You are on page 1of 34

Psicoterapia psicodinâmica dos Transtornos Alimentares

Maria Isabel Perez Mattos Psicanalista - SBP de PA – Filiada a IPA Mestre em Psicologia - UFRGS

Tratamento psicoterápico da Anorexia nervosa
   


 

A psicoterapia psicodinâmica individual é o tratamento eletivo para casos de An. Objetivos: recuperação do peso; cessação dos comportamentos para perda de peso; melhoria nos comportamentos alimentares; desenvolvimento psicológico e emocional. Integração de abordagens cognitivocomportamentais e psicodinâmicas, visando o manejo dos sintomas, controle do risco de vida e saúde do paciente, a resolução de conflitos inconscientes a serviço da reestruturação, reorganização e o desenvolvimento da personalidade.

Primeira fase
   


  

Escuta analítica Estabelecimento do vínculo Evitar confronto de forças Promover a conscientização da paciente sobre sua enfermidade Auxiliar a paciente a se colocar como co-responsável por seu tratamento A comunicação da paciente nesta primeira fase é concreta e comportamental O psicoterapeuta deve ser cauteloso em não responder ao paciente em linguagem simbólica muito elaborada Manter postura ativa, mas não intrusiva

Segunda fase    Auxiliar e acompanhar o paciente na elaboração psíquica de conflitos referentes à expressão de desejos. alternativas às condutas atuadas e patológicas Favorecer a tradução de sensações corporais em estados emocionais . sexualidade e autonomia Buscar junto ao paciente.

de perfeição. de um corpo sem falhas . hostilidade. sensação de invasão) Trabalhar a tirania do ideal de magreza.Segunda fase    Favorecer a construção de uma representação interna independente da imago materna Trabalhar afetos transferenciais e contratransferenciais (impotência.

exige cura mágica e depois vomita o psicoterapeuta e fica melancólico: estar atento a este ciclo na relação terapêutica .Tratamento psicoterápico da Bulimia e TCAP       Possibiltar a construção de uma história do sintoma Incentivar a busca por um sentido para o sintoma bulímico Ampliação da capacidade de reconhecimento dos estados afetivos Desenvolvimento da capacidade de responder a momentos de angustia com soluções menos atuadas Holding e interpretação por parte do psicoterapeuta Análise da tranferência narcisista: paciente incorpora vorazmente.

 melhoria no estado psicológico e emocional.Objetivos eliminação do ciclo compulsãopurgação.  .  estabelecimento de um padrão alimentar adequado.  modificação de atitudes para com o alimento e o peso.

cognitivo comportamental.Grupos  Diferentes modalidades grupais: auto ajuda e psicoterápicos (grupo operativo reflexivo com base psicanalítica. psicodrama. de tempo determinado ou indeterminado) . interdisciplinarpsicoeducacional ou temático.

 Zonas de trabalho do grupo autoajuda Educa cional Tera pêutica .

agressiva ou narcisica) e de ansiedades Mecanismos de defesa contra a ansiedade .Grupo e teoria psicanalítica     Em todo o grupo coexistem forças que tendem à sua coesão e desintegração Dois panos de funcionamento (Bion): o da intencionalidade 9grupo de trabalho) e outro de atuação de fatores inconscientes (grupo de supostos básicos) Presença permanente da dualidade pulsional (erótica.

A dinâmica estrutural grupal evidencia conflitos entre id. ego e superego  Desempenho de papéis esteriotipados na configuração vincular  O grupo tem ressonância em seus membros  .

promover reflexão e melhora do comportamento alimentar.Grupo psicoeducacional      Sessões dirigidas focais orientadas por temas préselecionados para cada sessão Primeira fase: fornece informações sobre a sintomatologia e aspectos associados ao Ta Segunda fase: elege-se focos de atenção do coordenador do grupo Pose ser interdisciplinar Objetivos: orientar. preparar para psicoterapia profunda (individual ou grupal) .

nutricionais e psicológicos. como também para o seu correto encaminhamento e posterior avaliação dos resultados. Número de participantes: De 4 a 12 Freqüência: semanal Duração: 1h .Passos para a formação do grupo:   Seleção realizada através de entrevista individual e de acordo com formulário. levando-se em conta aspectos clínicos. Estes dados são fundamentais não só como avaliação dos prérequisitos para ingresso no grupo. Exemplo: grupamento por homogeneidade em grupos abertos.

Indicações para grupo Habilidade de inter-relação pessoal  Suportar tensão grupal  Aceitação  .

ZIMERMAN. o emagrecimento. desenvolvendo a atitude de refletir sobre a experiência do próprio grupo enquanto grupo.. 1988. L. C. RIVIÈRE. D.Modalidade de grupo para obesos  Grupo Operativo de Reflexão paralelo a atendimento em equipe interdisciplinar. 1997). Com isto. W. neste caso. (BION. suas dificuldades e fantasias a respeito do que representa para os pacientes. Esta modalidade de grupo tem como característica operar numa determinada tarefa objetiva.. busca-se desenvolver a capacidade de pensar a respeito da experiência compartilhada num grupo com objetivos comuns. E OSÓRIO. . 1970.

. busca-se a criação de um grupo que funcione como um holding.Objetivos do grupo:  Auxiliar no processo de emagrecimento dos pacientes obesos através da aquisição de atitudes internas que possibilitem mudanças nos hábitos e condutas. Para tanto. e possibilitando um espaço de troca de vivência e conscientização de conflitos e sentimentos que impedem o emagrecimento e induzem à obesidade. dando suporte. Desta forma espera-se alcançar também o desenvolvimento da capacidade para pensar os próprios pensamentos.

forças destrutivas grupais intensas  Necessidade de uma relação dual  Pacientes muito regredidas.Anorexia Indicação para psicoterapia individual  Competição: acirramento do sintoma. narcisistas  .

ou a presença de relações abusivas e conteúdos invejosos) pode desintegrar o grupo. ocorrência de abuso sexual na infância. . Riscos: a gravidade dos aspectos afetivos que emergem (predominância do processo primário.Bulimia e TCAP   Vantagens: possibilita no grupo homogêneo o estabelecimento dos processos de indentificação.

mas também pelo medo da intrusão .Os paradoxos dos Transtornos Alimentares      Alternância entre uma grande voracidade por relacionamentos em oposição a capacidade de isolamento e abandono dos mesmos Dificuldades em encontrar uma distância suficientemente boa do outro Os pacientes apresentam viradas violentas em suas vidas: oscilam rapidamente de relações extremamente idealizadas à rupturas radicais Reagem com hostilidade à decepções e frustrações Apresentam ansiedade decorrente do medo de separação.

Os paradoxos dos Transtornos Alimentares  Os pacientes reproduzem nos relacionamentos afetivos a mesma relação que mantém com os alimentos. caracterizada por afetos turbulentos e paradoxais 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 1 Tri .

Os paradoxos dos Transtornos Alimentares  É tarefa da psicoterapia o desenvolvimento da capacidade de dar-se conta deste tipo de repetição e de que o paciente possa refletir sobre o que o leva a ter uma relação tão passional com seus objetos de amor/alimento .

transtorno da percepção ou interpretação dos estímulos corporais e sentimentos de impotência e falta de autonomia  .Hilde Bruch: psicanalista precursora da compreensão psicodinâmica dos TA A problemática central da anorexia compreendia deficiências egóicas de personalidade  Transtorno da imagem corporal.

Anorexia Nervosa Neurose obsessiva Histeria Melancolia/ Narcisismo Anorexia Psicosso mática Perversão Psicose .

depois de 4 anos tratadas por equipe especializada deixam de apresentar sintomatologia alimentar importante. fóbicos ou hipocondríacos .Anorexia .recuperação  80% das anoréxicas. mas 50% seguem padecendo de quadros depressivos.

é algo compartilhado com a mãe .Relação mãe e filha     Intrusão sedutora. isso gera uma impossibilidade da filha construir uma representação psíquica própria O corpo erógeno. que expressa a ausência de limites entre ela e a filha Relação de caráter narcisista/indiferenciado Há um excesso de presença materna. a intimidade não é propriedade privada da filha. a sexualidade. um “olho indecente” da parte da mãe.

através da qual. a única variável controlável de suas vidas Opção radical por arriscar a vida na tentativa de expressão do próprio desejo – não quer viver às custas do desejo do outro .Considerações finais acerca da anorexia     Equívoco: tentativa de dominar uma fragilidade narcisica através do domínio do corpo e das sensações O sintoma constrói uma espécie de neoidentidade. ilusoriamente. a paciente vive seu virtuoso triunfo A alimentação torna-se.

Bulimia Nervosa Ato bulímico: cisão entre representações e afetos  Na clínica a bulimia aparece como a busca por um gozo impossível. uma doença. se torna fonte de angústia e causa de alienação: o sujeito se sente obrigado a realizar atos que o despojam de si  . até mesmo escolhida e procurada. um tormento. Inicialmente aceita. um sofrimento. esta conduta quando passa a ser repetida.

que oferece uma possibilidade de domínio sobre o objeto necessário (ou seus substitutos) e reverte a situação de passividade em papel ativo.A psicodinâmica da bulimia  O fracasso da elaboração mental favorece a resposta pela atuação. . recriando as condições de uma identidade reencontrada.

trocas afetivas e internalizações de vínculos  Busca pelas sensações parece proteger o sujeito do risco de perder o objeto  Incapacidade de estar só/ sentimento de solidão  .A psicodinâmica da bulimia Propensão a sobreinvestir todo domínio das sensações ligadas à exterioridade em detrimento das emoções.

de ter se submetido ao objeto de tentação  Vergonha do pecado e segredo sobre o mesmo  . penso que vou parar de fazer. mas não consigo”  Masoquismo primário  Auto-depreciação associada à repetição do ciclo bulímico  Constante sensação de fracasso.Impotência e submissão “Percebi que não sou ninguém.

Impulsividade          “Fui direto pro crime. me senti como um animal” Agressividade contra o objeto que se volta contra sí Busca por uma descarga pulsional que dê conta da intensa excitação interna A fonte de excitação interna normalmente advêm de alguma angústia experimentada pelo paciente Dificuldade de contenção dos afetos Presença de actings Equivalência entre voracidade alimentar e voracidade nas relações Atração por situações de risco e promiscuidade Baixa tolerância a frustração . Era como se estivesse possuída.

eu não consigo comer só folhinhas de alface sem tempero” A desmedida é e não é reconhecida pelo paciente Funcionamento psíquico dicotômico – tudo ou nada Presença de polaridades: incorpora/vômita. Foise de uma vez só.A Ambivalência     “Comi como uma louca ontem a noite. cheio e vazio. um pote de sorvete que deveria durar uma semana. dependência e . Tem que ser assim.

imaturidade psicosexual Comorbidades: depressão e ansiedade . que não reconhece demandas diferenciadas Escola psicossomática de Paris: pensamento operatório Nemiah e Sifineos: alexitimia Zukerfeld: obesidade primária e secundária. submissão a figura materna.Compulsão alimentar periódica Teorias psicogênicas da obesidade       Abraham: fixação/regressão a fase oral Hilde Bruch: confusão no reconhecimento de diferentes estados emocionais. indiferenciação. instalada na primeira infância por uma relação perturbada com a figura materna.

Funções do sintoma compulsivo Função defensiva da gordura: separação. sexualidade. lidar com aquisições  Forma de lidar com solidão. frustração e raiva  Mecanismo de incorporação como forma de idar com perdas não elaboradas  Perda de limites/narcisismo  .