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História da Igreja

Contextualização do período
  

Renascimento Formação dos Estados Nacionais Descobrimentos.

Linhagens

Casamento de Fernão de Aragão e Isabel de Castela resultou em 5 filhos: Isabel de Aragão casada com D. Manuel I de Portugal João, Príncipe das Astúrias casado com Margarida, arquiduquesa da Áustria. Joana, a Louca, rainha de Castela, casada com Filipe, o Belo (arquiduque da Áustria).

Catarina de Aragão. . casada com Henrique VIII.  Maria de Aragão. casada com Manuel I de Portugal.

Isabel assumiu as coroas de Castela e Aragão.   João morreu de tuberculose com 19 anos de idade sem deixar herdeiros. Sua irmã D. unir as coroas ibéricas sob o controle de Portugal. Miguel da Paz. D. D. . Manuel I. pondo fim ao sonho de seu marido. Isabel morreu de parto e um ano depois morreu seu filho.

. Desse casamento temos Carlos V. Felipe foram declarados herdeiros da Espanha. Joana e seu marido.  Dessa forma. o poderoso rei da Espanha. D.

Filipe. o Belo e Joana. a Louca .

Fernando de Aragão e Isabel de Castela .

Reis Católicos .

de Valois). mais tarde também imperador alemão. . casada com Cristiano II da Dinamarca. Fernando da Áustria. casada com Luís II da Hungria e da Boêmia. filho de Maximiliano I. Manuel I de Portugal e mais tarde com Francisco I. e Carlos V do Sacro Império Romano Germânico). Carlos de Gent (mais tarde Carlos I. Isabel de Habsburgo. Maria de Habsburgo. Isabel de Habsburgo. teve 6 filhos: Leonor da Áustria (casada com D. da Espanha. Catarina da Áustria. casada com Cristiano II da Dinamarca. João III de Portugal. casada com D. Joana casou com Felipe da Áustria.

. Com quem teve sete filhos. Felipe II.  Carlos V foi casado com Isabel de Portugal (sua prima). dos quais o seu sucessor. da Hungria e da Boêmia. Manuel. Fernando da Áustria casou-se com Ana Jagelão. filha do rei D.

Carlos tornou-se herdeiro da Espanha e da Borgonha e. imperador alemão. .  Eles também eram herdeiros de Borgonha. em 1519.

enquanto outros faziam guerras. tornou-se rei da Boêmia e da Hungria. Dizia-se que. fazendo suas conquistas de forma pacífica. a Áustria casava. . pouco depois.  Fernando recebeu a coroa austríaca e.

A Inglaterra ou se aliava a um ou a outro. O único adversário possível da Casa Habsburgo era a França. .

Ali existia uma infinidade de centros regionais de poder. todos subordinados ao poder imperial. .  Espanha e França eram fiéis ao catolicismo. Já a Alemanha e a Itália nem sequer haviam conquistado unidade política.

As tentativas do Império colocar um fim a esse movimento não surtiram efeitos. em Augsburgo. 1547 e 1555. Elas aconteceram em 1530.  Foi na Alemanha que explodiu o movimento reformatório. .

. nem dinastias existiam. a divisão territorial era ainda mais complicada. Ali. Na Itália. e as formas de governo alternavam-se.

de outro. era governante do Estado Pontifício. Nela encontrava-se também o papado. De um lado. esse representava o poder hegemônico sobre a cristandade ocidental. . que abrangia o centro da Itália.

. O papado era um dos centros de poder na Itália e estava assim envolvido em questões políticas.

  A parte sul do Leste europeu estava sob o domínio dos turcos. mas necessitavam do suporte financeiro dos alemães. . Carlos V e seu irmão Fernando assumiram a luta contra os turcos.

Ora. A situação de guerra fez com que Carlos V necessitasse constantemente de aliados.  A Reforma da Igreja e as questões políticas estão relacionadas. . em boa parte. protestantes. esses aliados eram.

o Norte era disputado pela França e pelo imperador alemão (leia-se Habsburgo). Nos dois extremos havia perigo para o papado. Na Itália a situação era assim: o Reino das Duas Sicílias pertencia à Espanha (Habsburgo). .

. Para preservar sua independência política. dois bons católicos. o papado tinha que decidir entre Carlos V e Francisco I.

Também é o período do Humanismo. Ela coincide com o Renascimento. A Reforma também deve ser vista como parte da História da Cultura. .

.  A Reforma só pôde acontecer no momento histórico que ocorreu. O movimento só pôde vingar nos anos que antecederam e sucederam a morte de Maximiliano I.

Antecedentes da Reforma

A Reforma não pode ser explicada a partir de um único acontecimento ou a partir da ação de uma única pessoa.

Antes de Lutero haviam sido criadas situações e difundidas idéias, despertados sentimentos que provocaram e possibilitaram o conflito com a Igreja de então.

A Reforma deve ser vista como um período entre a Idade Média e a Idade Moderna. A Idade Média é marcada por um sutil equilíbrio entre Sacerdócio e Império. Mas, para assegurar o poder da Igreja, o papado buscou enfraquecer o poder do Império.

imperadores e reis. concedendo ao Estado grandes poderes sobre a Igreja. Após o cisma e do Concílio de Basiléia. os papas tiveram que buscar reconhecimento junto aos príncipes. . cada vez mais.  O resultado foi que. passou-se a desejar uma autonomia do Estado em relação ao poder religioso.

. isto é. príncipe ou conselhos municipais. que tanto podia ser representado pelo rei. de Igrejas dependentes do poder secular. O resultado foi o surgimento das Igrejas Territoriais.

. Havia bispos que não tinham interesse em questões espirituais. e príncipes que buscavam fortalecer seus poderes assumindo o controle da Igreja.

 Ao conceder os direitos de padroado. . os papas acabaram por estabelecer que reis determinassem a vida religiosa e o preenchimento de cargos eclesiásticos.

. Os decretos episcopais só tinham validade após a autorização real. A pregação de indulgências só era permitida caso o príncipe tivesse parte nos lucros auferidos.

uma burguesia muito consciente de seu poder lutou contra os direitos do clero. especialmente contra imunidades fiscais e isenções jurídicas. . Nas cidades.

Também os conventos e suas propriedades passavam a ser administradas pelas cidades. . As cidades criaram paróquias e reservaram o direito de nomeação de seus pregadores. Por isso não foi difícil fechar mais tarde os conventos e assumir seus bens.

assumiu caráter laico. . de raízes cristãs. O Humanismo. preparando a Reforma com sua crítica à Igreja.

 O conceito que mais caracteriza a Modernidade é Liberdade. . mas também o motivo que levou muitas pessoas a se afastarem dela. Não é por acaso que a senha Liberdade Cristã foi lema da Reforma. Tudo o que concebemos sob o termo Reforma é atraente para o ser humano dos séculos XV e XVI por causa do conceito Liberdade.

Incertezas  No momento em que o papado se reinstala em Roma. . da qual fará mais uma capital das artes do que um foco de renovação religiosa. a Igreja parece salva.

a do Calvário e do Sepulcro. . do banditismo faz com que os cristãos voltem-se para o Cristo suplicante.   Por outro lado ela passa a sofrer abalos no campo das idéias e aspirações. Medo da peste. da guerra. o Cristo da piedade e a Virgem das Dores. da miséria. A presença do medo é um fato.

culto mais vivo da Eucaristia. caminho da Cruz. A pessoa de Jesus é o centro da devoção. As devoções tornam-se mais humanas. . mais cálidas: Ave Maria. Festa do Precioso Sangue.

sobretudo da gente humilde. Claro que essa devoção faz acompanhar de abusos e desvios. .

verdadeiras ou falsas. as pessoas lançam-se sobre relíquias. e economizam as indulgências tendo em vista a eternidade. As peregrinações tornam-se atos supersticiosos. .

. Os dois séculos que precederam a reforma protestante viram engrossar-se uma extraordinária corrente de misticismo.

seu conteúdo alimentou a vida espiritual de inúmeros cristãos. A obra que teve a mais extraordinária repercussão (dela tem-se notícia de 800 manuscritos) foi a Imitação de Cristo. composta por um irmão da vida comum. Tomás de Kempis (1471). .

o corpo monástico estava arruinado pelo câncer da comenda e das prebendas. . Por sua vez.

. hoje em dia é apenas uma distinção honorífica.  Comenda .benefício concedido a eclesiásticos e cavaleiros de ordens militares. Antigamente podia também significar receber uma porção de terra. Prebenda – benefício eclesiástico.

. Catarina de Sena (1380). de inquietudes e angústias. Francisca Romana (1440) e Joana D’Arc (1431). Os séculos XIV e XV foram séculos de santas. foram salvos por frágeis mulheres de vida espiritual intensa e visão reformadora. tais como: Brígida da Suécia (1373).

a cristandade carecia de direção espiritual. mesmo assim. . por seu método pacífico de conversão de muçulmanos. Mas. Assim como Francisco de Paula (1507) e vicente Ferrer (1419).   Destaque também para Raimundo Lulo (1316).

As principais controvérsias pendentes são geralmente resumidas às temáticas da justificação por graça e fé.Incertezas teológicas  O período da Reforma é marcado por grandes incertezas teológicas. .

.  Que imagem se tem de Deus? Quem é Jesus Cristo? Questões ligadas à penitência e aos meios da graça que preparam discussões em torno dos sacramentos.

a diferença principal entre a Igreja Católica e as herdeiras da Reforma está na eclesiologia. Para Martin Dreher. .

. por outro havia os conciliarista e os espiritualistas. Por um lado. Desde o final do século XIII havia fortes discussões teológicas no seio da Igreja ocidental. havia os que defendiam uma eclesiologia papalista.

Essa tese foi revigorada após o conciliarismo do Concílio de Basiléia (1431 ss. significa e é a Igreja.Os papalistas   O papa.). . investido da plenitude do poder.

 Com a Summa de eclesia o cardeal Torquemada. A autoridade do concílio depende do papa. pois é este quem o convoca. na sua condição de sucessor de Pedro. É ele quem concede autoridade aos bispos e ao concílio. defende que: “o único detentor do poder eclesiástico é o papa. . quem o dirige e confirma seus decretos.

os conciliaristas que se baseavam em Marsílio de Pádua (1290-1342) e em Guilherme de Ockham (1285-1349).Os conciliaristas  No final da Idade Média. apostando na tese aristotélica de que o poder pertence ao povo. . partiam da base da congregação dos fiéis.

 Para eles. também o poder existente na Igreja emana do povo. não há hierarquia de direito divino. .

é a instância máxima que decide em questões de fé. Como o poder eclesiástico emana da congregação dos fiéis. . o concílio geral. enquanto representante da congregação dos fiéis.

inclusive do papa. O que permaneceu foi a idéia de que o concílio geral é a representação da Igreja universal e instância máxima em questões de fé e da unidade da Igreja e exige obediência de todos os membros da Igreja. .

. um órgão controlador. O concílio seria um parlamento eclesiástico.

Os espiritualistas  Joaquim de Fiore (1130-1202) predissera que. Esse modelo vai explodir no pensamento de Thomaz Müntzer. . viria a era do Espírito. após a era do Filho.

. a conciliarista ainda não havia desaparecido de todo. No início do século XVI houve predomínio do tipo papalista. Porém.

. O que se conclui é que não havia uma eclesiologia uniforme na época de Lutero. A primeira tentativa da parte da Igreja Católica de formular uma eclesiologia uniforme surgiu apenas por ocasião do Concílio Vaticano I (18691870).

apenas conseguiu definir o primado e a infalibilidade papal. . na “Constituição Dogmática sobre a Igreja”. Uma eclesiologia uniforme para a Igreja Romana só foi conseguida no Concílio Vaticano II. Este porém.

Raízes restritas   Nos séculos XV e XVI. todo homem é um cristão de fato. . Resta saber se os homens daquela época eram cristianizados profunda ou superficialmente.

 Tomando por base os habitantes rurais é certo que. muitos ainda mostravam-se penetrados por uma mentalidade animista. entremeado por um processo de paganização presente. os encantamentos e os ritos de feitiçaria e de magia ocupavam um amplo espaço no seu “cristianismo” mais ou menos folclórico. . ainda no início do século XVII.

falta de formação. muitos viviam abaixo do nível de suas tarefas. comodismo. acompanhavam a inflação sacerdotal. ausência de zelo. Ignorância. . Quanto aos padres.

os papas eram muito mais príncipes seculares. .Os papas da Renascença  Naquele tempo. com tudo que isso podia comportar em termos de violência e compromissos e de luxo.

Na Europa, o papa choca-se com o crescente prestígio dos reis, como Carlos VII, que, através da Sanção Pragmática, tornou-se chefe da igreja galicana.

Nicolau V (1447-155)

Ele e seus sucessores imediatos seriam mais papas italianos do que pontífices universais. Elaborou uma Bula concedendo a Portugal as terras conquistadas e a conquistar. Fundou a Biblioteca do Vaticano. E recebeu artistas como Fra Angelico e Piero della Francesca.

Calisto III (1455-1458)

Em seu curto pontificado teve somente um objetivo, retomar a luta contra os turcos que haviam atingido o Danúbio. Seu maior erro foi praticar o nepotismo e colocar elementos de sua família borja nos postos-chave da Cúria.

Fez a revisão do processo de Joana D’Arc. processo este que a reabilitou.  Seu sobrinho Rodrigo Borja tornaria-se Alexandre VI. .

Condenou em termos enérgicos o conciliarismo.Pio II (1458-1464)  Pode-se dizer que o humanismo instalava-se na cadeira de São Pedro. .

.Paulo II (1464-1471)   Foi um amante de objetos de arte e de carnavais romanos. Reconheceu a Ordem dos Jesuítas. sua moradia preferida era o Palácio de Veneza ao invés de Roma.

Sisto IV (1471-1484)   Não passou de um príncipe amigo do fausto e apegado às miseráveis combinações de uma política estritamente italiana. . Travou uma luta de morte contra os Colonna e os Médicis.

. atraía a Roma Botticelli. além de ligar seu nome à Capela Sistina. No final de seu reinado a biblioteca vaticana tinha 3500 volumes manuscritos.  Para obter dinheiro multiplicou os empregos e impostos. A cobrança do dízimo tornava o nome do papa odioso. Perugino. abriu ao público o museu do Capitólio. pois ordenou a reforma da antiga Capela Magna.

Dizem que seu tamanho é idêntico ao do templo de Salomão. Inaugurou-a em 15/08/1483. foi reformada por Sisto IV entre 1477-1480.   Chamada Capela Magna. . Seus afrescos foram feitos por Botticelli. Ghirlandaio e Roselli. Perugino. e consagrou-a à Virgem Maria.

o que lhe trazia má reputação. o filho deste. João de Médicis. filha de Lourenço. tornou-se cardeal. .Inocêncio VIII (1484-1492)   Tinha dois filhos naturais. Celebrou o casamento de seu filho Francisquinho Cibo com Madalena. o Magnífico. um menino de 13 anos. em recompensa.

a simonia e a luxúria.Alexandre VI Borja (1492-1503)  Quando morreu. . Maquiavel disse que sua alma foi escoltada até Deus por seus três fiéis seguidores: a crueldade.

quis comprar de São Pedro o dom de conferir o Espírito Santo. o Mago. . tráfico de coisas sagradas ou espirituais (sacramentos.O que é simonia????   Simão. Simonia – ato de Simão. benefícios eclesiásticos). Venda de coisas sagradas.

. Foi advertido pelo papa Pio II por causa de sua vida desregrada. Bastante jovem foi eleito cardeal por seu tio Calisto III. Teve vários filhos. dos quais 4 com Vanozza Cataenis.

Nomeou seu filho César.  Foi eleito papa por meio de suborno. . então com 16 anos. um ano depois de fazê-lo cardeal. como arcebispo de Valência.

. Elaborou as Bulas Intercoetera (1493) e o Tratado de Tordesilhas (1494). César desistiu do cardinalato para casar-se com um princesa francesa e para receber parte do território dos Estados Pontifícios.  Mais tarde.

Alexandre VI .

. ajoelhado diante ao túmulo de Cristo. a esq. . A Ressurreição – papa Alexandre VI.

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e no centro de tudo o brasão papal. mostra-se imagens santas. . Os santos – simboliza a onipotência de Alexandre.

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 Santa Susana – a imagem da santa provavelmente está representada com o rosto da favorita do papa. . Giulia Farnese.

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. Santa Catarina – Lucrécia e seu irmão é o imperador no trono.

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A mulher vestida é Lucrécia (casada com o duque de Ferrara). representando o amor sacro. . Amor Sacro e amor Profano – Ticiano.

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Pio III  Estava resolvido a varrer estas vergonhas. . seu reinado durou dias.

. no entanto. forte adversário de Alexandre. sua eleição foi comprada a peso de ouro.Júlio II (1503-1513)  O cardeal Giuliano della Rovere.

Julio II .Rafael .

Michelângelo .Julio II .

  Ordenou a destruição da basílica de São Pedro e iniciou a construção da atual. Foi apelidado de “Il Terrible”. . pois era mais um rei comandante de tropas do que líder espiritual.

Chamou Michelângelo. uma eclesiologia altamente questionável. a salvação da Igreja estava na política e na guerra. Rafael e Bramante.  Para ele. Reformou a Capela Magna e passou a chamá-la de Sistina em homenagem a seu tio. .

. não resolvem nada sobre a reforma. composto quase que exclusivamente de bispos italianos submissos ao papa. Convocou o Concílio de Latrão (15121517).

. iria regular as relações entre Roma e a Igreja da França. ao papa só ficava o direito de investidura canônica. e com ele assina a concordata que. até a Revolução. Encontra Francisco I em Bolonha. Ao rei cabia a nomeação para os benefícios superiores.Leão X (1513-1521)   Pôs fim às lutas contra os franceses.

Leão X – Rafael Sanzio .

mas de leviandade e de esbanjamento. A situação do clero não era melhor que o do papado.  Não pode ser considerado de aberrações ou desmandos. O problema maior é que a Igreja era vista como sendo de sua propriedade. .

 Na Alemanha. por exemplo. que na maioria das vezes não se interessavam pela vida sacerdotal. as sés episcopais foram reservadas para os filhos da nobreza. .

Em troca. Durante 100 anos apresentaram-se queixas contra a situação criada. mesmo pessoas que não concordavam com sua doutrina estavam dispostas a apoiá-los. .  Todo este contexto provocou ódio contra Roma. Elas foram assumidas por Lutero e outros reformadores.