Medidas de freqüência de doença

Profa. Ethel Leonor Noia Maciel Universidade Federal do Espírito Santo

Qualquer que seja a medida de freqüência utilizada ela deve ser necessariamente referida às dimensões do tempo, do espaço e da população

Frequências absolutas

Foram notificados 146.000 casos de AIDS – Onde, ou em que população? •No Brasil •No Estado do ES Quando? »•Entre 2000 e 2008

Freqüências relativas

7,6% da população residente em algumas capitais de estados brasileiros, com idade entre 30 e 69 anos, apresentavam diabetes mellitus, entre 2008 e 2010.

Freqüências relativas

Após a menopausa, entre cada 100.000 mulheres acompanhadas por um período de um ano, 50% desenvolveram um episódio de doença coronariana em 2010.

proporção e taxa são termos claramente definidos em epidemiologia e que não podem ser usados como sinônimos. . Razão.

Ex: Razão de morte fetal: Mortes fetais/nascidos vivos. . Por definição. as mortes fetais não estão incluídas entre os nascidos vivos.TIPOS DE FRAÇÕES UTILIZADAS PARA DESCREVER A FREQÜÊNCIA DE UMA DOENÇA RAZÃO = uma fração na qual o numerador não é parte do denominador.

Ex: a taxa de mortes fetais:  Mortes fetais/ todos os nascimentos. .PROPORÇÃO – é uma fração na qual o numerador é parte do denominador. Todos os nascimentos incluindo os nascidos vivos e as mortes fetais.

é considerada como uma proporção que muda com o tempo Variação de uma medida y em função da variação de uma medida x. estando associada com a rapidez de mudança de fenômenos. referida a um determinado tempo.TAXA ou COEFICIENTE Preferencialmente. .

. é a chamada população em risco.   O numerador refere-se ao número de casos detectados que se quer estudar e o denominador refere-se a toda população capaz de sofrer aquele evento .

as mulheres devem ser excluídas do denominador . ao calcular-se o coeficiente de mortalidade por câncer de próstata. Por exemplo. é preciso excluir algumas pessoas do denominador.  Dependendo do evento estudado.

Determinação de alguns pontos:     1. Escolha da constante (denominador). . Estabilidade dos coeficientes. 4. Intervalo de tempo. 2. 3. População em risco.

Escolha da constante  a escolha de uma constante serve para evitar que o resultado seja expresso por um número decimal de difícil leitura (por exemplo: 0. 1. 100.000). 10.000.  .0001) portanto faz-se a multiplicação da fração por uma constante (100.000.

Intervalo de tempo   é preciso especificar o tempo a que se referem os coeficientes estudados. esse tempo é geralmente de um ano. Nas estatísticas vitais. .

. os coeficientes podem tornar-se imprecisos e não ser tão fidedignos.Estabilidade dos coeficientes  quando se calcula um coeficiente para tempos curtos ou para populações reduzidas.

Nem sempre é fácil saber o número exato desse denominador muitas vezes recorre-se a estimativas no lugar de números exatos. .População em risco    refere-se ao denominador da fração para o cálculo do coeficiente.

Medidas de freqüência de doença  Incidência – Freqüência de casos novos de uma doença oriundos de uma população sob risco de adoecimento. em uma determinada população e em um dado momento . ao longo de um determinado período de tempo  Prevalência – Freqüência de casos existentes de uma determinada doença.

Incidência   A incidência é uma medida dinâmica pois expressa mudança no estado de saúde Casos novos ou incidentes – indivíduos não doentes no início do período de observação – Sob risco de adoecimento – Devem ser observados em duas ocasiões .

Incidência  Freqüências relativas – Taxa de incidência – Incidência acumulada  Risco – Probabilidade de um indivíduo adoecer durante um intervalo de tempo determinado .

t) = I/N .Incidência acumulada  É uma proporção que representa uma estimativa do risco de desenvolvimento de um agravo em uma população. durante um intervalo de tempo determinado IA (to.

ao longo de um intervalo de tempo .Sobrevida   Medida complementar à incidência acumulada É a estimativa da probabilidade de um indivíduo não morrer (não desenvolver uma determinada doença).

IA(to.Sobrevida   S(to. dado que o indivíduo não havia adoecido até aquele instante .t) = 1 .t) – Risco de adoecimento entre to e t Taxa de dano = força de mortalidade – É a medida do risco de adoecimento (ou morte) referido a um instante do tempo.

Chance de incidência    Medida relacionada à incidência acumulada Razão entre duas proporções complementares Razão entre as proporções de incidência e sobrevida CI(to.t) = IA/S .

Mortalidade     Caso particular do conceito de incidência O evento de interesse é a morte Mortalidade geral Letalidade = medida da mortalidade restrita aos indivíduos que apresentam um determinado problema de saúde .

Prevalência  Casos existentes ou prevalentes – pessoas que adoeceram em algum momento do passado. – Casos presentes no momento da observação   Medida estática no processo dinâmico do adoecimento Observação única .

Prevalência      Planejamento de ações Administração de serviços de saúde Casos existentes = fatores determinantes da demanda por assistência médica Não relaciona causa e afeito P=IxD .

Indicadores de saúde Qualidade de vida e saúde .

Qualidade de vida e saúde Planejamento e avaliação de impacto  Elementos básicos – Qualidade de vida – Direito e acesso aos bens e serviços coletivos – Espaço social e histórico-cultural .

A constituição brasileira reconhece que a saúde não é uma simples resultante do ato de “ estar ou não doente”. mas sim a resposta complexa às condições gerais de vida a que diferentes populações estão expostas .

biológicos. ambientais. etc) sobre o estado de saúde de uma determinada população .Indicadores de saúde São medidas que procuram sintetizar o efeito de determinantes de natureza variada (sociais. econômicos.

Indicadores de saúde    Avalia. sob o ponto de vista sanitário. a higidez de agregados humanos Fornece subsídios ao planejamento de saúde Permite o acompanhamento das flutuações e tendências históricas do padrão sanitário .

Indicadores de saúde  Requisitos da OMS – Disponibilidade de dados – Simplicidade técnica que permita rápido manejo e fácil entendimento – Uniformidade – Sinteticidade – Poder discriminatório que permita comparações regionais e internacionais .

Indicadores de saúde         Alimentação e nutrição Educação Condições de trabalho e situação de emprego Consumo e economias Habitação e condições de moradia Vestuário e lazer Segurança social Liberdade humana .

sexo e idade – CID 10 – Padrão internacional .Indicadores de saúde  Estatísticas de mortalidade – Fonte habitual de informação no Brasil – Distribuição dos óbitos de residentes – Causa básica de morte.

Indicadores de saúde  Indicadores globais – Coeficiente de mortalidade geral – Razão de mortalidade proporcional – Esperança de vida  Indicadores específicos – Coeficiente de mortalidade infantil – Mortalidade materna – Mortalidade por doenças transmissíveis .

Indicadores de saúde  Expectativa de vida – É a medida do número esperado de anos a serem vividos. para uma determinada população . pelos indivíduos integrantes de uma coorte  Anos potenciais de vida perdidos – Expressa o efeito das mortes ocorridas precocemente em relação à duração de vida esperada. em média.

3. rede de esgotos Medem os recursos materiais e humanos relacionados às atividades de saúde Ex: nº de profissionais de saúde. nº de leitos hospitalares em relação à população . Traduzem diretamente a situação de saúde (ou sua falta) em um grupo populacional Ex: mortalidade e morbidade Referem às condições ambientais que influenciam a área de saúde Ex: abastecimento de água.MEDIDAS INDICADORES Grupos de indicadores de saúde (OMS) 1. 2.

num determinado ano. • Seu valor é afetado pela composição etária da população • Populações “velhas (paises desenvolvidos) – maior CMG que aquele verificado em populações jovens • Padronização – para comparar áreas com diferentes estruturas populacionais .Principais indicadores • Coeficiente de Mortalidade Geral: • Estima o risco de morrer a que está sujeita uma pessoa de uma determinada área.Mortalidade .

Principais indicadores • Coeficientes Específicos de Mortalidade por causas: • Estima o risco de morrer a que está sujeita uma pessoa por uma determinada causa • Expressa gravidade • Não abrangem todo o espectro de eventos que acometem a população (alta incidência com baixa letalidade) • Podem substituir indicadores de morbidade quando estes não estão disponíveis • Alta taxa de letalidade ~ da morbidade da população (ex. CA de pâncreas.Mortalidade . raiva) .

Mortalidade .Principais indicadores • Coeficientes Específicos de Mortalidade por causas evitáveis: • Causa evitáveis: doenças ou agravos que raramente ou nunca deveriam evoluir para óbito • Expressa baixa qualidade de serviços assistenciais .

Mortalidade .Principais indicadores • Coeficiente de Mortalidade por idade (faixas etárias): • A probabilidade de morrer está relacionada à idade. independente do sexo • Descreve o perfil de mortalidade por faixa etária • Coeficiente de Mortalidade Infantil .

de condições de vida e de desenvolvimento social de uma região • Interpretação • ≥ 50: alta • 20 – 49: Médio • < 20: baixo .Mortalidade .Principais indicadores • Coeficiente de Mortalidade Infantil: • Estima o risco de um nascido vivo morrer antes de completar um ano de vida • Ótimo indicador de saúde.

Mortalidade .Principais indicadores • Coeficiente de Letalidade: • Estima o risco de morrer por determinada doença dado que apresentou a doença • Expressa gravidade .

Principais indicadores • Mortalidade Proporcional: • Estima a fração de contribuição de determinada causa ou categoria com relação ou total de óbitos • Em < 1 ano – correlação com condições sociais e sanitárias • Em ≥ 50 anos de idade (Swaroop – Uemura) – correlação com condições sociais e de assistência .Mortalidade .

Mortalidade .Principais indicadores • Outros: • Coeficiente de mortalidade neonatal (0 a 28 dias) • Coeficiente de mortalidade pré-escolar (1 a 4 anos) • Coeficiente de mortalidade por doenças transmissíveis .

 . Um importante uso dos dados de mortalidade é para comparar duas ou mais populações ou uma população em diferentes períodos de tempo. Mas essas populações podem diferir em muitas características que afetam a mortalidade das quais a distribuição etária é a mais importante.

TAXAS DE MORTALIDADE TAXA PADRONIZADA (ajustada) Uma taxa que difere de uma taxa bruta por ter sido padronizada para uma população diferente (usualmente para uma população padrão) para remover a influencia de variáveis externas. . como idade.

As duas formas de padronização são DIRETA e INDIRETA. .

cronicidade (terapêutica)   Introdução de fatores que previnam a doença (profilático)  Aumento da incidência Elevado coeficiente de letalidade da doença  Aprimoramento de técnicas de diagnóstico   Introdução de fatores que permitam o aumento da cura de uma doença (terapêutica) ou  Imigração de doentes de outras Emigração de doentes para outras áreas áreas .Morbidade .Principais indicadores • Fatores que influem na magnitude dos coeficientes de prevalência Introdução de fatores que prolongam a vida dos pacientes sem curá-los .

Malária e outras doenças e começado a inverter a tendência atual • Reduzir pela metade. ter detido a propagação do HIV/Aids.Metas de Desenvolvimento do Milênio (1990 – 2015) * • Reduzir a mortalidade infantil em 2/3 • Reduzir o Coeficiente de Mortalidade Materna em 3/4 • Até 2015. até 2015. a proporção da população sem acesso permanente e sustentável a água potável segura. * ONU – Declaração do Milênio 8/09/2000 – 189 Estados membros .

paradoxalmente. expressam a falta ou ausência de saúde pois.Indicadores de saúde Os indicadores de saúde. são medidas de freqüência de óbitos em populações humanas . em sua maioria.