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PODER CONSTITUINTE

NOÇÕES

As normas constitucionais, por ocuparem o topo do ordenamento jurídico, são providas de elaboração mais dificultosa do que aqueles ditados pela própria ordem jurídica, que vêm de cunho ordinário. Com as noções supracitadas, podemos conceituar o Poder Constituinte: como aquele poder capaz de criar, modificar ou implementar normas de força constitucional.

não se esgota em um ato de seu exercício. pois o Estado decorre da soberania popular.TITULARIDADE DO PODER CONSTITUINTE  Nos Estados democráticos. Em razão de sua titularidade pertencer ao povo. visto que o povo não pode perder o direito de querer e de mudar à sua vontade.  . isto é. o poder constituinte é permanente. a titularidade do poder constituinte pertence ao povo.

sem a participação popular. temos duas formas distintas para o seu exercício: outorga e assembléia nacional constituinte. que autolimita o seu poder e impõe as regras constitucionais ao povo. É ato unilateral do governante. Constituições de 1824. embora legitimamente o poder constituinte pertença sempre ao povo. o seu exercício nem sempre tem se realizado democraticamente. 1967 e EC 01/69   . A outorga é o estabelecimento da Constituição pelo próprio detentor do poder. 1937.O EXERCÍCIO DO PODER CONSTITUINTE  Embora na atualidade haja um consenso teórico em afirmar ser o povo o titular do poder constituinte. Assim.

1934. Constituições de 1891. . democraticamente. seu legítimo titular. 1988. outorga poderes a seus representantes especialmente eleitos para a elaboração da Constituição. 1946. em que o povo. A assembléia nacional constituinte é a forma típica de exercício do poder constituinte.

o decorrente e o revisor. . poder constituinte derivado: espécies: o poder reformador. primário ou de primeiro grau) é o poder de elaborar uma Constituição.  O poder constituinte originário (também denominado genuíno. não deve obediência a nenhuma regra jurídica preexistente.ESPÉCIES DE PODER CONSTITUINTE  - A doutrina costuma distinguir as seguintes espécies de poder constituinte: poder constituinte originário. Não encontra limites no direito positivo anterior.

absoluto. rompendo. autonomamente. permanente. Assim.     . b) autônomo – visto que a estruturação da nova constituição será determinada. por completo. soberano. permanente e inalienável a) Inicial – instaura uma nova ordem jurídica. podemos caracterizar o poder constituinte originário como inicial. permanente e inalienável. ilimitado. incondicionado. absoluto. ilimitado. com a ordem jurídica anterior. soberano. incondicionado. Características do Poder Constituinte Assim. permanente. por quem exerce o Poder Constituinte Originário. podemos caracterizar o poder constituinte originário como inicial.

com as ressalvas a seguir indicadas e que passam a ser uma tendência para os concursos públicos d) incondicionado e soberano na tomada de decisões – porque não tem de submeter-se a qualquer forma prefixada de manifestação e) poder de fato e poder político – podendo assim ser caracterizado como uma energia ou força social. B) MATERIAL – é o lado substancial do poder constituinte originário. PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO FORMAL E MATERIAL A) FORMAL . por sua vez. qualificando o direito constitucional formal com status de norma constitucional que.è o ato de criação propriamente dito e que atribui a “roupagem” com status constitucional a um complexo normativo. a nova ordem jurídica começa com a sua manifestação. sendo que. e não antes dela.   c) Ilimitado Juridicamente – no sentido de que não tem que respeitar os limites postos pelo direito anterior. tendo como natureza pré jurídica. será o responsável pela roupagem  . por essas características.

de reforma) é o poder que se ramifica em três espécies:  O poder reformador que abrange as prerrogativas de modificar. Constituído. instituído. adaptando-a a novas necessidades. É o poder de reforma. que permite a mudança da Constituição. quorum ainda mais específico. secundário. possibilita a revisão de dispositivos constitucionais que necessitem de reformas.    . a todos os Estados. sem que para tanto seja preciso recorrer ao poder constituinte originário. esta é de forma mais dificultosa. porém. assim. esta não se confunde com reforma em stricto senso pois. segundo as regras que ela estabelece. O poder Constituinte decorrente que consagra o princípio federativo de suas Unidades É a alma da autonomia das federações na forma de sua constituição. o poder constituinte revisor que como exemplo de nossa própria Constituição Federal. o Distrito Federal e até os Municípios este na forma de lei orgânica poderão ter suas constituições específicas em decorrência do Poder Constituinte Originário. implementar ou retirar dispositivos da Constituição. O poder constituinte derivado também denominado reformador. Por fim. de segundo grau.

È estruturar as constituições dos estados membros com competência de capacidade de auto-organização (art. implementar ou retirar dispositivos da Constituição. a todos os Estados. auto governo (art. I. 27. 60 da CF/88) O Poder Constituinte Derivado Decorrente que consagra o princípio federativo de suas Unidades. 8 e 25 a 28) É a alma da autonomia das federações na forma de sua constituição.28 e 125) e autoadministração (arts. 25 caput). 59.  O Poder Reformador que abrange as prerrogativas de modificar. o Distrito Federal e até os Municípios este na forma de lei orgânica poderão ter suas constituições específicas em decorrência do Poder Constituinte Originário. Verifica-se através de emendas constitucionais (arts.    . assim.

adaptando-a a novas necessidades. - . esta não se confunde com reforma em stricto senso. que permite a mudança da Constituição. possibilita a revisão de dispositivos constitucionais que necessitem de reformas.- Por fim. quorum ainda mais específico segundo as regras que ela estabelece. 3º da ADCT – SESSÃO UNICAMERAL – MAIORIA ABSOLUTA - É o poder de reforma. sob pena de inconstitucionalidade) e condicionado (porque o seu modo de agir deve seguir as regras previamente estabelecidas pela própria Constituição). sem que para tanto seja preciso recorrer ao poder constituinte originário. porém. subordinado (porque se encontra limitado pelas normas estabelecidas pela própria Constituição. É um poder derivado (porque instituído pelo poder constituinte originário). esta é de forma mais dificultosa. Art. o Poder Constituinte Derivado Revisor que como exemplo de nossa própria Constituição Federal. pois. as quais não poderá contrariar.

visto que. em seu art. - . Não estão presentes na nossa vigente Constituição.- Essas limitações ao poder constituinte derivado (ou de reforma) são comumente classificadas em três grandes grupos: limitações temporais. 174. sendo que no Brasil só a Constituição do Império estabelecia esse tipo de limitação. por determinado lapso temporal. determinava que tão-só após quatro anos de sua vigência poderia ser reformada. de alterabilidade das normas constitucionais. A Constituição insere norma proibitiva de reforma de seus dispositivos por um prazo determinado. As limitações temporais consistem na vedação. limitações circunstanciais e limitações materiais.

em que possa estar ameaçada a livre manifestação do órgão reformador. A atual Constituição consagra tais limitações. ao vedar a emenda na vigência de intervenção federal. de estado de defesa ou de estado de sítio (art. 60. § 1º). Busca-se afastar eventual perturbação à liberdade e à independência dos órgãos incumbidos da reforma.Limitações circunstanciais evitam modificações na Constituição em certas ocasiões anormais e excepcionais do país. ..

no texto constitucional e são conhecidas por "cláusulas pétreas". O próprio poder constituinte originário faz constar na sua obra um núcleo imodificável. . visando a assegurar a integridade da Constituição. impedindo que eventuais reformas provoquem a sua destruição ou impliquem profunda mudança de sua identidade. expressamente.Limitações materiais explícitas correspondem àquelas matérias que o constituinte definiu expressamente na Constituição como inalteráveis. pois. Tais limitações inserem-se. Tais limitações podem ser explícitas ou implícitas. - .Limitações materiais excluem determinadas matérias ou conteúdo da possibilidade de reforma.

caso pudessem ser modificadas pelo poder constituinte derivado. . sob pena de implicar a ruptura da ordem constitucional. os direitos e garantias individuais". o voto direto. Isso porque. de nada adiantaria a previsão expressa das demais limitações. apesar de não inseridas no texto constitucional. secreto. universal e periódico. a saber:  . segundo o qual "não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: a forma federativa de Estado. a separação dos Poderes. estão prescritas no art. 60. § 4º. estão implicitamente fora do alcance do poder de reforma.Na vigente Constituição. São apontadas pela doutrina três importantes limitações materiais implícitas.Limitações materiais implícitas são aquelas matérias que.

pois seria um despautério que o legislador ordinário estabelecesse novo titular de um poder derivado só da vontade do constituinte originário.   (1) a titularidade do poder constituinte originário. pois uma reforma constitucional não pode mudar o titular do poder que cria o próprio poder reformador. . (2) a titularidade do poder constituinte derivado. senão poderiam restar fraudadas as limitações explícitas impostas pelo constituinte originário. e (3) processo da própria reforma constitucional.

- O poder constituinte decorrente é aquele atribuído aos Estados-membros para se autoorganizarem mediante a elaboração de suas constituições estaduais. visto que é resultante do texto constitucional. desde que respeitadas as regras limitativas impostas pela Constituição Federal. FIM . também é um poder derivado. limitado e condicionado. Como se vê.

a limitações oriundas das normas subsistentes da ordem constitucional anterior. há limitações de ordens temporal. este encontra limitações impostas pelo poder constituinte originário. 2 .Quanto ao poder constituinte derivado.EXERCÍCIOS. 1 . cuja observância pode ser aferida por meio do controle de constitucionalidade. 4 . entre nós. do ponto de vista do direito interno. a certas limitações. circunstancial e material.O poder constituinte derivado está sujeito. 5 . juridicamente. 6 – É pacífico. .O poder constituinte originário está sujeito. considera-se o poder constituinte originário não sujeito a qualquer limitação. 3 -Do ponto de vista do direito interno. que não existem limitações implícitas ao poder constituinte de reforma.Ao poder constituinte instituído.

10 – O poder constituinte originário.7 .O poder de reforma ou de emenda é um poder ilimitado na sua atividade de constituinte de primeiro grau. 114/237). . 9 . deliberou que não havia direito adquirido contra texto constitucional.Uma proposta de emenda à Constituição que tenda a abolir uma cláusula pétrea não pode sequer ser levada à deliberação do Congresso Nacional. é ilimitado na sua atuação. 8 -As emendas à Constituição expressam meio típico de manifestação do poder constituinte originário. RTJ.414. também chamado poder de reforma. seja ele decorrente do Poder Constituinte Originário ou do Poder Constituinte Derivado (RE 94. Podemos afirmar? Explique. 11 – O STF sob a luz da CF/67. j.13-2-1985.

12 – Podemos dizer que o Poder constituinte Decorrente é aquele atribuído aos Estados – Membros e Distrito Federal? Explique. Explique e fundamente . 13 – José Afonso da Silva preleciona que as limitações impostas ao constituinte estadual são divididas em dois tipos de regras: regras de natureza vedatória e regras de natureza mandatória.

Deverá ser feito individualmente – valoração: 1.ESTUDO DIRIGIDO – AULA DE 28 DE MAIO DE 2008 1º item . Entrega: próxima aula para as devidas apresentações e discussões.O Estado Brasileiro e a Constituição de 1988 – as três épocas constitucionais do Brasil – o constitucionalismo na Primeira República – modelo americano – federalismo e presidencialismo – o constitucionalismo do Estado social. 2º item .A Constituição de 1988 e a crise constituinte no Brasil – as principais momentos de crise constituinte no Império e na República 4º item .O advento da influência das Constituições de Weimar e de Bonn – A Constituição brasileira de 1988 é uma Constituição do Estado social. 3º item .5 .A terceira crise do Estado constitucional – a crise de inconstitucionalidade 5º item .A crise de inconstitucionalidade e a ingovernabilidade Procurar material que verse sobre esse assunto a citar toda bibliografia utilizada.

O advento da influência das Constituições de Weimar e de Bonn – A Constituição brasileira de 1988 é uma Constituição do Estado social. Atuação do estado na ordem econômica social.2º item .fraco Carater regional e mais adaptáveis .

 3º item .A Constituição de 1988 e a crise constituinte no Brasil – as principais momentos de crise constituinte no Império e na República .