DIAGNÓSTICO SOCIAL

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Aproveitamento Múltiplo de

MANSO - APM

Realização: Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas / IBASE, FURNAS Centrais Elétricas SA e COEP (Comitê de Entidades no Combate à Fome e pela Vida) Coordenação: Itamar Silva Equipe Técnica: Nahyda Franca, Rita Brandão Redação: Equipe Técnica Trabalho de Campo / Entrevistas: Laureni Luciano Colaboradores: Jane Aparecida Coutinho (Araçatiba) e Wallace da Conceição (Retiro) Edição e Revisão: Nahyda Franca Projeto gráfico, diagramação e Capa: Beto Tameirão Apoio: FURNAS Centrais Elétricas SA

Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas Avenida Rio Branco, 124, 8º andar, Centro CEP: 20040-916 Rio de Janeiro / RJ Tel.: (21) 2509 0660 Fax: (21) 3852 3517 E.mail: ibase@ibase.br

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SUMÁRIO:
APRESENTAÇÃO I - Introdução II - Contextualização do Território A Chapada dos Guimarães e a Baixada Cuiabana Localização Aspectos históricos O Parque Nacional Economia da Região Aspectos Demográficos A Ocupação do Território Expectativas da População da Chapada Retrospectiva dos Principais Acontecimentos na Área do APM-MANSO III - AS TRÊS COMUNIDADES OBJETO DO TRABALHO João Carro Mamede Roder PA Quilombo Aspectos comuns às três comunidades • nº de Familias e sistema de produção • a regularização fundiária • as moradias • a infra-estrutura e os serviços • energia elétrica • transporte escolar • educação • saúde • organização comunitária • igrejas • a geração de trabalho e renda IV– OBSERVAÇÕES DIAGNÓSTICAS PRELIMINARES A perda das referências A perda da unidade de manejo e as condições da unidade produtiva O exercício dos sonhos Potencialidades do território V –CONSIDERAÇÕES FINAIS Próximos passos Prioridades já identificadas na primeira etapa VI– FONTES CONSULTADAS VII – ANEXOS Calendário do Histórico do APM-Manso Quadro Síntese das Críticas / Problemas / Sugestões Instituições citadas na Dinâmica do Diagrama de Bolas Descrição das técnicas utilizadas nas três localidades

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APRESENTAÇÃO
A construção de um Diagnóstico Social Participativo na região do APM-Manso insere-se a partir da proposta de FURNAS, Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas – IBASE e o Comitê de Entidades no Combate à Fome e pela Vida – COEP de criar um Núcleo , de Integração Comunitária na região, com o objetivo de promover o desenvolvimento das comunidades situadas no entorno do APM Manso, tendo como princípio básico a integração e dinamização das relações entre indivíduos, grupos comunitários, poderes públicos e agentes locais. A consolidação deste Núcleo prevê a construção conjunta de um Plano de Ação para as três comunidades selecionadas – João Carro, Mamede Roder e PA Quilombo - com previsão de implantação de um Projeto de Referência. Assim, torna-se possível a instalação de um processo transformador que agregue conhecimento, qualidade e autonomia ao desenvolvimento comunitário. A metodologia adotada baseia-se na constituição de fóruns de integração como instâncias da sociedade civil capazes de planejar e definir as etapas do processo de desenvolvimento local. Como primeiro passo para a construção de um documento preliminar a equipe do IBASE procedeu ao exame dos documentos disponibilizados por FURNAS e pela Empresa Estadual de Assistência Técnica e Extensão Rural / EMPAER/MT, para melhor conhecer a questão e fatos ocorridos após a construção do APM Manso com o objetivo de propor estratégias para a realização de encontros com a população moradora que já concorressem para a construção do Diagnóstico Social Participativo. As reuniões com a área de responsabilidade social da empresa e a primeira visita à região do APM-Manso (01 a 04/05/2007), inclusive com conversas junto às lideranças do Movimento de Atingidos por Barragem / MAB/MT e técnicos de FURNAS, subsidiaram a equipe do IBASE com informações complementares relevantes. Estes procedimentos iniciais permitiram definir os objetivos do trabalho nesta primeira etapa e escolher algumas técnicas da metodologia do DRP - Diagnóstico Rápido Participativo - uma prática social muito utilizada em áreas rurais no Brasil e ao nível internacional, para apoiar o trabalho junto às comunidades. Decidiu-se aplicar nos encontros com a população moradora das comunidades as seguintes dinâmicas1: - mapa falado - linha do tempo/calendário - diagrama de bolas (ou diagrama de Venn), para conhecer as instituições locais e a percepção dos assentados em relação a elas; - oficina de futuro (críticas, utopias e realidade). A ida a campo para cumprir esta primeira etapa deu-se em dois momentos. No período entre 25 e 29/06/2007, quando foram realizadas três reuniões setoriais, uma por localidade, em João Carro, Mamede Roder e PA Quilombo e uma reunião conjunta também em
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1- A descrição de como aplicar as técnicas encontra-se na parte dos anexos

João Carro, onde foram compartilhadas as informações produzidas e acordados os próximos passos para a construção da proposta. Em função do tempo planejado para o trabalho desta etapa na região, o Mapa e o Calendário não foram construídos na forma participativa, mas afixados nos locais e disponibilizados para a população moradora que foi convidada a completá-los com as informações que julgassem relevantes. Quanto ao Diagrama de Bolas, a aplicação se deu com boa participação nas três localidades, porém, seus objetivos vão muito além do que foi feito, havendo, para isso necessidade de se prever um tempo maior para alcançar melhores resultados numa próxima etapa do projeto se for considerado pertinente. A oficina do futuro trouxe importantes elementos para a etapa seguinte de planejamento, e foi complementada no segundo período de trabalho em campo. No período entre 10 e 14/09/2007 através de novas reuniões setoriais com representantes das instituições / grupos locais e lideranças comunitárias, realizou-se a complementação da primeira versão deste documento. Neste período avançou-se ainda na construção do Plano de Ação para a região e na identificação das questões prioritárias para cada uma das comunidades selecionadas, que irão compor o Projeto de Referência para a região em questão. O papel do Ibase nesta etapa inicial do trabalho foi o de reunir as informações existentes, realizar alguns cruzamentos desses dados, incorporando os diferentes “olhares” da população local, captados nas visitas e encontros realizados. É imprescindível, o aprimoramento constante deste documento, com as contribuições advindas das diferentes instituições locais, públicas e privadas, grupos de moradores, associações, empresas, etc. a fim de torná-lo o mais completo possível e apresentá-lo como o cenário, pano de fundo da tomada de decisão do Fórum Comunitário a ser constituído.

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I - INTRODUÇÃO
O Aproveitamento Múltiplo de Manso (APM-MANSO) é o nome dado ao projeto que visou gerar energia, controlar enchente e irrigação, facilitar a navegação fluvial pelos rios Cuiabá e Manso, melhorar o turismo e o lazer, enfim, alavancar o desenvolvimento da região que circunda a usina construída e atingida pela barragem no rio Manso, em Mato Grosso, sob a responsabilidade de Furnas Centrais Elétricas, integrante do sistema Eletrobrás. O APM Manso está localizado no município da Chapada dos Guimarães a 85 km de Cuiabá (MT), na região centro sul de Mato Grosso. O reservatório se situa à jusante da bacia do rio Manso, afluente da margem esquerda do rio Cuiabá. Suas nascentes estão entre a Serra Azul e Mutum (conhecidas como Finca Faca) a 800 metros de altitude. Os principais afluentes do rio Manso são os rios Casca, Palmeiras, Quilombo e Roncador. Os rios Casca e Manso compõem, com o rio Cuiabá, uma sub-bacia do rio Paraguai e representam 2% da bacia que controla o complexo do Pantanal O APM Manso abrange os Municípios da Chapada dos Guimarães e Nova Brasilândia e, mais diretamente, as localidades Mamede Roder, João Carro, PA Quilombo, Bom Jardim, Campestre, Água Branca e Água Fria, todas localizadas no município da Chapada dos Guimarães. É o único empreendimento de FURNAS em que foi feito assentamentos para re-alocar a população atingida pela sua construção. O reassentamento de pessoas atingidas pela construção de hidrelétricas é um processo difícil e, no caso de Manso, bastante complexo, pela diversidade de situações encontradas entre as famílias. Na área do alagamento da barragem do rio Manso, havia agricultores, posseiros, pescadores, garimpeiros, pequenos proprietários, comerciantes, produtores rurais e os pequenos povoados de João Carro e Água Fria. O modo de produção local se baseava no sistema de agricultura familiar, em sua maioria de subsistência e atividades econômicas relativas à pesca e o garimpo. Ao lado dessas atividades, hábitos culturais, forte religiosidade e regras de convivência baseada em relações diretas e de parentesco. Fruto das negociações com o MAB - Movimento dos Atingidos por Barragens - foram realizados por Furnas levantamentos, estudos, auditorias, a fim de se chegar a uma forma capaz de reparar os impactos negativos na população e na região. Esta mudança de postura do setor elétrico também é resultante da democratização da sociedade e do Estado brasileiro. A leitura de documentos, assim como as visitas feitas aos assentamentos e povoados, dá uma idéia aproximada dos impactos do empreendimento na infra-estrutura existente, com submersão de partes das redes viárias e de eletrificação rural, estradas, pontes, edificações, equipamentos comunitários, roças, cultivos, moradias, benfeitorias, assim como revelam as perdas imateriais, como os valores, hábitos, estilos de convivência, sociabilidade entre as redes familiares e de vizinhança, afetivas e culturais daquela população.
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O cumprimento dos compromissos de FURNAS para com as comunidades, em especial as atingidas é parte do processo de diálogo que está em vigor. Ele é possível, graças a vários fatores, entre eles, a organização e legitimidade das lideranças, a persistência das famílias nos assentamentos e a vontade política de técnicos e administradores de FURNAS, além da contribuição de mediadores dentro da máquina do Estado e da sociedade civil. Apesar de ainda perdurarem tensões em virtude de pendências entre as reivindicações do movimento, esse processo está sendo um exercício de prática democrática, conforme enfatizado na conclusão do relatório da Auditoria Social ENTRADA DE MAPA – DEFINIR QUAL

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II - CONTEXTUALIZAÇÃO DO TERRITÓRIO
A Chapada dos Guimarães e a Baixada Cuiabana 1- Localização A Chapada dos Guimarães é um município de grande extensão territorial (6.249,44 km²), localizado no estado de Mato Grosso, região Centro-Oeste do Brasil. Trata-se de uma localização privilegiada, uma vez que está a 64 km de distância de Cuiabá, capital do estado. A Chapada fica a uma altitude de 811 metros do nível do mar e já foi considerado o maior município brasileiro. É considerado “centro geodésico” (equidistante dos dois oceanos, Atlântico e Pacífico), está a uma latitude de 15º27’38" sul e longitude de 55º44’59" oeste. O clima é tropical semi-úmido, com temperaturas entre 23°C e 27°C, com dias quentes e noites frias. Entre dezembro e abril, as chuvas são intensas. A paisagem natural é típica de cerrado com árvores retorcidas e savanas. A Chapada divide o estado em planície pantaneira e planalto central. A base hidrográfica da Chapada é a bacia do rio Manso que abrange a Depressão Cuiabana, o Planalto do Casca, a Chapada e o Pantanal. A região onde se localiza a Chapada dos Guimarães é a Baixada Cuiabana que abriga a capital, Cuiabá e Várzea Grande, principal centro polarizador do estado de Mato Grosso. Outros municípios integram esse pólo regional, que se articula às demais regiões do estado, através das rodovias BR-163, BR-164 e BR-070. A Baixada Cuiabana é uma das mais antigas ocupações do Estado de Mato Grosso, com fazendas de grande porte, vazios populacionais e variável grau de modernização nas relações de produção. Em Cuiabá e Várzea Grande, os índices de povoamento são apenas 44,1%, e na zona rural, a intensidade de uso do solo é ainda mais baixa. Os municípios situados na porção mais elevada da Baixada Cuiabana são: Chapada dos Guimarães, Acorizal, Jangada, Nossa Senhora do Livramento, Nova Brasilândia, Planalto da Serra e Rosário do Oeste. 2- Aspectos históricos2 O Município da Chapada dos Guimarães se originou da carta de sesmaria concedida em 1726, a Antonio de Almeida Lara. A sede foi edificada onde hoje se encontra a Escola Evangélica de Buriti. A descoberta de lavras de ouro na região, acrescida das extensas plantações e de grande número de escravos, propiciou ao explorador a instalação de um verdadeiro estado feudal agrário, onde, além da exploração aurífera se fabricava na região, aguardente de cana, rapadura, cultivo de cereais e fiação de peças de tecidos. Consta que a região foi habitada pelas populações indígenas Caiapó, Guaicuru, Bororo e Paiguá. Na origem da região estão, portanto, a sesmaria, a exploração
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2 - Informações colhidas no Plano de Desenvolvimento Local Integrado e Sustentável/Fórum DLIS da Chapada dos Guimarães. O documento não contém data e teve como onte “Estatísticas Municipais 2001 de Chapada dos Guimarães/ SEPLAN-MT”.

bandeirante e o sistema de posse da terra por herança, apropriação de terras devolutas, compras e outras formas de apropriação. Em 1751, os jesuítas se instalaram na Chapada de Cuiabá ou Santana da Chapada, época em que foi construída a Igreja Nossa Senhora de Santana, hoje tombada pelo IPHAN. O município ganhou o nome de Santana da Chapada dos Guimarães em 1764, por iniciativa do 3º Governador da Capitania de Mato Grosso, em homenagem à cidade portuguesa de Guimarães. O povoado foi elevado à categoria de distrito em 1848. O declínio de Santana da Chapada dos Guimarães se deu algumas décadas mais tarde por vários fatores, entre eles, a guerra com o Paraguai, a disseminação da varíola e a extinção do braço escravo, privando os “senhores de engenho” da fonte de seu poder na região. A liderança de centro produtor de rapadura e aguardente transferiu-se, então, para Santo Antônio do Rio Abaixo, ficando a Chapada em situação de decadência ou letargia, conforme descreve José Barnabé de Mesquita. Merece relevo na história da Chapada, a atuação da Igreja Católica, com a chegada, nos anos 40, dos padres franciscanos, fundadores das obras assistenciais, como hospital, escola, ambulatório, atendendo à população desassistida pelo Estado. O município da Chapada dos Guimarães foi oficializado como tal em 1955, com a posse de seu primeiro prefeito eleito, Adalberto Sampaio Farias. Nos anos seguintes, foram implantadas as redes de distribuição de água e a elétrica ligada ao sistema da Usina do Rio da Casca. Outros serviços relevantes são: a Escola Educandário São José (1968), o Sindicato dos Trabalhadores Rurais (1968), a Cooperativa Mista de Chapada dos Guimarães (1971), o Curso Ginasial (1975), o escritório Local da EMATER (1975) e o sistema de telefonia (1977). Em 1976, o município foi decretado área prioritária para o turismo e em 1977 se deu o asfaltamento da rodovia MT 251, ligando Cuiabá à Chapada. Em 6 de abril de 1989, o governo federal criou o Parque Nacional de Chapada dos Guimarães (Lei Federal n° 97.659, de 6 de abril de 1989), com o objetivo de preservar a riqueza arqueológica e natural da região. 3- O Parque Nacional Além das belas paisagens e de um relevo acidentado, composto por cachoeiras, rios, riachos e formações com profundidade de mais de 500 metros, o Parque Nacional de Chapada dos Guimarães, situado no município de mesmo nome, abriga animais silvestres como veados, antas e tamanduás, seriema e muitas espécies de pássaros. A presença de sítios arqueológicos com pinturas rupestres e fósseis torna a região atrativa para pesquisadores e turistas amantes das belezas naturais. Trata-se assim de uma área de proteção ambiental e conservacionista, estendendo-se por 33 mil hectares.

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A criação do Parque Nacional da Chapada intensificou a movimentação de turistas na região e levou a Secretaria Municipal de Turismo a ampliar seu quadro técnico de especialistas, conforme fontes da Prefeitura3. Caminhadas são organizadas por entre as inúmeras trilhas no interior do Parque, assim como eventos culturais, festas religiosas e o Festival de Inverno, que atrai visitantes de outras regiões, dinamizando a vida cultural da cidade. A sede do município abriga monumentos históricos destacando-se a Igreja de Santana do Sacramento (século XVIII) tombada pelo Patrimônio Histórico. 4- Economia da região A Chapada dos Guimarães possui um potencial de desenvolvimento baseado em sua principal vocação, a turística, a de produção agropecuária e a artesanal. Podem ser citados como potencialidades locais o agro e o eco-turismo, o turismo místico, cultural e de lazer, o artesanato local, indígena e rural, o Lago do Manso, a produção agropecuária, especialmente a familiar, a pecuária de corte e de leite com seus produtos derivados, a proximidade da Capital e as festividades regionais. Cuiabá e Várzea Grande são os centros de maior prestação de serviços do estado e praça comercial e industrial significativas. Conforme o Cadastro Industrial de Mato Grosso – FIEMAT, as principais matérias primas processadas na região em 1995, eram: acetato, ácido sulfúrico, aço, água, álcool, alumínio, areia, cimento, ferro, gesso, calcáreo, granito, hipoclorito de sódio, mármores, oxigênio, parafina, polietileno, pva, plástico, vidro, zinco; além de açúcar, arroz, banana, batata, cevada, café, mel, soja, borracha, carne, couro, leite, madeira, papel e peixe. Convém destacar também a importância da estrutura agroindustrial do contexto Cuiabá - Várzea Grande porque se constitui em pólo estadual de atração e beneficiamento da produção primária. Na região concentra-se considerável parcela de capacidade de armazenamento do Estado e grande número de unidades processadoras, sendo as principais: 25 abatedouros, 9 curtumes, 6 beneficiadoras de soja, 8 beneficiadoras de café, além de grande número de laticínios e beneficiadoras de cereais (Cadastro SEFAZ, 1995). Nos demais municípios, é forte a predominância da pecuária e produção do leite e pouco significativa a atividade agrícola. Com exceção dos dois municípios principais, são ainda inexpressivas as atividades urbanas nos municípios da Baixada Cuiabana. Em relação à agricultura, predominam os cultivos tradicionais: arroz, mandioca, esta última, especialmente em Chapada, Rosário Oeste, Jangada, e Nossa Senhora do Livramento. Na agropecuária, o destaque, em 1994 era a suinocultura (Livramento e Rosário) e a avicultura (Chapada dos Guimarães, com 42,3% do total estadual). Nesses municípios, se deu um significativo processo de modernização, com a capitalização de grandes e médios estabelecimentos e a integração localizada (avicultura) de pequenos e médios produtores às estruturas agroindustriais.

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3 - Informações do site da Prefeitura Municipal da Chapada

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5- Aspectos demográficos A região centro sul do estado de Mato Grosso, onde se localiza a Chapada dos Guimarães, concentra maior parcela de população, devido à presença da capital, Cuiabá (134,3 hab/km² e Várzea Grande (200,5 hab/km²), atingindo ambos os municípios, em 1996, um total de 626.756 ou 85% do total da região. A urbanização se dá especialmente nos dois maiores municípios, sendo que nos demais, inclusive, na Chapada, predomina a população rural. Na região, houve intensa mobilização populacional, congregando áreas de atração de migrantes e outras de expulsão de população. A Chapada possui 17.940 habitantes (FIBGE/ 2006) e baixa densidade populacional (2,9hab/km²) numa área que abrange 6.249 km² . O IDH municipal é 0,711 (PNUD 2000), o PIB total, 65.193.208 e o PIB per capita, 3.848,93 (FIBGE / 2003). Quanto aos padrões de renda, há fortes disparidades entre Várzea Grande e Cuiabá e os demais municípios. Nos primeiros, há melhor distribuição de renda e níveis de instrução razoáveis nas pessoas de mais de 10 anos, enquanto nos demais, a renda média mensal per capita é de 0,5 salários mínimos e até um salário mínimo, (Censo 2000). O mesmo Censo revelou que na Chapada, nas idades superiores há 10 anos, havia 1953 pessoas sem instrução ou com apenas um ano de estudo. 6- A ocupação do território A forma como esse território foi ocupado influenciou as relações sociais prevalecentes. Na região da Chapada, oriunda de sesmarias e, mais tarde, de quilombos, se deu um tipo de manejo e uso do solo, para subsistência, baseada nas relações de trabalho, vizinhança e parentesco. “... as atividades econômicas, dependentes de mão de obra escrava- indígena e negra, se caracterizavam pelo cultivo de alimentos, que “abasteciam as áreas de garimpo que, desde o século XVIII ocorria de forma intensa na área hoje situada a montante do APM Manso”. “... desde esse momento, o garimpo, o cultivo agrícola, a pesca e a coleta se configuraram como atividades responsáveis pela diversidade econômica dessa população e enquanto tal como elemento central na organização de seu modo de vida”4 (Palhano, 2006). Nesse contexto, as relações sociais e de trabalho ancoradas no parentesco, na agricultura familiar e no manejo com técnicas elementares, influenciaram a organização e a economia da população que abrigava quilombos, especialmente, às margens dos rios, Quilombo, córrego Bom Jardim e ao sul da Cachoeira Rica. Nas primeiras décadas do século 19, surgiram na Chapada estabelecimentos agropecuários de pequeno porte, especializados em produção destinada ao mercado urbano. Não houve na região muitas mudanças, mesmo com a chegada de migrantes. Em meados do século 20, a construção de Brasília e outros grandes projetos começaram a ser impulsionados na região Centro Oeste, uma das últimas fronteiras agrícola do país passível de exploraDiagnóstico Social Aproveitamento Múltiplo de Manso — outubro de 2007

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4 - Relatório da Auditoria Social - 2006

ção. Grandes transformações ocorreram nas décadas de 60/70 em Mato Grosso, especialmente na parte norte, através do PIN - Projeto de Integração Nacional, do governo militar. As políticas de desenvolvimento regional dos cerrados se intensificaram no Centro Oeste em 1972, através de vários programas federais. Nesse estado, destacou-se o PRODECER (Programa de Desenvolvimento dos Cerrados), especialmente em Goiás e parte de norte de Mato Grosso. Foram criadas linhas de crédito, vias férreas e fluviais, rede de transportes, para constituir um corredor de exportação, de modo a integrar a nova região ao mercado internacional. Na agricultura, essa expansão assumiu formas modernas, com a adoção, pelas empresas rurais, de máquinas, equipamentos, defensivos (fungicidas e adubos químicos). A modernização se deu dentro de uma perspectiva “conservadora”, no sentido de que mudou as relações de trabalho, alterou a forma de produção e concentrou intensamente a terra nas mãos de poucos, expulsando do campo para a cidade, enormes contingentes de população. Ocorreu assim um processo acelerado de apropriação de terras, ou seja, áreas imensas que antes não tinham dono (eram terras devolutas) passaram a pertencer a alguém. Isso foi possível devido às obras de infra-estrutura (estradas, por exemplo) e às facilidades de investimentos, especialmente na região amazônica. Além dos proprietários tradicionais, surgiram “novos proprietários”, ligados aos grupos financeiros e industriais (bancos, indústrias automobilísticas) que adquiriam terras para especular, ou seja, as mantinham improdutivas, esperando sua valorização. A manutenção de grandes extensões de terra nas mãos de poucos mudou as formas de produzir. A agricultura teve que se submeter a padrões tecnológicos impostos pelas indústrias, tanto em equipamentos, como em produtos, tirando a autonomia do produtor, e concentrou também a renda e o poder político, nas mãos dos grandes proprietários. Os efeitos desse tipo de expansão foram diferentes nas diversas regiões. Concentrou-se no centro-sul, integrando a produção agrícola às necessidades da indústria. No Nordeste, permaneceu a grande propriedade fundiária tradicional e nas áreas novas (Amazônia e Centro-Oeste) passaram a conviver formas diferentes, tanto pequenos produtores expulsos de outras partes do país, como grandes proprietários e grupos econômicos do Sul e Sudeste, que se dirigiram para essas regiões. Seguindo a lógica de integração à economia internacional, se implementou infra-estrutura de sustentação, com uma política oficial para o setor elétrico por meio do Plano 2010, da Eletrobrás, que previa a construção de hidrelétricas especialmente na região amazônica5. Durante o regime militar planejou-se e foram construídas hidrelétricas, em diferentes regiões do país, e que foram responsáveis pela expulsão de suas terras, de dezenas de milhares de trabalhadores rurais, posseiros, meeiros, agregados, arrendatários, pequenos proprietários, ribeirinhos e grupos indígenas. As mais importantes foram as de Sobradinho (BA), Tucuruí (PA), Itaipu (PR) e Machadinho (RS), todas com fortes impactos sociais, econômicos e ambientais nas populações afetadas pelos empreendimentos.
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5 - Cunha, José Marcos Pinto- Dinâmica migratória e o processo de ocupação do Centro-Oeste brasileiro: o caso de Mato Grosso – Rev. Br. Est. Pop. SP v 23, n1,p87-107, jan/ jun 2006

Entre os efeitos sócio-econômicos das políticas adotadas, o mais grave foi o das intensas migrações ocorridas nas décadas de 70 e 80 quando, cerca de 20 milhões de pessoas deixaram o campo, para se instalarem nas periferias dos grandes centros urbanos. Mato Grosso experimentou um forte movimento migratório até meados de 80, com incentivos a pequenos produtores em projetos de colonização, baseados em assentamentos das famílias em pequenas propriedades. Em conseqüência, muitos municípios foram criados, especialmente na parte norte do estado. A partir de 90 começa a arrefecer o movimento migratório, inclusive com acentuado decréscimo demográfico em Mato Grosso. Nos últimos anos, vem se reconhecendo os enormes custos sociais desse tipo de desenvolvimento (concentração da terra e desemprego na agricultura), fazendo com que as políticas públicas nacionais se direcionem para a questão da Reforma Agrária. Em muitos municípios de Mato Grosso, o INCRA implantou assentamentos, não sem problemas. Dados colhidos no INCRA de Mato Grosso6 mostram o crescimento dos assentamentos rurais nesse estado: entre 86 e 91 foram criados 25 assentamentos, enquanto que na década de 90, 262 assentamentos foram implantados. Segundo a Secretaria de Comunicação do Estado de Mato Grosso, atualmente são ao todo, 315 assentamentos, com 70 mil famílias, num total de 300 mil pessoas. Nos últimos 20 anos, surgiram movimentos de luta pela terra e de combate à exclusão social provocada pelas políticas nacionais que visavam apenas ao crescimento econômico sem o desenvolvimento em todas as dimensões, sociais, econômicas e culturais. Na região do rio Manso, as transformações descritas não chegaram a mudar as formas de ocupação e de apropriação daquele território. Nessa região, a maioria da população não detinha a propriedade da terra e vivia em áreas de fazendas, na condição de posseiro. As relações com o fazendeiro se davam através de compadrio ou por intermédio dos “gerentes”, com quem os moradores faziam acordos de arrendamento de terra, uso do pasto e, no caso do garimpo de diamantes, através de taxa de 10%, cobrada sobre o valor total. Este era destinado ao fazendeiro, dono das terras onde havia garimpo. O detalhamento dessas condições está claramente descrito por Nair Palhano no Relatório Final Consolidado da Auditoria Social. De tais especificidades decorre, portanto a fragilidade dessa população frente às mudanças ocasionadas pela implantação do APM Manso. 7- Expectativas da população da Chapada No início desta década, a Prefeitura da Chapada, a EMPAER/MT (Empresa Matogrossense de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural) e outras organizações da sociedade civil organizada, criaram o Fórum de Desenvolvimento Local Sustentável (DLIS), onde os participantes identificaram os principais problemas e definiram prioridades para a região.
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6 - Cunha, José Marcos Pinto- Dinâmica migratória e o processo de ocupação do Centro-Oeste brasileiro: o caso de Mato Grosso– Rev. Br. Est. Pop. SP v 23, n1,p87-107, jan/ jun 2006

Nos registros do Fórum DLIS, cujo objetivo principal seria implantar um projeto de desenvolvimento sustentável com base nas potencialidades turísticas da região, os participantes chapadenses colocaram sua visão de futuro. As expectativas mais relevantes podem assim ser sintetizadas: diminuição das desigualdades entre as zonas urbana e rural, melhoria da infra-estrutura, especialmente relacionada a saneamento e água potável, educação e trabalho para toda a população, de modo que não seja necessário aos jovens sair do município à procura de melhores oportunidades. Para alavancar o desenvolvimento local, muitas necessidades foram apontadas e detalhadas7 pelos participantes do fórum DLIS. Algumas estão aqui apontadas: · Assistência técnica, transporte e canais de comercialização da produção · Integração dos órgãos concretizando a complementaridade dos serviços públicos · Capacitação de mão-de-obra e criação de oportunidades de geração de renda · Intensificação das atividades de educação ambiental no município · Preservação, conservação e recuperação dos recursos naturais · Fortalecimento da legislação e fiscalização ambiental · Promoção e eficiência da coleta e destino do lixo · Melhorias na infra-estrutura: saneamento básico, comunicação, transportes, especialmente da zona rural para a sede, balsas para população do entorno do Lago, vias de acesso, inclusive à Usina Rio da Casca, ampliação da rede elétrica, moradia e serviços de apoio ao turismo, assim como criação de espaços físicos de lazer para a população chapadense. Com relação à saúde e à assistência social foram citadas: a necessidade da erradicação da desnutrição infantil, da melhoria das oportunidades de ensino, da promoção do conhecimento do patrimônio natural e cultural local e do fortalecimento das associações comunitárias. Sobre desenvolvimento econômico, mencionase entre outras necessidades: a implantação de áreas de reserva para animais silvestres, de projetos de industrialização da argila, abatedouro municipal, programa de inseminação artificial de bovinos, aquisição de matrizes suínas, estruturarem o Selo de Qualidade e o SIM - Serviço de Inspeção Municipal, construção do Centro de Abastecimento para produtos agropecuários, hortas comunitárias, de plantas medicinais e ervas florestais, convênios com a Universidade para realizar estudos e pesquisas sobre ervas nativas e aproveitamento dos frutos do cerrado. Implantação de agroindústrias familiares e artesanais, fábricas de confecção, serrarias e equipamentos para marcenarias comunitárias, além de capacitação para vários empreendimentos. Também se enfatizou a necessidade de contratação de técnicos para fortalecer a EMPAER/MT e a integração das entidades afins

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7 - Relatório do Plano DLIS da Chapada, fornecido pela EMPAER – Empresa Matogrossense de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural – não consta data

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(Sindicatos, Secretarias de Agricultura, EMPAER) para a definição de prioridades e o fortalecimento da assistência técnica aos produtores rurais. Merece destaque ainda, as soluções propostas para fortalecer a vocação turística da Chapada dos Guimarães, com medidas de preservação e recuperação dos recursos naturais, e com o fortalecimento da legislação e fiscalização ambiental no município, dentre elas se destacando: · Realização de levantamentos das ações por micro bacias · Implantação de Unidades de Conservação Municipais · Demarcação e recuperação de áreas de preservação nas reservas (Quineira, Monjolinho, Jamacá e Aldeia) · Obras de contenção da erosão · Proteção e manutenção das áreas de nascentes · Reflorestamento de áreas degradadas · Ampliação dos viveiros de árvores nativas · Criação do Conselho Municipal de Meio Ambiente e respectiva legislação

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Mapa Município de Chapada

8- Retrospectiva dos principais acontecimentos na área do APMManso8 Os estudos sobre a região do rio Cuiabá e seus afluentes, vem sendo feitos há longo tempo, por sucessivos governos, tendo sido iniciados no período da ditadura militar, no âmbito das políticas de integração nacional. As primeiras iniciativas9 datam de 1962/64, quando o Ministério das Minas e Energia ( (MME) realizou estudos para implantação de usinas hidrelétricas em Mato Grosso. Mas, a concepção de um primeiro projeto para Manso se deu em 1972, quando a ELETROBRÁS inicia estudos de viabilidade dos rios Araguaia, Corrente e Itiquira, posteriormente, transferidos para a ELETRONORTE que os conclui em 1974. A partir desse ano, com a enchente do Rio Cuiabá que deixou desabrigadas milhares de famílias na baixada cuiabana, foram iniciados levantamentos e medições na área, através do DNOS e SUDECO – Ministério do Interior. Mas é em 1980 que o Governo do Estado de Mato Grosso, através da Caeeb - Companhia Auxiliar

8 - Anexo – Calendário dos principais acontecimentos

9 - Ver calendário dos principais acontecimentos no anexo 1

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de Empresas Elétricas Brasileiras elabora um Plano Diretor para o Aproveitamento dos Recursos Hídricos do rio Cuiabá, no qual o projeto de Manso foi reformulado e, posteriormente, incluído como obra prioritária no Plano 2000 da ELETROBRÁS. Em fevereiro de 1981, os Ministérios de Minas e Energia (MME), do Interior (MINTER) e o Governo do Estado de Mato Grosso (GMT) firmam um convênio com a ELETRONORTE, para a implantação da Usina de Manso. Em 1985, um grupo de trabalho, formado pela ELETRONORTE, FURNAS, GMT, CEMAT e ELETROBRÁS, conclui os trabalhos e a ELETRONORTE assume a execução do empreendimento. Novos estudos, realizados pela ELETRONORTE, redundam na contratação da SONDOTÉCNICA ENGENHARIA DE SOLOS S.A, para executar o projeto básico das obras civis e instalação de apoio. Em 1986, o Conselho Nacional do Meio Ambiente exige detalhamentos incluídos no projeto básico e novos estudos são realizados pela SONDOTÉCNICA. As obras em Manso são iniciadas pela ELETRONORTE em 1988. Nesse ano, a Assembléia Legislativa de Mato Grosso, frente à pressão do movimento social - sindicato, CUT, Igreja Católica (CPT), que representavam os atingidos, instalou uma Audiência Pública para análise da EIA/RIMA (Relatório dos Impactos Ambientais). Foi a primeira audiência pública na história da implantação de hidrelétricas no país. Enquanto não se cumpria as exigências e, inclusive, por mudanças na conjuntura política nacional que se refletiam nas relações de poder nos estados e no interior das empresas, as obras ficaram paralisadas até 1998. Após novo levantamento, no primeiro trimestre de 1998 as obras são reiniciadas. Em fevereiro de 1999, os ativos de Manso são transferidos da ELETRONORTE para FURNAS CENTRAIS ELÉTRICAS S.A. A Usina começou a operar em 1999, com os objetivos de gerar energia, controlar enchente e irrigação, facilitar a navegação fluvial, melhorar o turismo e o lazer, enfim, alavancar o desenvolvimento da região. Ao projeto foi dado o nome APM – Manso - Aproveitamento Múltiplo de Manso. Em 2001 alcançou seu pleno funcionamento. Para FURNAS e órgãos públicos competentes, foram colocados desafios como: a criação de meios para manter a estrutura da produção de base familiar, já fragilizada na região; como buscar alternativas de sobrevivência e consolidação econômica para essa população, que tecnologias seriam possíveis, que compensações ou reparações pelas perdas em segurança e saúde, patrimônio estético ou cultural e de preservação dos recursos naturais seriam estabelecidas? Em 2001, por exigência do processo de licenciamento ambiental, foi construída uma base física para instalação do escritório local da Empresa Matogrossense de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural – EMPAER-MT, através de convênio entre FURNAS e Secretaria de Agricultura e Assuntos Fundiários do Estado de Mato GrosDiagnóstico Social Aproveitamento Múltiplo de Manso — outubro de 2007

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so. O escritório da empresa é então instalado na localidade de João Carro para prestar assistência técnica aos agricultores assentados. A partir de 2003 são acordadas várias iniciativas entre FURNAS e MAB no sentido de, através de negociações, chegarem a um termo de acordo entre as partes. O termo de acordo foi finalizado em setembro de 2006.

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III- AS TRÊS COMUNIDADES OBJETO DO TRABALHO10
As localidades para onde foram remanejadas as famílias que viviam à montante da Usina são: Campestre, Bom Jardim Água Branca, Mamede Roder e PA Quilombo, parte deste último, um Projeto de Assentamento do INCRA - Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária. São objeto do trabalho do IBASE, neste primeiro momento, o povoamento de JOÃO CARRO e os assentamentos MAMEDE RODER e PA QUILOMBO. Segundo o levantamento sócio-econômico, mencionado em documento fornecido por FURNAS11, a população que vivia na área do reservatório e suas adjacências foi classificada em cinco categorias: proprietários (os que possuíam registro do imóvel), posseiros (os que residiam e detinham a posse direta), ocupantes (que detinham apenas as benfeitorias – construções e culturas), parceleiros (moradores assentados pelo INCRA e pelo Instituto de Terras de Mato Grosso) e domínio ( áreas pertencentes a órgãos governamentais) . Independentemente da condição de propriedade, os moradores, além da atividade de agricultura familiar, também praticavam a pesca e o garimpo. As terras dessas localidades foram adquiridas por FURNAS para proceder ao remanejamento da população atingida pela construção da barragem do rio Manso e estão localizadas na Chapada dos Guimarães, a cerca de 40 km da sede do município e 105 de Cuiabá. Estão praticamente próximas entre si, as primeiras casas do PA Quilombo ficam a uns 4km de João Carro e o assentamento do Mamede Roder circunda esta mesma comunidade12. Nessas terras, a vegetação é baixa e o solo arenoso, bem característicos do cerrado. Segundo o relatório Caracterização Ambiental da Área do Assentamento do APM-Manso (EMBRAPA, 2006) “a área de estudo encontra-se localizada em região de forte influência de rochas das formações Bauru e Botucatu, integradas principalmente por arenitos, que constituem os materiais de origem da maior parte de solos. Assim, observa-se uma predominância de solos areno-quartzosos, que ocupam aproximadamente 60% da área.”. Os tipos de solos encontrados na área abrangida pela caracterização são: Neossolo Quartzarênico típicos e hidromórficos, Latossolo Vermelho Amarelo e Latossolos Vermelho Escuros típicos. Todas as três localidades são tipicamente rurais, com lotes sem cerca e respectivas casas construídas em alvenaria, várias delas com um anexo (cozinha ou varanda) construído pelo morador com material local (palha de babaçu ou buriti), conforme suas moradias anteriores. Segundo informações dos técnicos, nos dois assentamentos todos os lotes tem fundos para o lago, porém, segundo a grande maioria das pessoas que participaram das oficinas, o acesso a este, em muitos casos é difícil, pois existem nos terrenos, pedras, serra e várzeas. Os(as) moradores(as) se ressentem ainda da falta de água e do solo arenoso, segundo eles(as), impróprio para o cultivo.

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10 - Além da observação por ocasião das visitas, várias informações foram fornecidas pela EMPAER Local 11 - APM-MANSO Programa de Remanejamento da População Atingida Divisão de Liberação de Áreas MANSO-Departamento de Patrimônio Imobiliário - DPI.T - doc sem data 12 - Os dados sobre as distâncias foram informados por técnico da EMPAER

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1- JOÃO CARRO JOÃO CARRO é uma localidade que não foi afetada diretamente pela construção da UHE; Indiretamente as famílias de João Carro foram atingidas em seu modo de vida, pois dependiam da margem dos rios para a realização de suas roças e nas épocas que não havia plantio utilizavam os leitos de rios para o garimpo. Nesta localidade já residiam famílias de agricultores e posseiros, ao lado de algumas fazendas de gado. São cerca de 80 famílias residentes, algumas já lá estavam antes do alagamento, havendo assim na localidade certa tensão pela diferença de status – atingido e não atingido, por causa dos benefícios que FURNAS oferece, em função da reparação. João Carro ocupa, em princípio, uma posição mais central, no sentido de que possui uma infra-estrutura mínima, constituindo-se quase em uma vila rural. Na vila localizam-se, com relativa proximidade, os serviços e equipamentos municipais, como: a Escola que oferece o Ensino Fundamental (através da Escola Municipal Jacobino Bezerra no turno diurno) e o Ensino Médio (através do anexo da Escola Estadual São José cuja sede funciona na comunidade de Água Fria). Na escola ainda funciona no turno noturno a classe de alfabetização de adultos e o 2º segmento do ensino fundamental (5ª à 8ª); o atendimento telefônico com 6 aparelhos tipo “orelhão”, havendo também 3 linhas telefonicas particulares; o posto de saúde com atendimento mais regular da região e o prédio (em construção) da Igreja Católica, que funciona também como um espaço onde a comunidade realiza suas reuniões, além da Igreja Assembléia de Deus e a Congregação Cristã do Brasil. Na vila, há ainda alguns pequenos estabelecimentos comerciais e um restaurante. Existe uma estrutura viária e elétrica, sendo as ruas todas de terra vermelha e arenosa. Um ônibus diário faz a ligação com a sede do município.

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Posto de Saúde

O abastecimento de água de João Carro e dos assentamentos é realizado por captação de poços profundos, a água é bombeada para um reservatório e distribuída, sem tratamento, por gravidade. A canalização em tubos de PVC faz a ligação com as redes domiciliares. Este abastecimento é considerado precário pela maioria da população. Há coleta de resíduos sólidos, mas sem tratamento. Próximo a João Carro localizam -se as vias de acesso à estrada que leva à sede municipal. Uma via pela balsa, que atravessa o lago e liga os assentamentos à estrada principal, além de outra que não necessita da balsa.
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Escola

A sede da EMPAER – Empresa Matogrossense de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural, construída por FURNAS, se destaca na localidade por sua importância e dimensões, possuindo além da moradia dos técnicos, com jardim e quintal cercados, a parte do escritório, com amplas salas, equipadas com mobiliário, telefone e microcomputadores. A EMPAER funciona nesta localidade, desde março de 2001, por força de um convênio celebrado entre Furnas, Prefeitura Municipal e Secretaria de Agricultura e Assuntos Fundiários do Estado de Mato Grosso. Trata-se de uma referência na região para todos os assentamentos. No momento reside na sede um agrônomo (funcionário da EMPAER) e trabalham, em sistema de rodízio, outros técnicos de FURNAS, dando suporte técnico à unidade. Na sede da EMPAER procedem-se as reuniões com o MAB, moradores e técnicos, assim como as oficinas de capacitação dos agricultores e a preparação dos eventos locais, como o Iº Encontro das Mulheres de João Carro, ocorrido em 2004. A empresa manteve um viveiro de mudas e horta no local, em terreno contíguo à sede mas, precisou interromper esta atividade por escassez de água na comunidade. Como os Serviços prestados pela EMPAER não se estendem à comunidade de João Carro, esta reivindica uma maior proximidade deste orgão com a comunidade.

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Balsa

Existe uma Associação de Moradores e um grupo de mulheres, recém organizado em uma associação – Associação Comunitária de Mulheres de João Carro. No povoamento encontra-se ainda a sede de uma cooperativa – Cooperagricultor – a qual possui todos os equipamentos para a instalação de uma farinheira, mas por falta de água no local, encontra-se paralisada. O equipamento foi doado há mais de cinco anos e nunca foi instalado A maioria da população de João Carro, hoje, sobrevive de serviços que não exigem qualificação.

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2- MAMEDE RODER MAMEDE RODER é um assentamento localizado na região do APMManso a cerca de 40 km da sede do município da Chapada dos Guimarães e a 104 km de Cuiabá. O imóvel, desapropriado para reassentar a população ribeirinha desalojada pela UHE tem uma extensão de 1.947,8415 hectares e se situa no entorno da vila de João Carro. No local foram assentadas, entre 1999 e 2002, 96 famílias em lotes de 15 hectares, com casas de alvenaria. A média de pessoas por família é 3,75, totalizando 180 residentes. No entanto, os moradores apontaram nas oficinas, que este dado é baixo e fazem referência a cerca de 300 residentes. Na localidade, foram implantadas por Furnas as estruturas básicas: moradias, com água e energia, sistema viário, centro ecumênico e barracão que abriga o maquinário doado por FURNAS (caminhão e trator com implementos). Nesta localidade não há escola, em função da proximidade com João Carro a população de Mamede freqüenta a escola municipal ampliada e adaptada por FURNAS, naquele povoado. Na localidade não há igrejas construídas, apenas uma Assembléia de Deus adaptada em espaço privado, por iniciativa de um morador. O Centro Comunitário não foi construído neste assentamento, a população deve utilizar as instalações existentes em João Carro, como o posto de saúde desta localidade. Os agentes de saúde do sistema Programa de Saúde Familiar fazem as visitas domiciliares. A população moradora do assentamento que se encontra mais distante de João Carro se ressente, porém, da falta de transporte mais freqüente, para se chegar ao Posto de Saúde. Nos casos de emergência esta situação se agrava, inclusive, pela falta de ambulância. A população moradora de Mamede apontou ainda a precariedade das estradas que prejudica principalmente, os idosos (em grande número) e a questão da taxa alta de energia que pagam mensalmente. O assentamento não foi contemplado, até o momento, com o pagamento de taxa mínima de energia destinada à área rural. 3- PA QUILOMBO PA QUILOMBO é a localidade mais distante e, talvez a mais precária, afirmação que se conclui pelo teor das reivindicações e por informações dos próprios técnicos da EMPAER e FURNAS. Uma parte do assentamento está localizada num aclive, que os moradores chamam “alto do morro”, ao qual se chega por uma estrada de terra acidentada, que, em época de chuvas, fica em condições difíceis. No trajeto para o “centro” do assentamento, onde se encontra a escola de ensino fundamental e a construção que abriga o barracão, centro ecumênico, uma sala odontológica (sem uso) e a sala de atendimento à saúde (com atendimento médico semanal, não regular), visualizam-se algumas fazendas particulares de criadores de gado e áreas de proteção ambiental. Nestas, apesar da proibição, há habitações construídas em palha e sítios particulares.
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Em um dos documentos de FURNAS13, chama atenção o seguinte texto referente ao PA Quilombo “... quanto à valorização do patrimônio dos assentados, devido à beleza cênica, tornou-se um pólo turístico muito valorizado, melhorando a oferta de empregos na região”. Tal afirmativa deve se referir ao fato de haver algumas propriedades construídas à beira do lago e que estão explorando a área com aquela finalidade. Segundo o grupo participante da oficina em 12/09/07 esta atividade ligada ao turismo, até o momento, não gerou trabalho para a população local, uma vez que “eles” (a maioria dos proprietários com casas à beira do lago) trazem mão de obra de fora. No PA Quilombo, vivem 78 famílias reassentadas por FURNAS nos lotes com casas de alvenaria, e mais 13 famílias em lotes construídos pelo INCRA, chamados de “lote seco” num total aproximado de 108 residentes. 4 - Aspectos comuns às três comunidades14 Nº de famílias e sistema de produção Segundo documentação consultada existem no PA Quilombo, cerca de 38 famílias (há questionamento quanto a este número) produzindo e em Mamede Roder, 33 famílias. Sobre João Carro não se obteve este dado. A maior parte dos assentados vive da lavoura de subsistência e criação de pequenos animais, calcadas no trabalho familiar, encontrando dificuldade para superar esta forma de produção e outros meios de sobrevivência. Os principais cultivos, além de pastagem, são pomares, ou seja, roças frutíferas - banana, abacaxi, melancia, milho e cana, mandioca, arroz e limão. As famílias de ambos os assentamentos também criam suínos, ovinos, bovinos de corte, eqüinos e, especialmente, aves. A regularização fundiária Entre as principais demandas das três comunidades está a resolução da questão fundiária, objeto de uma ampla discussão, especialmente no Quilombo, que, além de conviver permanentemente em conflito com os órgãos ambientais por causa das áreas de reserva e/ ou áreas de proteção permanente (APP), ainda espera soluções para os casos de “lote seco”, assentamento feito pelo INCRA. Os espaços originais onde as famílias viviam e trabalhavam antes do alagamento dos rios, eram terras de posse, arrendada, própria, cedida, meia, emprestada, consorciada, alugada, herdada,
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13 - APM - MANSO Programa de Remanejamento da População Atingida Divisão de Liberação de Áreas MANSO - Departamento de Patrimônio Imobiliário - DPI.T URNAS CENTRAIS ELÉTRICAS S.A.

14 - Observações decorrentes de relatórios da EMPAER e de Furnas, da observação e das oficinas aplicadas pela equipe do IBASE – ver quadro síntese no anexo

assentamento do INCRA e outras, mas nelas se podia cultivar e criar. A regularização fundiária é, portanto um dos aspectos importantes a serem resolvidos, para dar segurança às famílias reassentadas. As moradias Antes da construção do APM Manso o padrão habitacional da região, conforme descrito nos documentos “era bastante precário, com casa de taipa, cobertura de palha e piso de terra batida. Não possuíam luz elétrica e as condições sanitárias disponíveis seguiam o padrão rudimentar das áreas rurais marcadas pela baixa aptidão agrícola. No assentamento, em cada lote da família relocada, foi implantada uma unidade habitacional representada por casa de alvenaria, com área de 54,32 m², composta de sala, dois quartos, cozinha, banheiro e área de serviço, além de fossa séptica e rede domiciliar de abastecimento de água ligada a poços artesianos e reservatórios coletivos. Os participantes das oficinas falaram sobre a precariedade da construção das moradias que exige freqüente manutenção. Especificamente no PA Quilombo e em Mamede Roder os moradores solicitam conserto e manutenção das casas, sendo este um ponto que parece ser visto pela população moradora, como parte do “passivo” da empresa a ser reexaminado As características das casas e da infra-estrutura, construídas pela empresa nos dois assentamentos, estão sobejamente descritas nos documentos disponibilizados por FURNAS15, inclusive, com fotos da época do reassentamento.

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15 - APM-MANSO Programa de Remanejamento da População Atingida Divisão de Liberação de Áreas MANSO-Departamento de Patrimônio Imobiliário - DPI.T

A infra-estrutura e os serviços Segundo o relatório de FURNAS, o abastecimento de água domiciliar é feito através de captação de poços profundos, bombeada para reservatórios e distribuída por gravidade através das redes principais ligadas aos domicílios. A questão da água se constitui, talvez, na primeira prioridade apontada pelos moradores, que indicam a sua insuficiência, principalmente para viabilizar a agricultura familiar em seus lotes, precisando ser detalhadamente examinada pelos órgãos competentes para encontrar uma solução compatível com as necessidades locais. Com relação à rede viária existente na área do reservatório e que foi diretamente afetada, FURNAS construiu cerca de 400 Km de estradas em torno do APM- Manso e recobriu-as com cascalho16.
Diagnóstico Social Aproveitamento Múltiplo de Manso — outubro de 2007 16 - Segundo os moradores de João Carro e Mamede Roder, os cascalhos por serem grandes demais, prejudicam o tráfego de veículos.

Porém, entre as demandas comuns às três comunidades situa-se a melhoria das condições das estradas e a construção de uma ponte sobre o lago, para viabilizar o escoamento da produção e a comunicação dos assentamentos com os centros comerciais e culturais da região. Foi sugerido pelos moradores o local do “Mamão” ou “Campestre” como uma possível localidade de construção da ponte. Energia elétrica A região não era servida de energia elétrica doméstica, antes da construção do APM Manso. Foram construídas redes que servem as casas e as edificações comunitárias. No entanto a população de João Carro reivindica uma “praça iluminada” e iluminação pública, para poder usufruir dos espaços coletivos e públicos. As comunidades reivindicam ainda, o pagamento de taxa mínima de energia elétrica para áreas rurais, pois esta alteração ainda não foi atendida.. Transporte Escolar A comunidade de Mamede Roder ressaltou a questão da melhoria e ampliação do número de veículos de transporte escolar, especialmente, noturno, para o acesso dos alunos de outras localidades à escola que está localizada em João Carro. Educação Segundo FURNAS, as escolas foram construídas, ampliadas e adaptadas conforme especificação dos órgãos competentes. Todavia, as comunidades demandam melhorias, no mobiliário – a fim de dar conforto e facilitar a concentração dos estudantes, demandam equipamento de vídeo e informática, para que os jovens sejam qualificados a conseguir emprego em outros centros, áreas de lazer infantil (playground) e o apoio da Universidade para ampliar as possibilidades de formação, especialmente, nas técnicas e conhecimentos agrícolas. Na escola Municipal de PA Quilombo existe a demanda de cobrir e ampliar o espaço existente ao ar livre, criando alternativa para as atividades pedagógicas e recreativas dos alunos É importante assinalar a questão da qualidade das sugestões relativas à participação comunitária na gestão da escola. Este tipo de demanda surgiu nas reuniões com a comunidade de Mamede Roder, especialmente por parte das mulheres que sugerem a criação de um Conselho de Pais como forma de melhorar e democratizar a gestão da unidade escolar. Saúde O atendimento médico às localidades é responsabilidade da Prefeitura e se dá através do Programa de Saúde da Família. Segundo os moradores, a presença dos médicos não é sistemática e há falta

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de medicamentos. O atendimento de emergência é inexistente, não existindo ambulância e a remoção dos doentes é feita, quando possível, pela EMPAER, apesar de não ser sua esta função. Organização Comunitária O PA Quilombo, que já foi local de grandes conflitos, envolvendo, inclusive, queimada de lotes por “grileiros”, se caracteriza ainda por conflitos que, embora diferentes, penalizam as famílias que querem produzir e ali viver em harmonia. Envolvem moradores do lote seco, assentados do INCRA e atingidos, áreas de preservação, lotes no alto do morro e outros fatores. Nessa localidade, foi explicitamente colocada a necessidade de se enfrentar os conflitos atualmente existentes, através do diálogo entre as lideranças, analisando os diferentes interesses e as possibilidades de solução, articulando os órgãos competentes, além das lideranças do MAB e associações para se chegar a uma integração e partir para soluções que desenvolvam a localidade. Nas outras duas comunidades, Mamede Roder e João Carro, as associações também se manifestaram, através de seus dirigentes, porém ainda não ficou claro o nível de participação dos associados, uma vez que apenas seus presidentes se manifestaram em nome da entidade. As Associações dos Pequenos Produtores de Mamede Roder e do PA Quilombo colaboraram com a organização das reuniões setoriais. Seus presidentes participaram ativamente das discussões. A associação Comunitária das Mulheres de João Carro realizou em outubro de 2004 o Iº Encontro das Mulheres Rurais de João Carro. Este encontro conta com a parceria de FURNAS, EMPAER/MT e Prefeitura e se tornou anual. Em agosto de 2007, foi realizada a sua sexta edição na sede do município da Chapada dos Guimarães, contou com a participação de cerca de 400 mulheres de todo o município. Esta associação está aberta à participação das mulheres moradoras dos cinco assentamentos do entorno do APM Manso, constando este dado, em seu estatuto de formalização. Outro grupo organizado importante para as comunidades é a Cooperagricultor que reúne trabalhadores rurais das três localidades. Igrejas As três comunidades afirmaram que o papel das igrejas (Católica e Evangélicas) tem sido no plano individual, restrito às questões doutrinárias. Nas reuniões setoriais do 2º período de encontros, alguns participantes do Grupo de João Carro afirmaram que as instituições religiosas, mais do que o trabalho doutrinário apenas, realizam também trabalhos de cunho social na comunidade. Porém devido ao desconhecimento deste fato pela maioria dos presentes torna-se

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clara a necessidade de um trabalho mais próximo à comunidade além de melhor divulgado. A geração de trabalho e renda Este foi o ponto mais enfatizado pelos participantes nas oficinas setoriais, inclusive contando com inúmeras sugestões e idéias que estão apresentadas no quadro síntese, nos anexos. Foram sugestões e desejos bastante concretos e passíveis de aplicação. A viabilização destas sugestões deverá ser detalhada a partir da construção de um Núcleo de Integração Comunitária que reúna as instituições e grupos locais para se proceder à articulação regional, ancorada na participação ativa destes cidadãos.

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IV - OBSERVAÇÕES DIAGNÓSTICAS PRELIMINARES
articulação “O processo de articulação regional deve ser tornar administrado de modo a se tornar em catalisador de políticas públicas e em mecanismo de indução do desenvolvimento regional.”17

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17 - Plano Diretor de Meio Ambiente do Setor Elétrico – PDMA - ELETROBRÁS

Esta primeira fase do trabalho revelou fortes indícios da possibilidade de criação de um Núcleo de Integração Comunitária, que tome nas mãos um projeto de desenvolvimento local, apesar das imensas dificuldades já enfrentadas e a enfrentar. A perda das referências “O rio era sua referência fundamental, possibilitava seu sistema produtivo e era seu meio de transporte, sua percepção cultural e sua referência espacial. O conjunto de suas atividades sociais, seu calendário agrícola e de festas, estavam organizadas em função do ritmo do rio, a respeito do qual possuíam um saber acumulado há gerações. Com a formação do lago, os camponeses foram expropriados das melhores terras para a agricultura dentro das condições sociais que prevaleciam no local. Alterou-se, portanto, o regime de águas do rio, que era seu principal parâmetro. (Martins-Costa, 1989). A perda da unidade de manejo e as condições da unidade produtiva As famílias reassentadas alegam não ter hoje as mesmas condições “naturais” para desenvolverem seu sistema de produção agrícola. As pessoas demonstram certa “dependência” e afetividade que tinham com o rio (e a terra), no que se refere a seu modo de vida e cultura. Modo de vida que estava marcado não somente nas ações, no que eles faziam, mas principalmente no que eles sabiam fazer. Era em torno da unidade familiar de produção que se desenvolviam as relações, os hábitos, os valores e as referências, fatores de difícil mensuração por sua imaterialidade. Atualmente, as unidades de manejo mais citadas são a roça, o quintal, a capoeira e o pasto. A desestruturação dos sistemas de produção agrícola familiar, nesse sentido amplo, é, portanto uma das principais conseqüências que ainda hoje afetam as famílias, com diferentes graus de “descontentamento”, manifestado como “inadequação do solo” ou falta de acesso e má qualidade da água. Por outro lado fica claro pelos depoimentos registrados que nem todos os pequenos produtores da região têm experiência com a agricultura. Esta prática parece ter sido uma atividade periférica para muitos. O que se praticava, em regime de trabalho familiar, era a lavoura de subsistência como atividade complementar à alimentação familiar. Os principais produtos cultivados eram: a mandioca; o milho; o arroz; o feijão e a banana. Não havendo, praticamente, nenhuma produção excedente para comercialização. A pesca e o garimpo são também citados como práticas que auxiliavam no susDiagnóstico Social Aproveitamento Múltiplo de Manso — outubro de 2007

tento da população moradora. Este fato precisa ser considerado na próxima etapa de construção do Plano de Ação. As propostas alternativas de geração de renda baseadas na produção agrícola só terão chances de vigorar se a população for motivada por esse interesse e assessorada tecnicamente para tal. O exercício dos sonhos18 No exercício relativo aos “sonhos”19, ficou patente a simplicidade das sugestões. Não são “utopias”, são ações simples, factíveis, direitos básicos da cidadania, como o acesso à água limpa, a transportes mais freqüentes, a estradas transitáveis em qualquer época, a pontes e a iluminação pública que permita a existência de praças arborizadas, onde as pessoas possam freqüentar e usufruir, meios que conectem as pessoas, a juventude, aos centros urbanos e outras áreas, que lhes possibilite trabalhar, comercializar, trocar e se expandir. As pessoas não se mostraram voltadas para o passado, mas sugerindo condições exeqüíveis, no presente, no seu local de moradia e de vida, com visão de um futuro mais próspero. Comparando as sugestões dos assentados com as expectativas dos integrantes do Fórum DLIS, mencionadas no item Contexto Regional, deste trabalho, se verifica que “os sonhos” da população moradora e dos atingidos da barragem de Manso, são similares, revelando a realidade municipal. Inclusive, quanto ao turismo e à agroindústria como vocações regionais, e em relação à importância da integração e complementaridade dos programas e instâncias de governo para desenvolver a região. Nota-se que, à medida que os benefícios e os “direitos” são contemplados, novos direitos e demandas surgirão, característica da condição humana pela expansão, pela sobrevivência, pela melhoria das condições, pela felicidade. Assim, não é por acaso que, apesar das carências, foi em João Carro – mais bem provido de serviços, se comparado às outras localidades, que surgiram “sonhos” mais voltados para os espaços e serviços coletivos, como a praça iluminada e arborizada, a agência bancária, correios e telefone público.

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18 - O exercício dos sonhos é a fase da busca de soluções, dos caminhos não convencionais, estimulando a expressão solta e criativa dos participantes e socializando os resultados através do registro em papel grande e visível para o grupo.

19 - Consultar no anexo 2 Quadro Síntese - coluna do meio das Oficinas do Futuro realizadas nas três comunidades em junho/ 2007 pelo IBASE

Quanto ao número de críticas, elas foram mais direcionadas, como é normal, àqueles que estão mais próximos. Assim é nos assentamentos, o caso de FURNAS e EMPAER, intensamente criticados e, não sem razão, chamados a cumprir os compromissos e pendências. Ações que, muitas vezes até, não são de sua competência, como por exemplo, a questão do transporte de doentes.

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Neste sentido, alerta o PNMA para o risco “da falta de integração do planejamento nacional e regional que muitas vezes leva o setor elétrico a desempenhar funções que não lhe foram atribuído formalmente pela sociedade, substituindo–se à atuação de outros setores. Essa distorção redunda em um quadro de isolamento institucional que compromete a eficiência do setor na prestação do serviço que lhe é específico”. Na lembrança da população, FURNAS é praticamente o único ou principal agente responsável pelas condições atuais. Esta percepção acaba criando uma relação de “dependência” entre a população e a empresa que precisa ser rompida, ou no mínimo relativizada, através da compreensão do papel do Estado e seus diferentes órgãos, das políticas públicas implementadas no território nacional, especialmente a energética, sem discussão com a sociedade, fruto de escolhas e de modelos de desenvolvimento, ao longo das diversas gestões governamentais. Foi importante, neste sentido, a aplicação do “diagrama de bolas”, que pôde suscitar a lembrança e visualização de outros sujeitos sócio-políticos e econômicos, órgãos e instituições, cujas competências na região não estão sendo cumpridas e precisarão ser acionadas, sob pena de se cair no isolamento. Nesse sentido, é fundamental o posicionamento de FURNAS, que vem se abrindo para o diálogo e se comprometendo a chamar os órgãos competentes para a construção da necessária engenharia institucional, a fim de minimizar as perdas sócio-culturais e econômicas.

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Potencialidades do territórrio • A população que hoje permanece nos assentamentos ou assentamentos, seja, que não pôde ou não quis desistir, homens e mulheres adultos, vários deles, mais idosos, passou por todas as fases de conflito, necessidades, estudos e levantamentos, enfim, pelas experiências e respectivas conseqüências, negativas ou não, empreendidas por FURNAS e suas parcerias. O fato de essa população ter sido surpreendentemente mobilizada em pouco tempo, e ter comparecido às oficinas e, inclusive, participado de forma ativa ou, pelo menos, atenta, já é um forte potencial;

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• A presença de muitas mulheres, participantes ativas porém ativas, ainda pouco organizadas, sugerindo questões relevantes como a melhoria e a abertura da escola para a participação das famílias, o resgate da semente crioula e o cuidado e a proteção das águas, o tratamento dos resíduos, sem falar das idéias para lhes permitir gerar renda, é outro potencial a não se perder no plano de desenvolvimento; • A identidade de “atingidos”, construída ao longo do processo de implantação do APM Manso, fortalecida pela atuação do MAB na região, representa uma importante força social. Mesmo grupos que não querem aderir ao MAB e até explicitam algum descontentamento com a atuação de algumas lideranças, respeitam e aceitam a força desse movimento social. O comunidades, MAB é legitimado pelas comunidades demonstrando a importância de se fortalecer uma identidade, fator que agrega e revitaliza. A participação ativa das lideranças junto com a população é uma potencialidade que deve ser aproveitada e aperfeiçoada no sentido da democratização e da participação; • A existência das organizações locais20, associação de moradores, de produtores, cooperativa, associação de mulheres, o sindicato de trabalhadores rurais, enfim, organizações da sociedade, é uma potencialidade fundamental que precisa ser fortalecida no sentido de estimular uma cidadania ativa e plural, com alternativas para aqueles que não se sentem à vontade para participar de uma ou outra organização, mas querem ser atuantes. A definição conjunta dos diferentes papéis destes agentes sociais, assim como do papel do MAB, ajudará os moradores a compreender e a gerenciar melhor os inevitáveis conflitos atuais e os que virão; • O grupo de jovens, que, embora pequeno, marcou presença jovens colocando seu sonho, de querer ser como outros jovens, ter possibilidade de “aprender, se capacitar” para encontrar emprego qualificado “em Cuiabá” e, para isso, sugere a criação de um telecentro; • Importante potencialidade é a presença da EMPAER com seus EMPAER 21 técnicos na região . Apesar das fragilidades apontadas, essa presença é necessária, transmite mais credibilidade ao trabalho e segurança aos agricultores. Os cursos, capacitações, implantação de alternativas para melhoria dos cultivos, gerando renda e trabalho é uma tarefa singular a que a extensão rural pode continuar a contribuir, junto com outras instituições. Necessário se torna que esse trabalho seja munido de ferramentas para sua eficácia, como: semente, adubo, defensivos agrícolas de origem orgânica e treinamento da equipe, voltando suas ações para a agricultura ecológica.

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20 - Ver lista de Instituições citadas na dinâmica do Diagrama de Bolas no anexo 3

21 - Segundo técnico de FURNAS/EMPAER, inclusive com a presença constante de um profissional da área social.

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• Uma potencialidade importante que no local se apresenta aparentemente fraca é a presença das igrejas Ficou claro que igrejas. as Igrejas, no momento e de um modo geral, não têm forte presença nas lutas dos moradores por uma melhor qualidade de vida, refletindo o que acontece em outros locais, com algumas exceções. Também ficou evidente que as construções para abrigar o “centro ecumênico” embora seja um potencial, não vêm funcionando nesse sentido, tanto que a população reivindica a construção das igrejas – Assembléia de Deus - que desapareceram com o alagamento. Seria necessário discutir com os moradores todo o conceito do ecumenismo, o que não é uma tarefa de curto prazo, nem da assistência técnica, mas de educadores com perfil adequado ao trabalho de organização comunitária. • O redirecionamento da política de FURNAS em relação ao projeto, aliado à força da organização representada pelo Lula, MAB e a vontade política do governo Lula, são potencialidades que não podem ser desperdiçadas, ou seja, este é o momento de alavancar um Plano de Ação para concretizar as prioridades mais imediatas, trazendo alento e incentivo aos assentados do APM Manso, evitando novas evasões e frustrações. • Finalizando, a postura dos técnicos de FURNAS , a FURNAS, interlocução direta destes com os assentados e a tomada de decisão da Empresa no sentido de contribuir para retomada do desenvolvimento dos assentamentos e das comunidades do entorno do APM Manso, no âmbito de uma inserção regional planejada é uma potencialidade forte, sem a qual, não será possível deslanchar mudanças.

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V- CONSIDERAÇÕES FINAIS
“Depende de nós Quem já foi ou ainda é criança Quem acredita ou tem esperança Quem faz tudo pra um mundo melhor”. Victor Martins) (Ivan Lins e Victor Martins)

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A construção de um projeto de transformação da realidade diagnosticada tem duas perspectivas, uma específica em torno do que se luta, neste caso, direito a um território que possa ser cultivado de acordo com os interesses, habilidades, cultura dos diferentes grupos sociais ali encontrados. E outra perspectiva mais ampla, quase uma utopia, pela qual lutam os movimentos sociais e a sociedade civil organizada: a construção de uma sociedade mais justa, menos desigual, participativa e democrática, onde as relações sejam baseadas em princípios éticos e humanos, e em que as classes populares, as pessoas mais excluídas possam se organizar e ser ouvidas com relação aos planos e projetos que as afeta. Um dos principais desafios desta proposta será criar um núcleo representativo e diverso, preservando a autonomia dos moradores das comunidades e das organizações dos atingidos, de modo a que fortaleçam a democracia interna, a solidariedade e a cooperação entre elas. De tal maneira que, fortalecidos, possam se legitimar ainda mais como interlocutores qualificados do Estado brasileiro. E dessa forma, fazer a democratização do Estado avançar no diálogo e no planejamento dos projetos de reforma agrária e de hidrelétricas, para que não expropriem as pessoas de suas tradições e seus bens culturais, religiosos e afetivos. A criação de um NÚCLEO DE INTEGRAÇÃO COMUNITÁRIA é um primeiro passo importante para a construção participativa de um Plano de Ação que revitalize a região, conforme parece ser o desejado pela população atingida no APM Manso. Será também um desafio para FURNAS desenhar a articulação das diferentes forças da sociedade, definir o arco de alianças necessárias para a construção do plano de desenvolvimento local que se deseja, sem fragmentar a identidade da população moradora do entorno e afetada pela construção do APM Manso. A experiência em curso na região do APM Manso tem potencialidade para se tornar referência para outros processos similares no contexto nacional. Próximos Passos: A limitação do tempo programado nesta primeira etapa do trabalho não permitiu o aprofundamento das questões levantadas e isto está previsto que aconteça nas próximas etapas, prevendo espaço para esclarecer, conjuntamente, os papéis de cada entidade e/ou instituição, especialmente, o papel do Estado, dos partidos políticos, da igreja, das empresas e das organizações populares e da sociedade em geral num projeto da dimensão de uma Usina Hidrelétrica, como a de Manso.
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Em primeiro lugar, será preciso proceder à escolha das prioridades em relação aos “sonhos” individuais e avançar na construção e detalhamento do “sonho” coletivo daquele grupo, que reúna e atenda os principais interesses de seus participantes. O trabalho de fortalecimento das organizações comunitárias locais também é fundamental, no sentido de esclarecer as questões internas e criar as condições de cooperação necessárias à construção de uma proposta coletiva para a região – que agregue tanto os atingidos como toda a população moradora. A etapa seguinte será a construção de um Plano de Ação para a área, identificando: - ações prioritárias, acordadas no coletivo; - prazos necessários para a sua execução; - parceiros e responsáveis que serão envolvidos na execução das ações; - apoios, recursos financeiros, técnicos e materiais necessários; - locais e moradores interessados nas propostas coletivas eleitas como prioritárias Prioridades já identificadas na primeira etapa: Podemos destacar de forma ainda preliminar, algumas prioridades para as três áreas trabalhadas apontadas pela população moradora durante as reuniões setoriais realizadas. No primeiro período de encontros, entre 25 e 29/06/2007, estiveram presentes 60 pessoas em média por reunião setorial e 134 pessoas participaram da reunião ampliada realizada em João Carro. No segundo período, entre 10 e 14/09/2007, 105 representantes das três comunidades estiveram presentes nas reuniões. O quadro síntese das críticas, problemas e sugestões, que se encontra no anexo 2, ilustra o conjunto das propostas surgidas. Geração de Trabalho e Renda – as alternativas mais citadas giram entorno de atividades relacionadas à agroindústria – processamento / beneficiamento da farinha, polpa de frutas, doces, rapadura, açúcar mascavo – a criação de aves (frango caipira, granja), peixes e pequenos animais também foram bastante mencionados – tanque rede para criatório de peixes – produção do biodiesel, através do pinhão manso e da batata doce (etanol) – atividades produtivas direcionadas para idosos e mulheres – viveiros de mudas, plantas medicinais e hortas comunitárias que forneçam alimentação complementar para as famílias e merenda escolar das escolas, plantio de espécies nativas e frutíferas nas praças e espaços públicos – em parceria com a Prefeitura — Estas alternativas exigem para se viabilizar, estudo prévio, capacitação e assessoria técnica. Para isso será fundamental a parceria com instituições como a EMBRAPA,
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EMPAER, SEBRAE entre outras – apoio do Estado à EMPAER dotando-a de melhores condições de assessoramento permanente aos assentados e criação de canais adequados de comercialização e escoamento da produção. Será fundamental ainda um esforço para envolver o governo federal através de seus programas voltados para o desenvolvimento local e comunitário – Ministério de Desenvolvimento Social / MDS, Ministério do Desenvolvimento Agrário / MDA, Ministério do Meio Ambiente / MMA, INCRA Infra-estrutura e Serviços – Solucionar a questão da falta d´água para consumo e produção (agrícola e de subsistência) – Manutenção, melhoria do piso das estradas (asfaltamento até Chapada dos Guimarães) e construção de ponte – para permitir escoar a produção e incentivar o turismo rural – Iluminação da Praça em João Carro — É necessária a articulação institucional envolvendo Prefeitura, Governo do Estado de MT, Associações de Moradores e Produtores, lideranças do MAB e FURNAS. Saúde – Prover atendimento médico regular no Posto de Saúde, suficiente para atender a população moradora com serviço odontológico e medicamentos. Educação – Equipar a escola com computadores, sala de vídeo e parque com brinquedos – Instalar um telecentro de informática com cursos e acesso à internet para qualificar os jovens ao primeiro emprego –Incentivar e viabilizar a compra direta da merenda escolar, pela Prefeitura, dos produtores locais – implantar um sistema de transporte escolar noturno que favoreça a ampliação de cursos noturnos e ampliar o número de ônibus para o transporte dos estudantes do turno diurno — É necessária a articulação institucional envolvendo Prefeitura, Secretaria Estadual de Educação, Associações de Moradores, Conselho de Pais e FURNAS. Assistência Social – Prover atendimento para regularização documental da população moradora — FURNAS se comprometeu a estudar possibilidade de trazer para a região o Projeto Aldeia da Cidadania para atender as três comunidades.

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Organização Comunitária – Estimular a participação das mulheres e a dinâmica de funcionamento da Associação de Mulheres de João Carro – Fortalecer as instituições comunitárias locais, melhorando sua infra-estrutura e capacidade de atuação regional

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VI - Fontes consultadas
1-”Notas e Reflexões Sobre a Questão Agrária Brasileira – IBASE, Rio de Janeiro - 1986 2-Viana, Gilney, Silva, Marina Diniz, Nilo (org) -O Desafio da Sustentabilidade- um debate sócio-ambiental no Brasil – Editora F. Perseu Abramo- SP - 2001 3- Relatório do Plano DLIS da Chapada, fornecido pela EMPAER – Empresa Estadual de Assistência Técnica e Extensão Rural – sem data 4 -”APM Manso – Programa de Remanejamento das populações Atingidas – FURNAS Centrais Elétricas SA/ Departamento de Patrimônio Imobiliário - DPI.T/Divisão de Liberação e Áreas de Risco – DLAM.T 5- Plano de Aproveitamento- Loteamento Mamede Roder - Departamento de Patrimônio Imobiliário – DPL-T- Divisão de áreas Manso-DLAM.T APM MANSO- FURNAS Centrais Elétricas – 06/05/2002 6- “Aspectos Sócio-Culturais” -Relatório elaborado por Verone Cristina da Silva, produzido para o GERA- Núcleo de Estudos e Pesquisas Natureza e Cultura, Instituto de Ciências Humanas e Sociais- UFMG -sem data 7 - Termo de Acordo Global Firmado entre FURNAS Centrais Elétricas S.A. e o Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB, com a Interveniência do Ministério das Minas e Energia RJ 29/11/2006 8- “APROVEITAMENTO MÚLTIPLO DE MANDO - Memória Técnica”FURNAS centrais Elétricas S.A.- Coordenação da superintendência de Engenharia-SE.T-Rio de Janeiro- 2002 9-MARTINS-COSTA, Ana Luiza B. Uma retirada insólita: a representação camponesa sobre a formação do lago Sobradinho (dissert. Mimeog.Rio de Janeiro: Museu Nacional, 1989 10- Cunha, José Marcos Pinto- Dinâmica migratória e o processo de ocupação do Centro-Oeste brasileiro: o caso de Mato Grosso – Rev. Br. Est. Pop. SP v 23, n1,p87-107, jan/jun 2006 11-Jacobi, Pedro Roberto – Políticas Sociais e Ampliação da Cidadaniaed. FGV- RJ – 2000 12- Relatório Caracterização Ambiental da Área do Assentamento do APM-Manso (EMBRAPA, 2006) 13- Sitios na internet: www.mda.gov.br; Wikipedia; http://revistaturismo.cidadeinternet.com.br/Ecoturismo/ guimaraes.html http://www.mre.gov.br/cdbrasil/itamaraty/web/port/turismo/ ecotur/cerchap/guima/apresent.htm http://www.secom.mt.gov.br/conteudo.php Copyright 2001-2006 © Internet News Network - Foolhardy Direto www.google.com.br - III Simpósio Nacional de Geografia Agrária – Nov. 2005

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VII – Anexos
1- Calendário Histórico do APM Manso 2- Quadro Síntese das Críticas / Problemas / Sugestões 3- Instituições citadas na Dinâmica do Diagrama de Bolas 4- Descrição das técnicas utilizadas nas três localidades

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ANEXO 1 ANEXO
CALENDÁRIO DO HISTÓRICO DO APROVEITAMENTO MÚLTIPLO DE MANSO APM MANSO1 1962/1964 – Primeiros estudos feitos pelo Ministério das Minas e Energia (MME) através da Divisão de Águas do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) para implantação de usinas hidroelétricas em Mato Grosso para atender mercado especialmente de Cuiabá e Várzea Grande. Os estudos tratavam da construção da Barragem de Guia (no rio Cuiabá), próximo à Vila de Guia. 1971 - Como o mercado na época era reduzido, o Governo de Mato Grosso decidiu implantar uma usina de menor porte na região – a Usina Hidroelétrica Casca, na Chapada dos Guimarães e de propriedade da CEMAT. 1972 – ELETROBRÁS inicia estudos de viabilidade dos rios Araguaia, Corrente e Itiquira. Os estudos são transferidos para a ELETRONORTE e concluídos em 1974 1972 – Concepção de um primeiro Projeto para a área de MANSO 1974- Histórica enchente do Rio Cuiabá – deixou desabrigadas milhares de famílias na área urbana de Cuiabá trazendo muitos prejuízos à população. 1975 – realização de levantamentos e algumas medições na área – Ministério do Interior / SUDECO, através do DNOS 19801980 O Governo do Estado de Mato Grosso, através da Companhia Auxiliar de Empresas Elétricas Brasileiras (CAEEB), elabora Plano Diretor para aproveitamento dos recursos hídricos do rio Cuiabá, no qual o projeto de Manso foi reformulado 1980 – (na década de 80) ELETRONORTE realiza novo estudo para a barragem de MANSO – contrato da SONDOTÉCNICA S.A. para execução do Projeto Nesta época (1980) – 663 famílias foram consideradas atingidas, 33 na área do canteiro de obras e 630 na área do reservatório. Deste total, 422 receberam os benefícios do Programa de Remanejamento de FURNAS, 59 optaram pela autorelocação e 182 foram excluídas por não preencherem os pré-requisitos do Programa 1981 – as conclusões da CAEEB sobre Manso são incluídas no plano 2.000 da ELETROBRÁS como obra prioritária - em fevereiro, o Ministério de Minas e Energia (MME), o Ministério do Interior (MINTER) e o Governo do Estado de Mato Grosso (GMT) firmam convênio com a ELETRONORTE para a implantação da Usina de Manso

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1 Informações coletadas em diversos documentos fornecidos por FURNAS. Muitos fatos não foram registrados porque não continham datas.

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1982 – inicio do projeto básico das obras civis e instalações de apoio, através da Sondotécnica Engenharia de Solos 1985- conclusões do grupo de trabalho formado pela ELETRONORTE, FURNAS, CEMAT, GMT e ELETROBRÀS. Esta última assume a execução do empreendimento 19861986 detalhamentos exigidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente são incluídos no projeto básico 98/8798/87 estudos ambientais, pela SONDOTÉCNICA 1986 – proibição do Garimpo no país – pela legislação ambiental 1988 – início das obras pela ELETRONORTE 1988 – março 1º empreendimento hidrelétrico no país a realizar audiência pública para análise do EIA/RIMA 1989 a 1998 – obras paralisadas por exigências do EIA RIMA questionadas em audiência pública 1998 – ELETRONORTE realiza pesquisa sócio-econômica 1998 – 3º trimestre – reinício das obras 1999 – fevereiro – os ativos da APM Manso passam da ELETRONORTE para FURNAS 1999 – deslocamento das famílias que foram reassentadas por Furnas 1999 – o Movimento de Atingidos por Barragens (MAB) se organiza na região 1999 – novembro - inundação das terras (enchimento do reservatório e assentadas as primeiras famílias (cerca de 660) 2000 – final do ano – continuidade da mudança e relocação para os loteamentos criados pela empresa 2001 – usina em seu pleno funcionamento 2001 – março – instalação da EMPAER em João Carro– convênio entre FURNAS e Secretaria de Agricultura e Assuntos Fundiários do Estado de Mato Grosso por exigência do processo de licenciamento ambiental (Licença de Operação) 2001 – até Janeiro de 2002- EMPAER sob a responsabilidade do Eng. Agr. Generoso Malheiros Sobrinho 2002 - fevereiro até os dias de hoje – EMPAER sob a responsabilidade do Eng. Agr. Leonel Alves Pereira 20022002 19 de maio – as lideranças do MAB ocupam a área de FURNAS às margens do Córrego Arraia 20022002 morte de um segurança da Usina em decorrência da radicalização do enfrentamento. FURNAS suspende a negociação com o MAB

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2003- um ano depois, FURNAS retoma o diálogo com o MAB 2003 – o grupo negociador aprova a realização da Auditoria Social e uma VMT- Verba de Manutenção Temporária, a partir de abril 2003- em dezembro a Universidade Federal de Mato Grosso(GERA) finaliza os estudos, identificando 996 atingidos. FURNAS contesta e nova Auditoria é negociada 2004 – 12 de abril - Contrato entre FURNAS e UNISELVA- Núcleo de Estudos do Pantanal e da Amazônia-GERA- da UFMT, através do dr. José Carlos Leite – para identificar a população dos atingidos, fazer um diagnóstico e elaborar um Plano de Trabalho 2004 – cursos diversos ministrados pela EMPAER voltados para as Associações de Produtores Rurais e famílias assentadas. 2004 – outubro – 1º Encontro da Mulher Rural de João Carro – EMPAER / FURNAS 2005 – 14 de novembro – lideranças do MAB ocupam a área do km 75 da Rodovia MT-351, portaria da Usina do APM Manso 20052005 22 de dezembro- FURNAS celebra contrato com a PALLOS CONSULTORIA para estudos complementares (Auditoria Social) à avaliação do GERA/UFMT para identificar a população atingida e definir a reparação mais adequada a cada caso 2005/2006- dezembro de 2005 a abril de 2006- PALOS realiza a Auditoria Social com o objetivo de atender às reivindicações encaminhadas pelo MAB quanto ao passivo social do empreendimento. São realizadas reuniões, entrevistas e vistorias técnicas 20062006 fevereiro- FURNAS contrata EMBRAPA Solos e Estação Biológica para verificar a aptidão do solo das glebas onde os atingidos foram assentados e para elaborar a primeira fase de processo de organização da produção 2006- 24 e 25 de abril - Reunião em Cuiabá para Apresentação dos Resultados e formalização do Acordo entre FURNAS e MAB 20062006 25 de abril- prazo final para recorrer sobre os casos julgados improcedentes 2006- 1 de agosto- Um grupo de assentados assina declaração para serem reassentados em novo assentamento, em terras escolhidas pelo MAB, nas condições negociadas com FURNAS 20062006 29 setembro – Entrega do Relatório Consolidado da PALLOS Consultoria em FURNAS, no Rio de Janeiro, com a presença do MAB
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2006 – Assinatura do TERMO DE ACORDO GLOBAL, firmado entre FURNAS E MAB, com a interveniência do Ministério das Minas e Energia / MME. 20062006 20 de dezembro- prazo final para FURNAS adquirir as terras da Fazenda Formosa e desocupação das áreas ocupadas pelo MAB 2007 - o MAB desocupa a portaria da Usina de MANSO.

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ANEXO 2 ANEXO
QUADRO SÍNTESE DAS CRÍTICAS/PROBLEMAS/ SUGESTÕES João Carro/ Mamede Roder / PA Quilombo Julho - 2007

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ANEXO 3
Instituições citadas na dinâmica do Diagrama de Bolas

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(1) Esta afirmação foi seguida de uma pequena discussão sobre a ação do MAB, explicitando a existência do conflito entre as lideranças que participam e apóiam e as que não apóiam o Movimento. Ficou estabelecido que esta seria uma das questões a serem encaminhadas pelos assentados no interior do assentamento com suas próprias organizações na direção de um entendimento para levar à frente as propostas de superação e desenvolvimento do local.

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(2) Embora freqüente participante das discussões (pedia a palavra várias vezes), o Pastor recebeu poucas adesões às suas afirmações ou aprovações relevantes dos presentes (3) Este foi um outro ponto de conflito, demonstrando as diferentes posições políticas existentes no Quilombo. Os participantes foram convidados a discutir essas questões internamente em suas próprias reuniões, em busca de um entendimento e incentivados a procurar, com a ajuda de FURNAS, os órgãos competentes para esclarecimentos.

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Anexo 4 - Descrição das Técnicas utilizadas nas três localidades
MAPA FALADO Objetivo Possibilitar o registro e a visualização, de forma esquemática, das diferentes partes do assentamento, dos serviços existentes e de sua distribuição nas diversas áreas identificadas, de acordo com a visão e a participação dos próprios moradores. Principais utilizações/tipo de informações • Representa a estrutura física - natural e construída: durante o processo de representação, surgem histórias que dão um sentido mais qualitativo às informações. Fatos da realidade, do cotidiano são contados a partir da construção do mapa • Permite a identificação dos diferentes locais e problemas de uma região quanto aos aspectos geográficos, sociais, de infraestrutura: relevo, vegetação, nascentes, poços, cursos d´água, pavimentação, obras de infra-estrutura, esgotamento sanitário, moradias, áreas de risco, comércio, instituições, principais vias, etc. • Facilita a correlação entre os aspectos naturais e sociais • É um meio de comunicar as impressões a respeito do meio ambiente local e da maneira que a comunidade organiza e representa o espaço • Proporciona melhor compreensão do processo histórico-passado, presente e projeções futuras de um determinado local Como proceder • As pessoas se reúnem em grupos para desenhar os aspectos principais que possam representar o local em que vivem • Podem ser utilizados materiais diversos, tais como, pedras, paus, pedaços de materiais, folhas, papel ou o próprio chão, lápis colorido, giz, etc. • Todo o processo de representação acontece de maneira interativa e dialogada Recomendações 1- Esclarecer aos participantes as características da técnica que será adotada, seus objetivos e estratégias; 2- Formar o grupo a partir de alguns critérios definidos em conjunto, tais como: - Maior identificação com o local escolhido - Participação de pessoas de sexo e idades variadas com o objetivo de provocar uma maior riqueza de informações - Definição do tempo de duração 3- Transcrever o mapa para uma folha de papel

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CALENDÁRIO E LINHA DO TEMPO Objetivo Possibilitar a identificação das ações realizadas ao longo do tempo, por épocas do ano, mostrando, entre outras coisas, se há ou não multiplicidade de ações. O Calendário e a Linha do Tempo podem ser utilizados para explorar vários temas. O Calendário Sazonal, por exemplo, serve para avaliar alguns fenômenos e a época em que eles ocorrem. Fenômenos naturais (enchentes, deslizamentos, pragas na lavoura) ou sócio-econômicos (desemprego, fome) e culturais (festas, eventos), fatos relevantes relacionados à infra-estrutura e serviços, com a cronologia (quando ocorreram), que mudanças significativas aconteceram, etc. Ambos podem ser construídos em grupo de pessoas com características diferentes, pois cada um trará informações de acordo com sua visão e observação. São feitos através de representação gráfica (no chão ou no quadro, com papel ou giz/pincel) A LINHA DO TEMPO resgata a história do local, dos acontecimentos importantes, criando interesse e união entre os participantes, que se surpreendem com tantos fatos que eles desconheciam. A linha do tempo pode ser utilizada para identificar e compreender: • a trajetória das pessoas na comunidade • o processo de mobilização e organização da comunidade • o processo histórico de ocupação do bairro • a origem dos problemas sociais e ambientais • a montagem da infra-estrutura urbana • o surgimento dos recursos sociais • os valores ligados ao ambiente natural e construído • os períodos de crescimento populacional • as festas e locais de lazer no passado • as alterações sociais, ambientais do bairro ou do assentamento nas diferentes etapas do povoamento Como proceder Calendário - Traçar duas linhas perpendiculares no chão. No eixo vertical, registrar as atividades por meio de símbolos e no eixo horizontal (definido como linha do tempo), colocar os meses do ano.

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Linha do Tempo - Desenhar uma linha no chão ou no quadro e convidar o grupo a registrar os principais acontecimentos que marcaram a história do local Pede-se aos participantes que reconstruam a história do local ou de um evento ou de um Programa, registrando na linha desenhada os principais acontecimentos.

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DIAGRAMA DE BOLAS (Diagrama de Venn) Objetivo Identificar o grau de envolvimento e de importância dos órgãos públicos, instituições privadas, grupos comunitários, ONGs, projetos, programas e as relações entre eles. Serve para comparar, avaliar, verificar a competição, a complementaridade entre os trabalhos por elas desenvolvidos no local. Ao estabelecer essas relações, se compreende o quanto a comunidade se sente próxima ou distante das entidades comparadas. Principais utilizações Compreender: • Como os moradores e os grupos comunitários se relacionam com as instituições que atuam no local • Como percebem a intervenção dos diferentes grupos organizados do bairro ou assentamento, órgãos públicos, ONGs e demais instituições • A relação do trabalho dos diferentes grupos atuantes no local, com a associação, ou a comunidade, ou o grupo escolhido como foco principal • O valor e a compreensão das ações dos diferentes grupos e instituições • Os conflitos existentes entre os grupos que atuam no local • A percepção, pelos moradores, dos trabalhos específicos de cada instituição • A lógica da classificação e da intervenção dos órgãos públicos Como proceder • Definir o ponto ou o foco da avaliação, em relação ao qual as instituições serão analisadas. No caso de Manso, o foco será, em princípio, o assentamento; • Solicitar aos participantes que relacionem as diferentes instituições, grupos organizados, órgãos públicos, etc. que atuam no assentamento. • Em seguida, se atribuem valores de acordo com a atuação e o trabalho realizado pelas instituições listadas. Os valores podem ser simbolizados por círculos em cartolina, de diferentes tamanhos e cores. Os círculos maiores representam contribuição de melhor qualidade, os menores, de menor qualidade, e assim por diante; • A distância dos círculos em relação ao ponto(cartão) que representa o assentamento significa a proximidade ou a identificação com os interesses dos moradores; • Em outro momento, pode-se colocar os círculos sobrepostos, de acordo com o nível de interação entre os grupos ou instituições, apontados pelos participantes.

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Observações: O diagrama é um retrato simplificado de um sistema complexo e dinâmico de interações. Não assumir a situação como sendo estática e considerar que os pontos de vista são diferentes entre os participantes.

Diagnóstico Social Aproveitamento Múltiplo de Manso — outubro de 2007

OFICINA DO FUTURO1
Objetivos Libertar energias criativas na busca de soluções de problemas e conflitos e contribuir para a diminuição do paternalismo existente entre as organizações (governo, empresa, ONG, etc.) e os cidadãos. Funciona como um espaço aberto para as populações mais desfavorecidas que, com exercícios práticos de autogestão, participam ativamente do processo de discussão e definição de suas vidas, delineando seu próprio futuro. O Moderador Tem papel fundamental . Explica a dinâmica, as regras e estabelece suas funções e autoridade. Como se trabalha com racionalidade e emoções, o moderador tem que transmitir confiança e dominar o processo, interrompendo discussões, neutralizando lideranças ou técnicos que às vezes querem interpretar ou falar em nome dos grupos e moradores, o que prejudica a autenticidade das intervenções. Como poceder É preciso haver uma preparação e uma continuação. O número máximo ideal de pessoas é 25. O tempo, o número e o preparo dos participantes determinam a organização e a duração de uma oficina, que é dividida em três partes: • fase da crítica – todas as críticas são permitidas e não é permitido criticar as críticas. O trabalho em sub-grupos (por idade, sexo, atividade, morador, técnicos, etc.) facilita a realização desta fase, que serve para que cada um possa expressar seu ponto de vista, sua percepção dos problemas. Além disso, ajuda a descarregar possíveis “agressões”, ligadas ou não às relações interpessoais. O importante neste momento não é levantar os problemas, nem discutir suas causas, mas a possibilidade de expressão das diferentes percepções. Exige muita habilidade do moderador. A atmosfera pode ficar negativa e “crítica”, mas logo se passará à fase inversa, da liberação dos sonhos e utopias. • fase da utopia (sonhos) – é a fase da busca de soluções, mesmo que “utópicas”, mesmo que não tenham relação com a realidade. É a busca de caminhos não convencionais, onde as pessoas podem se soltar, serem criativas. Aqui também se pode dividir em sub-grupos que depois, quando confrontados, mostrarão as diferentes percepções e soluções criativas. Evitar discussões concretas (falta de recursos, problema político, por ex.) que limitam a criatividade. Deve-se documentar os resultados: em papel, desenho, cartaz, teatro ou outro. • fase de realização – é o momento da “volta para a realidade”, onde se tenta definir ações de melhoria a serem executadas pelas pessoas presentes. Os resultados das fases anteriores devem ser utilizados e analisados. Pode-se chegar a um “Plano de Ação”. O moderador tem o papel de conduzir o processo para um resultado realista com metas e prazos que ajudem na realização das propostas, documentando os compromissos assumidos. Deve esclarecer sobre as limitações de recursos financeiros, sobre as possibilidades, etc. No final, discutir o que pode ser realizado, de imediato (PAINEL DOS PRÓXIMOS PASSOS), agendandose uma próxima reunião para o retorno das primeiras tarefas estabelecidas. Pode-se também desenhar um MAPA SÍNTESE, dando possibilidade aos moradores de enxergarem sua participação e intervenção nos próprios locais onde vivem.

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1 Do texto de Horst Matthaus – in Metodologia Participativa - Markus Brose (org) – Porto Alegre-Tomo Editorial, 2001

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