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Professora: Renata Souza Martins Especialista em Saúde Pública e da Família Mestre em Ciências da Saúde

Terminologias e definições
 Nascimento: é a completa expulsão de um feto do

organismo materno, independente do fato de o cordão ou de a placenta estar inserida.
 Vida ao nascimento: Rn respira ou mostra qualquer

outra evidência vital, como BC, pulsação do cordão umbilical ou movimentos efetivos da musculatura voluntária.

Terminologias e definições
 Nativivo: é o produto de um nascimento de feto vivo.  Natimorto: é o produto de um nascimento de feto morto.  Óbito fetal: ocorrido com menos de 28 dias de nascimento.  Morte neonatal precoce: é aquela ocorrida em criança nascida viva durante

os primeiros 7 dias completos (168h) de vida.
 Morte neonatal tardia: é aquela ocorrida em criança nascida viva depois de

7 dias completos, mas antes de completar 28 dias de vida.

Terminologias e definições
 Idade da criança: a idade da criança é o tempo marcado em horas, dias,

semanas, que decoreem desde o momento do seu nascimento.
 Período perinatal: é o período que se estende entre a 28ª semana de

gestação, incluindo fetos pesando 1001g ou mais até o sétimo dia de vida.
 Período neonatal: é o intervalo de tempo que vai desde o nascimento

até 27 dias, 23 horas e 59 minutos.

Classificação quanto ao peso
 RNBP: pesando < de 2.500g

 RNMBP: pesando < de 1.500g
 RNEBP: pesando < de 1.000g

Classificação quanto à idade gestacional
 RN pré-termo: Rn antes da 37ª semana de gestação
 RN termo: Rn no período entre 37ª semana de gestação

e menos de 42 semanas de gestação.
 Rn pós-termo: Rn com 42 semanas de gestação ou

mais.

Adaptação à vida extra-uterina
 O nascimento é uma troca obrigatória de ambiente

 A transição para a vida extra-uterina é um processo

complexo, onde estão envolvidos diversos processos de adaptação.

Adaptação à vida extra-uterina
 Mudança de habitat
ESCURO QUENTE ÚMIDO ESTÍMULOS SENSORIAIS CLARO AÉREO TEMPERATURA INSTÁVEL ESTÍMULOS SENSORIAIS

 Interação feto-materno-placentária – o bebê assume as

funções fisiológicas (respiração, nutrição e eliminação)

Adaptação Pulmonar
 26° dia – início da formação do sistema respiratório  22 a 24 semanas – diferenciação morfológica das células alveolares tipo

II (sintetizam, armazenam e secretam o surfactante)
 28 semanas – secreção ativa, mas insuficiente de surfactamte

 35 a 36 semanas- secreção suficiente de surfactante
 36 40 semanas – maturação pulmonar

Surfactante
 Líquido que atapeta a face interna dos alvéolos pulmonares,

modificando a elasticidade e retração pulmonar.
 Função – reduzir a tensão superficial ao nível alveolar, impedindo o

colabamento dos alvéolos.
 Composição – mistura complexa (lectina e esfingomielina)  Determinação da maturidade pulmonar – presença de surfactante no

líquido amniótico
 Até 30 semanas – concetração de esfingomielina (S) é superior à de lectina (L)  A partir de 34 semanas – a relação se inverte para L:S igual ou superior a 2:1

Respiração propriamente dita
 20 semanas - Desenvolvimento da caixa torácica,

músculos respiratórios, desenvolvimento pulmonar.
 Final

da gestação – circulações pulmonares e brônquicas já estão bem desenvolvidas, e se caracterizam por ser de baixo fluxo e alta pressão.

Causas da alta resistência vascular pulmonar (RVP)
 Fatores mecânicos

- Falta de aeração - Compressão dos capilares pulmonares pelo líquido pulmonar fetal
 Vasoconstricção

- Menor PO2 - Ação das prostaglandinas
 Estes fatores são responsáveis pela característica da circulação fetal

RVP > RVS

Resumo
Líquido pulmonar fetal nos alvéolos Compressão da caixa torácica no canal do parto – ejeção de líquido Recuo da parede torácica – inspiração passiva do ar

Diminuição da RVP
Entrada de sangue nos capilares pulmonares Interface ar-líquido tendendo a colabar os alvéolos (SURFACTANTE)

Transição da circulação fetal para a neonatal
 Placenta - “pulmão fetal”, contém 2 artérias e 1 veia  A maior parte do sangue oxigenado chega ao coração pela veia

umbilical e pela veia cava inferior é desviada através do forame oval e bombeada da aorta para a cabeça
 A maior parte do sangue desoxigenado que retorna pela veia cava

superior é bombeada, através da artéria pulmonar e ducto arterial, para ao pés e para as artérias umbilicais

Circulação fetal
 3 shunts: - Ducto venoso - Forame oval - Ducto arterial

Circulação neonatal
 Ao nascimento, a circulação placentária é interrompida e a RVS se eleva

subitamente.
 O RN apresenta uma asfixia progressiva  O RN realiza vários movimentos respiratórios vigorosos e os pulmões se

expandem
 Expansão dos pulmões – RVP cai para menos de 20% do valor intra-

uterino, e o fluxo sanguíneo pulmonar aumenta

Circulação neonatal
 O sangue que retorna dos pulmões eleva a pressão no AE, fechando o

forame oval quando a válvula que guarnece esse orifício é empurrada de encontro a septo interatrial.
 O ducto arterial, em virtude da maior tensão de oxigênio, entra em

constricção poucos minutos após o nascimento.
 Contração do esfíncter do ducto venoso, impedindo a passagem do sangue

para a VCI. A veia umbilical atrofia, formando o ligamento teres e o venoso.
 Fechamento do forame oval – Fisiológico (ao nascimento) e anatômico

(meses até 1 ano)  Fechamento do ducto arterial – fisiológico (4 dias) e anatômico (3 a 4 semanas)

Regulação da temperatura
 T corpórea fetal > T materna
 Ao nascimento – queda de 2 a 3 graus  Fatores que predispõe a perda de calor - Grande área de superfície exposta ao ambiente,

compensada pela posição de flexão - Fina camada de tecido subcutâneo

Regulação da temperatura
 Termogênese sem tremor - Metabolismo da gordura marrom (região cervical,

interescapular, axilas, ao redor dos rins) - Fontes termogênicas (coração, fígado e cérebro)
- Precauções para diminuir a perda de calor

Sistema Gastrointestinal
 16 – 17 semanas – início da deglutição de líquido

amniótico
 34 – 35 semanas – sucção e deglutição bem

desenvolvidas
 36 – 38 semanas – fácil adaptação à vida extra-uterina

Sistema Gastrointestinal
 Amilase pancreática e lipase – diminuídas ao

nascimento
 O intestino contém 60 – 200 g de mecônio –

eliminado em 24 hs
 Capacidade gástrica – 90 ml  Ondas antiperistálticas no esôfago e cárdia

imatura - regurgitação

Sistema hematopoiético
 Volume sanguíneo – 80 – 85 ml/Kg

 Plaquetas – 150.000 – 300.000/mm3
 Fatores de coagulação diminuídos  Imunidade passiva (IgG materna)  Fatores de coagulação: vitamina K diminuída. Risco de

doença hemorrágica

Sistema renal
 Durante a vida intra-uterina – a função renal é mínima – líquido amniótico  12 – 14 semanas- início da produção urinária  Ao nascimento – deficiência funcional na capacidade renal de concentrar a

urina e lidar com situação de estresse hidroeletrolítico (desidratação ou carga de solutos aumentada)
 1ª micção – 24 hs

 Esvaziamento vesical – 15 ml
 Micções – 20 episódios diários

Sistema musculoesquelético
 Existe uma maior quantidade de cartilagem do que de

osso ossificado (nariz e ossos do crânio)
 O crescimento muscular acontece por hipertrofia e não

por hiperplasia

Sistema endócrino
 Hormônio antidiurético (ADH) reduzido – o RN fica

mais suscetível à desidratação
 Hormônios sexuais maternos - Leite de bruxa - Pseudomenstruação - Hipertrofia dos grandes lábios

Funções sensoriais
 Visão – olho estruturalmente incompleto
 Não pode focalizar, mas pode acompanhar objetos

 Pupilas reagentes, reflexo de piscar, reflexo corneano
 Preferência por cores medianas (verde, amarelo, rosa) às

cores brilhantes ( vermelho, laranja, azul)

 Preferem objetos grandes com complexidade média

(formas geométricas) em vez de objetos pequenos e coloridos.

Funções sensoriais
 Olfato – processo de vínculo mãe-filho
 Diferenciam o leite materno da própria mãe do de

outras mulheres
 Reagem a odores fortes virando o rosto para o lado (

álcool, vinagre)
 Tato – sensação tátil em todo o corpo, especialmente

em face (boca), mãos e região plantar.

Funções sensoriais
 Paladar – tem reflexos gusto-facias distintos  Sem sabor- sem expressão facial  Doce – sucção vigorosa  Azedo – pregueamento dos lábios  Amargo – expressão raivosa e aborrecida

Reação do RN ao parto
 1° período de reatividade (30 minutos)
- Comportamento exploratório, olhos abertos, alerta, caretas, chora - FR – 80 ipm, irregular, roncos, batimentos de asa de nariz, gemidos - FC – 180 bpm - Movimentos mastigatórios, deglutição, sucção vigorosa - Secreções aumentadas - Temperatura tende a diminuir

Reação do RN ao parto
 Estágio de sono ou não reatividade ( 2 – 4hs)

- Pele rósea
- T, FR, FC diminuem
- (FC – 120 – 140 bm) - Urina e mecênio não são eliminados - Sono, com resposta mínima aos estímulos, espasmos espontâneos

Reação do RN ao parto
 2° período de reatividade ( 2 – 5 hs ) - Alerta responsivo - FC e FR aumentam (períodos alternados de bradicardia) - Reflexo de vômito - Secreções gástrica e respiratória aumentam - Eliminação de mecônio

Referências
ALVES FILHO, N. Manual de perinatologia. 2 ed. Rio de Janeiro: Medsi, 1995. KENNER, C. Enfermagem Neonatal. 2 ed. Rio de Janeiro: RA, 2001.

WONG, D., L. Enfermagem Pediátrica: Elementos essenciais à intervenção efetiva. 5 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1999.

Obrigada!!!