ESCOLA SUPERIOR MADRE CELESTE CURSO DE LETRAS- HABILITAÇÃO EM INGLÊS E ESPANHOL

LITERATURA BRASILEIRA-SÉCULOS XX-XXI PROF.ª MS. EDIMARA SANTOS

FELICIDADE CLANDESTINA: JÁ NÃO ERA UMA MENINA COM UM LIVRO E SIM UMA MULHER COM SEU AMANTE

DISCENTES: IVANEIDE LEITE MÔNICA SIMÕES

OBJETIVO ANALISAR O CONTO FELICIDADE CLANDESTINA DE CLARICE LISPECTOR A PARTIR DE SUA ESTÉTICA LITERÁRIA .DANDO DESTAQUE À FORTUNA CRÍTICA DA AUTORA. .

Até doze anos viveu em Recife onde estudou até o início do curso secundário quando veio para o Rio de Janeiro. . Seus pais eram imigrantes russos. •Veio para o Brasil com dois meses de idade.CLARICE LISPECTOR •Clarice Lispector nasceu na Ucrânia em 1925 e morreu no Rio de Janeiro ao 52 anos de idade.

 Na literatura.  De 1945 aos nossos dias tem-se a Literatura Contemporânea. ao lado de obras que mantinham certa preocupação social e davam continuidade até ao regionalismo.MOMENTO HISTÓRICO LITERÁRIO  Clarice Lispector é um dos principais nomes da literatura Modernista de 1945. . começaram a se destacar produções literárias em que a grande novidade era a pesquisa em torno da própria linguagem literária.

sonoridade etc. metáforas. o romance). símbolos. meio e fim”. Sua narrativa subverte com frequência a estrutura dos tradicionais gêneros narrativos (o conto. e funde a prosa à poesia ao fazer uso constante de imagens. assim como a ordem cronológica. .CARACTERÍSTICAS LITERÁRIAS DE CLARICE LISPECTOR •Introduzia em nossa literatura novas técnicas de expressão. que obrigavam a uma visão de critérios avaliativos. a novela. antítese. quebra a sequencia “começo.

. um beijo. Aspecto inovador da prosa de Clarice é o fluxo de consciência que consiste em explorar a temática psicológica de modo tão profundo que o assunto nunca é completamente explorado. um olhar. um susto. ( o termo epifania tem sentido religioso.) esse processo pode ser irrompido a partir de fatos banais do cotidiano: um encontro. significando “revelação”. as personagens de Clarice vivem também um processo epifânico.  Além do fluxo de consciência.

Concluísse. mas sempre inventa uma desculpa para não entregar o livro a ela. Porém. que a felicidade deve ser descoberta a todos os momentos e nas coisas mais simples. ¹ Disponível em:http://guiadoestudante.br/estudar/literatura/felicidade-clandestina-analiseobra-clarice-lispector-703828. como comprovou a própria irmã da escritora dizendo que se lembra da “menina má”. Até que a mãe da menina má descobre isso e entrega o livro para a narradora.shtml . já que nem ela mesma pode se conscientizar de sua própria felicidade para que esse sentimento não acabe. portanto. Dessa forma. Esta crônica tem um cunho autobiográfico. este livro é de uma menina má que o oferece emprestado para a narradora.com. só para se redescobrir possuidora dele. Uma vez que ela ganhou permissão para ficar com o livro pelo tempo que desejasse. que passa a saborear o livro como se fosse um amante.abril. ela o deixa no quarto e finge esquecer que o possui. sua felicidade aparece como um sentimento “clandestino”.¹ O ponto central desse texto é o conceito de “felicidade”.FELICIDADE CLANDESTINA Nesta crônica a narradora em primeira pessoa conta sua primeira experiência com um livro.

. de forma a impossibilitar o contato da leitora e seu objeto de desejo: o livro. tamanha era a felicidade. em que é possível tornar conciso o tempo. Ter o livro em mãos transmitia um indecifrável sentimento na menina. o espaço e restringir o número de personagens. que ela. saboreava lentamente “aquela coisa clandestina”. esta exercia seu poder maquiavelicamente (podendo ser caracterizada como antagonista da história).ANÁLISE DA OBRA Segundo Cândida Vilares Gancho (2003) o conto é uma narrativa curta. estremecida de satisfação. No conto “Felicidade clandestina” a menina má é identificada pela narradora como o principal obstáculo entre os leitores e os livros. que possui características centrais.

para essa personagem. 1998. concluí-se que a leitura é. do prazer era tamanha.Pode-se identificar esse desejo de ler da narradora/protagonista como definidor do título do conto: “Felicidade clandestina”. A felicidade e magia da literatura. que a menina sonhadora fazia questão de "esquecer" que estava com o livro para depois ter a "surpresa" de achá-lo: "Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com seu amante. Assim. 10). p. + ." (LISPECTOR. a felicidade clandestina.

cheia de adjetivações. o que chama a atenção da crítica é o modo bem particular e inovador que Lispector tem de escrever. Nunes identifica na ficção lispectoriana uma “temática marcadamente existencial” ligada a certos tópicos da filosofia da existência. (SILVA. pag. ela propõe uma nova visão temática e estrutural da ficção. dos sentidos.pdf) "Jamais triunfante.se. o primeiro crítico brasileiro a se pronunciar sobre Lispector.A CRÍTICA À CLARICE LISPECTOR Desde o inicio. nas reflexões de Clarice Lispector sobre o ato de escrever. O não-lugar da língua – a escrita transgressora de Clarice Lispector) •Antonio Candido. ao fazer . provocadora. Benedito.se e ao compreender . (Disponível em http://www." ( NUNES. das emoções humanas e que leva o leitor a refletir sobre a existência humana.145) .pitt. com a forte presença das sensações.pitt. autodilacerada. Não é senão esse autodilaceramento que se revela. O Drama da Linguagem.edu/~hispan/iili/IntroLispector.edu/~hispan/iili/IntroLispector. A linguagem utilizada é lúdica. é uma escritura conflitiva. diretamente construída para produzir significado. que mostra a complexidade do pensamento. tematizado. viu na escritora a possibilidade de um “aprofundamento da expressão literária” no Brasil . das repetições e de clichês linguísticos. que problematiza. Trata-se de uma escrita arbitrária. (Disponível em http://www. as relações entre linguagem e realidade.pdf) •Benedito Nunes foi o crítico que mais se aprofundou na dimensão filosófico existencialista da ficção de Lispector incluído mais tarde em O drama da Linguagem (1989). a escritura de Clarice Lispector.Lígia Michele.

autoconhecimento. com a obra Memórias sentimentais de João Miramar e com Serafim Ponte grande.dominiotemporario. Benedito.são os nomes mais promissores da renovação da forma ou da técnica romanesca.” (Moisés 2001. Talvez não estranhe que o fizesse. o predomínio da consciência reflexiva. O Drama da Linguagem.156) •“Clarice Lispector fala sempre de si própria.realidade. o nome de Clarice Lispector e esteve sempre associado ao do escritor Oswald de Andrade.dominiotemporario.existência e liberdade. 340) •De acordo com Alfredo Bosi (1995).pdf) .com/doc/05_artigo_-_clarice_lispector_-_ligia_mychelle_de_melo_silva. de acordo com Sérgio Buarque de Holanda (1950).com/doc/05_artigo_-_clarice_lispector__ligia_mychelle_de_melo_silva.o eu e o mundo. p. já que os cronistas não raro empregam a primeira pessoa do singular. ( NUNES.•A temática da maioria das obras de Clarice Lispector é compreendida como uma temática marcadamente existencial como: inquietação. Clarice rompe com o enredo factual. para tecer reminiscências ou narrar fatos do cotidiano. Clarice com sua obra inicial (Perto do coração selvagem) juntamente com Oswald.conhecimento das coisas e relações intersubjetivas.pdf) •Ao se falar de inovação na linguagem romanesca.humanidade e animalidade. pag.o grotesco e /ou o escatológico e o descortínio silencioso das coisas. (Disponível em:http://desenredos.contemplação. faz uso intensivo da metáfora insólita e se entrega ao fluxo de consciência. (Disponível em:http://desenredos.

a descrição mínima de personagens. A autora revela uma intrigante tentativa de investigar as camadas mais densas da consciência humana na procura de compreender o sentido da existência. . o uso de espaço mais psicológico do que físico. como exemplo.CONSIDERAÇÕES FINAIS O conto Felicidade Clandestina trás em sua composição aspectos do pósmodernismo. dentre outros. Através de uma aparente linguagem simples. a escritora mergulha numa análise psicológica do ser humano. a inovação em relação à linguagem. revelando assim uma permanente preocupação em alcançar a verdade escondida na aparente simplicidade das palavras.

php?option=com_content&view=article&id=36 2&catid=64 .O não-lugar da língua – a escrita transgressora de Clarice Lispector. SILVA. 1989.com.blogspot.REFERÊNCIAS    LISPECTOR.html  http://www. Clarice.interpoetica.edu. 2010.com. Piauí  http://esteticaliteraria.br:8080/xmlui/handle/123456789/1601  http://maryas2paixao. Rocco.São Paulo.com/site/index.1998.br/2012/12/os-aspectos-do-pos-modernismo-pre sente_6359. NUNES. Editora.Lígia Michele.blogspot.br/2009/01/clarice-lispector-estilo. Benedito.unijui. O Drama da Linguagem. Felicidade Clandestina (Contos). Rio de Janeiro.html  http://bibliodigital.Átila.