A ARTE DO DESENHO FOTOGÉNICO Ou Processo segundo o qual os Objectos por si mesmos se Desenham sem Socorro de Lápis William Henry

Fox Talbot

Na Primavera de 1834, comecei a testar um método, que já há algum tempo tinha tenção de experimentar, com o intento de aplicar a uma finalidade útil a tão curiosa propriedade que tem o nitrato de prata de escurecer quando exposto aos violentos raios da luz do sol. Eis o que me propus fazer para aproveitar esta propriedade que os químicos já há muito haviam descoberto. Pareceu-me que deveria primeiramente estender sobre uma folha de papel suficiente quantidade de nitrato de prata e de seguida expor o papel aos raios do sol, tendo previamente posto de permeio algum objecto que lançasse sobre o papel uma sombra bem delimitada. A luz caindo no resto do papel deveria fazê-lo negro, enquanto as partes cobertas pela sombra se conservariam brancas. Esperava eu que daqui resultasse um desenho ou imagem que representasse até certo ponto o objecto que a tinha produzido; ao mesmo tempo, ocorrera-me que teria de conservar estes desenhos numa pasta, que não poderia vê-los a não ser sob uma luz artificial. Tal foi o meu primeiro projecto antes de ser ampliado e corrigido pela experiência. Só passado tempo, e já depois de ter obtido muitos resultados inteiramente novos, é que me lembrei de indagar se este método havia já sido praticado ou proposto por alguém: soube que com efeito já tivera sido tentado, mas sem perseverança, e em pequeno número de casos: nem mesmo pude descobrir documentos satisfatórios que explicassem detalhadamente a maneira de praticálo de modo vantajoso. O que eu achei mais positivo sobre este ponto foi uma memória de Sir Humphry Davy, publicada no primeiro volume do jornal da Royal Institution. A primeira ideia destes ensaios parece ser devida a Wedgwood, que, juntamente com Sir

notei. antes de ler esta memória. e como muitos destes desenhos que conservei durante cinco anos ainda não têm o mais pequeno sinal de alteração. seria o suficiente para me fazerem supor inexequível o meu projecto se por sorte eu não tivesse descoberto. combinando-os de diferentes maneiras.Humphry Davy. se podem obter as cores seguintes: azul celeste. É tal a variedade de processos que este método compreende que variando tão-só as proporções. e procedendo a alguns trabalhos pouco importantes de manipulação. Esta circunstância. É desta forma que imagens obtidas por este método. determinou-me a observar por longo período de tempo as mudanças que experimentariam estes desenhos. mas o fundo em que assentam pode ser de diversas cores. fez grande número de experiências. cor-de-rosa. se alteravam contudo no ano seguinte. o meio de vencer tamanha dificuldade e de fixar a imagem de modo que ela pudesse expor-se à luz sem se destruir ou deteriorar. com grande satisfação minha. vi que os meus temores eram mal fundados. No decurso das experiências a que procedi. Contudo. e um pardo muito carregado . pois receava que por fim todos tivessem a mesma sorte dos primeiros. bem como a declaração de que não tinham podido obviar a este inconveniente. aliada ao facto de se terem perdido os meus primeiros desenhos (porque o papel havia ficado todo negro). Um dos maiores obstáculos que estes dois experimentadores encontraram foi o de não poderem fazer com que o papel sobre o qual pintavam as imagens deixasse de enegrecer devido à acção da luz sobre o nitrato de prata. preto. todas elas goradas. Esta circunstância. e que no fim de um ano tinham permanecido perfeitamente conservadas. não sem grande admiração minha. julgome autorizado a dar alguma importância aos resultados das minhas experiências e às conclusões que delas posso deduzir. enquanto outras conservavam toda a sua pureza. amarelo. As imagens por este método obtidas são brancas. Falta só neste momento a cor verde. a variedade de efeitos que se pode obter a partir de um número limitado de processos. pardo mais ou menos carregado.

quer frescas quer tiradas do meu herbário: quer umas quer outras foram reproduzidas com tanta fidelidade e exactidão que podiam distinguir-se as inúmeras nervuras das folhas. Estas diversas alterações de cores correspondem a outros tantos compostos químicos diferentes que os químicos até hoje não haviam distinguido. Desde os primeiros tempos em que eu me dediquei a estas experiências. As flores mais compostas e delicadas eram copiadas com tão minuciosa exactidão que nem faltavam aqueles órgãos que só com auxílio de microscópio se podem ver. porque a matéria que os produz não é sujeita a nenhuma modificação espontânea. E contudo. não carecendo de nenhum outro meio que as conserve. cuja pintura é branca sobre fundo azul. Tendo um dia obtido a imagem de um pedaço de renda cujo traço era muito complicado. e os ténues pelos que cobrem as plantas. mas a própria renda. a retardasse ao menos tanto quanto fosse possível. porquanto elas bem viam que aquilo não era um desenho. E as considerações seguintes fizeram-me conceber a possibilidade de chegar a este . mesmo que não impedisse inteiramente a sua destruição. Os desenhos em que esta cor é empregue conservar-se-ão intactos contanto que estejam guardados numa pasta. O azul produz um belo efeito. Reponderam-me que eu queira enganá-las.que é quase preto. mostrei-o a algumas pessoas situadas a poucos pés de distância. Os primeiros objectos cuja imagem eu pretendi obter foram folhas e flores. comecei a ter grande pena por ver que tão belos desenhos obtidos pela acção da luz estavam condenados a uma existência efémera. alcança-se com os meios que a química põe à nossa disposição em tão pouco tempo e com tão pouco trabalho como o mais simples e menos complicado desenho. semelhante ao da louça de Wedgwood. Um exemplo único será bastante para fazer entender a minuciosa exactidão com que por este método se podem reproduzir os objectos. e tomei logo a resolução de descobrir um meio que. perguntando-lhes se achavam exacta a reprodução. que levaria a um artista semanas inteiras de assíduo trabalho. um desenho destes. etc.

designando pela letra A a exposição à luz do sol e por B uma operação química indeterminada. Inclinei-me mais especialmente para um destes processos. Por conseguinte. Esta operação química. a que eu chamo processo de conservação1. ou. a imagem seria conservada. ou até que se tenham feito tantas operações que se percam as esperanças de encontrar a que conviria. e não é impossível que depois desta última operação as partes inicialmente brancas e pretas deixem de ser susceptíveis de sofrer mais alguma modificação espontânea. e também sobre as que forem pretas. Ora. se um desenho obtido pelos raios solares se submeter a uma outra operação química. Fiz o seguinte raciocínio. No caso pois em que elas pudessem sofrer algumas mudanças sem deixarem de manter-se diferentes. como eu havia previsto. estaria a proferir-se uma asserção que seria indispensável provar. porque o outro exigia mais cuidado na operação. e não tardou que descobrisse um segundo. não resulte contudo que as duas cores tendam a assemelhar-se ou a confundir-se.resultado. O nitrato de prata que se fez negro com a acção da luz já não é quimicamente a mesma substância que era antes daquela modificação. mas depois de algum tempo encontrei um processo que me satisfez. deixando eu alguns desenhos expostos ao sol de Verão por mais de . e desta sorte obteria o fim a que me propunha. ao primeiro no que respeita à perfeição do resultado. ainda que fosse igual. como não se pode demonstrar a priori que o resultado final da série de operações A B A deva ser o mesmo que o de B A. Os meus primeiros ensaios foram infrutíferos. parece razoável continuar as experiências variando a operação B até se descobrir a que convém ao fim proposto. mesmo no caso que ainda possam sofrê-la. é muito mais eficaz do que eu supunha. O papel que primitivamente era tão sensível à luz fica tão insensível depois desta operação que. Se se afirmasse que a exposição do desenho à luz do sol devia necessariamente reduzir as duas cores de que ele se compõe a uma só tinta e destruir assim a imagem. se não mesmo superior. poderá esta última produzir efeitos sobre as partes brancas do desenho.

emblema proverbial daquilo que há de mais passageiro e mais mutável — pode ser apanhada pelo encanto da minha operação mágica e fixar-se para sempre na posição que parecia não dever ocupar mais do que um instante! Antes de passar adiante. não experimentaram a mínima alteração. Tomo nota. em diferentes circunstâncias. porque nem sempre tomei nota das circunstâncias que me poderiam esclarecer sobre este ponto. de modo que foi mais por acaso que eu fiz estas observações. cuja importância será impossível prever neste momento.uma hora. contudo há outros em que se poderá julgar mais útil não fazer semelhante aplicação. e fechá-la na sua carteira. enquanto outros preparados. sem se dar ao trabalho de as secar e de as conduzir. parece-me tão maravilhoso como qualquer dos grandes fenómenos que o estudo da natureza nos tem até hoje revelado. A coisa menos estável deste mundo — uma nuvem. se fizeram inteiramente negros em intervalos de tempo dez vezes menores. fazer-lhe cair em cima a imagem da planta que quer conservar. tendo apenas notado que alguns dos desenhos que eu não havia submetido ao processo de conservação tinham não obstante conservado a sua nitidez e brancura por um ano ou dois. o naturalista que deseja numa viagem conservar a imagem das plantas que encontrou. porque. devo dizer que não é absolutamente indispensável recorrer ao meio de conservação: se me dei ao trabalho de procurá-lo foi porque supus de início que semelhantes desenhos perderiam com o tempo todo o seu valor se não houvesse meio de preservá-los desta alteração. e de dar aos desenhos uma certa duração uma vez que se tenham abrigado da acção directa dos raios solares. Todavia. não tem mais do que pegar numa folha de papel preparado. ainda que na maior parte dos casos seja mais prudente o trabalho de aplicar o processo de conservação às imagens obtidas. O defeito destes desenhos é o . contentando-nos com desenhos que podem conservar a sua brancura à sombra muitos anos. que em poucas palavras acabo de mencionar. e denuncio este facto. ser-me-ia penoso dar conta de todos os meios de obter este resultado. Este fenómeno. a experiência porém mostroume depois que há muitos outros modos de alcançar o mesmo fim. Assim.

. porque estas duas cores interceptam os raios violeta. As pinturas assim obtidas são as que mais se parecem com as que são o produto do pincel do artista. cujo menor desvio pode alterar extraordinariamente a semelhança. Aplicação ao microscópio: Esta é certamente a parte das minhas descobertas mais importante e mais útil. e consiste na aplicação do meu método à reprodução da imagem dos objectos amplificados pelo microscópio solar.de não ser bem igual o fundo. Direi de seguida alguma coisa sobre os diferentes ramos da arte a que o meu método me parece aplicável. produzem um muito notável efeito. Pintura em vidro: Os desenhos que se obtêm expondo as pinturas em vidro à luz do sol. sem nos importar a beleza do efeito obtido. As pessoas a quem as tenho mostrado têm julgado que são verdadeiras pinturas. e recebendo a imagem sobre o papel preparado. confessando ao mesmo tempo que são de um género inteiramente novo. Todo o vidro que rodeia a pintura deve estar pintado de preto. não tem comparação alguma o retrato obtido por meio da acção dos raios solares sobre o papel preparado com o que é traçado pela mão do mais hábil artista. mas isto pouco importa quando só queremos a utilidade. Por mim. Seria por certo um imenso progresso se se chegasse a poder reproduzir os objectos com as suas cores naturais. os únicos que produzem o efeito químico. entretanto. por falta de vagar. no entanto já é um passo para esta descoberta o ter podido obter alguns indícios de variedades de cores. Retratos de perfil. como aquele que algumas vezes é empregado na lanterna mágica: na pintura do vidro não deve haver as cores amarela ou vermelha vivas. não me atrevo a ter esperanças de que alguma vez se chegue a este resultado. ou tirados pela sombra do rosto: no que toca à exactidão. não pude levar mais adiante as minhas investigações. e que deve ser difícil de aprender. Só nestas pinturas é que me tem sido possível obter diversidade de cores.

a que chamo sensitivo [sensitive paper]. Comecei portanto uma outra série de experiências sobre as diversas preparações que são susceptíveis de receber influência da luz solar. Que artista teria o saber e a paciência necessários para copiá-las? E supondo mesmo que pudesse fazê-lo. Devo todavia dizer que só considerava esta questão do ponto de vista prático. e estava já disposto a abandonar esta experiência quando me lembrei de examinar se na verdade o ??nitrato?? de prata era de todas as substâncias a mais sensível à acção química dos raios de sol. e logo obtive satisfatórios resultados. Os meus primeiros ensaios foram perdidos. Ainda que não tivesse facto algum a opor a esta opinião geralmente recebida. porém o pincel não pode reproduzir as inumeráveis minúcias que oferece a natureza nas suas obras. colocada na câmara obscura recebe do microscópio solar a . pois tenho de confessar que me é impossível explicar teoricamente a razão por que um papel preparado por tal processo é mais sensível à luz do que o que passou por diferente preparação. nada encontrei que se parecesse com um desenho. oferecem na maior parte dos casos uma indecifrável complicação. É verdade que a vista pode compreender a totalidade dos objectos que se apresentam no campo de visão. tratei eu de substituir o inimitável pincel da natureza aos esforços que em vão faria a arte para reproduzir efeitos tão complicados. e deste modo posso realizar completamente todos os efeitos que antes só em teoria reputava possíveis. determinei contudo continuar as minhas tentativas neste sentido até me convencer experimentalmente da verdade ou falsidade de tal opinião. O resultado destas experiências foi a descoberta de um modo de preparação muito superior em sensibilidade ao que até ali eu tinha empregue2. Quando voltei passada uma hora. Quando uma folha de papel. E até maravilhosos. não seria isso à custa de um tempo precioso que poderia aproveitar melhor em objectos muito mais úteis? Por estas razões. conquanto pareçam maravilhosos.Os objectos que o microscópio oferece aos nossos olhos. embora eu tivesse escolhido um dia claro e fizesse cair sobre o papel preparado uma boa imagem do objecto.

e é tal a rapidez com que o efeito se produz que se pode dizer que o desenho acaba e começa ao mesmo tempo. pelo menos foi a que . logo começa a fazer-se negra. Ainda não empreguei vidro que aumentasse muito por causa do enfraquecimento da luz.imagem amplificada de um objecto qualquer. como são algumas cristalizações microscópicas. mostrasse algumas manchas brancas que aniquilariam todo o efeito. em vez de apresentar a cor preta uniforme indispensável para a beleza do desenho. e com sinais perfeitamente distintos. Arquitectura e paisagem: A aplicação do meu método aos casos de que aqui vou falar é talvez a mais admirável. quando se prepara este papel à luz do dia. arrecadai-o logo em uma gaveta. mas com um papel mais sensível poder-se-á recorrer a vidros mais convexos. então ponho-a de parte. Se passados alguns instantes o papel oferecer este carácter. porque se me servisse dela expunha-me a que o fundo. Desta sorte. o desenho fica pronto no fim pouco mais ou menos de um quarto de hora. não deve deixar-se descoberto nem um momento. O papel que é tão sensível à luz simples duma janela ainda o é mais à que provém directamente dos raios luminosos. ou se observo sobre alguns pontos manchas mais carregadas do que o resto da folha. Antes de me servir deste papel para obter a imagem dum objecto. ou fazê-lo secar à noite ao calor do lume. Direi de seguida alguma coisa sobre o grão da sensibilidade do papel sensitivo. Quando se aproxima uma folha de papel sensitivo a uma janela onde não se dê o sol. não só se economizará tempo e trabalho como também se obterá a representação dos objectos que se alteram tão rapidamente que não dêem tempo de desenhar-se com lápis. com o fim de verificar se o fundo está igualmente distribuído. exponho-o por alguns momentos à luz para lhe dar uma leve cor. Por isso. advertindo que ainda estou muito longe de supor que ele tenha tocado as raias da perfeição. Pode avaliar-se em meio segundo o tempo necessário para obter à luz solar a imagem dum objecto.

posto que fossem iluminados por uma luz muito menos viva. achando em cada uma desenhados em miniatura os objectos . e que não tenha admirado a facilidade com que ela reproduz com todas as cores os objectos colocados da parte de fora. e desta sorte cheguei a obter com pequenas caixas e com pequenas lentes muito convexas desenhos de notável exactidão. O método que adoptei foi o seguinte. Muitas vezes meditava eu no interesse que este aparelho ofereceria se chegassem a fixar-se no papel as engraçadas vistas que por momentos nele se pintam. A facilidade com que tinha chegado a fixar as imagens engrandecidas pelo microscópio solar deu-me esperanças de poder pelo mesmo processo obter a imagem dos objectos colocados fora da câmara obscura. excepto das partes que estavam à sombra. Não há ninguém que ignore os bons efeitos que se obtêm da câmara obscura. fi-la de uma grande caixa a que adaptei uma lente objectiva. depois de meia hora tirava-as todas. Em bem pouco tempo vim a conhecer por experiência que com pequenos aparelhos era o efeito produzido em menos tempo. sendo preciso serem examinados com uma lente para distinguir todos os objectos mínimos que em si encerravam. a qual enviava a imagem dos objectos externos para o lado oposto àquele em que estava situada. Passada uma hora. Depois de adaptar uma folha de papel sensitivo ao foco de cada uma destas pequenas câmaras obscuras. No Verão de 1835 obtive grande número de desenhos da minha casa de campo. Como na aldeia eu não tivesse uma câmara obscura. mas em tão pequenas proporções que pareciam não poder ser senão o trabalho de algum artista liliputiano. ainda que privados de todas as cores que os matizam. levava comigo umas poucas que colocava em diferentes posições ao redor da casa. Este aparelho provido de uma folha de papel sensitivo foi colocado a pouco mais ou menos cem varas de distância de um edifício favoravelmente iluminado por um sol de verão ao meio dia. ou mesmo se somente fosse possível fixar os contornos e as sombras dos objectos.assombrou mais as pessoas que examinaram a minha colecção de desenhos feitos à luz do sol. achei sobre o papel uma imagem bem distinta deste edifício.

que se conservam com grande nitidez. todavia deve ele ter-se em muitos casos por feliz. e não possa realmente substituí-la. exponho-as a uma luz do sol muito viva. excepto nos pontos em que obstam as linhas opacas da gravura. O contacto entre as duas folhas deve ser geral. deste modo de aplicar o meu método. e obtém-se a imagem exacta do desenho. basta meia hora para obter uma boa cópia. Davy e Wedgwoood tinham já tentado esta experiência. O tempo necessário para obter esta cópia varia segundo a grossura do papel em que estiver a gravura. mas não duvido que se obtenham. desde que ambos estejam bem . Posto que a imagem obtida por este trabalho da natureza difira da que o artista desenharia. e que este se possa empregar com grande vantagem em muitas circunstâncias. podendo obter em tão curtos momentos a representação de objectos de que nem a memória poderia conservar. para este efeito aplica-se o papel sensitivo à gravura de modo que as figuras estejam em contacto com o papel. Não deve haver receio de que o papel preparado altere a gravura. Expõemse estas folhas à luz do sol que atravessa logo o papel. ou também ao artista que nem sempre pode ter tempo para reproduzir com o seu lápis todos os objectos que ele reputa dignos de fixarem a atenção. Cópias de gravuras: Podem obter-se muito facilmente cópias de gravuras ou fac-similes. Estes ensaios ainda não foram muito adiantados por mim. Deste modo reproduzi eu gravuras muito delicadas e cheias de muitas figuras pequenas. e coloco a conveniente distância uma pequena câmara obscura com o papel preparado. pois que o menor intervalo altera extraordinariamente o resultado produzindo uma massa vaporosa em lugar dos traços distintos do original. Esta descoberta parece-me que deverá ser útil aos viajantes que não souberem desenho. mas não teve bom êxito porque lhes faltava o papel sensível. Quando o papel é muito grosso.diante dos quais esteve colocada. importantes resultados. Desenhos de pedaços de escultura: Quando quero tirar a imagem de uma estátua ou de um baixo-relevo.

banhando-o em soluções aquosas fracas destes dois sais. e que é de grande importância. Não é fácil explicar a causa desta alteração.] . Entretanto. de hipossulfito de potássio ou de sódio. mas que não sejam tão procuradas que mereçam a pena ser de novo gravadas. todavia creio que se pode atribuir a uma falta de equilíbrio. 1 W. porque nesta segunda cópia os claros e os escuros têm já recuperado as suas primitivas posições. Depois de cada imersão. puder expor-se aos raios luminosos sem se alterar. sobre os quais a acção da luz solar não produz efeitos exactamente semelhantes.] 2 Esta preparação consiste em cobrir o papel de camadas alternadas de cloreto de sódio e de nitrato de prata. ou ainda de cloreto de sódio. é necessário ter o cuidado de deixar secar bem o papel.secos. será ela fácil de tirar com uma preparação química que não altere a gravura. O processo seguido para esta reparação pode produzir dois compostos químicos diversos. e que consistia em submeter o papel em que se pretende fixar a imagem a uma lavagem com uma solução pouco concentrada de iodeto de potássio. Vem a ser a disposição que oferecem algumas folhas de papel sensitivo de ficarem insensíveis à luz. depois de passar pelo processo de conservação. e ministrar assim a repetição exacta da gravura. Fox Talbot escreveu posteriormente uma carta ao Instituto de França em que descreveu este processo. e até certo ponto inapreciáveis. H. [Adaptado a partir de nota à tradução portuguesa de 1839. [Adaptado a partir de nota à tradução portuguesa de 1839. o que depende de circunstâncias aparentemente pouco importantes. Vê-se portanto que consoante a preparação do papel leve mais para um ou para outro desses compostos. assim se obterão efeitos inteiramente diferentes em relação ao modo de acção da luz solar. Terminarei fazendo algumas notas sobre uma circunstância particular que já assinalei. Este processo poderá ser principalmente útil para obter sem grande despesa a cópia de gravuras raras e únicas. Nestas espécies de cópias as sombras e os claros estão às avessas. se se observar alguma mancha na gravura depois da operação. mas se uma cópia. pode esta então ser copiada pelo mesmo processo.

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