INFLUÊNCIA DA ADUBAÇÃO NITROGENADA SOBRE CARACTERÍSTICAS MORFOLÓGICAS DO QUIABEIRO DESTINADO A PRODUÇÃO DE SEMENTES

PABLO FERNANDO SANTOS ALVES(1); MARCOS KOITI KONDO; GABRIEL BELFORT RODRIGUES; RODINEI FACCO PEGORARO; ANDRÉIA MÁRCIA SANTOS DE SOUZA DAVID;SIDNEI TAVARES DOS REIS; IGOR SANTOS ALVES
(1) Universidade

Estadual de Montes Claros - Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas- Departamento de Ciências Agrárias; agrotecnico10@yahoo.com.br

INTRODUÇÃO
Entre as culturas com potencial de exploração da produção de sementes na região Norte de Minas Gerais destaca-se a cultura do quiabo (Abelmoschus esculentus). De maneira geral, a obtenção de sucesso na atividade de produção de sementes de hortaliças está associada há uma série de fatores. Dentre esses, merece atenção especial a nutrição mineral de plantas, tema esse que vem recebendo maior atenção na área de Tecnologia de Produção de Sementes. Com relação ao nitrogênio (N), esse nutriente favorece o crescimento vegetativo, aumentando o número e o tamanho das folhas, e, portanto, a área foliar da cultura. Com o aumento na superfície capaz de realizar a fotossíntese, há um aumento da capacidade produtiva da cultura. Desse modo, o N beneficia todas as espécies de hortaliças, FILGUEIRA [1]. O grande problema quanto a prática da adubação nitrogenada é a necessidade de medidas que busquem aumentar a eficiência dos fertilizantes, pois grande parte dos adubos minerais a base de N é solúvel em água, liberando rapidamente as formas mais sujeitas a perdas no sistema solo-planta-atmosfera. Desta forma, o objetivo do presente trabalho foi avaliar o efeito da adubação nitrogenada utilizando ureia com polímero de liberação controlada em comparação a ureia convencional sobre alguns aspectos técnicos relacionados a produção de sementes de quiabo destinado a nas condições da região norte de Minas Gerais.

RESULTADOS e DISCUSSÃO

As variáveis altura de plantas (ALTP) e altura de inserção do primeiro fruto (ALTF) não foram afetadas pela adubação nitrogenada. Quanto ao florescimento, no que se refere no número de dias da semeadura até a antese de 50% das plantas das parcelas (DSA), é possível observar na Tabela 1 que somente a combinação da fonte ureia com polímero de liberação controlada e a dose de 144 kg ha-1 de nitrogênio diferiu das testemunhas T0 e T1. Este fato pode ter sido evidenciado pela alta mortalidade de plantas nas bordaduras das parcelas nesse tratamento devido à alta sensibilidade das sementes de quiabo a volatilização da amônia, e associado a isso o fato da fonte de nitrogênio ureia com polímero ter sido aplicada toda no plantio. Essa ocorrência, pode ter culminado no aumento da taxa fotossintética das plantas restantes nas parcelas, fato este, relatado por alguns autores como determinante no florescimento do quiabeiro. O momento ideal para a colheita dos frutos de quiabeiro para a produção de sementes com alto potencial fisiológico tem sido caracterizado pelo aumento da relação carbono: nitrogênio nos mesmos, situação evidenciada pela mudança de tonalidade verde para a tonalidade amarelo palha marrom clara, sem que ainda o pedúnculo esteja seco. Sendo assim, possivelmente a fonte de nitrogênio menos solúvel liberou o nitrogênio de maneira mais lenta para as plantas, diminuindo as perdas por volatilização e talvez com isso tenha retardado o aumento dessa relação nas plantas e consequentemente nos frutos, o que se caracterizou na manutenção dos tecidos verdes das plantas por um período maior, retardando a colheita (DAC) (Tabela 2).
Tabela 1. Valores médios das variáveis altura de plantas (ALTP), altura de inserção do primeiro fruto (ALTF), número de dias da semeadura a antese (DSA), número de dias da antese a colheita (DAC) ALTP ALTF DSA DAC TRATAMENTOS cm cm dias dias Ureia + U. Polímero 48 207 94 74 44 Ureia + U. Polímero 72 237 94 74 42 Ureia + U. Polímero 96 203 97 75 44 Ureia + U. Polímero 120 214 111 75 47 Ureia + U. Polímero 144 210 82 66 + * 46 Uréia comum 48 226 98 75 35 Uréia comum 72 213 89 76 38 Uréia comum 96 198 94 77 44 Uréia comum 120 218 96 75 38 Uréia comum 144 203 105 77 45 Testemunha 1 (T1) 216 105 74 43 Testemunha 0 (T0) 229 90 76 38
Médias seguidas de asterisco (*) diferiram estatisticamente da testemunha zero (T0) e; médias seguidas do símbolo mais (+) diferiram estatisticamente da testemunha um (T1) pelo teste de Dunnett a 0,05 de p.

MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi conduzido em uma área da empresa QUALIHORT SEMENTES LTDA, localizada no município de Nova Porterinha-MG, no Perímetro Irrigado do Gorutuba. O solo foi classificado como Cambissolo Háplico, EMBRAPA [2]. Utilizou-se o delineamento fatorial [(2 x 5) + 2], em blocos casualizados com 4 repetições. As fontes testadas foram: 1) ureia comum (20% no plantio e 80% em três coberturas: 20, 40 e 60 DAE); 2) mistura comercial de ureia convencional (30%) mais ureia com polímero de liberação controlada (70%), contendo 40,45% de N, aplicada toda no plantio. As doses testadas foram: 48, 72, 96, 120 e 144 kg de N ha-1. Os tratamentos adicionais ao fatorial foram o T0 (testemunha, sem adubação nitrogenada) e o T1 (ureia com polímero de liberação controlada com 38,5% de N) na dose de120 kg ha-1, aplicada toda no plantio. A semeadura foi em 23 de dezembro de 2011 com três sementes tratadas do cultivar Santa Cruz 47 por cova. Posteriormente mantevese somente uma planta por cova, com 0,2 m entre plantas e 0,8 m entre linhas de covas. Das parcelas com 16 plantas (4 linhas x 4 plantas linha-1), utilizaram-se as quatro plantas centrais. Os tratos culturais seguiram as recomendações para a cultura. Foram avaliadas a altura final de plantas (ALTP), a altura de inserção do fruto (ALTF), o número de dias entre a semeadura e o início da antese em 50 % das plantas das parcelas (DSA) e, o número de dias da antese ao início da colheita (DAC). As características avaliadas foram submetidas à análise de variância (teste F). Para a comparação das médias de tratamento em relação às testemunhas aplicou-se o teste de Dunnet a 5% de probabilidade.

Tabela 2. Valores médios da variáveis altura de plantas (ALTP), altura de inserção do primeiro fruto (ALTF), número de dias da semeadura a antese (DSA), múmero de dias entre a antese e a colheita (DAC) ALTP ALTF DAS DAC Fonte de nitrogênio cm cm dias Dias Uréia com polímero 214 a 96 a 73 b 45 a Uréia comum 211 a 96 a 76 a 40 b CV (%) 10,71 15,79 6,89 13,59
Médias seguidas de uma mesma letra nas colunas não diferiram estatisticamente pelo teste F;

CONCLUSÕES
Nas condições desse estudo, a altura de plantas (ALTP) e a altura de inserção do primeiro fruto (ALTF) de quiabo não são influenciadas pela adubação nitrogenada. A adubação nitrogenada utilizando ureia comum não influencia o florescimento do quiabeiro no que diz respeito ao número de dias da semeadura a antese. Doses elevadas de uréia com polímero de liberação controlada reduz o número de dias da semeadura à antese. A fonte de nitrogênio com polímero de liberação controlada retarda a ocorrência do estádio fenológico de colheita dos frutos de quiabo destinados à extração das sementes.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

APOIO:

[1] FILGUEIRA, F.A.R. Quiabo, uma contribuição africana. Novo manual de olericultura: agrotecnologia moderna na produção e comercialização de hortaliças. 3 ed. Viçosa: UFV, 2008. 394-399p. Cap. 24. [2] EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA. Centro Nacional de Pesquisas de Solos. Sistema brasileiro de classificação de solos. Rio de janeiro, 1999. 412p.