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KARL MARX (1818-1883) E A CRÍTICA DA SOCIEDADE CAPITALISTA

PROFº JOÃO GUILHERME

KARL MARX (1818-1883) E A CRÍTICA DA SOCIEDADE CAPITALISTA
A expressão “marxismo” designa um amplo movimento político e de idéias que se estende por diversas áreas do saber: (Filosofia, Sociologia, Política, História, Economia, etc)

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Quando se fala em “marxismo”, logo se remete a uma atividade militante, política. Diferente da teoria de outros clássicos da sociologia. As teorias de Marx (e Engels) ocupam vários espaços, desde a academia à cotidianidade de movimentos sociais e partidos políticos.

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As idéias de Marx são tão importantes que não é exagero dizer que durante boa parte do século XX a sociologia se dividiu entre afirmar ou negar a sua teoria.

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A intenção de Marx não era contribuir para o densenvolvimento da ciência em si, mas de propor uma ampla transformação política, econômica e social via revolução. Tanto é assim que ele escreve, não para acadêmicos e cientistas, mas para trabalhadores. Isso facilitou a inserção do marxismo em círculos operários e populares.

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AS ORIGENS DO PENSAMENTO MARXISTA Da filosofia hegeliana (Georg Hegel - 1770-1831) Marx absorveu a percepção de que a história não é um movimento linear ascendente, nem o resultado da ação voluntariosa e consciente dos heróis envolvidos.

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Marx também se inspirou na crítica à sociedade burguesa feita pelos socialistas utópicos ingleses e franceses, como Charles Fourier (1772-1837), Robert Owen (17711858) e Saint-Simon (1760-1825).

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Marx admirava o pioneirismo da crítica ao capitalismo feito por eles, porém condenava o caráter utópico das suas práticas e a ausência de um sujeito político histórico para a transformação social.

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Marx também fez uma leitura crítica das obras de economia política clássica inglesa, notadamente Adam Smith e David Ricardo, reelaborando a partir delas, conceitos importantes como mercadoria, valor-trabalho, modo de produção etc.

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Em síntese, as três grandes fontes do pensamento marxista:

1-Filosofia clássica alemã; 2-Socialismo utópico; 3-Economia política clássica inglesa.

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Diferentemente de Durkheim e Weber, Marx considerava que não se podia pensar a relação indivíduosociedade separadamente das condições materiais em que essa relação se apóia.

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Portanto, a chave para compreender a história e o funcionamento da sociedade, pensava Marx, estaria na produção. O modo como os homens se relacionam socialmente no processo produtivo determina o tipo de sociedade que existirá.

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Para viver os homens precisam transformar a natureza, comer, construir, etc; sendo assim, o estudo de qualquer sociedade deve partir das relações sociais que os homens estabelecem entre si para utilizar os meios de produção e transformar a natureza.

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A IMPORTÂNCIA DO TRABALHO: Pelo trabalho, o homem transforma a natureza e cria seu próprio meio ambiente. Trabalhando, o homem se relaciona com outros homens, produz máquinas, obras de arte, cria instituições sociais, crenças religiosas, hábitos diferentes. Portanto, o trabalho não é uma atividade isolada; ao produzir, os homens entram em contato uns com os outros e com a natureza.

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Marx compara a sociedade a um edifício. A base da sociedade é a produção econômica. Sobre esta base econômica se ergue uma superestrutura, o Estado e as idéias econômicas, sociais, políticas, morais, filosóficas e artísticas. Todas as idéias que surgiram ao longo da história se explicam pelo tipo de sociedade que as produziu.

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Alguns conceito importantes: Forças Produtivas: meios de produção, tecnologia, matériasprimas, saber, instrumentos e objetos, força de trabalho. Força de Trabalho: capacidade humana de trabalhar. Relações Sociais de Produção: como os homens se organizam socialmente para produzir.

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A soma das Forças Produtivas com as Relações Sociais de Produção forma a Infra-estrutura Social.

Sobre a Infra-estrutura se erguem as formas de consciência, que é a Superestrutura.

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“Não é a consciência dos homens que determina o seu ser, mas, ao contrário, é o seu ser social que determina a sua consciência.” Karl Marx

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Dialética e Materialismo:
Na antiguidade grega, dialética significava a arte de convencer alguém por meio do diálogo. Para Heráclito de Éfeso (séc. V a.C.), havia uma dialética da natureza.

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Para Heráclito, a natureza encontrava-se em constante transformação, em perpétuo movimento: “Tudo flui”, “Um homem nunca entra no mesmo rio duas vezes”
Ele também era o filósofo da contradição: “Nós somos e, ao mesmo tempo, não somos”.

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É essa concepção de movimento e contradição que marca a noção moderna de dialética.
Para Hegel, que também era dialético, a história caminhava sempre a partir do embate de forças antagônicas e contraditórias.

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TESE ANTÍTESE SÍNTESE
Em Hegel, tudo se passava no pensamento. O densenvolvimento da História era na verdade um desenvolvimento do Espírito. A dialética hegeliana era idealista: IDÉIA MATÉRIA IDÉIA

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Marx criticava a dialética de Hegel porque ela se limitava a compreender o mundo sem transformá-lo.
Assim, Marx inverte a dialética de Hegel: Realidade Idéia Realidade

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Para Marx, análise da vida social deve ser realizada a partir de uma perspectiva dialética:

Estabelecer as leis de mudança dos fenômenos.
Estudo concreto da totalidade da realidade social.

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O estudo concreto da realidade social tem como ponto de partida os homens reais, que produzem materialmente suas condições de vida.
Esse método foi denominado: MATERIALISMO HISTÓRICO DIALÉTICO

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Alienação: Juridicamente significa a transferência ou venda de algum bem ou direito. Em Marx representa a exploração econômica exercida sobre o trabalhador no capitalismo. A propriedade privada separa/aliena o trabalhador dos meios de produção e do produto da sua produção.

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• O trabalhador não se reconhece no produto que criou; • não reconhece o processo de trabalho, opressivo, que faz ele perder o domínio do todo produtivo; • não reconhece seus pares; • encontra-se estranhado com a generalidade de sua vida.

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A superação da condição de alienação só se dará com a crítica radical ao sistema econômico, se efetivando na práxis, isto é, na ação política revolucionária consciente e transformadora. Colocando fim a propriedade privada dos meios de produção e ao capitalismo.

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CLASSES SOCIAIS É um conceito básico do marxismo. Marx busca explicar os fundamentos das desigualdades sociais em oposição a falsa idéia de igualdade política e jurídica proclamada pelos liberais.

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Os direitos “naturais” não resistem às evidências das desigualdades sociais promovidas pelas relações sociais de produção, que dividem os homens em proprietários e nãoproprietários dos meios de produção (capitalistas e proletários).

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As classes sociais no capitalismo estabelecem antagônicas relações de produção, que são, antes de tudo, relações de complementariedade e exploração.

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Os interesses de cada classe são inconciliáveis: Burguesia: lucro Proletariado: superação da exploração

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Para Marx, a história humana é a história da luta de classes, ou seja, da disputa por interesses de classes opostos. Embora nem sempre se manifeste sob a forma de conflito ou guerra declarada.

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A origem histórica do Capitalismo A teoria de Marx é abrangente pois se fundamenta na análise crítica do momento em que vive e em uma sólida visão histórica.

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As desigualdades no capitalismo têm origem na quantidade de riqueza acumulada em poucas mãos na Europa entre os séculos XII e XVIII.

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Essa acumulação de riqueza se deu inicialmente por meio da pirataria, do roubo, do monopólio do comércio e do controle de preços praticados pelos Estados Absolutistas.

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Entre a Idade Média e o Renascimento, a produção era artesanal. Aos poucos surgiram oficinas que produziam mais e a baixo custo. A generalização dessas oficinas deu origem a Revolução Industrial.

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A Revolução Industrial racionalizou o processo de produção de mercadorias: Com a mecanização e divisão do trabalho cresceram as fábricas e formou-se a classe operária.

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O Salário O Proletário é alguém que não sendo proprietário dos meios de produção sobrevive da única coisa que possui, a sua própria Força de Trabalho.

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Assim, no capitalismo, a Força de Trabalho é também uma mercadoria comprável e vendida como qualquer outra por um determinado preço. O proletário estabelece um relação com o capitalista negociando o preço da utilização desta mercadoria.

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O salário é o valor da força de trabalho. O salário deve ser a quantia que permite o proletário alimentar-se, vestir-se, cuidar dos filhos, enfim, recuperar as energias para estar de volta ao serviço no dia seguinte.

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O salário varia com as condições sociais e históricas de cada lugar. Além do mais, também vai variar segundo o tempo socialmente necessário que o trabalhador levou para produzir a sua mercadoria força de trabalho (educação, treinamento, etc).

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Trabalho, Valor e Lucro: O capitalismo trata a força de trabalho como um mercadoria; A força de trabalho é a única mercadoria que cria valor. Desde os economistas ingleses que o trabalho era visto como criador de riqueza.

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Marx diz que o trabalho provoca uma espécie de “ressurreição” nos objetos. Tudo o que é criado pelo homem contém um trabalho passado, é trabalho morto, que pode ser reanimado por outro trabalho.

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O valor das mercadoria depende do tempo de trabalho gasto na sua produção. E esse tempo de trabalho corresponde ao tempo socialmente necessário à sua produção (habilidades individuais médias e condições técnicas vigentes).

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Como a mercadoria é resultado de vários trabalhos mortos, no seu valor está incorporado esses trabalho anterior. Ex.: Em um par de sapatos está incorporado o tempo de trabalho dos trabalhadores que curtiram o couro, produziram os fios de linha, etc.

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No preço de uma mercadoria estão incluídos o valor das matériasprimas que o capitalismo adquiriu e também o valor dos salários pago aos operários.

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Exemplificando: Em uma produção de sapatos, se gasta, por par, 100 reais em matérias-primas, 20 reais com o desgaste das máquinas e 30 reais com salários. Total de investimentos: 150 reais, que também é o valor do par de sapatos.

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Se o valor investido é igual ao valor produzido, como se explicaria o lucro do capitalista?

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Marx vai dizer que não é no âmbito da compra e venda de mercadorias que se origina o lucro no capitalismo, mas sim na produção.

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A Mais-Valia: Suponha-se que um operário tenha uma jornada de trabalho de 9 horas e que faça um par de sapato a cada 3 horas. Em 3 horas ele produz um valor correspondente ao seu salário. As outras 6 horas ele produz um valor em mercadorias maior do que seu salário.

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A mais-valia corresponde a um valor excedente produzido pelo operário na produção de uma mercadoria, apropriado pelo capitalista e que não é incorporado no salário do trabalhador.

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O processo de produção que permite a existência da mais-valia é o que caracteriza o capitalismo de todos os outros modos de produção anteriores. A riqueza do capitalismo é o consequente empobrecimento da classe trabalhadora.

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Existem duas formas de extração da mais-valia: 1.Absoluta 2.Relativa

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A mais-valia absoluta se dá quando há um prolongamento da jornada de trabalho sem o respectivo aumento do salário pago ao trabalhador.

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A mais-valia relativa ocorre quando há um aumento da produtividade, pelo incremento de tecnologia, sem aumentar a jornada de trabalho.

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As relações políticas e o Estado em Marx Marx não desenvolveu uma teoria específica sobre política ou Estado. Suas concepções derivam das críticas a Hegel e do desenvolvimento geral da sua teoria.

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Para Marx, a forma do Estado emerge das relações de produção e não do desenvolvimento geral da mente humana ou do conjunto das vontades humanas.

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O Estado, emergindo das relações de produção, não representa o bem comum, mas é a expressão política da estrutura de classe inerente à produção.

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O Estado é o braço repressivo da burguesia para manter sob seu controle os antagonismos de classe. (imposição de leis e uso da força)

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“O Estado moderno não é mais do que um comitê para gerenciar os negócios comuns de toda a burguesia” (Marx e Engels, O Manifesto Comunista)