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Avaliação formativa no 2º ano do ensino fundamental de uma escola pública de

Samambaia

Resumo:

SANTOS, Elizama Thâmara Henrique

Esse trabalho aborda como se procede à avaliação formativa em uma classe escolar do 2º ano de uma escola pública. Pretendeu-se observar o papel de cada um dos sujeitos participantes e como se comportam frente à avaliação. O objetivo, desta forma, é refletir sobre avaliação formativa no 2º Ano de uma escola pública da Samambaia. Adotou-se o método qualitativo e, para coleta de dados, utilizou-se a observação em sala de aula e a entrevista com duas professoras que atuam nessa turma. O estudo concluiu que para que a avaliação formativa ocorra de forma consciente, é necessário que professores e alunos estejam cientes de seu papel nesse processo e que os critérios de avaliação estejam coerentes com os objetivos que se pretende alcançar.

Palavras-chaves: Avaliação formativa; Critérios de avaliação, Comportamento dos alunos

INTRODUÇÃO

Prova. Quanta tensão. Começa aquele nervoso, medo, pavor, “o que será que vai

cair?”. Então vem aquele frio na barriga”, mãos suadas e trêmulas, enfim, são várias s

sensações. Às vezes parece que a avaliação é somente isso, uma simples prova com questões

objetivas. Mas, para que serve? Ah, isso todos devem saber: Simplesmente para verificar os

conhecimentos dos alunos sobre determinado tema abordado. Mas, será que a avaliação se

resume a isto? Não! A avaliação vai muito além de tudo isso. Pois, é por meio dela que o

professor sabe como está o rendimento da aprendizagem do aluno e, também, é por meio da

mesma que o professor poderá fazer uma auto-avaliação de seu trabalho, verificando se a

metodologia utilizada realmente alcançou os objetivos desejados.

A avaliação formativa, não é somente prova. A prova é somente um dos instrumentos.

Ela é muito importante para nossa vida escolar visto que por meio dela muitas informações

são retiradas, como, por exemplo, quais os conhecimentos que o aluno adquiriu, e quais ele

ainda precisa adquirir para atingir os objetivos proposto; avalia-se também a didática do

professor, a fim de verificar se esta realmente surtiu efeito e se todos entenderam

proveitosamente com esta metodologia, ou se esta necessita ainda ser revista. Este deve ser

um processo continuo que deverá servir para analisar todo o processo de ensino e

aprendizagem.

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Em toda a minha vida sempre fui avaliada. Pela minha família, professores, colegas, amigos, chefes, enfirm, uma lista que não tem fim. Mas, quando falamos sobre avaliação, geralmente nos lembramos do nosso período escolar. Sempre era uma tensão quando se fazia provas, testes, argüição, mini-testes. Estudava-se muito e, muitas vezes, no dia o nervosismo pairava sobre a turma, todos com tanto medo, calados, pálidos, que era difícil até para respirar. Apenas quando se finalizava a prova é que todas estas sensações passavam. No entanto, havia uma situação ainda pior do que realizar as tais provas, ou seja, quando recebíamos o tão esperado boletim com as notas. Como falar para os pais que tínhamos tirado uma nota ruim? Começavam-se então diversas cobranças, broncas e castigos e estes só eram cessados quando conseguíamos uma nota boa nota. Estas vivências citadas se repetiram durante praticamente toda a minha vida escolar. Apenas no ensino médio a situação mudou. Durante este período fui considerada uma aluna exemplar, mas, nem por isso, as provas ficaram fora de minha vida. Hoje, no ensino superior, continuo sendo avaliada e o nervosismo ainda continua. E sempre me pergunto, será que provas realmente avaliam meu aprendizado? Será que tanto nervosismo não atrapalha quando realizo uma avaliação? E o professor, que critérios ele utilizou para elaborar a avaliação? Diante desses questionamentos, o presente trabalho tem como objetivo geral, refletir sobre avaliação formativa no 2º Ano de uma escola pública da Samambaia; e, como objetivos específicos, compreender o comportamento dos alunos do 2º Ano mediante as avaliações e levantar os principais critérios de escolha utilizados pelos professores para a realização e execução das avaliações.

O QUE É AVALIAÇÃO?

Quando um professor fala em avaliação para os alunos, estes ficam apreensivos. “O que será eu vai cair na prova?” é o primeiro questionamento que fazem. Mas afinal, o que é avaliação? Não podemos definir ou conceituar a palavra avaliação, sem conhecer o significado da palavra avaliar. Avaliar, segundo o dicionário Houaiss, é: 1. Determinar a valia ou valor; 2. Calcular. A palavra “avaliação” vem do termo latim a+ valare, que tem como significado “dar valor e mérito ao objeto de estudo”. A partir desses significados e etimologia podemos dizer que a avaliação no contexto educacional, seria a mensuração da aprendizagem do aluno. No entanto, esse conceito vai

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além. A avaliação nos mostra não só o quanto o aluno aprendeu, mas também a qualidade do ensino que ele recebeu, dando um feedback para o professor quanto à metodologia utilizada. Verifica-se também qual ou quais objetivos não foram alcançados pelo aluno, a fim de reavaliar o processo educativo vivenciado até então. Sant’Anna (2010) , amplia o conceito de avaliação:

Avaliação é um processo pelo qual se procura identificar, aferir, investigar e analisar as modificações do comportamento e rendimento do aluno, do educador, do sistema, confirmando se a construção do conhecimento se processou, seja este teórico(mental) ou pratico. (p. 31)

Ou seja, Sant’Anna afirma que, a avaliação além de verificar a aprendizagem dos alunos e a didática utilizada pelo professor. Analisa também como essa aprendizagem se processou e incluindo ainda mais um participante neste processo, o sistema em que a avaliação atua, ou seja, a escola.

TIPOS DE AVALIAÇÃO Segundo Haydt (1995), existem três tipos de avaliação: a diagnóstica, a formativa e a somativa.

A avaliação diagnóstica é aquela que possui a função de averiguar os conhecimentos

prévios do aluno. Geralmente é realizada no começo do ano letivo. Também pretende verificar se o aluno aprendeu o objetivo proposto buscando retorma-los caso seja necessário. Neste caso, a avaliação poderá ser realizada a qualquer época que o docente considere ser

necessário. (HAYDT, 1995)

A avaliação formativa pretende verificar o que o aluno aprendeu, tanto em quantidade

como em qualidade e, se alcançou os objetivos propostos. Concede ao educador um feedback da sua didática permitindo detectar e identificar possíveis deficiências no ensino. Possui a

função de controle, averiguando os resultados atingidos pelos educando nas atividades, pretendendo distinguir se o aluno domina conhecimentos necessários para próxima etapa de ensino-aprendizagem. Devemos ressaltar que é por meio da avaliação formativa que os alunos percebem seus erros e acertos, orientando tanto ao aluno com ao professor por meio do sistema de feedback. (HAYDT, 1995). Segundo Sant’Anna (2010), a avaliação formativa informa ao professor como os alunos estão modificando em direção a aprendizagem, para que isso aconteça é necessário examinar: a seleção de objetivos e conteúdos repartido nas unidades, elaboração de objetivo

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que vise à avaliação de comportamentos, organização de um esquema teórico que reconheça as áreas de dificuldades, retificação de erros e dificuldades para auxiliar os comportamentos positivos e eliminar os erros, recuperação de insuficiências. A avaliação somativa, é aquela que geralmente é realizada geralmente no fim de um ciclo, período letivo ou curso. Esta tem como função classificar os alunos segundo o nível de aprendizagem estabelecido, visando a promoção do aluno para outro ciclo ou serie. (HAYDT,

1995)

AVALIAÇÃO E A LEGISLAÇÃO A avaliação é regida por diversos documentos e leis do nosso país. Na Lei 9394 de 1996, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação LDB, a avaliação é mencionada nos Artigos 13 item V e no Artigo 24. No Artigo 13 item V desta Lei fala que uma das atribuições do docente é planejar a avaliação.

Art. 13. Os docentes incumbir-se-ão de: I - participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino; II - elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta pedagógica do estabelecimento de ensino; III - zelar pela aprendizagem dos alunos; IV - estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor rendimento; V - ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos, além de participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, à avaliação e ao desenvolvimento profissional; VI - colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade.

Podemos perceber que os demais itens contribuem para uma avaliação eficaz e bem planejada. Vejamos: no item I fala sobre a proposta pedagógica, que é um documento da escola, onde o processo de avaliação está todo detalhado. No item II sobre elaboração e realização do plano de trabalho e, é neste que os objetivos são planejados. O item III discute- se a responsabilidade de se “zelar pela aprendizagem do aluno”, sendo este é o ensino propriamente dito. Por fim, no item IV, fala-se sobre as estratégias de recuperação, ou seja, recuperar os objetivos que não foram alcançados. Outro Artigo da LDB que discute a avaliação é o artigo 24, que afirma:

Art. 24. A educação básica, nos níveis fundamental e médio, será organizada de acordo com as seguintes regras comuns: V - a verificação do rendimento escolar observará os seguintes critérios: a) avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais; b) possibilidade de aceleração de estudos para alunos com atraso escolar; c) possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado; d) aproveitamento de

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estudos concluídos com êxito; e) obrigatoriedade de estudos de recuperação, de preferência paralelos ao período letivo, para os casos de baixo rendimento escolar, a serem disciplinados pelas instituições de ensino em seus regimentos;

Neste artigo a LDB traz os critérios sobre a avaliação. Afirma que a avaliação deve ser constante e cumulativa sempre visando os resultados qualitativos sobre os quantitativos e, ainda, discute sobre as oportunidades de recuperação que deverão ser dadas aos alunos que não atingirem os objetivos abordados em sala. Outro documento importante a citado sobre a avaliação são os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN’s, os quais são considerados uma referência para o Ensino Fundamental. Em seu primeiro volume encontramos vários aspectos da avaliação. Revela que a avaliação proposta nos PCNs sobrepõe a percepção utilizada pelos tradicionais, propõe que a avaliação deve ser “compreendida parte integrante e intrínseca ao processo educacional” (1997. p. 55). Ou seja, a avaliação está inserida no processo de ensino- aprendizagem, sendo uma parte primordial nesse processo. Além disso, relata também que a avaliação não se limita a somente julgar se o aluno obteve sucessos ou fracasso, mas entende que é um conjunto de ações que auxiliam na intervenção pedagógica. Resumindo, a avaliação nos PCNs (1997) é vista como:

integrador entre a aprendizagem e o ensino; conjunto de ações cujo

objetivo é o ajuste e a orientação da intervenção pedagógica para que o aluno aprenda da melhor forma; conjunto de ações que busca obter informações sobre o que foi aprendido e como; elemento de reflexão contínua para o professor sobre sua prática educativa; instrumento que possibilita ao aluno tomar consciência de seus avanços, dificuldades e possibilidades; ação que ocorre durante todo o processo de ensino e aprendizagem e não apenas em momentos específicos caracterizados como fechamento de grandes etapas de trabalho (p.56).

Portanto, a avaliação é parte necessária no processo de ensino e aprendizagem, visto que pretende orientar a intervenção pedagógica, facilitando uma reflexão continua por parte do professor sobre suas praticas pedagógicas e, ainda, contribuindo para que os educandos tenham consciência sobre seus avanços ou deficiências. Outro documento em que se fala de avaliação formativa é o Regimento Interno das Instituições Educacionais da Rede Publica de Ensino do Distrito Federal. Este orienta e nortea as praticas educativas correntes no cotidiano escolar das escolas publicas do DF. Segundo este documento a avaliação é um elemento inseparável do processo de ensino-aprendizagem afirmando que:

[ ]elemento

Art. 135. A avaliação constitui elemento indissociável do processo educativo e visa acompanhar, orientar, regular e redirecionar o trabalho educativo. Parágrafo único. Os docentes deverão explicitar aos alunos e pais ou responsáveis os critérios para a avaliação do

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rendimento escolar, bem como a pontuação definida para cada instrumento ou procedimento avaliativo.

A avaliação neste artigo do Regime Interno ressalta a importância da avaliação no

processo de ensino e aprendizagem e a contribuição que ela tem ao atribuir ao professor o

papel de explicar importância da avaliação formativa aos alunos e pais. No artigo 136 menciona os critérios que utilizados nas escolas Publicas do Distrito Federal:

Art. 136. A avaliação do processo de ensino e de aprendizagem observará os seguintes critérios: I - avaliação formativa, processual, contínua, cumulativa, abrangente, diagnóstica e interdisciplinar, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os fatores quantitativos do desempenho do aluno; II - aceleração de estudos para alunos com defasagem idade-série; III - avanço de estudos quando assim indicarem a potencialidade do aluno, o seu desempenho escolar e as suas condições de ajustamento a períodos mais adiantados, exceto para alunos inseridos nas Classes de Aceleração da Aprendizagem e na Educação Infantil; IV - progressão parcial com dependência, exceto para alunos inseridos nas Classes de Aceleração da Aprendizagem; V - recuperação para aluno com baixo rendimento escolar, com destaque para recuperação paralela e contínua inserida no processo de ensino e de aprendizagem; VI - aproveitamento de estudos concluídos com êxito; VII - frequência mínima de 75% (setenta e cinco por cento) do total de horas letivas estabelecido para o ano ou semestre letivo para aprovação, computados os exercícios domiciliares amparados por Lei.

Todos os critérios dispostos no artigo 136 são necessários para um bom desempenho

da avaliação, estes auxiliaram os professores a acompanhar o desempenho de seus alunos.

O regimento traz a forma como o sistema escolar realiza a avaliação na Educação

Infantil e no Ensino Fundamental, abordando instrumentos que podem ser utilizados para a

verificação do desempenho do aluno, relatando que:

Art. 139. Na Educação Infantil e do Ensino Fundamental Séries e Anos Iniciais, a avaliação é realizada por meio da observação e do acompanhamento contínuo das atividades individuais e coletivas, com o objetivo de se constatar os avanços obtidos pelo aluno e o (re)planejamento docente, considerando as dificuldades enfrentadas no processo de ensino e aprendizagem, bem como a busca de soluções. §1º Na Educação Infantil a avaliação far-se-á mediante o acompanhamento e o registro do desenvolvimento da criança, sem objetivo de promoção, mesmo para acesso ao Ensino Fundamental, sendo a mesma promovida automaticamente ao término do ano letivo. §2º No 1º e 2º anos do Ensino Fundamental de 9 Anos, a avaliação não assume caráter promocional, havendo progressão continuada do aluno ao final do ano letivo. §3º Nos 3º, 4º e 5º anos do Ensino Fundamental de 9 Anos e nas 2ª, 3ª e 4ª séries do Ensino Fundamental de 8 Anos a aprovação dar-se-á, regularmente, ao final do ano letivo, atendidos os critérios da avaliação do desempenho escolar. §4º Os resultados das avaliações são registrados sob forma de relatórios individuais discursivos- RDIA, compartilhados com os pais e alunos ao final de cada semestre, para alunos da Educação Infantil. §5º Os resultados das avaliações são registrados sob forma de Registro de Avaliação - RAV ao final de cada bimestre, e

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compartilhados com os pais e alunos do Ensino Fundamental Séries e Anos Iniciais.

Este artigo instrui o professor de como é realizada a avaliação formativa da Educação Infantil e Anos Iniciais, levando em consideração as dificuldades encontradas no processo de ensino e aprendizagem, deixa explicito que o feedback que o professor obtém a cerca da metodologia utilizada. Podemos destacar a diferença que entre a promoção dos alunos que

cursam os 1º e 2º anos dos de 3º, 4º e 5º anos, os primeiros sempre a o avanço do aluno para

as series seguinte, ou seja, não reprovação e também segue os mesmos moldes da avaliação

formativa aplicada na Educação Infantil, utilizando-se de relatórios que são disponibilizados para os pais ao final de cada bimestre. O segundo pra a aprovação é necessário que os alunos atendam aos critérios do desempenho escolar, que rege este documento. A retenção ou a reprovação dos alunos nas Series Iniciais é abordada no artigo 141, onde afirma que:

Art. 141. A retenção dos alunos dos três primeiros anos do Ensino Fundamental de 9 Anos e das duas primeiras séries do Ensino Fundamental de 8 anos, estratégia metodológica do Bloco Inicial de Alfabetização BIA, dar-se-á somente no 3º ano do Ensino Fundamental de 9 Anos e na 2ª Série do Ensino Fundamental do 8 Anos, caso haja evidências fundamentadas, argumentadas e devidamente registradas pelo Conselho de Classe, à exceção daqueles que excederem ao limite de 25% de faltas anuais.

Este artigo afirma que os alunos do 2º Ano das Series Iniciais, ficará retidos ou reprovados mediante índicos comprovados e aprovados pelo Conselho de Classe ou se os alunos excederem seu limite de faltas.

O PROFESSOR, O ALUNO E A AVALIAÇÃO FORMATIVA Na avaliação formativa tanto o professor quanto o aluno tem grande importância. O aluno precisa do professor e o professor precisa do aluno, é um processo mútuo, onde ambos necessitam mutuamente um do outro. Segundo Sant’anna (2010), a avaliação responde a

algumas perguntas, como: “os objetivos foram alcançados? O tempo previsto foi o suficiente?

O programa foi cumprido? Outros objetivos foram alcançados?” (p.24) por meio deste

questionamento o professor avaliará a si, ao aluno, de forma integral, e o processo de ensino- aprendizagem.

A avaliação formativa é um recurso que leva o professor a uma reflexão permanente sobre sua pratica pedagógica, auxilia a criação de novos meios para o trabalho e dá suporte para a recuperação de objetivos que devem ser revistos, ajustados e reconhecidos no processo

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de aprendizagem (PCN, 1997). Ou seja, analisa a metodologia utilizada e modifica-a, quando necessário, buscando fazer com que os alunos aprendam conhecimentos que lhes são necessários. O professor deve ter em mente que “avaliar a aprendizagem é avaliar o ensino oferecido” (PCN, 1997, p. 56). Para tanto, faz-se necessário utilizar diversos instrumentos disponíveis, valorizando as múltiplas capacidades e formas de aprendizagem do aluno, considerando que alguns falam melhor do que escrevem já outros se expõem melhor escrevendo, e assim por diante. Considerando esses aspectos o professor pode avaliar por meio de: observações sistemáticas (observações em sala de aula do comportamento do aluno por meio de relatórios), analise das produções dos alunos (considera o que o aluno produz em sala, dando uma amostragem real da sua aprendizagem) e atividades especificas para a avaliação (a prova e os testes, onde o aluno expressa objetivamente sobre o que aprendeu). (PCN, 1997). Os critérios de avaliação utilizados é uma das atribuições do docente. Estes deixam explícitas as expectativas de aprendizagem, sempre considerando os propósitos que se deseja alcançar e os conteúdos abordados para aquele ciclo ou serie apontado para as experiências educativas necessárias e essenciais para o desenvolvimento integral do aluno. Tais critérios podem determinar como será a supervisão e o acompanhamento das atividades educacionais. Segundo Sant’Anna podemos considerar os “critérios como conjunto de aspectos que serve de norma para as avaliações” (2010. p. 79). Eles podem ser qualitativos e quantitativos. Encontramos os critérios nas legislações proposta para a avaliação e também no regimento interno da escola, faz-se necessário que o docente conheça estes documentos. Para o aluno, a avaliação, serve de uma tomada de consciência, e fazendo ainda com que estes reflitam sobre suas conquistas e dificuldades, reorganizando sua aprendizagem (PCN, 1997). Mas será que estes alunos entendem isso? Provavelmente não. Infelizmente percebe que muitas escolas ainda não mostram para seus alunos o verdadeiro sentido da avaliação, pelo contrário, muitos professores utilizam a avaliação como um castigo, se utilizando de ameaças em sala do tipo “se vocês não se comportarem vou fazer uma prova muito difícil”. Até mesmo em cursos superiores ouvimos falas do tipo “minha prova é a mais difícil da faculdade”. Deste modo, a avaliação para o aluno ao invés de representar algo significante e valorizado, passa a ser um verdadeiro filme de terror, que vai se repetindo ao longo de sua vida escolar, fazendo com que a motivação por aprender se esvai-se por entre o medo, o pavor e o terror.

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O aluno, quando consciente do verdadeiro motivo de uma avaliação, consegue fazer uma reflexão sobre o que foi absorvido no processo de ensino e aprendizagem, analisando suas conquistas e dificuldades.

METODOLOGIA Esta pesquisa tem como tema a Avaliação formativa no 2º Ano do ensino fundamental de uma escola pública da Samambaia. A pesquisa utilizou um método qualitativo visto ser voltada para área da educação. Segundo Goldenberg (2002), neste tipo de pesquisa “a preocupação do pesquisador não é com a representatividade numérica do grupo pesquisado, mas com o aprofundamento da compreensão de um grupo social, de uma organização, de uma instituição, de uma trajetória etc.” (p.14).

O campo de pesquisa foi uma escola pública situada na cidade satélite de Samambaia

no Distrito Federal. Esta escola atende as modalidades de ensino Educação Infantil e Anos

Iniciais do Ensino Fundamental, é bem organizada estruturalmente, com seis blocos, sendo dois para Educação Infantil e 1º Ano, três para o ensino Fundamental e um para a parte

administrativa, o espaço de lazer da escola são corredores entre os blocos, além do pátio pequeno e uma quadra de esporte. Os alunos que freqüentam são de classe média baixa que moram nas proximidades. Os sujeitos dessa pesquisa são os 17 alunos da turma do 2º Ano D e a professora que atua nessa turma e outra professora da mesma instituição. Nesta pesquisa foram utilizados dois instrumentos de pesquisa, roteiro de entrevista e roteiro de observação.

uma

atividade que ocorre diariamente; no entanto, para que possa ser considerado um instrumento metodológico, é necessário que seja planejada, registrada adequadamente e submetida a controles de precisão” (MOROZ, 2002, p. 65). O instrumento utilizado foi o roteiro de observação, registrando comportamentos que ocorreram durante as aulas, para análises posteriores. Foram 3 dias de observações durante o mês de abril, analisando o comportamento dos alunos e da professora, no dia de aula considerado normal, no dia da aplicação da avaliação e na retomada de objetivos não alcançados. Apesar da greve, que estava acontecendo, nos mesmos dias da observação, as aulas estavam ocorrendo normalmente. A principio, não teria avaliação, mas ao conversar com a professora, a mesma decidiu realizar, não só pra ajudar-me, mas também para verificar como estava a aprendizagem dos alunos.

O primeiro procedimento utilizado foi a observação, o qual é considerado[

]

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O segundo instrumento utilizado foi o roteiro de entrevista. Segundo Moroz (2002), esse procedimento permite o pesquisador obter informações para responder ao problema pesquisado e tem a vantagem de facilitar maior entendimento de questões difícil de entender. Este último instrumento foi usado para fazer o mapeamento dos critérios empregados pelos professores em sala de aula. Foram feitas duas entrevistas. A primeira com a professora que atua na sala observada, esta é formada em Pedagogia e Letras, porém tem pouca experiência em sala de aula. A primeira entrevista durou cerca de 20 minutos. Devido a pouca experiência da primeira educadora e as greves que ocorreram durante a construção deste trabalho, fez-se necessária realizar uma segunda entrevista com uma professora com mais experiência, esta tinha um conhecimento mais abrangente sobre o tema e a entrevista durou cerca de 40 minutos. Ao longo do trabalho, as professoras serão chamadas de “Professora 01” – professora que atua na sala de aula e que possui menos experiência e, “Professora 02”, segunda entrevistada que, apesar de não ser a professora da sala de aula observada, possui mais experiência como educadora que a primeira.

ANÁLISE DE DADOS Durante a observação de um dia, considerado um dia normal de aula, os alunos conversavam e brincavam muito, demonstrando a inquietação desta idade. São bastante unidos sempre atentos aos seus colegas e sempre auxiliam uns aos outros. Quando se trata de conteúdos eles são bem participativos nas aulas, alguns demonstram dificuldades em realizar as tarefas e outros têm facilidade para realizá-la. A professora está sempre atenta, auxilia os alunos na leitura e na assimilação do conteúdo. A partir dessa observação, percebemos a interação da professora com os alunos, esta relação auxilia o professor na observação de objetivos que não foram alcançados, permitindo a retomada destes, de forma que o aluno possa alcançá-lo mais facilmente, ou seja, a retomada é realizada diariamente.

No dia da avaliação, os alunos estão tranqüilos, encaram a avaliação como uma atividade simples que fazem no dia-a-dia. Estão sempre perguntando a professora alguma palavra que não entendem ou que não conseguem ler, procurando entender o enunciando da questão ou até mesmo saber a resposta. Percebe-se que existe uma dificuldade muito grande por parte dos alunos, estes não estão completamente alfabetizados e muitas das vezes não conseguem ler o que diz o enunciado das questões, fazendo com os alunos perguntem sempre

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a professora, qual palavra ou letra, ou como se ler determinada palavra. A professora responde as perguntas de uma forma que os alunos compreendam, afim de que eles façam o que aprenderam, sem necessitar da ajuda dela. Observasse que, tanto o professor quanto o aluno reconhece seu papel na avaliação, o comportamento dos alunos frete a avaliação deixa isto bem claro, pois estes encaram a avaliação como um exercício de fixação que é realizado diariamente, analisado as suas conquistas e dificuldades como relata os PCNs.

No dia de entregar as avaliações, a professora corrige juntamente com a turma, questão por questão. Alguns alunos conseguem reconhecer o objetivo que não alcançou e consegue assimilar a aprendizagem, já outros necessitam ainda de uma ajuda pra identificar onde errou e assimilar a aprendizagem. Visualizei nessa oportunidade a retomada de objetivos que não foram atingidos pelo aluno ou grupo de alunos. Este é um dos papeis do professor na avaliação, perceber o que o aluno a aprendizagem significativa e fazer uma reflexão sobre sua pratica, criando novos instrumentos de trabalho e recuperando objetivos que necessitam ser alcançados (PCN, 1997).

A primeira pergunta realizada durante a entrevista foi quanto ao tempo que elas atuam na área da educação. A professora 1 informou que atuava há somente três meses, visto que foi selecionada este ano para atuar como professora temporária. A professora 2 atua há nove anos, também é professora temporária, mas atuou em escolas particulares antes. Questionadas sobre a formação a professora 1 era forma em Letras e Pedagogia, e Pós-Graduada em Língua Portuguesa. A professora 2 é formada em Magistério nível médio e em Pedagogia. Percebi que o tempo de experiência e a formação dos educadores é um fator importante para a avaliação formativa, pois a partir das experiências vivenciadas, aperfeiçoa-se cada vez mais esse processo, a facilidade de evidenciar os objetivos que foram alcançados é facilitada com a experiência.

Interrogadas sobre a proposta de avaliação formativa existente na escola, se os professores atuavam e se estes concordavam e se mudaria a proposta e o que mudaria na proposta a professora 1, primeiramente afirmou que a escola tinha uma proposta, depois disse que se tivesse era desconhecia, e afirmou: “a direção simplesmente informou que eu poderia fazer do meu modo ou eu poderia juntar-me com as professoras da mesma coordenação para fazermos uma avaliação juntas”. Por não saber da proposta não teve condições de informar o que mudaria e nem se os professores atuavam e concordavam com a proposta, apenas concordou com o que lhes foi passado sem procurar saber o que diz o regimento interno. A

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professora 2 falou que havia uma proposta na escola. Esta proposta se encontrava no regimento interno das escolas publicas. Relatando que:

A avaliação na escola pública é realizada a critério do professor, durante a coordenação coletiva a coordenadora sugere como seja realizada, mas se alguém quiser fazer diferente tem a liberdade. No 2º ano o professor apenas realiza testes ate porque os alunos ainda estão no período de alfabetização e nos 3 primeiros anos BIA Bloco de Inicial de alfabetização os alunos não reprovam pois entende-se que ele esta passando por etapas de aprendizagem. Normalmente ao final de cada bimestre o professor realiza esses testes para verificar a aprendizagem. O professor pode colocar nota ou conceito, mas isso também não interfere em sua aprovação para o Ano seguinte. (PROFESSORA 2)

Prosseguiu falando que mudaria a proposta de avaliação e que levaria mais em consideração o comportamento do aluno em sala de aula. Sugeriu palestras e reuniões pedagógicas para que os professores fossem orientados a como avaliar seus alunos com mais segurança e comprometimento visando, principalmente, o crescimento do aluno. As respostas adquiridas, deixa claro que a professora 1 por não saber a proposta da escola, não conhece o regimento interno que nortea a avaliação desta escola, realizando a avaliação ao seu modo ou como a direção lhe informou. A professora 2, descreveu como a avaliação formativa é realizada na instituição, reconhece os critérios dispostos no regimento e segue-os, utiliza-se de seus próprios critérios, como a observação do comportamento dos alunos, assistindo o desenvolvimento do aluno.

Ao serem questionadas sobre os critérios que são utilizados pelos professores, além do previsto pela escola, a professora 1 utiliza-se de todos os conteúdos que são vistos em sala, e com livros ela analisa qual o conteúdo que se adequa a idade. A professora 2 utiliza-se de trabalhos e atividades realizados em sala de aula, análise do comportamento do aluno, verificando sempre se o aluno está aprendendo. Os critérios utilizados pelos professores são essenciais para assimilação de conteúdos e verificação de rendimento do aluno, pois, é por meio destes que os alunos utilizam-se de diferentes tipos de capacidades, focando nos objetivos e capacidades necessárias, podendo a aluno seguir para o ciclo seguinte, sem que seu rendimento seja comprometido. (PCN, 1997).

Indagadas sobre que atitudes são tomadas quando o aluno não atinge os objetivos propostos a partir dos resultados das avaliações, as professora 1, relatou que, retoma os objetivos revisando e refazendo a avaliação. Já a professora 2 faz uma revisão dos conteúdos de forma diferente da que havia realizado antes. Nota-se que existe uma diferença nas retomadas dos objetivos. A professora 1 retoma os objetivos sem modificar sua metodologia,

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usa sempre o mesmo método utilizado anteriormente, desconsiderando uma parte do conceito de avaliação que é de “identificar, aferir, investigar e analisar as modificações do comportamento e rendimento do aluno, do educador”(Sant’anna, 2010). A avaliação formativa para esta professora não deu um feedback sobre sua metodologia, fazendo com que a mesma não refleti-se sobre o seu próprio processo de ensino. A professora 2, reafirmou o conceito de Sant’ Anna (2010), refletindo suas práticas, e modificando-as de acordo com a necessidade.

A seguinte tratou da autonomia do professor para a realização das avaliações. Ambas responderam que os professores desta escola têm liberdade de construir sua própria avaliação, podendo ainda reunir-se com os demais professores que atuam no mesmo ano para discussão dos objetivos que devem ser trabalhados. Esta autonomia oferecida pela escola dá condições ao professor de utilização de diversos critérios e instrumentos de avaliação. Porém, essa abertura possui suas vantagens e desvantagens. A vantagem é que o professor é livre para construir, analisar e verificar os resultados da avaliação utilizando-se de critérios que ele melhor se adequar, desempenhando suas atribuições na avaliação e no processo de ensino- aprendizagem. E a desvantagem é que muitos se acomodam, não desempenhando seu papel na avaliação.

A

próxima

pergunta

questionou

Como

você

percebe

a

avaliação?

Ambas

concordaram que a mesma é necessária. A professora 1, diz que, com a

avaliação que se verifica o que o aluno aprendeu pois como saberemos se ele

aprendeu sem a avaliação. A professora 2 relata que: “A avaliação é essencial, pois é através dela que norteamos nosso trabalho, se não há avaliação não tem como saber o que o aluno aprendeu, pois avaliação não é só prova, ela é diária e

] [

individual.

Nota-se que o conceito que a professora 1 tem sobre avaliação visa somente o aluno. A professora 2, por ter mais experiência, contém um conceito mais amplo, para ela é por meio da avaliação formativa que o seu trabalho é guiado, a fim de, que seus alunos aprendam com maior eficácia. Quando a professora fala que a avaliação é “diária e individual, aponta para um dos critérios que a LDB afirma no artigo 24, que a avaliação deve ser “continua e cumulativa”, afirma também o conceito que Haydt (1995. p.13) “A avaliação é um processo continuo e sistemático”.

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Interrogada sobre como reage ao perceber que a avaliação não teve um efeito significativo responderam. Professora 1, rever novamente os objetivos. Professora 2, “A avaliação de qualquer formar e por si só já tem um efeito significativo.

Questionada sobre que momento elas julgam que o aluno aprendeu ou não o conteúdo abordado, a professora 1 somente compreende que o aluno aprendeu ou não quando este faz as atividades em sala sem interrogá-la de como fazer o exercício proposto e, também, por meio da relação que a mesma possui com os alunos. A professora 2, por outro lado, utiliza exercícios de fixação para verificar se o aluno conseguiu atingir o objetivo. É importante e necessária a retomada dos objetivos proposto inicialmente nos planos de aula. Examinar os acertos e erros faz o aluno refletir sobre sua própria aprendizagem, sobre seus sucessos e fracassos. Ajudando-os a sanar as deficiências e corrigir os erros, facilitando também sua aprendizagem. (HAYDT, 1995)

CONSIDERAÇÕES FINAIS A avaliação formativa é indispensável no processo de ensino e aprendizagem. Esta pesquisa nos mostrou de forma sucinta como ocorre a avaliação formativa 2º ano do ensino fundamental de uma escola pública de Samambaia. Fazendo-nos refletir sobre esse processo, mais restritamente sobre o comportamento do aluno e os critérios avaliativos utilizados pelos professores. Surpreendeu-me o comportamento dos alunos diante da avaliação, visto que os mesmos agiram de forma tranqüila, encarando-a como apenas mais um exercício de fixação. Isto facilita o aluno a compreender seus acertos e erros, fazendo uma reflexão da sua aprendizagem, tornado a avaliação proveitosa, tanto para o professor quanto para os alunos. Os critérios de avaliação utilizados pelos professores têm um papel importante na realização de uma avaliação consciente. Professores devem estar atentos ao que dizem os documentos oficiais sobre a avaliação, no entanto utilizando seus próprios critérios para que a avaliação se dê de forma concisa e coerente. Para que o processo de avaliação formativa ocorra de forma consciente e saudável, faz-se necessário que os professores e alunos estejam cientes de seu papel e que os critérios utilizados pelos professores sejam coerentes e adequados para que os alunos possam alcançar os objetivos fundamentais para sua aprendizagem de acordo com sua idade e ano escolar.

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REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 9.394, 20 de dezembro de 1996: estabelece as

diretrizes e bases da educação nacional, 1996

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Avaliação. In: BRASIL. Secretaria de

Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: introdução aos parâmetros

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DISTRITO

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Estado

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Educação.

Disponível

GOLDENBERG, Mirian. A arte de pesquisar: como fazer pesquisa qualitativa em ciências sociais. Rio de Janeiro: Record, 2001

HAYDT, Regina Cazaux. Avaliação do processo ensino-aprendizagem. 5. ed. -São Paulo:

editora atica, 1995.

HOUAISS, Antônio. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro, Ed.

Objetiva, 2001.

MOROZ, Melania; GIANFALDONI, Mônica Helena Tieppo Alves. O processo de

pesquisa: iniciação. Brasília: Plano Editora, 2002

SANT’ANNA, Ilza Martins. Por que avaliar? Como avaliar?: Critérios e instrumentos.

14.ed.- Petropolis, Rj: Vozes, 2010.