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Manejo de Fertilizantes em Hortaliças

Prof. Marcelo Morais Januária 2011

Introdução
• As culturas oleráceas são altamente exigentes em nutrientes. Com isso geralmente ocorre:
– Adubação em excesso; – Adubação desequilibrada; – Falta de orientação agronômica.

• Objetivo da fertilização: fornecer os nutrientes limitantes para obtenção de alta produtividade nas hortaliças.

– Poluição do meio ambiente.• Quando aplicados em excesso o que acontece com os nutrientes? – Lixiviação. – A produção não é maximizada. – escoamento superficial. • Conseqüências: – Perda de dinheiro. .

– maior eficiência no uso dos fertilizantes. – maiores produtividades. – menor risco de eutrofização de águas e poluição do lençol freático. . – oferta constante de produto de qualidade ao consumidor. – menores chances de salinização do solo. – maior eficiência no uso da mão-de-obra.• O adequado manejo de fertilizante traz as seguintes vantagens no sistema produtivo: – maior eficiência do uso da terra.

– Pode ser modificado profundamente. • As propriedades físicas são mais relevantes que as químicas? Por quê? . – Pode ser até dispensado (hidroponia). – meio para o desenvolvimento das raízes.Solo e Fornecimento de Nutrientes • O solo é o substrato natural para produção agrícola.

Cl.• São 14 os nutrientes reconhecidos como essenciais aos vegetais: – Macronutrientes • Principais: N. mas não são reconhecidos como essenciais. Mn. Fe. Mo. K • Secundários: Ca. • Nutrientes principais e secundários é uma questão de conceito para comercialização. Ni • Si. Na e Co beneficiam algumas culturas. Mg . P. Zn. Cu. S – Micronutrientes: B. .

Condições do solo. em suas partes comerciáveis. • A quantidade exportada e ou extraída depende: – – – – – – Tipo de cultivar. Disponibilidade de água. maior quantidade de nutrientes/ha do que outras culturas. . Ciclo da cultura. Variações climáticas. Produtividade obtida.Extração e Exportação de Nutrientes • Oleráceas extraem do solo e exportam.

a correção e a adubação são imprescindíveis. . Dessa forma.Geralmente. a fertilidade natural dos solos não satisfaz as elevadas exigências nutricionais das culturas oleráceas.

. • A aplicação de calcário dolomítico em solos ácidos é prática obrigatória e fator de aumento na eficiência de uso de macronutrientes pelas hortaliças.Manejo de fertilizantes • O programa de fertilização de hortaliças engloba: – adição de calcário. – matéria orgânica. aumentando a produtividade. – adição de macro e micronutrientes.

quase sempre. – aumento na disponibilidade de P. de altas . – aumento na disponibilidade de MO.• A resposta positiva das plantas à calagem está associada. a efeitos indiretos como: – redução dos efeitos deletérios concentrações de Al e Mn.

5 em hortaliças . Al3+ + [2 – (Ca2+ + Mg2+)] Usar 3 a 3. Neutralização do Al3+ e da elevação dos teores de Ca2+ e Mg2+. Princípio da saturação de bases.Cálculo da necessidade de calagem • A recomendação de calagem pode ser baseada em dois métodos: 1. • Fórmula geral para cálculo da necessidade de calagem (NC) NC = 2. 2.

5.• A NC calculada não considera a textura do solo. o qual tem efeito no poder tampão da acidez. • A quantidade de calcário é determinada de acordo com o PRNT. – Solos arenosos (<15% de argila ou Prem>35) deve ser diminuída em 25% a NC – Em solos argilosos (>35% de argila ou Prem<15) deve ser acrescida em 25% a NC • Em função do maior potencial produtivo das hortaliças tem-se usado uma soma de Ca e Mg ideal de 3 a 3. superfície e profundidade de incorporação. .

• Exemplo de NC: • • • • Al3+ = 0.2 Solo argiloso = Prem < 15 = acrescentar 25% de calcário – NC = 2. Al3+ + [3 – (Ca2+ + Mg2+)] • Exemplo de QC: • Cenoura = 40 cm a ser incorporado • PRNT = 80% – QC = NC x 100/PRNT x PF/20 PRNT = poder relativo de neutralização total = quanto de calcário irá reagir em um período de ~ 3 anos .4 Mg2+ = 0.8 Ca2+ = 0.

– NC = 2.4 + 0.5 ton/ha . de incorporação = 20 cm – QC = NC x 100/PRNT x PF/20 • QC = 5 x 100/80 x 40/20 • QC = 12. 0.2)] • NC = 4 ton/ha x 1.25 (25%) = 5 ton/ha PRNT = 100% Prof.8 + [3 – (0. Al3+ + [3 – (Ca2+ + Mg2+)] • NC = 2.

sugere-se aplicar metade da dose antes da primeira aração e a outra metade após a primeira gradagem e antes da segunda gradagem ou passagem de enxada rotativa. • Para maior uniformidade de distribuição.• O calcário deve ser o mais fino possível e aplicado com antecedência mínima de três a quatro meses antes do plantio. • A gleba deve ser molhada pela chuva ou irrigação. Por quê? .

O enxofre é fornecido como íon acompanhante no superfosfato simples e no sulfato de amônio. dos quelatos orgânicos ou sintéticos (principalmente EDTA) e as fritas (silicatos) ou FTE. há disponibilidade das fontes inorgânicas (óxidos e sulfatos de Cu e Zn. sulfato de amônio. . molibdato de sódio ou amônio). cloreto e nitrato de potássio.Adubação • As fontes mais solúveis dos macronutrientes são as preferidas: uréia. superfosfato simples e triplo. bórax. ácido bórico. nitrocálcio. • No caso dos micronutrientes. mono e diamônio fosfato.

– N e K podem ser lixiviados ou arrastados da área por precipitação intensa ou irrigação mal executada.• Normalmente. os fertilizantes são colocados no momento do plantio das sementes ou do transplante das mudas. . podendo causar danos às mudas recém-transplantadas. • O parcelamento é justificado por quê? – Altas [N e K] aumentam momentaneamente a [salina] da solução do solo. complementadas por aplicações ao longo do ciclo da cultura.

– espaçamentos mais amplos tem os fertilizantes distribuídos na linha da plantio ou nas covas.• Geralmente. . – As quantidades adicionais de N e K são feitas em diversas coberturas. toda a quantidade dos micronutrientes. grande parte ou toda a quantidade de fósforo e porções (10 a 40%) do N e do K são adicionadas ao sulco imediatamente antes do transplante das mudas. • Aplicação dos fertilizantes: – espaçamentos estreitos tem aplicação de fertilizantes feita a lanço em área total.

• Na literatura existem tabelas que mostram a classe de fertilidade em função do teor de argila no solo para P e para K. podendo ser usados.• Os resultados das análises de solo podem ser utilizados no estabelecimento das doses referenciais de calcário. fósforo e potássio. para os micronutrientes. . com mais restrições. – De acordo com a classe de fertilidade existe a recomendação da quantidade a aplicar.

Cultura Variação de dose recomendada (Kg/ha) Nitrogênio Abóbora Alface Alho Baroa Batata Beterraba Cebola Cenoura Melancia Melão Pepino Pimentão Repolho Tomate 60 150 80 0 190 100 120 120 120 100-120 120 150 150 100-400 P2O5 0-150 50-400 100-250 0-180 50-420 0-300 50-300 0-400 0-200 120-240 0-300 50-300 50-400 300-1200 K2O 40-100 0-120 20-80 0-90 0-350 0-240 0-180 80-320 60-150 100-300 60-250 0-240 0-240 200-800 .Doses de N. P2O5 e K2O constantes nas recomendações para uso de fertilizantes a serem aplicadas às hortaliças em MG.

Método simplificado para recomendação de fertilizantes Interpretação dos resultados de fósforo e potássio disponíveis do solo .

Recomendação de NPK aplicado na linha de plantio (N e K) para culturas oleráceas PeK disponíveis Baixo Médio Alto Oleráceas (kg/ha) N P2O5 K2 O 150 270 a 420 150 180 a 270 150 90 a 120 P2O5 e K2O tem a mesma recomendação .

Tipos de adubos utilizados em hortaliças • • • • Sulfato de Amônio = 20% de N Uréia = 44% de N Superfosfato simples = 18% P2O5 Mono Amônio Fosfato (MAP) = 9% de N e 51% P2O5 • Cloreto de Potássio = 58% K2O • Sulfato de Potássio = 48% K2O .

4 mg/dm3 → faixa (P alto) – K3 = 154 mg/dm3 → faixa (k alto) • Recomendação – P e K alto → N= 150 kg/ha.Exemplo prático (área agroindústria) • Interpretação: – P rem = 47.4 mg/l (>35)→ P3 = 236. P2O5 e K2O = 90 a 120 kg/ha • Fontes de adubos – Uréia – Cloreto de potássio – SS .

– Aumenta a vida microbiana útil . – A estrutura. • A aplicação favorece: – Capacidade de penetração e retenção de água.Adubação orgânica • A incorporação de materiais orgânicos melhoram as condições físicas e biológicas do solo. o arejamento e a porosidade dos solos. porém são pouco eficientes em nutrientes.

Pode ser veiculo de fitopatógenos de solo.• A maioria dos olericultores tem valorizado a aplicação de esterco animal. Presença de resíduos fitotóxicos de herbicidas. . • Alguns inconvenientes na aplicação de esterco bovino – – – – Propágulos de plantas daninhas. • A sua utilização vai depender de: – Custo do transporte e da aplicação. – Disponibilidade do material orgânico. Mal curtido pode prejudicar a germinação e a emergência na semeadura direta ou plantio de mudas. principalmente em regiões de bovinocultura desenvolvida.

Palavra Final sobre Adubação • Deve ser recomendada por um agrônomo. Dentre outras. . Experiência pessoal do olericulor. Interação da adubação com outras praticas agrícolas. • Vai depender de cada situação: – – – – – – – – Aspectos físicos e químicos dos solos. Exigências da espécie e da cultivar. Condições agroclimáticas. Dados experimentais e observações regionais. Produtividade e valor esperado de produção.