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O pensamento da igreja católica na gênese da Questão social Clara Angélica de Almeida Santos Bezerra

Resumo: O presente trabalho busca analisar, a partir da encíclica papal Rerum Nova rum de 1891, o pensamento da igreja católica acerca das primeiras manifestações e orga nizações da classe operária, face à barbárie, no processo de industrialização. O período do s XIX foi emblemático e decisivo no rumo da história do capitalismo no mundo. O funda mento marxiano nos aponta que o desenvolvimento das forças produtivas ascende uma era moderna e de produção de riquezas. Entretanto, como reflexo desse novo padrão de p rodução de riquezas emerge a classe operária, homens e mulheres provenientes do campo, tornaram-se uma população urbana repleto de necessidades não atendidas e uma distância socioeconômica abissal entre eles e a burguesia que contratava sua mão de obra. Esse conflito imanente ao modo de produção capitalista põe no cenário os três principais prota gonistas: a classe operária, a burguesia industrial e o Estado Liberal. A Igreja c atólica nesse período, através do pensamento filosófico idealista, posiciona-se concreta mente no fortalecimento da burguesia industrial e do Estado Liberal, com uma dou trina moralizante no chamamento de uma paz social, opondo-se a toda organização políti ca da classe operária. Essa discussão é relevante, uma vez que o caráter ideológico da rel igião católica, através do seu pensamento filosófico idealista, manifesta-se historicame nte no fortalecimento de uma ideologia burguesa, impondo uma doutrina de caráter t ranscendente oposta a verdadeira história construída pelos homens. Palavras-chave: igreja católica, classe operária, burguesia industrial,questão social

Introdução

O século XIX foi o palco de grandes mudanças na história dos homens, as mudanças estão vinculadas ao intenso desenvolvimento das forças produtivas, com a vasta expa nsão da industrialização e ampliação dos mercados. O referido período presenciou uma alteraçã adical nos processos e nas relações de produção. Foi o início de uma nova dinâmica industria l, com a chegada das máquinas no processo produtivo exigiu um reordenamento fabril e concentração de mão de obra nas cidades. O fundamento marxiano nos conduzirá a apreender as bases materiais e humanas da s ociabilidade capitalista. Iremos analisar seu caráter revolucionário e a radicalidad e das relações sociais que se manifestam a partir desse reordenamento econômico. Acomp anhar as relações sociais, imanentes ao capitalismo, nos faz entender o surgimento d e duas especificas classes sociais o operariado e a burguesia que o contrata par a suas frentes de trabalhos nas fábricas. A relação social entre proletariado e burgue sia é condição sine qua non a existência do sistema de produção. O trabalho operário é fonte mais valor das mercadorias produzidas por eles. Na sociedade capitalista, o trab alho humano apenas tem sentido se produzir coisas úteis, porém lucrativas ao capital , ou seja, essencialmente a produção tem que ter valor de troca. São as mercadorias pr oduzidas pela mão de obra humana que são a fonte da produção da mais valia. A relação social entre proletariado e a burguesia detentora dos meios de produção das me rcadorias é uma realidade imanente a produção do capital, a grande indústria, será forma s ocial onde emana em termos mais desenvolvidos a contradição entre capital e trabalho . Essa contradição é expressa na total subordinação do trabalho ao capital, o trabalho abs trato, na sociedade capitalista, conduz o trabalhador a subordinar sua condição huma na a apêndice da máquina. Essa condição conduz ao rebaixamento de salários, jornada de tra balho para além das condições físicas dos trabalhadores e a proletarização da família. A inse de mulheres e crianças na frente da máquina se tornou irremediável para ampliação da renda

familiar e sua reprodução social. Essa nova sociabilidade, imposta pelo modo de produção capitalista, trouxe como refl exo uma nova pobreza, ou seja, o pauperismo da classe trabalhadora denominada pe lo pensamento liberal como “questão social,” agora desvinculada de condições naturais e climáticas, de ausência de conhecimento e manipulação dos homens dos bens naturais. Mas , ao contrário, a referida nova pobreza acontece para classe trabalhadora de forma proporcionalmente inversa a riqueza da classe burguesa, detentora dos meios de produção. O capitalismo forjou uma classe operária urbana com imensas necessidades jam ais supridas, levando milhares de pessoas a viverem a fase produtiva de suas vid as subjugadas à indústria de trabalho, e logo após serem tratadas como peças obsoletas. O novo contexto dessa relação social trouxe a tona diversos pensamentos e análises, so bretudo acerca da organização dos trabalhadores, diante da incapacidade do novo mode lo produtivo em administrar o processo contraditório entre o capital e o trabalho. Uma vez que, a classe burguesa encontrava-se na sua maturidade e não encontrava r espostas em suas bases materiais e humanas que nortearam os princípios de sua revo lução. O pensamento burguês encontrou suas raízes na filosofia idealista que buscou harmoni a na contradição entre as classes. A ideologia burguesa enraizou seus fundamentos, s obretudo, no pensamento liberal cristão. A economia clássica ao exprimir seus pressu postos teóricos, apontava uma naturalização nas relações sociais, com se não houvesse uma ca usa histórica nas referidas relações de classe, mas, ao contrário, as relações teriam sido e stabelecidas por fundamentos naturais e predestinação de uma classe em detrimento de outra. Ou seja, a “nova pobreza” era vista como um desarranjo social, um desvio de conduta da classe trabalhadora, que viviam “em desacordo com a moral e ética cristã. O pensamento da Igreja católica, nesse período, estabeleceu uma direta conexão ao pens amento da economia clássica, ambos estavam fundamentados nas filosofias idealistas . A igreja pronunciou claramente que as classes deveriam buscar uma relação social p acífica, e as manifestações proletárias foram rechaçadas como subversão às leis divinas. E qu em contra partida a classe burguesa deveria usar de benevolência com os proletari ados e promover a paz entre os homens. A encíclica papal Rerum Novarum, de 15 de maio de 1891, elaborada pelo papa Leão XII I, representa o pensamento oficial da Igreja católica. O documento irá apontar a pos sível harmonia entre as classes sociais, sobrepondo uma concepção religiosa diante da concepção civil. Observaremos que a influência do pensamento da Igreja encontra eco no aspecto político filosófico da ideologia burguesa. Essa filosofia de caráter liberal embasou o Estado não intervencionista, sobretudo nas relações sociais econômicas, restan do sua eficácia em coibir as reivindicações da classe operária frente à exploração nas indúst s e suas condições de vida degradante. Em Contra partida às ideologias burguesas Engels e Marx apontaram, ainda nesse perío do, os fundamentos acerca das relações sociais entre a classe operária e a classe burg uesa. Descortinando, assim, para nós, a raiz do que já no século XIX os representantes da burguesia liberal, da própria Igreja e críticos do novo modelo industrial denomi navam de “Questão social”. Engels ao apresentar o cenário da classe operária, na Inglaterr a, apontou as suas condições da vida como reflexo do modelo produtivo do capital ind ustrial, sob o comando especifico da classe burguesa. Para Marx, o processo da a cumulação primitiva do capital é a base para analisar o fenômeno desta emblemática nova po breza, surgida no seio do capital industrial. A partir de Marx em sua obra O Cap ital de 1866, nós vamos ter uma crítica ao pensamento da economia clássica. Essa obra profícua nos levará a aprender o novo modelo produtivo, como reflexo de um processo histórico da transição de um antigo modo de vida socioeconômico para outro totalmente di versificado em sua base material e humana. Os fundamentos marxianos apontam a relativa pobreza da classe operária, intrínseca a esse novo modelo produtivo. Para Marx o caráter objetivo do capital causa a metam orfose no mundo do trabalho, através da concentração do capital sob o domínio exclusivo do regime fabril. Entretanto, ontologicamente uma classe demanda as respostas so ciais dessa concentração do capital. A classe operária, com seus interesses conflitant es com os proprietários do meio de produção, busca preservar a sua força produtiva e rec lamam condições de vida. Diante desse conflito o Estado Liberal atua como um comitê ex ecutivo da burguesia, através da coerção e da regulamentação das leis fabris que regulamen tam as relações de trabalho, sob o domínio direto do capital sobre o trabalho. A análise

crítica de Marx irá revelar a postura idealista do estado liberal nesse período, que tem no pensamento católico cristão o seu apoio incondicional no pensamento ideológico do século XIX. 1. O cenário socioeconômico e político: a nova pobreza

O século XIX representa o alvorecer de duas grandes revoluções acontecidas no século XV III, a grande revolução francesa e a revolução industrial, ocorrida inicialmente na Ingl aterra, ambos os acontecimentos ocorridos na segunda metade do século XVIII. Falar da revolução industrial significa falar de um conjunto de transformações em diferentes aspectos da vida humana. Muda de forma radical a vida econômica com o surgimento d a indústria, a agricultura, transportes, a chegada dos bancos e mais que tudo, a e ntrada em cena de duas grandes classes que levou a consolidação do modo de produção capi talista: a burguesia, possuidora dos meios de produção e, portanto, concentradora da maior parcela do dinheiro; e o proletariado que destituído historicamente dos mei os de produção possui, apenas, como único bem negociável nas relações socioeconômicas, a sua orça de trabalho. Essa destituição dos bens da referida classe operária estar longe de s er um acontecimento natural. Do período dos séculos XV ao XVII foram marcados por grandes conflitos no campo e na s cidades, sobretudo pela tomada de poder. Na Europa, nesses dois últimos séculos, a descentralização feudal é gradualmente substituída pela formação de estados nacionais unifi cados e pela centralização de poder com a formação de monarquias absolutas. (ANDERY, 200 1, pg.163) A fragmentação da sociedade feudal foi condição sine qua non para a ascensão de uma nova sociedade, esta por sua vez moderna e industrial. Porém, a passagem do f eudalismo ao capitalismo será o fim de uma relação estanque constituída por uma economia voltada para subsistência. E, também, o fim de uma relação social fundamentada na vassa lagem e relação servil. O fim dessa relação aconteceu mediante a transformação da vida econôm ca e a expulsão dos camponeses das terras. O fechamento das terras e a elevação dos arrendamentos fizeram com que milhares de p essoas ficassem sem condições de sobrevivência, e, no futuro, quando a indústria capital ista teve necessidade de trabalhadores, essas pessoas formaram parte da mão-de-obr a por ela utilizada. (ANDERY, 2001, pg. 169)

Não será objeto da nossa discussão o detalhamento da transição do feudalismo para o capita lismo. Temos no trabalho de Huberman,1936 o ápice de uma pesquisa acerca da trajetór ia histórica humana até a ascensão do capitalismo, e, ainda, nos textos de Falcom e Mo ura,1981; e Andery,2001 uma rica interlocução acerca desse período. Porém, desde já afirma mos, é impossível a existência do capitalismo sem a fragmentação paulatina e sangrenta do sistema feudal. A indústria moderna chegará ao apogeu e fortalecimento, sobretudo so bre dois pilares: a existência de capital acumulado pelo processo da expansão comerc ial, e a existência de uma classe trabalhadora livre e sem propriedade. A Inglaterra, não por acaso, será o berço desse apogeu. Entre as razões, Andery(2001) ap onta três fatos que demarcam esse país. Antes de1780 a Inglaterra já possuía uma indústria manufatureira têxtil e com isso a exportação da lã cresceu no início do século XVIII. Além d sso, a produção do algodão foi impulsionada pela proibição da importação dos produtos indiano que tinham muita aceitação no mercado. O segundo fato era a maturidade política e juríd ica do Estado inglês, ocasionada pela revolução política da burguesia, ainda no século XVI I. Nesse período a Inglaterra já tinha adequado suas leis para o desenvolvimento eco nômico e o lucro privado. Esses fatos somados ao acumulo histórico do capital comerc ial (envolvendo pirataria, saque, exploração em diferentes níveis) passível de ser trans ferido para indústria. (ANDERY, 2001, pg.266) E por fim como grande fato se encont rava na Inglaterra uma vasta força de trabalho “disponível” para indústria, provenientes d a transição histórica do fim do sistema feudal, que em condições sub-humanas de trabalho, sem proteção social alguma,famílias inteiras labutavam por mais de 16 horas dia. Engels,2007 aponta um dossiê acerca das condições de trabalho do proletariado mineiro da Inglaterra. O documento relata as miseráveis condições de vida do proletariado, que em média tinha uma expectativa de vida em torno dos 45 anos, com envelhecimento p recoce aos 35 anos. Engels ao apresentar o relatório Children’s Employment Report co

loca, a contra gosto da vangloria da burguesia inglesa, a debilidade física dos op erários mineiros que a partir dos 12 anos, quando são inseridos no trabalho das mina s de carvão,iniciam um processo de diversas doenças respiratórias que culmina com a pr ecoce morte de homens e mulheres. O referido relatório aponta os escândalos das cond ições de trabalho e de vida dos mineiros, sua moradia, alimentação, insalubridade. Criança s em condições de trabalho excessivo e brutal, rastejando como repteis nas geleiras das camadas profundas da extração do carvão. Mas não se esgotam aqui os males que acontecem os mineiros. Em todo o império Britânic o, nenhum trabalho se compara a esse em termos de acidentes fatais. As minas de carvão são o palco de desastres pavorosos, que devem ser imputados à ganância da burgues ia. (ENGELS, 2007, pg.282) Engels assinalou que o relatório foi contundente ao responsabilizar os pro prietários das minas e, que a partir do referido relatório o parlamento inglês propôs um a lei que proibia o trabalho das mulheres nas minhas e limitava o trabalho infan til. Porém, Engels aponta que a lei foi letra morta em quase todas as regiões, uma v ez que não havia inspeção acerca da execução da lei. Nesse sentido, Engels discorreu sobre todos os aspectos da vida do operário apresentado pelo relatório, não apenas as condições sub-humanas do trabalho, mas, as suas relações sociais como um todo, a ausência de es tudo,como também a moralidade burguesa do relatório que apresentava o comportamento dos homens e mulheres dentro e fora das minas como degradante , geradores de fil hos ilegítimos, prostituição e ausência de uma prática religiosa. Segundo Engels, a exploração da burguesia com relação aos trabalhadores das mina s ia além de colocar suas vidas em perigo, explorava vergonhosamente através de meio s fraudulentos como o pagamento em espécie e o sistema de moradia. Na realidade o método consistia num sistema de multas de forma arbitrária pelo capataz das minas, d eduzindo assim quase todo o salário. Em algumas regiões da Inglaterra contratava-se o operário, mas não tinha o compromisso de dar-lhe o trabalho e caso esse operário fos se procurar trabalho em outra mina, era preso por seis meses. Essa realidade de quase total escravidão era legitimada pelo fato dos juízes de paz dos distritos carb oníferos eram os próprios proprietários das minas, ou parente ou ainda amigo dos propr ietários.

Esse foi o panorama por largo tempo. A única coisa que os mineiros sabiam era que tinham nascido para entregar até a sua última gota de sangue. Mas pouco a pouco vem surgindo entre eles – principalmente entre os que trabalham junto de áreas industria is, onde o contato com operários fabris mais evoluídos acaba por influenciá-los – um espír ito de resistência à brutal opressão dos “reis do carvão”. Começaram, assim, a constituir ass ciações e a promover greves de quando em quando. Nas zonas de maior progresso, unira m-se mesmo aos cartistas de corpo e alma. Mas o grande distrito carbonífero do nor te da Inglaterra, afastando da influência industrial, permanecendo atrasado – apesar dos muitos esforços dos cartistas e dos mineiros mais inteligentes – até 1843 quando, então, revelou-se uma grande vontade de resistir.(ENGELS,2007,pg.285-286) Para Engels ficou claro que o embrionário movimento dos operários das minas revelou, pela primeira vez, toda a situação de exploração vivenciada por eles. Ao relata r um período de greve de dezenove semanas dos operários ingleses, Engels mostra que os operários saíram da sua inércia espiritual em que estavam mergulhados até então: despertaram de seu sono, vela ram energicamente por seus interesses e uniram-se ao movimento da civilização, em pa rticular ao movimento operário.(ENGELS,2007,pg.290) Foi descortinado, assim, para Engels um período de profundas mudanças sociai s nas relações capitalistas. Era a tomada de consciência da classe operária acerca do se u papel histórico, no processo produtivo. Esse papel, todavia, deveria ser forjado exclusivamente pelos operários, nenhuma outra categoria poderia tomar de empréstimo a função ontológica de rebelar-se contra a condição sub-humana vivenciada, proveniente da s relações sociais entre burguesia e operariado. O proletariado, na concepção de Engels, tinha contra a sua causa o parlamento britânico, a aristocracia e o próprio burguês. Essa tríade compunha a base do pensamento burguês liberal.

Para Engels ficou explicito que a burguesia tinha um comportamento liberal e con servador ao mesmo tempo. Obviamente a liberalidade da burguesia era a favor das suas próprias prioridades, longe de buscar um acordo entre as partes, ou seja, a c ausa operária era pra ser “resolvida” pela burguesia, uma vez que os “proletários não são hom ns e não merecem ser tratados como tais.” (ENGELS, 2007, pg.324) Engels discorria, a ssim, a sua constatação da burguesia enquanto classe unívoca, onde as suas leis só servi am para legitimar uma concepção de supremacia de uma classe diante da outra, onde os proletariados “serviam apenas para morrer de fome, quando estes já não mais pudessem ser utilizados pela burguesia”.

Para evitar interpretações equívocas e objeções impertinentes, quero sublinhar que sempre me referi à burguesia como classe e que os exemplos a que recorri, trazendo à colocação individual isolados, servem-me apenas como documentos do pensar e do agir dessa classe. Por isso mesmo, não me ative a distinções entre os diferentes setores e partid os da burguesia, que tem importância sob o ponto de vista histórico e teórico; igualme nte por isso, só posso referir-me brevemente aos poucos membros da burguesia que, como honrosos exceções, distinguem-se de sua classe. Dentre eles, estão, de um lado, o s radicais mais dedicados, quase todos cartitas, como os parlamentares e industr iais Hindley,de Ashton, e Fielden, de Todmorden (Lancashire) e, de outro, os tor ies humanitários, que recentemente se uniram a Jovem Inglaterra, quase todos parla mentares(...) A jovem Inglaterra pretende restaurar a antiga merry England [ Ing laterra feliz], com seus faustos e seu romântico feudalismo; naturalmente esse obj etivo é inviável e até ridículo, um desafio a todo progresso histórico, mas é inegável o valo de suas boas intenções, a coragem de criticar a realidade e de opor-se aos preconce itos vigentes. (ENGELS, 2007, pg.324)

Engels tece uma crítica contundente a burguesia, que se colocava enquanto classe, permeada por um pensamento idílico de alguns burgueses românticos. O pensame nto romântico não iria, na concepção de Engels, transformar a realidade das relações sociais vigentes. O operariado tinha a sua frente o fato histórico de deixar pra trás sua v il condição de servo feudal e, vivenciar o desafio do progresso histórico do desenvolv imento industrial com suas novas forças produtivas. O desafio da nova sociabilidad e, não pautada pela subserviência eterna, mas pela condição imanente de proletário – a sua força de trabalho, produtora da nova riqueza social e ao mesmo tempo subjugada pel o trabalho abstrato. Na ordem do dia, se encontrava na frente do proletário o tratamento dado p ela burguesia das workshouses (casa de trabalho), que de acordo com os expresso s relatórios e investigações, Engels aponta a casa de trabalho como “pensada para consti tuir o espaço mais repugnante que o talento refinado de um malthusiano pode conceb er.” (ENGELS, 2007,pg.318). Segundo Engels, a burguesia a partir do seu apogeu no poder tratou de reformar segundo seus interesses a lei sobre os pobres. A antiga lei elizabetana de 1603 que destinava assistência aos pobres pela comunidade, foi abolida por ser considerado um favorecimento a preguiça e o aumento da população “supérfl ua”. Os comissários burgueses, seguidores da lei de Malthus, chegaram a conclusão que a pobreza era um crime e precisava “ser tratada à base de intimidação”. (ENGELS, 2007, pg. 317) A burguesia propôs então a lei malthusiana. Segundo Engels, essa lei se tornou teori a predileta da burguesia, por justamente coadunar com a perspectiva metafísica de enxergar a pobreza como o eterno destino da humanidade de excesso de homens, e q ue, portanto, deveriam estar divididos em classes diferentes. Essa teoria de sup erpolução indicava a inevitabilidade da carência, miséria, indigência e degradação moral, sen o “natural” a desigualdade entre classes, umas mais ou menos ricas, cultas, morais e outras mais ou menos pobres, miseráveis, ignorantes e imorais. Daí porque para Malthus era um contra-senso as associações assistenciais, porque manti nha viva a população excedente. Da mesma forma a assistência pública que oferecia trabal ho causava sempre desemprego ao outro grupo de pobres, gerando, assim, transtorn os administrativos a indústria privada. Com a supressão das leis assistenciais de 16 03, as workhouses foram, assim, a mancha de sangue na história do capitalismo indu strial inglês, que ao contrário da determinação da lei que designava um tratamento human

itário, era a personificação do “inferno de Dante”. Os trabalhadores e o excedente da popu lação de trabalhadores, juntamente com suas famílias, eram submetidos à morte degradante . Creio, todavia, que antes que ecloda a guerra inteiramente aberta e direta dos p obres contra os ricos - guerra hoje tornada inevitável na Inglaterra -, o proletar iado inglês estará suficientemente esclarecido acerca da questão social e, com a ajuda dos acontecimentos, o partido comunista terá condições para, em longo prazo, superar os componentes brutais da revolução. (ENGELS, 2007, pg. 328)

Diante do exposto cenário, configurava-se, assim, o estopim de uma guerra declarad a entre duas especificas classes: o proletariado e a burguesia. O tom dessa guer ra, segundo Engels, seria dado pelo desenvolvimento do proletariado que da evolução da burguesia. O proletariado contava com a influência do socialismo e comunismo, q ue para Engels a influência do comunismo, mais que o socialismo, aplacaria a neces sidade de vinganças contra indivíduos isolados. Nesse período, em 1848, Engels e Marx escreveram o Manifesto do Partido Comunista, que deu inicio ao que denominou de Primeira Internacional Comunista, um movimento que conclamava a união e participação d e todos operários além de suas próprias nações, em marcha a uma revolução genuinamente prolet a na superação do sistema de produção do capital. Aqui se encontra o ponto de partida pa ra Engels e Marx aprenderem uma postura crítica diante das relações sociais no capital ismo. Tendo no apogeu da industrialização inglesa as bases materiais e humanas para aprender a questão social, posta pela nova relação social de produção, do século XIX. 2. O pensamento da igreja católica como apoio à burguesia liberal

Segundo Andery,2001, apenas é possível destacar algumas tendências do pensamento vigen te na transição do século XVIII ao século XIX, uma vez que esse pensamento foi marcado p or fortes mudanças com a ascensão econômica e política da burguesia. Com isso, as idéias e pensamentos, desse período, refletiam as idéias e necessidades dessa classe. A par tir da Revolução Francesa e Revolução Industrial Inglesa, podemos destacar três valores ex pressados pela burguesia: a liberdade, o individualismo e a igualdade. Os grande s filósofos Franceses do século XVIII, como Voltarie(1694-1778) e Rousseau (1712-178 8) expressavam suas idéias acerca de uma liberdade com idéias liberais contrário a to da restrição as instituições que limitavam a liberdade individual. Sendo contrário a qualquer forma de religião organizada e despotismo político. Voltair e, um representante da alta burguesia e da nobreza letrada, ao defender a destit uição a crença na religião cristã, afirmava que isto só deveria ser feito junto às classes ab stadas, pois para ele quanto para Rousseau, considerava despiciendo o esclarecim ento às massas, preocupados, assim, com a educação apenas da elite. Esses filósofos fran ceses, na defesa intransigente da liberdade individual, acabaram por favorecer u m desenvolvimento do individualismo. Esse individualismo é perceptível nas obras de Voltaire, Rousseau e Kant. (ANDERY, 2001, pg.284) O pensamento filosófico da transição do século XVIII para o século XIX é em sua maior parte racionalista. Enfatiza-se o papel da razão como instrumento na elaboração do conhecime nto, porém, são considerados racionalistas empiristas, já que admitiam que o conhecime nto não podia prescindir da observação, da experiência, na percepção sensorial. No início do ulo XIX, a razão assume importância máxima. Hegel foi o filósofo de expressão maior desse racionalismo, atribuindo o real como condicionado ao pensamento racional. A part ir de Marx, que essa concepção será posta de cabeça para baixo. O pensamento marxiano co loca o real como a base do pensamento, ao contrário de Hegel ,em Marx o pensamento é a manifestação do real. Teremos, assim, no período do século XIX as antinomias dos pen samentos filosóficos, que expressarão na realidade os clamores das determinadas clas ses que amadureceram o referido século – a burguesia e o proletariado. O pensamento oficial da Igreja católica, através da encíclica papal Rerum Novarum, de 1891, expressará no fim do século XIX os anseios do pensamento ético cristão e da filoso fia idealista. Centrado numa sociedade teocêntrica onde Deus se colocava como medi ador das relações sociais vigentes. A igreja católica se coloca, então, a favor do estad o burguês ao responder acerca das manifestações do proletariado contra a situação de explo ração apresentada. Inicialmente a Igreja se coloca como mediadora sobre a “causa operári

a”, diante da popularidade que a relevante “Questão social” foi debatido pela sociedade a partir do século XIX. O documento foi contundente ao afirmar que a Rerum Novar um tinha uma importância ímpar para os cristãos, assim como o Manifesto Comunista ou a própria obra o capital de Marx tinham para os socialistas. O pensamento oficial da Igreja, manifestado na encíclica do Papa Leão XIII, expõe que as causas dos conflitos sociais se manifestam por três fatores: a supressão das corp orações de artes, a secularização das instituições públicas e a solução secular marxista como o subversiva à ordem social. O pensamento da liberdade individual se fazia present e no documento, como ponto nodal o direito à propriedade privada. Nesse sentido, a Igreja declarava uma postura totalmente contrária aos princípios socialistas da época . A Igreja apontava que os princípios comunistas, propalados pelos socialistas, ti nham a priori a intenção de dissolver a família no Estado e dissolver as economias par ticulares na economia coletiva. A igreja surge, com pleno direito, para dizer a sua palavra de magistério. E natur almente, contra as teorias da luta de classe, propugna a colaboração de operários e pa trões no respeito mútuo dos direitos e na prática recíproca das obrigações. (RERUM NOVARUM, 2005, pg.7) O pensamento da igreja ficou preso as ideais liberais burguesas e referendava os princípios de liberdade, individualidade e igualdade. Para a Igre ja a posse particular era um dom de Deus. E que para a igreja todas as pessoas e ram iguais, não importava a classe social, e, portanto, a liberdade era dada por D eus a todos os homens. Para que os referidos princípios tornassem realidade era pr eciso buscar solução na justiça e caridade cristã, na colaboração entre as classes. Para a I greja a função do Estado era promover a concórdia entre as classes. Sobretudo, o Estad o tinha como função não absorver a propriedade particular e a vida familiar. Para esse fim o Estado, na concepção da igreja, teria que proteger os direitos e atividades d e todos. Com especial cuidado dos pobres e fracos; salvaguardar a propriedade particular; prevenir as causas das greves, prejudiciais a toda comunidade particular. (IDEM ) Era perceptível que a encíclica papal continha influências do socialismo utópico. Credit ava à causa da miséria humana a destruição das corporações antigas, deixando os trabalhadore s isolados e sem defesa. O documento então expressa que a nova realidade de produção s ocial deixava, assim, os trabalhadores dependentes e totalmente nas mãos de “homens desumanos e a cobiça duma concorrência desenfreada.” (RERUM NOVARUM, 2005, pg. 10) Lem bramos aqui a crítica de Engels à burguesia, quando desejava reacender a idéia da Merr y England (Inglaterra Feliz) através de concepções que historicamente era impossível dia nte do progresso das forças produtivas. A igreja criticava essas novas formas produtivas,o monopólio do trabalho e dos papéi s de crédito que estava concentrado nas mãos de poucos.E apontava que essa nova real idade social conduzia a um sistema de servidão à imensa multidão dos proletários. Porém, E nxergava que nas manifestações operárias, especialmente na intervenção política socialista, uma completa subversão da ordem social. Os socialistas, para curar este mal, instigam nos pobres o ódio invejoso conta os que possuem, e pretendem que toda a propriedade de bens particulares deve ser su primida, que os bens dum indivíduo qualquer devem ser comuns a todos, e que a sua administração deve voltar para os municípios ou para o Estado (...) semelhante teoria, longe de ser capaz de pôr termo ao conflito, prejudicaria o operário se fosse coloc ada em prática. Outrossim, é sumamente injusta, por violar os direitos legítimos dos p roprietários, viciar as funções do estado e tender para a subversão completa do edifício s ocial. (RERUM NOVARUM, 2005, pg.11) A encíclica de Leão XVIII colocava, assim, o que seria o divisor de água do pe nsamento liberal cristão e o pensamento socialista- a dissolução da propriedade privad a. O século XIX que apresentava uma concentração de renda atrelada ao novo modelo soci al de produção, que tinha na posse dos instrumentos de trabalho o ponto nodal de sua

estrutura. Os trabalhadores historicamente destituídos dessa posse ficavam, assim , através do discurso oficial da Igreja em apreender os conflitos entre as classes e a intervenção política dos socialistas e comunistas como atitudes contrárias aos valo res éticos cristãos. A teoria criacionista defendida pela Igreja foi, nesse período, um elemento agrega dor aos valores liberais burgueses, uma vez que a igreja defendia que a relação do h omem com a terra era uma dádiva divina e precedia o Estado. Portanto, era lícita a p ropriedade particular, porque a terra, segundo a encíclica papal, existia não para d omínio desordenado de todos os homens. Mas, a terra foi “divinamente demarcada” para a dministração humana. Se o trabalhador não possuisse

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3. A relação da subjetividade e objetividade do pensamento católico: uma crítica marxian a. Marx (2004) fez uma severa crítica aos economistas clássicos que tentavam esclarecer os fatos da sociedade burguesa a partir de um estado primitivo primário, e simple smente empurravam as questões para uma região nebulosa e cinzenta. E de forma análoga dizia que os economistas se comportavam como os teólogos que explicavam a origem d o mal pelo pecado original, ou seja, buscavam apresentar num fato acabado o que ainda estava por explicar na história. Enquanto a econômica clássica concebia a concor rência, liberdade industrial, divisão da posse da terra como conseqüências naturais, Mar x partia da análise do trabalho, na sociedade burguesa, e a interconexão entre a pro priedade privada com o novo sistema dinheiro. Agora temos, portanto, de conceber a interconexão essencial entre a propriedade pr ivada, a ganância, a separação de trabalho, capital e propriedade da terra, de troca e concorrência, de valor e desvalorização do homem, de monopólio e concorrência etc., de to do este estranhamento (Entfremdung) com o sistema dinheiro. (MARX, 2004, pg.80) Na análise marxiana, o trabalhador na sociedade burguesa existe de forma inversame nte proporcional a riqueza produzida. O trabalhador se torna mais pobre quanto m ais riqueza ele produz. Para Marx (2004) o trabalhador se torna uma mercadoria tão

mais barata quanto mais mercadoria ele cria. A valorização do mundo das coisas (Sac henwelt) aumenta em proporção direta a desvalorização do mundo dos homens (Menschenwelt) . Ao produzir a mercadoria em geral o trabalhador não produzia apenas produtos, ma s produzia a si mesmo como uma mercadoria. Este fato nada mais exprime, senão: o objeto (Gegenstand) que o trabalho produz, o seu produto, se lhe defronta como um ser estranho, como um poder independente d o produtor. O produto do trabalho é o trabalho que se fixou num objeto, fez-se coi sal (salchlich), é a objetivação (vergegenstaändlichung) do trabalho. A efetivação (verwirkl ichung) do trabalho é a sua objetivação. Esta efetivação do trabalho aparece ao estado nac ional-econômico como desefetivação (entwirklichung) do trabalhador, a objetivação como per da do objeto e servidão ao objeto, a apropriação como estranhamento (Entfremdung), com o alienação (Entausserung) (MARX, 2004, pg.82) A sociedade burguesa, na concepção marxiana, oculta o estranhamento na essência do tra balho porque não considera a relação imediata entre trabalhador (o trabalho) e a produção. Ao substituir o trabalho por máquinas, parte dos trabalhadores não tem sua vida e t empo mais livre, ao contrário, são submetidos a um trabalho mais bárbaro ainda e, outr a parte torna-se apêndice da máquina. O trabalho burguês produz “maravilhas para o rico , mas privações para o trabalhador; produz palácios, mas cavernas para o trabalhador; produz espírito, mas imbecilidade e cretinismo para o trabalhador” (MARX, 2002, pg. 82) A ideologia burguesa garante uma liberdade humana pautada nos direitos civis, al icerçada numa estrutura econômica da sociedade civil onde o homem burguês já não é a realiz ação, mas ao contrário, o limite da liberdade do indivíduo. “Eles dão ao homem a plena liber dade de alienar-se a seu arbítrio no plano social e naturalmente também naquele ideo lógico.” O ponto neuvrágico de discussões aqui não é a religião, mas a alienação burguesa do de si mesmo, o homem que não se reconhece como ente genérico. A sociedade é o espaço l imitado do homem, uma vez que Marx apresenta o homem egoísta, sendo ele membro da sociedade civil. Dessa forma fica explicitado que o debate filosófico germânico estava atrela do às concepções burguesas da liberdade religiosas, era preciso que os homens tivessem seus direitos civis garantidos. Marx irá justamente mostrar o caráter de alienação ness a discussão. O homem não é, portanto, libertado da religião, ele recebeu a liberdade religiosa. Ele não é libertado da propriedade, recebeu a liberdade da propriedade. Ele não é libertado do egoísmo do ofício, recebeu a liberdade do ofício. ( MARX apud Lukács,1981,pg.59)

Considerações finais Ao longo deste trabalho pudemos constatar que a critica realizada por Marx e Eng els a economia clássica e ao pensamento filosófico alemão, invertendo assim a filosofi a hegeliana, apontou o caminho das pedras no processo do conhecimento da superação d a alienação religiosa. A partir de Marx, a história dos homens tem sua gênese e desenvol vimento na produção humana, os homens passaram a ser responsáveis pelo seu destino. O pensamento lukacsiano revelou a partir dos fundamentos filosóficos marxiano, o tra balho como a protoforma do agir humano proporcionando a Lukács o estudo de uma nov a ontologia do ser social. Descortinando assim a discussão da nova materialidade p ara humanidade ao apreender a real conexão entre a relação homem e natureza. Lukács através do seu livro, Para uma ontologia do ser social, desenvolveu a história dos homens, reconhecendo o trabalho como o salto ontológico que funda o ser social . O trabalho, para o filósofo húngaro, foi o ponto de partida para compreender a soc iabilidade humana através da inter-relação entre homem e natureza orgânica e inorgânica. E ssa constatação marxiana-lukacsiana, aparentemente simples, de sinalizar a passagem do homem meramente biológico ao social, conduziu Lukács ao estudo da complexidade da formação do ser social, que partiu da relação entre teleologia e causalidade, e da obje tividade primária e do ente objetivado, discutindo, portanto, a gênese e o desenvolv

imento das complexas mediações entre o trabalho e a totalidade social. Lukács, portanto, não recorreu a nenhuma transcendência para explicar os complexos que articula os indivíduos à sociedade. Buscou apreender a complexidade na sociedade ca pitalista do Século. XX. A sociedade burguesa e sua forma de produção, através do trabal ho alienado foi o solo genético para investigação Lukacsiana, a partir de Marx, para c ompreender a relação entre a individualidade e sua conexão com a totalidade. Ao tratar da alienação religiosa, Lukács apontou a desmistificação da religião enquanto um fenômeno i eológico isolado na história humana, mas apresentou como um complexo social inserid o na universalidade das alienações, inseparável da gênese e estrutura econômica. A grande contribuição de Lukács, a nosso ver, foi de apontar os desdobramentos da qual idade das relações sociais. Se pensarmos em complexos como a linguagem, com tantos i diomas e dialetos diferentes, o direito, a filosofia, as ciências, etc, temos uma noção da complexidade do processo sinalizado por Lukács.Se é verdade, por um lado, que s empre haverá a necessidade da relação homem e natureza, não menos verdadeiro é que elas são cada vez mais sofisticadas de modo que requer, na história dos homens, uma interme diação cada vez maior ,de outros complexos sociais. Esses complexos dos complexos têm uma relação intrínseca com a particularidade histórica vivida. É na reprodução social, portan o, que temos condições de relacionar a reprodução das individualidades e a reprodução da tot alidade social. Com a contribuição lukácsiana, a sociedade burguesa passa a ser apreendida não mais como uma eterna impossibilidade de superação, ou muito menos, como outrora pensava os at enienses, “um arquétipo de sociedade evoluída”. Mas, ao contrário, como uma realidade que pode ser superada a partir das constantes interações entre o homem, em sua individua lidade, e a totalidade. Na práxis social desenvolvemos uma série de complexos sociai s, que têm a função de sistematizar os nossos conhecimentos adquiridos numa concepção de m undo que forneça razões para a existência humana. E podermos, assim, dentro das necess idades históricas, construirmos as relações humanas para além das relações mercantilizadas e subservientes ao jugo do capital. ____________________ Referências: LESSA, Sérgio. Para Compreender a Ontologia de Lukács. Rio grande do Sul: Unijuir Ed itora, 2007. 240 p. _______________. Mundo dos Homens. São Paulo: Boitempo, 2002. LUKÁCS Gyorgy. L’estraniazione, ontologia Dell’ Essere Sociale,II**,IV, a cura de Albe rto Scarponi, Roma: Riuniti,1976-1981 _______________. Anotações sobre o materialismo burgês. Revista Crítica Marxista,n 31,201 0,p.133-138. MARX, Karl. Manuscritos Econômicos Filosóficos. São Paulo: Boitempo, 2004. MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. A Ideologia Alemã. São Paulo: Expressão Popular, 2009