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Apoptose

Apoptose, você disse? É por isso que eu não estou me sentindo muito bem...

Unidade Curricular de Biologia Celular UNIFESP – Campus Diadema

Definição de morte celular programada
Morte celular programada (PCD) ou apoptose é um mecanismo importante de remoção de células: que não são mais necessárias que estão em excesso (neurônios durante o desenvolvimento) infectadas por vírus transformadas (câncer) com danos ao seu material genético

Tem fundamental importância no desenvolvimento embrionário e na homeostase de tecidos em organismos adultos.
Caracteriza-se pela ativação de um mecanismo de suicídio celular morfologicamente diferente do processo de necrose. Ocorre em todos organismos multicelulares. Há indícios de ocorrência de uma versão simplificada de morte celular programada também em leveduras, Leishmania,Trypanosoma e Plasmodium falciparum

Apoptose e Desenvolvimento
Muitas outras estruturas são perdidas durante o desenvolvimento num processo de remodelagem do organismo: Em humanos, a estrutura que dá origem ao útero (duto de Müllerian) é perdida no homem. Por outro lado, a estrutura que dá origem ao órgãos reprodutores masculinos (duto de Wolffian) é perdida na mulher. No desenvolvimento embrionário inicial de vertebrados ocorre a formação de túbulos prónefríticos que dão origem aos rins de peixes e anfíbios, que são perdidos em mamíferos. No desenvolvimento do sistema nervoso central, metade dos neurônios e células da glia que surgem são destinados a morrer por apoptose. Apenas neurônios que estabeleceram conexões sinápticas, tornando-se capazes de receber fatores de crescimento, sobrevivem.

Histórico
1858: O patologista alemão Rudolf Virchow descreveu as mudanças progressivas que ocorrem nos tecidos logo após a morte e foi o primeiro a descrever dois tipos diferentes de morte celular. Chamou o fenômeno de necrobiose. 1951: A. Glucksmann foi o primeiro a observar morte celular durante o desenvolvimento embrionário. 1972: John Kerr, Andrew Wyllie e A.R. Currie: generalização da idéia que a morte celular programada consiste de um processo ordenado. Foram os primeiros a se dar conta das implicações do processo de morte celular programada em biologia celular e em doenças. Surgimento do termo apoptose.

1976: John E. Sulston e H. Robert Horvitz deram início aos estudos genéticos da apoptose utilizando o nemátoda Caernohabditis elegans como modelo (previamente descrito por Sydney Brenner). Demonstraram que aproximadamente 13% das células somáticas no embrião deste organismo morrem logo depois de seu aparecimento. 1986: H. Robert Horvitz identificou os dois primeiros genes relacionados à apoptose, Ced-3 e Ced-4, respectivamente Apaf-1 e caspase-3 em mamíferos.

Robert Horvitz Massachusetts Institute of Technology (MIT) Cambridge. Sulston The Wellcome Trust Sanger Institute Cambridge.Histórico  Prêmio Nobel de Medicina. United Kingdom . 2002: por suas descobertas relativas à “regulação genética do desenvolvimento de órgãos e da morte celular programada” Sydney Brenner The Molecular Sciences Institute Berkeley. MA. CA. USA H. USA John E.

Indução: via receptor ou danos ao DNA. 2ª fase .e.Visão Geral da Apoptose 1ª fase .Resposta intracelular : sinalização celular 3ª fase .Fase efetora: Alterações morfológicas e bioquímicas características . p.

queda do potencial transmembrânico  Membrana plasmática intacta  Fagocitose dos restos celulares (corpos apoptóticos)  Ausência de resposta inflamatória Necrose  Processo passivo  Inchamento da célula  Clivagem aleatória do DNA  Ruptura da membrana plasmática  Resposta inflamatória .Apoptose x Necrose Apoptose  Processo ativo  Murchamento da célula  Condensação da cromatina  Clivagem internucleossômica do DNA (fragmentos de 180 kDa)  Alterações mitocondriais.

Apoptose Necrose .

Indutores de Apoptose Mediados por receptores CD95L/FasL. etoposídeo. espécies reativas de oxigênio (EROs)… . curcumina Agentes que causam danos ao DNA Radiação ionizante. perforina/granzima B. radiação UV. TNF Agentes químicos Estaurosporina. quimioterápicos contra câncer Outros: retirada de fatores de crescimento.

Controle do processo de apoptose .

entre outros.Papel da proteína p53 em apoptose p53. Fas. Killer/DR5 e APAF-1 (fator de ativação de protease apoptótica). através dos pontos de checagem de danos ao DNA. induz a parada do ciclo celular para reparo do DNA lesado. como Bax. Isto se dá pela estabilização de p53 que tem seus níveis dramaticamente aumentados após danos ao DNA. p53 sinaliza para indução de apoptose. OF APOPTOTIC GENES Esta sinalização ocorre. . na maior parte dos casos. devido à ativação transcricional pelo p53 de proteínas envolvidas em apoptose. Se os danos ao DNA são muito extensos e os mecanismos de reparo não podem revertêlos.

Papel da proteína p53 em apoptose Radiação UV Dano reparado (Célula sobrevive) Dano excessivo Apoptose Câncer .

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após ativada. e efetoras (caspase. Atuam em cascata. Clivam proteínas após resíduos de ácido aspártico. ou seja. 3. 6 e 7) . uma caspase. ativa outras. Dividem-se em caspases iniciadoras (caspases 8 e 9).Principais proteínas efetoras na apoptose: caspases Proteases expressas como precursores inativas (pro-caspases) que são ativadas por clivagem auto-catalítica ou por outras proteases.

ICAD (inibidor da nuclease CAD.Proteínas alvo de degradação por caspases Complexos ciclinas-Cdk  parada do ciclo celular. Laminas  desestruturação da membrana nuclear. . DNAse ativada por caspase) fragmentação do DNA. Actina  membrana começa a sofrer invaginações.

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Proteínas que regulam a apoptose Família Bcl-2: proteínas citosólicas ou localizadas na membrana mitocondrial. Dividem-se em pró-apoptóticas (Bax. Bcl-XL…). IAPs: inibidores de apoptose que impedem a ativação ou inativam caspases. Bad. . Bid…) e antiapoptóticas (Bcl-2.

Vias extrínseca e intrínseca para a indução de apoptose .

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Estes homodímeros promovem a abertura de um canal que controla a translocação de citocromo c do espaço intramembrana da mitocondria.Proteínas da família Bcl-2 controlam a translocação do citocromo-c • Bax formam homo-dímeros na presença de sinais apoptóticos. citoplasma Espaço intramembrana • Bcl-2 interfere com a função de Bax formando heterodímeros com Bax. Isso leva ao fechamento do canal e inibição da translocação de citocromo c. .

Translocação do citocromo c inicia a cascata das caspases cascade • • No citosol. 7 Procaspase 9 Caspase 9 Apoptosome Procaspase 3 Caspase 3 . citocromo c se liga a Apaf-1 para formar o apoptosome O apoptosome recruta procaspase 9 que induz a ativação da caspase 9 Apaf-1 Cyt. 6. c • Caspase 9 ativa então as caspases executoras 3.

BAD Bcl-2 Apoptose Apaf-1 Pró-Caspase-9 Caspases executoras .

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ligante Receptores de morte Proteínas adaptadoras Caspase 8 Caspase 3 Lamin. Moléculas de adesão. Degradação da actina. ativação de CAD. etc procaspase 3 caspase 3 .

etc Sinais apoptóticos intrínsicos Proteínas Pro-apoptoticas Translocação do Citochrome c Apoptosome (Apaf-1/cit.Vias extrínsicas e intrínsicas convergem para as caspases executoras ligante Receptores de morte FADD/DISC Caspase 8.c) Caspase 9 . CAD. Caspase 3 Lamin.actina. Moléculas de adesão.

O gene supressor de tumor p53 se encontra mutado em mais da metade dos tumores humanos.Apoptose e Doenças . Mutações neste gene podem impedir o processo de reparo de mutações no DNA.Câncer O câncer resulta de um processo desordenado de proliferação celular. Alguns tipos de câncer podem apresentar níveis aumentados de proteínas anti-apoptóticas como Bcl-2. além de comprometer o processo de apoptose. . É o resultado de mutações em oncogenes ou genes supressores de tumor que resultam num descontrole no ciclo celular ou na indução de apoptose nestas células.

artrite e comprometimento renal.Autoimunidade Doenças autoimunes são devidas a falhas no sistema imune que fazem com que células do próprio organismo sejam reconhecidas como estranhas e sejam destruídas por desencadeamento de apoptose. As principais manifestações clínicas são erupções na pele. A destruição das células produtoras de insulina deve-se à uma série de fatores como indução de apoptose por linfócitos T citotóxicos. Diabetes dependente de insulina (diabetes tipo I) É uma doença crônica. . responsáveis pela produção de insulina. Autoanticorpos contra DNA dupla-fita e anticorpos contra ribonucleoproteínas e histonas são encontrados no sangue de indivíduos afetados. Podem ocorrer também complicações pulmonares e do sistema nervoso central.Apoptose e Doenças . Lupus eritomatoso sistêmico Doença crônica multisistêmica. caracterizada pela deficiência devida à destruição das células b do pâncreas.

Na ALS. com conseqüente aumento da susceptibilidade à apoptose. Esclerose Múltipla Um processo inflamatório crônico que causa perda de mielina destruição das células produtoras de mielina (oligodendrócitos) no sistema nervoso central. com conseqüente perda de função neuronal. mutações no gene da enzima superóxido dismutase estão associadas com a perda da capacidade de detoxificação de espécies reativas de oxigênio.Apoptose e Doenças . por parte dos neurônios motores. Parkinson e Esclerose Lateral Amiotrófica (ALS) Uma série de indícios implicam o processo de apoptose como responsável pela perda de neurônios característica destas doenças.Doenças Neurodegenerativas Alzheimer. . astrócitos e macrófagos. Um dos mecanismos envolvidos é a apoptose dos oligondrócitos mediada por linfócitos T citotóxicos.

a ativação de receptores de morte celular ou a ativação direta de caspases. . a inibição de caspases é uma estratégia promissora em doenças autominunes. Terapia gênica com p53  reativação do controle do ciclo celular e indução de apoptose em tumores com p53 mutante. Quimioterápicos contra o câncer atuam induzindo apoptose nas células tumorais por danos ao DNA. têm sido estudadas em culturas de células e em animais com o intuito de induzir apoptose em células tumorais. Além disso.Modulação de apoptose no tratamento de doenças Uma série de estratégias estão em estudo para a utilização terapêutica da indução de apoptose no tratamento de doenças. Por outro lado.

Indução de apoptose dirigida para a vasculatura do tecido adiposo branco em camundongos obesos resultou em rápida perda de peso sem efeitos colaterais aparentes. Nature Medicine. Os camundongos perderam 30 % do peso em 4 semanas de injeções diárias de um peptídeo que induz apoptose nestes vasos sangüíneos. Pasqualini R. maio 2004.Indução de apoptose no tratamento da obesidade Kolonin MG. Chan L. Saha PK. Arap W. .