SUMÁRIO

:


 

Elementos do acto administrativo
Requisitos de validade Os Vícios


As invalidades do acto
Formas e regimes
 

Nulidade Anulabilidade

BIBLIOGRAFIA DIOGO FREITAS DO AMARAL, Curso de Direito Administrativo, Vol. II, 2001, Almedina, Coimbra, pp. 203 ss.  MARCELO REBELO DE SOUSA/ANDRÉ SALGADO DE MATOS, Direito Administrativo Geral, Tomo. III, Dom Quixote, Lisboa, 2007, pp. 67 ss.  JOSÉ EDUARDO FIGUEIREDO DIAS/FERNANDA PAULA OLIVEIRA, Noções fundamentais de direito administrativo, Almedina, Coimbra. 2005, pp. 139 ss.

actos administrativos: visão prática

licenciamento de uma obra de construção ou de uma operação de loteamento Declaração de utilidade pública de uma expropriação ou de uma requisição de um imóvel


indeferimento do pedido de concessão de asilo
indeferimento do pedido de reversão de prédio expropriado

pena de suspensão, na sequência de processo disciplinar

Acto administrativo: conceito

é um acto jurídico, praticado por um órgão da Administração Pública no exercício do poder administrativo e que traduz uma decisão tendente a produzir efeitos jurídicos sobre uma situação individual e concreta: artigo 120.º CPA

Acto administrativo

é uma estatuição autoritária relativa a um caso concreto, emanada por uma entidade administrativa no exercício da função administrativa e que se destina a produzir efeitos jurídicos externos, positivos ou negativos (ROGÉRIO SOARES);

o estrutura do a. lícito. que é o ente. ter atribuições e competências). sendo que este tem que ter existência.Escola de Coimbra. sendo que as exigências de validade estão arrumadas segundo quatro itens:  conteúdo = transformação jurídica que o acto visa produzir = comando. idóneo e legítimo)  Estatuição ou declaração afirmada em cada a. Sujeito (que pratica o acto.  a forma  o fim  procedimento  .  Objecto (rectius. isto é. que suporta os efeitos do acto.. coisa. objecto mediato. determinável. a. tem que estar legitimado. compreensível e verdadeiro. a. O conteúdo tem que ser possível. tem que ser possível física e juridicamente. pessoa ou acto anterior.

Quanto à estrutura do acto administrativo. mais conforme com a jurisprudência administrativa e com a lei . propõe-se uma outra leitura  Mais neutra.

Que distingue os seguintes elementos:  Subjectivo: relativo aos sujeitos  Objectivo: relativo ao conteúdo e objecto  Formal: relativo à forma e às formalidades  Funcionais: relativo ao fim e aos motivos .

Requisitos de validade  São as exigências que a lei faz relativamente a cada um dos elementos do acto .

no sentido de a lei o considerar como suporte legítimo dos efeitos que o acto vai produzir. Elementos subjectivos e Requisitos subjectivos de validade    dizem respeito ao autor e ao destinatário do acto o autor tem que estar legitimado. . ser titular da atribuições e de competência o destinatário deve ser identificado e idóneo.1.

não podendo sofrer de impedimento. 2. O acto deve inscrever-se no âmbito das atribuições da entidade a que pertence o órgão que o emite E deve decorrer do exercício de uma competência E pressupõe que o órgão que o emite está concretamente legitimado para o exercício da competência. Tratando-se de um órgão colegial. 3.Assim. deve estar regularmente constituído e convocado . quanto ao autor do acto: 1.

inteligíveis e legais. Elementos objectivos e requisitos objectivos de validade  dizem respeito ao conteúdo (ou objecto imediato) e ao objecto (mediato) do acto têm que ser material e juridicamente possíveis. no sentido de compatíveis com o bloco de legalidade  Ambos .2.

que integra a decisão tomada (exemplos: nomear.  O conteúdo desdobra-se em conteúdo principal. que inclui as cláusulas acessórias (de termo. e conteúdo acessório. condição e modo) e os fundamentos da decisão.No que respeita ao conteúdo O conteúdo é a substância da conduta voluntária em que o acto consiste. punir).  .

Quanto ao objecto  O objecto (mediato) traduz a realidade exterior (o quid) sobre que o acto incide. Ele pode corresponder a uma coisa. pessoa ou um acto primário. .

O objecto (mediato) do acto  Tem que ser possível (possibilidade física e jurídica)  Determinado (identificado ou identificável)  Idóneo .

do respeito pelas posições subjectivas dos particulares (art.º 3 CRP. n. da proporcionalidade. da justiça. da boa fé.º.º 2 CRP) As cláusulas acessórias dos actos não podem ser contrárias ao fim a que o acto se destina (art. 266. 268.ª CPA) O conteúdo de determinados actos deve necessariamente incluir a sua fundamentação ( art.º. 121.Ainda quanto aos requisitos de validade do conteúdo O conteúdo do acto tem que respeitar os princípios da igualdade. n. e art.º CPA) . 124.

º. n.º 3 da CRP. uma exigência absoluta de fundamentação de todos os actos. 124. CPA:  .A propósito do conteúdo acessório do acto  Os fundamentos do acto também aparecem no conteúdo secundário do acto. e no art. contudo. Há uma exigência formal do dever de fundamentação: está consagrada no art. Não há. em relação a actos que afectem direitos e interesses legalmente protegidos. ao lado do conteúdo principal. 268.º e ss.

. sendo certo que isto implica que explique quais foram os interesses proponderantes para a tomada de decisão.Assim: O agente administrativo está obrigado a apor ao acto administrativo uma declaração na qual demonstre a verificação em concreto dos pressupostos abstractamente definidos na lei: é a justificação e este é um elemento da fundamentação. E deve dar conta da motivação.

Em suma:  A fundamentação traduz-se na declaração contida no acto administrativo por intermédio da qual o seu autor expõe os fundamentos de facto e de direito da sua decisão (como dispõe o artigo 125.º do CPA) .

tem-se a fundamentação como ausente (art. Se assim não for. 125. suficiente e congruente (n. 125. n.Requisitos da fundamentação (art.º 1) e deve ser clara.º 2).º.º.º 1)   A fundamentação deve ser expressa e sucinta a expor os fundamentos de facto e de direito da decisão (n. .º 2). n.

Elementos formais e requisitos formais de validade = falamos da forma e das formalidades do acto. . Estas são os trâmites que a lei manda observar com vista a garantir a correcta formação da decisão administrativa.   Todo o acto tem uma forma pela qual se exterioriza ou se manifesta a vontade E todo o acto obedece a formalidades. bem como o respeito pelos direitos e interesses dos particulares.3.

E a regra supletiva para os actos praticados pelos órgãos colegiais é a da forma oral.Requisitos quanto à forma  os actos administrativos devem revestir a forma legalmente prescrita. n.º. n.º. A regra supletiva para os actos praticados por órgãos singulares é a da forma escrita simples (art.º 2 CPA). 122.  . sem prejuízo da sua redução a acta (art. 12.º1 CPA).

Contudo: A lei permite que os actos sejam praticados sob forma oral quando a lei não prescreva especificamente a forma escrita e a forma oral seja imposta pela natureza do acto e pelas circunstâncias em que é praticado (art.º. 121.º 1 CPA). . a forma escrita solene).  É ainda necessário verificar se alguma norma legal estabelece uma forma específica para determinado acto (por exemplo. n.

 As formalidades anteriores coincidem com as formalidades procedimentais    A audiência prévia dos interessados Os pareceres obrigatórios.requisitos relativos às formalidades os actos devem observar todas as formalidades essenciais que lhes sejam anteriores ou concomitantes. .

pois.  . Elementos funcionais e requisitos funcionais de legalidade do acto: falamos do fim ou dos motivos do acto e ambos requisitos quanto ao fim: por força do princípio da prossecução do interesse público e do princípio da legalidade.  Exige-se. sendo que o fim prosseguido por um acto administrativo tem que ser aquele definido por lei. uma coincidência entre o fim real e o fim legal. os actos administrativos devem prosseguir o fim de interesse público.4.

Vícios do acto ou ilegalidades:  Os vícios são as formas específicas que a ilegalidade do acto pode revestir por os requisitos de validade dos mesmos não terem sido seguidos .

Aos vícios corresponde um desvalor jurídico  Uma   invalidade: A nulidade A anulabilidade .

º 2 e legislação especial .º. n.Actos nulos:  Nulidade por natureza  Nulidade por determinação legal  Artigo 133.

Actos anuláveis  Todos os outros que padeçam de vícios para os quais não deva corresponder a nulidade  Artigo 135.º do CPA .

Vejamos:  Cada elemento do acto  os respectivos vícios  e os desvalores jurídicos correspondentes .

Quanto ao Sujeito:  Usurpação de poder = nulidade: art. n.º. 133.º  Falta de legitimação = anulabilidade ou nulidade. b)  Incompetência = anulabilidade: art.º.º 2. conforme as situações . a)  Incompetência absoluta = nulidade: art 133. 135.º 2. n.

violando o princípio da separação de poderes.Vejamos cada um deles: A usurpação de poder  É um vício grave que consiste na prática por órgãos da AP de um acto incluído nas atribuições do poder legislativo ou do poder judicial.º 2. nos termos do art. a) CPA  . n. 133.º. A sanção: nulidade.

º 2. n. .Incompetência absoluta = nulidade: art.º. 133. b)  É um vício grave que consiste no facto de um órgão de uma pessoa colectiva (ou de um Ministério) praticar um acto que é da atribuição de outro órgão de outra pessoa colectiva ou de outro Ministério.

na situação em concreto para exercer a sua competência. nos termos do artigo 51. . nos termos do artigo 133. falta de quórum nos órgãos colegiais (22.º CPA (situação de impedimento)  O órgão actua sem estar qualificado. nº 2. ou à anulabilidade. 44. há impedimento (art.º). falta de investidura.º). assim acontecendo quando falta a autorização para agir. g).Falta de legitimação  pode conduzir à nulidade.

Quanto aos elementos formais: o vício de forma   regra = anulabilidade: art. 135.º. salvo quando se deva considerar graves os vícios procedimentais Inclui a preterição de formalidades anteriores à prática do acto   Falta de parecer obrigatório Falta de audiência dos interessados .

135. art.º 2. n. impossibilidade física e jurídica e ausência do carácter do objecto = nulidade. c) . 133.Outros vícios:  Desvio de poder (falta de coincidência entre fim real e fim legal) = anulabilidade: art.º  Violação de lei (desconformidade com o bloco de juridicidade) = anulabilidade  Inexistência.

º e 134.º e 136. .O regime das invalidades  nulidade (artigo 133. sendo que uma é mais grave e severa que a outra.º CPA)  anulabilidade (artigo 135.º CPA).

134.REGIME DA NULIDADE = ART.º CPA: total improdutividade jurídica  não vinculatividade e inexecutoriedade  irrelevância do decurso do tempo  Insanabilidade  desnecessidade de declaração jurisdicional ou administrativa  possibilidade geral de conhecimento  possibilidade de conhecimento oficioso  irrevogabilidade  possibilidade de juridificação dos efeitos putativos  .

Deste regime  Decorrem as seguinte consequências .

º 3).que: a nulidade é insanável.  . quer por ratificação. por força do decurso do tempo. quer pelo decurso do tempo. reforma ou conversão.º. n. 134.  O acto nulo não é susceptível de ser transformado em acto válido. por isso não é revogável (o que não quer dizer que. não se possam atribuir certos efeitos jurídicos a situações resultantes de actos nulos (cfr.

º.Que o acto nulo é totalmente ineficaz desde o início. .º1). n. 134. não produzindo qualquer efeito (art.

que:  os particulares e os funcionários públicos têm o direito de desobedecer a quaisquer ordens que constem de um acto nulo. Na medida em que este não produz efeitos. nenhum dos seus imperativos é obrigatório. .  os particulares têm o direito de resistência passiva perante a execução coactiva de um acto nulo.

uma vez que a sua impugnação não está sujeita a prazo.º. . os termos do artigo 58.º 2 CPA.e  um acto nulo pode ser impugnado a todo o tempo.º. n. n.º 1 CPTA ex vi do artigo 134.

 o reconhecimento de judicial da existência de uma nulidade toma a forma de declaração de nulidade e tem natureza meramente declarativa. .finalmente o pedido de reconhecimento da existência de nulidade de um acto pode ser feito junto de qualquer tribunal e não apenas junto dos tribunais administrativos e a nulidade pode ser reconhecida a todo o tempo por qualquer órgão administrativo.

REGIME DA ANULABILIDADE = ART.º CPA: possibilidade de produção de efeitos jurídicos  vinculatividade e executoriedade  consolidação por decurso do tempo  sanabilidade  necessidade de anulação jurisdicional ou revogação administrativa  carácter retroactivo da revogação ou anulação  carácter restrito da competência para o seu conhecimento  necessidade de alegação perante os tribunais  revogabilidade  . 136.

embora inválido. E. por isso. enquanto não for anulado ou suspenso.º 2 a contrario) . juridicamente eficaz até ao momento em que venha a ser anulado ou suspenso.Ou seja:  o acto anulável. n. produz efeitos e é. produz todos os seus efeitos como se fosse válido (artigo 127.

reforma ou conversão. 58.º. como veremos. se não for objecto de revogação oficiosa pela AP ou de impugnação pelo interessado dentro de um certo prazo (3 meses e um ano para o MP ex vi do art. como por ratificação. transformando-se em acto inopugnável ou acto inimpugnável. donde decorre o caso decidido. acaba por se transformar num acto inatacável.Ou seja:   A anulabilidade é sanável.º 2 CPTA). Ele deixa de ser impugnável. n. Quer isto dizer que o acto anulável. quer pelo decurso do tempo. .

enquanto não for anulado. legítima. quer para os particulares.e   o acto anulável é obrigatório. A execução coactiva de um acto anulável é. consequentemente não é possível opor qualquer resistência à execução forçada de um acto anulável. . pois. quer para os funcionários públicos.

º.º 2. n.E também  o acto anulável só pode ser impugnado dentro de um determinado prazo que a lei estabelece e que é um prazo curto:   3 meses para o particular 1 ano para o Ministério Público (artigo 58. respectivamente b) e a) do CPTA) Atenção ao efeito de caso decidido  .

devendo colocar a situação de acordo com a situação hipotética actual que existiria se o acto anulado não tivesse sido praticado. acontecendo sob a forma de sentença constitutiva.E finalmente   a anulação deve acontecer nos tribunais administrativos e o reconhecimento de que o acto é anulável determina a anulação. . sendo que esta produz efeitos retroactivos.

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