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Gato que brincas na rua

Fernando Pessoa

13 de Junho de 1888 — Lisboa. foi um poeta. .Biobibliografia de Fernando Pessoa • Fernando António Nogueira Pessoa (Lisboa. filósofo e escritor português. 30 de Novembro de 1935). mais conhecido como Fernando Pessoa.

És feliz porque és assim. Todo o nada que és é teu Eu vejo-me e estou sem mim. Bom servo das leis fatais Que regem pedras e gentes.Gato que brincas na rua Gato que brincas na rua Como se fosse na cama. Invejo a sorte que é tua Porque nem sorte se chama. Conheço-me e não sou eu. Janeiro de 1931 . Que tens instintos gerais E sentes só o que sentes.

Estrutura Interna • O texto apresentado é um poema porque através de várias palavras o sujeito poético exprime os seus sentimentos. . • O tema deste poema é a dor de pensar associada à oposição entre o consciente e o inconsciente e à saudade da infância.

do qual o sujeito poético sente inveja. .• Na 1ª quadra o sujeito poético apresente uma cena normal do quotidiano que é um gato a brincar na rua. • Na 3º quadra o sujeito poético sente-se infeliz e opõe-se ao estado de espírito do gato. • Na 2º quadra o gato é apresentado como um ser consciente do seu destino enquanto que o sujeito poético o receia. invejandoo.

.• Ao longo do poema o sujeito poético revela a sua infelicidade “Eu vejo-te e estou sem mim/Conheço-me e não sou eu” bem como um sentimento de inveja e admiração perante a consciência da felicidade do gato e da aceitação do seu destino “Invejo a sorte que é tua”. • O sujeito poético demonstra através de uma nostalgia e tom sentimentalista a sua incapacidade de deixar de pensar e conseguir ser feliz. “E sentes só o que tens”.

cada uma com 4 versos. denominadas de quadras.Estrutura Externa • O poema divide-se em 3 estrofes. • Todos os versos do poema são constituídos por sete sílabas métricas denominadas de heptassílabos. Ex: Ga/to/que/brin/cas/na/ru/a .

B Invejo a sorte que é tua A Porque nem sorte se chama. B Bom servo das leis fatais C Que regem pedras e gentes. F • Todas as rimas do poema são cruzadas. . E Conheço-me e não sou eu.Gato que brincas na rua A Como se fosse na cama. D Que tens instintos gerais C E sentes só o que sentes. D És feliz porque és assim. E Todo o nada que és é teu F Eu vejo-me e estou sem mim.

• “Bom servo das ideias fatais”./Que tens instintos gerais”.Figuras de estilo • “Gato que brincas na rua/Como se fosse na cama”.é uma metáfora que revela conformidade do gato perante o seu destino. . • “Que regem pedras e gentes.é uma anáfora que pretende reforçar a ideia da vivência despreocupada do gato.é uma comparação que serve para demonstrar a simplicidade dos gestos do gato.

é uma antítese que revela os sentimentos contrários existentes ao longo de todo o poema. • “E sentes só o que sentes”.repetição e assonância.• “Todo o nada que és é teu/Eu vejo-te e estou sem mim”. .