Arranjo de Estaleiros

Evolução da construção naval
 A construção naval antigamente era de fabricação somente

manual.
 A construção naval foi, até meados do século XIX,uma

técnica de base artesanal
 Houve o desenvolvimento de uma industria naval, aplicando

conceitos de produção com os anos;
 A construção naval evoluiu da fabricação artesanal até os

modernos estaleiros atuais que são capazes de produzir um volume imenso de cascos por ano.

Estaleiro da 1° geração (1850-1950)
Estaleiro de Ponta de AreiaFundada em 1849

Estaleiro da 1° geração (1850-1950)
 Características:
 Pouca ou nenhuma mecanização;  Movimento de carga lenta e de baixa eficiência;  Ambiente de trabalho a céu aberto, sujeito portanto a todos as

intempéries;

 Habilidade primitiva;  Conhecimento de natureza empírica (se apiava exclusivamente na

experiência e na observação, e não em uma teoria);
baixa eficiência;

 As atividades eram relativamente balanceadas e uniformes apesar da

Estágios de fabricação da 1° geração
 Utilizavam 3 estágios de fabricação:

Fabricação dos componentes

Edificação

Instalação de equiipamentos e acabamentos

Arranjo Físico

Máquinas Depósito de chapas e perfis

Oficina de chapas

Dique ou Carreira

Pier de atracação

Equipamentos

Nos dias atuais ainda existem estaleiros da 1° geração ?!
 No Amazonas prevalecem 3 vertentes na construção naval:
1. 2.

Fabricação Doméstica; Estaleiros de Reparos e de construção de Pequenas Embarcações; Estaleiros de Construção de Pequenas, Médias e Grandes Embarcações.

3.

Nos dias atuais ainda existem estaleiros da 1° geração ?!
 A vertente no Amazonas de fabricação doméstica é uma

contrução de primeira geração, pois esta é artesanal, já que os ribeirinhos constroem suas próprias embarcações de madeira; conhecimento adquirido de seus antepassados; encontrados em todas as localidades dessa região; as embarcações atendem as suas necessidades básicas e atingem pequenas distâncias.
 Então, podemos afirmar que em pleno séc XXI, temos

estaleiros de 1° geração!

Estaleiros de 2° geração (1950- 1960)
• Utilização generalizada de soldagem;
• Introdução da pré-montagem;

PRÉ-MONTAGEM
 Neste período se começa a introduzir a idéia básica de pré-

montagem que corresponde à união entre si de peças ou componentes simples, formando painéis reforçados e blocos bidimensionais (pavimentos, anteparas, etc.). Usa-se principalmente o processo de soldadura para esta união.

Estágios de fabricação

Tratamento de chapas

Fabricação de componentes

Submontagem

Montagem

Edificação

Equipagem

Pré-equipagem

Arranjo Físico do Estaleiro 2° geração( 1950-1960)

Depósito de chapas e Perfis

Fabricação

Submontagem Montagem

Dique ou Carreira

Cais de Acabamento

Conceitos básicos da Pré-montagem
 Painel estrutural: estrutura composta de uma ou mais chapas

soldadas a topo com reforços soldados a chapa e entre si.

Conceitos básicos da Pré-montagem
 Bloco: compōe-se de painéis estruturais e elementos

estruturais montados.

Conceitos básicos da Pré-montagem
 Seção: compōe-se de blocos do navio, formando uma

estrutura completa em 2 planos paralelos a seção mestra.

Painel

Bloco

Seção

Estaleiros da 3° geração (1970-1990)
• Estágios múltiplos de fabricação; • Racionalização das operações para aumentar

eficiência; • Fabrica de navios, adquirindo no mercado peças e componentes a serem montados, reduzindo o custo de fabricação; • Controle gerencial sofisticado;

Estágios de fabricação

casco

Fabricação de componentes

Sub-montagem

Montagem

Montagem de seções

edificação

Casaria

Fabricação de componentes

submonatagem

monatagem

equipamento

Recepção de inspenções

Fabricação de jazentes

Montagem de unidades de sistemas

Estaleiro Ishikawajima do Brasil Década de 70

Estaleiros de 4° geração( após 1990)
 Além das características da 3° geração o controle gerencial ficou

ainda mais sofisticado devido as ferramentas computacionais;
 A terceirização é muito grande ( no EAS temos a montagem de

equipamentos, testes hidráulicos, limpezas químicas e etc);
 Lay-out é otimizado;
 Capacidade de transporte e blocos muito elevada( no EAS temos os

Golias,os guindastes que estão entre os maiores do mundo e possuem a mesma capacidade dos que estão instalados nos estaleiros mais modernos da Ásia.)

Arranjo físico do estaleiro de4° geração
PATIO DE CHAPAS E PERFIS TRATAMENTO E PINTURA DE CHAPAS E PERFIS

OFICINAS EQUIPAMENTOS

OFICINAS DE CASCO PATIO DE ESTOCAGEM DE BLOCOS

DIQUE OU CARREIRA

CAIS DE ACABAMENTO

Guindastes “ Golias”

Estaleiros de 4° geração( após 1990)
 Estudos de deformações e sequencias de montagem com

auxílio de programas 3D para reduzir o tempo de edificação;
 Pré-equipagem intensa.

Estaleiros modernos
 A construção do navio começa com partes

menores, as chapas e perfis. As chapas são placas de aço com cerca de 12 metros de altura por 3 de largura, e espessura mínima de 6 milímetros.

Pátio de chapas e perfis
 Inicialmente, discutiremos sobre o pátio de chapas e perfis de

um estaleiro:
 A fabricação de uma estrutura oceânica se inicia com o

recebimento e a estocagem do material que compõe o casco no pátio de chapas e perfis.
 As dimensões deste pátio depende de cada caso

distintamente, mas as condições geográficas e o arranjo físico do estaleiro sāo fatores que influenciam essas dimensões.

Pátio de chapas e perfis
 Normalmente o pátio de chapas é cimentado ou asfaltado e as

chapas sāo armazenadas horizontalmente porque a estocagem vertical é menos eficiente na movimentação das chapas.
 As pilhas de chapas são feitas de uma altura aproximada de 0,5 m

e a distância entre as pilhas é de 1 à 1.5 m.
 A quantidade de material a ser estocada varia de acordo com a

produção anual do estaleiro, e este valor é determinado pelo planejamento da produção.( cerca de 10% à 40%).
 As condições do mercado do fornecedor também é fator

importante para a determinação da quantidade de chapas a serem armazenadas.

Pátio de chapas

Movimentação de cargas no pátio
 Deve ser previsto um sistema para a movientação de cargas no

pátio, e este sistema deve ter acesso a todas áreas de estocagem de materiais.

 As capacidades dos guindaste podem chegar até 20 T.  Equipamentos eletromagnéticos são largamente empregados para

este sistema.

 Uma solução empregada em estaleiros sofisticados(EAS) para a

movimentação de cargas é a utilização de mesas com roldanas.Enquanto o guindaste é utilizado para a descarga do material no pátio, ou para separar o material que será utilizado, a alimentação das oficinas é efetuada automaticamente pelo sistema de mesas com roldanas.

Estoque de Chapas controladas por guindaste magnético
 Esse guindaste leva individualmente as chapas para uma

zona intermediária (“buffer zone”) para seguir até a linha de tratamento da superfície. Daí a chapa é descarregada numa esteira através de um guindaste, ou um captador (equipamento que manipula as chapas através de um braço).

Estoque de Chapas controladas por guindaste magnético

Guindaste magnético no transporte de chapas nas mesas de roldanas

Tratamento da chapa/perfil
 As chapas e perfis são submetidos a um tratamento da

superfície. A unidade é completamente automatizada, e as esteiras aceitam chapas com largura entre 3m e 5m.Os perfis são tratados em grupo ou individualmente, dependendo do equipamento.
 O desempeno e limpeza do material são realizado no pátio

de chapas e perfis, ao invés de serem feitas nas oficinas de pré-fabricação, pois é preferível ter-se um estoque de material limpo e desempenado, pronto para abastecer as oficinas de pré-fabricação, sem possibilidade de gerar atrasos.

Desempeno de chapas
 As chapas utilizadas na construção naval devem ser bastante

planas, mas no transporte das siderúrgicas até o estaleiro elas podem sofrer distorções consideráveis.
 Para solucionar este problema há o processo de desempeno de

chapas, onde um conjunto de rolos para desempeno (calandra) é essencial para a correção das chapas.
 Os rolos de desempeno são usualmente hidráulicos e controlados

eletricamente.
 Para aumentar a produtividade é necessário que as chapas se

desempenem depois de atravessar uma única vez o conjunto de rolos, assim um conjunto de 5 rolos executa este serviço.

Rolos que desempenam a chapa

Limpeza
 Para a prevenção e controle da corrosão é

necessário que o material seja limpo, e vale salientar que a pintura sobre o material atacado de ferrugem é completamente ineficaz.
 Assim, metódos para a remoção de ferrugem e

as escamas de laminação do material foram criados.

Métodos de limpeza
 Métodos mecânicos: utilizam ferramentas elétricas e

pneumáticas, tais como escovas, martelos, etc.
 Tratamento térmico: método baseado na diferença do

coeficiente de expansão do aço e ferrugem.
 Jateamento de areia: a areia é atirada, com auxílio de um jato

de ar, sobre a superfície a ser limpa, com isto removendo as escamas de laminação e ferrugem.Descobriu-se posteriormente que a fina nuvem de areia era prejudicial à saúde do operador do jato,e para sanar este efeito foi desenvolvido um jato de areia envolto por uma camada de água.

Métodos de limpeza
 Jateamento de granalha: Este método consite

em lançar pequenas bolas de aço(0,5 mm≤Ø ≤ 0.8 mm),junto com o ar comprimido a uma pressão de 5 a 8 Kgf/mm2 sobre a superfície do material.Este processo é o mais produtivo e usado no EAS.
 Ataque químico: consite no ataque do material

por ácido.

Pintura
 Pintura com primer de proteção.
 As vantagens da limpeza do material se perderão se o

material não for protegido tão rapidamente quanto possível.
 O tempo não pode exceder de 10 a 20 minutos dependendo

da umidade do ar.
 Atualmente, pode-se obter proteções especiais que secam

rapidamente e permite quase que imediamente o manuseio das chapas.

Pintura
 A proteção pode ser aplicada automaticamente através de

equipamentos de pintura instalados após o equipamento para a limpeza.

Deliamento de risco
 No Deliamento todas as peças do casco são desenhadas e

desenvolvidas visando a sua fabricação;
 Devido a sua complexidade geométrica do casco de um navio

o desenvolvimento das peças para fabricação não era uma tarefa fácil.
 Problema para os estaleiros: uma vez desenhaddo o casco de

um navio em um escritório de projeto, em escala 1:100, por exemplo, como obter desenhos confiáveis para se fabricar as peças que irão compor este casco.Note- se que o erro de 1mm levará a um erro de 100 mm na peça fabricada.

Deliamento de risco
 Resolução deste problema nos estaleiros: salas de riscos,

onde eram traçadas as linhas do casco em escala 1:1.Nesta sala de dimensões usualmente de 50.000 pés2 a 150.000 pes2, com o chão pintado de conza claro, o casco do navio, sua superestrutura, detalhes estruturais, etc., eram traçados para se obter bastante precisão as dimensões de todo navio.
 Desenha o navio, gabaritos de madeira eram construídos

com o formato das peças que se pretendiam fabricar, e então os gabaritos de madeira eram levados as oficinas de fabricação, onde eram utilizados para marcar as chapas para o corte, para fabricação de modelos, etc.

Deliamento de risco
 Todo processo na sala de risco utilizava muitas horas de

serviço e muita mão de obra.
 Com o avanço dos equipamentos óticos , um outro processo

veio substituir para cortar as peças( moldes) que irão ser fabricadas através da chapa.

Torre de projeção
 Maquinas de corte foto-eletricamente controladas, que a

apartir dos desenhos do escritório, em escala 1: 10 ou 1:100 efetuam o corte de chapas sem necessitar nenhuma marcação e são encontrado hoje em oficinas de pequeno porte.
 Utilizado bastante para corte de peças menores como

borboletas, reforços locais, etc.
 Atualmente sala de risco e torres de projeção foram

completamente eliminadas dos estaleiros, pois o desenvolvimentos de programas de computadores que descrevem matematicamente todo o casco é muito comum.

Torre de projeção