MEDIÇÃO DE ESPESSURAS

Apresentador: Josélio Sena Buarque Área: DVLF
MEDIÇÃO DE ESPESSURAS |
2009

INTRODUÇÃO

• É A UTILIZAÇÃO MAIS FREQUENTE DO ENSAIO POR ULTRA-SOM.
• NÃO NECESSITA DE ACESSO À PAREDE OPOSTA PARA EXECUÇÃO DO ENSAIO, O QUE PERMITE O ACOMPANHAMENTO DE DESGASTE DE UM COMPONENTE/EQUIPAMENTO SEM A NECESSIDADE DA INTERRUPÇÃO DO SEU FUNCIONAMENTO. • SIMPLICIDADE DE EXECUÇÃO. • RAPIDEZ NA EXECUÇÃO DO ENSAIO E OBTENÇÃO DOS RESULTADOS.

MEDIÇÃO DE ESPESSURAS |

2009

PRINCÍPIOS BÁSICOS
Introdução
Sons extremamente graves ou agudos, podem passar desapercebidos pelo aparelho auditivo humano, não por deficiência deste, mas por caracterizarem vibrações com frequências muito baixas , até 20Hz (infra-som) ou com frequências muito altas acima de 20 kHz (ultra-som), ambas inaudíveis.
Como sabemos, os sons produzidos em um ambiente qualquer, refletem-se ou reverberam nas paredes que consistem o mesmo, podendo ainda ser transmitidos a outros ambientes. Fenômenos como este, apesar de simples e serem frequentes em nossa vida cotidiana, constituem os fundamentos do ensaio ultra-sônico de materiais. No passado, testes de eixos ferroviários, ou mesmos sinos, eram executados através de testes com martelo, em que o som produzido pela peça, denunciava a presença de rachaduras ou trincas grosseiras pelo som característico. Assim como uma onda sonora reflete ao incidir num anteparo qualquer, a vibração ou onda ultra-sônica, ao percorrer um meio elástico; refletirá da mesma forma, ao incidir numa descontinuidade ou falha interna a este meio considerado. Através de aparelhos especiais, detectamos as reflexões provenientes do interior da peça examinada, localizando e interpretando as descontinuidades.
MEDIÇÃO DE ESPESSURAS |
2009

PRINCÍPIOS BÁSICOS

MEDIÇÃO DE ESPESSURAS |

2009

PRINCÍPIOS BÁSICOS • O ensaio por ultra-som é um método não destrutivo. no qual um feixe sônico de alta frequência é introduzido no material a ser inspecionado com o objetivo de detectar descontinuidades internas e superficiais. assim como todo exame não destrutivo. o exame ultra-sônico se tornou uma ferramenta indispensável para a garantia da qualidade de peças de grandes espessuras. • A maioria dos aparelhos para o ensaio por ultra-som detecta descontinuidades através da monitoração das reflexões sônicas transmitidas ao material através de um transdutor acoplado à peça. • Hoje. principalmente nas áreas de caldeiraria e estruturas marítimas. medição de espessuras e avaliação de corrosão. O som que percorre o material é refletido pelas interfaces e é detectado e analisado para determinar a presença e localização de descontinuidades presentes nos mais variados tipos ou formas de materiais ferrosos ou não ferrosos. MEDIÇÃO DE ESPESSURAS | 2009 . Pela análise destas reflexões é possível determinar a existência ou não de descontinuidades ou perda de material. o ensaio por ultra-som também é utilizado para detectar descontinuidades superficiais. geometria complexa de juntas soldadas e chapas. o exame ultra-sônico. visa diminuir o grau de incerteza na utilização de materiais ou peças de responsabilidades. na indústria moderna. O aparelho geralmente dispõe de um visor que possibilita determinar a intensidade da energia refletida e a localização das interfaces. Sua aplicação principal na inspeção de materiais é na detecção e avaliação de descontinuidades internas. • Portanto. entretanto.

PRINCÍPIOS BÁSICOS MEDIÇÃO DE ESPESSURAS | 2009 .

constitui uma ferramenta indispensável para garantia da qualidade de peças de grandes espessuras. Materiais não ferrosos são difíceis de serem examinados. os ensaios são aplicados em aços-carbonos. na moderna indústria. Na maioria dos casos. Hoje. Somente em l945 o ensaio ultrasônico iniciou sua caminhada em escala industrial. utilizaria o princípio da ecosonda ou ecobatímetro. o exame ultrasônico. Enquanto que 1942 Firestone. para exames de materiais. chapas. principalmente nas áreas de caldeiraria e estruturas marítimas. em menor porcentagem em aços inoxidáveis. geometria complexa de juntas soldadas. impulsionado pelas necessidades e responsabilidades cada vez maiores. fazia as primeiras aplicações da energia sônica para atravessar materiais metálicos. MEDIÇÃO DE ESPESSURAS | 2009 .PRINCÍPIOS BÁSICOS Campo de Aplicação Em 1929 o cientista Sokolov. e requerem procedimentos especiais.

separação de material) Inspeção de Soldas Detecção de Defeitos / Integridade IE s s Corrosão 0 2 4 6 8 10 Chapa Delaminação 0 2 D BWE 4 6 8 10 Medição de Espessuras IE = Pulso Transmitido D = Eco da Delaminação (defeito) BWE = Eco de fundo Detecção de Defeitos MEDIÇÃO DE ESPESSURAS | 2009 .PRINCÍPIOS BÁSICOS Aplicações da Inspeção Ultra-Sônica Sinal da Transmissão Direta F s 0 20 40 60 80100 x T Peça ß s a a' Defeito d 2 1 T R 1 T R 0 2 4 6 8 10 2 Defeito (inclusão.

Por exemplo. • Para interpretação das indicações. um defeito mostrado num filme radiográfico define o tamanho mas não sua profundidade e em muitos casos este é um fator importante para proceder um reparo. agilizando a inspeção. o ensaio ultra-sônico não requer planos especiais de segurança ou quaisquer acessórios para sua aplicação. avaliação do tamanho e interpretação das descontinuidades encontradas são fatores intrínsecos ao exame ultra-sônico. fissuras e outros de difícil detecção por ensaio de radiações Penetrantes (radiografia ou gamagrafia). • Ao contrário dos ensaios por radiações penetrantes. • No caso de radiografia ou gamagrafia. • A localização.LIMITAÇÕES EM COMPARAÇÃO COM OUTROS ENSAIOS Vantagens em relação a outros ensaios O método ultra-sônico possui alta sensibilidade na detectabilidade de pequenas descontinuidades internas. MEDIÇÃO DE ESPESSURAS | 2009 . existe a necessidade do processo de revelação do filme. por exemplo: • Trincas devido a tratamento térmico. que via de regra demanda tempo do informe de resultados. dispensa processos intermediários. enquanto que outros exames não definem tais fatores.

Em alguns casos de inspeção de solda. Faixas de espessuras muito finas. MEDIÇÃO DE ESPESSURAS | 2009 . constituem uma dificuldade para aplicação do método.LIMITAÇÕES EM COMPARAÇÃO COM OUTROS ENSAIOS Limitações em relação a outros ensaios • • • • Requer grande conhecimento teórico e experiência por parte do inspetor. Requer o preparo da superfície para sua aplicação. O registro permanente do teste não é facilmente obtido (depende do tipo de aparelho). existe a necessidade da remoção total do reforço da solda.

cuja amplitude do movimento será diminuído com o tempo em decorrência da perda de energia adquirida pela onda. ao contrário da técnica radiográfica. Qualquer onda mecânica é composta de oscilações de partículas discretas no meio em que se propaga. Superficiais (Rayleigh) e Lamb. que usa ondas eletromagnéticas. execute o movimento de oscilação em torno na posição de equilíbrio. então podemos classificar as ondas acústicas em quatro tipos: Longitudinais. Se assumirmos que o meio em estudo é elástico.VIBRAÇÕES MECÂNICAS Tipos de Ondas O teste ultra-sônico de materiais é feito com o uso de ondas mecânicas ou acústicas colocadas no meio em inspeção. Transversais. A passagem de energia acústica no meio faz com que as partículas que compõem o mesmo. mas que podem oscilar em qualquer direção. ou seja que as partículas que o compõem são rigidamente ligadas. MEDIÇÃO DE ESPESSURAS | 2009 .

todo o meio elástico vibra na mesma direção de propagação da onda (longitudinal). e aparecerá “zonas de compressão” e “zonas diluídas”. Desta maneira. No desenho acima nota-se que o primeiro plano de partículas vibra e transfere sua energia cinética para os próximos planos de partículas. MEDIÇÃO DE ESPESSURAS | 2009 . líquidos e gases.VIBRAÇÕES MECÂNICAS Ondas Longitudinais (Ondas de Compressão) São ondas cujas partículas oscilam na direção de propagação da onda. podendo ser transmitidas a sólidos. As distâncias entre duas zonas de compressão determinam o comprimento de onda (l). e passam a oscilar.

MEDIÇÃO DE ESPESSURAS | 2009 .VIBRAÇÕES MECÂNICAS Ondas Longitudinais (Ondas de Compressão) Direção de Propagação Direção de Oscilação Comprimento de Onda Este tipo de onda se propaga em todos os meios.

MEDIÇÃO DE ESPESSURAS | 2009 . este tipo de onda possui uma alta velocidade de propagação. característica do meio.VIBRAÇÕES MECÂNICAS Ondas Longitudinais (Ondas de Compressão) Em decorrência do processo de propagação.

Neste caso. pela características das ligações entre partículas. As ondas transversais são praticamente incapazes de se propagarem nos líquidos e gases. movendo-se apenas verticalmente. podendo ser transmitidas somente a sólidos. observamos que os planos de partículas mantém-se na mesma distância um do outro. As partículas oscilam na direção transversal a direção de propagação. quando as partículas do meio vibram na direção perpendicular ao de propagação. destes meios .VIBRAÇÕES MECÂNICAS Ondas Transversais (Ondas de Cizalhamento) Uma onda transversal é definida. MEDIÇÃO DE ESPESSURAS | 2009 . O comprimento de onda é a distância entre dois “vales” ou dois “picos”.

VIBRAÇÕES MECÂNICAS Ondas Transversais (Ondas de Cizalhamento) Direção de Propagação Direção de Oscilação Comprimento de Onda Este tipo de onda se propaga somente em sólidos. MEDIÇÃO DE ESPESSURAS | 2009 .

VIBRAÇÕES MECÂNICAS Ondas Transversais (Ondas de Cizalhamento) MEDIÇÃO DE ESPESSURAS | 2009 .

Ar Água Aço (long. • Ondas Transversais se propagam com menor velocidade devido à forma de oscilação.) 330 m/s 1480 m/s 5920 m/s 3250 m/s MEDIÇÃO DE ESPESSURAS | 2009 .) Aço (trans. • A velocidade de propagação depende principalmente da densidade () e do módulo de elasticidade do material (E). • Ondas Transversais só se propagam em meios sólidos.VIBRAÇÕES MECÂNICAS Resumo • Ondas Longitudinais se propagam em qualquer meio.

A unidade “ciclos por segundos” é normalmente conhecido por “Hertz”. abreviatura “Hz”.VIBRAÇÕES MECÂNICAS Frequência As ondas acústicas ou som propriamente dito. denominadas frequência ultra-sônica. frequência ultrasônica. se tivermos um som com 280 Hz.000 Hz são inaudíveis. ou seja. o número de ondas que passam por segundo pelo nossos ouvidos. Note que frequências acima de 20. significa que por segundo passam 280 ciclos ou ondas por nossos ouvidos. Assim sendo. são classificados de acordo com suas frequências e medidos em ciclos por segundo. Considera-se 20 kHz o limite superior audível e denomina-se a partir desta. MEDIÇÃO DE ESPESSURAS | 2009 .

Comprimento de onda Quando atiramos uma pedra num lago de águas calmas. podemos imaginar o que definimos anteriormente de frequência como sendo o número de ondas que passam por um observador fixo.VIBRAÇÕES MECÂNICAS Velocidade de Propagação Existem várias maneiras de uma onda sônica se propagar. Neste simples exemplo. Definimos “Velocidade de propagação” como sendo a distância percorrida pela onda sônica por unidade de tempo. sendo uma constante. e representaremos pela letra grega Lambda “λ“. A esta medida denominamos comprimento de onda. Também podemos imaginar a velocidade de propagação pela simples observação e ainda podemos estabelecer o comprimento entre dois picos de ondas consecutivos. imediatamente criamos uma perturbação no ponto atingido e formando assim. ondas superficiais circulares que se propagam sobre a água. independente da frequência. MEDIÇÃO DE ESPESSURAS | 2009 . e cada uma com características particulares de vibrações diferentes. É importante lembrar que a velocidade de propagação é uma característica do meio.

e comprimento de onda “λ“. pois a velocidade é em geral conhecida e depende somente do modo de vibração e o material. podemos relacionar estes três parâmetros como segue: V=λ. a faixa de frequência normal utilizada para aplicações industriais. Comprimento de Onda e Frequência Considerando uma onda sônica se propagando num determinado material com velocidade “V”. compreende entre 1 MHz até 5 MHz. permite calcular o comprimento de onda. No exemplo acima a frequência de 2 MHz corresponde a 2 milhões de ciclos por segundos ou seja 2 x 106 Hz. frequência “f”.VIBRAÇÕES MECÂNICAS Relações entre Velocidade. que também é conhecida. com frequência 2 MHz é utilizada para examinar uma peça de aço. Qual o comprimento de onda gerado no material ? Solução: Como vimos anteriormente. Por outro lado a frequência depende somente da fonte emissora.f A relação acima. Exemplo de aplicação: Uma onda longitudinal ultra-sônica. MEDIÇÃO DE ESPESSURAS | 2009 .

pois relaciona-se diretamente com o tamanho do defeito a ser detectado. Assim. Comprimento de Onda e Frequência Teremos: sendo V = 5900 m/s vem que: O conhecimento do comprimento de onda é de significante importância.VIBRAÇÕES MECÂNICAS Relações entre Velocidade. Em geral. MEDIÇÃO DE ESPESSURAS | 2009 .48 mm de diâmetro. o menor diâmetro de uma descontinuidade a ser detectada no material deve ser da ordem de λ/2. a mínima descontinuidade que poderemos detectar será de aproximadamente 1. se inspecionarmos um material de velocidade de propagação de 5900 m/s com uma frequência de 2 MHz .

retangular).GERAÇÃO DE ONDAS ULTRA-SÔNICAS Efeito Piezo-elétrico As ondas ultra-sônicas são geradas ou introduzidas no material através de um elemento emissor com uma determinada dimensão e que vibra com uma certa frequência. Este emissor pode se apresentar com determinadas formas (circular. surgem em sua superfície cargas elétricas. O cristal piezelétrico pode transformar a energia elétrica alternada em oscilação mecânica e transformar a energia mecânica em elétrica . Tanto o elemento emissor e receptor. a placa comporta-se como se estivesse sobre pressão e diminui de espessura. MEDIÇÃO DE ESPESSURAS | 2009 . O efeito inverso também é verdadeiro: se aplicarmos dois eletrodos sobre as faces opostas de uma placa de cristal piezelétrico. também designados por cabeçotes. Diversos materiais (cristais) apresentam o efeito piezelétrico. são denominados transdutores. Se tomarmos uma lâmina de certo formato (placa) e aplicarmos uma pressão sobre o mesmo. de maneira que possamos carregar as faces eletricamente.

É um processo de transformação da energia elétrica em energia mecânica e vice-versa.GERAÇÃO DE ONDAS ULTRA-SÔNICAS Efeito Piezo-elétrico A figura abaixo mostra a contração e expansão do cristal quando submetido a uma alta tensão alternada na mesma frequência ultra-sônica emitida pelo cristal. cuja forma depende da frequência de excitação e das dimensões do cristal. MEDIÇÃO DE ESPESSURAS | 2009 . emitindo uma onda longitudinal. Se tentarmos impedir esse movimento a placa transmite esforços de compressão às zonas adjacentes. Tal fenômeno é obtido aplicando-se eletrodos no cristal piezelétrico com tensão elétrica alternada da ordem de centenas de Volts. de maneira que o mesmo se contrai e se estende ciclicamente.

Cristal.GERAÇÃO DE ONDAS ULTRA-SÔNICAS Tipos de Cristais Materiais piezelétricos são: o Quartzo. Existem três tipos usuais de transdutores: Reto ou Normal . Os cristais acima mencionados são montados sobre uma base de suporte (bloco amortecedor) e junto com os eletrodos e a carcaça externa. mas também a sensibilidade da recepção (resolução). o Angular e o Duplo . translúcido e duro como o vidro. Esses dois cristais são os melhores emissores. o Titanato de Bário. O Sulfato de Lítio é um cristal sensível a temperatura e pouco resistente. se comparadas com aquelas produzidas por cristais de quartzo. o Metaniobato de Chumbo e o Zirconato .Titanato de Chumbo são materiais cerâmicos que recebem o efeito piezelétrico através de polarização. interessa não só a potência de emissão.Titanato de Chumbo (PTZ). constituem o transdutor ou cabeçote propriamente dito. O Quartzo é um material piezelétrico mais antigo. Para a inspeção ultra-sônica. A freqüência ultra-sônica gerada pelo cristal dependerá da sua espessura. sendo cortado a partir de cristais originários no Brasil. O Titanato de Bário e Zirconato . cerca de 1 mm para 4 MHz e 2 mm para 2 MHz. MEDIÇÃO DE ESPESSURAS | 2009 . o Sulfato de Lítio. produzindo impulsos ou ondas de grande energia.

GERAÇÃO DE ONDAS ULTRA-SÔNICAS Transdutores/Cabeçotes Conector Cristal Amortecedor Retardo / Camada Protetiva Resistor Cabo Cabeçote Cabeçote Cabeçote Angular MEDIÇÃO DE ESPESSURAS | 2009 Reto/Normal Duplo Cristal .

O bloco amortecedor tem função de servir de apoio para o cristal e absorver as ondas emitidas pela face colada a ele. com diâmetros de 5 a 24 mm.5 e 6 MHz. Estes ecos retornam ao transdutor e gera. MEDIÇÃO DE ESPESSURAS | 2009 . originando o que chamamos ecos.2 . com freqüência de 0. A face de contato do transdutor com a peça deve ser protegida contra desgastes mecânico podendo utilizar membranas de borracha finas e resistentes ou camadas fixas de epoxi enriquecido com óxido de alumínio. Em geral os transdutores normais são circulares.5 . no mesmo. o sinal elétrico correspondente.1 .5 .GERAÇÃO DE ONDAS ULTRA-SÔNICAS Transdutores Normais ou Retos São assim chamados os cabeçotes monocristal. Outros diâmetros e frequências existem.2. Os transdutores normais são construídos a partir de um cristal piezelétrico colado num bloco rígido denominado de amortecedor e sua parte livre protegida ou por uma membrana de borracha ou por uma resina especial. geradores de ondas longitudinais normal a superfície de acoplamento. O transdutor emite um impulso ultra-sônico que atravessa o material a inspecionar e reflete nas interfaces. porém para aplicações especiais.

GERAÇÃO DE ONDAS ULTRA-SÔNICAS Transdutores Normais ou Retos O transdutor normal tem sua maior utilização na inspeção de peças com superfícies paralelas ou quando se deseja detectar descontinuidade na direção perpendicular à superfície da peça. fundidos e forjados. MEDIÇÃO DE ESPESSURAS | 2009 . O diâmetro do transdutor pode variar dependendo da aplicação. Na Figura ao lado utiliza-se um transdutor miniatura com 5 mm de diâmetro para estudo de pontos de corrosão de uma peça. É o exemplo de chapas.

somente recebe ondas ou impulsos ultra-sônicos que penetram na cunha em uma direção paralela à de emissão. 45. após a emissão dos impulsos. Como na prática operamos normalmente com diversos ângulos (35. inserindo uma cunha de plástico entre o cristal piezelétrico e a superfície. 60. O ângulo nominal . MEDIÇÃO DE ESPESSURAS | 2009 . sob o qual o feixe ultra-sônico penetra no material vale somente para inspeção de peças em aço. A cunha de plástico funciona como amortecedor para o cristal piezelétrico. diferem dos transdutores retos ou normais pelo fato do cristal formar um determinado ângulo com a superfície do material. A mudança do ângulo deve-se à mudança de velocidade no meio. sendo então englobada pela carcaça. porém necessitam de maiores cuidados no manuseio. se o material for outro. A cunha pode ser fixa. O ângulo é obtido. Neste último caso temos um transdutor normal que é preso com parafusos que fixam a cunha à carcaça. ou intercambiável. O cristal piezelétrico com dimensões que podem variar entre 8 x 9 mm até 15 x 20mm.GERAÇÃO DE ONDAS ULTRA-SÔNICAS Transdutores Angulares A rigor. em sentido contrário. 70 e 80 graus) esta solução é mais econômica já que um único transdutor com várias cunhas é de custo inferior. deve-se calcular o ângulo real de penetração utilizando a Lei de Snell.

GERAÇÃO DE ONDAS ULTRA-SÔNICAS Transdutores Angulares O transdutor angular é muito utilizado na inspeção de soldas e quando a descontinuidade está orientada perpendicularmente à superfície da peça. MEDIÇÃO DE ESPESSURAS | 2009 .

no qual dois cristais são incorporados na mesma carcaça. Neste caso. o aparelho deve ser ajustado para trabalhar agora com 2 cristais. desenvolveu-se o transdutor de duplocristal. separados por um material acústico isolante e levemente inclinados em relação à superfície de contato. somente um transdutor que separa a emissão da recepção pode ajudar. Quando se trata de inspecionar ou medir materiais de reduzida espessura. São conectados ao aparelho de ultra-som por uma cabo duplo. Cada um deles funciona somente como emissor ou somente como receptor. a “zona morta” existente na tela do aparelho impede uma resposta clara. MEDIÇÃO DE ESPESSURAS | 2009 . O cristal piezelétrico recebe uma “resposta” num espaço de tempo curto após a emissão. sendo indiferente qual deles exerce qual função. ou quando se deseja detectar descontinuidades logo abaixo da superfície do material. Para tanto. não tendo suas vibrações sido amortecidas suficientemente.GERAÇÃO DE ONDAS ULTRA-SÔNICAS Transdutores Duplo-Cristal ou SE Existem problemas de inspeção que não podem ser resolvidos nem com transdutores retos nem com angulares.

os transdutores duplos não podem ser usados para qualquer distância (profundidade). Fora desta zona a sensibilidade se reduz. deve se verificar qual a faixa de espessura que se pretende medir e qual o modelo ideal para esta aplicação. Possuem sempre uma faixa de inspeção ótima. Em geral. O transdutor duplo-cristal tem sua utilização maior. isto é. por ocasião da aquisição deste transdutor. Em certos casos estes transdutores duplos são utilizados com “focalização”. acima de 3 mm de profundidade e em medição de espessura. o feixe é concentrado em uma determinada zona do material para a qual se deseja máxima sensibilidade. Devido a esta inclinação. que deve ser observada. MEDIÇÃO DE ESPESSURAS | 2009 .GERAÇÃO DE ONDAS ULTRA-SÔNICAS Transdutores Duplo-Cristal ou SE Os cristais são montados sobre blocos de plástico especial de baixa atenuação. na detecção de descontinuidades próximas da superfície. em razão do seu feixe sônico ser focalizado.

Esta camada de ar impede que as vibrações mecânicas produzidas pelo transdutor se propague para a peça em razão das características acústicas (impedância acústica) muito diferente do material a inspecionar. imediatamente estabelece uma camada de ar entre a sapata do transdutor e a superfície da peça. ( Z = r x V ) e representa a quantidade de energia acústica que se reflete e transmite para o meio. Em geral podemos calcular as frações de energia sônica que é transmitida e refletida pela interface entre dois materiais diferentes usando as seguintes fórmulas: MEDIÇÃO DE ESPESSURAS | 2009 . A impedância acústica "Z" é definida como sendo o produto da densidade do meio ( r ) pela velocidade de propagação neste meio ( V ) .GERAÇÃO DE ONDAS ULTRA-SÔNICAS Acoplantes Ao acoplarmos o transdutor sobre a peça a ser inspecionada.

condições técnicas.GERAÇÃO DE ONDAS ULTRA-SÔNICAS Acoplantes Como exemplo podemos citar que a interface água e aço . deve-se usar um líquido que estabeleça uma redução desta diferença. Os acoplantes devem ser selecionados em função da rugosidade da superfície da área de varredura. dimensões da área de varredura e posição para inspeção. Tais líquidos. e permita a passagem das vibrações para a peça. o tipo de material. MEDIÇÃO DE ESPESSURAS | 2009 . A tabela abaixo descreve alguns acoplantes mais utilizados. apenas transmite 12% e reflete 88% da energia ultra-sônica. tipo da peça. forma da peça. denominados líquido acoplante são escolhidos em função do acabamento superficial da peça. Por esta razão.

uma série de pulsos elétricos controlados. como posição na tela graduada e se constituem no registro das descontinuidades encontradas no interior do material. que podem ser regulados tanto na amplitude. O aparelho de ultra-som é basicamente um osciloscópio projetado para medir o tempo de percurso do som na peça ensaiada através da relação: S = V x T onde o espaço percorrido (S) é proporcional do tempo (T) e a velocidade de propagação (V). que permitem transmitir ao cristal piezelétrico. através do cabo coaxial. MEDIÇÃO DE ESPESSURAS | 2009 .APARELHAGEM Basicamente. o aparelho de ultra-som contém circuitos eletrônicos especiais. transformados pelo mesmo em ondas ultra-sônicas. Os sinais captados no cristal são mostrados na tela em forma de pulsos luminosos denominados “ecos”. no material.

dependendo do modelo. Operam com transdutores Duplo-Cristal.APARELHAGEM Descrição dos Aparelhos Medidores de Espessuras por Ultra-Som Os medidores de espessura por ultra-som podem se apresentar com circuitos digitais ou analógicos. e possuem exatidão de décimos ou até centésimos. registrando no display o espaço percorrido. MEDIÇÃO DE ESPESSURAS | 2009 . e são aparelhos simples que medem o tempo do percurso sônico no interior do material . através da espessura. a própria espessura. ou seja.

APARELHAGEM Descrição dos Aparelhos Medidores de Espessuras por Ultra-Som São aparelhos bastante úteis para medição de espessuras de chapas. Porém para a obtenção de bons resultados. com o ajuste correto da velocidade de propagação do som do aparelho. MEDIÇÃO DE ESPESSURAS | 2009 . usando blocos com espessuras calibradas e do mesmo material a ser medido. é necessário sua calibração antes do uso. tubos e taxas de corrosão em equipamentos industriais.

Em geral os blocos apresentados a seguir. conforme a faixa de espessura a ser medida. a leitura das duas diferentes espessuras não deve variar mais que 0. Se ambos os valores indicados estiverem corretos. O instrumento deve ser ajustado para indicar a espessura correta das duas graduações selecionadas. verificar se o instrumento / transdutor está sendo aplicado na faixa especificada pelo fabricante. A calibração do aparelho medidor de espessura deve ser feita usando blocos escalonados com faixas de espessuras próximas da peça a ser medida. Se o instrumento estiver corretamente calibrado. se o ajuste da velocidade de propagação sônica no instrumento está corretamente calibrado ou ajustado. Os ajustes devem ser feitos de acordo com as instruções do fabricante. MEDIÇÃO DE ESPESSURAS | 2009 . Se não for possível atingir um ou ambos os valores. construído com material de mesma velocidade e atenuação sônica do material a ser medido.APARELHAGEM Calibração do Aparelho O instrumento deve ser ajustado para a faixa de espessura a ser medida usando o bloco padrão graduado e calibrado conforme sugerido na Figura seguinte. assim como. deve ser feita usando no mínimo duas espessuras no bloco. o instrumento estará apto para uso. A calibração do instrumento para uso.2 mm. podem servir de guia.

APARELHAGEM Calibração do Aparelho MEDIÇÃO DE ESPESSURAS | 2009 .

e maior exatidão das medidas.APARELHAGEM Calibração do Aparelho A norma ASTM E-797 padroniza os métodos de medição de espessuras. Para medições a altas temperaturas. e portanto a medição deve ser feita de forma rápida com resfriamento subseqüente em água. MEDIÇÃO DE ESPESSURAS | 2009 . na mesma temperatura da peça. É importante saber que o cristal no transdutor não suporta altas temperaturas. Valor da espessura real aproximada é determinada através da aplicação direta da fórmula indicada abaixo: Para uma melhor precisão nas medidas sobre superfícies com alta temperatura. recomenda-se correções devido à temperatura da peça dos valores lidos no aparelho medidor de espessura. é recomendado calibrar o aparelho num bloco separado com características iguais ao material que será medido.

• Acoplar o cabeçote sobre o bloco de calibração com um acoplante (alguns aparelhos tem luz indicativa do acoplamento). ajustar no controle de calibração para a medida correta. conforme instruções do aparelho. • Selecionar o bloco de calibração. repetindo a etapa (5) caso necessário. • Caso a medida lida no aparelho não corresponda a medida real do bloco. • Ler a medida após a espera de alguns segundos para estabilizar a leitura (alguns aparelhos tem luz indicativa de estabilização). de modo que a faixa calibrada (espessura de calibração + 25%) englobe as espessuras a serem medidas (o padrão embutido no aparelho é de 5 mm de espessura). • Repetir 3 vezes as etapas (3) e (4) para confirmar a correta calibração.APARELHAGEM Calibração do Aparelho Sequência de Ajuste • Ajustar a velocidade do som para o material a ser medido. MEDIÇÃO DE ESPESSURAS | 2009 .

óxidos e quaisquer outras impurezas que possam interferir no acoplamento do cabeçote e na precisão das medidas. as ferramentas devem obedecer aos seguintes requisitos: • Ser de aço inoxidável ou revestida com este material. a superfície deve ser esmerilhada até o desaparecimento da corrosão. haverá erro na espessura real remanescente. Em superfícies com corrosão superficial severa. A limpeza de uma região com aproximadamente 50 mm de diâmetro é suficiente para a execução do ensaio. No caso de aços inoxidáveis e ligas de níquel. • Os discos de corte e esmerilhamento devem ter alma de nylon ou similar. dependendo das impurezas a serem removidas. Sem este cuidado. carepas. lixamento ou esmerilhamento. A preparação da superfície pode ser executada por escovamento. MEDIÇÃO DE ESPESSURAS | 2009 .PREPARAÇÃO DA SUPERFÍCIE A superfície da peça a ser medida deve estar limpa e livre de tintas (exceto para alguns aparelhos).

• Ler a medida após a espera de alguns segundos para estabilização da leitura. • Registrar a menor das medidas. A linha de separação dos cristais do cabeçote deve ficar transversal ao eixo do tubo. No caso de medição de espessuras em tubulações e outras peças cilíndricas.EXECUÇÃO DA MEDIÇÃO DE ESPESSURAS A medição de espessuras é feita de acordo com a seguinte sequência: • Estando o aparelho calibrado conforme visto anteriormente. • Repetir mais duas vezes as etapas (1) e (2) para confirmar a medida. deve-se acoplar o cabeçote sobre a superfície previamente preparada utilizando um acoplante apropriado. MEDIÇÃO DE ESPESSURAS | 2009 . deve-se observar a orientação da separação dos cristais do cabeçote (somente no caso de cabeçotes duplo-cristal).

tais como a dificuldade de acoplamento sobre a superfície e corrosão.EXECUÇÃO DA MEDIÇÃO DE ESPESSURAS Outros fatores podem gerar erros ou impossibilidade de medições. MEDIÇÃO DE ESPESSURAS | 2009 .

por exemplo). deve. segundo os requisitos das normas (ASME Seção V e Petrobrás N-1594. ser executada com um procedimento qualificado.PROCEDIMENTO DE ENSAIO A medição de espessuras. MEDIÇÃO DE ESPESSURAS | 2009 . embora seja um ensaio extremamente simples.

Horácio Macedo. N° 354 .CEP 21941-911 Tel.br) DVLF/Laboratório de Metalografia Av.: 21 2598-6341 Fax: 21 2598-6459 MEDIÇÃO DE ESPESSURAS | 2009 .JOSÉLIO SENA BUARQUE (buarque@cepel.Cidade Universitária Rio de Janeiro – RJ .