Laboratório de Pesquisa em Parasitologia e Biologia de Moluscos

AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE MOLUSCICIDA DO EXTRATO ETANÓLICO DA FOLHA DE Stemodia maritima Linn EM Biomphalaria glabrata (SAY, 1818), HOSPEDEIRO INTERMEDIÁRIO DO Schistosoma mansoni (Sambon,1907)
Morgana M. de O. Barboza1, André P. B. Sales1, Mariana S. Sousa1, Francisco E. A. Rodrigues2, Francisca R. L. da Silva2, Ângela M. C. Arriaga2, Gilvandete M. P. Santiago2, Fernando S. M. Bezerra1 1. Laboratório de Pesquisa em Parasitologia e Biologia de Moluscos – UFC 2. Laboratório de Síntese Orgânica e Inorgânica - UFC

INTRODUÇÃO
A esquistossomose é uma das doenças parasitárias mais amplamente distribuídas, afetando cerca de 207 milhões de pessoas em todo o mundo, enquanto cerca de 700 milhões encontram-se em risco de serem infectadas. O extermínio de moluscos transmissores de parasitoses é feito pelo uso de moluscicidas (OMS, 1991). No entanto, o elevado custo de moluscicidas sintéticos, a preocupação com seus efeitos tóxicos sobre organismo não-alvos e o possível relato de resistência dentre os moluscos, demandam o desenvolvimento de alternativas mais seguras e menos onerosas. Portanto, o uso de plantas nativas com atividade moluscicida pode representar uma alternativa mais econômica e segura, além de não poluir o ambiente.

METODOLOGIA
As folhas da melosa foram trituradas e extraídas com etanol, de modo exaustivo e à temperatura ambiente. Após a evaporação do solvente por destilação sob pressão reduzida, obteve-se um extrato sólido, que em seguida foi diluído em 1 ml de DMSO e completou-se o volume para 500 ml com água filtrada para o preparo da solução-mãe. Alíquotas desta solução foram adicionadas à água filtrada para obtenção das concentrações de 100, 10 e 1 ppm. Foram realizados testes com controles positivo e negativo. Os testes para atividade moluscicida foram realizados de acordo com a OMS, sendo utilizados 10 caramujos adultos por grupo, com tamanho entre 10 a 13 mm, em 500 ml de solução teste nas concentrações acima descritas. Quarenta e oito horas após, os animais foram retirados, lavados três vezes com água filtrada e transferidos para outro aquário, onde permaneceram por um período de recuperação cujo tempo foi igual ao de exposição.

OBJETIVO
Avaliar a atividade moluscicida do extrato etanólico da folha da planta Stemodia maritima Linn, conhecida popularmente por melosa (Figura 1), contra Biomphalaria glabrata, hospedeiro intermediário do S. mansoni.

RESULTADOS
O extrato etanólico da folha de S. maritima apresentou 100% de mortalidade na maior concentração de 100 ppm com 48hs de exposição.

CONCLUSÃO
Concluímos que o extrato etanólico de S. maritima possui atividade moluscicida contra B. glabrata na concentração de 100 ppm/48hs, no entanto, é indicado uma continuidade dos testes com concentrações e períodos mais variados.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
OMS. Frehswater sanails, Chapter 8 disponível em:www.who.int/water_sanitation_health/resources/vector337to35 6.pdf. Acessado em 10/05/2010. FERREIRA, I. L. M.; SILVA, T.P.T. Mortalidade por Esquistossomose no Brasil: 1980-2003. Ver. Patologia Tropical. Vol.36 (1): 67-74, Jan – abr 2007

Figura 1. Stemodia maritima.