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Sindicalistas da TAM e

da LAN unem-se para defender
trabalhadores em 7 países
ANo IX - N
o
36 - JuNho de 2012
Revista da Federação
Nacional dos
Trabalhadores em
Aviação Civil da CuT
02 Conexão | Junho/2012
EDITORIAL
Sempre na luta pela aviação
NESTA EDIÇÃO
A
aviação civil é um setor
complexo e essencial ao
desenvolvimento do país.
Ela também é uma paixão.
Os trabalhadores que atuam no
setor — aeroviários, aeronautas e
aeroportuários — sempre dizem
que são “viciados” em aviação, em
voar, em fazer parte desse universo,
do qual participam, é claro, os
passageiros, mas também muitas
outras pessoas, que compartilham
desse amor por voar, pelo avião,
pela aviação, de diferentes formas.
Há também vários segmentos,
como o táxi aéreo, a aviação
regional, desportiva etc.
O transporte aéreo é o meio
mais moderno de locomoção para
o cidadão comum e cada vez mais
pessoas de diferentes classes sociais
têm tido acesso a ele. Com isso,
aumentou a responsabilidade dos
órgãos do governo que cuidam do
setor, para garantir a segurança
operacional que permite que
passageiros e tripulantes cheguem
aos seus destinos e que a população
em terra esteja protegida de um
eventual acidente.
Os trabalhadores estão na
linha de frente de todo esse
sistema, tanto no contato direto
com os passageiros, como nos
bastidores, garantindo o adequado
carregamento de bagagens e o
planejamento dos voos. O que a
maioria da população não sabe é
que esses mesmos trabalhadores,
na contramão do crescimento do
setor, vem sofrendo cada vez mais
com a exploração das companhias
aéreas em todos os níveis, e o
descaso do órgão regulamentador,
a Anac (Agência Nacional de
Aviação Civil), que acima de tudo
vem atendendo aos interesses dos
empresários.
Ao longo dos últimos anos,
viemos denunciando isso e obtendo
alguns avanços, mas há muito a
reverter em relação às medidas
da Agência, como o processo
de privatização dos aeroportos
da Infraero e a redução de
comissários.
Nesta edição, mudamos o
formato do nosso informativo,
para torná-lo mais prático para ser
guardado e ampliar seu conteúdo.
Esperamos que gostem das
mudanças. Boa leitura!
Celxo Klufke
(presidente da Fentac/CUT)
EXPEDIENTE
A revista é uma
publicação da Federação Nacional
dos Trabalhadores em Aviação Civil
da CUT - Fentac/CUT, com sede na
Av. Franklin Roosevelt, 194/702,
Cep 20021-120 - Rio de Janeiro - RJ
Fone: (21) 2232.9385
E-mail: info@fentac.org.br
Website: www.fentac.org.br
Piesiuente: Celso Klafke
Secretária de Comunicação:
Graziella Baggio
Euição, piojeto giáfico e ieuação:
Pauta Nova Comunicação e Editora
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Fone: (11) 3522-7707
Euição finalizaua em 2u¡u6¡2u12
Tiragem: 17.000 exemplares
Jorn. Resp.: MTB 10.182
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Sindicalistas unem-se
para enfrentar fusões
PÁG. 6-7
Finalmente alguns
avanços com a Anac
PÁG. 8-9
Rio+20 ñrma texto que
será levado aos países
PÁG. 19
Aeronautas protestam
contra redução de
comissários de voo
PÁG. 10-11
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Junho/2012 | Conexão 03
GIRO
Aviação agrícola tem
congresso em junho
Acontece, de 27 a 29 de junho,
no Aeroporto Santa Maria, em
Campo Grande (MS), o Congresso
Nacional de Aviação Agrícola
(Sindag) 2012. A direção do
Sindicato Nacional dos Aeronautas
fará parte da mesa de autoridades
na cerimônia de abertura do
evento.
De caráter tecnológico, o Sindag
visa integrar e valorizar os elos
do setor aeroagrícola e é também
palco de exposições de produtos,
equipamentos e aeronaves. Entre
os temas que serão discutidos
estão legislação, mercado e novas
tecnologias. Mais informações no
site “www.congressosindag.com.
br”.
13º Concut acontece
em julho, em SP
Os sindicatos
cutistas do setor
aéreo e a Fentac/
CUT participam,
de 9 a 13 de
julho, do 11º Congresso Nacional
da CUT (Concut), que será
realizado em São Paulo.
Os congressos estaduais
aconteceram em maio e
elegeram os novos mandatos.
Em Alagoas e Roraima, dois
diretores do Sindicato Nacional
dos Aeroportuários (Sina) foram
eleitos para compor a direção das
CUTs estaduais. E dois dirigentes
do Sindicato dos Aeroviários de
Porto Alegre integraram a nova
gestão da CUT/RS. Para saber
mais, acesse “www.cut.org.br”.
Em fevereiro deste ano,
foi instalada no Senado a
Subcomissão Temporária sobre
Aviação Civil (Cistac), ligada
à Comissão de Serviços de
Infraestrutura e com um prazo
de doze meses para apresentar
um relatório com sugestões de
políticas para o setor aéreo.
A subcomissão foi criada após
uma audiência que discutiu o
projeto de lei 434/11, que quer
aumentar a jornada de trabalho
dos aeronautas e é veementemente
criticado pelo Sindicato Nacional
dos Aeronautas (SNA).
A subcomissão está ouvindo
praticamente todos os segmentos
envolvidos na aviação civil. A
previsão é de que seu relatório
fique pionto em outubio.
Já participaram das audiências
representantes da Secretaria
de Aviação Civil (SAC), Agência
Nacional de Aviação Civil (Anac),
Departamento de Controle do
Espaço Aéreo (Decea), Empresa
Brasileira de Infraestrutura
Aeroportuária (Infraero), Centro
de Investigação e Prevenção de
Acidentes Aeronáuticos (Cenipa),
dos segmentos da aviação (táxi
aéreo, aviação comercial, indústria,
aviação regional, manutenção
aeronáutica), dos sindicatos
de trabalhadores aeronautas e
aeroviários. Também está prevista
a realização de audiências para
debater a concessão de aeroportos,
a formação de recursos humanos,
além de audiências regionais, em
Manaus, Belém, Recife, Goiânia,
São Paulo e Porto Alegre.
Representantes das entidades
cutistas participaram da reunião
realizada em 22 de maio e
denunciaram o descumprimento
da Política Nacional de Aviação
Civil (PNAC) e da legislação
trabalhista que rege o setor.
Na ocasião, o presidente do
SNA, Gelson Dagmar Fochesato,
denunciou que a Anac e a SAC
desconsideram a PNAC e que
o viés político adotado pela
direção da Agência, privilegiando
os interesses econômicos das
companhias aéreas, tem afetado
negativamente o setor. O RBAC 121
é um exemplo de norma alterada
pela Anac para atender um pedido
das empresas, que prejudicou
trabalhadores e passageiros, ao
reduzir de 4 para 3 o número
mínimo de comissários de voo nas
aeronaves com até 150 assentos.
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Subcomissão quer
fazer um Raio X
do setor aéreo
Presidente do Sindicato Nacional dos Aeroviários, Selma Balbino, e do Sindicato Nacional dos Aeronautas,
Gelson Fochesato, em audiência pública da Cistac, defendem no Senado a pauta dos trabalhadores
04 Conexão | Junho/2012
GIRO
Países unem-se para gerenciar
segurança operacional
A
utoridades da aviação civil reuniram-se num grupo de
colaboração internacional para o gerenciamento da segurança
operacional, o Safety Management International Collaboration
Group, ou SM ICG. A Anac integra o grupo, desde 2009, ao lado de países
como Estados Unidos (FAA), Canadá (TCCA), Nova Zelândia (CAA NZ),
Japão (JCAB) e Austrália (CASA), além da União Europeia (EASA), que
reúne representações da França, Suíça, Reino Unido e Holanda.
O objetivo da associação é promover o entendimento comum sobre
princípios e requisitos do gerenciamento da segurança das operações
da aviação civil. O grupo proporciona a troca de experiências entre
autoridades de aviação civil sobre o Programa de Segurança Operacional
de um Estado (SSP, ou PSO) e sobre o Sistema de Gerenciamento da
Segurança Operacional (SGSO), desenvolvido para operadores aéreos,
oficinas ue manutenção ue aeionaves, pioveuoies ue seiviços ue tiáfego
aéieo, opeiauoies ue aeiouiomos, escolas ue foimação ue piofissionais
da aviação e empresas responsáveis pelo projeto e produção de
aeronaves. A adoção de um SSP e de um SGSO é uma recomendação da
Organização de Aviação Civil Internacional (OACI). Mais informações
através do site “www.skybrary.aero”.
Percentual de atrasos
é impresso no bilhete
Desde 4 de junho,
todas as companhias
aéieas iegulaies ficaiam
obrigadas a divulgar, na
venda das passagens, o
percentual de atraso e
cancelamento de voos.
A determinação foi da
Anac (resolução 218/2012).
Os percentuais também estão
disponíveis no site da Agência.
As empresas que
descumprirem a norma, segundo
a Agência, poderão ser multadas
entre R$ 4 mil e R$ 10 mil. Outra
resolução da Anac (a 141), obriga
as companhias a oferecerem aos
passageiros comunicação (em
atrasos superiores a uma hora);
alimentação (duas horas); e
acomodação (quatro horas).
A Secretaria de Aviação
Civil (SAC) inaugurou, em
15 de maio, um Serviço
de Informação ao Cidadão
(SIC). A medida faz parte
da nova Lei de Acesso à
Informação Pública. Mais
informações no site:
“www.aviacaocivil.gov.br”.
Anac formaIiza privatizações e quer mais
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) assinou,
no último dia 14, os contratos de concessão dos
aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília.
Mas o governo quer mais e pretende leiloar o
aeiopoito ue Confins (Nu) e o ualeão (Rio).
O ministro-chefe da Secretaria de Aviação Civil
(SAC), Wagner Bittencourt, defende a parceria público-
privada (PPP) nos aeroportos para ampliar a cobertura
da aviação brasileira que, atualmente, chega a 79%
da população. Segundo o ministro, a meta é que, até o
final ue 2u14, este inuice chegue a 94%.
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Bittencourt e os representantes das empresas concessionárias
durante assinatura dos contratos na sede da Anac, em Brasília
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Junho/2012 | Conexão 05
SINDICAL
Plebiscito Nacional sobre o
Fim do Imposto Sindical
Foi encerrada em 15 de junho a consulta da CUT lançada em março
para saber a opinião do trabalhador sobre o imposto sindical.
O Plebiscito Nacional sobre o Fim do Imposto Sindical faz parte
da Campanha Nacional por Liberdade e Autonomia Sindical, uma
bandeira histórica da Central. Das cinco centrais sindicais brasileiras
reconhecidas pelo Ministério do Trabalho, a CUT é a única que defende o
fim uo imposto.
Em substituição ao imposto sindical, que é compulsório, a
C0T uefenue a contiibuição ua negociação coletiva, uefiniua
democraticamente em assembleia de trabalhadores, onde eles podem
decidir quanto pagar e para qual sindicato. Agora, é aguardar a
contagem dos votos.
Aeroviários promovem
fórum de luta sindical
O Sindicato dos
Aeroviários de Porto
Alegre promoveu, em
14 de junho, um fórum
para debater o acirramento da
proibição do direito de greve
e da política antissindical das
empresas, que vem culminando
com a demissão de muitos
dirigentes sindicais, como
metalúrgicos de Canoas e Gravataí,
e aeroviários da TAM e da TAP
M&E.
Na atividade, foram debatidas
estratégias em defesa da liberdade
sindical e a importância de se
criar um fórum de discussão com
encontros mensais, reunindo
as centrais sindicais, para
construir um
documento
a ser
encaminhado
à Organização
Internacional
do Trabalho
(OIT).
O evento
reuniu sindicalistas de doze
entidades, que decidiram criar
uma agenda de reuniões para
mapeai os piincipais conflitos
existentes no movimento, como
a estabilidade de representantes
sindicais, a autonomia das
entidades e o direito a greve.
Assim como criar novos
instrumentos para atuar junto ao
governo, para evitar o massacre
aos trabalhadores. Somente em
2012, cerca de 150 sindicalistas
foram demitidos no país. “As
categorias estão sendo impedidas
de realizar greve no Brasil ou
defender os direitos trabalhistas”,
afiimaiam os uiietoies sinuicais.
Os sindicatos vêm lutando pela
reintegração dos demitidos.
Diretora do Sindigru integra
Conselho de Assistência Social
A diretora do Sindigru Débora
Cavalcanti foi eleita para o
Conselho Municipal de Assistência
Social (CMAS) de Guarulhos.
O Conselho foi criado em 1997
e é um órgão coligado ao sistema
de Assistência Social do Município.
Ele tem como objetivo estabelecer
diretrizes para a elaboração do
plano municipal de Assistência
Social e fiscalizai as execuções
orçamentárias do fundo.
O Sindigru apoia e incentiva
ações voltadas para a inclusão e o
amparo social, pois acredita que é
possível construir uma sociedade
mais justa e igualitária.
débora, ao lado do secretário municipal de
Assistência Social de Guarulhos, ulisses
Correia, e da ex-conselheira Luiza helena Castro
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06 Conexão | Junho/2012
CAPA
Sindicalistas unem-se para combater
política antissindical da LATAM
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irigentes sindicais
cutistas do setor aéreo
participaram, nos dias
29 e 30 de maio, do 4º encontro
do Projeto Latam, que reúne
sindicalistas da TAM e da LAN
na América Latina. O encontro
foi realizado em Lima, no
Perú, sob coordenação da ITF
(Federação Internacional dos
Trabalhadores em Transportes),
para compartilhar experiências
de organização e negociação em
defesa dos trabalhadores e discutir
as vulnerabilidades diante da
fusão e as medidas positivas e
negativas deste
processo.
O projeto
Latam constitui
uma resistência
organizada
dos sindicatos
para enfrentar
as práticas
antissindicais
da LAN (Chile,
Colômbia,
Argentina, Perú
e Equador) e
da TAM (Brasil
e Paraguai),
reunindo 17
entidades sindicais, para defender
os direitos dos trabalhadores e
os postos de trabalho em meio à
fusão das duas companhias.
Os sindicatos cutistas integram
o projeto desde o anúncio da
fusão, no ano passado.
“A LAN tem uma prática
de destruir a organização dos
trabalhadores por onde passa
e precisamos evitar que isso
se espalhe na TAM”, ressaltou
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o secretário-geral do Sindicato
Nacional dos Aeronautas, Sérgio
Dias. Um dirigente
sindical em Porto
Alegre (RS-Brasil)
e uma na Argentina
foram demitidos por
sua atuação em defesa
dos trabalhadores.
Ambos os casos,
assim como várias
reivindicações, constam
num documento
que será entregue
às companhias, na
oficialização ua fusão,
prevista para junho.
Os sindicatos do Projeto
Latam encaminharam
documento rechaçando o
comercial produzido pela Lan
Colômbia com comissárias em
situações repletas de clichês
machistas, desconsiderando
a importância da função
para a segurança do voo. Os
sindicalistas questionaram
a cena em que bailarinas são
contratadas como comissárias,
apontando os reflexos
negativos da propaganda.
Discriminação sexista
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Junho/2012 | Conexão 07
Compra da Trip pela Azul
preocupa trabalhadores
Fusões alteram cenário da aviação no Brasil
A TAM comprou a Pantanal
e está prestes a fundir-se com
a LAN. A Gol comprou a Varig e
aguarda a aprovação da fusão
com a Webjet. A Azul adquiriu
a Trip e também aguarda a
aprovação da fusão pela Anac e
CADE. A junção de companhias
aéreas se dá para aumentar o
volume de voos, essencial para
a manutenção das empresas
num mercado competitivo
com custos elevados e grandes
investimentos de médio e longo
prazo. Há preocupação, no
entanto, não só com o aumento
das passagens (que prejudicam
o consumidor), como com a
redução de postos de trabalho,
devido a sinergia que levará a
diminuição de voos realizados
por cada companhia antes da
fusão ou aquisição.
Em março de 2007, a Gol
comprou por US$ 275 milhões o
que restou da Varig. Em dezembro
de 2009, a TAM comprou a
Pantanal por R$ 13 milhões. Em
agosto de 2010, a companhia
anunciou a fusão com a LAN. A
nova empresa será a maior da
América Latina e a 10ª maior
em número de passageiros no
mundo. Segundo a Bloomberg, a
compra da TAM pela LAN envolveu
uma transação de 3,7 bilhões de
dólares.
Em julho de 2011, a Gol
comprou a Webjet por R$ 285
milhões. Em dezembro de 2011,
a Delta anunciou a compra de
ações da Gol, no valor de US$ 100
milhões, tornando-se acionista
minoritária da aérea, com 3% de
participação. Cinco meses depois,
a uol fiimou acoiuo ue longo piazo
com a Passaredo.
Em 28 de maio de 2012, Azul
e Trip anunciaram a fusão. Fica
mantido, por enquanto, o acordo
de compartilhamento iniciado em
2004 entre Trip e TAM (que tentou
comprar a menor no ano passado).
No exterior, empresas grandes
também fundiram-se:
Iberia e Aerolíneas Argentinas (1990);
Canadian e Air Canadá (1992);
Aerocontinente e Faucett (1996);
American e TWA, JAL e JAS (2001);
Air France e KLM (2004);
Lufthansa e Swiss (2005);
US Airways e American West (2005);
Air Berlin e DBA (2006);
P6A e TAP, Kinqjisber e Air Beccon
(2007); Delta e Northwest (2008);
Lufthansa e BMI, Lufthansa e AUA,
Aerogal e Avianca, China Eastern e
Xangai Airlines (2009); Iberia e British
Airways, e United e Continental (2010).
A fusão da Azul com a Trip foi
recebida com preocupação pelos
sindicatos cutistas do setor aéreo.
As companhias poderiam continuar
crescendo de forma independente,
na opinião dos sindicalistas. A fusão,
no entanto, irá gerar uma redução
na concorrência, acentuando a
concentração de mercado no setor.
Com isso, saem perdendo tanto os passageiros (uma vez que a
concorrência reduz o preço das passagens aéreas e a melhora os
serviços), quanto os trabalhadores, já que normalmente essas aquisições
geram a redução de postos de trabalho nas empresas.
Juntas, as companhias devem somar cerca de 15% do mercado de
aviação do país. As empresas vão operar separadamente até que a fusão
seja aprovada pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e pelo CADE
(Conselho Administrativo de Defesa Econômica). Os sindicatos estão
acompanhanuo ue peito esse piocesso e fiscalizanuo o cumpiimento
uas leis tiabalhistas e ua iegulamentação piofissional.
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RAnkIng dAS eMPReSAS
AéReAS bRASILeIRAS
Abril - 2012
MeRCAdO dOMéStICO
TAN · S9,89%
u0L¡vRu · S4,81%
AZ0L · 9,94%
WEB}ET · S,S1%
AvIANCA · 4,98%
TRIP · 4,29%
MeRCAdO InteRnACIOnAL
TAN · 9u,27%
u0L¡vRu · 9,7S%
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Fonte: Anac
08 Conexão | Junho/2012 Junho/2012 | Conexão 09
ANAC
Entidades reúnem-se com Anac e obtém
respostas positivas para APACs e pilotos
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o dia 14 de junho,
dirigentes sindicais
cutistas reuniram-se
com o diretor presidente da Anac,
Marcelo Guaranys, em Brasília, e
assessores técnicos da Agência,
através de videoconferência com o
Rio. O objetivo foi debater diversas
reivindicações de aeronautas e
aeroviários envolvendo agentes
de proteção, mecânicos de
manutenção, despachantes
técnicos (DTs), despachantes
operacionais (DOvs), pilotos e
comissários.
Em relação aos Agentes
de Proteção (APACs), houve
avanços. A Agência disse estar
estudando ampliar de um para
dois anos o tempo de avaliação
dos trabalhadores, e que está
em fase final ue fiscalização uos
21 centros de treinamento de
APACs existentes no país, tendo
encontiauo em muitos ueficiências
que influenciaiam na iepiovação
dos agentes.
Também está sendo estudada
uma mudança na forma de
avaliação, a fim ue levai em conta
o histórico do trabalhador nas
provas de reciclagem.
O Sindicato Nacional dos
Aeroviários encaminhou várias
denúncias à Anac, que levaram
a essa fiscalização. A Agência
reconheceu a importância dos
argumentos da entidade e disse
que está tentando aprimorar esse
processo.
Para a presidente do Sindicato,
Selma Balbino, a reunião foi
bastante positiva em relação aos
APACs.
Sobie a ietenção ue ceitificauos
por algumas empresas, a Agência
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informou que os documentos
estão disponíveis no site e podem
ser impressos pelos trabalhadores.
Na reunião, também foi
denunciado à Anac o aumento das
demissões de dirigentes sindicais
(com estabilidade garantida na
CCT), como retaliação à defesa
dos direitos dos trabalhadores,
geianuo conflito entie empiesas
aéreas e sindicatos.
Sobre a mudança nos critérios
para a contagem de tempo de
experiência para a obtenção
das carteiras de mecânicos de
aeronaves, a Anac disse que está
desenvolvendo um estudo e que
irá chamar a Fentac/CUT para dar
continuidade a essa discussão,
com a participação do setor de
aeronavegabilidade.
O presidente da Federação,
Celso Klafke, uisse que é
fundamental que a Anac abra esse
debate para que os sindicatos de
aeroviários participem do estudo
e não haja prejuízo para quem
está obtendo agora a carteira de
mecânico, nem precarização na
foimação ue novos piofissionais.
Sindicatos alertam para riscos com a
redução de despachantes na Gol
O diretor do Sindicato dos
Aeroviários de Guarulhos
(Sindigru) Rodrigo Maciel
protocolou três relatórios
técnicos de ocorrências de
risco na Gol (VRG) em função
do balanceamento remoto de
aeronaves.
O Sindigru e a Fentac/CUT
ressaltaram à Agência que não
estão discutindo a criação da
central de balanceamento em
São Paulo (que levou à demissão
centenas de aeroviários), já que a
Anac não aceita discutir questões
trabalhistas, mas a forma como
o procedimento passou a ser
realizado, gerando graves riscos à
segurança operacional.
Os dirigentes sindicais
alertaram que é uma prática
das companhias deixar a cargo
dos Despachantes Técnicos
(DTs) o planejamento e a feitura
das guias de carregamento das
aeronaves, mas a Agência não
regula esses trabalhadores,
apenas os Despachantes
Operacionais de Voo (DOVs).
Os DOVs, em geral, delegam
aos DTs o acompanhamento do
carregamento e balanceamento.
No caso da Gol, no entanto, a partir
da centralização das operações,
foi reduzido o número de DTs, e
os DOVs foram impedidos de dar
suporte aos técnicos e obrigados
a atender exclusivamente os
comandantes de voo, gerando uma
grande insegurança nas operações.
Mesmo que a companhia
tenha mantido os DOVs nas
principais bases, o planejamento,
balanceamento, carregamento e
fechamento das aeronaves têm
se dado de forma precária. Além
disso, há DTs de nível 1 fazendo
esse serviço.
Em outras empresas, o suporte
entre DOVs e DTs está mantido,
mesmo nos casos em que as
operações foram centralizadas em
uma base. As entidades sindicais
peuiiam imeuiata fiscalização ua
Anac e a reversão desse processo
de balanceamento à distância.
A companhia reduziu de cerca
de 550 para 80 o número de
DTs. Se antes cada DT fechava
ue S a 6 voos poi tuino, com a
redução, eles passaram a cuidar
de 18 a 20 voos por turno. A
Anac demonstrou desconhecer a
situação.
Prazo para prova de proñciência é prorrogado
O SNA levou à Anac a
reivindicação dos pilotos para a
valiuação ua piova ue pioficiência
de Inglês realizada em escolas no
exterior. A Agência foi signatária de
uma recomendação da ICAO sobre
pioficiência técnica linguistica
para pilotos e controladores de
voo, que estabeleceu média 4, no
mínimo, para quem atua em rotas
internacionais.
A Anac tem escolas e instrutores
credenciados no Brasil para prestar
esse exame, e convalida a prova
realizada em diversas escolas
estrangeiras. Muitos pilotos, no
entanto, reclamam que o critério
aplicado no Brasil é extremamente
rígido, extrapolando as necessidades
operacionais. Vários tentaram
realizar o teste no país sem sucesso
mas passaram na prova feita em
escolas estrangeiras, como a de
Madri.
A Anac considerou alto o número
ue pilotos biasileiios que fizeiam
a prova em Madri, encaminhou
especialistas para vistoriar a escola
e decidiu descredenciá-la, exigindo
dos pilotos que já tinham obtido a
carteira a repetição do curso em até
6u uias.
Na reunião, o Sindicato defendeu
a importância da manutenção do
princípio de reciprocidade (que
permite que pilotos estrangeiros
sobrevoem e pousem no país) e
questionou a falta de apoio das
empresas para os aeronautas
aperfeiçoarem o idioma. A entidade
também alertou os riscos jurídicos
do cancelamento das carteiras já
autorizadas.
O diálogo da Agência com o SNA
evoluiu de forma positiva. No dia
seguinte, a Anac decidiu prorrogar
ue 6u paia 18u uias o piazo paia
os pilotos que realizaram a prova
ue pioficiência ue Inglês em
Madri refazerem o teste no Brasil,
atendendo parcialmente ao pedido
do SNA.
O Sindicato solicitou a
manutenção das carteiras dos
pilotos sem a repetição do curso,
mas a Anac não aceitou essa
possibilidade. A Agência, no entanto,
disse que irá analisar todas as
argumentações da entidade e
continuar debatendo o tema.
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demissões, transferências sem critérios,
fechamento de setores, dobra de jornada e
banco de horas fazem parte dos problemas
enfrentados pelos trabalhadores da Gol (VRG)
Dirigentes sindicais de aeroviários e aeronautas apresentam reivindicações e denúncias à Anac
10 Conexão | Junho/2012
RBAC 121
Aeronautas protestam contra
redução de comissários
O
Sindicato Nacional
dos Aeronautas (SNA)
participou de reunião,
em 31 de maio, com a Secretaria
de Aviação Civil (SAC) e a Agência
Nacional de Aviação Civil (Anac),
para discutir os prejuízos aos
aeronautas e passageiros causados
com a mudança no RBAC 121. Na
reunião, o Sindicato solicitou a
imediata suspensão da alteração
promovida pela Anac na norma.
O RBAC 121 foi reeditado,
em 17 de março de 2010, para
permitir a redução do número
mínimo de comissários de voo (de
4 para 3) nas aeronaves com até
150 assentos, em atendimento a
peuiuo ua Embiaei, paia beneficiai
as companhias aéreas.
O SNA vem lutando contra a
medida desde que a Anac decidiu
realizar consulta pública sobre o
assunto, aplicando a mudança logo
em seguida, independentemente
das críticas à proposta.
A mudança da norma está
colocando em risco a segurança
de voo. A redução do número
de comissários a bordo deixa
descoberta uma das portas da
aeronave e apenas um comissário
para atender passageiros e pilotos,
em caso de emergência, na parte
da frente do avião.
As companhias Azul, Webjet
e Gol estão atuando com um
comissário a menos, e a TAM já
obteve autorização para reduzir
sua tripulação.
Outras duas reuniões foram
realizadas com a Anac para
uiscutii o assunto, em 6 e 14 ue
junho, mas a Agência mostrou-se
irredutível.
Centenas de comissários de voo
da Gol (VRG) foram demitidos em
razão da mudança. No dia 1º de
junho, cerca de 300 aeronautas
participaram da assembleia
geral convocada pelo Sindicato,
na subsede da entidade, em São
Paulo, para debater a situação e
construir um movimento nacional
para denunciar os prejuízos
causados pela nova norma.
Fotos: Henrique Lessa/Pauta Nova
Junho/2012 | Conexão 11
lFl 7.18S, BF 0S BF ABRll BF 1984 · Regulamentação
Art. 14 - O órgão competente do Ministério da Aeronáutica,
considerando o interesse da segurança de vôo, as características
da rota e do vôo, e a programação a ser cumprida, poderá
Jeterminor o composiçõo Jo tripuloçõo ou os moJijicoções que se
tornarem necessárias.
Os trabalhadores, junto com
a direção do Sindicato, saíram
em caminhada para protestar
em frente ao prédio da Anac.
A passeata levou à interdição
parcial da Av. Washington Luiz,
interrompendo o trânsito por
alguns minutos. No aeroporto
de Congonhas, os aeronautas
uistiibuiiam panfletos aos
passageiros informando sobre
a norma e suas implicações na
segurança de voo.
No dia 11, houve novo
protesto, inspirado no movimento
Occupy Wall Street, também em
Congonhas.
O Sindicato alerta para os riscos
que tripulantes e passageiros
correm com a redução, em caso de
uma emergência na aeronave.
Ao fazer a mudança, a Anac
levou em consideração a legislação
estrangeira, mas desconsiderou
as características do Brasil
e contrariou o artigo 14 da
Regulamentação Piofissional.
Em reunião com a Anac, em
14 de junho, o presidente do
SNA, Gelson Fochesato, pediu
novamente a revogação do RBAC
121. O dirigente também ressaltou
a importância dos comissários
na segurança de voo, dando
como exemplo os dois recentes
incidentes nos voos da TAM, em
que ocorreram princípios de
incêndio. Em ambos os casos,
os comissários perceberam a
existência de fumaça ou cheiro
de cigarro e informaram o
comandante, que realizou o pouso
antecipado para avariguação da
aeronave. Em um deles, houve
piisão em flagiante uo passageiio
suspeito.
Os sindicalistas também
questionaram as centenas de
demissões de comissários na Gol
em função da aplicação da norma
e alertaram que várias empresas
estão demitindo funcionários
para cortar custos sem levar em
consideração a segurança de voo.
O SNA seguirá insistindo
com a Agência a importância da
revogação da medida.
Além disso, as entidades
cutistas irão propor ao governo
que crie uma política de incentivos
às companhias aéreas, exigindo
como contrapartida a manutenção
dos postos de trabalho, semelhante
ao que ocorreu com a indústria de
automóveis e eletrodomésticos.
Diante da falta de avanços na
discussão entre trabalhadores,
Anac e SAC, os aeronautas devem
continuar os protestos nos
aeroportos para conscientizar a
população e as autoridades sobre
os riscos do RBAC 121.
Veja no site da Fentac/CUT as notícias sobre o
mundo do trabalho na aviação
www.fentac.org.br
12 Conexão | Junho/2012
LUTAS
Pilotos apoiam
colega na
Aeroméxico
Cinco voos da Aeroméxico
foram cancelados, em maio,
porque os pilotos prestaram
solidariedade a um colega
demitido por expressar suas
posições políticas a bordo.
A demissão do piloto
aconteceu após ele
cumprimentar, pelo rádio da
aeronave, um candidato à
presidência do México presente
no voo. A demissão gerou
indignação dos trabalhadores.
Após negociações, o
comandante foi reintegrado.
Sindicatos seguem na luta
pelos participantes do Aerus
A solução para os aposentados
e pensionistas do Aerus era
esperada para abril e já estamos
em junho sem nenhuma novidade
por parte do governo.
No último dia 12, os senadores
Paulo Paim (PT-RS) e Ana Amélia
Lemos (PP-RS), e a secretária
de Assuntos Previdenciários do
Sindicato Nacional dos Aeronautas
(SNA) e diretora da Fentac/CUT,
Graziella Baggio, reuniram-se com
o advogado-geral da União (AGU),
Luís Inácio Adams, para tratar do
caso.
A reunião foi mais uma
iniciativa em busca de um
entendimento com o governo.
Estão sendo agendadas audiências
com o ministro-chefe da
Secretaria-Geral da Presidência
da República, Gilberto Carvalho, e
com a ministra Carmen Lúcia, do
STF, a fim ue vencei os uesafios
técnicos e jurídicos e avançar em
busca de uma solução.
Em 22 de maio, dirigentes
sindicais dos aeronautas e
aeroviários participaram de
audiência pública na Subcomissão
Permanente em Defesa do
Emprego e da Previdência Social
(Casemp) do Senado, para tratar
do tema, ao lado de representante
da Previc e da AGU.
A Previc informou que está
preparada para realizar os
pagamentos, havendo essa decisão
por parte da União.
Dentro do governo, as
negociações têm sido realizadas
pela AGU, Ministério da
Previdência e da Fazenda.
Os sindicatos cutistas
seguem buscando de todas as
formas garantir os direitos dos
trabalhadores e torcem agora pela
vontade política do governo para
que a solução seja concretizada.
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Violência contra a
mulher é tema de
comissão no Senado
A violência contra a
mulher no brasil está
sendo investigada por
uma Comissão do Senado.
A comissão está
promovendo audiências
públicas em todo o país para
discutir a aplicabilidade
da Lei Maria da Penha. no
dia 4 de junho, a audiência
foi realizada na Câmara
Municipal de guarulhos e
contou com a participação da
diretora do Sindigru, débora
Cavalcanti.
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Aposentados esperam há 6 anos uma solução
Junho/2012 | Conexão 13
Aeroviários de Pernambuco
comemoram 50 anos
O Sindicato dos Aeroviários de Pernambuco (Sindaero)
comemorou 50 anos de fundação. Para promover o jubileu,
a entidade realizou um campeonato de futebol mini campo,
em 19 de maio, com a participação de aeroviários na ativa e
aposentados, e também de aeroportuários. A equipe dos funcionários
da RM Serviços Auxiliares foi a campeã. O Sindaero está realizando
uma grande reforma na sede, com conclusão prevista para julho, para
fortalecer a entidade e marcar a data.
RM fora da lei
Desde que a RM começou a
operar em Salvador, a direção do
Sindicato Nacional dos Aeroviários
vem buscando garantir o respeito
aos direitos dos trabalhadores.
A empresa vem crescendo
e aumentando o número de
contratos, mas a insatisfação dos
funcionários também é crescente.
Entre as irregularidades estão
o descumprimento das cláusulas
referentes a domingos, feriados
e folgas. A empresa também
pratica banco de horas e não
fornece equipamentos de proteção
individual (EPIs) e vale-transporte,
além de estar em dívida com o
FGTS. Várias reuniões com o setor
de Recursos Humanos e a gerência
local já foram realizadas para
tratar das irregularidades, e uma
nova reunião está agendada para o
dia 25 de junho, às 14 horas.
BHZ deve
diferença no
reajuste aplicado
sobre os salários
O Sindicato Nacional dos
Aeroviários vem tentando
negociar com a direção da BHZ
o pagamento da diferença do
reajuste que a empresa aplicou
sobre o salário dos funcionários. A
BHZ estava, de forma equivocada,
utilizando o índice devido
aos comerciários, ao invés de
aplicar o reajuste conquistado
na Convenção Coletiva dos
aeroviários, que atuam na venda
de passagem para a América
Airlines fora do aeroporto. A
empresa também deve diferença
sobre o valor do vale-refeição e
vale-alimentação, que foi pago em
desacordo com a CCT.
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Aeroviários e aeroportuários
realizam protesto em Porto Seguro
Os aeroviários e aeroportuários, com o apoio da
Fentac/CUT, realizam um grande ato, no dia 21 de
junho, no Aeroporto Internacional de Porto Seguro
(BA), em defesa de melhores condições de trabalho.
O objetivo é convocar os trabalhadores da Sinart
e da Bahia Airport Service para audiência pública que será realizada no
Ministério Público do Trabalho, para garantir o reconhecimento legal
do Sindicato Nacional dos Aeroviários (SNA) e do Sindicato Nacional
dos Aeroportuários como representantes dos trabalhadores nas duas
empresas.
O movimento também é uma resposta à criação de um sindicato
pelego, que tenta roubar a base de ambas categorias para burlar os
direitos dos trabalhadores. Entre as irregularidades, há casos de jornada
de até 12 horas diárias em trabalhadores com regime de trabalho por
hora. A Justiça determinou audiência pública para que os trabalhadores
compareçam e determinem qual sindicato os representa.
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14 Conexão | Junho/2012
LUTAS
Aeronautas defendem manutenção
dos postos de trabalho na Gol
A
direção do Sindicato
Nacional dos Aeronautas
(SNA) defendeu a
manutenção dos postos de
trabalho na Gol (VRG) e nas
demais companhias aéreas em
audiência, realizada em 13 de
junho, no Ministério Público do
Trabalho de São Paulo (MPT-SP).
Nos últimos meses, a Gol
demitiu mais de mil trabalhadores,
entre aeronautas e aeroviários,
como forma de contenção de
despesas. Outras companhias
também estão ampliando suas
demissões para cortar custos.
Para o SNA e os sindicatos
de aeroviários, os cortes
são prejudiciais à segurança
operacional, pois aumentam a
fadiga, geram excesso de jornada
de trabalho e causam prejuízo aos
usuários.
Uma norma da Anac que
autorizou a redução do número
de comissários a bordo também
contribuiu para o aumento das
demissões nas aéreas. O SNA
busca evitar a todo custo novas
dispensas e acredita ser possível
construir um alternativa que
recupere os postos de trabalho
perdidos nos últimos meses,
revertendo as demissões já
efetivadas.
Como na audiência não se
chegou a um entendimento, o
MPT-SP encerrou a mediação. O
órgão, no entanto, deu prazo até
o dia 25 de junho para que os
institutos de previdência Aerus e
Aeros, a Secretaria da Fazenda de
São Paulo e a Aeronáutica enviem
a listagem dos trabalhadores que
recebem complementação ou
suplementação de aposentadoria,
ou que estão na reserva
remunerada da Aeronáutica, para
que possa ser analisada a situação
uesses piofissionais.
O SNA sugeriu à Gol,
conforme proposta aprovada
em assembleia realizada em 11
de junho, a redução da jornada
poi um piazo ue até 6u uias,
para estancar as demissões. A
expectativa, com a medida, seria
ieuuzii significativamente a folha
de pagamento da companhia
aérea, mantendo os empregos,
enquanto outras ações possam
ser encaminhadas, objetivando a
sustentabilidade do setor aéreo.
O SNA irá propor ao governo
federal que seja elaborado um
programa de apoio ao setor, para
preservar empregos, como ocorreu
com a indústria de automóveis e
eletrodomésticos linha branca,
beneficianuo a manutenção e a
qualidade dos empregos.
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Pedágio prejudica
trabalhadores de
Viracopos
O Sindicato dos Aeroviários
de Campinas e Região (Sintraero)
está denunciando os prejuízos
causados aos trabalhadores com a
implantação do pedágio eletrônico
nas imediações do Aeroporto de
Viracopos.
O governo de São Paulo
descumpriu uma promessa feita
durante a campanha eleitoral,
na qual disse que iria revisar os
contratos com as concessionárias,
para reduzir os valores cobrados.
Ao invés disso, ele criou um novo
sistema “ponto a ponto”, que levará
a mais praças de pedágios.
A rodovia Santos Dumont
servirá como teste, prejudicando
trabalhadores, usuários do
aeroporto e moradores. A
estimativa é de que, para chegar ao
aeroporto, será necessário gastar
R$ 4,40 por dia.
O Sintraero é contrário ao
projeto e está mobilizando a
população para revertê-lo.
Para participar do movimento,
basta acessar o abaixo-assinado
criado pelo Sindicato, no link:
www.peticaopublica.com.
br/?pi=P2012N25055.
Dirigente reintegrado
O delegado sindical
André Pinho, da base
do Sindicato nacional
dos Aeroviários
em Salvador, foi
reintegrado três meses após
ser demitido na Impacto.
O Sindicato entrou com
ação judicial e conseguiu
um acordo que reverteu a
demissão.
Junho/2012 | Conexão 15
Aeroportuários estão em campanha
salarial para renovar ACT com a Infraero
A primeira rodada de
negociação do Acordo Coletivo de
Trabalho entre aeroportuários e
Infraero foi realizada nos dias 23 e
24 de maio, na sede da estatal, em
Brasília.
Em junho, a Infraero
apresentou uma contraproposta
ao Sindicato Nacional dos
Aeroportuários (Sina). Uma nova
rodada foi realizada nos dias 14
e 15, no Aeroporto de Salvador.
A Infraero ofereceu a reposição
ua inflação meuiua pelo IPCA, na
ordem de 5,1%, e houve avanço
em relação às demais cláusulas
do acordo. O Sina ponderou o
ciescimento ua estatal em 16%
nos últimos 3 anos, para ampliar
o índice proposto. A Infraero, no
entanto, diz que perdeu receitas
com a privatização dos aeroportos
de Cumbica, Brasília e Viracopos.
O Sindicato acredita que a
negociação ainda pode avançar.
Uma nova rodada está agendada
paia os uias 2S e 26 ue junho.
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Trabalhadores vão às urnas
e aprovam direção
A chapa única “União, Coragem
e Responsabilidade”, encabeçada
pelo companheiro Francisco
Lemos e com 170 integrantes, foi
eleita com 89,72% dos votos.
A reeleição dos dirigentes que
vêm atuando à frente do Sina se
deu com amplo apoio da base, o
Novo aeroporto
A Infraero anunciou, em 6
de junho, em Florianópolis,
o início da construção do
novo aeroporto da capital
catarinense. A previsão é
de que a obra custe R$ 117
milhões e a primeira etapa
seja concluída até 2014.
O novo complexo será
construído ao lado da pista
do aeroporto Internacional
Hercílio Luz. A capacidade
de passageiros irá dobrar e
poderá chegar a 6,7 milhões
por ano.
Sina faz primeiro contato
com concessionárias
Nos dias 4 e 5 de junho,
a direção do Sina realizou
a primeira reunião com
os representantes das
concessionárias dos aeroportos
leiloados pela Anac. Os encontros
aconteceram durante as
reuniões da Comissão Paritária
de Transição da gestão dos
aeroportos.
0s sinuicalistas ieafiimaiam
sua visão contrária à privatização
dos aeroportos e salientaram que,
apesar das concessões, seguirão
na luta em defesa dos direitos da
categoria. Os representantes das
concessionárias comprometeram-
se a trabalhar com o Sindicato,
ressaltando que não poderão
abrir mão dos aeroportuários.
que significa gianue apiovação às
ações da direção da entidade.
As eleições ocorreram de 29 de
maio a 1º de junho.
Dos 3270 votantes, 2934
votaram na chapa 1, 184 votaram
nulo (S,64%) e 1S2 votaiam em
bianco (4,64%).
16 Conexão | Junho/2012
MERCADO
Aviação gera quatro miIhões de
empregos na América Latina
Segundo relatório divulgado
em março pela Conferência de
Aviação e Meio Ambiente (Aviation
and Environment Summit), em
Genebra, a aviação mantém mais
de quatro milhões de postos de
trabalho e gera mais de US$ 107
bilhões em Produto Interno Bruto
(PIB) na América Latina e no
Caribe.
O relatório, intitulado “Aviation:
benefits beyonu boiueis" (Aviação:
beneficios além uas fionteiias), foi
produzido pelo Grupo de Ação do
Transporte Aéreo (Air Transport
Action Group - ATAG) e pela
Oxford Economics. Segundo ele, o
setor aéreo desempenha um papel
mais relevante na América Latina,
Caribe e economia global do que o
esperado.
“Somente na América Latina
e no Caribe, a aviação gera mais
ue 46S mil empiegos uiietos",
afiimou Paul Steele, uiietoi
executivo da ATAG, associação
global que representa o
transporte aéreo. “Se incluirmos
os empregos indiretos em
empresas fornecedoras para o
setor, os empregos originados
pelos gastos de colaboradores do
setor da aviação e os trabalhos
gerados no setor de turismo
possibilitados pelo transporte
aéreo, chegaríamos a uma cifra
ue 4,6 milhões ue postos ue
trabalho”, completou. Se levados
em consiueiação os beneficios
obtidos com as viagens aéreas e o
transporte de cargas, o impacto é
ainda maior.
Número de passageiros
deve triplicar até 2030
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As previsões para a América
Latina e Caribe indicam que o
número de passageiros deverá
quase triplicar, passando de
145,9 milhões em 2010 para
438,9 milhões em 2030. Nesse
período, está previsto um aumento
no volume de carga na ordem
ue 6,1% ao ano. 0 ielatoiio
está disponível no site “www.
aviationbenefitsbeyonuboiueis.
org” e também destaca o papel
desempenhado pela aviação
em nivel global, mantenuo S6,6
milhões de postos de trabalho no
mundo todo e gerando US$ 22,2
trilhões ao PIB mundial.
Há aproximadamente 1,5 mil
companhias aéreas comerciais
utilizando praticamente 24
mil aviões para atender 3,8 mil
aeroportos globalmente.
O Brasil possui um potencial
significativo ainua não exploiauo.
O número médio de viagens aéreas
de cidadãos norte-americanos
é de 1,8 por ano, enquanto a
média brasileira é de 0,3 voos
anuais. Com uma população de
mais de 190 milhões de pessoas,
conforme a economia brasileira
vai se fortalecendo, existe um
grande espaço para que o setor de
aviação cresça e o efeito-dominó
na economia também beneficie
outras áreas, como o turismo e o
comércio. (Fonte: Atag.org)
Junho/2012 | Conexão 17
Aéreas seguem crescendo
A participação das companhias de menor porte no mercado
doméstico brasileiro teve um aumento de 33% em abril, passando de
19% para 25,3%. Avianca e Trip registraram o maior crescimento: a
paiticipação ua piimeiia aumentou ue 2,6% paia S%; e a ua segunua, ue
2,7% para 4,3%.
TAM e Gol seguem na liderança com participação de 39,9% e 34,8%,
respectivamente. Ambas, no entanto, tiveram perda de participação.
A TAM caiu 7,1% e a Gol 9,5% na comparação com abril de 2011. A
demanda doméstica (RPK)
aumentou 5,3%, e a oferta
(ASK**) 7,3%.
No transporte aéreo
internacional, a demanda
caiu 1,5% e a oferta 1,7%,
mas no acumulado do
primeiro quadrimestre de
2012, houve crescimento
da demanda internacional
em 1,8%, enquanto a oferta
diminuiu 2,2%.
Passageiro
preconceituoso
é expuIso de avião
No dia 18 de maio, um
passageiro da Trip foi retirado
do avião por causar tumulto,
após saber que a piloto que
iria comandar o voo, Betânia
Porto Pinto (foto), era uma
mulher. O caso ganhou grande
repercussão na mídia.
A atitude preconceituosa é
tida como um fato isolado na
aviação, pois a participação
das mulheres tem crescido
bastante
no setor
ao longo
dos
últimos
anos, em
várias
funções.
O presidente do Sindicato
Nacional dos Aeronautas,
Gelson Fochesato, lamentou
o ocorrido. “Repudiamos essa
postura e incentivamos que as
mulheres venham a somar na
aviação biasileiia", afiimou.
As companhias aéreas,
todavia, precisam evoluir muito
para garantir às trabalhadoras
uma igualdade plena de
conuições. Nuitas piofissionais
ainua enfientam uificuluaues
para continuar na carreira
quando tornam-se mães e
as mulheres são as maiores
vítimas do assédio no trabalho.
As entidades sindicais, como
a Federação Internacional dos
Trabalhadores em Transportes
(ITF), realizam campanhas de
conscientização para enfrentar
a discriminação e garantir
às mulheres igualdade de
condições.
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Asa rotativa dá passos largos
Há um boom do mercado de asas rotativas no Brasil, que já conta
com mais de 3 mil pilotos espalhados pelo país e mais de 1,5 mil
helicópteros. Renovação de frota, mais tecnologia e redução do valor dos
equipamentos têm melhorado as condições do setor, apesar de ainda
serem necessários muitos investimentos em infraestrutura. O grande
uesafio é baiiai a pioposta que tiamita na Câmaia uos Beputauos com a
intenção de permitir a contratação de pilotos estrangeiros, uma vez que
o meicauo biasileiio tem pessoal qualificauo paia atenuei à uemanua
no segmento. (Fonte: Avião Revue)
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18 Conexão | Junho/2012
GIRO
Guy Ryder é o
novo presidente
da OIT
A eleição do
britânico Guy
Ryder, primeiro
secretário-geral
da Confederação
Sindical
Internacional (CSI), para diretor-
geral da Organização Internacional
do Trabalho (OIT), teve um
"significauo histoiico", na avaliação
do secretário de Relações
Internacionais da CUT, João Felício.
De acordo com o dirigente, Guy
Rider abre a perspectiva de uma
OIT mais presente e atuante, “num
momento em que os direitos dos
trabalhadores estão sob forte
ataque”.
A OIT tem um papel muito
importante na valorização e defesa
dos trabalhadores. A organização é
vinculada à ONU. Para saber mais,
acesse o site “www.oit.org.br”.
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3 anos do acidente
com o voo AF447
Os três anos do acidente com
o voo AF447 da Air France, que
fazia a rota Rio-Paris, foram
marcados com homenagem
de parentes, realizada no
Memorial às Vítimas Brasileiras
do acidente, localizado no Alto
Leblon, no Rio.
O avião caiu no Oceano
Atlântico, em 31 de maio de
2009, transportando 228
pessoas de 32 nacionalidades,
58 delas brasileiras.
A previsão é de que o
relatório conclusivo sobre o
acidente seja divulgado em 5 de
julho. (Fonte: ABr)
22 de junho é o Dia do Aeroviário
Os aeroviários comemoram o dia da categoria neste 22 de junho. A
uata iefeie-se à assinatuia uo Becieto 1.2S2, em 1962, que iegulamenta
a piofissão. 0s tiabalhauoies seião homenageauos pelas entiuaues
cutistas, em todo o país, com atividades nos aeroportos.
Mais que um dia de comemoração, o 22 de junho é também um dia
ue ieflexão sobie o futuio ua piofissão, seus uesafios e os uiieitos uos
trabalhadores, muitas vezes negados pelas empresas que atuam no
setor. A todos os aeroviários(as), os parabéns dos sindicatos cutistas e
da Federação.
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Salário mínimo devia ser de
R$ 2.383,28, segundo Dieese
Para atender às necessidades básicas
de uma família, o salário mínimo, em
maio, deveria ter sido R$ 2.383,28, o
que corresponde a 3,83 vezes o valor
em vigoi (R$ 622). 0s cálculos são uo
Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Em abril, o valor estimado era um
pouco menor, de R$ 2.329,35, ou seja,
3,74 vezes o mínimo atual. Os dados foram divulgados em 4 de junho.
A cidade de São Paulo continua no topo da lista, com a cesta básica
mais cara do país. Para adquirir os 13 produtos básicos que compõem
a cesta, os paulistanos gastaiam, em méuia, R$ 28S,69, o que significa
uma alta de 2,32% em relação a abril. Em segundo lugar, aparece
Manaus, seguida por Porto Alegre e Vitória. Os menores custos foram
encontrados em Aracaju, João Pessoa e Salvador.
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RIO+20
Conferência aprova texto que será
levado aos chefes de Estado
O
s países participantes
da Rio+20 aprovaram
o texto que será levado
aos chefes de Estado, com as
propostas por um mundo mais
sustentável. O documento já foi
aprovado pelos Estados Unidos,
União Europeia e G77+China. Os
chefes de Estado avaliarão o texto
ainda esta semana. O governo
brasileiro considerou a aprovação
“uma vitória”.
Entre as decisões está a
criação de um fórum universal
intergovernamental de alto
nível político, construído com
a experiência e recursos da
Comissão de Desenvolvimento
Sustentável, para substituí-la.
No texto, há o reconhecimento
das necessidades diferenciadas
para os países ricos e os em
desenvolvimento, levando em
consideração que os últimos
precisam de recursos adicionais
para o desenvolvimento
sustentável. Também é proposta
a criação de um processo
intergovernamental, sob a
tutela da Assembleia Geral das
Nações Unidas, para avaliar
as necessiuaues financeiias
ue caua pais, a eficácia ue
seus instrumentos e preparar
uma estratégia efetiva de
financiamento, o que facilitaiia a
mobilização de recursos e seu uso
para atingir as metas.
O texto também estabelece
a erradicação da pobreza como
o maioi uesafio global uo
planeta hoje. E recomenda que o
Sistema da ONU, em cooperação
com doadores relevantes e
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organizações internacionais,
facilite a transferência de
tecnologia para os países em
desenvolvimento.
Sindicalistas de todo o mundo,
inclusive os da CUT, participaram
ativamente da Rio+20 e
prepararam suas propostas
durante um evento preparatório.
A Rio+20 tornou-se também
a segunda reunião mundial
de trabalhadores. A primeira
aconteceu em Nairóbi, no Quênia,
em 2uu6.
O presidente nacional da CUT,
Artur Henrique, considerou a
reunião sindical internacional
fundamental para mostrar a força
do trabalhador na construção de
uma agenda de discussões para
a Rio+20 e defendeu uma aliança
mundial para garantir resultados
efetivos na Conferência.
A assembleia sindical reuniu
4uu iepiesentantes ue 66
organizações sindicais de todo
mundo e propôs uma aliança
internacional por um mundo
mais sustentável, inclusivo e
democrático. (Fonte: G1, ABr e CUT)
Sindicalistas reúnem-se em evento
preparatório à Rio+20
Junho/2012 | Conexão 19