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1. Teoria de Conjuntos Um conjunto é uma coleção de objetos, sem repetição e não ordenada.

Um objeto não pode aparecer em um conjunto mais de uma vez. Não há ordem para os elementos do conjunto. Exemplo: {2, 3, ½} , {3, ½, 2} , {2, 2, 3, ½} representam o mesmo conjunto. Um objeto pertence a um conjunto é chamado elemento do conjunto ou membro do conjunto. A pertinência a um conjunto é denotada pelo símbolo ∈. A expressão x ∈ A significa que o objeto x é elemento do conjunto A. A expressão x ∉ A significa que o objeto x não é elemento do conjunto A. Outras formas de ler a expressão “é elemento de”: é membro de, pertence a, está em. Exemplos: 2 ∈ {2, 3, ½} 5 ∉ {2, 3, ½}

Cardinalidade, conjunto finito e infinito A cardinalidade ou tamanho de um conjunto A é o número de objetos no conjunto e é denotada pelas barras de valor absoluto em torno do símbolo do conjunto: | A | Exemplo: Se A = {2, 3, ½}, |A| = 3

Um conjunto é finito se sua cardinalidade é um inteiro (é finita). Caso contrário, dizemos que o conjunto é infinito. Conjunto vazio O conjunto vazio é o com junto desprovido de elementos. Pode ser denotado por { } ou ∅. A cardinalidade do conjunto vazio é zero. Alguns conjuntos especiais: N = {0, 1, 2, 3, ....} – conjunto dos números naturais ou inteiros não negativos Z = {... -2, -1, 0, 1, 2, ....} – conjunto dos números inteiros Q - conjunto dos números racionais, formados pela divisão de 2 inteiros a/b com b≠ 0. R – conjunto dos números reais.

Descrição de conjuntos São duas as formas de descrever um conjunto:
1)

Listar os elementos entre chaves, separados por vírgula. A = {a, e, i, o, u}

2) Enunciar as propriedades que caracterizam os elementos do conjunto. B = {x : x é um inteiro par, x > 0 }
Exemplos: A = {a, e, i, o, u} ou A = {x : x é uma letra do alfabeto, x é vogal} B = {2, 4, 6, 8, ...} (não é possível listar todos os elementos) ou B = {x : x é um inteiro par, x > 0 }

Igualdade de conjuntos Dois conjuntos são iguais se tiverem exatamente os mesmos elementos.
Exemplo: E = {x : x2 – 3x + 2 = 0} F = {2, 1} G = {1, 2, 2, 1, 6/3} E = F = G

Observação: Um conjunto não se altera se seus elementos forem repetidos ou reordenados.

Conjunto Universo Em aplicações da teoria dos conjuntos, os elementos dos conjuntos considerados pertencem a algum conjunto maior conhecido como conjunto Universo, denotado por U. O conjunto A = {2, 4, 6, 8, ...} pode ser entendido como um conjunto definido sobre o conjunto universo U dos números naturais, ou dos inteiros. Subconjuntos A é subconjunto de B se todo elemento de A também é elemento de B. Diz-se que A está contido em B ou B contém A, usando os símbolos: A⊆ B B⊇ A A está contido em B B contém A

A não é subconjunto de B se pelo menos um elemento de A não pertence a B, o que escrevemos A ⊆ B ou B ⊇ A. Exemplos: 1) N ⊆ Z ⊆ Q ⊆ R 2) A = {2, 4, 6, 8, 10} C⊆ A B⊆ A B = { 2, 3, 4} C = {2, 3}

Observação: Todo subconjunto é subconjunto dele mesmo. E = { 1, 3, 5} F = {5, 1, 3} E ⊆ F eE=F O teorema a seguir enuncia algumas propriedades importantes de conjuntos: Teorema 1.1 i) Para todo conjunto A, temos ∅ ⊆ A ⊆ U ( Todo conjunto A é subconjunto do conjunto universo e o conjunto vazio é subconjunto de A) ii) Para todo conjunto A, A ⊆ A (Todo conjunto A é subconjunto de si mesmo) iii) Se A ⊆ B e B ⊆ C então A ⊆ C iv) A = B se e somente se A ⊆ B e B ⊆ A Dizemos que A é subconjunto próprio de B tiver pelo menos um elemento que não pertence a B, isto é, se A ⊆ B mas A ≠ B. Nesse caso escrevemos A ⊂ B. Observação: ⊆ e ∈ tem significados relacionados porém diferentes. A notação x ∈ A significa que x é elemento de A e a notação A ⊆ B significa que todo elemento de A também é elemento de B. Assim, ∅ ⊆ {1, 2, 3} é verdadeiro

∅ ∈ {1, 2, 3} é falso Diagrama de Venn Um diagrama de Venn é uma representação pictórica na qual os conjuntos são representados por áreas representadas por curvas no plano (Fig. 1.1). Um retângulo representa o conjunto universo e os demais conjuntos são representados por discos.

B A

U

B A

U

a) A ⊆ B

b) A e B são disjuntos Figura 1.1 Diagrama de Venn

Operações entre conjuntos A união de dois conjuntos A e B, denotada por A ∪ B, é o conjunto de todos os elementos que pertencem a A ou a B: A ∪ B = {x : x ∈ A ou x ∈ B} A interseção de dois conjuntos A e B, denotada por A ∩ B, é o conjunto dos elementos que pertencem a A e a B: A ∩ B = {x : x ∈ A e x ∈ B}

Se A ∩ B = ∅, A e B são ditos disjuntos. A Figura 1.2 ilustra as operações de união e interseção.
A U B A B U

a) A ∪ B

b) A ∩ B Figura 1.2 Operações de união e interseção

O complementar absoluto ou simplesmente o complementar de um conjunto A, denotado por AC ou por A´, é o conjunto dos elementos que pertencem a U mas não pertencem a A: AC = { x: x ∈ U, x ∉ A} O complementar relativo de um conjunto B em relação a A, ou a diferença entre A e B, denotada por A\B ou A – B, é o conjunto dos elementos que pertencem a A mas não pertencem a B: A\B = {x: x ∈ A, x ∉ B} A Figura 1.3 ilustra as operações de complemento e complemento relativo.

A

U A B

U

a) A´

b) A - B Figura 1.3 Operações de complementar e diferença

Produtos Fundamentais Considere n conjuntos distintos A1, A2, ..., An Um produto fundamental de conjuntos é um conjunto na forma A1* ∩ A2* ∩ .... ∩ An* Onde Ai pode representar Ai ou Ai´. Observamos que: n 1) existem 2 produtos fundamentais 2) quaisquer dois produtos fundamentais são disjuntos 3) o conjunto universo é a união de todos os produtos fundamentais
Exemplo: Sejam os conjuntos A, B, C Os oito produtos fundamentais desses três conjuntos são: P1 = A ∩ B ∩ C P2 = A ∩ B ∩ C´ P3 = A ∩ B´ ∩ C P4 = A ∩ B´ ∩ C´ P5 = A´ ∩ B ∩ C

P6 = A´ ∩ B ∩ C´ P7 = A´ ∩ B´ ∩ C P8 = A´ ∩ B´ ∩ C´

Esses oito produtos correspondem às oito regiões assinaladas no diagrama de Venn de A, B, C, da Figura 1.4.
U

A
P4 P3

B
P2 P1 P5 P7 P8 P6

C
Figura 1.4Produtos fundamentais

A Diferença Simétrica dos conjuntos A e B, denotada por A ⊕ B, consiste em todos os elementos que pertencem a A ou B mas não a ambos: A ⊕ B = (A ∪ B) \ (A ∩ B)

U A B

Figura 1.5. A ⊕ B

Álgebra de conjuntos Os conjuntos em geral satisfazem a várias leis ou identidades, como as listadas na Tabela 1.1. Tabela 1.1 Leis da álgebra de conjuntos

Leis de idempotência 1a) A ∪ A = A Leis de Associatividade 2a) (A ∪ B) ∪ C = A ∪ (B ∪ C) Leis de Comutatividade 3a) A ∪ B = B ∪ A Leis de distributividade Leis da identidade 5a) A ∪ ∅ = A 6a) A ∪ U = U Leis da involução Leis dos complementares 8a) A ∪ A´ = U 9a) U´ = ∅ Leis de DeMorgan 10a) (A ∪ B)´ = A´ ∩ B´

1b) A ∩ A = A 2b) (A ∩ B) ∩ C = A ∩ (B ∩ C) 3b) A ∩ B = B ∩ A

4a) A ∪ (B ∩ C) = (A ∪ B) ∩ (A ∪ 4b) A ∩ (B ∪ C) = (A ∩ B) ∪ (A ∩C) C)

5b) A ∩ U = A 6b) A ∩ ∅ = ∅ 7) (A´) ´ = A 8b) A ∩ A´ = ∅ 9b) ∅´ = U 10b) (A ∩ B)´ = A´ ∪ B´

Dualidade As identidades na Tabela 1.1 estão organizadas em pares, que são equações duais. De forma geral, suponha que E seja uma equação da álgebra de conjuntos. A equação dual de E, E´, é a equação obtida pela substituição de cada ocorrência de ∪, ∩, U e ∅ em E por, respectivamente ∩, ∪, ∅ e U. Teorema Um teorema é uma afirmação declarativa sobre matemática, para a qual existe uma prova. Uma afirmação declarativa é uma sentença que expressa uma idéia sobre como alguma coisa é.

Ex: Vai chover amanhã. Prova é uma dissertação que mostra, de maneira irrefutável, que uma afirmação é verdadeira. Designações para um teorema Palavras que constituem alternativas para teorema: Resultado: Uma expressão modesta para teorema. Fato: um teorema de importância bastante limitada. Proposição: Um teorema de importância secundária. Mais importante ou mais geral que um fato, mas não tem tanto prestígio quanto um teorema. Lema: Um teorema cujo objetivo principal é ajudar a provar outro teorema mais importante. Lemas são partes ou instrumentos usados para elaborar uma prova complicada. Corolário: Resultado com uma prova rápida, cujo passo principal é o uso de outro teorema provado anteriormente. Alegação: Análogo a lema. Formas de expressar um teorema Se-então: Se A então B (A é chamado hipótese e B Conclusão)

Sempre que a condição A for verdadeira, a condição B também será. Ex: “A soma de dois números inteiros pares é par.” pode ser reformulada como: “Se x e y são inteiros pares, então x+y também é par.” Maneiras alternativas de expressar “Se A então B”: “A implica B” ou “B é implicado por A” “Sempre que A, temos B” ou “B, sempre que A” “A é suficiente para B” ou “A é uma condição suficiente para B” “A ⇒ B” A afirmação “Se A, então B”

assegura que a condição B é verdadeira sempre que A o for, mas não faz qualquer referência a B quando A é falsa. Se e Somente Se: A se e somente se B Que é uma maneira concisa de expressar:

“Se A então B, e se B então A”. Ex: “Se um inteiro x é par, então x +1 é impar, e se x+1 é impar, então x é par”. pode ser escrito como: “Um inteiro x é par se e somente se x+1 é impar”. Maneiras alternativas de expressar “A se e somente se B”: “A see B” “A é necessário e suficiente para B” “A é equivalente a B” “A ⇔ B” A afirmação “A se e somente se B” assegura que as condições A e B devem ser ambas verdadeiras ou ambas falsas.

Cardinalidade de conjuntos finitos O número de elementos de um conjunto finito A é o tamanho de A ou cardinalidade de A. É denotado por |A|, #(A), card(A) ou n(A).

Lema 1.1: Se A e B são conjuntos finitos disjuntos, então A ∪ B é finito e |A ∪ B| = |A| + |B| Teorema 1.2: Se A e B são conjuntos finitos, então A ∪ B e A ∩ B são finitos e |A ∪ B| = |A| + |B| - |A ∩ B| Corolário1.1: Se A, B e C são conjuntos finitos, então A ∪ B ∪ C também é e |A ∪ B ∪ C | = |A| + |B| + |C| - |A ∩ B| - |A ∩ C| - |B ∩ C| + |A ∩ B ∩ C |

Classes de conjuntos Uma classe de conjuntos ou coleção de conjuntos é um conjunto de conjuntos.

São usados geralmente quando queremos tratar de alguns subconjuntos de um dado conjunto. Uma subclasse ou subcoleção é formada por alguns conjuntos de uma classe de conjuntos. Exemplo: S = {1, 2, 3, 4} A é a classe de subconjuntos de S que contêm exatamente três elementos de S. A = [{1, 2, 3}, {1, 2, 4}, {1, 3, 4}, {2, 3, 4}] B é a classe de subconjuntos de S que contêm três elementos sendo um deles o número 2. B = [{1, 2, 3}, {1, 2, 4}, {2, 3, 4}] B é subclasse de A Obs: Uma coleção de conjuntos pode ser denotada entre colchetes ou entre chaves.

Conjunto Potência Seja A um conjunto. O conjunto potência de A ou conjunto das partes de A é o conjunto de todos os subconjuntos de A. Notação: 2A

Se A é finito, o conjunto Potência de A também é. O número de elementos do conjunto potência de A é 2 elevado à cardinalidade de A: |A| = 2 |A| Exemplo: A = {1, 2, 3}
2A = {∅, {1}, {2}, {3}, {1, 2}, {1, 3}, {2, 3}, {1, 2, 3}}

Partições Seja A um conjunto não vazio. Uma partição de A é uma subdivisão de A em conjuntos não vazios, disjuntos. Ou: Uma partição de A é uma coleção {Ai} de subconjuntos não vazios de A tais que: i) cada a em A pertence a algum dos Ai ii) os conjuntos em {Ai} são disjuntos dois a dois, isto é, se Ai ≠ Aj então Ai ∩ Aj = ∅ Uma partição pode ser representada em diagrama de Venn, como mostra a figura 1.6. Os subconjuntos de uma partição são chamados de células.

A1 A4

A2

A3

A5

Figura 1.6. diagrama de Venn de uma partição de conjuntos.

Exemplo: A = {1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9} B = {{1, 2, 3}, {5, 8, 9}, {4, 6, 7}} C = {{1, 2, 3}, {5, 3, 8, 9}, {4, 6, 7} D = {{1, 2, 3}, {5, 8, 9}, {6, 7}} Generalização de operações entre conjuntos Considere um número finito de conjuntos A1, A2, ..., Am. A união e interseção desses conjuntos é, respectivamente, denotada e definida por: A1 ∪ A2 ∪ ... ∪ Am =  A = {x : x ∈ Ai para algum Ai} e
m i −1 i

é partição não é partição não é partição

A1 ∩ A2 ∩ ... ∩Am = 

m

i =1

Ai

= {x : x ∈ Ai para todo Ai} e

Generalizações para coleções de conjuntos Seja A uma coleção de conjuntos. ∪ (A: A ∈ A) = {x: x ∈ A para algum A ∈ A} e ∩ (A: A ∈ A) = {x: x ∈ A para todo A ∈ A}. Indução Matemática

A indução matemática é uma propriedade do conjunto N = {1, 2, 3, ...} que é usada em muitas demonstrações. Princípio de Indução Matemática I: Seja P uma proposição definida nos inteiros positivos N, ou seja, P(n) é verdadeiro ou falso para cada n em N. Suponha que P tem as seguintes propriedades: i)
ii)

P(1) é verdade. P(n+1) é verdade sempre que P(n) é verdade).

Então, P é verdade para todo inteiro positivo. Princípio de Indução Matemática II: Seja P uma proposição definida nos inteiros positivos N tal que: i)
ii)

P(1) é verdade.

P(n) é verdade se P(k) é verdade para todo 1 ≤ k ≥ n. Então, P é verdade para todo inteiro positivo.