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Processo penal

Considerações iniciais: O regramento da vida humana sob os aspectos do direito e do processo penal

O direito penal estabelece normas de abstenção de comportamento sociais nocivos
impessoalidade

Direito penal

imperatividade

generalidade

• O processo penal somente será aplicado a partir da violação de uma norma penal: INFRAÇÃO PENAL
• CONCEITO: “Direito Processual Penal é o conjunto de princípios e normas que disciplinam a composição das lides penais, por meio da aplicação do Direito Penal Objetivo”. (CAPEZ, Fernando. Curso de processo penal. São Paulo: Saraiva, 5ª ed., pag. 01, 2004).

Finalidade do Processo Penal: propiciar a adequada solução jurisdicional do conflito de interesse entre o Estado-Administração e o infrator. ônus e sujeições processuais. obrigações. direcionados à preparação de um provimento final. . faculdades. Relação jurídica é aquela que se estabelece entre os sujeitos do processo (Estado-Juiz . é a seqüência de atos procedimentais até a sentença.Infrator): Aqui se aplicam os chamados princípios constitucionais do processo Relação jurídica processual formada entre os sujeitos do processo (juiz e partes). Procedimento:consiste em uma seqüência ordenada de atos interdependentes. pela qual estes titularizam inúmeras posições jurídicas: direitos.Titular da Ação Penal) .

que é a de pacificar os conflitos sociais.• O processo visto como relação jurídica tem por teleologia a finalidade. . Esta visão pode ser traduzida.

1ª ed. na cátedra. 1. está aquele que deve ser julgado”. deverá ser mais que o homem: um homem que se aproxima de Deus”. 24. p.• “ O juiz. Allan Helder. diante dele. para ser sê-lo. • “O juiz é soberano. . O réu na tutela antecipatória. . Abaixo. OLIVEIRA. citado por Oliveira (2001. 25)¹. no alto. está sobre.2001. Belo Horizonte:mandamentos. Francesco Carnelutti.

.

Fontes do direito Processual penal

Constituição (art. 22, I e par. Único)

Leis (Tráfico de drogas, Falência, etc)

Súmula vinculante (art. 103-A da CF, inserida pela EC nº. 45/04)

A partir da violação da norma em vigor, surge direito concreto para o Estado de punir o infrator – (jus puniendi)

• Infração penal – crime ou contravenção penal. • O monopólio estatal de distribuição de justiça sempre passará pelo PODER JUDICIÁRIO – (Art. 5º, inciso XXXV da CF).

O processo penal brasileiro
• Sistemas processuais
• Conceito: conjunto de regras aplicáveis para a solução da lide penal. • Elementos: • Apuração da infração penal; • Formulação da acusação; • O rito a ser observado; • O julgamento do réu; • Recursos existentes; • Normas relativas à execução de eventual pena imposta

acusar e julgar.Sistemas processuais Inquisitivo (não há separação das funções de julgar e acusar. não há contraditório e ampla defesa) Acusatório há nítida separação das funções de investigar. Aplica-se os princípios constitucionais de garantia processual Misto (É uma junção dos dois anteriores) . é sigiloso.

• Em sentido estrito é acusatório. pois. os princípios são diferentes. nele coexistem os dois sistemas – inquisitivo e acusatório. na fase processual propriamente dita. Guilherme Nucci e outros. Fernando Tourinho e outros. . pois.O sistema processual brasileiro • Em sentido amplo – é misto.

Princípios do processo Penal • Para o Processo em geral. irredutibilidade dos vencimentos. • d) O princípio do devido processo legal (art. 5º. LIII).5º. XXXVII). • b) a proibição de tribunais de exceções (art. LIV). • c) O princípio do juiz natural (art. inamovibilidade. 5º. . 95 CF): Vitaliciedade. temos: • a) As garantias da magistratura (art.

5º. 5º. 5º. LX). LV). 5º. • h) assistência jurídica gratuita aos hipossuficientes (art.• e) assegura-se aos litigantes em processos judiciais ou administrativos. • f) proibição de utilização de provas no processo obtidas por meios ilícitos (art. e aos acusados em geral o contraditório e ampla defesa (art. • g) publicidade dos atos processuais (art. LVI). . LXXIV).

134 do CPC arts.• i) a garantia da coisa julgada (art. art.ex. 5º. • l) garantia do juiz imparcial (exclui juiz impedido ou suspeito . • j) duplo grau de jurisdição (decorre do sistema constitucional .art. III). 93. . 102. XXXVI). • m) garantia da fundamentação das decisões (art. IX). 252 e 254 do CPP).

a instrução contraditória. defesa técnica). com paridade de armas.• Princípios constitucionais do processo penal • 1) ampla defesa (adoção do sistema acusatório. . determinando a realização de provas ex officio. a apresentação formal da acusação. que permite alcançar a verdade real. • 3) o poder inquisitivo do juiz na produção das provas. a citação regular. • 2) o contraditório.

pelo ofendido ou por qualquer pessoa. a não ser em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente. • IV . .é perseguido. logo após. • III . armas.4) A proibição da prisão. em situação em situação que faça presumir ser o autor da infração. 302 do CPP: • I .art. objetos ou papéis que façam presumir ser ele o autor da infração.está cometendo a infração penal. salvo. com instrumentos.acaba de cometê-la.. logo após. pela autoridade. (atua antes do processo) – .situações de flagrante delito . • II ..é encontrado.

• 5) nota de culpa • comunicação formal dos motivos da prisão em flagrante a quem acaba de ser preso. • No impedimento ou recusa do réu em assinar a nota de culpa. será certificado tal situação e se colherá a assinatura de duas testemunhas. . com a indicação da autoridade responsável pelo seu interrogatório.

• V – o relaxamento da prisão por autoridade judiciária. • III – o direito ao silêncio. quando a lei admitir a liberdade provisória. • IV – o direito a identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório policial. • VI – a proibição de se levar a prisão ou nela ser mantido.• 6) o conduzido tem direito de: • I – ter a comunicação da prisão e do local onde se encontre a pessoa a quem ele indicar. LXII a LXVI). 5º. em caso de ilegalidade desta. . com ou sem fiança (art. • II – ter a assistência da família e de advogado.

com cópia integral do instrumentalização da prisão em flagrante .449. . à Defensoria Pública.lembrar que o juiz deve comunicado no mesmo prazo. sem advogado. no prazo de 24 hs. alterou o § 1º do artigo 306 do CPP.• Nota: A Lei nº 11. determinando-se que o preso em flagrante. terá o direito de ter sua prisão comunicada. de 15 de janeiro de 2007. com a cópia também completa.

• 7) a proibição de identificação criminal a quem for identificado civilmente (art. 5º. LIX). . LVIII). 5º. • 8) ação penal privada nos crimes de ação pública. se esta não for intentada pelo MP (art.

isto é. 1º da LICC a lei começa a vigorar em todo país 45 dias. entre a sua entrada em vigor e a sua revogação. Esta situação é excepcional. . depois de publicada. O período de espera é o vacatio legis. • b) “Extratividade” é a incidência de uma lei fora de seu período de vigência.A lei processual no tempo e no espaço • a) “Atividade” é o período. resguarda-se disposição em contrário. Se for antes da vigência. • c) Consoante o art. temos a ultratividade. temos a retroatividade. entre o nascimento e morte de uma lei . • Uma lei sempre projeta efeitos no seu período de atividade. se for depois.

Atividade (período entre o início da vigência e a revogação da lei) “Extratividade” (produção de efeitos fora do período de vigência) “Retroatividade” (somente a lei penal retroage para beneficiar) “Ultratividade” (age depois da Vigência) .

• As normas processuais penais entrando em vigor. Os atos processuais serão regulados pela lei vigente no tempo em que for praticado (tempus regis actum) – PRINCÍPIO DA “IMEDIATIDADE”. ressalvados os atos praticados sob a vigência de lei anterior. 2º do CPP. aplicando-se desde logo. regulam-se pelo art. .

ampliando. 2º do CPP).• há normas denominadas heterotópicas. criando. reduzindo ou extinguindo a pretensão punitiva estatal – neste caso não se aplica o princípio da imediatidade (art. que recebendo epígrafe de norma processual. e sim os princípios constitucionais que disciplinam o direito penal material. encerram natureza de direito material. ultratividade e retroatividade da norma mais benéfica .

• Normas mistas ou híbridas: Se a norma for mista. tendo conteúdo de direito processual e de direito material . se a norma for mais benéfica o estatuído no art. . 2º do Código Penal.também não se aplica o princípio da imediatidade. aplicando-se.

para mais ou para menos. a pretensão punitiva ou executória do Estado. • 4. Revogada a lei processual esta não poderá ser mais aplicada. só poderá retroagir para beneficiar o réu. . o alcançará mesmo que prejudicial.se anterior. na hipótese da lei posterior ser mais gravosa (ultratividade in mellius). só interessa a data do fato .• 1. se posterior. Se a lei tiver conteúdo penal. É penal toda a norma que afete. mesmo revogada. A lei penal. • 2. regulará todos os fatos praticados durante sua vigência. • 3.

6º.ação ou omissão. . • c) A lei penal aplica-se a crimes cometidos fora do território nacional que estejam sujeitos à lei penal nacional Extraterritorialidade. CP) .A lei processual penal no espaço • a) aplicação da lex fori ou lex regit actum. aplica-se a teoria da ubiqüidade ou mista (art. • b) Em se tratando de lei penal. Em todos os processos e julgamentos realizados em território brasileiro. aplica-se a lei processual penal nacional. ou resultado. no todo ou em parte ocorrido em território nacional.

doutrinária ou científica. • b) quanto aos meios empregados: gramatical. • Espécies: • a) quanto ao sujeito que a elabora: autêntica ou legislativa.Interpretação da lei processual penal • Interpretar é buscar na norma seu exato alcance e real significado. judicial. progressiva. literal ou sintática. . • c) quanto ao resultado: declarativa. adaptativa ou evolutiva. lógica ou teleológica. extensiva. restritiva.

pt). As normas de conteúdos mistos: penal e processual seguem a mesma orientação . pode ser interpretada extensivamente. pp.• A norma processual. a interpretação deverá ser no sentido estrito da norma. mas se os dispositivos afetarem a liberdade individual e direito substancial do acusado (pfd.

§ 2º.: art. . Ex. 121.onde há a mesma razão aplica-se o mesmo direito. III e IV.• No processo penal é possível a aplicação da analogia (forma de auto-integração da lei) .

quando o preceito faz parte de outro ramo jurídico.a integração analógica dá-se em duas hipóteses: a auto-integração: quando o outro preceito está inserido em lei processual penal. .O processo penal e o Código Civil • A analogia é meio de integração da norma jurídica . e a heterointegração.

renúncia ao direito de queixa. Art. 50 . • 6. Art.acusado menor . • 5.representação legal no IP. Art. Art. Art.direito de perdão. 38 .representação legal para queixa.• Com o advento do novo Código Civil alterou-se (heterointegração) os seguintes dispositivos do Código de Processo Penal: • 1. • 8 art.querelado .perdão. Art.decadência do direito de queixa. 194 . 15 . • 4.interrogatório na presença de curador. Art. • 2. 34 . 54 .querelante . • 7.curador. 14 . 52 . . • 3.

o exercício. do direito de punir e. teremos a atuação do processo que permitirá ao mesmo tempo.Pode-se afirmar que a lei processual será ativada com o surgimento da infração penal quando. então. . pelo Estadoadministração. a defesa do infrator com o fim de preservar o status libertatis.

• O Estado tem para si: • A) a pretensão punitiva: fase préprocessual e fase processual. • B) a pretensão executória: fase de execução da pena. • Tem-se que: A + B = persecução criminal .

144 da CF – esta é a regra geral O inquérito policial é o principal instrumento da investigação.Fase pré-processual: investigação da infração penal A investigação se inicia tão logo ocorra a infração penal e a autoridade policial tenha notícia do crime A legitimação para a investigação é da Polícia Judiciária – art. sendo o mais usado e só pode ser instaurado a partir da violação da norma penal Instrumentos para a investigação: a) Inquérito policial. b) TCO c) Peças de informação .

• Presidência: Delegado de Polícia de carreira.Inquérito policial • Conceito: “É um procedimento administrativo. de cunho informativo e preparatório para uma eventual ação penal. • Será iniciado sempre que a autoridade receber a notícia do crime. .

Notícia crime Imediata Conhecimento do crime em função da própria atividade policial Mediata Conhecimento do crime através de terceiros Coercitiva Conhecimento do crime através da prisão em flagrante .

20 do CPP) Formal e inquisitivo .Características do inquérito Objetiva apurar todas as circunstâncias essenciais ao fato (art. 4º do CPP) Escrito (art. 9º do CPP) Sigiloso (art.

Formas de instauração • A) de ofício – não há referência do legislador sobre a forma de proceder. . • C) mediante representação do ofendido. • F) mediante auto de prisão em flagrante. • D) mediante requisição do Ministro da Justiça. • E) mediante requerimento do ofendido – procede-se mediante queixa. • B) mediante requisição do juiz ou do Ministério Público – nos casos que se inicia de ofício.

• Procedimento • A notitia criminis (notícia do crime) - é o conhecimento pela autoridade da infração, pode ser direta ou imediata - pela própria autoridade - jornais, tv, encontro de um cadáver ou de produtos de um roubo; ou indireta ou mediata - conhecimento através de terceiros ou mediante prisão em flagrante delito

• Inicia-se pela portaria (de ofício), após conhecimento da notitia criminis pela autoridade policial (delegado de polícia estadual e federal, dependendo do caso), por requisição do juiz ou do MP; por requerimento do ofendido e pela lavratura do auto de prisão em flagrante delito – ação penal pública incondicionada.

• Se a ação for penal pública condicionada (dependerá da representação do ofendido ou da requisição do Ministro da Justiça, § 4º do art. 5º do CPP); • Se ação for penal privada, dependerá de requerimento do ofendido ou de quem o represente (§ 5º do artigo citado).

se solto. . 66 da Lei 5. se preso (art. • Crimes contra a economia popular .010/66 .Lei 1. 15 dias.prorrogação).duplicado pelo Juiz a requerimento da autoridade policial ou do MP . 10 dias para conclusão quando preso o indiciado e trinta. 30 se preso e 90 se solto .521/51).prazo • Regra geral.o prazo é único de 10 dias . Na Justiça Federal. • No caso de tóxicos.Lei 11.343/06.

isenta e objetiva dos fatos apurados.• Encerra-se com o relatório que deverá conter tão-somente a narrativa. . sem emissão de considerações acerca da culpabilidade do investigado ou da antijuridicidade da conduta.

§ 3º do CPP) . • Se a lei determinar a forma de se proceder (representação ou queixa). . 10.no caso de réu solto. nem o flagrante poderá ser ratificado se não presente a exigência legal • O juiz só interfere nessa fase se houver riscos a direitos subjetivos ou a efetividade da jurisdição penal. como juiz das garantias individuais e no exercício do controle judicial dos atos administrativos.• Notas: • O prazo pode ser prorrogado quantas vezes se fizer necessário para a conclusão das investigações (art.

• 2.• Arquivamento: encerrada a investigação. que o encaminhará ao Ministério Público. • 10 do CAPEZ e do 01 ao 08 do BONFIM . • 3. que poderá adotar as seguintes providências: • 1. encaminhando-o ao Poder Judiciário. a autoridade não pode emitir juízo de valor. Devolução a autoridade judicial para novas diligências. Ofertar a denúncia desde já. • Leitura: capítulo 03 do PACELLI. Requerer o arquivamento do IP.

.• No caso de pedido de arquivamento pode o Juiz: • a) concordar com o MP e determinar o arquivamento dos autos – somente mediante novas provas as investigações poderão ser reabertas – opera-se eficácia preclusiva típica de coisa julgada formal – pois impede a rediscussão do fato. • b) Não concordar com o arquivamento e encaminhar os autos de inquérito à chefia do Órgão Ministerial. diante daquele conjunto probatório – arquivamento direto. nos termos do artigo 28 do CPP.

• Há também o chamado arquivamento indireto (só ocorre se o Juiz não concordar com o posicionamento do MP).: Crime de moeda falsa. 28). que ocorre quando o MP argüi a incompetência do Juízo. art. 62 da Lei Complementar nº 75/93). . no âmbito Federal – Câmaras de Coordenação e Revisão (art.• Nota: no âmbito Estadual – Procurador-geral de Justiça (CPP. Ex.

• .Valor probatório: é peça meramente informativa.O inquérito policial – valor probatório. vícios e prisão provisória • . . que tem por escopo subsidiar o MP ou ofendido na propositura da ação penal. Seu valor probatório é relativo porque as provas são coletadas sem o exercício do contraditório e da ampla defesa. e sem a presença do Juiz – prova unilateral.

não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial. ressalvadas as provas cautelares. não repetíveis e antecipadas.690/08 • • "Art. . 155 do CPP com a nova redação dada pela Lei 11.Esta circunstância fica evidenciada no art. 155.

v. não atingem a ação penal. os vícios por ventura existentes nessa fase não geram nulidades processuais. isto é. a invalidade só alcança o ato inquinado. • Quando muito.. .• Vícios – Em face de sua natureza informativa. destinada a formação da opinio delicti do titular da ação penal. reconhecimento de pessoas ou coisas.g.

em casos comuns e de 30 dias. em face dos princípios da economia e da celeridade processual.• Nota: no procedimento do Juizado Especial criminal (Lei 9. o IP foi substituído pelo termo circunstanciado de ocorrência .TCO (art.099/95). prisão preventiva e prisão temporária que será de até 05 dias. caput) – • Prisão provisória: prisão em flagrante. (Em unidade separada). os crimes hediondos ou assemelhados. os prazos são renováveis se houver necessidade. . 69.

o MP não poderá requerer o arquivamento. mas sim o reconhecimento judicial expresso da extinção da punibilidade. .• Inquérito policial punibilidade: e extinção de • Quando a hipótese for de prescrição pela pena em abstrato.

24 a 62 do CPP .AÇÃO PENAL arts.

Fase processual ação penal • 1. Conceito e características: • a) Conceito: • É o direito público subjetivo de pleitear ao Poder Judiciário a aplicação do direito penal objetivo a um caso concreto. .

• É direito público. pois não se confunde com o direito material tutelado. porque o titular pode pedir ao Estado-Juiz a prestação jurisdicional. • É direito subjetivo. . pois a pretensão jurisdicional provocada é de natureza pública. que independe do resultado final do processo.• b) Características: • É direito autônomo. • É direito abstrato.

Condições da ação penal .

possibilidade jurídica do pedido interesse de agir legitimação para agir justa causa .

A denúncia ou queixa serão rejeitadas se o fato narrado não constituir crime. Ex. o pedido deve encontrar amparo no direito positivo.• a) Possibilidade jurídica do pedido: dá-se quanto a tipicidade do fato.: É possível a denúncia de alguém por furto de uso. ou seja. . que não é crime na nossa lei penal.

como CAPEZ. • Alguns doutrinadores. • . 104.• b) Interesse de agir: Somente poderá invocar a atuação do Estado aquele que tiver interesse na punição. essa condição se desdobra no trinômio necessidade e utilidade e adequação. obra citada. costumam afirmar que. pág.

• utilidade é a atividade jurisdicional para satisfazer o interesse do autor e. seria o próprio processo penal condenatório e o pedido da aplicação da pena .• Necessidade é inerente ao processo penal. sem o devido processo legal. a • adequação. haja vista a impossibilidade de impor a pena.

.• c) Legitimação para agir (legitimatio ad causam): refere-se à titularidade da ação penal e possibilidade de figurar no pólo passivo como provável autor do fato (excetua-se o HC e RC).

e atual. rev. in Direito processual penal. . o que exige que a peça acusatória venha acompanhada de um suporte mínimo de prova. 8ª ed. já atinge a dignidade do acusado. • Sustenta o ilustre processualista que só ajuizamento da ação penal condenatória. 1999. Rio de Janeiro.. sem os quais a acusação carece de admissibilidade. Forense.• d) Justa causa: enumerada por Afrânio Silva Jardim.

. pág. obra indicada.• Para Eugênio Pacelli. essa exigência de lastro mínimo de prova é fundada no princípio constitucional da ampla defesa. 91.

faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal. ou • III . • II . A denúncia ou queixa será rejeitada quando: • I . 395.for manifestamente inepta.• Positivada na Lei 11.719/08 • "Art.faltar justa causa para o exercício da ação penal. .

conforme o caso. . Condições de procedibilidade: • O Código de Processo Penal estabelece algumas condições para serem observadas. é o caso por exemplo da ação penal pública condicionada.• 3. sob pena de nulidade. que só poderá ser iniciada se houver representação do ofendido ou requisição do Ministro da Justiça.

• É o ato processual que formaliza a acusação. 41 do CPP e aos pressupostos processuais.art.A peça acusatória: denúncia ou queixa • A ação penal inicia-se pela denúncia caso de ação penal pública. titularidade do MP ou pela queixa crime . .ação penal privada. devendo seguir os requisitos formais .

• II . A denúncia ou queixa será rejeitada quando: • I . • Cabe recurso em sentido estrito . ou • III .Da rejeição denúncia ou queixa • "Art.for manifestamente inepta. 395.faltar justa causa para o exercício da ação penal.faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal.

41 do CPP.• Para se saber causas de inépcia consultar o parágrafo único do art. 295 do CPC – fundamento processual penal art. .

• No caso da ação penal privada a procuração. deve conter um breve resumo dos fatos. . • se a ação penal for condicionada à representação do ofendido ou de quem o represente. com poderes específicos. esta deverá instruir a peça acusatória.

4. Classificação das ações penais: • A ação Penal será: pública (condicionada e incondicionada). . privada personalíssima e privada subsidiária da pública. privada exclusiva.

• No silêncio da lei a ação é penal pública incondicionada. I da Constituição Federal e 257.cabe exclusivamente ao Ministério Público. por meio do oferecimento da denúncia .art. 129. .• Ação penal pública • titularidade . I do CPP sem necessidade de provocação de quem quer que seja.

divisibilidade. indisponibilidade. intranscendência . obrigatoriedade.• Princípios pública: reitores da ação penal • rege-se pelos princípios da oficialidade.

• b) Oficialidade: é oficial porque a ação pública é de iniciativa de um órgão público (MP) e se desenvolve por impulso oficial. sem a provocação das partes. . Pois presentes elementos probatórios que indiquem a ocorrência da infração penal. o Ministério Público é obrigado a promover a Ação Penal.• a) Princípio da legalidade (obrigatoriedade): é obrigatória. Não o fazendo poderá sofrer sanções administrativas e responder por crime de prevaricação.

Havendo denúncia contra um acusado não excluirá a possibilidade de outra denúncia contra co-réus ou ainda a inclusão destes na Ação |Penal em andamento.• c) Indisponibilidade (irretratabilidade): é indisponível vez que o MP não poderá desistir da Ação Penal Pública instaurada. tendo em vista a conveniência da instrução criminal. aditando-se somente a denúncia existente. . não podendo também renunciar ao recurso interposto. • d) Divisibilidade: é divisível porque o processo poderá sempre ser desmembrado.

• Fernando da Costa Tourinho.posição que eu adoto. devendo a ação ser proposta contra todos os autores da infração penal . entende que aplica-se o princípio da indivisibilidade. .• esta característica é sustentada pela doutrina dominante e pela jurisprudência do STJ.

.• e) Intranscendência: a ação penal será promovida sempre e somente contra as pessoas a quem se atribui a prática de uma infração penal.

Descrição da Ação Penal Pública Incondicionada. terá 05 dias se o réu estiver preso e 15 se estiver solto. Para ofertar a denúncia verificará a existência de provas da ocorrência da infração (materialidade) e de sua autoria. 157. que se baseia no IP ou nas informações recebidas. Caso afirmativo. 155. art. 121. • Titularidade: via de regra a ação Penal Pública Incondicionada é exercida pelo Ministério Público. independente de iniciativa particular. 171 do CP. contados da data em que o MP recebeu os autos do caderno investigativo ou da data que recebeu as informações. Ex. • Inicio: Com a denúncia que é apresentada pelo MP. .

. voltando-se a contar novamente quando da devolução dos autos. pedindo a devolução dos autos à autoridade Policial.• Se o réu estiver solto ou afiançado o Promotor de Justiça poderá requerer novas diligências. caso em que se interrompe o prazo para denúncia.

poderá o ofendido ou seu representante legal oferecer queixa-crime substitutiva.• Denúncia fora do prazo: caso a denúncia não seja oferecida no prazo da lei. intentando a Ação Penal Subsidiária da Pública .

.• Requisitos da denúncia: • A denúncia deverá conter os requisitos do artigo 41 e é neste momento que serão arroladas as testemunhas da acusação e requeridas diligências se necessárias.

147 – representação. juiz ou promotor . par. art.único . pelo ofendido ou representante legal ou por procurador com poderes especiais.Ação Penal Pública Condicionada • Quando a lei expressamente declarar que a ação somente se procederá mediante representação ou mediante requisição do Ministro da Justiça – ex. para o delegado. 145.requisição • A representação poderá ser feita. art.

ou de seu representante legal – pela punição do autor do delito. . • É somente uma autorização – não obriga o MP a promover a ação penal – há outros elementos a serem apreciados.• Representação é a manifestação a vontade do ofendido.

38 CPP). e o processo poderá lhe acarretar mais danos. • Prazo de 06 meses a contar do conhecimento do autor do fato – decadencial (art. . • Prazo decadencial – não se interrompe. nem se suspende.• O interesse da parte às vezes se sobrepõe ao público. do que os causados pelo próprio crime.

. • Após o oferecimento da denúncia terá as mesmas características da ação pública incondicionada. 129.• Será retratável até o oferecimento da denúncia – Lei 9.099/95 art. caput – e §§ 4º e 5º do CP.

• Legitimidade: do particular (ofendido ou seu representante legal e o sucessor – art. 213.Ação penal privada • Quando a lei declarar que se procederá mediante queixa a ação será privada.138 do CP e pode ser: .: arts. 31 do CPP) ex.

236 CP – prazo a contar do trânsito em julgado da sentença que anular o casamento. • Prazo de 06 meses . • c) subsidiária da pública: ofendido ou seu representante legal – prazo a contar do encerramento do prazo do MP. • b) personalíssima: somente o ofendido – único caso – art.Espécies de ação penal privada • a) exclusiva: quando pode o ofendido ou seu representante legal – prazo a contar da data que se souber quem é o autor do fato.

• d) indivisibilidade. não . • E) intranscendência. • c) retratabilidade ou disponibilidade. • b) discricionariedade ou obrigatoriedade. • a) não-oficialidade.Princípios: o inverso da pública • .

• O prazo é decadencial de 06 meses – do conhecimento da autoria do fato o MP pode aditar em três dias e funciona como custos legis. . que deve receber procuração com suma dos fatos.• Nota: inicia-se em juízo por proposta de advogado. considerando que o jus puniendi é do Estado.

pela perempção (art.• Na ação penal privada extingue-se a da punibilidade pela renúncia do direito de queixa. pelo perdão aceito. . 60 do CPP).

• O ofendido. • Não ocorrerá nesta ação a extinção da punibilidade pela inércia do querelante – perempção.Ação penal privada subsidiária da pública • Ocorre quando o Ministério Público deixa de oferecer a denúncia no prazo legal. . repudiá-la oferecendo denúncia substitutiva. • O MP poderá: aditar a queixa. Se for o caso requerer o arquivamento. seu representante ou sucessor poderão oferecer queixa-crime substitutiva – MP será assistente. intervir em todos os atos do processo e ainda no caso de inércia do querelante retomar a ação.

Fernando. atual.. São Paulo: Saraiva. 5ª ed.. 2008. rev. NUCCI.. e ampl. Belo Horizonte: Del Rey.Curso de processo penal. Curso de processo penal. São Paulo: Saraiva. São Paulo: Revista dos Tribunais. 5ª ed.. Código de Processo Penal Comentado. 2003. São Paulo: Saraiva.Bibliografia • • • • BONFIM. 2ª ed. • . Eugênio Pacelli. Edilson Mougenot. 2006 FILHO. 2006. Curso de processo penal. 3ª ed.. CAPEZ. Manual de processo penal. OLIVEIRA.. 5ª ed. Guilherme de Souza.. 2004. Fernando da Costa Tourinho.