a produtividade por área é elevada, e dependendo da variedade a renovação dos canteiros se processa a cada cinco ou seis anos. A implantação da cultura deve ser realizada nas épocas chuvosas, preferencialmente no inicio desta, e o plantio das mudas e/ou rizomas nas horas mais amenas. PROPAGAÇÃO Para o cultivo comercial deve-se dar preferência a propagação por rizoma, e estes serem de elevados diâmetro e peso. Plantas obtidas por este método, provenientes de matrizes maduras com pelo menos três anos de cultivo, produzirão mais precocemente entrando em produção comercial aos 11 – 15 meses de idade.
Curso: Floricultura Tropical – Técnicas de Cultivo ALONSO DA MOTA LAMAS NOVEMBRO 2004 <> Página 39

Antes de transplantar, os rizomas devem ser limpos e desinfestados com inseticida/nematicida, fungicidas e bactericidas ou banhados em solução de hipoclorito de sódio. Esta prática contribui para se evitar possíveis danos com nematóides, insetos, fungos e bactérias. TRATOS CULTURAIS
• • • • •

Manter o cultivo livre de ervas daninhas Promover podas de limpeza visando retirar folhas e outras partes da planta que estiverem quebradas, secas ou doentes. Fertilização sistemática do cultivo. Controle de pragas e doenças e Irrigação constante

PRAGAS E DOENÇAS Quanto às pragas e doenças, o bastão do imperador praticamente não é acometido por pragas. Raramente se observa a ocorrência de ácaros, cochonilhas, ácaros, trips e pulgões. Entre as doenças, destacam-se as fúngicas, causadas principalmente por Phytophtora e Pythium. Deve-se dar bastante atenção as manchas foliares e em especial a antracnose, pois esta doença tem causado danos consideráveis aos botões florais, em especial do cultivar red torch. PRODUÇÃO E COLHEITA Em cultivos conduzidos segundo recomendações, dependendo do tipo de muda utilizada, pode se iniciar já aos 11 – 15 meses, podendo-se obter de 60 – 90 flores por touceira/ano. As inflorescências têm diferentes pontos de colheita, desde botão, até o de brácteas totalmente expandidas. O tamanho mínimo da haste deve ser de 60 cm. A produção nas condições do nordeste é bem linear e uniforme, ocorrendo picos de produção nos meses de novembro a fevereiro. Para um exercício de fluxo de caixa, pode-se obter de 75 flores/planta/ano (tipo exportação) com um stand de 1.250 touceiras/hectare (espaçamento de 4,00m x 2,00m), tem-se uma produção total de 100.000 inflorescências ou aproximadamente 8.333 dúzias/hectare/ano. PÓS-COLHEITA, EMBALAMENTO, TRANSPORTE E CONSERVAÇÃO Desde a colheita no campo as hastes devem estar imersas em água. Ao chegar ao packing house, as hastes devem ser imersas em água limpa, de preferência deitadas, sem a necessidade de imersão da inflorescência. As inflorescências apresentam uma durabilidade de 15 dias aproximadamente. O transporte e o armazenamento do bastão do imperador carecem de cuidados especiais, devido à sua sensibilidade ao frio e à desidratação. A temperatura ideal para manuseio das inflorescências de está entre 17 e 19ºC e a de armazenamento acima de 14ºC (15ºC - 18ºC). Manter a umidade relativa do ar elevada (90-95%). Uma prática, face a suscetibilidade à baixa temperatura, é escrever nas caixas os dizeres "NÃO REFRIGERAR".
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BASTÃO DO IMPERADOR BIBLIOGRAFIA CONSULTADA E RECOMENDADA
SMITH, A. C. Flora Vitiensis Nova: A New Flora of Fiji. Lawai, Kauai, Hawaii. National Tropical Botanical Garden, 1979. WARREN L., DERRAL R. HERBST & SOHMER S.H.. - Manual of the flowing plants of Hawai'i. University of Hawaii Press, Honolulu. 1990. ATEHORTUA, L – Aves del Paraiso, Gingers, Heliconias – Ediciones Hortitecnia, Santafé de Bogotá – Colombia, 1998. CASTRO, C. E. F. – Curso Técnicas de Cultivo de Flores Tropicais, Maceió, 1998. LAMAS, A . M. – Plantas Ornamentais Tropicais e Floricultura Tropical – Curso Técnicas de Cultivo, Maceió, 2000. LAMAS, A. M. – Floricultura Tropical – Técnicas de Cultivo, Edição Sebrae – Série Empreendedor, Recife/PE, 2001 LEITÃO, A. P. S. – Curso de Produção de Flores Tropicais – Edição FLORTEC, Holambra/SP, 2000. BURTT, B. L. & SMITH, R. M.. Etlingera: the inclusive name for Achasma, Geanthus and Nicolaia (Zingiberaceae). Notes Roy. Bot. Gard. Edinburgh 43: 235—241, 1986. SMITH, R. M. - Notes Roy. Bot. Gard. Edinburgh 43: 244. 1986. LORENZI, H. & SOUZA, H. Plantas Ornamentais do Brasil: arbustivas, herbáceas e trepadeiras. Nova Odessa/SP. Ed Plantarum, 1995.

Curso: Floricultura Tropical – Técnicas de Cultivo ALONSO DA MOTA LAMAS NOVEMBRO 2004 <> Página 41

CULTIVO DE SHAMPOO
Gengibre Ornamental
( Zingiber spectabile, Griff )

INTRODUÇÃO O Gengibre Ornamental, Zingiber spectabile, também conhecido como: shampoo, maraca, sorvetão é uma planta ornamental tropical, de origem asiática, nativo da Malásia. Pertence a família Zingiberaceae, e neste gênero há cerca de 85 espécies.
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DESCRIÇÃO BOTÂNICA . O Zingiber spectabile, Griff é uma planta herbácea, rizomatosa, robusta, perene, com hastes mais ou menos eretas, semelhantes a cana, podendo atingir até 2,50 m de altura. Possui folhas alongadas, lanceoladas e aveludadas na para inferior. Requer solos orgânicos e úmidos para um desenvolvimento satisfatório. Produz em profusão inflorescências terminais que tem forma cilíndrica que mais lembram um sorvetão; suas brácteas são de coloração amarelo brilhante e, à medida que fenecem se tornam róseo-avermelhadas. Estas inflorescências são sustentadas por uma haste ereta de 0,30m a 0,80m que originam diretamente do sistema de rizomas, sendo completamente separadas das hastes vegetativas. Podem ter um diâmetro de até 12,0 cm e nas condições de nordeste brasileiro as inflorescências emergem durante o período dos meses mais quentes (de novembro a abril). As hastes vegetativas velhas fenecem e são aproveitadas para propagação. A planta apresenta um crescimento vigoroso, e, é facilmente transplantada. VARIEDADES No gênero Zingiber existem cerca de 85 espécies. A espécie botânica (Zingiber spectabile) apresenta inflorescências com brácteas amarelas até a coloração róseoavermelhada. Estas têm se mostrado muito resistente ao manuseio e sua durabilidade é bem grande, além da produtividade excepcional associada ao perfume levemente adocicado. A produtividade pode chegar a 100 flores/ano/touceira. MERCADO Os principais produtores são alguns países asiáticos (Filipinas e Tailândia), Jamaica, Havaí, Colômbia e Equador. Os principais importadores são Estados Unidos, Canadá, Holanda, Alemanha, Dinamarca, Bélgica, França e Itália. O pico de oferta ocorre entre os meses de dezembro e maio.

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CONDIÇÕES DE CULTIVO LUZ, TEMPERATURA E UMIDADE O shampoo floresce bem em locais expostos ao sol, mas sua preferência por locais parcialmente sombreados, sem o comprometimento da luminosidade, faz com que a produtividade seja acrescida. A proteção contra ventos é necessária. A faixa de temperatura de cultivo adequada está situada entre 22 e 35 °C, e umidade relativa do ar entre 60 - 80%. SOLOS E ADUBAÇÃO O solo deve ser rico em matéria orgânica e com boa capacidade de retenção de umidade, além de bastante fértil pois a planta é do tipo esgotante. Requer constante irrigação e drenagem eficiente. Recomendam-se adubações com nitrogênio, fósforo e potássio. Em seguida à safra, recomenda-se a fórmula 14-28-14+micro na dosagem de 150 g/cova; após três meses a fórmula 15-15-15+micro na dosagem de 200 g/cova; e três meses depois a fórmula 15-03-31+micro na dosagem de 200 g/cova, repetindo esta aplicação três meses antes da safra de flores. Os solos para o cultivo do bastão do imperador devem ser orgânico e muito bem drenados Recomendação de adubação:
IDADE/NUTRIENTES Até 12 meses Após 13 meses em diante N 200 200-250 P 100 150-200 K 200 - 250 250-300 Ca e Mg Ca

A adubação foliar com fertilizantes formula completa 20-20-20 + micro ou 20-2020 + 2 de Mg. As formulações foliares podem ser na forma de quelatos, aminoácidos ou metalosatos, o importante é que sejam fertilizantes de alta solubilidade e qualidade comprovada. A fertilização foliar deve ser utilizada semanalmente, na dosagem de 1,5 a 3%, até o 6º mês e a partir daí quinzenalmente até o aparecimento das primeiras flores. Após a safra o shampoo deve ser todo podado, rente ao solo iniciando um novo ciclo de produção.

SISTEMA DE PLANTIO E ESPAÇAMENTO Recomenda-se o plantio em canteiro de comprimento variável; o ideal é de trinta metros, levemente elevados de 10 a 20 cm acima do solo. O sistema de plantio é o de fileira simples, com plantas espaçadas de 2,00m entre plantas e de 3,00 m entre fileiras. Observado esse espaçamento, planta-se, em média; 1.667 plantas/hectare.

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IRRIGAÇÃO Pode ser por aspersão, micro-aspersão ou mesmo infiltração. Deve-se manter o solo úmido, sem, contudo causar excessos. O shampoo é bastante sensível a falta de umidade no solo, podendo afetar, em muito, a qualidade do produto. Os melhores resultados têm sido obtidos com a aspersão convencional que ajuda a conservar a umidade relativa do ar alta. PROPAGAÇÃO A propagação pode ser feita por divisão de touceira, rizomas ou mudas obtidas de hastes caulinares, de onde crescem brotos das axilas das mesmas;. O método mais utilizado consiste no plantio das hastes caulinares maduras, além da divisão de rizoma com 6 a 12cm de comprimento, mantendo-se uma porção do pseudocaule. Os rizomas devem ser limpos e tratados com nematicidas, inseticidas, fungicidas e bactericidas. PRAGAS E DOENÇAS As principais pragas que incidem no shampoo são os ácaros, os nematóides, as formigas e os pulgões. Como doenças destacam-se as podridões de raízes e rizomas que só ocorrem quando os cultivos são instalados em locais de drenagem inadequada. TRATOS CULTURAIS Manter o cultivo livre de ervas daninhas. Promover podas de limpeza visando retirar folhas e outras partes da planta que estiverem quebradas, secas ou doentes. Fertilização sistemática do cultivo. Controle de pragas e doenças e Irrigação constante PRODUÇÃO E COLHEITA Dependendo do tipo de muda utilizado e da época de plantio, o florescimento comercial ocorre entre oito meses e um ano e meio após o plantio, quando as plantas atingem um desenvolvimento satisfatório. Cada touceira produz, em média, 70 inflorescências tipo exportação. No Nordeste a produção é distribuída nos meses mais quentes do ano. Em um hectare são produzidas, em média, 9.700 dúzias ao ano. Para se obter uma boa durabilidade das inflorescências, as plantas devem estar muito bem hidratadas antes da colheita, uma prática usual é irrigar a plantação na noite anterior e o corte das hastes devem ser efetivado nas primeiras horas da manhã, o que prolonga sua vida no ponto de venda. A colheita pode ser realizada diariamente, mas esta em função da programação de vendas do empreendimento.
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A inflorescência é colhida com o talo inteiro, intacto que deve ser o mais longo possível e têm diferentes pontos de colheita, desde a fase de botão até totalmente expandidas, e estão em função dos clientes e do mercado a que se destina. O tamanho ideal da inflorescência é de 15 a 20 cm, mas por vezes o mercado tem solicitado inflorescências com tamanho superior a 20 cm. As hastes após colhidas, são colocados, então, imediatamente em recipientes com água, de forma a impedir que desidratem. PÓS-COLHEITA, EMBALAGEM, TRANSPORTE E CONSERVAÇÃO Chegando ao packing house, as hastes devem ser imersas em água limpa. Essa prática aumenta a durabilidade pois contribui para diminuir a temperatura das mesmas, além de limpar as sujidades. Após a limpeza e secagem, devem ser embaladas individualmente, protegidas por malhas ou bolsas plásticas. As caixas, onde serão acondicionados os maços, devem ser revestidas com filme de polietileno. Quando adequadamente manuseadas e preparadas, as inflorescências do shampoo apresentam uma vida útil de até três semanas. Recomenda-se antes do empacotamento cortar a haste e submergi-la em recipientes com água com solução bactericida. O ideal para o armazenamento e transporte do shampoo é um ambiente refrigerado a uma temperatura de 15-18ºC e com umidade relativa elevada. Quando ocorrem exposições a baixas temperaturas, as inflorescências apresentam murchamento precoce e escurecimento das brácteas, além de favorecer a desidratação. .

BASTÃO DO IMPERADOR BIBLIOGRAFIA CONSULTADA E RECOMENDADA
ATEHORTUA, L – Aves del Paraiso, Gingers, Heliconias – Ediciones Hortitecnia, Santafé de Bogotá – Colombia, 1998 BERRY, F. & KRESS, W. J. Heliconia: An Identification Guide. Smithsonian Institution Press. 1991. KRESS, W.J.; BETANCUR, J; ECHEVERRY, B – Heliconias – Llamaradas de la selva colombiana. Cristina Uribe Editores, Colombia, 1999 LAMAS, A . M. – Plantas Ornamentais Tropicais e Floricultura Tropical – Curso Técnicas de Cultivo, Maceió, 2000. LAMAS, A. M. – Floricultura Tropical – Técnicas de Cultivo, Edição Sebrae – Série Empreendedor, Recife/PE, 2001 LEITÃO, A . P. S – Curso de Produção de Flores Tropicais – FLORTEC – Holambra, 2000 LORENZI, H. & SOUZA, H. Plantas Ornamentais do Brasil: arbustivas, herbáceas e trepadeiras. Nova Odessa/SP. Ed Plantarum, 1995

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CULTIVO DE ANTÚRIO
(Anthurium andraeanum Lindl.) INTRODUÇÃO Por antúrio são conhecidas mais de 600 espécies, sendo o gênero Anthurium, um dos mais de 100 gêneros da família Araceae, que tem as Américas do Sul e Central, como principais centros de origem. O Anthurium andraeanum, Lindl é nativo da Colômbia; foi encontrado pela primeira vez por M. André, botânico e viveirista francês que, em 1876, o levou para a Europa, vindo a florescer no ano seguinte. Desde então tem sido intensamente hibridado. Hoje, após 125 anos de cultivo e hibridações, o antúrio é uma das principais plantas ornamentais (adaptado de HIGAKI & WATSON, 1967) As plantas de antúrio são perenes, de caule herbáceo consistente, ascendente, existindo também os tipos acaules. O que é conhecido como flores, na realidade, tratam-se de folhas modificadas coloridas, a que botanicamente se denomina espata. Destacam-se pela beleza da folhagem, pelo tamanho, pela grande variação na forma e colorido de suas inflorescências. Seu valor ornamental é grande; trata-se de uma das plantas tropicais mais procuradas e utilizadas como flor cortada e seu uso cresce dia a dia, principalmente em função da sua durabilidade e conformação típica. É uma das flores tropicais mais procuradas e utilizadas na ornamentação. No Brasil já se dispõe de variedades selecionadas para a produção comercial. As plantas obtidas por sementes são, conseqüentemente, bastante heterogêneas em cor, forma e tamanho. Para cultivos comercias devem ser preferidas plantas micropropagadas. CLASSIFICAÇÃO Os Antúrios podem ser distribuídos em dois grandes grupos: 1º Grupo - DE FOLHAGEM ATRATIVA – são aqueles que, mesmo apresentando inflorescências, constitui-se a folhagem o principal atrativo; neste grupo temos as seguintes espécies(adaptado de LOPES & MONTOVANI, 1996):

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Anthurium crystalinum: folhas cordiformes, cor verde-oliva, aveludadas; nervuras claras e salientes, lobos arredondados, pecíolo cilíndrico ou anguloso e imperfeito; espata oblongolinear, acuminada e verde; Anthurium warocqueanum: folhas estreitas, alongadas e pontiagudas, atingindo até 1,20 m de comprimento. Cor verde-escuro, aveludada, nervura marfim, espata pequena, coloração verde-amarelada; Anthurium magnificum: folhas cordiformes, compridas e vistosas, de coloração verdeoliva, aveludadas, nervuras brancas salientes, pecíolo quadrangular, espata pequena, oblonga e verde. Espádice verde; Anthurium acaule: haste curta, formato roseta livre; folhas oblongo-lanceolada, espessas, coriáceas, coloração verde-escuro; espata linear, avermelhada no seu interior; Anthurium cordatum: folhas sagitadas com amplas cavidades, de coloração verde-oliva e áreas verde-pálidas, ao longo das nervuras; pecíolo acanalado. Espata verde, espádice verde-pardo.
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2º Grupo - DE FLORADA ATRATIVA – espécies que são cultivadas pela beleza de sua inflorescência, que podem ser cortadas ou mantidas na própria planta. (adaptado de LOPES & MOTOVANI, 1996) – Anthurium andreanum: o mais comum e de maior valor comercial. Planta ereta, folhas cordiformes, verdes, com espata de tamanho, forma e cor variadas. Principais variedades estão a seguir descritas:
• • • • • • • • • • • • • Var. album: espata branca, espádice branco Var. amoenum – espata róseo-carmim, espádice branco e amarelo-claro. Var. closoniae: espata grande (20 cm de comprimento x 10 cm de largura) de colorido variado, ápice branco. Var. gameri: espata vermelho brilhante. Var. grandiflorum: espata de colorido variado, com comprimento maior que 20 cm e cerca de 15 cm de largura. Var. laurenciae: espata vermelha e larga. Var. lucens: espata vermelho sangue, muito longa Var. giganteum: espata vermelho salmão, espádice não muito proeminente, recurvado, branco-amarelado Var. rhodoclorum: plantas vigorosas, espata rosa-clara, espádice branco com amarelo. Var. roseum: espata cor-de-rosa brilhante. Var. rubrum: espata vermelho-escura. Var. salmoneum: espata de coloração salmão. Var. sanguineum: espata vermelho-sangue.

Anthurium scherzerianum: de porte baixo, folhas alongadas, lanceoladas, espessas, espata ovado-oblonga geralmente vermelha, aberta ou recurvada, espádice delgado, enrolado, de coloração amarela. Apresenta diversas variedades caracterizadas pela variação do colorido da espata e pelo seu tamanho. Esta espécie apresenta mais de vinte variedades catalogadas

No Brasil, já dispomos de variedades selecionadas para a produção comercial, desenvolvidas pelo Instituto Agronômico de Campinas – IAC, cujas características destas seleções descrevemos a seguir e que já estão sendo cultivadas, com bastante sucesso (adaptado de O AGRONOMICO, 2000):
• • • • • • • • • • • •

ASTRAL – IAC 154 : espata coral, espádice branco/amarelado. Recomendada como planta envasada. CANANÉIA – IAC 16772: espata branca, espádice branco, flor de corte de tamanho grande. EIDIBEL – IAC 0-11 : espata vermelha, espádice branco, flor de grande durabilidade. IGUAPE – IAC 17236: espata vinho escuro, espádice branco creme rosado. Planta muito produtiva. ISLA – IAC 14018 : espata arredondada grande de cor branca, espádice branco/amarelado. Planta de porte alto. JÚPITER – IAC 17237: espata branca, espádice rosado. Planta de porte alto. JUQUIÁ – IAC 17260 : espata coral, espádice branco/amarelo. Recomendada como planta envasada. JURÉIA – IAC 0-5 : espata coral luminoso, espádice branco/amarelo. Flor de corte, variedade sensível a antracnose. LUAU – IAC N-15: espata mediana branca, espádice branco. Flor de corte. Planta produtiva. NETUNO – IAC 10770: espata vinho muito escuro a negro, espádice branco/amarelo. Flor de corte. ÔMEGA – IAC 14021: espata grande coral, espádice branco/amarelo. Flor de corte, variedade sensível a antracnose. RUBI – IAC 14019: espata grande vermelha, arredondada, espádice branco/amarelo. Flor de corte.
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Para cultivos comercias devem ser preferidas plantas micropropagadas. Atualmente as empresas que detêm maior tecnologia neste segmentos estão sediadas na Holanda, nos EUA (Havai), Alemanha e Israel. No Brasil já dispomos de firmas especializadas neste setor (a maior parte delas está localizada no Estado de São Paulo), salientando que em Recife/PE, Fortaleza/CE, e Maceió/AL já estão disponibilizando mudas de antúrio por cultura de tecidos. VARIEDADES RECOMENDADAS Além das cultivares da seleção do IAC descritas anteriormente, com destaque para o cultivares CANANEIA, EIDIBEL, IGUAPE, ISLA, JUPITER, LUAU, NETUNO e RUBI, temos as seleções da empresa ANTHURA, sediada na Holanda, para as quais recomendamos as descritas a seguir:
VARIEDADE ESPÁDICE (cor) TAMANHO FLOR (cm) PRODUÇÃO ( Nº Flor/m²/ano) LONGEVIDADE (dias) PLANTAS POR m²

Acroplis Carnaval Pierrot Mistique Maya Midori Pistache Arizona Cancan Carré Tropical Neon Sonate Rosa Spirit Sweety Twingo Cheers

Amarelo
Verde na Ponta

Bicolor Verde na ponta Vermelho

Espata BRANCA 13 a 15 75 13 a 16 60 14 a 16 55 13 a 15 60 12 a 16 60 Espata VERDE 14 a 16 80 14 a 16 60 Espata VERMELHA 11 a 13 65 15 a 17 60 14 a 17 70 12 a 15 80 Espata ROSA 12 a 15 80 14 a 16 60 14 a 16 60 14 a 16 80 6 A 10 90 12 a 14 60 13 a 15 70

23 29 40 24 40 20 28 32 37 29 23 23 40 33 32 36 33 35

7 7 6 6 7 7 6 7 6 7 7 7 6 6 7 10 7 7

Cereja Cereja

Verde na ponta

Espata CREME 13 a 15 45 13 a 15 55 Espata LARANJA Casino 14 a 16 60 Espata SALMÃO Passion Rosado 14 a 16 55 Espata MARRON ESCURO Verde na Ponta Choco 15 a 17 65 Safari (listrado) 12 a 14 70 GRUPO OBAKE Branco e Verde Lambada (Simba) 15 a 17 70 Vermelho e Amigo 16 a 20 70 Fantasia Champangne Sultan President
Verde Rosa e Verde

26 29 27 39 34 20 34 42 53 41

5 6 6 6 6 8 6 8 5 5

Rosa e Verde

16 a 24 14 a 19

45 55

MERCADO O antúrio é uma flor sedimentada no mercado, fazendo parte nos leilões de flores no mundo todo. Os principais produtores mundiais de antúrio estão localizados na Europa (Holanda, Alemanha e Espanha), no Oriente Médio (Israel e Arábia Saudita), Américas do Norte, Central e do Sul - [ EUA (Hawai, Flórida e Califórnia), Republica Dominicana,
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Trinidad Tobago, Martinica, Guadalupe, Jamaica, St. Vincent, México, Colômbia, Costa Rica, Equador e Brasil), na Ásia (Ilhas Maurício, Taiwan, Filipinas e Cingapura). Como principais importadores temos a Comunidade Européia, Estados Unidos e Japão. Os valores praticados no mercado são de US$ 0,30 a US$ 0,60 por inflorescência no nível de produtor PROPAGAÇÃO Pode ser conseguida por sementes, rebentos, estacas e cultura de tecidos 1 – Por Sementes - A produção das mudas é demorada, levando cerca de três anos para que ocorra o primeiro florescimento, e cinco para que se possa explorá-lo comercialmente. O uso da semente é o único meio que se tem, usualmente, para a obtenção de novas variedades, tornando-se, por isto, atrativo. Porém, há o inconveniente da grande heterogeneidade genética, promovendo uma variabilidade nas progênies, onde a maioria das plantas obtidas não terá valor. 2 – Por Rebentos – quando as plantas apresentarem de três a quatro anos de idade, começam a emitir brotações, tendendo a formar touceiras. Estas, quando enraizadas constituem excelentes mudas. O principal problema é a pequena quantidade de mudas obtidas. Pode-se induzir a produção de maior número de rebentos, podando-se as plantas logo acima do chão, ou promovendo o encurvamento de todas as plantas do canteiro. 3 – Por Enraizamento de Estacas - plantas velhas com hastes alongadas podem ser seccionadas em pedaços de 5 a 8 cm. As estacas são postas a enraizar, deitadas em sulcos, e cobertas com uma camada de 3 a 5 cm aproximadamente. O substrato para enraizamento deve se constituir de uma mistura de: uma parte de areia, uma parte de terra, e uma de compostagem. O canteiro de enraizamento deve ser em local protegido, mantendo o teor de umidade uniforme, evitando-se tanto o encharcamento como o ressecamento. 4 – Por Cultura de Tecidos - para um cultivo comercial, onde a similaridade de flores é o que se busca, este é o melhor e mais racional método de propagação. As plantas matrizes fornecedoras de folhas para a micropropagação devem ser vigorosas e sadias.

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RECOMENDAÇÕES SOBRE A CULTURA O antúrio é uma planta típica de florestas tropicais, de fácil cultivo, desde que as condições lhes sejam propícias. SOLOS Adapta-se a uma ampla faixa de solos, porém, de preferência, nos bem drenados, porosos e com alto teor de matéria orgânica. Pode-se, contudo, preparar artificialmente o solo, sendo recomendada uma mistura de: 6 (seis) partes de solo, 6 (seis) partes de palha de arroz, 6 (seis) partes de serragem, 1 (uma) parte de carvão vegetal e 1 (uma) parte de esterco de galinha. Com esta mistura obtém-se uma boa densidade do solo, uma boa porosidade e uma alta taxa de retenção de água. A saturação de bases deve ser superior a 60% e o pH da ordem de 6,0 a 6,5. LUMINOSIDADE O cultivo do Antúrio deve ser implantado em locais sombreados, protegidos da incidência direta dos raios solares. Diferentes sistemas de sombreamento podem ser utilizados, desde ripados, folhas de palmeira ou sombras naturais de árvores de maior porte. Preferencialmente, devemos optar por telados que proporcionem 70 a 80% de sombreamento, pois a luminosidade afeta diretamente o tipo e a qualidade de crescimento. Maior luminosidade leva a queima de folhagem e florada, provocando perda da cor verde e aparecimento da cor amarelo palha. Menor luminosidade provoca cores mais profundas e brilhantes, porém a planta mostra crescimento deficiente, e caules compridos e delgados. Nos dois extremos há redução de florada. A necessidade de luz para a cultura é de 20 a 30.000 lux. Para as cultivares brancas e rosas o nível de luminosidade deve estar na faixa de 20-22.000 lux.

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TEMPERATURA E UMIDADE O antúrio adapta-se a uma grande faixa de temperatura. Porém, em explorações comerciais para um melhor sucesso, convém a faixa diurna de 25 a 30°C e noturna de 20 a 23°C. Os limites para temperatura noturna mínima são de 18º C e máxima de 27ºC. Temperaturas abaixo de 15ºC, tanto noturna quanto diurna, são prejudiciais a cultura. O antúrio desenvolve-se melhor em ambiente com umidade relativa elevada (70 - 80%). A umidade não deve contudo ultrapassar 90% no período noturno. SISTEMA DE PLANTIO Recomenda-se o plantio em canteiro elevado 20 – 30 cm acima do solo, comprimento variável (ideal 30 m) e largura de 1,00 a 1,20m e distribuídos em três linhas. Manter distância mínima entre canteiros de 0,40 m. Planta-se entre 40.000 a 43.000 mudas por hectare. Para as variedades nativas (Anthurium froebeli (rosa claro) e Anthurium ferriensis) o espaçamento deve ser de 1,00 x 0,60m. Na Holanda em geral o plantio é de 12 a 16 plantas por metro quadrado, com espaçamento variável, de 20 a 25 cm em quatro linhas em canteiros de 1,20 m de largura, e os carreadores são de 80 cm.

ADUBAÇÃO Os elementos que a cultura do antúrio mais requer em ordem de importância são: : C (carbono), H (hidrogênio), O (oxigênio) N (nitrogênio), K (potássio), Ca (cálcio), P (fósforo), Mg (magnésio), Bo (boro), Fe (ferro), Mn (manganês) e Zn (zinco). Para MATHES & CASTRO, 1989 , em termos médios, recomenda-se a adubação com 200-100-150 kg de N, P2O5 e K2O por ha/ano, parcelada em quatro vezes. E segundo LOPES & MONTOVANI, 1980, recomenda o formulado 10-10-10 na dosagem de 100 g/m²/ano, parcelando-se em 4 - 5 aplicações em superfície. O pH ideal para a cultura varia de 5,5 a 6,5. A cultura requer também a incorporação de matéria orgânica que pode ser das mais diferentes origens (esterco de aves, suínos, caprinos, ovinos, bovinos; cascas de vegetais (pinus, eucalipto, coco), restos vegetais e compostagem orgânica ou organomineral. A dosagem ideal é da ordem de 10 a 15 kg por m²/ano parcelada em 5 – 6 aplicações). Em nossas observações os melhores resultado foi a fertilização da cultura com 450-200-400 Kg de NPK por hectare/ano, em aplicações semanais. A freqüência da fertilização é fator preponderante para o sucesso na exploração de antúrios. A adubação foliar semanal no cultivo de antúrio é necessária e a analise foliar deve ser realizada trimestralmente. Para analise foliar coleta-se a parte mediana da 3ª
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folha, totalizando uma amostra de 100 gramas de folhas por talhão ou cultivar a ser analisado. Os níveis ótimos definidos para antúrios são:
MACRONUTRIENTES (%) N P K Ca Mg S 2,00 – 4,30 0,15 – 0 60 1,00 – 4,90 1,00 – 3,30 0,34 – 1,00 0,16 – 0,75 Fe Mn B Cu Zn Mo MICRONUTRIENTES (ppm) 50 –400 50 – 1500 25 – 135 6 –40 15 –280 0,12 –2,41

ELEMENTOS DISPENSÁVEIS (ppm) Na Al 100 - 1200 10 - 50 HARRY MILLS / J.BENTON JONES JR

Fonte: Plant Analysis Handbook II -

IRRIGAÇÃO: Pode ser por aspersão, micro-aspersão, gotejamento, ou mesmo infiltração. Deve-se manter o solo úmido, sem contudo causar excessos. O ideal segundo nossas observações e a utilização da micro-aspersão alta. A EC aceitável está na faixa de 0,5 - 1,0 mS/cm, mas o ideal é uma EC menor que 0,5 mS/cm. COMTROLE DE PLANTAS DANINHAS Pode ser feito mecanicamente com o uso de enxada ou facão, ou químico, com o uso de herbicidas. O importante é manter a cultura livre de competição. Os herbicidas Diuron e Simzin segundo LOPES e MONTOVANI, 1980 têm-se mostrado eficientes em plantios de antúrio. DOENÇAS As principais moléstias que acontecem no cultivo de antúrio são as manchas de folhagem causadas por antracnose, a podridão do espádice, podridão de raízes, mosaico, ferrugem, septoriose e bacterioses. O controle destas ocorrências pode ser desde o controle químico até a retirada e queima das plantas atacadas, convém consultar um agrônomo para melhor orientação PRAGAS As principais pragas são ácaros, cochonilhas, lesmas e caracóis, pulgões, trips, vaquinhas e nematóides. O controle destas ocorrências pode ser desde o controle químico até a retirada e queima das plantas atacadas, no caso de nematóides, convém consultar um agrônomo para melhor orientação

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PRODUÇÃO Em cultivos conduzidos segundo recomendações, dependendo do tipo de muda utilizada, pode se iniciar já aos 15 – 18 meses, podendo-se obter de 8 – 10 flores por planta e por ano. Plantios efetuados com mudas com 30-40 cm já entram em produção depois de dois meses de plantados. A produção nas condições do nordeste é bem linear e uniforme, ocorrendo picos de produção nos meses de abril a setembro. Para um exercício de fluxo de caixa, considerando que nas variedades comerciais pode-se obter de 8 flores/planta/ano (tipo exportação) com um stand de 42.000 plantas/hectare, tem-se uma produção total de 336.000 flores ou aproximadamente 28.000 dúzias/hectare/ano.

COLHEITA

O horário melhor para a colheita de Antúrio é durante a manhã, bem cedo, o que prolonga sua vida no ponto de venda. Normalmente a colheita é realizada uma vez uma semana. A flor é removida com o talo inteiro, intacto que deve ser o mais longo possível. A parte que se insere no caule, juntamente com a folha, deve ser removida, cortando em torno de 5cm, o que a priori facilita o armazenamento e o transporte. Para prevenir danos, são colhidas só algumas flores que são seguradas em uma mão. Os talos são colocados, então, imediatamente em baldes cheios de água, de forma a impedir que desidratem; uma vez cheios de flores, a balde é colocada ao término dos canteiros para coleta, transporte e empacotamento feitos em instalações adequadas. A pré-classificação deve ser feita no campo, removendo flores manchadas, listradas, com danos mecânicos ou flores deformadas. Isto facilita muito as outras operações.

CLASSIFICAÇÃO E EMPACOTAMENTO

Flores de Antúrio são classificadas através de tamanho e cor para assegurar uniformidade. Os padrões de tamanho internacionais são os seguintes: Miniatura Pequeno Médio Grande Extra-Grande > Menos que 7,6 cm > de 7,6 a 10,2 cm > de 10,2 a 12,7 cm > de 12,7 a 15,2 cm > Maior que 15,2 cm
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Quando do empacotamento, assegurar que a espata de uma flor não toque a da outra ou que entre em contato com seu próprio espádice (perfuração de espatas através de espádices é uma causa freqüente de dano em Antúrio). O uso de bandejas assegura às flores uma posição definida, restringindo movimentos e danos mecânicos. Caixas de papelão são forradas com uma folha de polietileno impermeável dobrada por cima, com o objetivo de restringir a entrada de ar. Para prevenir desidratação e estender a vida de vaso das flores, alguns produtores prendem em cada talo um recipiente de plástico pequeno que contém água e preservativo.

ARMAZENAMENTO O ideal para o armazenamento de Antúrio é uma temperatura de 15-18ºC e UR entre 90 e 95 %. Abaixo de 10º a 12ºC, ocorrem danos, e as espatas ficam azuladas ou murchas. Umidade alta favorece o prolongamento da vida de vaso, conservando perda de água por transpiração.

TRANSPORTE Face à perecibilidade dos Antúrios, normalmente o transporte é por via aérea. As flores devem ser transportadas, pela facilidade de embalagem, em caminhões refrigerados (isotérmicos) até o aeroporto. Em todos os casos, devem ser tomados cuidados quanto ao contato com vento, sol e chuva.

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ANTURIOS BIBLIOGRAGIA CONSULTADA E RECOMENDADA
_________________, POLYSACK - Boletim 033 – Flores, Folhagens & Ornamentais, São Paulo, 2001. MATTHES, L A F & CASTRO, C. E. F. – O Cultivo de Antúrio: Produção Comercial, Boletim Técnico nº 126, Campinas, IAC, 1989. LOPES, L.C. & MONTOVANI, E.C. – O Cultivo de Antúrio, Viçosa, Universidade Federal, 1996. CASTRO, C. E. F. – Curso Técnicas de Cultivo de Flores Tropicais, 1998. HIGAKI, T.; LICHTY, J & MONIS, D. – Anthurium Culture in Hawaii, Anthurium Culture in Hawaii. Research Extension Series 152. University of Hawaii.1994. TEIXEIRA, G. H. A. & MENEGUCCI, R. F. S. A Cultura do Antúrio, Ribeirão Preto, 2001. LAMAS, A . M. – Plantas Ornamentais Tropicais e Floricultura Tropical – Curso Técnicas de Cultivo, Maceió, 2000. LAMAS, A. M. – Floricultura Tropical – Técnicas de Cultivo, Edição Sebrae – Série Empreendedor, Recife/PE, 2001 GARCES, L. A . – Antúrios, Edições Hortitecnica Ltda., Bogotá-Colômbia, 1997. PAULIN, A - Poscosecha de las flores cortadas – bases fisiologicas, Edições Hortitecnica Ltda., BogotáColômbia, 1997 (2 ed). CRILEY, R. A . "Culture and Cultivar Selection for Anthurium in Hawaii." Acta Horticulturae nº 246, 1989. CRILEY, R. A., and R. E. Paull. "Review: Postharvest Handling of Bold Tropical Cut Flowers—Anthurium, Alpinia purpurata, Heliconia, and Strelitzia." Acta Horticulturae. nº 337, 1993. HIGAKI, T., IMAMURA, J. S.& PAULL, R. E. - 1992. "N, P & K Rates and Leaf Tissue Standards for Optimum Anthurium andraeanum Flower Production." HortScience., 1992 PAULL, R. E. - "Effect of Storage Duration and Temperature on Cut Anthurium Flowers." HortScience. 22(3), 1987 ATEHORTUA, L – Aves del Paraiso, Gingers, Heliconias – Ediciones Hortitecnia, Santafé de Bogotá – Colombia, 1998. ___________, Postharvest Handling of Anthuriums RAP Postharvest Information Bulletin nº. 9 , USAIDFunded Asia Regional Agribusiness (RAP) Project, 2000. TOMBOLATO, A . F. C. – Seleção IAC de Antúrios – O Agronômico nº 52 (1) pg 65, Campinas, 2000. ______ , ANTHURA – Catalogue 2000 – 2001. ______, Guia de Cultivo del Anthurium: Conocimientos munidales para los Cultivadores del Mundo Entero, Edição ANTHURA, Holanda, 2001.

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FOLHAGEM DE CORTE

CORDYLINE
(Cordyline terminalis) INTRODUÇÃO O Cordyline terminalis é nativo da Ásia oriental e é uma espécie mais popular do gênero para plantas em vaso. Algumas seleções de planta de cordelynes também são extensivamente usadas como “verdes” – folhagens cortadas. Por sua folhagem exuberante os Cordelynes são muito usados como planta na composição de “coqueteis”em vaso, eles estão entre as plantas de folhagem mais coloridas. Atualmente é uma das culturas mais importantes no mercado mundial de folhagens de corte. A exploração de Cordelynes pode durar anos com um manejo adequado, com um ciclo que pode chegar a 15 – 20 anos de cultivo. CULTIVARES O gênero Cordelyne pertence a familia Agaveaceae e sua utilização com fins ornamentais é o mais variável, muitas espécies são usados em vasos e/ou como folhagem de corte. Sua produção pode ser iniciada a partir de sementes e/ou de estacas. A variabilidade de cores é muito grande. A maioria do cultivares utilizadas foi obtida de seleções feitas a partir de sementes e posteriormente multiplicadas por via vegetativa através de estacas obtendo plantas de colorido atraentes e sem igual . Alguns do cultivares nomeados popularmente a nível de mercado internacional são: `Baby Doll' é um cultivar pequeno bem copado com folhas castanhas aparadas com uma extremidade rosa. `Firebrand ' é um cultivar relativamente grande, bem copado com folhagem de vermelho escura. `Kiwi ' é um cultivar muito popular a variedade pequeno, bem copada com um listras marginais, bem vermelho ao redor de uma folha verde com um padrão interno irregular de amarelo esverdeado, amarelo e marfim raiado que segue as veias da folha. Também há alguns com muitas linhas vermelhas no padrão interno em algumas folhas.

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PRODUÇÃO ( propagação, condições edafoclimaticas e tratos culturais) Os Cordelynes se propagam através de três métodos: Sementes Estacas Cultura de tecido
.

Por semente – o poder germinativo é excelente. Deve-se utilizar substrato leve, em bandejas elevadas, cobrir as sementes com aproximadamente 1 cm de substrato e manter o substrato úmido até a germinação e desenvolvimento das mudas. Transplanta-las quando atingirem 5 a 10 cm de tamanho. Muitos dos cultivares de colorido exuberante são propagados através de cortes de talo terminais que são plantados diretamente nos vasos. Para aumentar o índice de pegamento deve-se colocar as estacas para enraizamente em câmaras de germinação e enraizamento, através de irrigação de névoa intermitente até que as raízes estejam suficientemente fortes, evitando-se assim necroses e perda de folhas. O nível de luminosidade sugerido para se conseguir folhagens de colorido intenso não deverá exceder a 40.000 lux Pode ser obtido um bom desenvolvimento da cultura colocando fertilizantes na dosagem 100 g de nitrogênio por 1000 pés em aplicações mensais. Recomendação de adubação:
N 400 P 200-250 K 350-400 Ca e Mg

A adubação foliar com fertilizantes formula completa 20-20-20 + micro ou 20-2020 + 2 de Mg. As formulações foliares podem ser na forma de quelatos, aminoácidos ou metalosatos, o importante é que sejam fertilizantes de alta solubilidade e qualidade comprovada. A fertilização foliar deve ser utilizada semanalmente, na dosagem de 1,5 a 2%, utilizar a adubação em conformidade com a analise foliar, que deve ser realizada a cada três meses. Para analise foliar coleta-se a parte mediana da 3ª e 4ª - totalizando uma amostra de 100 gramas de folhas por talhão de cultivo. Os níveis ótimos definidos para Cordyline são:
MACRONUTRIENTES (%) N P K Ca Mg S 1,86 – 2,50 0,51 – 0,66 0,94 – 2,02 1,09 -,1,65 0,39 -,0,49 0,26 – 0,46 Fe Mn B Cu Zn Mo MICRONUTRIENTES (ppm) 19 – 38 24 –89 9 – 28 5–8 54 – 67 012 –0,41

ELEMENTOS DISPENSÁVEIS (ppm) Na Al 189 - 228 5-9 HARRY MILLS / J.BENTON JONES JR Curso: Floricultura Tropical – Técnicas de Cultivo ALONSO DA MOTA LAMAS NOVEMBRO 2004 <> Página 57

Fonte: Plant Analysis Handbook II -

Onde os cultivos estão sujeito a chuva pesada ou irrigações freqüentes, o nível de fertilizante pode precisar ser aumentado, visando um melhor rendimento da cultura. O substrato para cultivo de Cordelyne em vaso deve ser bem leve e de fácil drenagem. O pH médio deve ser ajustado para 5.5 a 6.0. pH mais alto observou-se ser benéfico a cultura reduzindo toxicidade de fluoreto. As temperatura ideais para a cultivo são mínima de18°C e máxima de 35°C máximo, as Cordelynes podem tolerar temperaturas abaixo ou acima dos valores citados, mas a taxa de crescimento será reduzida drasticamente. As exigências com relação à umidade estão na ordem de 60 a 70 % TRATOS CULTURAIS Manter o cultivo livre de ervas daninhas. Promover podas de limpeza visando retirar folhas e outras partes da planta que estiverem quebradas, secas ou doentes. Fertilização sistemática do cultivo. Controle de pragas e doenças e Irrigação constante PRODUÇÃO E COLHEITA Dependendo do tipo de muda utilizado e da época de plantio, o florescimento comercial ocorre entre quatro a seis meses após o plantio, quando as plantas atingem um desenvolvimento satisfatório. Cada planta produz, em média, uma a duas folhas por semana (tipo exportação), ou uma a três ponteiras (tips) a cada semestre. Para se obter uma boa durabilidade das folhas, as plantas devem estar muito bem hidratadas antes da colheita, uma prática usual é irrigar a plantação na noite anterior e o corte das folhas devem ser efetivado nas primeiras horas da manhã, o que prolonga sua vida no ponto de venda. A colheita pode ser realizada diariamente, mas esta em função da programação de vendas do empreendimento As folhas ou ponteiras após colhidas, são colocados, então, imediatamente em recipientes com água, de forma a impedir que desidratem. PÓS-COLHEITA, EMBALAGEM, TRANSPORTE E CONSERVAÇÃO Chegando ao packing house, as folhas devem ser imersas em água limpa. Essa prática aumenta a durabilidade pois contribui para diminuir a temperatura das mesmas, além de limpar as sujidades. Após a limpeza, devem ser embaladas em feixes (10 folhas/maço), protegidas por bolsas plásticas. . Quando adequadamente manuseadas e preparadas, as folhas de Cordyline apresentam uma vida útil de até três semanas. Recomenda-se antes do empacotamento cortar a haste e submergi-la em recipientes com água com solução bactericida. O ideal para o armazenamento e transporte é um ambiente refrigerado a uma temperatura de 15-18ºC e com umidade relativa elevada. A comercialização de Cordyline pode por folhas, pontieras (tips) e cana em tamanhos que variam de 7”, 9” e ”. .
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CORDYLNE BIBLIOGRAFIA CONSULTADA E RECOMENDADA
ATEHORTUA, L – Follajes – Helecho cuero e Tree Fern – Ediciones Hortitecnia, Santafé de Bogotá – Colombia, 1999. HENLEY R.W., OSBORNE L.S & CHASE A.R. Cordyline (Ti Plant)–Foliage Plant - University of Florida, 2000. JOLY, A . B. – Botânica, introdução a taxonomia vegetal. Companhia Editora Nacional, São Paulo 1976. LAMAS, A. M. – Floricultura Tropical – Técnicas de Cultivo, Edição Sebrae – Série Empreendedor, Recife/PE, 2001 LAMAS, A . M – Plantas Ornamentais Tropicais e Floricultura Tropical – Curso Técnicas de Cultivo, Maceió, 2000.
LEITÃO, A . P. S – Curso de Produção de Flores Tropicais – FLORTEC – Holambra, 2000

LORENZI, H. & SOUZA, H. Plantas Ornamentais do Brasil: arbustivas, herbáceas e trepadeiras. Nova Odessa/SP. d Plantarum, 1995
PAULIN, A - Poscosecha de Ias flores cortadas - bases fisiológicas. Ediciones Hortitecnia Ltda, Bogotá, Colombia. 1997.

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FOLHAGEM DE CORTE

ASPARGO ORNAMENTAL
(Asparagus spp) INTRODUÇÃO e GENERALIDADES De todas as espécies vegetais empregadas como folhagens de corte, o aspargo é sem dúvida a cultura mais tradicional, sendo empregada há muitos anos na Europa e nas Américas também foi o primeiro material cultivado para esta finalidade. A produção de aspargo ornamental pode durar vários anos, variável em função do tipo de solo, intensidade de cultivo, tratos culturais e, principalmente, das características da espécie ou variedade cultivada. MERCADO Tanto os mercados interno como o externo são consumidores de folhagens de aspargo, em especial, o Asparagus virgatus, no Brasil chamado de vassourinha. Os valores praticados no mercado internacional oscilam de US$ 0,02 a US$ 0,05 o ramo de 50 cm.

ESPECIES - VARIEDADES O gênero Asparagus pertence a família das Liliáceas. Diversas espécies pertencentes a este gênero são cultivadas para fins ornamentais por sua folhagem, sendo originárias em sua grande maioria de regiões de clima quente da África e Ásia. As principais espécies ou cultivares com importância comercial no Brasil, destinando-se ao uso como folhagens de corte ou plantas verdes em vaso são :

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PROPAGAÇÃO Existem três métodos de propagação : 1) Semeadura : Neste método utilizam-se sementes de produção recente , pois há uma perda do poder germinativo em poucos meses. 2) Divisão de touceiras : É um procedimento que implica na seleção de rizomas, no entanto não é tão comum iniciar a produção com esta técnica Cultura de tecido : A obtenção de mudas em laboratório, é um dos métodos utilizados para a obtenção de mudas ou plantas matrizes. CONDIÇÕES DE CULTIVO LUMINOSIDADE O cultivo de aspargo ornamental desenvolve-se bem à meia sombra. Sob um sombreamento artificial de 50 - 70%, as plantas apresentam bom desenvolvimento vegetativo. A necessidade luminosa oscila de 35.000 a 45.000 lux. O sombreamento pode ser natural através do plantio de espécies vegetais para esta finalidade. As espécies recomendadas para sombreamento são:

3)

Sombreamento Temporário: mamona (Ricinus communis), Feijão Guandú (Cajanus indicus), crotalária gigante (Crotalaria anajyroides), bananeira (Musa sp) Sombreamento Permanente: arvore da chuva (Pithecolobium saman), sombrero ( Clitorea racemosa) gliricidia (Gliricidia sepium), ingá ( Inga edulis, Inga marginata, Inga spectabilis), eritrina (Erytrina poeppigeana, Erytrina edulis) canafistula macho (Pseudocacia spectalis).

TEMPERATURA E UMIDADE A faixa de temperatura de cultivo adequada está situada entre 22 e 30°C. A temperatura ótima para produção está na média dos 25ºC. Temperatura abaixo dos 13ºC é prejudicial a cultura. A produção em climas mais quentes, é mais precoce, mas a qualidade é sofrível. A umidade relativa do ar deve oscilar entre 60 a 80% SOLOS E ADUBAÇÃO Os aspargos ornamentais têm preferência e apresentam melhor desenvolvimento em solos arenosos, ricos em matéria orgânica, bem irrigados e com boa drenagem. O pH ideal para cultivo deve estar na faixa de 5,6 a 6,2. Recomendação de adubação:
N 400 - 450 P 200-250 K 350-400 Ca e Mg

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A fertilização deve ser parcelada quinzenalmente, associando-a a adubação foliar. A adubação foliar com fertilizantes formula completa 20-20-20 + micro ou 20-2020 + 2 de Mg. As formulações foliares podem ser na forma de quelatos, aminoácidos ou metalosatos, o importante é que sejam fertilizantes de alta solubilidade e qualidade comprovada. A fertilização foliar deve ser utilizada semanalmente, na dosagem de 1,5 a 2%, utilizar a adubação em conformidade com a analise foliar, que deve ser realizada a cada três meses. Para analise foliar coleta-se a parte mediana da 4ª e 5ª - totalizando uma amostra de 100 gramas de folhas por talhão de cultivo. Os níveis ótimos definidos para Asparagus são: Asparagus setaceus (plumosus – bambu de metro)
MACRONUTRIENTES (%) N P K Ca Mg S 2,05 0,16 1,44 0,51 0,13 0,15 Fe Mn B Cu Zn Mo MICRONUTRIENTES (ppm) 74 124 17 4 32 0,21

ELEMENTOS DISPENSÁVEIS (ppm) Na Al 254 31 HARRY MILLS / J.BENTON JONES JR

Fonte: Plant Analysis Handbook II -

Asparagus densiflorus (Sprengeri – Alfinete )
MACRONUTRIENTES (%) N P K Ca Mg S 1,75 – 3,70 0,20 – 0,65 2,20 – 3,90 0,15 - 0,85 0,15 – 0,40 0,15 –0,40 Fe Mn B Cu Zn Mo MICRONUTRIENTES (ppm) 40 – 300 40 –300 15 - 60 5 -20 20 - 200 0,50 – 1,50

ELEMENTOS DISPENSÁVEIS (ppm) Na Al 100 -1000 10 - 50 HARRY MILLS / J.BENTON JONES JR

Fonte: Plant Analysis Handbook II -

A cultura requer, também, a incorporação de matéria orgânica. De preferência sempre se utilizar a compostagem orgânica. A dosagem ideal é da ordem de 8 a 10 kg por m²/ano, parcelada em, pelo menos, quatro aplicações, ou seja a cada três meses. IRRIGAÇÃO
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A aspersão convencional é a mais indicada. Deve-se manter o solo úmido, sem contudo causar excessos. O aspargo ornamental é bastante sensível ao excesso de umidade no solo, pois dificulta a respiração das raízes e favorece a proliferação de patógenos radiculares. A drenagem deve ser perfeita; caso contrário pode afetar em muito a qualidade do produto. Outra vantagem da aspersão convencional é evitar problemas com altas temperaturas, além de manter as folhagens limpas e frescas.. SISTEMA DE PLANTIO E ESPAÇAMENTO Recomenda-se o plantio em canteiro de comprimento variável; o ideal é de trinta metros e a largura de um metro, elevado de 20 a 30 cm acima do solo. A densidade de plantio é de 9 (nove) plantas por m²; com esta densidade tem-se de 50 - 60.000 plantas/ha TUTORAMENTO O Asparagus se desenvolve muito rápido, necessitando de material para suporte das brotações pois estes tutores facilitam a colheita e outros trabalhos associados ao cultivo. Pode-se fazer uso de malhas do tipo utilizadas em cultivo de crisântemos ( malha de 4x4") TRATOS CULTURAIS
• • • • •

Manter o cultivo livre de ervas daninhas. Promover a limpeza constante retirando talos secos e curtos e eliminar as plantas doentes. Fertilização sistemática do cultivo. Controle de pragas e doenças e Irrigação constante

PRAGAS E DOENÇAS As principais pragas que incidem em Asparagus são as cochonilhas, os ácaros, os nematóides, as formigas, os pulgões, além de lesmas e caracóis. Como doenças destacam-se as fúngicas provocadas por Alternaria, Helminhosporium, Coletroctichum, Phoma, Fusarium, Pythium, Rhizoctonia, e Puccnia asparagi; e as bacterianas provocadas por Xanthomonas campestris e Agrobacterium tumefaciens. CICLO PRODUTIVO, PRODUTIVIDADE E COLHEITA Os rendimentos anuais variam em função do cultivar e das condições de cultivo (GONZALEZ et al,1998). O quadro abaixo ilustra o número de folhas / planta / ano, segundo os distintos cultivares: Espécie ou cultivar Aspargo plumoso Aspargo sprengeri Aspargo meyeri Aspargo myriocladus Aspargo falcatus Folhas/planta/ ano 15 a 17 15 a 20 10 a 12 05 a 06 10 a 20

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A produção do Asparagus virgatus se inicia em média seis a dez meses após o transplante para o campo. Com um bom manejo pode-se ter uma produtividade continua em média de 1,5 talos/planta/mês (qualidade exportação), o que corresponde uma média de dezoito folhas por planta ano. Com uma densidade de plantio de 50.000 plantas por hectare, são produzidas, em média, 900.000 talos por hectare/ano. A renovação do plantio se faz entre quatro e seis anos, mas se a condução for satisfatória pode-se estender o cultivo até os dez anos. A colheita das folhagens de aspargo deve ser feita pelo menos duas vezes por semana. PÓS-COLHEITA, EMBALAGEM, TRANSPORTE E CONSERVAÇÃO Ao chegar ao galpão de tratamento (packing house), os talos devem ser imersos em água limpa – visando a hidratação. Uma prática ideal é hidratar os talos em solução de água que contenha um bactericida. A hidratação, tanto no campo como no pós-colheita, é fator essencial para que se evite a queda prematura de folíolos, pois esta queda prematura é decorrente de estresse hídrico Recomenda-se antes do empacotamento, cortar a haste e submergi-la em recipientes com água com solução de cloro a 0,02%. Esta solução atuará como bactericida. São amarrados de 20-25 talos por capucho e estes devem ter características uniformes. Convém envolver estes talos com uma manga de plástico microperfurado para conservar uma umidade e promover a hidratação adequada. A vida útil da folhagem de aspargo é de 6 a 14 dias. BIBLIOGRAFIA
ATEHORTUA, L – Follajes – Helecho Cuero e Tree Fern – Ediciones Hortitecnia, Santafé de Bogotá – Colombia, 1999 JOLY, A . B. – Botânica, introdução a taxonomia vegetal. Companhia Editora Nacional, São Paulo 1976. LAMAS, A . M. – Plantas Ornamentais Tropicais e Floricultura Tropical – Curso Técnicas de Cultivo, Maceió, 2000. LAMAS, A. M. – Floricultura Tropical – Técnicas de Cultivo, Edição Sebrae – Série Empreendedor, Recife/PE, 2001 LEITÃO, A . P. S – Curso de Produção de Flores Tropicais – FLORTEC – Holambra, 2000 LORENZI, H. & SOUZA, H. Plantas Ornamentais do Brasil: arbustivas, herbáceas e trepadeiras. Nova Odessa/SP. Ed Plantarum, 1995 PAULIN, A - Poscosecha de Ias flores cortadas - bases fisiológicas. Ediciones Hortitecnia Ltda, Bogotá, Colombia. 1997.

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BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA
Publicações Internacionais

Tropical Plants for Home and Gardens

Ornamental Ginger

Tropicals

Heliconia and Identification Guide

Exotic Tropical of Hawaii

Heliconia of Tailandia

Publicações Nacionais

FLORICULTURA TROPICAL – Técnicas de Cultivo
Publicação do SEBRAE – Série Agronegócios Autor Alonso da Mota Lamas alonsolamas@hotmail.com

SEGREDOS DA PROPAGAÇÃO DE PLANTAS, Lewis Hill – Ed. Nobel MANUAL DE COMPOSTAGEM PARA HORTAS E JARDINS – Stu Campbell – Ed. Nobel DOENCAS DAS PLANTAS ORNAMENTAIS – Guanabara Paques Baros Pitta – Livraria Ceres PAISAGISMO, JARDINAGEM, PLANTAS ORNAMENTAIS – Antônio Carlos da Silva Barbosa - Editora Iglu ENCICLOPEDIA EM CD-ROM NATUREZA – 1001 Plantas HELICÔNIAS PARA EXPORTAÇÃO Aspectos Técnicos da Exportação => publicação da EMBRAPA – FRUPEX FLORES E PLANTAS ORNAMENTAIS PARA EXPORTAÇÃO Aspectos Fitossanitários => publicação da EMBRAPA – FRUPEX REVISTA BRASILEIRA DE HORTICULTURA ORNAMENTAL – IAC –Cx. Postal 28 – CEP 13001-970 – Campinas – SP

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