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Conceitos de Design

Não podemos ser tão simplistas ao conceituar design, porque existem muitas formas de se definir design. Alguns autores, não encontram nas suas definições argumentos iguais, fazendo com que os conceitos se distingam quanto à sua origem. Segundo GOMES , denota a palavra “desenho”, tomadas de dois dicionários da língua portuguesa, com as suas edições separadas nas distâncias do tempo (anos 40 e 80) : Desenho: Arte de representar os objectos sensíveis por meio de linhas, sombras ou tintas. Técnica que ensina o processo para se fazer esta representação. Traçado de contornos de um objecto. Planta, projecto. O desenho propriamente dito pode ser definido, imitativo e convencional. O primeiro reproduz as formas com certa precisão e baseia-se na geometria. O imitativo representa a forma dos objectos, mas sem grande exactidão e apenas com as condições relativas ao claro-escuro, à cor, à luz e à sombra... O convencional representa os corpos por meio de sinais ou cores convencionais e completa-lhes as forma; divide-se em geográfico, topográfico e industrial. (Magalhães, 1943) Desenho: Representação de formas sobre uma superfície, por meio de linhas, pontos, e manchas, com o objectivo lúdico, artístico, científico ou técnico. A arte e técnica de representar com lápis, pincel, etc., um tema real ou imaginário, expressando a forma e, geralmente, abandonando a cor. Toda obra de arte executada segundo condições descritas acima. A disciplina relativa à arte e à técnica do desenho. Versão preparatória de um desenho artístico ou de um quadro; esboço, estudo. Traçado, risco, plano, projecto. Forma, feitio, configuração. Fig. Delineamento, esboço, elaboração, propósito, desígnio. Desenho industrial actividade que se ocupa da concepção da forma de objectos... [sin.ger. design] (Aurélio, 1986)

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tanto do ponto de vista do produtor como do consumidor. Design é um processo projectual industrial para que algum produto seja desenvolvido. Um design inovador acrescenta valor ao produto. Segundo o International Council of Graphic Design Associations/ ICOGRADA: Design gráfico é uma actividade intelectual. Por propriedades formais não se deve entender apenas as características exteriores mas sobretudo. as relações estruturais e funcionais que fazem de um objecto (ou de um sistema de objecto). ao desenvolvimento e à comunicação de projecto para produto industrial. Segundo definição do International Conciul Design of Societies of Industrial Design / ICSID: Design industrial é uma actividade criativa cujo objectivo é determinar as propriedades formais dos objectos produzidos industrialmente. quando se apresenta na expressão “desenho industrial”? Refere-se como sendo a criatividade expressa por meio de um conjunto de representações gráficas necessárias à compreensão. O design industrial abrange todos os aspectos do ambiente humano condicionado pela produção industrial. mas com a análise.Ainda. técnica e criativa relacionada não apenas com a produção de imagens. tendo a preocupação com a forma e a funcionalidade deste produto. 2 . o mesmo autor. organização e métodos de apresentação de soluções visuais para problemas de comunicação. respondendo a pergunta: Qual a conotação da palavra “desenho”. uma unidade coerente.

3 . a imagem das empresas no mercado. evolução tecnológica. Muitos países perceberam a importância e incorporaram o design à sua política de competitividade. Por exemplo. adequação às características socio-económicas e culturais do utilizador e racionalização. reflexo dos traços culturais do país. serviços e empresas. rápida percepção da função/uso do produto. Este último componente conferiu aos produtos uma linguagem própria. que os diferenciou no mercado e agregou valor. constituindo em última análise. que design é um elemento fundamental para agregar valor e criar identidades visuais para produtos. os produtos japoneses. Alguns aspectos incorporados pelo design são: inovação.Podemos dizer então. padrão estético. italianos e alemães conquistaram reconhecimento internacional pela qualidade e design.

capaz de tocar massas em torno de uma determinada intenção. 4 . definida. frequentemente aberta. situações estas. os clichés a que nos habituámos. atinge e culmina no nosso juízo moral. desta forma. enfim chega até nós como pessoas. devem ser especiais. Os efeitos de cada concretização. pensamento. O design procura. objectos de absorção de informação. nomeadamente quando alguns papéis são levados ao exagero. a idealização. a meu ver. apercebemo-nos do quão estamos rodeados de informação. seja esta legítima ou não. para que possa captar o máximo de atenção possível. devem surgir como uma consequência de ideias bem conjugadas e com o seu quanto baste de brilho. o projecto. deparamo-nos com situações muitas vezes medíocres. O pensamento. que demonstram "objectos" de pouco interesse cultural. raciocínio. clara. no sentido em que deve deixar no ar uma mensagem. concerteza. deve ser um processo chamativo. à partida.O papel do design na sociedade O papel do design na sociedade deve passar pelo consumismo. No entanto. o plano económico dessa mesma sociedade irá ser determinante para que o design se mova com maior facilidade. enquanto público. o design deve chegar em forma elogio ou crítica. o design pode ser alvo de controvérsia. E quando falamos no seu carácter real. Se. concreto. de como tudo nos transmite algo. Mas não só. por mais dúbio que seja. Para nós. isto é vai ter algum peso na nossa ética. sensibilidade. ao analisarmos esta questão com mais afinco. e serve-se deles para uma aproximação do seu alvo.

que acontece como factos. Talvez seja uma problemática onde. 5 . e como tal será mesmo uma "vítima do consumo". o design faz parte do que é imaginário ou imaginado. raramente. de modo a encontrar a solução mais passível de ser concretizada. e não em sucessão. temas. como comenta Victor Papanek: Não devemos pensar o design integrado como um conjunto de técnicas ou de processos mecânicos. mas todos emanam uma espécie de intencionalidade informativa. No entanto surge. a necessidade de alterar o conceito. O design em si deve ser a procura exaustiva de questões.Todos os objectos que nos rodeiam "falam". e nesse âmbito. Mas nem todos usam a mesma linguagem. Deste modo podemos considerar estas condições como a nossa realidade. mas complementa-se com um determinado tipo de cultura económica. quando essa mesma situação tende a mudar de natureza. não depende. em diversas situações. os problemas se repetem. mas nem todo o é materializado desta forma. assuntos. O design tem um preço real. nem todos possuem o mesmo conteúdo. mas como um conjunto de funções biológicas que se desenrolam simultaneamente. interesses. É por esta razão que o design.Deste modo a resposta será sempre melhor se abranger várias áreas. O processo projectual poderá ser um conto. considerando sempre áreas que o influenciam distintamente. novas tecnologias e/ou materiais. Esta mudança pode ser consequência de vários factores como razões de foro cultural e/ou económico. etc. transportado para o real. de modo a dar resposta a uma situação. se tivermos em conta. como sequência de actos.

Sendo assim. ou qualquer outro desvio face ao conceito de design". porque. as pessoas. isto é. que todas estas matérias terão sido atenciosamente consideradas. Se a nossa intenção. o seu modo de produção. o trabalho do designer. o consumo. Assim. apenas uma obra de arte. clichés da nossa sociedade. a sua identidade. o indivíduo. 6 . um objecto inútil. O problema central do século XX é de natureza ecológica: a sobrevivência da espécie humana num ambiente humano. designers. pode até ter uma conotação de carácter efémero. mas não deve ser baseado na efemeridade para a elaboração da sua construção. numa determinada direcção. todos estes factores devem estar presentes como referência para aquele que projecta. no seu No Logo: "as pessoas devem governar-se a si mesmas" como "princípio fundamental da nossa cidadania". mostrando desta forma. o objecto de design deve ser um produto equilibrado onde a sua funcionalidade. poderemos assumir que o trabalho poderá passar a mensagem pretendida. os interesses que o "pressionam" (humanizando a questão). for no sentido da procura de sensações. um bem nocivo. enquanto executantes. como afirma Naomi Klein.O design deve guiar-se por vários campos distintos. a valorização social e os factores ecológicos e muitos outros. por um tempo que seja o mais dilatado possível. E para que o objecto não seja meramente "um símbolo de estatuto social. nomeadamente a sociedade.

todos celebrávamos um prodígio fim de século. Podendo. As dimensões alteram-se continua e rapidamente. deparamo-nos com a falta referencias. do qual não temos capacidade para o perceber e onde as regras culturais fundamentais que dão ritmo à vida e ao pensamento vão desaparecendo. isto é. instala? se a incerteza de optar por um caminho. a sua criação não deve ser somente uma expressão individual. do triunfo do capitalismo e da democracia. de gerar novas ideias. De uma forma sintética. Mas nem sempre isto acontece. desenvolve e implementa um determinado efeito... alternativas e organiza-las de modo diferente. integrando ou equilibrando todos os aspectos e factores que. para ele possam contribuir. fugindo dos padrões já estabelecidos. 7 . mas um trabalho em equipa e por conseguinte ter uma maior abertura para responder com sucesso ao problema. falava-se do fim da história. social e político (algumas das dimensões do design). da solução. em si. o design é constantemente "atingido"pela constante mutação em que vivemos. Através deste. o design tem que ser capaz de criar novas condições culturais. é que há 3 anos. quer a nível económico. o designer. num processo criativo. eventualmente. no entanto. dos problemas. Dependendo da exigência do projecto. Carlos Fuente diz " o que é impressionante. poderá necessitar de informações de diversas áreas. Na hora de escolher. planeado e coordenado. produto ou serviço. Saímos de um mundo simples para entrar num mundo complexo.A actividade de um designer A actividade de um designer contemporâneo consiste. poderão não ser novos. ou resposta que solucione um problema. Como tal.. A criatividade caminha no sentido de inovar.3 anos mais tarde encontramo-nos mergulhados na mais extrema perplexidade. estabelecer novas relações entre elementos que.

Este estabelece uma coesão directa das produções humanas ? como os conhecimentos ? relacionados ás produções artísticas (cultura) com as leis que presidem a produção e distribuição do capital de um pais (economia). a minha afirmação pretende unicamente salientar mais uma vez um dos problemas. concebendo diversas e diferentes soluções para objectos e serviços. Um bom exemplo que mostra que nem sempre isso acontece. actualmente possui a melhor relação custo x benefício do mercado". que o design e muitos designers tentam ultrapassar. como também reside a preocupação do estado económico dessa comunidade. Ex: conceber um produto que se identifique com o público-alvo. Actua não só com o efeito de melhorar as condições de vida. esta ligação é eficaz. A criação de soluções e resoluções de problemas por parte de um designer vai. O designer é na realidade um elo de ligação. de acordo com as necessidades de um indivíduo que possui um papel activo na sociedade. isto é. mas nem sempre. A cultura e a economia deveriam seguir lado a lado e não se sobreporem. é esta transcrição retirada da Internet que descreve um barco "Com o seu designer contemporâneo e estilo inconfundível. normas e costumes que constituem a cultura e que se regem e orientam? se pela economia. isto é. Aspira a evolução das suas concepções tendo em conta a multiplicidade de crenças. de que resultam projectos e consequentemente atitudes não tão "boas"no sentido que deveriam ser inaceitáveis.Tudo tem de ser reformulado e repensado (1). (1) In ´Geopolítica do caos` Ignacio Ramonet ( A Agonia Da Cultura) A questão da " sobrevalorização da dimensão económica em detrimento da dimensão cultural". Reforçada por esta citação. comportamentos. um intermediário entre estas duas dimensões. que detenha uma vertente cultural e que esteja de acordo com 8 .

O futuro do design parte não só de questões relacionada com a cultura e a economia como acabo de referir. Esta é testada e avaliada ao longo do projecto que permite o avançar ou retroceder de modo a aperfeiçoá-lo e encontrar a solução ideal de acordo com os parâmetros definidos no início do projecto. da capacidade que o ser humano tem em ser crítico. Ao percorrermos pela modernidade. 9 . num lugar comum. Novamente. reforça e incentiva o seu consumo. mas no sentido de procurar as mesmas coisas. a função pelo cliente e pelo próprio designer. com a mundialização da economia e com os progressos tecnológicos esquecemo-nos da importância do acto de criação. A cultura e a economia são. mas também.as suas possibilidades financeiras. A todo este processo afluem outras dinâmicas como a capacidade de comunicação. sem que este perca as suas características essências e que não se torne num cliché. Esse estudo segue uma metodologia projectual onde é definida. portanto processos indissociáveis que se influenciam mutuamente e interligam-se entre si. Situação como esta acontece invariavelmente e aí pode dizer-se que esta configuração de Design não ultrapassa a realidade. de modo a incentivar o seu consumo. para nos cingirmos à lógica de mercado e a busca máxima de lucro. excessivamente preocupados com o nível optimizado de vida. numa primeira fase. criativo e aberto a novas tendências. respostas e soluções comuns a que todos deveríamos ser capazes de evitar. encontramos outros obstáculos que o design e os designers tentam contornar: como o da comunicação e reprodução de um produto/serviço industrialmente. as situações. assim como. A criação de um produto deriva de estudo prévio. a possibilidade de reprodutibilidade. O que raramente se observa.

o que constituiria. 10 .se. incutir gradualmente.. Devemos então situar o design para além do consumo e da realidade. sem duvida. uma uniformização das estruturas e das formas utilizadas . do lugar comum que alcançou para se tornar de novo resposta ao problema. o modo como deveriam ser reconhecidos na sociedade.à não só com um assunto ou realidade. isto é. e cabe aos designers e aos estudantes de design. Preocupar. O design é uma actividade que se está a desenvolver. Funcionando sempre desta forma. que melhor substituíram a criação.tornando-se a sua própria e única cultura.Refiro isto. Assim estaremos a fomentar a inovação e o progresso e ao mesmo tempo a estimular a vida de cada um de nós na cidade ? um local que nem sempre é agradável. não numa atitude de nos termos de diferenciar dos outros só por si. descentralizando-o de si mesmo. mas sim apelando à diferenciação por uma coisa melhor. sempre que se comece a criar um cliché. repensa -se o realizado anteriormente e quais as soluções.

na tentativa de alterar radicalmente e positivamente o modo de pensar dos indivíduos que o rodeiam. Daí ser tão importante e marcadamente relevante o papel do designer na sociedade. É importante apercebermo-nos que significado estamos a "dar" às coisas. Assim como para os antropólogos. 11 . Assim. o estudo da cultura material torna-se. integrando vários elementos da vida cultural. em paralelo com estratégias saudáveis. a cultura material é um tema sobre o qual o designer deve reflectir. sendo que. Cada objecto por aquele concebido é indissociável de um universo de significado ou sentido relativamente a quem o frui ou utiliza. a adopção de uma ambiguidade poética. na construção das mensagens a transmitir. nós somos ainda constantemente ameaçados pela problemática inerente ao acto de decidir entre um ou outro artefacto (no nosso quotidiano) e se o próprio acto de decidir nos deixa de certo modo ridículos. aquilo que possuímos nos atribui identidade. então. estruturada e com significado.O Designer contemporâneo Numa perspectiva abrangente. pelo que o designer participa em grande parte nesse processo de atribuição de identidade. não poluentes. Eles são em grande parte definidores da nossa individualidade. ou de abstracções como a nação ou a modernidade. É que (concordando com o antropólogo Daniel Miller) nas sociedades de hoje os artefactos detêm o significado pelo qual damos forma e chegamos a um melhor entendimento de nós mesmos. num tema sério a debater. deveria ser o grande objectivo do designer. concorda-se que o designer de hoje detém a grande responsabilidade ética e moral de responder às necessidades da sociedade no seu todo de modo a fomentar uma força cultural pertinente. por outro lado. dos outros. Mas se por um lado os artefactos são coisas cheias de significado.

mas no mais geral sentido do processo pelo qual os grupos humanos se constroem a si mesmos e se socializam. a questão do consumo levanta graves problemas relativamente ao correcto reconhecimento do papel do designer. Parece que muitas das vezes o próprio designer não se apercebe de como os seus objectos atingem positiva ou negativamente a sociedade. ao observar esta teia de relações que se percebe que as sociedades de hoje são regidas por leis que regulam a produção. O modo continuado pelo qual o significado é dado às coisas é o mesmo pelo qual o significado é dado à vida. 12 . Actualmente.A "cultura" é entendida. o mercado distribui e o consumo atinge a grande parte dos grupos existentes. não só por parte dos receptores das suas mensagens. com locais específicos. A indústria produz. nos contextos em que os objectos são consumidos ou fruídos. bem como. distribuição e consumo de bens. consistindo nas formas materiais levadas a cabo por este processo cultural. não no sentido narrativo de alguns elementos particulares do ambiente humano. portanto. como também dos próprios emissores. sendo que é a economia que as estuda e as põe em prática. as relações entre pessoas e coisas são de extrema relevância quando se pretende alcançar um melhor entendimento acerca do mundo em que vivemos e do modo como nele vivemos. Na realidade. Torna-se claro que as questões acerca do significado dos artefactos estão amplamente relacionadas com significativas questões que se prendem com a dinâmica global do mundo. É. a cultura material se transforma num aspecto de objectificação. pelo que.

pelo menos nos casos em que se trabalha por conta de outrem. sem conhecimento de causa. relativamente a esse assunto é difícil os estudantes opinarem. o que se traduz numa espécie de fosso existente entre as partes envolvidas. No entanto. 13 . convicção e um pouco de sorte à mistura. o que o designer consciente pretende é ter a oportunidade de interagir com o mundo que o rodeia.Na prática. Cada vez mais se ouvem expressões tais como "bom e barato" e "o mais atraente possível". relacionando-se com outras áreas de conhecimento e pensamento. força de vontade. num processo continuado de aprendizagem. encontrando-se. assim. bem como com outras formas de expressão. uma das principais dificuldades que o designer de hoje deixa transparecer é a heterogeneidade existente entre os seus próprios princípios. Na verdade. Parece ser uma luta constante que poderá ser vencida com muita diplomacia. os desejos do cliente e os do patrão.