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Estatuto da Cidade

Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001

Carolina Ribeiro de Oliveira | Letícia Castilhos Coelho

Origem
 Movimento Nacional pela Reforma Urbana [termo desenhado na década de 1960, no contexto das reformas de base promovidas pelo governo João Goulart] recuperado e ampliado na década de 1980 sob uma bandeira que ultrapassou a questão da moradia/ habitação.  Este movimento* executou pressões que conduziram a inclusão de um capítulo sobre a política urbana na Constituição Federal de 1988, e demandaram sua posterior regulamentação. Negociações e discordâncias a este respeito se arrastaram por mais de uma década.  Reivindicações populares históricas: pela 1ª vez inseridos assuntos referentes à política urbana em uma Constituição brasileira.

Int roduç ão

O Estatuto
O que é?  Lei Federal que resultou da regulamentação do Capítulo II [da política urbana], em seus artigos 182 e 183 [Constituição Federal de 1988]. O artigo 182 estabeleceu que a política de desenvolvimento urbano, executada pelo poder público municipal, conforme diretrizes gerais fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes, definindo que o instrumento básico desta política é o Plano Diretor. O artigo 183, por sua vez, fixou que todo aquele que possuir, como sua, área urbana de até duzentos e cinqüenta metros quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirirá o seu domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. Este artigo abriu a possibilidade de regularização de extensas áreas das cidades ocupadas por favelas, vilas, alagados ou invasões, bem como loteamentos clandestinos espalhados pelas periferias urbanas, transpondo estas formas de moradia para a cidade denominada formal.

Int roduç ão

O Estatuto
Quais os objetivos? Tendo em conta:  o fortalecimento do município [esfera responsável pela elaboração e pela aplicação da política urbana] após a Constituição de 1988.  que no Brasil 81% da população vive em cidades.  a leitura das cidades brasileiras [comprovada pela assimetria e desigualdades de suas condições urbanísticas e acentuadas pelas pressões por expansão]... O Estatuto incorpora uma concepção de cidade com fins de promoção da justiça social e redução das desigualdades.

Quais os princípios norteadores?      Função social da propriedade; Desenvolvimento sustentável; Funções sociais da cidade; Igualdade e justiça social; Participação popular [no âmbito do planejamento e da gestão].

Int roduç ão

Os Instrumentos
O Estatuto apresenta instrumentos que podem, conforme sua finalidade, ser classificados em instrumentos de:  Articulação da política urbana;  Indução do desenvolvimento urbano;  Regularização fundiária;  Financiamento da política urbana; Democratização da gestão urbana.

O Es tatu to

De articulação da política urbana
 Plano diretor.

De indução do desenvolvimento urbano
 Parcelamento, Edificação e Utilização compulsórios (arts. 5º e 6º);  IPTU progressivo no tempo (art.7º);  Desapropriação para fins de reforma urbana com pagamento em títulos (art.8º);  Direito de superfície (arts. 21 a 24);  Direito de preempção (arts. 25 a 27);  Outorga onerosa do direito de construir (arts 28 a 31);  Operações urbanas consorciadas (arts. 32 a 34);  Transferência do direito de construir (art. 35);  Consórcio Imobiliário (art. 46).

Os I ns trum ent os

De regularização fundiária
     Regularização de favelas e cortiços; Usucapião especial de imóvel urbano; Concessão de uso especial para fins de moradia; Concessão de direito real de uso; Instituição de ZEIS – zonas especiais de interesse social.

De financiamento da política urbana
Os I ns trum ent os
Instrumentos de indução ao desenvolvimento, se bem aplicados, podem incidir na capacidade de investimento dos municípios:  IPTU progressivo, Outorga Onerosa, ZEIS e Direito de preempção.

De democratização da gestão urbana

 Conselhos – Órgãos colegiados de política urbana;  Debates, audiências e consultas públicas;  Conferências sobre assuntos de interesse urbano;  Iniciativa popular de Projeto de lei e Planos, Programas e Projetos de desenvolvimento urbano;  O veto ao plebiscito e referendo;  Gestão orçamentária participativa;  Gestão participativa metropolitana;  Estudo de impacto de vizinhança (arts. 36 a 38).

Os I ns trum ent os

Plano diretor
Definido desde a Constituição federal como o instrumento básico de articulação da política urbana. Concepção de que os novos planos devem agregar o planejamento aliado à gestão ao conceito de plano tradicional existente anteriormente [de cunho mais normativo e de zoneamento]. O Capítulo III do Estatuto dedica seus artigos 39 a 42 aos assuntos relativos ao plano diretor:  Finalidade [articulado ao plurianual, diretrizes orçamentárias e orçamento anual];  Abrangência [todo o território do município];  Participação [elaboração, acompanhamento e revisão];  Revisão [a cada 10 anos];  Obrigatoriedade [mais de 20mil hab, região metropolitana ou aglomeração urbano; áreas de interesse turístico; áreas de empreendimentos com impacto ambiental];  Conteúdo mínimo [delimitação de áreas e disposições no sentido da inclusão de alguns instrumentos específicos; sistema de acompanhamento e controle]. OBS.: as áreas onde se pretenda aplicar os instrumentos deverão estar gravadas no plano diretor como garantia para sua efetivação na prática.

Articu lação da p olí tica ur ba na

Parcelamento, Edificação e Utilização compulsórios
Artigo 182 da Constituição: prevê que o poder público municipal pode exigir do proprietário do solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado que promova seu adequado aproveitamento, sob pena, sucessivamente, de: - parcelamento, edificação ou utilização compulsórios; - imposto predial e territorial urbano progressivo no tempo; - desapropriação com pagamento em títulos da dívida pública.  Conceito - Com esse instrumento pode-se estabelecer, através de notificação ao proprietário, prazo para o parcelamento, edificação e utilização das áreas vazias ou subutilizadas. - Considera-se subutilizado o imóvel cujo aproveitamento seja inferior ao mínimo definido no Plano Diretor ou em legislação dele decorrente.  Objetivos - Tem o objetivo de coibir a retenção especulativa de imóvel urbano. - Considera-se que as áreas vazias na malha urbana são socialmente prejudiciais, sendo atendidas por infra-estrutura urbana (implementada através de investimentos públicos) devem servir às necessidades da população.  Como implementar - Deverá ser criada lei municipal específica para reger o parcelamento, a edificação ou a utilização compulsórios, na qual serão fixadas as condições e os prazos para implementação da referida obrigação, aplicando-se em área incluída no Plano Diretor.

Indução do desenvolvimento urbano

IPTU progressivo no tempo
 Conceito - Tributo de valor crescente (ano a ano) que busca punir os proprietários de terrenos cuja ociosidade ou mal aproveitamento acarrete prejuízo à população. - Aplica-se aos proprietários que não atenderam à notificação para parcelamento, edificação ou utilização compulsórios.  Objetivo - O objetivo é estimular a utilização socialmente justa e adequada desses imóveis ou sua venda.  Como implementar - A aplicação do imposto predial e territorial progressivo no tempo ocorrerá mediante elevação da alíquota pelo prazo de cinco anos consecutivos, tendo como limite máximo 15% do valor venal do imóvel.  Alertas - Ocorrerão em municípios que possuam um adequado sistema de cobrança, sendo necessário a permanente organização e atualização do cadastro imobiliário. - Cabe avaliar se a cidade tem problemas decorrentes da ocupação excessivamente dispersa. - Trata-se de um instrumento relativamente sofisticado de gestão, portanto, demanda que o governo municipal esteja capacitado para adotá-lo.

Indução do desenvolvimento urbano

Desapropriação com pagamento em títulos da dívida pública
 Conceito - Após 5 anos de cobrança do IPTU progressivo no tempo, sem que o proprietário tenha cumprido a obrigação de parcelamento, edificação ou utilização, o poder público municipal poderá desapropriar o imóvel, com pagamento em títulos da dívida pública.  Objetivo As áreas desapropriadas poderão servir para promoção de transformações na cidade, como: -a implantação de unidades habitacionais ou a criação de espaços públicos para atividades culturais, de lazer e de preservação do meio ambiente; - destinação de áreas para atividades econômicas voltadas à geração de renda e emprego.  Como implementar - Sua utilização somente se dará no caso de ineficácia das penalidades anteriormente citadas.

Indução do desenvolvimento urbano

Direito de preempção
 Conceito - Confere, ao poder público municipal, preferência para a compra de imóvel urbano, respeitado seu valor no mercado imobiliário, antes que o mesmo seja comercializado entre particulares.  Objetivo - Permite que o poder público tenha preferência na aquisição de imóveis de interesse histórico, cultural ou ambiental, para que estes recebam usos especiais e de interesse coletivo. - Possibilita a aquisição de áreas para a construção de habitação popular; a implantação de atividades destinadas ao lazer e recreação coletivos; a realização de obras públicas de interesse geral da cidade. - O Município, a partir desse instrumento, pode constituir gradativamente uma reserva fundiária ou estoque de terrenos, sem a necessidade de adoção de medidas como a desapropriação, que muitas vezes acarretam problemas sociais e jurídicos.  Como implementar - Lei municipal, baseada no Plano Diretor, deverá delimitar as áreas onde incidirá a preempção. - As áreas devem ser destinadas às finalidades: regularização fundiária; programas e projetos habitacionais de interesse social; reserva fundiária; ordenamento e direcionamento da expansão urbana; implantação de equipamentos urbanos e comunitários; espaços públicos de lazer e áreas verdes; unidades de conservação ou proteção de outras áreas de interesse ambiental; proteção de áreas de interesse histórico, cultural ou paisagístico.

Indução do desenvolvimento urbano

Outorga onerosa do direito de construir
 Conceito - Fundamentada por dois princípios: direito de superfície [dir. prpop.≠ dir. constr.] e função social da propriedade. - Agrega ou subtrai valor a uma propriedade, em função de sua capacidade de edificação [solo criado], concedido por legislação urbanística [através de coeficiente de aproveitamento ou densidade básica]. - Proprietário poderá construir para além da relação estabelecida para a área, porém, pagando ao poder público pelo direito concedido, com valor proporcional ao custo do terreno.

Indução do desenvolvimento urbano

 Objetivos - Maior controle das densidades urbanas; geração de recursos para investimentos em áreas pobres; desaceleração da especulação imobiliária.  Como implementar - PD deverá fixar áreas nas quais o direito de construir e de alteração de uso poderá ser exercido, estabelecendo índices adequados, compatíveis. - PD deverá definir os limites máximos de construção a serem atingidos, considerando a infra-estrutura existente e o potencial de densidade a ser alcançado em cada área. - PD poderá fixar um coeficiente de aproveitamento básico, único para toda a zona urbana, ou nos casos necessários, adotar coeficiente diferenciado para áreas específicas.  Alertas - As condições para a outorga onerosa deverão constar em lei municipal específica [recomendável que seja o próprio plano]. - Às vezes adensamento construtivo não vem acompanhado de adensamento

Operações urbanas consorciadas
 Conceito - Conjunto de intervenções e medidas coordenadas pelo poder público municipal, com a finalidade de preservar, recuperar ou transformar um setor da cidade contando com a participação dos proprietários, moradores, usuários permanentes e investidores privados.  Objetivo - O objetivo é viabilizar intervenções estruturais em maior escala, melhorias sociais e a valorização ambiental de determinada área.

Indução do desenvolvimento urbano

 Como implementar - Aplicação decorrente de estratégia estabelecida pelo PD [onde será implantada e com que finalidade] e realizada leitura da área a tingida. - Apresentada lei específica de aprovação do instrumento em plano de operação urbana consorciada com: a área a ser atingida; programa básico de sua ocupação; previsão de um programa de atendimento econômico e social para a população diretamente afetada pela operação; as finalidades da operação; um estudo prévio de impacto de vizinhança; a contrapartida a ser exigida dos proprietários, usuários permanentes e investidores privados em função da utilização dos benefícios previstos na lei; e a forma de controle da operação, obrigatoriamente compartilhada com representação da sociedade civil. - Possibilidade de serem previstas a modificação de índices e de características do parcelamento, uso e ocupação do solo e subsolo; as alterações das normas para edificação; a regularização de construções, reformas ou ampliações executadas em desacordo com a legislação vigente; e a emissão, pelo município, de certificados de potencial adicional de construção, a serem alienados em leilão.  Alertas -Incidir em áreas já valorizadas, expulsando usos, atividades e populações.

Instituição de ZEIS

[ou AEIS]

 Conceito - Produtos das lutas dos assentamentos irregulares pela não remoção, melhoria das condições urbanísticas e regularização fundiária.  Objetivo -Inclusão de parcelas marginalizadas da cidade nas regras legais; introdução de serviços e infra-estrutura onde não chegavam; regulação do mercado de terras pela redução da diferença dos preços; aumento da arrecadação do município [áreas regularizadas podem passar a ser tributas]; aumento oferta de terras para o mercado de baixa renda. Como implementar - Em função do uso e ocupação da área urbana, identificar assentamentos irregulares onde haja interesse público de promover sua regularização. - Delimitação de áreas; poder público articular parcerias para construção de moradia popular; adoção de índices e parâmetros urbanísticos diferenciados; definição de formas de participação da iniciativa privada [proprietários dos terrenos, promotores imobiliários e associações de moradores]. OBS.: áreas de especial interesse urbanístico [Lei nº 6.766/79] para definir áreas inseridas em zona rural. Há também possibilidade de criação de AEI ambiental, histórico, cultural, paisagístico...

Regula riz açã o fund iária

Conselhos – Órgãos colegiados de política urbana

 Conceito - Órgão em que representantes do governo + diversos setores da sociedade civil [instituições do poder público, universidades, entidades sindicais, associações de moradores, ongs] participam do planejamento e da gestão cotidiana da cidade.

De mocr atizaçã o da g estão ur ba na

 Objetivos - Incluir setores não especializados no debate das políticas urbanas. - Interceptar relações tradicionais entre executivo e legislativo.  Como implementar - Proposta e aprovação de lei pela Câmara municipal instituindo o Conselho. - Lei deverá definir: suas competências; seu caráter [consultivo ou deliberativo]; sua composição [número e proveniência]; o modo de escolha dos representantes. - Executivo deve prover infra-estrutura mínima [sala reuniões, linha telefônica, forma de circulação de informações e convocações].  Alertas - Drenagem dos recursos destinados a estes órgãos são formas de enfraquecê-los. - Linguagem técnica dificulta uma participação popular ampla. - Garantia de idoneidade nos processo de escolha dos representantes [eleições].

Discussão e Apresentação
Temas m ais r ecorrente s p ara a tivida de co le tiva
a pauta projetual para a Barra do Ribeiro e os instrumentos do Estatuto da Cidade [O Estatuto ajuda a pensar a gestão municipal, possibilitando imaginar como as idéias de projeto podem ser viabilizadas por uma política urbana conjunta.] 01. integração espacial no interior do município [redes, interfaces] 02. vida comunitária; associações; cooperativas 03. políticas setoriais: saúde, educação, geração de renda 04. 05. 06. 07. 08. 09. 10. mobilidade urbana [intra & inter] áreas de especial interesse [urbanístico | cultural | ambiental] contenção expansão especulação periférica + adensamento área central agrovilas | hortas comunitárias | cooperativas | economia solidária indústria e comércio [criação ou fortalecimento de pólos]; pesquisa [técnica e universitária] turismo [ecológico | rural | de esportes aquáticos]

11. áreas de interesse social → Em grupos, discutir e identificar quais instrumentos ou pressupostos existentes no Estatuto poderiam ser aplicados para viabilizar as pautas elencadas [“demarcar” onde; explicitar como será utilizado e o que se busca atingir através do instrumento, por exemplo].