Pet Food Brasil

Revista

Ano 3 / Edição 14 / Mai - Jun 2011 / www.editorastilo.com.br

Xeque Mate às Micotoxinas
As soluções que têm a finalidade de tornar a nutrição animal cada vez mais saudável

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Editorial

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Prezado Leitor
O assunto micotoxinas volta a ser tema em nossa revista. Estima-se que existam mais de 500 tipos delas e alguns cientistas acreditam que as alterações climáticas levarão a mutações fúngicas e que, por isso, um número maior ainda surgirá. Produzidas por certos fungos, estão presentes em produtos e subprodutos agrícolas, especialmente nos cereais. Abundantes no solo, estes fungos podem surgir também durante o armazenamento, bem como, nos processamentos das rações. A contaminação nos alimentos destinados aos animais representa um sério problema de saúde - causando diminuição da produtividade, interfere na reprodução e aumenta a taxa de mortalidade -, além de constituir um considerável obstáculo à economia, por afetar o agronegócio. Trata-se de uma questão mundial, por este motivo, investe-se cada vez mais em estudos e pesquisas para o desenvolvimento de novas e mais eficazes soluções em adsorventes, para combater tais micotoxinas. Apresentamos nesta edição alguns destes produtos desenvolvidos pelos principais players do mercado. Mas, o desafio não está apenas em elaborar adsorventes melhores e cada vez mais eficientes. Ainda que haja as melhores soluções, elas são “anuladas” caso não sejam adotadas por parte dos produtores práticas de manejo, visando o controle de fungos durante o desenvolvimento das culturas e do armazenamento dos grãos. Outro grande problema está na falta de fiscalização. É vital que o produtor rural e a indústria de rações sejam treinados quanto às técnicas de controle das matériasprimas. Ou seja, há um longo caminho a percorrer e muito trabalho para ser realizado.
CAPA ed 14 D.pdf 1 15/06/11 11:29

Também para falar sobre micotoxinas e micotoxicoses entrevistamos a Professora Doutora e Chefe do Departamento de Medicina Veterinária da UFPR, de Curitiba, Elizabeth Santin, que tem a sua linha de pesquisa baseada nas interferências nutricionais sobre a saúde animal. Boa Leitura! Daniel Geraldes
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Ano 3 / Edição 14 / Mai - Jun 2011 / www.editorastilo.com.br

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às Micotoxinas Edição 14 Xeque Matetêm a finalidade de tornar a As soluções que nutrição animal cada vez mais saudável Maio/Junho 2011

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Sumário

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Diretor Daniel Geraldes Editor Chefe Daniel Geraldes – MTB 41.523 daniel@editorastilo.com.br Jornalista Colaboradora Lia Freire - MTB 30222 Publicidade Luiz Carlos Nogueira Lubos comercial@editorastilo.com.br Direção de Arte e Produção Leonardo Piva petfood@leonardopiva.com.br Conselho Editorial Aulus Carciofi Claudio Mathias Daniel Geraldes Everton Krabbe Flavia Saad José Roberto Sartori Vildes M. Scussel Fontes Seção “Notícias” Anfal Pet, Pet Food Industry, Sindirações, Valor Econômico, Gazeta Mercantil, Agência Estadão, Cepea/Esalq, Engormix, CBNA Impressão Intergraf Ind.Gráfica Ltda Distribuição ACF Alfonso Bovero

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Notícias Caderno Científico Capa Entrevista Informe Técnico Em Foco Em Foco Em Foco
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Editora Stilo Rua Sampaio Viana, 167 - Conj. 61 São Paulo (SP) - Cep: 04004-000 Fone: (11) 2384-0047
A Revista Pet Food Brasil é uma publicação bimestral da Editora Stilo que tem como público-alvo empresas dos seguintes mercados: Indústrias de Pet Food, Fábricas de Ração Animal, Fornecedores de Máquinas e Equipamentos, Fornecedores de Insumos e Matérias Primas, Frigoríficos, Graxarias, Palatabilizantes, Aditivos, Anti-Oxidante, Embalagens, Vitaminas, Minerais, Corantes, Veterinários e Zootecnistas, Farmacologia, Pet Shops, Distribuidores, Informática/Automação Industrial, Prestadores de Serviços, Equipamentos de Segurança, Entidades da cadeia produtiva, Câmaras de Comércio, Centros de Pesquisas e Universidades, Escolas Técnicas, com tiragem de 10.400 exemplares. Distribuída entre as empresas nos setores de engenharia, projetos, manutenção, compras, diretoria, gerentes. É enviada aos executivos e especificadores destes segmentos. Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores e não necessariamente refletem as opiniões da revista. Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias sem expressa autorização da Editora.

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Escassez de milho pode levar indústria de SC a reduzir produção de aves
A escalada de encarecimento do milho – principal insumo das cadeias produtivas de aves e suínos – está alarmando as agroindústrias do setor e alimentando previsões negativas: se o quadro não mudar, haverá redução de produção e demissão de pessoal no segundo semestre deste ano. O presidente da Associação Catarinense de Avicultura (Acav), Clever Pirola Ávila, assinalou que o problema se agrava no sul do país, onde o milho chega a um custo ainda maior. Somente Santa Catarina produz 4 milhões de toneladas e importa anualmente de 1,5 milhão a 2 milhões de toneladas para suprir o déficit do cereal. A redução da produção – se confirmada – ficará entre 5% a 8% do volume total de abates e implicará na demissão de trabalhadores em nível ainda não avaliado. Ávila mostra que as commodities em geral estão com patamar muito elevado de preços de mercado – especialmente milho e soja – principais ingredientes na composição da ração animal. Para agravar a situação, a valorização da moeda Real faz o setor exportador perder a competitividade no mercado internacional. O presidente da Acav reclama que o Governo, “já com atraso”, precisa atuar com medidas efetivas na busca de equilíbrio cambial para a relação dólar-real. “O Governo precisa implantar uma política compensadora para o consumo do milho no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina similar ao que existe para o Nordeste, sobretaxar a exportação de milho e promover leilões do estoque da Conab especificamente para a região sul”, reivindica. A situação do mercado do milho é atípica e a tendência é de alta na maioria dos Estados produtores, de acordo com levantamento da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária. O cenário para essa elevação nos preços decorreu da retração da oferta do milho da safrinha. Os produtores esperaram a definição sobre a produção da segunda safra, que, de acordo com levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), deve ser de 23,5 milhões de toneladas. Entretanto, o risco climático na maioria dos estados produtores, em função do atraso no plantio das lavouras, poderá comprometer o resultado final. Clever Pirola realça que o milho é considerado uma referência entre os cereais porque, além de servir para a alimentação humana, é base para a produção de proteína animal, compondo as rações de frangos, suínos e bovinos. De todos os cereais em alta de preços no Brasil e no mundo, o milho é o que mais preocupa. O presidente da Acavobservou que, na condição de mercado globalizado, a situação somente se normalizará se a safra de milho dos Estados Unidos tiver rendimentos recordes, mas, naquele país, o plantio está consideravelmente atrasado devido às condições de frio e umidade. Com uma demanda que continua elevada, as perspectivas para uma volta a preços normais dependem, em grande parte, do aumento da produção em 2011 e das reservas de cereais repostas na nova temporada. Fonte: MB Comunicação

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Kátia Abreu critica alta carga tributária que incide sobre alimentos
A presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu, afirmou que a carga tributária que incide sobre os alimentos no Brasil é muito alta. “A carga tributária dos alimentos é de 19%. Não se tributa alimentos; se desonera para que a população possa pagar mais barato pela comida”, afirmou ao participar do seminário “Reforma Tributária: essencial para o desenvolvimento sustentável do Brasil”. Durante a apresentação no seminário promovido pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a senadora Kátia Abreu lembrou que a carga tributária que incide sobre os alimentos é de 0,7% nos Estados Unidos. Em 34 estados americanos, acrescentou, os alimentos são livres de impostos. Na Europa, a carga tributária que incidente sobre os alimentos é de 5%. Outro dado apresentado foi sobre a arrecadação de tributos no Brasil nos quatro primeiros meses deste ano. Segundo a presidente da CNA, a arrecadação somou US$ 325 bilhões. Para dar uma ideia do que significa essa cifra, a senadora Kátia Abreu lembrou que o montante de US$ 325 bilhões é o Produto Interno Bruto (PIB) do Irã, da Grécia, da Venezuela, da Dinamarca e da Argentina, sendo que o PIB desse último país é de US$ 308 bilhões. O Brasil tem uma das maiores cargas tributárias do mundo e os serviços públicos não condizem com a carga que é paga, acrescentou a senadora Kátia Abreu, citando as carências nas áreas de saúde, educação e segurança pública. Apontou, também, as deficiências em logística de transporte. A presidente da CNA mencionou estudo da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) que aponta que 70% das estradas brasileiras estão em estado ruim ou péssimo. Lembrou, ainda, que a situação nos portos não é diferente e citou que o Tribunal de Contas da União (TCU) alertou, em 2006, que o País passará por um “apagão portuário”. “As exportações brasileiras se multiplicaram nos últimos 10 anos e os investimentos nos portos decaíram”, afirmou a senadora Kátia Abreu ao criticar os empecilhos que impedem que a iniciativa privada invista nos portos. Outra deficiência é a falta de investimentos em hidrovias como forma de reduzir os custos de transporte. De acordo com dados apresentados pela presidente da CNA no evento da OAB, transportar uma tonelada por mil quilômetros numa hidrovia custa até US$ 18. O transporte por ferrovia é de US$ 28 e por rodovias é de US$ 42. “Nós temos dezenas de Mississipis espalhados pelo Brasil todo e estamos matando esses Mississipis ao construir as hidrelétricas sem a possibilidade das exclusas para permitir a passagem das barcaças transportando a produção de alimentos”, completou. Ainda sobre a questão tributária, a senadora Kátia Abreu apresentou dados que comprovam os impactos do sistema tributário nacional no judiciário. Fonte: Assessoria de Comunicação da CNA.

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Anfalpet lançou Programa de Sustentabilidade PIQ PET
Desde maio passado o antigo Programa Integrado de qualidade, PIQ PET, da Anfalpet passou a ser chamado de Programa de Sustentabilidade PIQ PET. O principal objetivo dessa mudança é ampliar o programa que apenas focava a segurança e qualidade dos produtos, para certificar a empresa como um todo, garantindo produtos seguros, de qualidade e empresas sustentáveis e responsáveis. O Programa de Sustentabilidade PIQ PET é voltado para indústrias de alimentos e produtos mastigáveis para cães e gatos de todo o país. O Programa vai avaliar o Desempenho Social (Trabalho Infantil, trabalho forçado e compulsório, saúde e segurança, liberdade de associação e direito à negociação coletiva, discriminação, práticas disciplinares, remuneração e tratamento das preocupações e tomadas de ações corretivas), Econômico (Conduta ética, cumprimento legal, defesa da concorrência, auditoria e fiscalização, Boas Práticas de Fabricação (BPF) e Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC) e Ambiental (Aspectos e impactos ambientais, água, requisitos legais, objetivos, metas e programas ambientais, competência, treinamento e conscientização, verificação, controle de resíduos) de todas as empresas que queiram adquirir o selo de reconhecimento. A nova versão do Programa permanece com as exigências nutricionais e classificação dos produtos (Básico, Standar, Premium e Super Premium), porém o selo será único para as empresas participantes atestando a sustentabilidade da empresa, obrigatoriedade do uso do selo nas embalagens, adesão de todos os produtos e unidades de cada empresa. A mudança favorece a credibilidade da indústria de alimentos para animais de estimação e produtos fabricados no Brasil, conquistando confiança dos consumidores.

China pretende limitar o uso de grãos à indústria de alimentação animal

Preço da carne está aquém do de grãos e oleaginosas
Nos 24 meses decorridos entre maio de 2009 - época em que o mundo enfrentava o pior momento da primeira grande crise econômica deste século - e abril passado, o preço das carnes no mercado internacional apresentou valorização de 30%. O dado, do órgão das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), foi divulgado recentemente e mostra, ainda, que neste período, o preço dos grãos (trigo, arroz e milho) – produtos que há um ano chegaram a apresentar evolução de preços semelhante à das carnes – acumula nesses 24 meses valorização de 43%. Bem mais significativa, porém, vem sendo a evolução de preços das oleaginosas (óleos e gorduras, também matéria-prima das rações animais): aumento de 55% em 24 meses. Fonte: AviSite

MEGAZOO Lança Primeira Ração 100% Natural para Peixes
Linha Megazoo Peixes Ornamentais é composta por alimentos nobres específicos para peixes de lagos, tropicais, Bettas e Goldfish, além de produtos usados na manutenção de aquários e lagos Pioneira na produção de alimentos super premium para aves e primatas, a MEGAZOO agora inova ao trazer ao mercado pet sua linha 100% natural exclusiva para peixes. Com uma proposta diferenciada e atenta às reais necessidades dos animais, a fabricante traz alimentos muito mais saborosos, compostos por até 50 ingredientes nobres, como vegetais, fígado desidratado e camarão sem casca desidratado. Todos os alimentos também contêm alho, um importante agente imunizante e que promove mais sabor. “É uma linha de produtos super premium desenvolvida com base nos mais modernos estudos sobre nutrição de peixes”, explica o biólogo Paulo Machado, diretor técnico da MEGAZOO. Segundo o especialista a empresa traz com exclusividade alimentos sem corantes, aromatizantes e antioxidantes artificiais, utilizando a própria coloração natural de seus ingredientes, como cenoura, espinafre e urucum. Livre de trigo e seus subprodutos, possíveis causadores de alergias nos peixes, o alimento também é composto por aveia, que auxilia a manter o nível adequado de fibras. A presença de nutracêuticos e níveis mais elevados de algumas vitaminas e minerais também colaboram para diminuir o estresse e fortalecer a imunidade. “Nosso objetivo é a produção de produtos de qualidade superior aos importados, adaptados às condições brasileiras e com preço mais competitivo”, justifica o diretor técnico. Atenta às necessidades de variados tipos de peixes, a MEGAZOO oferece a ração extrusada (bits), e em breve, a floculada (flakes). Além de ambas as versões garantirem fácil digestão, a fabricante pioneiramente investe no conceito de proteína ideal, ou seja, produz uma ração com níveis de proteínas adequados através do balanceamento de seus aminoácidos para que haja o melhor aproveitamento do alimento e, por consequência, menor quantidade de fezes, resultando em uma água mais limpa. A linha MEGAZOO Peixes Ornamentais é o resultado de 24 meses de pesquisas intensas da fabricante, que em parceria com a Universidade de Lavras, Minas Gerais, chegou a alimentos super premium para peixes tropicais, de lagos, Bettas e Goldfish. A linha ainda inclui produtos de manutenção e tratamento da água de aquários e lagos, como reguladores de pH,clarificantes, entre outros. Fonte: Central de Fontes Comunicação

Conforme divulgou a imprensa asiática, autoridades chinesas entendem que os chamados “grãos forrageiros” devem ser utilizados exclusivamente como alimento animal. Por isso, o governo planeja impedir a implantação de novos projetos industriais em que esses grãos não sejam a matéria-prima de carnes, leite e ovos. A adoção da medida deve limitar, por exemplo, os crescentes investimentos em biocombustíveis. O milho parece ser o melhor exemplo. Estima-se que atualmente a produção de etanol e de adoçantes artificiais consuma um terço do grão produzido na China. Como as indústrias remuneram melhor que a agropecuária, as indústrias de ração do país mais populoso do mundo acabam enfrentando dificuldades para acessar o grão. Isso sem contar que aumentam cada vez mais as perspectivas de escassez do produto, já que a demanda cresce muito mais rápido que a produção. Com essa finalidade, adianta-se que o governo deve, também, limitar a implantação de projetos de fabricação de amido de milho cuja capacidade de produção seja inferior a 300 mil toneladas anuais e proibir de vez as indústrias com capacidade inferior a 100 mil toneladas, devido à sua menor eficiência na utilização do grão. Na opinião de técnicos da área processadora de grãos, os negócios no setor vêm sendo tão estimulantes que o governo de Pequim não conseguiu impedir que a indústria tivesse uma expansão caracterizada como “sem precedentes”. Como resultado, a capacidade instalada atual, ainda parcialmente ociosa, subiu para 70 milhões de toneladas/ano. O que se prevê, no corrente exercício, é que essas indústrias estarão consumindo cerca de 50 milhões de toneladas de milho, volume correspondente a quase 30% da produção esperada pela China para 2010. Aqui, numa rara concordância entre as duas partes, chineses e norte-americanos (USDA) projetam para a China produção da ordem de 170 milhões de toneladas de milho. No momento, não há como reduzir ou impedir o consumo previsto. Mas para evitar que ele continue em expansão, já foi determinado ao sistema bancário chinês a suspensão de financiamentos a comerciantes de milho. Paralelamente, foram reduzidos os subsídios e incentivos oferecidos às indústrias processadoras de milho. Outro procedimento cujos resultados devem ser significativos é a limitação da produção de etanol a partir do milho. Fonte: AviSite

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A ascensão no mercado de nutrição vegetal para agricultura
O segmento de nutrição vegetal para a agricultura, negócio que movimenta mais de R$ 3 bilhões por ano, deve crescer acima de 10% em 2011, mantendo a média histórica de evolução na última década. A previsão é da Abisolo - Associação das Indústrias de Fertilizantes Orgânicos, Organominerais, Biofertilizantes, Adubos Foliares, Substratos e Condicionadores de Solos. “Essa projeção é respaldada por uma série de fatores internos e externos”, explica Guilherme Romanini, presidente da Abisolo. “Internamente, acompanhamos a evolução das pesquisas com a nutrição vegetal, processo essencial para a produção de alimentos. Além disso, intensifica-se a busca por insumos mais eficientes que não agridem o meio ambiente”, ressalta Romanini. Em termos externos e com repercussão direta no mercado brasileiro, destacam-se a elevação dos preços das commodities e dos fertilizantes minerais. Rodrigo Rehder, diretor técnico de Substratos da Abisolo, destaca também que há maior disponibilidade de matérias-primas – especialmente de substratos – como a casca de pínus, o que permite esperar consistente crescimento do segmento no ano. “O mercado busca novas tecnologias para maior produtividade, menores custos e mais qualidade”, ressalta Rehder. “Indiscutivelmente, o preço elevado dos fertilizantes minerais joga os holofotes para a nutrição vegetal e isso favorece o nosso segmento”, concorda Roberto Levrero, diretor técnico de Fertilizantes Orgânicos da Abisolo.

Produção brasileira de milho: o “x” da questão
Como faz há alguns anos, nestes próximos meses a Assessoria de Gestão Estratégica (AGE) do Ministério da Agricultura deve divulgar uma nova edição das “Projeções do Agronegócio” para os próximos 10 anos ( 2011-2021). E o que se pergunta desde já é: será que as novas projeções mostrarão, em relação à produção brasileira de milho, tendências tão preocupantes quanto as reveladas por projeções anteriores? Nas projeções do ano passado, a AGE do MAPA apontou, por exemplo, que no final desta década as exportações brasileiras de carne de frango estarão suprindo cerca de 48% do mercado mundial, o que significa crescimento de 4,16% ao ano (base: exportações de 2009). O consumo interno total, por sua vez, deve aumentar cerca de 43%, expandindo-se a uma média de 3,23% ao ano. E tudo, em resumo, implica em que a produção cresça pelo menos 3,64% ao ano. E o que se projetou, então, em relação ao principal insumo do frango, o milho, sem o qual não há produção avícola? A produção – apontou a AGE do MAPA – tende a aumentar 37% - média de 2,67% ao ano; a exportação, 80% - média de 5,12% ao ano; e o consumo, perto de 23% - média de 1,97%. Ou seja: se somente a produção de carne de frango – principal consumidora do grão no País – vai se expandir à razão de 3,64% ao ano, o consumo previsto não pode evoluir a 1,97% ao ano, ainda que o frango não seja o único consumidor do grão. A conclusão, pois, é a de que pode faltar produto. Ou, então, se tornar escasso. Será possível, dessa forma, abastecer 48% do comércio mundial? Mas não é só: a exemplo do que já ocorreu com as carnes, o Brasil firma-se cada vez mais como grande exportador mundial de grãos. Quer dizer: não só de soja, mas também de milho. Assim, o incremento das vendas externas desse cereal tende a ir muito além dos 5,12% ao ano, média aproximada se consideradas as exportações de 2000 e 2010. E, neste caso, basta observar que na segunda metade da década passada as vendas externas de milho cresceram a mais de 20% ao ano. Ou seja: mais um fator de escassez. Para completar está claro que as carnes de frango e suína se tornarão, cada vez mais, o prato de sustentação do consumidor brasileiro, porque, ao atingir valores reais, a carne bovina vai se tornando proibitiva para parte dos consumidores. E as duas carnes dependem estritamente de milho, o que significa ainda maior demanda do produto. Em suma: o Brasil precisa – urgentemente – de uma política efetiva para o milho. Sem isso, corre-se o risco de não ver concretizada a maior parte das tendências apontadas para o final desta década. Fonte: AviSite

Exportação brasileira de agronegócios comemora resultados
Nos 24 meses decorridos ente maio de 2009 - época em que o mundo enfrentava o pior momento da primeira grande crise econômica deste século - e abril passado, o preço das carnes no mercado internacional apresentou valorização de 30%. O dado, do órgão das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), foi divulgado recentemente e mostra, ainda, que neste período, o preço dos grãos (trigo, arroz e milho) – produtos que há um ano chegaram a apresentar evolução de preços semelhante à das carnes – acumula nesses 24 meses valorização de 43%. Bem mais significativa, porém, vem sendo a evolução de preços das oleaginosas (óleos e gorduras, também matéria-prima das rações animais): aumento de 55% em 24 meses. Fonte: AviSite

Premier Pet promove ação nos pontos de venda
A PremieR pet lança ação com a finalidade de incrementar os negócios nos pontos de venda
Para prestigiar seus parceiros lojistas, bem como se aproximar do consumidor final, a PremieR pet vem realizando uma grande ação Brasil afora, denominada “Blitz PremieR pet”. Idealizada pela equipe de trade marketing da empresa, a blitz contempla uma centena de pontos de venda nos Estados de SP, MG, RJ, SC e PR, além do Distrito Federal. Em parceria com o lojista, a PremieR pet se responsabiliza por melhorias no local, incluindo arrumação, limpeza, treinamento da equipe de vendas, sinalização com materiais exclusivos (banners, faixas, infláveis, balcões de apoio, balões etc.), além de distribuição de amostras e sorteio de brindes para os clientes. Tudo acontece num período previamente agendado, durante quatro dias em cada loja. “O objetivo é contribuir para o incremento no movimento e nos bons negócios nos pontos de venda, apoiar os lojistas com a realização de melhorias em seus estabelecimentos e com o treinamento de suas equipes, bem como disseminar o conhecimento dos produtos da PremieR pet, prestando consultoria in loco aos compradores”, esclarece Fernando Suzuki, gerente de marketing, produtos e trade marketing da PremieR pet. Segundo ele, a ação vem surtindo efeito, com um acréscimo estimado em 30% nas vendas nesses locais, bem como a satisfação dos lojistas. A Blitz da PremieR pet segue ao longo de todo 2011. Os lojistas interessados podem entrar em contato por meio do Pet Fone 0800 55 6666 e a empresa avaliará a viabilidade de incluir a loja entre as participantes.

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Guia de Trânsito Animal (GTA) na versão eletrônica se expande pelo País
O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Wagner Rossi, assinou no mês de maio a Instrução Normativa, que define os critérios da Guia de Trânsito Animal (GTA) em formato eletrônico. O modelo e-GTA será adotado para movimentação de animais vivos, ovos férteis e outros materiais de multiplicação animal em todo o território nacional. “Já estamos com um núcleo experimental em Alagoas e agora vamos estender para todo o país. Queremos ter as informações da movimentação de gado no Brasil inteiro”, disse Wagner Rossi. A e-GTA será expedida por sistema informatizado, utilizado pelo Ministério da Agricultura. As informações serão transmitidas à Base de Dados Única, em até 24 horas após a sua emissão, onde poderão ser consultadas e atestadas a autenticidade do documento. “Com a criação da Base de Dados Única poderemos saber, antes da emissão, se o produtor e o estabelecimento de destino realmente existem e, após a movimentação, se a carga foi recebida no local previsto. Também vai permitir mais agilidade na fiscalização, pela facilidade de consultar os dados de trânsito dos animais”, afirma o coordenador de Trânsito e Quarentena Animal (CTQA) do Ministério da Agricultura, Bruno Cotta. O documento eletrônico vai conter informações referentes à carga a ser movimentada, como espécie; origem; destino; quantidade por sexo e faixa etária; finalidade do trânsito e identificação do emitente e do local de emissão e as datas de emissão e validade. O procedimento de emissão via sistema informatizado já era realizado em alguns Estados do Brasil, mas não existia um sistema central que reunisse os dados nacionalmente. O modelo de GTA em papel continuará sendo utilizado onde não for possível a adoção do formato eletrônico. Nesses casos, as informações referentes à movimentação deverão ser inseridas na base de dados do Estado e enviadas posteriormente à Base de Dados Única. A emissão e impressão da e-GTA deverá ser autorizada com base nos registros sobre o estabelecimento de procedência da carga e no cumprimento das exigências de ordem sanitária definidas para cada espécie. A e-GTA deverá ser baixada pelo Serviço Oficial do Estado de destino após a comunicação de chegada da carga pelo destinatário e, quando necessário, o seu cancelamento será feito pelo Serviço Oficial responsável pela emissão. A guia poderá ser baixada, também, pelos estabelecimentos de abate ou pelo produtor de destino mediante permissão do Serviço Estadual de Sanidade Animal. Fonte: Assessoria MAPA

Kemin e a sua importante atuação no mercado asiático
A empresa concluiu a expansão da sua planta em Gummidipoondi, na Índia, o que permitirá dobrar a sua capacidade de produção e implementar novas tecnologias de fabricação. A nova planta produzirá os minerais orgânicos KemTRACE® para aves, vacas leiteiras e aquicultura, além de oferecer capacidade adicional de mistura e contar com novas instalações de pesquisa e garantia de qualidade. No total, a nova planta terá a capacidade de produzir 25 mil toneladas de ingredientes nutricionais, atendendo à crescente demanda da indústria de produção animal. “O compromisso da Kemin de oferecer soluções moleculares aos clientes foi ratificado pela expansão desta planta. A fábrica ampliada produzirá uma série de produtos e os minerais orgânicos, permitindo atender à crescente demanda de nossos clientes,” afirmou K.P. Philip, presidente da Kemin AgriFoods Índia. A Kemin tem atendido a Índia com produtos de alta qualidade e excelência em serviços técnicos há mais de uma década. A empresa começou a comercializar ingredientes em 1997 e em 2000, construiu um moderno centro de pesquisas e uma planta em Gumiidipoondi, na região de Chennai. A Kemin introduziu conceitos inéditos no setor de produção animal do sudeste asiático, tais como: antioxidantes, bio-surfactantes, inibidores fúngicos, probióticos inovadores e enzimas. Hoje, a Kemin atende as necessidades da avicultura de produção e postura, setor leiteiro e aquicultura do Sul da Ásia, sempre com o foco em segurança, sanidade e desempenho animal. Contando com equipes dedicadas de vendas, serviços técnicos e marketing nas principais regiões, a Kemin está comprometida em crescer e continuar a atender as necessidades do setor de produção animal em expansão na Ásia.

Empresas brasileiras do setor Pet participam da feira Zoomark na Itália
Cinco empresas brasileiras do setor Pet buscam novas oportunidades para exportar que há de mais inovador no setor de alimentos, higiene e embelezamento para animais de estimação. O Projeto Pet & Horse Brasil - desenvolvido em parceria pela Anfalpet - Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos para Animais de Estimação, e pela Apex-Brasil - Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, organiza mais uma participação à feira de negócios Zoomark que foi realizada entre os dias 12 e 15 de maio, em Bologna, na Itália. Para este evento, empresas como Alcon, Brazilian Pet Foods, Guabi, Nutrire e Pet Society aderiram ao Projeto Pet & Horse Brasil e estarão no estande fomentando novas parcerias, além de apresentarem o que o Brasil possui de mais moderno e inovador no setor de alimentação, higiene e embelezamento para animais de estimação. O objetivo destas empresas que aderiram a esta ação do Projeto é buscar oportunidades de mercado para o setor Pet e realizar reuniões com interlocutores estratégicos para ampliar cada vez mais os canais de distribuição não só na Itália, mas nos diversos continentes, uma vez que o evento recebe visitantes do mundo todo. Entre as novidades a serem expostas estão os alimentos secos de diversos sabores como frango e arroz, carne e cereais, carne de ovelha com arroz, além de snacks e uma linha de shampoo e condicionador, desenvolvidos com extratos amazônicos 100% naturais. A Zoomark é uma das principais feiras mundiais do setor pet e acontece a cada dois anos. Além de empresas italianas, a feira conta com expositores internacionais dos seguintes países confirmados: Estados Unidos, Inglaterra, China, Brasil e Canadá. Nesta edição, o evento terá cerca de 600 expositores em uma área de 44 mil m².

Ômega 3 em cápsulas gelatinosas
O Ômega 3 Dog, apresentado em capsulas gelatinosas, é produzido a partir de óleo de peixes de águas marinhas.
Um número crescente de investigações científicas tem demonstrado os efeitos benéficos de alguns ácidos graxos na alimentação dos animais, como é o caso do ômega 3, encontrado no peixe, que estimula as funções cerebrais e a capacidade de aprendizagem dos cães. A partir desta demanda, a Organnact Nutracêuticos lançou o Ômega 3 Dog, uma fonte pura de ômega 3, produzido a partir de óleo de peixes de águas marinhas. A apresentação em cápsulas gelatinosas facilitam a administração, além disso, não possui odor nem sabor forte de peixe. “Por muito tempo a suplementação com ômega 3 era indicada apenas para melhorar a qualidade da pele e da pelagem dos cães, mas após muitas pesquisas descobriu-se que os benefícios dessa suplementação iam muito além, sendo utilizado para a recuperação de alergias, controle da inflamação, saúde das articulações e função de outros órgãos dos cães, melhorando a qualidade de vida e a longevidade do animal”, explica Adriana Meyer, Coordenadora Técnica do Grupo Organnact.

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Celta Brasil – Especialista em tecnologia de Zeolitas naturais.

Bird: declínio da atividade agrícola gera crise dos preços de alimentos
O diretor-geral e vice-presidente Sênior do Banco Mundial, Vinod Thomas afirmou que o principal causador da pressão de preços nos alimentos no mundo é o declínio do ritmo de crescimento da produtividade agrícola. “Pela primeira vez nos últimos 10 anos o crescimento da produtividade agrícola foi mais lento que o crescimento populacional”, declarou Thomas em evento sobre os Brics promovido pela PUC-Rio e pela prefeitura do Rio de Janeiro. Segundo ele, as regiões mais afetadas são África e Ásia, mas o Brasil também sofre do problema - embora esteja em situação melhor do que a destes dois continentes. “O problema do aumento da produtividade é global, não apenas da África e da Ásia mas também da América Latina. Isso porque os investimentos das últimas décadas foram direcionados para a área urbana e para a indústria”, afirmou.De acordo com Thomas, também houve algum investimento na área agrícola, porém menos em alimentação e mais no setor de commodities. Na avaliação dele, os principais inibidores de um maior avanço da produtividade agrícola são os subsídios dados por países europeus e os Estados Unidos à produção de alimentos. “Os subsídios de US$ 150 bilhões para alimentos, especialmente na Europa e nos Estados Unidos, prejudicam os investimentos para melhorar a produtividade na África e na América Latina”, disse. Ele avalia que é preciso uma coordenação internacional para resolver o problema. O diretor-geral afirmou que, embora o Brasil não tenha melhorado o suficiente a produção agrícola nas últimas décadas, agora tem uma boa oportunidade para fazê-lo. “O Brasil é um dos países em melhor situação para enfrentar este problema, porque assim como a Rússia, tem uma grande área cultivável e, além disso, os investimentos em pesquisa têm sido direcionados para aumentar a produtividade”, disse. Fonte: Agência Estado, adaptada pela Equipe AgriPoint.

Desde o ano de 2003, as Indústrias Celta Brasil vem investindo fortemente em tecnologias baseadas no uso do mineral natural zeolita. Com objetivo de garantir a melhor matéria-prima e informação técnica consistentes aos seus clientes, foi construído pela Celta Brasil em Cotia/SP, o Centro de Referência Latino Americano de Zeolitas, espaço que possui grande acervo bibliográfico sobre o mineral Zeolita. Esta estratégia, aliada ao seu pioneirismo no mercado Petfood e a sólidas parcerias com Universidades Federais, colocou a Celta Brasil como líder nacional no fornecimento de Zeolitas ao mercado Petfood, com dois importantes produtos: CELPEC® – Agente redutor de odores e melhorador de escore fecal e o AWCEL® – aditivo anti-umectante para snacks. Focada na tecnologia e sustentada pela qualidade e exclusividade de seus produtos, a Celta Brasil agora parte para romper as fronteiras no mercado mundial, através de seus escritórios recentemente inaugurados na Argentina e Portugal.

Treinamento sobre Análise de Certificados de Calibração para Laboratórios
Análise de Certificado de Calibração, em geral, é uma importante ferramenta ligada à indústria de alimentos para animais de estimação. Esta atividade, atualmente, figura entre as mais importantes dentro do segmento, sendo de suma importância decisões tomadas em bases científicas sólidas e confiáveis. A Análise de Certificado de Calibração permite aos laboratórios e setor de controle de qualidade da empresa a diminuição da incerteza e dos erros nas análises efetuadas, bem como laudos e relatórios mais seguros aos clientes. Em maio passado foi realizado, através de organização da ANFALPET (Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos para Animais de Estimação), o treinamento sobre Análise de Certificado de Calibração para Laboratórios de Empresas Associadas à entidade e Laboratórios Credenciados ao Programa de Sustentabilidade PIQ PET. O treinamento foi ministrado pelo engenheiro Edson Carlos Stavale, diretor da Stavale e Setting Metrological Solutions. O treinamento teve carga horária de 8 horas de aula e exercícios individuais abordando alguns tópicos, tais como: Definições básicas em Metrologia, O Vocabulário Internacional de Metrologia (VIM 2009- Portaria Inmetro 319), o Quadro geral de unidades de medida (SI-Resolução CONMETRO 12/88). Além de tópicos de Estatística Básica, Cálculo de Incerteza de Medição, com aplicações da incerteza e principais origens, além da análise de certificados de calibração específicos da indústria, fornecidos pelo Grupo de Laboratórios para a análise. Através destes treinamentos a ANFALPET busca sempre manter a Qualidade dos Laboratórios de Empresas Associadas ou Laboratórios Credenciados ao Programa PIQ PET, buscar aproximações de seus associados e credenciados a técnicas mais avançadas de análises e componentes incluídos em análise, como a Análise dos Certificados de Calibração, importante ferramenta para diminuir possíveis erros no processo de medição, apresentando relatórios e laudos mais seguros para os clientes. Diego Henrique S. Bonilha Coordenador Técnico da ANFALPET.

GRANVITA ADQUIRE EXTRUSORA MANZONI MEX-3000
A Granvita, com sede em Pará de Minas - MG, presente no segmento de saúde e nutrição animal desde 1992 e com uma planta fabril com tecnologia de ponta, utilizando o que há de mais moderno na produção de alimentos para animais de estimação, adquiriu uma extrusora Manzoni da linha MEX-3000. Com o objetivo de se manter atualizada e em perfeita sintonia com as exigências dos clientes, a Granvita optou pela Manzoni devido à qualidade de extrusão, a estabilidade do processo e um suporte técnico presente e disponível. A Manzoni consolida mais uma parceria e se fortalece como uma das principais fabricantes de extrusoras do mercado brasileiro. Além de fornecer a linha completa de extrusão a Manzoni também fornece peças para todos os tipos de equipamentos para fábricas de ração com a qualidade e compromisso já reconhecido pelo mercado. Para contatar a Granvita, acesse o site www.granvitapet.com.br

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Semana do Meio Ambiente Qual é o papel do médico veterinário e do zootecnista nessa questão?
Dia 5 de junho se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente e, durante esta semana, várias instituições de Pesquisa e Universidades aproveitaram para comemorar esta data realizando eventos na Semana do Meio Ambiente
E o que é o Meio Ambiente? É tudo que nos rodeia. É a nossa casa, o nosso escritório, o nosso planeta. Tudo o que acontece no meio ambiente tem repercussão direta em nossas vidas. O Dia Mundial do Meio Ambiente é um evento anual que teve seu início no ano de 1972 criado pela ONU que desde então estimula a população mundial a olhar pelo meio ambiente incentivando ações e atenções políticas. Esta data tem como objetivo ser o maior e mais comemorado dia de ações positivas pelo meio ambiente. O importante é que possamos perceber não somente a nossa responsabilidade mas entender que podemos ser agentes de mudança apoiando o desenvolvimento sustentável. O país sede do Dia Mundial do Meio Ambiente neste ano de 2011 é a República da India e o tema é: “Florestas: Natureza a seu serviço”. Hoje 1,6 bilhão de pessoas dependem das florestas para subsistência, mas com a destruição da biodiversidade estas pessoas enfrentam dificuldades para sobreviver. O desmatamento global continua em um ritmo alarmante – a cada ano, 13 milhões de hectares de florestas são destruídos, o que equivale ao tamanho de Portugal. E o Papel do Médico Veterinário e do Zootecnista com relação ao Meio Ambiente? Somos conscientes de nossas responsabilidade? Somos poluidores? Sabemos realizar o gerenciamento de resíduos de nossas clínicas, laboratórios ou como responsáveis técnicos de matadouros e frigoríficos? Sabemos organizar e elaborar projetos para produção animal levando em consideração o destino dos dejetos e a utilização equilibrada dos recursos naturais? É essencial que nos dias de hoje o Médico Veterinário e o Zootecnista conheçam seus papéis dentro do contexto ambiental. Procurar enteder os Aspectos Ambientais, conhecer os Impactos Ambientais e principalmente ter a consciência que a Prevenção e a Educação Ambiental são um importante campo de atuação do profissional de Medicina Veterinária e Zootecnia é o primeiro passo. Foi com este intuito que o Conselho Federal de Medicina Veterinária – CFMV nomeou no dia 31 de maio de 2010 a Comissão Nacional de Saúde Ambiental – CNSA composta por cinco Médicos Veterinários com diferentes experiências na área ambiental. São eles: Claudia Scholten (presidente), Maria Izabel Merino de Medeiros, Maria do Rosário Lira e Castro, Luciano Ferreira Menezes e Maria Auxiliadora Gorga Luna. Profissionais que vem realizando um trabalho de conscientização dos papéis do Médico Veterinário e do Zootecnista na Saúde Ambiental em quase todos os Estados Brasileiros. Um trabalho de avaliação de demandas regionais na área de Meio Ambiente e e repasse e troca de conhecimentos. O caminho para a Sustentabilidade está em saber equilibrar o Desenvolvimento, a Saúde e o Meio Ambiente. Para finalizar citamos o Artigo 225 da Constituição da República Federativa do Brasil promulgada em cinco de outubro de 1988: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. Faça a diferença, faça a sua parte! Fonte: Maria Izabel Merino de Medeiros - CNSA/ CFMV

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Caderno Científico
COMPOSIÇÃO QUÍMICA E DIGESTIBILIDADE DE PARTES E SUBPRODUTOS DE AVES NAS FORMAS CRUA E COZIDA PARA CÃES.
Autores: G.C.M.B. Tavares; A.H.B. Araújo; G.L. Colnago; C.A.R. Lima; W.L. Lima. Resumo: Determinou-se a composição das partes da carcaça – pescoço, dorso e pés de aves -, e sua digestibilidade, usada para cães nas formas crua e cozida. Os animais, pesados antes e depois do período experimental, foram alimentados uma vez ao dia, com livre acesso ao alimento por uma hora. Cada animal recebeu aproximadamente 50g de alimento/kg de peso. As fezes, coletadas diariamente, foram pesadas e congeladas até a realização das análises bromatológicas. Os pés apresentaram maiores valores de proteína bruta (PB) e matéria mineral (MM), o pescoço maior valor de energia bruta (EB), e o dorso, os de matéria seca (MS), matéria orgânica (MO) e extrato etéreo (EE). O cozimento não alterou a composição dos alimentos. Os coeficientes de digestibilidade da MO e da PB do pescoço aumentaram significativamente quando este foi cozido, e os valores da energia metabolizável (EM) e da energia digestível (ED) diminuíram. O cozimento do dorso resultou em diminuição da EM e ED. Os coeficientes de digestibilidade da MS, MO e PB e a ED e EM do pé foram significativamente maiores para o pé cozido. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.62 (2): 453-459, 2010 http://www.scielo.br/pdf/abmvz/v62n2/27.pdf

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Digestibilidade de ingredientes empregados em alimentos úmidos

Neste artigo os autores não mencionam no resumo os coeficientes de digestibilidade obtidos. Por este motivo,
Focam.pdf

abaixo estes são apresentados, extraídos do corpo do texto do artigo científico.
1 06/02/11 16:13

Para a sua ração ser a preferida do mercado ela precisa ser a melhor. E a melhor ração para cães e gatos é a ração que utiliza os produtos da linha Hidrofoc, que são desenvolvidos nos mais altos padrões de qualidade para agregar valor ao seu produto.
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Por: Ricardo Souza Vasconcellos da composição química animal e dos seu o consumo humano. Apesar disto, o intuito deste artigo é mostrar que mesmo sendo considerados subprodutos, muitas destas matérias-primas apresentam alto valor biológico e biodisponibilidade, enquanto outras, devido ao seu baixo aproveitamento, devem ter seu uso mais restrito. Considerando o pequeno número de informações científicas nesta área, nesta edição iremos apresentar dois estudos nos quais foram avaliadas as composições nutricionais e coeficientes de digestibilidade de ingredientes comumente empregados na formulação de alimentos úmidos para cães. No primeiro artigo, além da avaliação da digestibilidade dos ingredientes, os autores determinaram ainda o efeito do tratamento térmico dos alimentos sobre os coeficientes de digestibilidade dos ingredientes, ao compararem os mesmos nos ingredientes antes e após o cozimento. No segundo artigo selecionado, os autores verificaram os coeficientes de digestibilidade de subprodutos de origem animal cru (na forma desidratada) e processado (farinhas de origem animal), empregando aves como modelo de avaliação, uma vez que ensaios para avaliar o valor biológico das fintes protéicas também foram realizados.

conhecimento usados na

ingredientes

alimentação

Com hidrolisados Hidrofoc seus produtos cam super

aproveitamento são fundamentais para atender de maneira satisfatória as exigências nutricionais dos animais. Alimentos secos e úmidos para cães e gatos apresentam em suas formulações uma ampla variedade de ingredientes, sendo as fontes protéicas constituídas principalmente por subprodutos e co-produtos do processo de fabricação de alimentos humanos. Apesar disto, pouco se conhece sobre os coeficientes de digestibilidade de ingredientes para estas espécies. Os alimentos úmidos para cães e gatos apresentam entre 6878% de umidade e empregam nas formulações subprodutos e partes frescas ou congeladas, provenientes do abate de suínos, aves, peixes e bovinos, principalmente, bem como ingredientes de origem vegetal e algumas proteínas animais processadas por spray-dried. Existem basicamente dois tipos principais comercialmente disponíveis, que são aqueles na forma de patê ou pasta e aqueles apresentados na forma de pedaços ao molho. De uma maneira geral, as matérias-primas empregadas são provenientes das partes menos utilizadas destes animais nas linhas de produção de alimentos para

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Focam Ind. e Com. de Aditivos Ltda. Estrada Municipal para Tainhas, Km o1 Carambeí - (PR) www.hidrofoc.com.br www.focam.com.br E-mail: focam@focam.com.br Fone: (42) 3231-9400 / (42) 9973-3812

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Caderno Científico
Tabela resumo dos coeficientes de digestibilidade de ingredientes empregados em formulações de alimentos úmidos, nas formas crua ou cozida.
ingredientes Pescoço Cru Cozido Dorso Cru Cozido Pés Cru Cozido MS 87,4 89,7 89,75 91,07 64,7 78,7 PB 90,0 93,5 90,0 92,2 74,8 93,7 MO 93,8 95,3 94,7 95,6 81,7 92,8 EE 98,9 99,3 99,3 99,5 96,8 98,8 ED 7019 6764 6719 6493 4994 5434

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havendo elevação nos coeficientes de digestibilidade após o tratamento térmico, de uma maneira geral. Todos eles apresentaram excelentes coeficientes de digestibilidade da matéria orgânica, proteína bruta e extrato etéreo. Com relação a redução na ED relatadas no resumo, esta pode ser possivelmente devido a problemas analíticos, uma vez que a composição nutricional dos alimentos foi mantida antes e após o tratamento térmico e, embora não esteja mostrado aqui, pode ser calculado o coeficiente de digestibilidade da energia bruta a partir dos dados do artigo, que apresentou valores mais elevados em todos os ingredientes após o cozimento.

Pode-se verificar que, de uma maneira geral, os ingredientes foram beneficiados pelo tratamento térmico,

QUALIDADE PROTÉICA DE VÁRIOS SUBPRODUTOS CRUS E PROCESSADOS COMUMENTE INCORPORADOS EM ALIMENTOS PARA ANIMAIS DE COMPANHIA.
Autores: K.R. Cramer; M.W. Greenwood; J.S. Moritz; R.S. Beyer; C.M. Parsons Resumo: experimentos foram conduzidos para avaliar a qualidade protéica de vários subprodutos crus e processados comumente usados em dietas para animais de companhia. Seis ingredientes animais crus liofilizados (pulmão bovino, pulmão suíno, pulmão ovino, fígado suíno, peixes marinhos e pescoço de frango) e três farinhas animais processadas (farinha de ovino, farinha de subprodutos de aves convencional e farinha de subprodutos de aves baixa matéria mineral) foram usadas em ensaios com frangos para determinar a biodisponibilidade da lisina e aminoácidos sulfurados totais (AAST), taxa de eficiência protéica (TEP) e taxa de utilização protéica líquida (TUPL). Cada dieta experimental foi oferecida a 4 replicatas com 5 aves por gaiola. Posteriormente, cada ingrediente animal foi oferecido a galos Leghorn brancos adultos para a determinação da digestibilidade verdadeira dos aminoácidos. A maior parte dos ingredientes animais crus apresentou moderada a elevada qualidade protéica. A biodisponibilidade da lisina variou de 86 a 107% e 70 a 99% para os subprodutos crus e processados, respectivamente. Biodisponibilidade de AAST variou de 64 a 99% e 61 a 78% para as farinhas de subprodutos crus e processados, respectivamente. A TEP variou de 2,83 a 4,03 e 2,01 e 3,34 para as farinhas de subprodutos crus e processados, respectivamente. A farinha de ovinos teve o mais baixo valor de TEP e TUPL, enquanto o pulmão suíno teve os valores mais elevados. Digestibilidade de aminoácidos essenciais e de aminoácidos totais variou, respectivamente, de 93,0 a 96,7% e 90,3 a 95,5% para os subprodutos crus e de 84 a 87,7% e 79,2 a 84,8% para as farinhas de subprodutos processados. As farinhas de origem animal processadas em geral tiveram qualidade protéica inferior às farinhas de subprodutos animais crus, com a farinha de ovinos apresentando o menor valor nutricional e o pulmão suíno apresentando o maior valor nutricional. J. Anim. Sci. 85:3285-3293, 2007 http://jas.fas.org/cgi/content/full/85/12/3285 Neste estudo, os autores utilizaram fontes protéicas comuns em formulações de alimentos úmidos (pulmão de bovinos, ovinos e suínos, fígado suíno, peixes marinhos e pescoço de frango) e secos (farinhas de subprodutos de ovinos e frangos). Embora as matérias-primas cruas tenham sido liofilizadas e não tenham sido cozidas, foi possível verificar que estes ingredientes apresentam valor biológico e digestibilidade superiores às farinhas comumente empregadas nas formulações de alimentos secos. Desta forma, de uma maneira geral, os ingredientes atualmente empregados em alimentos úmidos, embora sejam considerados subprodutos, conforme verificado nos dois estudos apresentados, desde que devidamente processados, apresentam aproveitamento excelente pelos animais, o que torna os alimentos úmidos, produtos de elevado valor nutricional. Apesar disto, muitos estudos ainda são necessários, além de melhorias na legislação e no processo de fiscalização dos estabelecimentos produtores destes alimentos, pois a disponibilidade de ingredientes in natura é muito grande, havendo desta forma ingredientes de elevado valor nutricional e, por outro lado, muitos ingredientes compostos basicamente por resíduos de baixo valor nutricional, tais como ossos, tecido conjuntivo, entre outros. Além dos ingredientes, a temperatura de cozimento e utilização de aditivos pode afetar a digestibilidade de alimentos úmidos. Na próxima edição serão apresentados dois artigos em que estes fatores foram avaliados.

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A

contaminação nos alimentos destinados aos

terceira geração dos adsorventes, obrigatoriamente será formulada com ingredientes que facilitem a regeneração dos órgãos afetados pelas micotoxinas”, analisa Márcia Villaça, gerente de vendas Pet & Acqua da ICC Ind. Com. Exp. E Imp. Ltda.

animais por micotoxinas representa um sério problema de saúde - causando diminuição da produtividade, interfere na reprodução e aumenta a taxa de mortalidade -, além de constituir um considerável obstáculo à economia, por afetar o agronegócio. Trata-se de uma questão mundial, já que os fungos, que produzem as micotoxinas, estão amplamente disseminados na natureza, desenvolvendo-se onde houver matéria orgânica. Nos países em desenvolvimento, o imbróglio está nos programas de controle de micotoxinas, enquanto que nos países desenvolvidos, embora haja legislações mais restritas, muitos dependem de importação de grãos. Acredita-se que aproximadamente 25% a 50% de todas as commodities produzidas no mundo, especialmente os alimentos básicos, estejam de alguma forma contaminados por micotoxinas. Para o controle da contaminação nos alimentos, o melhor método é prevenir o crescimento dos fungos, exigindo-se maior controle na qualidade da matériaprima. Métodos alternativos, utilizando-se antifúngicos ou adsorventes nas rações devem ser usados. Porém, além dos adsorventes serem limitados para determinadas micotoxinas, também adsorvem nutrientes dos alimentos.

E xISTE

O ADSORVENTE IDEAL ?

Atualmente, tem-se conhecimento de mais de 500 tipos de micotoxinas, sendo que existe um grande número de variáveis quanto ao acometimento, como matériaprima, espécie animal, clima e área demográfica. Alguns cientistas acreditam que as alterações climáticas levarão a mutações fúngicas e que por isso, um maior número de micotoxinas novas e diferentes ainda surgirão. Quanto aos adsorventes, pode-se classificá-los pelo tipo de ligação: orgânica (por exemplo, parede celular de levedura) e inorgânica (aluminosilicatos), com atuações distintas. No caso da parede celular da levedura, a ação adsorvente ocorre através das beta glucanas, em especial, as glucanas com ligação 1,3 e 1,6, que agem intensificando a ação de células fagocíticas que agirão sobre as micotoxinas. Já no caso dos aluminosilicatos, a ação ocorre através de uma troca catiônica, sendo que a capacidade desta troca, chamada (CTC), varia de acordo com o tipo e origem dos diversos aluminosilicatos presentes no mercado. “Não há um adsorvente 100% eficaz na adsorção das mais de 500 micotoxinas presentes em todo o mundo, então acreditamos que a
“Não há um adsorvente 100% eficaz. Acredito na terceira geração, formulada com ingredientes que facilitem a regeneração dos órgãos afetados pelas micotoxinas”, Márcia Villaça, da ICC.

De acordo com o gerente da Alltech, Camilo Beck, duas características são fundamentais em um adsorvente: a capacidade de adsorver um amplo espectro de micotoxinas, assim como, a estimulação ao sistema imunológico dos animais. “No campo, os animais estão expostos a grãos naturalmente contaminados por múltiplas micotoxinas e não apenas por uma, portanto, o adsorvente ideal é aquele produto com maior espectro de ação. Com capacidade de se ligar a um grande número de grupos químicos de micotoxinas e com o máximo de estabilidade de adsorção ao longo do trato gastrointestinal. A segunda característica está relacionada à capacidade do produto de estimular o sistema imunológico, justamente porque as micotoxinas atuam deprimindo este sistema. Acredito que a Alltech está conseguindo chegar perto de um produto ideal,

Sem trégua às micotoxinas
Por: Lia Freire

O contínuo trabalho da indústria para desenvolver soluções cada vez mais eficazes no combate às micotoxinas

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aprimorando cada vez mais as características do Mycosorb”, destaca Camilo. Para a empresa Biomin, o desenvolvimento de um adsorvente de grande espectro não é a solução ideal, já que as micotoxinas possuem diferentes estruturas e polaridades. “A partir de estudos científicos tornouse claro que a eficácia da adsorção destes produtos é duvidosa. Além disso, a adsorção não específica de minerais, vitaminas e outros componentes das rações animais deve ser levada em consideração. Infelizmente, mesmo que grandes avanços tenham sido conseguidos em relação às micotoxinas existentes, novas emergem a cada dia o que requer uma grande persistência e investigação científica contínua para combatê-las”, opina Inês Rodrigues, gerente técnica da Biomin. Em busca de um adsorvente ideal, a Nutriad trabalha e desenvolve as suas soluções a partir do conceito de multifuncionalidade. “O nosso adsorvente não apenas adsorve as micotoxinas, como também age de forma multifuncional. Adsorver as micotoxinas é apenas uma parte do processo. As micotoxinas apolares precisam ser biotransformadas; os radicais livres, resultantes do processo de estresse oxidativo, anulados e os órgãos que sofreram danos, como o fígado, por exemplo, reparados. Baseado nisso desenvolvemos nossos produtos, com complexidade, para agir de maneira multifuncional,” explica Diogo Menezes Villaça, gerente da Nutriad.
“Avançamos rapidamente na eficácia dos adsorventes de origem microbiológica. Oferecemos um produto com maior espectro de ação, maior percentual de adsorção e maior capacidade de estimular o sistema imunológico dos animais”, Camilo Beck, da Alltech.

de Nutrigenômica, nos EUA, para estudar a composição química das diferentes cepas de levedura, além de determinar como a inclusão de Mycosorb na alimentação pode alterar a expressão dos genes dos animais. A Alltech conta ainda com uma equipe de gerentes mundiais, todos especialistas em micotoxinas, responsáveis por coordenar novos estudos nas universidades locais, acompanhar os resultados do produto a campo e implementar programas de controle de micotoxinas. “Estamos avançando rapidamente na eficácia dos adsorventes de origem microbiológica e, hoje, oferecemos um produto com maior espectro de ação, maior percentual de adsorção e maior capacidade de estimular o sistema imunológico dos animais”, afirma Camilo.

técnica é oferecida aos clientes como um serviço complementar ao uso do adsorvente, sem custo adicional, com o objetivo de ampliar o controle de micotoxinas. Para implantá-lo, estabelecemos parcerias com laboratórios de pesquisas das universidades e consultores especializados em armazenamento e programas como BPF e HACCP”, explica Camilo.

STARFIx® E O SEU DUPLO EFEITO
A partir da filosofia de disponibilizar soluções que possam ser amplamente empregadas pela indústria de nutrição animal, a ICC Ind. Com.Exp. e Imp. Ltda desenvolve os seus produtos, que são levados a campo antes de serem apresentados ao mercado. A empresa possui estrutura própria para a realização de testes in

A LÉM DOS ADSORVENTES
Adotar programas de controle e prevenção às micotoxinas é fundamental em seu combate e seguindo este princípio, a Alltech não oferece apenas o adsorvente Mycosorb, como também desenvolveu para os seus clientes, há 7 anos, um programa amplo e preventivo, denominado PACPC - Programa Alltech de Controle de Pontos Críticos. O PACPC está baseado em 7 princípios do HACCP, em que identifica-se nas fábricas de ração, através de análises microbiológicas e micotoxicológicas, os locais mais contaminados por fungos, micotoxinas e bactérias. “Através da educação, estamos implementando em nossos clientes programas preventivos de controle de fungos e micotoxinas, que incluem a qualificação de fornecedores, segregação de grãos, boas práticas de armazenamento e produção de ração. Esta ferramenta

vivo, além de trabalhar em parceria com instituições de pesquisas no Brasil e exterior; e contar com a assessoria de profissionais especializados em micotoxinas e saúde animal. “O nosso controle de qualidade é outro importante diferencial, sendo todos os lotes produzidos laudados quanto aos componentes ativos do produto, por exemplo, glucanas, mananas e nucleotídeos, proporcionando maior confiabilidade e segurança em comparação a concorrência”, destaca Márcia, gerente da ICC. Atualmente, empresa comercializa o Zenifix, um aluminosilicato com ação adsorvente e com alta capacidade de troca catiônica. A partir do segundo semestre de 2011 lançará o Starfix®, que além de adsorver uma ampla gama de micotoxinas, apresenta substâncias capazes de realizar a regeneração hepática, reduzindo com isto os riscos de danos à saúde animal. “Ou seja, a solução terá duplo

presentes na ração e, isso também já foi comprovado cientificamente. Não há risco de contaminação por metais pesados e dioxinas e seu processo de fabricação é padronizado e patenteado, sem variações ao longo do ano”, destaca o gerente, Camilo. Com uma equipe de pesquisadores, que atua globalmente, incluindo especialistas em toxicologia e químicos que trabalham em cooperação com as principais universidades do mundo, a Alltech realiza parcerias para avaliar as possibilidades de evolução do seu produto, assim como sua eficácia, sempre por meio de ensaios in vitro e in vivo. Também como parte de sua estrutura, há um Centro

MyCOSORB ,

DESDE

1993

NO MERCADO

Lançado pela Alltech há 18 anos, Mycosorb é um aditivo natural para utilização na ração de aves e animais de produção, oferecendo adsorção das micotoxinas: af latoxinas, zearalenona, DON deoxinivalenol, ocratoxina A, toxina T2 e fumonisina. A sua formulação é composta por glucanos extraídos da porção interna da parede celular de cepas específicas da levedura Saccharomyces cerevisiae. O fabricante destaca que não é um subproduto da indústria de cana-de-açúcar, cervejaria ou panificação, sendo desenvolvido para uso exclusivo na nutrição animal, com a finalidade de adsorver as micotoxinas e estimular o sistema imunológico dos animais. “Estudos in vivo demonstram que o Mycosorb não apresenta efeito tóxico aos animais e sua eficácia foi comprovada em 60 experimentos, conduzidos em diferentes universidades do mundo, sendo que 6 destes foram realizados no Brasil. A solução não interage com os nutrientes e outros aditivos

Aditivo natural, o Mycosorb, da Alltech, vem da levedura e oferece adsorção das micotoxinas aflatoxinas, zearalenona, DON - deoxinivalenol, ocratoxina A, toxina T2 e fumonisina.

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efeito, o de proteção quanto às micotoxinas e o de suporte regenerativo, por intensificar a multiplicação celular”, enfatiza a profissional.

menor da solução por tonelada de ração; o extrato de parede de leveduras, responsável pela biotransformação, que consiste na transformação das micotoxinas em compostos químicos mais hidrofílicos através de processos microbiológicos como reações de hidroxilação, de-epoxilação ou deacetilação; o hepatoprotetor, que reverte os danos causados pelas micotoxinas no fígado; os antioxidantes, que neutralizam os radicais livres, resultando em uma melhora global na saúde dos animais, reduzindo o estresse metabólico e, por fim, a certificação de qualidade internacional. O processo de desenvolvimento de soluções inovadoras e aprimoramento de produtos é uma constante na Nutriad, que atualmente oferece as seguintes soluções: Toxy-Nil Dry com ação direcionada à adsorção de micotoxinas polares como af latoxina (AFLA) e ocratoxina (OCRA); Toxy-Nil Plus Dry, com amplo espectro, fornecendo substrato para a biotransformação de micotoxinas apolares, incluindo ação em AFLA, OCRA, fumonisina (FUMO), zearalenona (ZEA), tricotecenos (T-2,TH-2), nivalenol (NIV), diacetoxiscirpenol (DAS) etc; Toxy-Nil Unike™ Dry, um adsorventre multifuncional, com ação de amplo espectro, adsorvendo micotoxinas polares e fornecendo substrato para a biotransformação de micotoxinas apolares. Algumas das micotoxinas neutralizadas pela adsorção ou biotransformação são AFLA, OCRA, FUMO, ZEA, T-2,TH-2, NIV, DAS etc, além disso possui antioxidantes e protetor hepático que agem em sinergia formando um complexo único. E, uma nova geração do Toxy-Nil™ Unike já está sendo desenvolvida. “Todos os aditivos oferecidos pela Nutriad, passam por fase de experimentação, testes in vitro e in vivo, em universidades e centros de pesquisas que são referências científicas no mundo. Aliás, possuímos dois centros de pesquisas aplicadas, um na Andaluzia (Espanha) e outro em Dendermonde (Bélgica), além de cinco laboratórios localizados em Chester (Inglaterra), Dendermonde, Andaluzia e Chicago (EUA). Contamos ainda com uma equipe de zootecnistas, veterinários, químicos, biólogos e engenheiros que trabalham continuamente no desenvolvimento e aprimoramento de produtos para atender necessidades específicas de cada espécie e mercado. Somente após comprovação da eficiência, um produto é oferecido comercialmente. Além de

INVESTIMENTOS EM ESTUDOS E PESQUISAS
No momento, a ICC conduz oito experimentos in vivo com diversas espécies animais. A empresa tem um comprometimento fixo de investir anualmente em pesquisas, que no orçamento de 2011, foi aumentado em 50% em comparação ao ano anterior. Desde 2009 possui um galpão na USP Campus de Pirassununga (SP) com capacidade de alojar cerca de 1.680 aves. Todos experimentos são desenvolvidos por docentes qualificados e técnicos da ICC, ambos com mestrado e/ ou doutorado em produção animal. “Além de possuir estrutura própria para o desenvolvimento de pesquisas, a ICC também conta com a parceria de diversos centros de pesquisas como Esalq, Universidade Federal de Viçosa, UNESP de Jaboticabal, instituições internacionais como a West Virginia University e Mississippi State University para a realização de testes experimentais com diversas espécies animais.

FORMULAÇõES APRIMORADAS
Visando oferecer diversos tipos de adsorventes com formulações distintas para atender as necessidades de cada produtor e fabricante de ração, a Nutriad apresenta a linha Toxy-Nil, que tem entre os seus principais diferenciais a sepiolita especialmente tratada, que resulta em uma adsorção mais eficiente e permite uma inclusão

“Todos os nossos aditivos passam por fase de experimentação, testes in vitro e in vivo, em universidades e centros de pesquisas que são referências científicas no mundo”, Diogo M. Villaça, da Nutriad.

extensas pesquisas, procuramos disponibilizar serviços de monitoramento de micotoxinas, visitas técnicas e

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acompanhamento a campo”, afirma Diogo, gerente da Nutriad.

gerente da Biomin, Inês. Até recentemente não existia legislação na União Europeia que reconhecesse aditivos de rações com

A

BIOTRANSFORMAÇÃO

propriedades para o combate às micotoxinas, por isso existem mais de 100 produtos no mercado com várias denominações para o controle de micotoxinas. No entanto, no ano de 2009, o comitê da Standing Committee on the Food Chain and Animal Health (SCFCAH) Cadeia Alimentar e Saúde Animal -, votou positivamente para a abertura de um novo grupo funcional dentro do regulamento (EC) 1831/2003, reconhecendo “substâncias para a redução da contaminação dos alimentos para animais por micotoxinas: substâncias que podem inibir ou reduzir a absorção de micotoxinas, favorecer a sua excreção ou modificar o seu modo de ação.” Esta foi uma etapa histórica no longo percurso de aceitação e aprovação de produtos inativadores de micotoxinas na União Europeia. A European Food Safety Authority (EFSA) - Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar-, estabeleceu então parâmetros rígidos para a avaliação destes produtos, fazendo com que muitas empresas de aditivos para rações desistissem de ter seus aditivos legalmente registrados, tentando aplicá-los simplesmente como componentes de rações, denominação que não exige um processo oficial de avaliação/registro. O esforço, a dedicação e o investimento em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) permitiu que a Biomin fosse a primeira empresa a receber da EFSA o aval para o registro do Mycofix® como aditivo para rações com propriedades antimicotoxinas. projetos integrados de pesquisa.

As Micotoxinas
Produzidas por certos fungos presentes naturalmente em produtos e subprodutos agrícolas, especialmente nos cereais, as micotoxinas são abundantes no solo. Os fungos também podem surgir durante o armazenamento, bem como, no processamento das rações. A umidade é fator determinante para a proliferação dos fungos e a temperatura ideal está situada na faixa de 20-30 ºC. Algumas toxinas são carcinogênicas, mutagênicas e teratogênicas e podem atuar de várias formas, isoladamente ou em conjunto, dependendo dos níveis e combinações delas encontradas nos alimentos. As micotoxinas polares são aquelas que possuem cargas elétricas e se juntam ao agente adsorvente levando à neutralização da toxina. Já as apolares não apresentam cargas elétricas e, portanto, devem passar por um processo de biotransformação. Este processo consiste na transformação das micotoxinas em compostos químicos mais hidrofílicos.

O interesse da Biomin por micotoxinas começou em 1985, quando o primeiro adsorvente de micotoxinas foi comercializado. Hoje em dia, e após várias descobertas e avanços obtidos em seu Centro de Investigação e em cooperação com diversos parceiros externos, a empresa conta com uma linha modular de produtos, a Mycofix®, para o manejo do risco das micotoxinas. “Os produtos Mycofix® não se enquadram no simples conceito de adsorvente. Eles apresentam-se como um produto inativador de micotoxinas. Os componentes adsorventes permitem a eliminação da toxina através da sequestração de af latoxinas, fumonisinas e alcalóides do ergot. A biotransformação facilita a eliminação da toxicidade de mais de 170 tricotecenos diferentes, da zearalenona e das ocratoxinas, através da alteração das suas estruturas tóxicas em metabólitos não tóxicos. A bioproteção elimina os efeitos tóxicos causados por todas as toxinas, protegendo o fígado e compensando o efeito imunossupressor das micotoxinas”, detalha a

O

QUE DIZ A LEGISLAÇÃO

Um time técnico formado por 7 pessoas para gestão de produtos localizados, trabalha oferecendo apoio aos mercados regionais e às equipes de vendas de todo o mundo, fazendo a ligação entre a P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) e o cliente final. Finalmente, as equipes de vendas da Biomin são compostas por veterinários ou zootecnistas responsáveis pelo apoio técnico nos diferentes países e pelo feedback que é crucial para o desenvolvimento continuado dos produtos. “Mais do que vender apenas produtos, a Biomin orgulhase em auxiliar os seus clientes, fornecendo soluções credíveis e apoio técnico constante”, afirma Inês. Cerca de 6% a 8 % dos lucros obtidos com as vendas são reinvestidos em P&D, além disso, a Biomin tem feito um grande investimento na análise de micotoxinas, ingredientes e rações. Tais informações são compiladas periodicamente e publicadas como Biomin’s Mycotoxin Survey, uma ferramenta de apoio à indústria com informações detalhadas sobre a ocorrência mundial de micotoxinas. Devido a demanda, os cientistas do Centro de Investigação da Biomin têm focado suas atenções nos alcalóides de ergot e em fungos endofíticos. Os ergots afetam principalmente o centeio, o tritical, a cevada e o trigo, tendo um impacto negativo na saúde e produtividade dos animais. Já os fungos endofíticos (Neotyphodium coenophialum) afetam o azevém (Lolium perenne) e a festuca (Festuca arundinaceous), produzindo alcalóides, prejudicando a saúde e o desempenho dos animais. nas

Com relação aos alimentos para consumo animal (matérias-primas e rações), a Portaria MA/SNAD/SFA nº 183, do Ministério da Agricultura (Diário Oficial da União, de 09/11/1988), estipula, para qualquer matériaprima para alimentação direta ou como ingrediente para rações, o limite máximo para af latoxinas (B1+B2+G1+G2) de 50 μg/kg. Muito embora, a legislação contemple apenas as af latoxinas, cientistas brasileiros já estão, há bastante tempo, conduzindo pesquisas com outras importantes micotoxinas, como a citrinina, as fumonisinas, a ocratoxina A, a patulina, os tricotecenos e outras menos frequentes. Têm-se observado uma tendência à uniformização legislações em todos os continentes, bem como, a redução dos limites máximos permitidos, especialmente para as af latoxinas. Na América Latina, 19 países dispõem de legislação para micotoxinas e no caso das af latoxinas há uma harmonização entre as leis dos países do Mercosul, englobando a Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, sendo que este último tem a legislação mais detalhada da América Latina, com limites para os alcalóides ergóticos em rações, o que é inédito em qualquer legislação no mundo.

E STUDOS

E PESQUISAS

O Centro de Investigação da Biomin conta com mais de 50 pesquisadores, desde cientistas seniores até estudantes de mestrado e doutorado. A empresa também mantém várias parcerias com universidades, centros de pesquisas, empresas de renome, inclusive do mesmo grupo, e que já resultou no maior estudo em relação à ocorrência mundial de micotoxinas – o Biomin’s Mycotoxin Survey - uma ferramenta que fornece importantes informações sobre a ocorrência mundial de micotoxinas em componentes individuais e nas rações animais. A Biomin ainda participa ativamente do projecto MycoRed, cujo objetivo é desenvolver
“Os produtos Mycofix® não se enquadram no simples conceito de adsorvente. Eles apresentam-se como um produto inativador de micotoxinas”, Inês Rodrigues, da Biomin.

OS

PREjUÍZOS CAUSADOS NO MERCADO DE NUTRIÇÃO ANIMAL

Mensurar os prejuízos causados pelos efeitos das micotoxinas nas rações para animais de companhia é mais complicado, uma vez que estes animais não vivem em grupos confinados. É fato, que os fabricantes

soluções estratégicas para a redução da contaminação das cadeias alimentares por micotoxinas, através de

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Os Tipos de Micotoxinas
Principais substratos Amendoim, milho. Fungos produtores Aspergillus flavus eAspergillus parasiticus Penicillium citrinum Principal toxina Aflatoxina B1 Principal toxina Hepatotóxica, nefrotóxica, carcinogênica. Nefrotóxica para suínos Trigo, aveia, cevada, milho e arroz. Centeio e grãos em geral. Citrinina

práticas de manejo por parte dos produtores, visando o controle dos fungos durante o desenvolvimento das culturas e o armazenamento dos grãos; a falta de fiscalização, por parte do governo federal, dos fornecedores de grãos, estabelecendo níveis máximos de micotoxinas; a falta de remuneração dos produtores por qualidade; poucas empresas para monitorar a ocorrência de micotoxinas antes da compra das matérias-primas ou para fazer a segregação por qualidade, entre outros pontos. Recentemente, Camilo esteve em um evento em Buenos Aires que tratou sobre as pesquisas relacionadas às micotoxinas e os investimentos em equipamentos para colocar em prática um programa de controle preventivo (PEA 37046) que englobe toda a cadeia, desde a produção de grãos nas fazendas até o uso de adsorventes nas rações. “Este programa argentino está servindo de base para o MycoRed, que será adotado nos países produtores de grãos e carne da União Europeia. O governo brasileiro poderia pensar em algo similar”, alerta o gerente.

Do ponto de vista da Biomin, o maior desafio está no fornecimento de soluções inovadoras de acordo com os últimos avanços científicos, com produtos de alta qualidade. Especialmente no caso das micotoxinas, a informação existente e os métodos analíticos desenvolvem-se a um ritmo alucinante. ‘Os clientes estão cada vez mais exigentes e, por isso, só irão estabelecer parcerias com empresas capazes de superar tais desafios”, analisa a gerente da Biomin, Inês. Para o gerente da Nutriad, Diogo, um dos principais desafios está em detectar os efeitos das micotoxinas em pets, pois depende da análise dos sinais clínicos, já nos animais de produção os efeitos são bem mais conhecidos. “O grande problema é conseguir identificar os sinais subclínicos no animal, que muitas vezes são sutis e vagos, por isso, a abordagem mais promissora e prática tem sido a adição de aditivo adsorvente multifuncional em todas as rações, independente do nível de contaminação”, opina Diogo, gerente da Nutriad

Claviceps purpurea

Ergotamina

Gangrena de extremidades ou convulsões Câncer de esôfago Hepatotóxica, nefrotóxica, carcinogênica. Toxicidade vagamente estabelecida

Milho Cevada, café, vinho.

Fusarium verticillioides Aspergillus ochraceus e Aspergillus carbonarius Penicillium expansum e Penicillium griseofulvum Fusarium sp Myrothecium sp Stachybotrys sp Trichothecium sp

Fumonisinas Ocratoxina

Frutas e sucos de frutas

Patulina

Milho, cevada, aveia, trigo, centeio.

Tricotecenos: T2, neosolaniol, fusanona x, nivalenol, deoxivalenol. Zearalenona

Hemorragias, vômitos, dermatites.

Cereais

Fusarium graminearum

Baixa toxicidade, síndrome de masculinização e feminização em suínos

Fonte: http://www.microbiologia.vet.br/micotoxinas.htm

de rações prezam por sua marca e a qualidade da mesma, o que consequentemente leva a fidelização dos consumidores. Sabe-se que cães e gatos dificilmente irão morrer intoxicados por micotoxinas, mas poderão apresentar inúmeros problemas de saúde, em alguns casos, levando-os a morte. Surgem doenças intestinais, na pelagem, há problemas de imunidade e até mesmo a ocorrência de câncer. “Em aves, por exemplo, a situação é diferente. Através de um estudo que realizamos em cooperação com a EMBRAPA Suínos e Aves, em Concórdia (SC), com frangos de corte e utilizando milho contaminado com baixos níveis de af latoxina (5 ppb) e fumonisina (2 ppm), incluindo ou não Mycosorb, conseguimos aumentar significativamente a viabilidade das aves (de 95% para 99%). Este resultado para uma empresa que abate 150 mil aves/dia, representa um retorno financeiro de R$ 600 mil/mês, ou seja, sem o

uso do adsorvente a empresa deixaria de vender R$ 600 mil/mês ou R$ 7,2 milhões em kg de carne de frango/ ano”, exemplifica o gerente da Alltech, Camilo.

OS

DESAFIOS E O QUE PODERIA SER MELHORADO NO

B RASIL

Segundo a executiva da ICC, Márcia, em um país de grande extensão territorial, clima tropical e de diferenças sociais como o Brasil, o desafio está em fazer com que seja dada a devida importância que o tema micotoxina merece. “O maior desafio é o educacional. É vital que o produtor rural e a indústria de rações sejam treinados quanto às técnicas de controle das matériasprimas, desde a colheita ao armazenamento dos grãos.” Dentre os principais problemas, que tornam mais difíceis as ações de controle das micotoxinas, segundo o gerente da Alltech, Camilo, estão a falta de adoção das

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Entrevista

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Por: Lia Freire

Elizabeth Santin

Revista Pet Food - Quais as principais micotoxinas presentes na nutrição animal? Em quais alimentos são encontradas? Elizabeth Santin - Depende muito da região onde é produzido o cereal utilizado como ingrediente ou condições onde o alimento/ingrediente é armazenado. Os fungos podem crescer em várias partes do processo de produção do alimento animal (lavoura, durante o armazenamento do cereal, na fábrica de rações, nas casas dos proprietários e mesmo no comedouro dos animais) e dependendo das condições ambientais há diferentes espécies de fungos crescendo e várias possibilidades das micotoxinas serem produzidas. Falando somente no que se refere às condições de lavoura, na região Sul do país existe, por exemplo, o “ambiente ideal” para o crescimento do fungo do gênero fusarium, que produz a zearalenona e está presente no milho e, em níveis relativamente altos. Já a aflatoxina, nos últimos anos, tem aparecido muito menos em cereais do Brasil. Quanto ao tipo de alimento mais predisposto às micotoxinas, podemos incluir praticamente todos os cereais utilizados na alimentação animal e também humana como amendoim, arroz, milho, soja, trigo, só para citarmos alguns. É importante ainda dizer que quanto mais orgânicas as condições de produção do alimento/cereal, mais alta a probabilidade de crescimento fúngico e da presença das micotoxinas. Revista Pet Food - Quais os sinais clínicos e efeitos causados nos animais? Elizabeth - Os sinais clínicos variam muito, dependendo do tipo da micotoxina (existem mais de 300 metabolitos) e da espécie animal. Apesar de existirem muitos relatos de micotoxicoses agudas em animais (consumo de altos níveis de micotoxinas no alimento de uma só vez), causando vômitos, diarréia, hemorragias e até mesmo levar a morte, na maioria dos casos, os animais são intoxicados de forma crônica. Este tipo de intoxicação se refere ao animal ingerir doses relativamente baixas (muitas vezes não consideradas como tóxicas pela legislação) de forma continua ou intermitente, ou seja, por vários dias consecutivos, ou então, param alguns dias e voltam a consumir de novo o alimento contaminado. Nestes casos observa-se mudança de comportamento dos animais, que ficam apáticos e não comem muito.

Pode-se ainda observar diarréia, intensa ou não, dependendo dos níveis de toxinas ingeridas. Há casos em que ocorrem falhas reprodutivas, abortos e, mais importante, imunossupressão, deixando esses animais susceptíveis a outras enfermidades. Ao não desconfiar da presença de micotoxicoses são tratados os problemas secundários advindos da imunossupressão. Os sinais podem diminuir à medida que o animal para de consumir o alimento contaminado, mas o restabelecimento completo da saúde requer um tempo maior após a troca do alimento. Outro problema que chama atenção nas micotoxicoses crônicas é que algumas delas como aflatoxinas e ocratoxinas, por exemplo, são consideradas carcinogênicas e isso pode predispor o animal ao aparecimento de tumores em diversos órgãos. Revista Pet Food - Quais os principais desafios no combate às micotoxinas? E os principais avanços obtidos até hoje? Elizabeth - O principal desafio é o diagnóstico, infelizmente a simples análise de micotoxinas não garante que o alimento esteja seguro. As micotoxinas não estão distribuídas uniformemente no alimento, assim se não existir uma amostragem adequada não será possível ter segurança na análise realizada. A maioria das vezes, quando se desconfia de micotoxicose em animais pelos sinais clínicos, o alimento nem está mais disponível e isso impede que o diagnóstico seja confirmado. Apesar disso, muitas pesquisas no mundo todo, têm buscado cada vez mais entender os mecanismos de ação das micotoxinas e tem ajudado a prevenir este problema. Os produtores de alimento animal têm buscado maior controle da matéria-prima utilizada, assim como dos pontos críticos de controle de crescimento fúngico ao longo da cadeia de produção do alimento. Revista Pet Food - Atualmente quais os tipos de micotoxinas que mais vêm afetando o setor de nutrição animal? Houve alguma mudança significativa nos últimos anos? Elizabeth - Hoje existe uma preocupação grande com toxinas de fusarium, como zearalenona, fumonisina, tricotecenos (DON, DAS, T2 etc). Antigamente era muito mais comum encontrar aflatoxina em cereais no Brasil.

“O mundo inteiro sofre com os problemas relacionados às micotoxinas e micotoxicoses. O principal desafio é o diagnóstico, infelizmente a simples análise de micotoxinas não garante que o alimento esteja seguro.”

A Professora Doutora e Chefe do Departamento de Medicina Veterinária da UFPR, de Curitiba, Elizabeth Santin, tem a sua linha de pesquisa baseada nas interferências nutricionais sobre a saúde animal. Possui publicações em jornais científicos e eventos sobre a temática de micotoxicoses. Consultora para várias empresas sobre a implantação do programa prático de controle de micotoxicoses, nos concedeu a seguinte entrevista:

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Revista Pet Food - Como o Brasil está posicionado em relação ao resto do mundo, em termos de desenvolvimento de soluções para combater às micotoxinas? Elizabeth - O Brasil tem vários grupos de estudo que pesquisam e publicam resultados relevantes sobre micotoxinas e micotoxicoses. O Próprio Ministério da Agricultura tem desenvolvido grupos de discussão nesta área e algumas medidas de controle de qualidade em fábrica de rações (Boas Práticas de Fabricação, por exemplo), ainda que não diretamente atuando sobre micotoxinas tem ajudado muito no controle das micotoxicoses em animais, por melhorarem as condições de fabricação do alimento. Pessoalmente, vejo que o Brasil está mais avançado que a maioria dos países latino-americanos em relação ao controle de micotoxinas e micotoxicoses. Já em comparação à Europa e América do Norte, apesar de existirem legislações mais restritas quanto vezes considerados não tóxicos em condições experimentais. Em condições reais, os animais têm sido expostos a grãos de baixa qualidade e contaminados, modificando a avaliação de perdas relacionadas às micotoxicoses. Não tenho conhecimento de dados que envolvam uma perda real relacionada às micotoxicoses em nutrição animal, o que existe são dados referentes a micotoxicoses agudas e que não envolvem todo o prejuízo já ocasionado nos grãos por crescimento fúngico. Sabe-se que os fungos retiram boa parte da energia e de alguns aminoácidos específicos dos grãos e isso, por si só, já representa um grande prejuízo. Revista Pet Food - Na sua opinião, o que poderia ser feito ou quais as medidas tomadas para a prevenção e a redução do problema na área de nutrição animal? Elizabeth – Um controle integrado de qualidade de matéria-prima e medidas que evitem o crescimento fúngico ou minimize seus prejuízos. Todas as metodologias de BPF e HACCP podem ser empregadas com muito sucesso neste aspecto. É importante conscientizar todos os elos da cadeia de produção de alimento animal sobre as medidas de controle fúngico, incluindo os proprietários de animais que adquirem o alimento e o armazenam em casa. Evitar condições de umidade e temperatura que permitam o crescimento fúngico, em todos os pontos de armazenamento é fundamental. Quando for necessário utilizar matéria-prima que não esteja na melhor qualidade é importante uma criteriosa análise bromatológica para que se busque através de correções nutricionais evitar prejuízos. Existe ainda a possibilidade de suplentação de antioxidantes naturais na dieta como vitaminas e minerais, pois sabe-se que micotoxinas como a fumonisina aumenta a demanda do organismo animal por antioxidantes e a suplementação com vitamina E e selênio, por exemplo, pode ser uma boa medida neste aspecto.Também é possível utilizar adsorventes de micotoxinas. Há muitos produtos comerciais no mercado e, por isso, é necessário ser criterioso na escolha, para que realmente se comprove a eficácia através de avaliações científicas, se possível com estudos in vivo, mesmo que sejam em espécies diferentes das que estamos buscando prevenir as enfermidades. Todas estas medidas são preventivas, de maneira que devem ser empregadas continuamente no dia a dia das fábricas de alimentação animal e não como medidas esporádicas quando os animais já apresentam sinais clínicos.

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“Vejo que o Brasil está mais avançado que a maioria dos países latinoamericanos em relação ao controle de micotoxinas e micotoxicoses”.
os níveis de micotoxinas em alimento animal, isso não os coloca necessariamente em condições melhores de controle destas enfermidades porque dependem de cereais de outros países para a produção de seus alimentos. Acredito que o mundo inteiro sofre com estes problemas. Claro que não se compara ao descaso que existem em países da África onde a falta de alimento é tão grande que as micotoxicoses acabam sendo um problema secundário. Revista Pet Food - Teria informações sobre os prejuízos causados ao mercado de nutrição animal em virtude da presença das micotoxinas? Elizabeth – É preciso esclarecer que o crescimento fúngico em grãos e alimentos não provoca somente a produção de micotoxinas. Pelo contrário, a primeira perda está relacionada à questão nutricional. Particularmente, eu acredito que esta seja uma questão fundamental que deva ser abordada quando o assunto for micotoxicoses, pois sabe-se que animais expostos à matéria-prima de má qualidade estão predispostos a micotoxicoses em níveis muitas

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Informe Técnico

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A

Um Concentrado de Desempenho
aquacultura é o setor agropecuário de maior crescimento

Hidrolisados Funcionais:
Pesquisadores da AQUATIV isolaram e concentraram estes compostos, basicamente constituídos de peptídeos, aminoácidos e nucleotídeos ativos. Também demonstraram em nossos centros de testes que estes compostos ativos são fundamentais para a atividade fisiológica de peixes e camarões, refletindo no desempenho produtivo dos animais. A AQUATIV demonstrou que a atividade biológica destes compostos de baixo peso molecular exige a presença de matéria-prima fresca de alta qualidade e de um processo suave que evite a desnaturação protéica. O bioprocesso de hidrólise AQUATIV proporciona um alto nível destes compostos de baixo peso molecular preservando sua atividade biológica: os “Nutrientes Ativos NaturaisTM” (NAN). Naturalmente palatáveis, os NANTM apresentam alta atratividade para os animais, além de promover benefícios funcionais e nutricionais, permitindo a otimização dos custos de formulação e a substituição da farinha de peixe. Os Hidrolisados AQUATIV são promotores naturais de crescimento que melhoram a ingestão de alimentos e aceleram o crescimento, reduzindo o tempo de cultivo e os custos de produção. A missão da AQUATIV, empresa pertencente ao grupo internacional Diana Ingredients, é desenvolver hidrolisados funcionais naturais que auxiliem produtores de peixes e camarões e fabricantes de alimentos a superar os desafios produtivos.
Juliane Gaiotto, Mestre em produção animal especialista em nutrição de peixes e camarões, AQUATIV DO BRASIL

no mundo, com aproximadamente 8% ao ano nos últimos 20 anos (fonte: FAO, 2010) e sua contribuição com a disponibilidade de pescado como alimento à humanidade alcançou praticamente 50%. No Brasil, a atuação da aquacultura também é crescente, com estimativas de crescimento de 14% para 2011 (fonte: Sindirações, 2011). Acompanhando este crescimento, produtores e fabricantes de alimentos para aquacultura enfrentam atualmente numerosos desafios, como a constante evolução dos aspectos regulatórios, o surgimento de restrições ambientais e a redução global de matérias-primas essenciais, tornando cada vez mais difícil combinar alta produtividade com práticas sustentáveis. Neste contexto, na última década muito tem se discutido sobre a substituição da farinha de peixe por fontes alternativas de proteína animal e/ou vegetal. Vários estudos demonstraram que o ganho de desempenho através da nutrição clássica, contendo farinha de peixe, dificilmente pode ser alcançado com dietas contendo exatamente o mesmo valor nutricional (proteínas, aminoácidos, gordura), porém sem a farinha de peixe. A diferença pode ser explicada devido à presença de componentes biologicamente ativos de baixo peso molecular presentes na farinha de peixe, que impulsionam o crescimento do animal. Contudo, devido ao tratamento térmico no qual a matéria-prima é submetida durante o processo de produção da farinha, as quantidades destes compostos ativos passam a ser muito baixas.

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Em Foco 1

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Análise global dos canais de informação mais confiáveis sobre animais pelos consumidores
“O Mercado Animal” - uma análise do Laboratório Adem da Universidade de Parma, verifica o mercado global de Pet Food e produtos Pet, assim como o acesso de consumidores por informações relacionadas a posse e cuidados de animais em diferentes canais
Consumidores recorrem mais a pet shops quando procuram por conselhos sobre cuidado animal

U

m olhar global no mercado Pet mostra que as

tempos, 8,3 milhões - quase tão alta quanto à população de gatos de 8,6 milhões. Uma pesquisa de 2010 da AISAD, uma Associação Italiana de Animais, procurou os lugares de maior confiança para consumidores obterem informações em questões relacionadas à posse de animais. A pesquisa concluiu que lojas especializadas são os lugares de maior confiança para conselhos em cuidado animal, higiene, nutrição e registros. Os criadores foram considerados de maior confiança por consumidores para garantias em origem de animais e assistência relacionada, assim como saúde animal e criação. A pesquisa concluiu que as lojas especializadas são mais confiáveis para compra de animais confiáveis, porém criadores e proprietários particulares de animais também foram considerados pontos de referência importantes. Embora haja uma pequena competição em canais de informação que ofereçam interação direta, a Web é considerada uma importante fonte de informação para todos os tópicos relacionados a animais. Fonte: Euromonitor International

vendas em Pet Food e Petcare estão surgindo na América Latina liderada pelo mercado brasileiro. De acordo com Euromonitor Internacional, as vendas de produtos Pet Food e Petcare cresceram de US$ 4.8 bilhões para US$ 8.3 bilhões de 2005 a 2010. Atualmente, a América Latina representa 10,2% do mercado global, um aumento de 7,6% em 2005. O Brasil é o maior mercado da região, com vendas de Petcare em US$ 5.2 bilhões em 2010, seguido por México (US$ 1 bilhão) e Argentina (US$ 645 milhões). A Euromonitor prevê que os valores das vendas de Petcare na América Latina terão 5,5% de taxa de crescimento anual composta sobre o período de 2010-2015. O crescimento do mercado Pet na América Latina acompanha o aumento da população animal ao redor do mundo, incluindo Reino Unido. Uma pesquisa da Mintel para a Associação de Fabricantes de Pet Food divulgou que cerca de uma em cada quatro (22.9%) famílias do Reino Unido possui ao menos um cão, um aumento de 2,1% sobre os últimos cinco anos. A população de cães no Reino Unido está agora no nível mais alto de todos os

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Em Foco 2
devido ao alto grau de dependência da estagnada economia dos USA, da epidemia de vírus H1N1 (gripe suína) e da instabilidade trazida pela violência associada às drogas. Consumidores de maior poder aquisitivo na América Latina tem demandado intensa busca a produtos Pet e tem aumentado seus gastos nos cuidados com a saúde de seus animais. De acordo com o Dr. Valter Yoshio Hato, sócio de uma clínica veterinária em São Paulo, “Pessoas que escolheram não ter filhos, frequentemente tem um pequeno animal para preencher o vazio por não ter uma criança, e por ser “como” uma criança, as pessoas não poupam despesas e então gastam”. Ele acrescenta que “Cerca de 80% dos animais que nos recebemos aqui na clínica são cães. Outros 15% (mais ou menos) são gatos. Os restantes são animais diversos, como macacos. Nós ainda outro dia tivemos aqui uma iguana”. As operações simples custam desde US$ 30 e vão até US$ 1.700 nos casos mais complexos, como procedimentos em coluna e remoção de cataratas nos olhos. De um modo geral as vendas nos cuidados com a saúde dos Pets na América Latina, excluindo aqui a prescrição de medicamentos, aumentou de US$ 69,4 milhões para US$ 119,1 milhões no período analisado, um aumento de 71,6% segundo os dados da Euromonitor International. Recentemente, em São Paulo, foi realizado o Congresso sobre categoria de produtos cresceu cerca de 36% no período analisado, para US$ 334 milhões.

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INFLAÇÃO E ALTA DEPENDêNCIA DA ExPORTAÇÃO DE “COMMODITIES” REPRESENTAM AMEAÇA
A Euromonitor International divulgou que o valor das vendas de produtos para Pet Care alcançou uma taxa de crescimento de 5,5% sobre o período 2005-2010, para US$ 10,9 bilhões, aos preços de 2010. Isso representa uma significativa redução no ritmo de expansão e é indicativo de um gradual amadurecimento do mercado da região. Esta previsão também leva em conta um número de fatores de risco ao crescimento, particularmente das economias da região que tem alta dependência das exportações de “commodities”, em que os preços tendem a ser bastante cíclicos, e o risco apresentado pela inflação. Por exemplo, os preços na Argentina foram inflacionados de 6,3% a 10,4% entre 2009 e 2010, mas alguns economistas independentes acreditam que os preços aos consumidores aumentaram até 30% durante o ano. Enquanto o mercado de alimentos para pets tem demonstrado sua capacidade de lidar com as pressões inflacionárias, como em 2008, um novo enfrentamento afetaria o crescimento da renda e inevitavelmente colocaria por terra a estelar performance do recente crescimento. Para melhores esclarecimentos, favor contatar Emily Woon, titular de pesquisas de cuidados com os pets da Euromonitor International on emily.woon@euromonitor.com.

Expansão da classe média conduz a um “boom” de produtos PET na América Latina
Liderado pelo vibrante mercado brasileiro, as vendas de alimentos e de produtos Pet Care estão surgindo na América Latina na esteira de uma emergente e forte classe-média
C

Produtos para Pets, ilustrando a crescente demanda na região de
INFLEX 1-2.pdf 22/11/10 16:31 outros produtos1para Pets, como as roupas. O valor das vendas nesta

CRESCIMENTO DAS VENDAS EM PERCENTUAIS DE
DOIS DÍGITOS

ExPANSÃO DA RENDA FAMILIAR
O crescimento da renda familiar tem sido o condutor do aumento do valor das vendas. De acordo com os dados da Euromonitor International, a proporção de famílias brasileiras com uma renda anual de no mínimo US$ 25,000 na avaliação do poder de compra, saltou de 21,7% para 30,1% durante o período analisado, enquanto que na Argentina a expansão foi de 33,5% para 44,8%. Chile, Venezuela e Peru também apresentaram aumento neste tópico. Estes crescimentos são indicativos do surgimento desta vibrante classe média, algo que era previamente notado como ausente na América Latina. Contudo, o crescimento da renda em alguns países da região, mais notadamente no México e Colômbia, foi muito menos expressivo e isto ocorreu grandemente

M

Y

A América Latina, indubitavelmente, tem sido a protagonista no mercado global de produtos para o cuidado animal nos últimos anos. No período em análise, de 2005 a 2010, o valor das vendas de alimentos e produtos Pet Care cresceu de US$ 4,8 bilhões para US$ 8,3 bilhões, conforme dados da Euromonitor International. Isto representa uma taxa de crescimento anual de 11,9%. Como consequência a participação no mercado global contabilizada para a América Latina cresceu de 7,6% em 2005 para 10,2% em 2010. O Brasil é de longe o maior mercado na região, com um volume de vendas de US$ 5,2 bilhões em 2010, seguido do México com US$ 1 bilhão e da Argentina com US$ 645 milhões.

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Em Foco 3

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ATENDIMENTO O Cliente é um Rei
esses últimos dias, tive novamente uma oportunidade de aprender mais um pouco sobre o atendimento e quero dividir com vocês essa experiência, que sem dúvida nos fortalece como vendedores, como profissionais de negócios. A primeira lição foi de um caso onde uma funcionária da empresa de informática (sistemas), que atende a Algomix no suporte a nossa equipe do administrativo, que colocou em seu MSN, uma frase muito interessante para quem faz atendimento, ou seja, quem vende. Sim, porque quem dá suporte de sistemas, também é um vendedor, vocês têm dúvida disso? Todos somos vendedores e no caso desta funcionária que presta serviços de suporte, nós necessitamos do serviço dela, para realizar o nosso trabalho e veja só o que ela teve coragem de colocar no MSN. “Não incomodem”. Acredite, essa é a frase escrita para quem tentasse chamá-la ao MSN, para resolver algum problema, ou seja, se alguém precisasse dos serviços ao qual ela está contratada para fazer. Chamou-me demais a atenção este fato e nos coloca mais uma vez na mesa de discussões, para falar de valores, de princípios, de responsabilidades, coisas que qualquer colaborador deveria fazer. Ora, se sou um funcionário de suporte em sistemas tem que estar disponível a qualquer hora, em qualquer momento. Como posso fazer um absurdo desses de dizer ao meu cliente que não me incomode? O cliente incomoda? Se tratarmos os nossos clientes como essa pessoa despreparada fez conosco, vamos à falência; vamos quebrar. Precisamos tratar o cliente com respeito, com admiração, com responsabilidade. Fazendo ele se sentir um Rei, porque na verdade o cliente é um Rei, ou pelo menos deve ser tratado como tal. O cliente é tudo para a empresa. Imagine sua empresa, ou seu local de trabalho, sem os clientes. Tente fazer essa avaliação. Pare um tempo e reflita

N

Saul Jorge Zeuckner Diretor Comercial Rações Algomix / Ki-Tal Alimentos

sobre isso, sua empresa, a empresa que você trabalha, sem vendas. Já imaginou como seria a sobrevivência sua e de sua empresa? Tal falha de atendimento tem levado inúmeras empresas a enfrentar dificuldades, pois o mercado não admite mais essas pessoas despreparadas. Temos que ser bons naquilo que fazemos independente de qualquer função que exerçamos na empresa, para que a companhia como um todo, possa progredir e cumprir com sua missão. Estive lendo uma reportagem que fala de Tiger Woods, simplesmente o maior jogador de golfe de todos os tempos. Você não precisa saber jogar Golfe, para saber quem é Tiger Woods, ele é o Jogador de golfe mais bem sucedido de toda a história e ainda está em atividade. Ele está descontente com sua tacada e contratou um novo técnico para poder modificar seu jeito de bater na bola. Acreditem, apesar de possuir a melhor tacada do mundo ele ainda está insatisfeito. Esse descontentamento dele é com ele mesmo. Na entrevista, ele diz que não dorme porque acha que pode melhorar as tacadas e está treinando muito para melhorar nesse aspecto. Este é o espírito dos vencedores; não se contentar nunca, buscar melhorias sempre, ir ao seu limite, ser a cada dia melhor. Para vendedores, supervisores, gerentes e mesmo a diretoria das empresas, tem que possuir esse espírito, da melhoria contínua. Se tiverem oportunidade de assistir ao documentário de Airton Senna, que foi um vencedor incontestável, verão que ele também fazia de tudo para ser o melhor. Aquelas corridas debaixo de chuva, que ninguém conseguia acompanhar o Senna Foram muitos anos de treino. Ele queria ser sempre o melhor, buscava seu limite, mas sempre foi um vencedor. Não tem como sermos vencedores, sem dedicação, sem planejamento, sem organização, portanto, para que nosso atendimento seja o melhor, necessitamos treinar, aprender a cada dia e acima de tudo nos dedicar a essa profissão maravilhosa de vendas.

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Segurança Alimentar

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N HN 5 6 7 NH Histamina 4 3 N 2 1 H Triptamina H N NH

parte 12

Contaminantes Químicos de Rações

2

2

HO Tiramina NH

β

2

NH

2
Feniletilamina

2

NH Cadaverina

2

Figura 2. Estruturas químicas de algumas aminas biogênicas.

2. Toxicidade
Os níveis de aminas biogênicas produzidas e detectadas em vários alimentos têm sido constantemente avaliados devido à sua elevada toxicidade, a qual aumenta com o aumento do PM e concentração de aminas presentes. A Tabela 1 apresenta as principais aminas biogênicas, seus efeitos toxicológicos e sintomas em casos de ingestão de alimentos com teores elevados. Aminas biogênicas versus produtos derivados de pescado – Escombrotoxicose: a Escombrotoxicose é causada pela ingestão de peixes com altos níveis de histamina e suas variantes produzidas pelas bactérias Morganella morganii, Proteus vulgaris, Citrobacter feudii e o Photobacterium phosphoreum. Estas bactérias decompõem a carne do pescado pela descarboxilação da histidina transformando-a em histamina e desencadeando um quadro alérgico. A escombrotoxicose foi historicamente designada de “envenenamento por escombróides”, pois era frequentemente associada a peixes como atum e cavala, pertencentes à família dos Scombridae.

A MINAS BIOGêNICAS
Aminas biogênicas são formadas como conseqüência do processo metabólico natural de animais, plantas e microrganismos. Em alimentos frescos (animal ou vegetal) elas são geralmente encontradas em concentrações muito baixas (<10 ppm). Contudo, em alimentos in natura (não frescos) e/ou processados à partir de matérias primas (pescado, carnes, ovos e leite) não conservadas ou apresentando início de deterioração, esses compostos podem estar presentes em concentrações elevadas (>50 ppm) causando intoxicação quando ingeridas.

1. Classif icação e formação de
As aminas biogênicas são classificadas de acordo com sua estrutura em: heterocíclicas (histamina e triptamina), aromáticas (tiramina e feniletilamina) e alifáticas (putrescina, cadaverina, espermina e espermidina). São bases orgânicas de baixo PM e podem ser formadas através da descarboxilação de aminoácidos livres por enzimas da microbiota ou pela aminação de aldeídos e decomposição de fosfolipídios. Como a contaminação microbiana é acompanhada de aumento na produção das enzimas de descarboxilação, a presença de aminas biogênicas pode ser um bom indicador da qualidade do alimento. Microrganismos, tais como os dos gêneros Enterobacteriacae, Morganella, Clostridium, Hafnia, Lactobacillus, K lebsiella, Proteus,

Citrobacter e Photobacterium podem ser produtores desses compostos quando se desenvolvem nos
Figura 1. Pescado fresco, quando não refrigerado, logo após sua captura e utilizado na alimentação para pets pode favorecer a contaminação por aminas biogênicas.

alimentos.
Figura 3. Captura de atum - pescado da família Scombridae -que deu origem a denominação - Escombrotoxicose.

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tanto úmidos quanto secos, a possibilidade de contaminação é uma realidade. Alguns trabalhos têm sido desenvolvidos quanto à presença de aminas biogênicas em alimentos destinados a esses animais. Glória e colaboradores (2010) analisando 10 amostras de ração destinadas a cães adultos e filhotes, o nível total de aminas foi significativamente alto em rações para adultos se comparado com rações para filhotes (18,2 e 10,5 mg/100g respectivamente). A cadaverina foi a amina mais encontrada em ambas as rações (26,3 e 24,3 respectivamente). Em adultos, a cadaverina foi seguida pela tiramina (24,9%), putrescina (19,7%) e espermidina (12,3%), enquanto em rações para filhotes, foi seguida pela espermidina (22,6%), tiramina (16,8%) e putrescina (16,5%). Importante observar as alergias desenvolvidas em pequenos animais quando os mesmo são alimentados com rações derivadas de pescado.
FENILETILAMINA Vaso constrição Libertação da noradrenalina a partir do SN parassimpático Aumento da pressão sanguínea CADAVERINA e PUTRECINA Diminuição da pressão sanguínea Bradicardia Pontencia a toxicidade das outras aminas
(Önal, 2007)

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Tabela 1: Efeitos tóxicos e sintomas causados pela ingestão de alimentos com teores elevados de aminas biogênicas

Aminas Biogênicas HISTAMINA

Efeitos tóxicos Vaso dilatação Libertação de adrenalina e noradrenalina Excitação da musculatura lisa do útero, intestino e respiratório Estimulação dos neurônios sensoriais e motores Controle da secreção ácida gástrica Mediador primário da resposta alérgica imediata

Sintomas Cutâneos: erupção, urticária, edema e inflamação localizada Gastrointestinais: náuseas/diarréia/contracções abdominais Outros: hipotensão, dor de cabeça, palpitação, formigueiro (casos severos: sensação de queimadura, broncoespasmos e dificuldade respiratória) Hipertensão

TRIPTAMINA Vaso constrição Aumento da pressão sanguínea TIRAMINA Vaso constrição, Aumento do débito cardíaco, da pressão sanguínea, da taxa respiratória e da glicose no sangue Libertação da noradrenalina a partir do SN parassimpático Aumento das pupilas, lacrimação e salivação Dor de cabeça e enxaqueca Hipertensão Dor de cabeça e enxaqueca Hipertensão

5. Métodos de análise e legislação
Alguns métodos descritos para análise de aminas
Figura 4. Alimentos para gatos, úmidos e/ou secos, contendo pescado ou seus resíduos podem ser fonte de aminas biogênicas.

biogênicas são os baseados na cromatografia (em camada delgada, liquida e gasosa) além de ensaios bioquímicos e eletroforese capilar. Os limites máximos de histamina e tiramina permitidos em alimentos são claros na legislação de muitos paises. No Brasil, o Ministério da Agricultura, através da Portaria 185, 13/05/1997 (BRASIL, 1997), estabelece o limite de 100 ppm (100 mg / kg de músculo) de histamina no músculo de peixes das espécies pertencentes as famílias Scombridae, Scomberesocidae, Clupeidae, Coryphaenidae e Pomatomidae.

Paresia das extremidades

Os animais são sensíveis à escombrotoxina (histamina), porém os em idade avançada bem como os enfermos, estão sujeitos aos sinais mais graves com insuficiência respiratória e choque anafilático.

the determination of biogenic amines in foods. Food Chemistry 103:1475-1486, 2007. Gloria, E.M.A.; Goes, F.C.S.; Silva, T.M. Profile and levels of bioactive amines in adult and puppy dog food. In: Scussel, V.M.; Nones, J.; De Souza Koerich, K.; Santana, F.C. de O.; Beber, M.; Neves, L.S.D’e.; Manfio, D. International Conference on Pet Food Quality & Safety & 14th National Mycotoxin Meeting Abstract Book, 180pp, Florianópolis, SC, Brazil, p.52, 2010. No próximo exemplar serão abordadas as bactérias

patogênicas

e

enterotoxigênicas

que

podem

ser

encontradas e/ou se desenvolver nos ingredientes utilizados no processamento de alimentos para pets bem como nos produtos finais.

3. Fatores que influenciam a ocorrência desses compostos
Os fatores predominantes na produção de aminas biogênicas, após a captura, preparo do pescado e/ou seu processamento, são o TEMPO e a TEMPERATURA em que o produto é exposto após a captura e durante o armazenamento. Nos ambientes tropicais, onde o pescado é capturado em águas com temperatura que excedem em muito os 20ºC, as condições tornam-se favoráveis à produção de aminas biogênicas pelas bactérias descarboxilase positivas, havendo assim uma necessidade evidente de, no mínimo, manter o pescado refrigerado após a sua captura. Embora o crescimento bacteriano seja inibido à temperaturas de zero a 5ºC, a atividade enzimática não cessa, continuando assim a formação de aminas. Outro fator importante para a produção de aminas é o pH. Existem trabalhos que encontraram níveis elevados de tiramina nas sardinhas a pHs baixos, sendo a atividade da descarboxilase favorecida quando em ambientes ácidos (pH de 4,0 a 5,5).

6. Conclusão
A presença de aminas biogênicas em alimentos destinados a pets pode ser um indicativo da qualidade e das condições higiênico-sanitárias nos quais os mesmos são processados e/ou armazenados. Pela sua elevada toxicidade é importante o seu controle para evitar intoxicações alimentares. O Grupo do Labmico – Laboratório de Contaminantes alimentares da UFSC está desenvolvendo um projeto de avaliação de aminas biogênicas em alimentos para gatos e cães à base de pescado.

Profa. PhD Vildes M Scussel, MSc Karina Koerich de Souza, Janaina Nones, Daniel Manfio. Laboratório de Micotoxicologia e Contaminantes Alimentares - LABMICO, www.labmico.ufsc.br Depto de Ciência e Tecnologia de Alimentos, Centro de Ciências Agrárias, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC – Brasil.

7. Recomendação de leitura
BRASIL. Portaria No 185 de 13 de maio de 1997. Regulamento técnico de identidade e qualidade de peixe fresco (inteiro e eviscerado);considerando a necessidade de padronizar os processos de elaboração dos produtos de origem animal. Ministerio da Agricultura. Brasília, DF. MA, 1997. Disponível em: <http://extranet. agricultura. gov.br/sislegis-consulta>. Acesso em: 18 nov. 2010. Önal A. A review: current analytical methods for

4. Aminas biogênicas em alimentos para pets
Considerando que derivados e resíduos de fábrica de pescado são utilizados na fabricação de alimentos para pets,

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Pet Food Online
EfEito dos nívEis dE gordura intErna total na dEnsidadE do produto: Gordura total na receita(%) 2.0 7.0 12.0 17.0 densidade do produto (g / l) 256 309 408 533

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aumenta os valores de peróxidos e outros produtos de oxidação (Rao e Artz, 1989). A adição de antioxidantes tais como BHA, BHT, etoxiquim, misturas de tocoferóis e/ ou acetato de ferro reduz a oxidação lipídica em produtos extrusados. Os níveis típicos de antioxidantes são 0,2% do nível total de gordura na receita. Ácidos cítrico e ascórbico são frequentemente adicionados a nível de 0,01% como sequestradores de oxigênio e atuam sinergisticamente com os antioxidantes ,, diminuindo a disponibilidade de oxigênio. As altas temperaturas e o curto tempo de retenção utilizados no processo de extrusão são raramente suficientemente altos para a destruição térmica de lipídios. Pesquisadores observaram a formação de complexos lipídios / amilose durante a extrusão. Lipídios polares e de ácidos graxos livres, tendem a formar laços mais fortes nestes complexos do que os lipídios não polares. Lipídios ou gorduras são componentes importantes em alimentos para animais de estimação e aquáticos uma vez que são uma excelente fonte de energia. Os níveis de gordura de produtos extrusados podem exceder 30%, mas geralmente são inferiores a 22% do alimento. Qualquer requerimento adicional de nível de gordura é normalmente aplicado como cobertura externa.

Lipídios são muito estáveis durante o tratamento térmico, e por causa do conteúdo lipídico relativamente baixo em grãos de cereais, a sua transformação durante a extrusão não tem sido fortemente investigada. Como a maioria dos outros componentes, existem possíveis interações entre lipídios e proteínas, e as interações definitivas entre lipídios e amidos. Os produtos extrusados têm sido geralmente estáveis e livres de rancidez enzimática. A rancidez pode ser causada por alterações hidrolíticas e oxidativas. Os ácidos graxos livres são prejudiciais aos alimentos, porque eles são mais suscetíveis à oxidação do que os triglicerídeos. Os ácidos graxos livres são também responsáveis por alguns sabores desagradáveis que pode afetar a palatabilidade. A hidrólise de triglicérides
CLAUDIO MATHIAS ANDRITZ FEED & BIOFUEL EXTRUSION DIVISION Claudio.mathias@andritz.com mathiasclaudio@uol.com.br

a ácidos graxos livres e glicerol não parece ocorrer, de forma significativa, durante o processo de extrusão. Na verdade, a extrusão pode impedir esta hidrólise pela desnaturação de enzimas hidrolíticas. Devido ao fato de que as lipases e as peroxidases são geralmente inativadas durante condições normais de extrusão,

Processo de Extrusão
LIPIDS
Lipídios pertecem a família de produtos que incluem todas as gorduras e óleos. O valor nutricional dos lipídios podem ser afetadas pelo processo de extrusão através de diferentes mecanismos, tais como isomerização, oxidação ou hidrogenação. Sabe se que a recuperação de gordura usando o metodo de extrato etéreo é menor após o processo de extrusão, em contra partida a quantidade de gorduras ou lipídios é muito semelhante antes e após a extrusão, quando se utiliza o método de extração por hidrólise ácida antes da extração com éter. Considerando este aspecto a análise gordura dos produtos extrusados deve incluir a hidrólise ácida, e não apenas o método de soxhlet. No entanto, as ligações lipídicas que ocorrem durante o processo extrusão não afeta a digestão quando o alimento extrusado é consumido. Se o processo de extrusão é realizado com umidades baixas (<20%) e altas temperaturas (> 150 ° C / °> 302 ° F), é bastante provável que haverá a formação de complexos lipídio / amilose e lipídio / proteína. Os ácidos graxos livres e lipídios polares são os mais reativas nessas situações. Teores lipídicos acima de 7% na receita pode começar a impactar no processo de extrusão. O torque é reduzido porque as gorduras e óleos diminuem o atrito no canhão da extrusora e a expansão do produto é reduzida por causa da pressão insuficiente desenvolvidos durante a extrusão. (veja abaixo).

a estabilidade do produto é melhorada. A rancidez oxidativa pode ser um problema quando temperaturas extremamente altas e umidades baixas são empregadas durante a extrusão. Temperatura excessiva de extrusão

Continuação na próxima edição

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Pet Market

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A minha vida no campo
eu morava no sítio com meus pais, em Registro (SP), acordava com o barulho das criações. Era mugido de vaca no curral, grunhido de porco no chiqueiro, latidos de cachorros e miados de gatos embaixo da janela do meu quarto. Basicamente era uma sinfonia. Não era a de Beethoven, mas para quem sente apreço pela vida no campo, esses barulhos são tão bons quanto às musicas do nosso criativo compositor alemão. Da minha infância até a adolescência, cresci nesse meio nostálgico. Da minha casa, na época, até a cidade, eram pouco mais de 18 km. Seis deles de moto até a rodovia e os restantes de ônibus até Registro. Eu e minhas duas irmãs fizemos isso por anos, até cada um passar em uma universidade diferente. Foram bons anos. Talvez eu tenha tirado dessa vida roceira, da qual eu me orgulho, o gosto apurado pelos animais. Ainda lembro-me do meu bezerro, o Bastião, que andava devagar e era carinhoso como um cão ou mesmo um gato. Devido a problemas de gestação, ele nasceu doente. Viveu uns quatro anos e tinha o tamanho de um pônei. Tinha cara de dó, assim como a minha cocker, a Malu. Mas era uma figura. O Bastião era vermelho. Tinha o pescoço curto e as orelhas grandes. Para falar a verdade, aquelas orelhas eram grandes demais para o tamanho da cabeça. Ficavam desproporcionais. Mas o malandro sabia que era especial. Tanto que, em todas as vezes em que ele fugiu dos pastos onde ficava, não recebeu nenhuma repreensão, comuns em sítios pequenos como o nosso em Registro. Até a mãe dele, uma vaca que não tinha raça, mas parecia um nelore de tão brava e arisca, cuidava dele mesmo depois do tempo da desmama. Era um sarro. Com meus oito anos, brincava de laçar o Bastião.
Limma Júnior Diretor da Nutridani Alimentos

S

empre fui um grande fã dos animais. Quando

bezerro, era mais que uma vitória. Por sorte não tentei a carreira de ‘peão de boiadeiro’. Por sorte mesmo porque com a mira que eu tinha, passaria fome. Sem dizer os outros bichos. Não me lembro bem a época e nem o ano, mas cheguei a ter 21 gatos espalhados pelo sítio. Eles não eram exatamente meus. Eram gatos sem donos, gatos andarilhos e tinha até os gatos dos vizinhos, que também apareciam e por ali ficavam. Era gato em cima do trator, gato na árvore, gato embaixo do tanque e da máquina de lavar. Eles se tornaram tantos que, às vezes, os miados coletivos incomodavam. Ao escrever esse artigo apareceram mais situações engraçadas. Ainda lembro-me da primeira vez em que fui caçar passarinho de estilingue. Naquela época, com 10 anos, ainda não tinha consciência do errado. E nem tinha como ter porque isto era normal no ambiente roceiro em que eu vivia. Na primeira ‘pelotada’ do então caçador, a minha primeira janela quebrada. A janela da casa do meu avô. Como meus pais não me deixavam sair para muito longe, era obrigado a caçar no quintal de casa, o qual era cheio de arvores, mas também tinha a casa dos meus avôs. Do mesmo jeito que ganhei o estilingue eu o perdi: ainda me recordo do olhar de reprovação da minha mãe. Dois dias depois lá estava eu com o estilingue em uma mão e uma pedra na outra. Pronto. Derrubei o meu primeiro passarinho. Não me lembro mais qual era a espécie, mas lembro que senti um remorso tão grande por aquela ação que larguei a arma no crime do chão e fui para casa. O passarinho virou alimento para alguns amigos que estavam comigo. Assim foi minha vida na infância. Nada demais. Mas hoje paro para pensar o quanto ela se tornou importante para mim. Dessa forma, trato os cães e gatos não apenas como um negócio, mas como seres merecedores de respeito. Essa deve ser a filosofia de vida para quem trabalha no meio petfood.

Quase nunca acertava. Eu era ruim que doía. Mas nas vezes na qual o laço alcançava o pescoço curto daquele

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Caderno Técnico 1
legumes, leguminosas, cereais e produtos de origem animal e isto faz com que o aproveitamento destes nutrientes seja maximizado. Já os alimentos comerciais de animais de companhia são submetidos a processamentos mais danosos a determinados nutrientes presentes naturalmente nos ingredientes, como a extrusão e a pasteurização, por exemplo. Somado ao processamento principal, é conveniente lembrar que muitas das matérias primas, como as farinhas de origem animal e mesmo os subprodutos vegetais foram submetidos anteriormente ao processo de extrusão, à autoclavagem, secagem e prensagem. Todos estes processamentos levam a perdas nutricionais importantes, perdas que exigem que formulações de alimentos comerciais atentem cuidadosamente para o fornecimento correto de micro nutriente, evitando assim os riscos inerentes à deficiência ou excesso dos mesmos. Assim esta revisão objetiva a discutir sobre os microelementos minerais e vitamínicos e a importância de escolher as mesclas corretas para a incorporação em alimentos comerciais. de rações cada vez mais complexas tanto para cães quanto para gatos, tornam necessário um maior conhecimento das necessidades nutricionais de minerais por estes animais. Os microelementos minerais (ou oligoelementos) estão presentes em quantidades muito pequenas nos tecidos (ppm) e atuam em doses ínfimas. Ao contrário dos macroelementos, não entram na estrutura dos tecidos, salvo em raras exceções (iodo da tiroxina, ferro da hemoglobina). As carências agudas com sintomas graves são raras na prática, mas podem existir subcarências com repercussão sobre o desempenho e a saúde dos cães e gatos. As carências podem ser induzidas também por excesso de outros fatores alimentícios, produzindo-se as interações já descritas. Os métodos de estimação das necessidades dos microelementos são geralmente muito globais e as variações das concentrações nas rações são difíceis de apreciar, de maneira que os aportes recomendados comportam inevitavelmente uma certa imprecisão. As recomendações do NRC 2006 são consideradas como necessidades “mínimas”, entretanto é importante considerar, ademais das necessidades mínimas, as possíveis inter-relações que possam vir a ocorrer entre os próprios minerais e entre os minerais e outros componentes da dieta. Na prática, não basta apenas realizar um aporte de minerais sem considerar os distintos fatores que

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2 – ELEMENTOS MICRO MINERAIS
As características genéticas, principalmente dos cães de raças grandes, o surgimento de várias modalidades esportivas para cães, a interação saúde-nutrição e a utilização

Premix Mineral e Vitamínico em alimentos comerciais de cães e gatos
Parte 01
1 - INTRODUÇÃO
Em humanos, as necessidades dos ditos micro nutrientes, aqueles exigidos em concentrações mínimas (determinadas em ppm e ppb), é bastante semelhante, quando comparadas em peso metabólico, às necessidades destes mesmos nutrientes nos animais, incluindo os animais de companhia, entretanto, salvo em situações específicas, como atletas e patologias, o suprimento destes micro nutrientes se faz na maioria das vezes, pela dieta de rotina dos indivíduos. Embora muitos alimentos humanos sejam enriquecidos com minerais e vitaminas, não existe uma grande preocupação de suprir exatamente as quantidades mínimas diárias e, tão pouco, com os excessos. Se, por um lado, humanos podem ingerir alimentos com deficiências ou excessos determinados nutrientes, a variabilidade alimentar corrige certas distorções que por ventura venham a ocorrer, o que não é verdadeiro quando animais de companhia recebem rações comerciais, onde caso ocorra possíveis erros nas quantidades destes nutrientes, sejam por falta ou por excesso, estes erros se maximizam devido á repetição da mesma dieta, por anos a fio. Além disto, dietas humanas, como são multivariadas, consistem em alimentos crus ou submetidos á processamentos mínimos, como a cocção. Incluem-se nestas dietas frutas,

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Caderno Técnico 1
vão influenciar sua absorção e, portanto, utilização no organismo. Existem diversas circunstâncias que vão influir na eficiência com a qual um mineral é absorvido: 2.1. Interações entre minerais a) Formação de precipitados insolúveis quando dois ou mais cátions competem pelo mesmo ânion. Este é o caso do ácido fítico, pois quando um sal solúvel é ionizado no intestino, o cátion pode ser seqüestrado por ele, formando fitatos, que são sais estáveis e insolúveis, o que os torna não absorvíveis. Esta reação ocorre, sobretudo, com Ca, Zn e Fe. Por outro lado, pode ocorrer que quando a molécula ligante não esteja presente em excesso, a suplementação de um elemento pode aumentar a disponibilidade de outro ao reduzir-se suas possibilidades para formar complexos (p.ex., quando se adiciona Cu à dieta a concentrações relativamente altas aumenta-se a disponibilidade de elementos traços como o Zn, diminuindo a incidência de dermatoses). Também pode ser citado o exemplo dos fitatos (hexafosfato de inositol) que ao ser analisado no laboratório é considerado como P total, mas os cães e gatos não são capazes de romper esta molécula por não existir suficiente fitase no intestino, tornando o P não assimilável. Estes fenômenos de precipitação podem ocorrer também com fosfatos e oxalatos. b) Competição entre cátions pela mesma proteína de transporte, para passar a parede intestinal. Um exemplo deste fenômeno ocorre entre o Fe e Cu, que são antagonistas, competindo pela transferrina (o Cu tem preferência de união, o que pode diminuir a absorção de Fe). c) Os processos enzimáticos essenciais podem ser bloqueados pela troca de um cofator metálico por um metal inativo. Um exemplo é o que ocorre com uma das enzimas essenciais à síntese de porfirina (fração da hemoglobina) que é ativada pelo Zn mas inibida pelo chumbo (Pb). d) Quando um metal que forma parte de uma metaloenzima é substituído por outro, a atividade enzimática pode bloquear, acelerar ou não variar. É o caso da carboxipeptidase (uma metaloenzima de Zn). Quando Zn é substituído pelo Co há uma diminuição de atividade enzimática. e) Quando há um aporte excessivo de um metal, não somente há uma menor absorção intestinal sendo que também há uma reexcreção no lúmen intestinal do excesso de metal, o que pode acarretar excreção de outros metais durante o processo. f) Mesmo que tenhamos considerado estas interações de forma isolada, geralmente se produzem simultânea ou consecutivamente mais de um processo. 2.2. Interações Vitamina-Minerais As vitaminas também podem interferir na absorção intestinal de minerais, tal como o caso do aumento na absorção de Fe causado pela vitamina C, ou a necessidade de vitamina D para absorção do Ca através do intestino.
Adaptado de Nunes (1998).

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Isto se complica mais se considerarmos as interações entre vitaminas (p. ex., um excesso de niacina pode deprimir a vitamina D e interferir, portanto, na assimilação e uso do Ca). 2.3. Interações entre Minerais e Gorduras Estas interações podem influir na biodisponibilidade deste mineral no organismo. Um exemplo é a inter-relação existente entre os microminerais e os ácidos graxos, formando sabões insolúveis no trato digestivo. Além disso, há interações entre a síntese de ácidos graxos essenciais e minerais. Neste caso, em dietas para cães e gatos, que contem normalmente altos níveis de lipídios, esta interação deve ser levada em consideração para uma formulação exata da dieta. 2.4. Interações Fibra-Minerais Diversos estudos têm demonstrado que a presença de fibra não digestível interfere e diminui a absorção de grande parte dos minerais. Estes estudos têm se concentrado, sobretudo na diminuição da absorção de Ca, P, Mg e Zn. 2.5. Interferência pH-Minerais O pH intestinal tem grande influência sobre a absorção mineral já que, em geral, pHs alcalinos diminuem a absorção (exceto dos metais alcalinos) e os cátions tendem a formar precipitados insolúveis quando o pH é elevado.
taBEla 1 - MicroElEMEntos MinErais funcionais na nutrição aniMal. Microelementos Cobalto Cobre Cromo Estanho Flúor Iodo Manganês Molibdênio Níquel Selênio Silício Ferro Vanádio Zinco

2.6. Minerais quelatados Embora detalhes bioquímicos sobre o mecanismo de controle homeostático de minerais no organismo animal não estejam ainda bem estabelecidos, sabe-se que um dos fatores que mais influenciam na absorção dos minerais é a sua forma química. Também já se sabe que os micro elementos fornecidos sob a forma inorgânica podem ter sua biodisponibilidade influenciada por fatores como outros nutrientes da dieta (minerais, proteínas e carboidratos), bem como condições fisiológicas do próprio animal. Este fato levou à busca, nos anos recentes, de técnicas para desenvolver micro elementos mais estáveis e biodisponíveis, sob a forma de quelatos, justamente para

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Caderno Técnico 1

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favorecer determinados processos metabólicos e fisiológicos que normalmente não são realizados com capacidade plena, quando os micro elementos são fornecidos da maneira convencional. A quelatação consiste na formação de anéis heterocíclicos de coordenação, constituídos por um átomo metabólico central, que coordena duas ou mais espécies iônicas ou moléculas, ligadas às posições ativas do mesmo. As propriedades dos íons metálicos quelatados diferem daquelas dos íons livres ou simplesmente hidratados porque sua presença nas estruturas quelatadas modifica características químicas e físicas dos grupos coordenados, protegendo-os da influência dos agentes externos, tornando-os resistentes à dissociação dos componentes e dando-lhes estabilidade química. Segundo Vandergrift (1993) uma definição técnica de quelatos seria um mineral da primeira série de transição da cadeia periódica (Cr, Mn, Co, Ni, Cu, Zn) que se liga a aminoácidos via ligação coordenada covalente, formando uma substância estável e eletricamente neutra. Neste estado, quelato, o metal é quimicamente inerte, não sofrendo influências de outros componentes das dietas, como fibra e gorduras. As vitaminas, componentes essenciais para os transportadores do cátion, não são necessárias no transporte de quelatos, uma vez que a absorção dos mesmos é feita por um sistema de absorção intestinal diferente daqueles dos cátions metabólicos ordinários. De acordo com Manspeaker et al. (1987), os minerais quelatos seriam absorvidos intactos pela mucosa intestinal, através de transporte ativo. As substâncias capazes de exercer ação quelatante são numerosas, sendo representadas por ácidos inorgânicos bifásicos, ácidos orgânicos dicarboxílicos, diaminas, aminoácidos e peptídeos, etc. Do ponto de vista nutricional, apenas quelatos formados com aminoácidos ou dipeptídeos são interessantes. Não obstante, apenas quelatos com peso molecular total abaixo de 1500 são capazes de penetrar a membrana intestinal sem exigir hidrólise adicional no lume. Este aspecto é interessante pois, se estes quelatos não são hidrolisados, são capazes de contrabandear um mineral através do intestino, como parte de uma molécula de dipeptídeo. O processo de quelatação envolve a ligação da porção amino livre do aminoácido com o elemento mineral di ou trivalente. Assim como ocorrem ligações entre as proteínas e outros nutrientes em algumas

dietas submetidas a altas temperaturas, os quelatos podem ser obtidos por exposição de elementos minerais e aminoácidos a temperatura e vapor adequados. Outra forma de quelatação possível seria através de microrganismos, mais comumente fungos e leveduras. Segundo Lyons (1993) alguns microrganismos podem acumular minerais, tornando-os mais disponíveis. Este autor cita que o selênio encontrado em algumas leveduras se apresenta sob a forma de selênio - cisteína ou selênio - metionina, com alto grau de biodisponibilidade. Os principais minerais quelatados são: zinco, ferro, cobre, magnésio, manganês, cromo, selênio e cobalto Mais além que o processo de absorção, os quelatos podem favorecer alguns processos metabólicos, uma vez que a relação mineral - aminoácido pode indicar o tipo de tecido no qual o mineral será introduzido. O aminoácido determinará o tecido específico ou processo metabólico no qual o mineral tomará parte, favorecendo, desta forma, alguns processos produtivos. O uso dos minerais quelatados vem sendo destaque na nutrição animal no mundo inteiro e de acordo com Maletto (1988), num futuro próximo serão as fontes de microminerais de eleição, em função de diversos fatores, dos quais ressalta : • Absorção próxima a 100%; • Alta estabilidade; • Alta disponibilidade biológica; • Maior tolerância do organismo animal (menos tóxico); • Ausência de problemas de interações com outros macro e microminerais da dieta, o que pode acarretar na insolubilização de parte dos minerais; • Ausência de problemas de interações com outros nutrientes da dieta, como gordura e fibra, que podem formar ligações indesejáveis com os metais, insolubilizando-os. No trato digestivo do animal, a inter-relação entre os vários elementos minerais pode ser tanto sinérgica quanto antagônica. Os íons minerais podem interferir entre eles entrando em competição seletiva a respeito dos sítios de absorção. Sabe-se hoje que existem íons minerais capazes de reduzir a biodisponibilidade de um ou mais íons de outra natureza; para alguns íons esta interferência e recíproca. Com relação a este complexo fenômeno, a grande parte dos casos relacionados com a capacidade de inibição dos microelementos minerais foram

quantificados. A competição é especialmente acirrada entre os íons minerais Cu, Zn, e Fe, que disputam a mesma via de absorção. Deste modo, uma dieta com altos níveis de cobre pode bloquear a absorção do Zn e do Fe, levando a deficiências destes últimos. Outros fatores interferem na absorção dos sais minerais, como por exemplo o álcool, a gordura e a fibra, o que acarretaria no transporte do mineral para fora do organismo junto com as fezes.

O uso de minerais ligados a aminoácidos decorre do fato de existir uma necessidade específica de certos tecidos e sistemas enzimáticos do organismo por determinados tipos de aminoácidos. Como sabemos, os aminoácidos são os compostos primários das proteínas. Assim, quando eles são transportados pelo organismo para o seu tecido específico, carregam juntamente o mineral que a ele estiver ligado, garantindo a absorção e deposição do mineral no tecido que dele necessita.

taBEla 2 - tEcidos do organisMo atEndidos por MinErais QuElEtados EspEcíficos Mineral Zinco Cobalto Cobalto Cobre Cobre Cobre Manganês Ferro, Cobre, Zinco, Manganês
Fonte: V.I. Georgievskii

Aminoácido Metionina Triptofano Metionina Triptofano Lisina Histidina Não específico Não específico

Tecido Atendido Pêlos Coração, Rins Baço, Coração, Pulmão Músculos Ossos Fígado Fígado, Músculo, Útero Oxigenação celular

Adaptado de PREMIERPET (2003)

Essa associação entre o mineral e o aminoácido, A maioria dos alimentos para cães e gatos fornece os minerais em sua forma simples (não quelatada). Contudo, a maioria dos elementos minerais, para serem absorvido, devem fazer uma ligação iônica com os aminoácidos que se encontram livres no estômago e intestino, ou aqueles presentes na membrana das células do trato intestinal. Vários fatores podem interferir nesse processo quando ele ocorre dentro do organismo. O mais freqüente é a competição de diferentes minerais para se ligarem aos mesmos aminoácidos. Isso ocorre somente com os minerais na forma simples, impedindo que alguns deles sejam absorvidos. Esse é o caso do zinco e o cobalto que precisam da metionina para serem absorvidos. O zinco quelatado não sofre a inf luência de minerais antagonistas (cobalto) na sua absorção, esse fato é constatado pela maior taxa de absorção, menor excreção urinária e por sua maior distribuição nos tecidos. Os minerais quelatados diminuem os riscos da não absorção, pois entram no trato intestinal já ligados ao aminoácido. O mineral quelatado é absorvido pelo organismo e nele se mantém intacto, ou seja, a sua ligação com o aminoácido permanece inalterada. Essa absorção é feita por um mecanismo de transporte passivo (Wapnir e Stiel, 1986). antes de entrarem no organismo, aumenta a “biodisponibilidade” do mineral. Esse termo denota quanto do mineral absorvido encontra-se disponível para ser utilizado pelo organismo. Experimentos de minerais quelatados tem sido desenvolvidos por vários pesquisadores (Lowe et al., 1994; Kuhlman et al., 1997; Lowe e Wiseman, 1997). Usando-se parâmetros como velocidade de crescimento dos pêlos, presença de zinco no sangue e pelagem, estes pesquisadores chegaram à conclusão da maior absorção dos minerais quelatados em comparação aos simples. O zinco associado a metionina foi achado em uma concentração duas vezes maior em relação ao zinco simples em um desses estudos (Lowe et al., 1994). O mesmo autor detectou uma concentração 3,5 vezes maior do zinco quelatado na pelagem, em experimento com cães em 1997. Logo, fica claro que o zinco quelatado tem absorção e metabolismo diferentes do zinco na forma simples. Essas evidências levam a considerar o zinco quelatado melhor em relação ao zinco simples na qualidade da pelagem dos cães e gatos.
Flávia Maria de Oliveira Borges Saad Médica Veterinária, MSc., DSc Nutrição Animal Professora Associada da UFLA – Departamento de Zootecnia e-mail: borgesvet@uf la.br

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Caderno Técnico 2
patologia. Também há o propósito da utilização de cães como modelo experimental para humanos, uma vez que as células cancerígenas possuem características semelhantes em ambas as espécies (Paoloni, 2007). Fatores genéticos e do meio ambiente, como idade, nutrição, sexo, estado reprodutivo, levam á alterações em genes, promovendo o crescimento descontrolado de células anormais (Parreira, 2007). A caquexia associada ao quadro neoplásico caracterizase pela perda progressiva de peso devido á fatores como a desnutrição, anorexia por inabilidade de ingestão ou por inapetência. Além disso, as células tumorais competem pelos nutrientes adquiridos para a sua manutenção e proliferação, acelerando o processo de caquexia, os distúrbios metabólicos e atuação dos fatores mediadores (Argilés, 2005). O manejo nutricional possui como objetivo auxiliar na redução da massa tumoral, na redução sinais clínicos secundários ás terapias convencionais, de vida (Wakshlag, 2008). na melhoria da qualidade de vida do animal e na ampliação sua expectativa complexos mediados pelo sistema nervoso central, envolvendo nutrientes. Anorexia é a perda espontânea de apetite que ocorre comumente em pacientes oncológicos, devido às alterações presentes em olfato e paladar ou alterações nervosas (Argilés, 2003). Sua causa é incerta, envolvendo substâncias produzidas pelo próprio tumor ou pelo paciente, em resposta á neoplasia (Inui, 2009, Martín, 1999 in Silva, 2006). Na caquexia ocorre a mobilização igualitária de gorduras e tecido muscular, produção de citocinas e alterações metabólicas (Inui, 2009), diferente da desnutrição, na qual há a mobilização predominante de tecido adiposo. No caso, o animal caquéxico apresenta uma perda de peso progressiva por diversos mecanismos patológicos, frente ao aparente consumo ideal de energia (Wakshlag, 2008). Devido à estreita relação entre a anorexia e caquexia, o termo mais utilizado é o da síndrome anorexia-caquexia (SAC) (Silva, 2006). Em humanos, mais 50% dos pacientes neoplásicos desenvolvem a SAC e pacientes que apresentam tumor maligno em trato digestório e pulmão são os mais acometidos (Shils, 1979). paladar, olfato, capacidade do trato gastrointestinal, função hepática e níveis circulantes de

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2. SÍNDROME DA ANORExIA-CAQUExIA
O apetite de um animal é controlado por mecanismos

Suporte nutricional em cães com câncer
Parte 01
RESUMO
A caquexia é uma síndrome bastante prevalente em pacientes com câncer, sendo caracterizada pela acentuada perda de peso, anorexia e distúrbios metabólicos. A instalação da síndrome anorexia-caquexia (SAC) é dependente de muitos fatores: tipo de tumor, resposta do hospedeiro ao tumo e mecanismos de regulação da homeostase que, no quadro de neoplasia, podem se apresentar alterados. O manejo nutricional tem como objetivo aumentar a sobrevida e a qualidade de vida do paciente. Carboidratos devem ser reduzidos, por representarem a principal fonte energética para as células tumorais, e deve-se elevar a inclusão de lipídeos pela sua difícil utilização por células neoplásicas e por reduzir os efeitos colaterais aos tratamentos. Altos níveis de proteína podem ser incluídos para a manutenção da massa magra. Nutracêuticos, como o ômega-3, e aminoácidos como a arginina e glutamina, também são utilizados com o objetivo de promover a saúde do paciente com neoplasia.

1. INTRODUÇÃO
Com os avanços na pesquisa sobre a saúde de animais de companhia e os avanços na nutrição dos mesmos, a expectativa de vida de cães e gatos tende a se prolongar, tornando crescente a população de animais senis e, consequentemente, a incidência de casos clínicos que acometem animais nesta faixa etária. Atualmente sabe-se que um a seis milhões casos de neoplasia por ano são diagnosticados em cães de companhia e o aumento dos diagnósticos relaciona-se não apenas à maior longevidade dos animais, mas também ao maior interesse da comunidade científica e até mesmo de proprietários em obter maiores conhecimentos sobre esta

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Caderno Técnico 2
Pacientes caquéticos apresentam maior intolerância aos tratamentos antineoplásicos, sendo mais suscetíveis aos efeitos colaterais (Campos, 2004; Martín, 1999 in Silva 2006) e apresentam menor expectativa de vida quando comparados àqueles que não perderam peso (J. J. Wakshlag, 2008, Olgivie, 2000, Silva 2006). O quadro de neoplasia pode ser dividido em quatro fases: a primeira, silenciosa, sem sinais clínicos; segunda fase, sinais clínicos leves, onde o paciente encontrase mais suscetível aos efeitos colaterais de terapias convencionais; terceira fase, sinais clínicos graves, sendo os animais em caquexia enquadrados nesta fase; e quarta fase, recuperação do quadro neoplásico,onde os animais podem apresentar alterações metabólicas Além disto a neoplasia persistentes (Olgivie, 2000). Produzida e secretada pelo tecido adiposo, a leptina promove a regulação da gordura corporal através da sua concentração sérica. Na caquexia, os níveis de leptina, assim como os de insulina, estão reduzidos, estimulando o centro nervoso com sinais orexígenos hipotalâmicos, que exercem a estimulação do apetite, reduz a atividade e o gasto energético. Na caquexia cancerosa, as citocinas produzidas atuam estimulando a produção e secreção da leptina, ativando, assim, os sinais nervosos anorexígenos. O neuropeptídeo Y está difundido no cérebro, é estimulado pela redução da leptina, possuindo o efeito orexígeno. Porém seu manejo em pacientes com câncer mostrou-se ineficaz (Inadera, 2002). A grelina é secretada pelas células do fundo gástrico do estômago, é uma estimulante do apetite, e no paciente com SAC pode apresentar-se em níveis reduzidos, porém estudos são controversos sobre a real interferência da grelina na redução de apetite do hospedeiro. A Melanocortina (MC) atua juntamente com a adrenocorticotrofina (ACTH) e o melanócito estimulante (MSH) e são responsáveis pela regulação da temperatura corporal e apetite dos animais. O histórico clínico, o exame físico, com determinação de escore corporal e acompanhamento da evolução do quadro clínico são essenciais para a avaliação de perda de peso do paciente (Wakshlag, 2008). decorrentes da radioterapia, afetam o olfato e paladar dos animais, podendo reduzir o consumo alimentar e ocasionando ou agravando um quadro de desnutrição. A radioterapia em tórax pode levar ao comprometimento do esôfago e causar disfagia, e em abdomem ou pelve poderá ocasionar lesões intestinais levando a náuseas, vômitos e diarréia pela má absorção dos nutrientes (Olgivie, 2000). A remoção cirúrgica do tumor estabelecido é uma forma de tratamento do quadro neoplásico ou uma alternativa para a redução dos sinais clínicos decorrentes do câncer. Alterações alimentares são necessárias dependendo do local onde se realizará a intervenção cirúrgica. A gravidade do déficit nutricional será diretamente relacionada ao local e extensão do segmento retirado do trato digestório do paciente (Olgivie, 2000). Diferente do que era preconizada, a remoção cirúrgica do tumor não altera a taxa de necessidades metabólicas do animal (Wakshlag, 2008).

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4. ENERGIA
A elevada exigência energética no quadro de neoplasia é o responsável pela perda de peso. Pacientes com câncer podem apresentar metabolismo hipermetabólico, normometabólico ou hipometabólico dependendo do tipo de tumor, estágio da doença ou forma de tratamento (Tisdale, 2002). O estado hipermetabólico é mais freqüente em pacientes em estágios mais avançados da doença devido à maior avidez das células neoplásicas por glicose (Guppy, 2002 in Silva, 2006).

é classificada em primária, tumores levam á alterações metabólicas, e secundária, com deficiência na absorção e/ou inabilidade de ingestão de nutrientes, mas sua origem é multifatorial (Silva, 2006). As citocinas são glicoproteínas solúveis produzidas por macrófagos e linfócitos em resposta ao tecido tumoral e são fatores chave no desenvolvimento do quadro de caquexia(Argilés, 2003) podendo, com a progressão da doença, atuar como fatores endócrinos. (Inadera, 2002). O fator de necrose tumoral (TNFa) está associada a inibição da lipase lipoprotéica estimulando o aumento da lipólise e proteólise. É responsável pela diminuição da ingestão de alimentos e balanço nitrogenado negativo (Tisdale, 2002; Inadera, 2002). Já o interferon g (IFNg), produzido a partir de células T e natural killer (NK), atua potencializando a ação exercida pelo TNF, reduzindo o apetite e estimulando a lipólise e proteólise (Carvalho, 1992 in Silva, 2006). A interleucina 1 (IL-1) pode ser produzida por diversos tipos celulares, dentre eles macrófagos, monócitos, células endoteliais, fibroblastos, epitélio intestinal, eosinófilos, mastócitos e neutrófilos. Atua da mesma forma que o TNF, porém é menos eficiente na função de inibição da ingestão. Altera a síntese protéica hepática e induz febre (Nutritotal, 2004). Outra citocina que atua de maneira semelhante a IL-1, é a IL-6. Esta, produzida por macrófagos, queratinócitos, monócitos, fibroblastos e células endoteliais, não possui relação direta com o desenvolvimento da SAC em animais (Tisdale, 2002). Hormônios também estão relacionados ao desenvolvimento do quadro de caquexia, a regulação da ingestão de alimentos sofre interferência de neuropeptídeos como a leptina, grelina, neuropeptídeo Y, melanocortina, insulina, endorfinas, colecistoquininas e galamina (Inui, 2009).

5. CARBOIDRATOS
Células cancerosas utilizam, preferencialmente, a glicose como fonte de energia, em torno de 50 a 60% a mais que células normais (Guppy, 2002 in Silva, 2006). A glicose é utilizada pelas células neoplásicas através da glicólise anaeróbia com formação de lactato, o qual é reconvertido em glicose pelas células hepáticas, em detrimento de seis moléculas de adenosina trifosfato (ATP). Esse mecanismo é denominado ciclo de Cori (Olgivie, 2000; Silva, 2006). Esse requerimento energético é responsável pela perda de peso e massa corporal do animal. Em humanos, estima-se que o ciclo de cori é responsável pelo gasto de 300 kcal por dia (Tisdale, 2002). Deve-se evitar a administração de fluidos contendo lactato ou alimentos contendo elevados níveis de carboidratos, pois isso estimularia a conversão do lactato em glicose, exacerbando a demanda energética para tal processo (Olgivie, 2000). Segundo Olgivie (1992), cães que apresentavam linfoma foram alimentados com dietas contendo altos teores de carboidratos (58% na MS) e baixo lipídeo (9% na MS), apresentaram níveis séricos de glicose, insulina e lactato mais elevados, quando e comparação a animais que receberam dietas contendo baixo carboidrato (14% na MS) e alto lipídeo (37% na MS). Segundo Cabral e Correa (2004) citado por Silva (2005), em humanos, foram observadas a ocorrência de resistência insulínica, pela diminuição da sensibilidade de tecidos periféricos, e intolerância a glicose, pela redução de sensibilidade em receptores das células beta. Mesmo com a mobilização de glicose para a produção de energia e consequente proliferação das células cancerosas, a glicemia se mantém devido á utilização de aminoácidos e lactato na gliconeogênese hepática (Silva, 2006).
Fernanda S Ebina Médica Veterinária, Mestranda UFLA Nutrição de Cães e Gatos Flávia Maria de Oliveira Borges Saad Médica Veterinária, MSc., DSc Nutrição Animal Professora Associada da UFLA – Departamento de Zootecnia e-mail: borgesvet@uf la.br

3. RELAÇÃO

ENTRE TRATAMENTOS

CONVENCIONAIS E NUTRIÇÃO

A adequada nutrição do paciente com câncer é de grande importância na promoção da qualidade de vida e na longevidade do animal. A redução de sinais decorrentes de tratamentos convencionais, como a quimioterapia e radioterapia, podem ser minimizados ao se realizar um adequado suporte nutricional. Pacientes com neoplasia são submetidos às quimioterapias que podem contribuir com o quadro de desnutrição ocasionado pelos efeitos colaterais da medicação, como náuseas, vômitos, aversão alimentar, anorexia, mucosites e toxicoses (Olgivie, 2000). Os danos em mucosa intestinal, com a lesão em microvilosidades intestinais, reduzem a capacidade absortiva dos nutrientes ingeridos. A radioterapia é um tratamento pouco utilizado na clínica de cães e gatos, e sua influência sobre a ingestão de alimentos depende da região corporal irradiada, o fracionamento e a dose utilizada. Quando em região cefálica, pode levar à diminuição na produção de saliva, dificultando o processo de deglutição, além de alterar a microbiota oral. Além disto, lesões na mucosa oral,

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Caderno Técnico 3
Na extrusão, processo envolvido na fabricação de alimentos para cães e gatos, os materiais úmidos, amiláceos e protéicos são cozidos, expandidos pela gelatinização do amido e plasticizados por calor, pressão e cisalhamento mecânico. Este processamento é bastante agressivo para as enzimas, devendo-se avaliar seu impacto sobre a retenção da atividade destas proteínas, que via de regra e zero. No entanto, algumas enzimas desenvolvidas para emprego durante o processamento termoresistentes, sendo possível sua utilização no précondicionador da extrusora onde não há pressão e as temperaturas são inferiores a 100º C. Uso de amilases no processo de extrusão pode ser ferramenta para produção mais econômica, com redução gelatinização do amido (> 89%) e a digestibilidade dos alimentos não se alterou com a adição de enzimas. A utilização de enzimas de processo na extrusão pode ser rentável, pois reduz da viscosidade do material dentro da extrusora, aumentando a produtividade com economia de energia elétrica e de mão de obra na produção de rações para cães.

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L ITERATURA C ONSULTADA
BURHAN A.; NISA, U.; GOKHAN, C.; OMER, C.;ASHABIL, A.; OSMAN, G. Enzymatic properties of a novel thermostable, thermophilic, alkaline and chelator resistant amylase from an alkaliphilic Bacillus sp. isolate ANT-6. Process Biochemistry, London, v. 38 , p. 1397-1403, 2003. CAMPESTRINI, E.; SILVA, V. T. M.; APPELT, M. D. Utilização de enzimas na alimentação animal. Revista Eletrônica Nutritime, v. 2, n. 6, p. 254-267, 2005. FROETSCHNER, J.;PANZER, D. D.; WILSON, J. W.; WILLIANS, S. N. Enzyme lowers energy imput in extruded dog food, 2006. Disponível em: <http://www. a llaboutfeed.net/a rticle - database/enzy me -lowers energy-input-in- extruded- dog-food-id1092.html>. Acesso em: 01 fev. 2011. GUPTA, R.; GIGRAS, V. K.; P.; MOHAPATRA, B. H.; GOSWAMI, CHAUHAN, Microbial

Uso de amilases em rações extrusadas para cães A
biotecnologia moderna desenvolveu enzimas para diferentes processos e produtos da industria, como para produção de iogurtes, embutidos, queijos, cerveja, vinho, etanol, biogás, tratamento de águas residuais, aditivos zootécnicos, dentre outros. Além destes processos, já bem conhecidos, enzimas podem ser empregadas como aditivos de processamento de rações, aplicáveis no processo de extrusão. Técnicas de recombinação gênica e mutações possibilitam a produção de enzimas específicas para certas áreas da nutrição animal, produção esta que já atingiu escala comercial desde a década de 1980. Grande variedade de fungos, bactérias e leveduras podem ser empregadas para esta finalidade. Amilases são enzimas que catalisam a hidrólise de ligações α-1-4 glicosídicas de polissacarídeos, como glicogênio, amido ou seus produtos de degradação. Atuam liberando diversos produtos, incluindo dextrinas e progressivamente pequenos polímeros compostos de unidades de glicose. As amilases são divididas em duas categorias: endoamilases e exoamilases. As endoamilases catalisam as hidrólises de forma aleatória no interior da molécula de amido. Esta ação causa formação de ramos lineares de oligossacarídeos com cadeias de vários comprimentos. As exoamilases hidrolisam a partir das extremidades não-redutoras da cadeia resultando em
α-1,6Glucanase endo -α-1,6-Glucanase exo -α-1,6-Glucanase
AMILASES

dos custos de energia elétrica e aumento da produção de equipamentos. Estudos com alimentos para cães na Universidade do Kansas - EUA e na Universidade do Texas A&M – EUA, verificaram aumentos da produção de ração da extrusora de 20% a 30%, sem contudo ocorrer aumento do consumo de energia elétrica gerando economia de 5% a 10% dos custos de extrusão. Características como forma da ração, textura, dureza e densidade dos kibbles não se alteraram. Em dois experimentos realizados na UNESP de Jaboticabal-SP, avaliou-se o uso de duas α-amilase. Em cada um dos experimentos existia um tratamento sem enzimas (CO1, controle 1; CO2, controle 2) e outros com adição de enzimas: experimento 1 - 120KNU de α-amilase / g (a partir de Bacillus licheniformis) no estado líquido adicionado diretamente no condicionador; experimento 2 - 63KNU de α-amilase / g (a partir de Aspergillus oryzae) em forma de pó, misturado com os ingredientes. A digestibilidade dos alimentos foi testado em 6 cães por tratamento, por coleta total de fezes. A adição de enzima resultou em um aumento de 28% (experimento 1) e 43% (experimento 2) na produtividade de alimentos, com redução de 27% e 37% no custo de energia elétrica para a produção de alimentos. A qualidade do Kibble,
taBEla 1 - parâMEtros da Extrusão das raçõEs ExpEriMEntais Parâmetros de Produção
Temperatura do condicionador (°C) Densidade do Kibble (g/L) Produtvidade (kg MS/h) Custo da eletricidade (R$/100 kg MS)1
1 calculado considerando R$ 0.194 por KW/h * Diferença estatistica entre os tratamentos (P<0.05)

produtos finais pequenos. Esquema para identificar e classificar as amilases encontra-se na Figura 1. A α-amilase

é um exemplo de endoamilase, enquanto a glicoamilase é exemplo de exoamilase. A adição conjunta de ∝-amilase e glicoamilase promove hidrólise e quebra das cadeias polissacarídicas da amilose e amilopectina, o que reduz a viscosidade e aumenta a fluidez da massa de ração nos processos térmicos com umidade, como na extrusão. Comercialmente a produção de amilases é feita por diversos fungos e bactérias. Recentemente amilases bacterianas têm sido produzidas por microrganismos geneticamente modificados (diversas linhagens de Bacillus spp). A produção de amilases fúngicas empregam culturas dos gêneros Trichoderma spp e Aspergillus awamori. Como regra geral, amilases bacterianas são mais estáveis em relação à temperatura do que amilases provenientes de culturas de fungos.
endo -α-1,4-Glucanase

α-amylases: a biotechnological perspective. Process Biochemistry, London, v. 38, n. 11, p. 1599-1616, 2003. HAUCK, B. Extrusion cooking system In: McELLHINEY, R. R. Feed manufacturing technology IV. Arlington, 1994. p. 131-140. HUBER, G. R. Carbohydrates in extrusion processing. Food Technology, Chicago, v. 43, n. 3, p. 160-161, 1991. NIGAM, P.; SINGH, D. Processes for fermentative production of xylitol – a sugar substitute. Process Biochemistry, New York, v. 30, n. 2, p. 117-124, 1995. SÁ, F.C. Efeito da suplementação de enzimas sobre o processamento e digestibilidade de dietas extrusadas para cães contendo farelo de trigo. 2011. 45f. Dissertação (Mestrado em Medicina Veterinária) – Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, Jaboticabal, 2011.
Fabiano Cesar Sá, aluno de doutorado, FCAV/Unesp – Campus de Jaboticabal Aulus Cavalieri Carciofi, Professor dos departamentos de Clínica e Cirurgia Veterinária, FCAV/Unesp – Campus de Jaboticabal Rodolfo Agustin Pereyra, DSM Produtos Nutricionais

Experimento 1
CO1 92.2±2.06 404±5.3 84.1±1.3 2,9±0.05 Enzyme 92.0±1.43 410±6.0 108.3±8.2* 2.3±0.13*

Experimento 2
CO2 95.0±2.00 340±14.1 97.5±6.6 5.5±1.05 1.14±0.10 Enzyme 95±3.0 340±14.1 139.9±5.4* 5.7±0.16* 0.81±0.02

α-a milase exomaltohexahidrolase exomaltopentahidrolase exomaltotetrahidrolase β -amilase Glicoamilase (amiloGlicosidade)
isopululanase

α-1,4Glucanase exo -α-1,4-Glucanase

Consumo de Energia (kW/h) 15.2±0.46 12.7±0.28*

pululanase isoamilase exopululanase

Figura 1. Classificação das enzimas amilases. Fonte: NIGAM; SINGH (1995)

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2ª capa

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