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UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PERNAMBUCO

PRÓ-REITORIA ACADÊMICA
CENTRO DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIA
COORDENAÇÕES DOS CURSOS DE QUÍMICA E MEIO
AMBIENTE

Mini-Curso SIUS: INTRODUÇÃO À
INTERPRETAÇÃO GRÁFICA EM QUÍMICA E
BIOQUÍMICA

Profs.: Roziana Jordão e Valdemir Alexandre
1. JUSTIFICATIVAS
- Provas e Relatórios de Aulas Práticas
- TCC, Monografias, Relatórios de Estágios, Dissertações e Teses
- Resultados precisam ser bem interpretados para oferecer um
farto material final sobre o fenômeno estudado e recompensar os
esforços do autor

2. OBJETIVO
- Demonstrar a importância que se deve dar à confecção e
interpretação de gráficos, no desenvolvimento de trabalhos
técnicos e científicos. Os recursos computacionais existentes
facilitam a obtenção de dados experimentais, mas é preciso
empreender esforços para aproveitar as facilidades disponíveis
da globalização, ou continuaremos a ser apenas o “País do
Futebol”.
3. UM POUCO DE ESTATÍSTICA

- ERRO é a diferença entre um valor obtido ao se medir uma
grandeza e o valor real ou correto da mesma.
Matematicamente : erro = valor medido ÷ valor real

- DESVIO é a diferença entre um valor obtido ao se medir uma
grandeza e um valor adotado que mais se aproxima do valor
real. Na prática se trabalha na maioria das vezes com desvios e
não com erros.
Matematicamente:
i
x x d ÷ =
n
x x
d
n
1 i
i ¿
=
÷
=
¿
=
=
n
1 i
i
x
n
1
x
- Quando o analista realiza apenas uma medida da grandeza, o
valor medido evidentemente será o valor adotado, já que não se
tem um conjunto de dados para ser analisado, como no caso
anterior.

- É costume tomar a incerteza de uma medida como sendo a
metade da menor divisão da escala do instrumento utilizado,
denominando-a desvio avaliado ou incerteza.

-Denominam-se algarismos significativos de uma medida os
algarismos exatos acrescidos de um único algarismo duvidoso.

- Exemplo: Foram efetuadas 8 medidas do diâmetro (D) de um
cabo, como mostra a tabela a seguir. Com esse conjunto de
medidas, obtém-se o valor médio e o desvio médio:



n D
n
(mm) d
i
(10
÷2
mm)
1
2
3
4
5
6
7
8
12,2
12,3
12,1
12,2
12,2
12,1
12,4
12,2
- 1,25
+ 8,75
- 11,25
- 1,25
- 1,25
- 11,25
+ 18,75
- 1,25
N= 8 ED
n
= 97,7mm Ed
i
= (55,00×10
-2
)mm
mm 12,2125 =
8
7 , 97
=
N
D
= D
i ¿
mm 0,0685 =
8
10 x 55,00
=
N
d
d
-2
i
D
¿
=

O valor da grandeza é D = (12,2125 ± 0,06875). No entanto,
observa-se que a incerteza no valor médio, isto é, o desvio
médio, afeta a segunda casa decimal desse valor. Assim, os
outros algarismos posteriores perdem o significado e não são
significativos, já que entre os algarismos significativos é
admitida a presença de um único algarismo duvidoso. No entanto
o arredondamento deve ser levado em consideração:

( )mm 07 , 0 12 , 12 D ± =
- Na adição e subtração - faz-se a operação normalmente e no final
reduz-se o resultado, usando critério de arredondamento, para o
número de casas decimais da grandeza menos precisa. Exemplos:
Adição: (12.441 + 57,91 + 1,987 + 0,0031 + 119,20) = 12.620,1001 =
12.620
Subtração - (12.441,2 ÷ 7.856,32) = 4.584,88 = 4.584,9

- Na multiplicação e divisão - o resultado deverá ter igual número
de algarismos (ou um algarismo a mais) que a grandeza com
menor quantidade de algarismos significativos que participa da
operação. Exemplos:
Multiplicação - (12,46 x 39,83) = 496.2818 = 496,28
Divisão - (803,407 / 13,1) = 61,328 = 61,33

- Na potenciação e radiciação o resultado deverá ter o mesmo
número de algarismos significativos da base (potenciação) ou do
radicando (radiciação):
Potenciação - (1,52 x 10
3
)
2
= 2,31 x 10
6

Radiciação - (0,75 x 10
4
)
1/2
= 0,87 x 10
2


Propagação de erros
- Adição e subtração de medidas
w = ax + by + cz


- Multiplicação e divisão de medida
w = Kx
a
y
b
z
c

( ) ( ) ( )
2 2 2
dz c y b x a w · + c · + c · = c
2 2
2
y
dy c
y
y b
x
x a
w w
|
|
.
|

\
| ·
+
|
|
.
|

\
| c ·
+
|
.
|

\
|
c ·
· = c
- Exemplo:
Sejam as medidas :
L1 = ( 23,5 ± 0,1 ) cm, L2 = (17,8 ± ,02) cm,
L3 = (23,9 ± 0,2). Calcule L = L1 + 2L2 – L3.
Expresse os valores de L e δL.

Resolução:
L = 23,5+2(17,8)-23,9 = 25,2



( ) ( ) ( ) ( )
2 2 2
3 L 1 2 L 2 1 L 1 w c · ÷ + c · + c · = c
( ) ( ) ( ) ( ) 146969 , 0 2 , 0 1 02 , 0 2 1 , 0 1 w
2 2 2
= · ÷ + · + · = c
2 , 0 2 , 25 L L ± = c ±
4. ESTUDOS DE CASOS
4.1 Diagrama de Fases
Interpretação Gráfica










- Indique quais regiões correspondem às diferentes fases e
identifique quais as curvas de transição de fases.
- Determine quais fases são encontradas nas seguintes
condições:
p=1,5 T=300; p=1,25 T=325; p=0,5 T=350; p=0,5
T=75°C
- Estime o ponto de fusão normal para essa substância
- Estime as coordenadas do ponto triplo e do ponto crítico
- Estime as pressões de vapor nas seguintes temperaturas: 300;
325; 350.
- Qual é o ponto de ebulição na pressão de 0,8?
4.2 Constante de Equilíbrio
- Dependência da constante de equilíbrio (K) para uma reação
química em função da temperatura é dada por:


-Para testar tal relação foram obtidos dados experimentais da
reação:

- Foram obtidos os seguintes valores:
( )
R
S
T
1
R
H
K ln
u u
u
A
+ ·
A
÷ =
( ) ( ) g NO 2 g O N
2 4 2
÷
T, K
298 0,144
310 0,352
320 0,705
330 1,352
T, K
340 2,496
350 4,450
360 7,682
370 12,88
u
K
u
K
- Sugira uma forma de obtenção gráfica desses dados em linha reta
- Explique como os valores das variações de entalpia e entropia
podem ser obtidos com auxílio deste gráfico
- Antes de confeccionar o gráfico calcule ln(K) e 1/T para os valores
da primeira linha. Use a Planilha Excel: -1,938; 3,356.10
-3

- O valor de 1/T envolve um fator de 10
-3
e unidade de K
-1
. Este fator
aumentará a medida que T aumenta. Desta forma, use uma notação
adequada antes de utilizar os dados para confeccionar os dados.
356 3
10
10
356 3
10 356 3
1
3
3
1 3
,
T
K
ou
K
,
K ,
T
=
·
·
= · =
÷ ÷
- Complete os seguintes dados:
T/K 10
3
K/T
298 0,144 3,356 -1,938
310 0,352
320 0,705
330 1,352
340 2,496 2,941 0,915
350 4,450 2,857 1,493
360 7,682 2,778 2,039
370 12,88 2,703 2,556
u
K
( )
u
K ln
- Confeccione o gráfico e determine o coeficiente angular da reta:
y=mx+c, m = -6,84
0,000
0,500
1,000
1,500
2,000
2,500
3,000
2,700 2,750 2,800 2,850 2,900 2,950 3,000 3,050 3,100
10^3 K/T
l
n
(
K
)
- Qual o significado do sinal negativo para o coeficiente angular?
- Determine agora os valores de:

e para um valor de R = 8,314 JK
-1
mol
-1


Resolução:
Do gráfico,

Da literatura:

Deduzindo-se que:

Ou, cancelando-se os sinais e rearranjando:

R
H
u
A
R
S
u
A
( ) c
T
K ,
K ln +
· · ÷
=
u
3
10 84 6
( )
R
S
T R
H
K ln
u u
u
A
+ ·
A
÷ =
1
K ,
R
H
3
10 84 6 · ÷ =
A
÷
u
mol
kJ
,
Kmol
J
, K , H 9 56 314 8 10 84 6
3
= · · = A
u

é relacionado com c da seguinte forma:

A quantidade c é a interseção da linha reta gerada com o
eixo do y, isto é, x = 0. Para determinar o valor desta
interseção têm-se diferentes formas de abordagens:

- Identificar na escala do gráfico o valor de y quando

- Escolher qualquer ponto ao longo da reta obtida, que permita
com uma boa precisão a determinação de y. Um exemplo é:
para x = 3, y = 0,5. Daí,
R
S
u
A
0
10
3
= =
T
K
x
c , , + · ÷ = 3 84 6 5 0
e



Então como





02 21 3 84 6 5 0 , , , c = · + =
R
S
c
u
A
=
mol K
J
,
mol K
J
, , R c S
·
=
·
· = · = A
u
8 174 314 8 02 21
mol K
J
, S
e
kJ , H
K
K
·
= A
= A
u
u
9 176
2 57
298
298
- A literatura apresenta os seguintes
dados para a reação abordada:










Como explicar tal diferença?
4.3 Método dos Mínimos Quadrados e a Regressão
Linear?
- Até agora os modelos ajustaram-se quase que perfeitamente
aos dados experimentais. Mas as oscilações normais dos
experimentos nos leva à dispersão dos dados, os quais têm que
serem representados pelo melhor modelo. Como testar esses
modelos? Qual o modelo que melhor se ajusta aos dados
experimentais?
- O método do Mínimos Quadrados é uma ferramenta
recomendada para auxiliar na análise gráfica de dados
experimentais.
- Suponha que se deseja ajustar uma reta: y = mx+c a dados
experimentais.
- As seguintes equações permitem estimar parâmetros
importantes que podem ser visualizados pelo gráfico:
- Valores médios





- Coeficientes angular, linear e suas variâncias
¿
=
=
n
1 i
i
x
n
1
x
¿
=
=
n
1 i
i
y
n
1
y
( )( )
( )
¿
¿
=
=
÷
÷ ÷
=
n
1 i
2
i
n
1 i
i i
x x
y y x x
m
x m y c · ÷ =
( )
2 n
c mx y
n
1 i
2
i i
2
÷
÷ ÷
= o
¿
=
2
n
1 i
i
n
1 i
2
i
2
2
m
x x n
n
|
|
.
|

\
|
÷
o
= o
¿ ¿
= =
2
n
1 i
i
n
1 i
2
i
n
1 i
2
i
2
2
c
x x n
x
|
|
.
|

\
|
÷
· o
= o
¿ ¿
¿
= =
=
- Passando pela origem






- Qual a melhor reta?
¿
¿
=
=
·
=
n
1 i
2
i
n
1 i
i i
x
y x
m
( )( )
( ) ( )
¿ ¿
¿
= =
=
÷ · ÷
÷ ÷
=
n
1 i
n
1 i
2
i
2
i
n
1 i
i i
y y x x
y y x x
r
4.4 Aplicações do MMQ
- Os seguintes dados experimentais de concentração foram
determinados juntamente com os respectivos tempos. Supondo
que a reação seja de 1ª ordem, determine os parâmetros cinéticos
da reação.

tempo, s c, M ln( c )
85 0,136 -1,995
210 0,118 -2,137
315 0,085 -2,459
395 0,052 -2,958
500 0,045 -3,110
620 0,037 -3,200
700 0,023 -3,781
805 0,015 -4,200
907 0,014 -4,262
1040 0,010 -4,620
- A constante de velocidade k para a reação:


foi estimada num dado intervalo de temperatura. Faça um gráfico e
estime o valor de r para o ajuste a uma reta. Qual o valor da
constante a 500 K? Qual o valor de r e interprete este valor
estimado. Ajuste o modelo proposto por Arrhenius aos dados
experimentais e estime k e E para a reação. Qual o novo valor de
r?






H O H H OH + ÷ +
2 2
T, K
300 0,04
350 0,42
400 2,52
450 11,0
500 33,3
T, K
550 80,9
600 175
650 341
700 594
1 1 5
10
÷ ÷ ÷
· · s M / k
1 1 5
10
÷ ÷ ÷
· · s M / k