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Instituto de Filosofia e Teologia Santa Cruz Curso de Teologia Trabalho de Conclusão de Curso

Murah Rannier Peixoto Vaz Orientador: Pe. Marcos Valério Rodrigues

Goiânia / 29 de novembro de 2013

• Trazer uma definição sobre evangelização e compreender o método de evangelização do período abarcado entre os Séc. XVIII e XIX. • Compreender o que foi o Padroado e suas consequências para a Igreja. • Definir os malefícios causados pelo padroado (regalismo; ingerências; má formação do clero; declínio da moral eclesiástica). • Dizer o que significaram as ingerências do Império e como isso afetou a aplicação do Concílio de Trento no Brasil e em Goiás. • Descrever o que foi a reforma tridentina, quais as suas necessidades, levando em consideração a realidade vivenciada no país e na Diocese goiana. • Evidenciar os expoentes desse movimento de reforma.

Objetivos da pesquisa

História da Igreja?
• É sob seu “aspecto subjetivo que a Igreja, como comunidade humana, é objeto da investigação histórica” (RUBERT, 1981, p. 14).

• O Verbo ao assumir a natureza humana. • Cristo é a chave e o eixo da história.13).História da Igreja? • “Qual a utilidade prática de uma história da Igreja do Brasil? A resposta pode ser sintetizada no antigo rifão: ‘Ninguém ama o que não conhece’” (RUBERT. . 15). no seu aspecto objetivo. p. p. é a presença da pessoa de Cristo no mundo(1981. assumiu também a história da humanidade. A Igreja. 1981.

• O método utilizado consistiu em uma abordagem sobre os principais trabalhos desenvolvidos por Riolando Azzi e a obra “Lugares e Pessoas – Subsídios Eclesiásticos para a História de Goiás” do Côn. José Trindade da Fonseca e Silva.Metodologia • Para esse trabalho a metodologia utilizada foi a dedutiva. .

Estrutura da monografia • Introdução • CAPÍTULO I: ANTECEDENTES HISTÓRICOS • 1.2 REALIDADE BRASILEIRA NO SÉCULO XIX 2.1 A criação dos Seminários 2.2 O PADROADO E SUAS CONSEQUÊNCIAS • • • • • CAPÍTULO II: UMA ANÁLISE DOS PRIMÓRDIOS DA REFORMA 2.1 A EVANGELIZAÇÃO NO “NOVO MUNDO” • 1.2.1 Doutrina da igreja sobre o celibato eclesiástico .2.1 O CONCÍLIO TRIDENTINO E A REAFIRMAÇÃO CATÓLICA 2.

2.2 A REFORMA NO EPISCOPADO DE DOM JOAQUIM GONÇALVES DE AZEVEDO • 4.4 DOM JOAQUIM E A CRIAÇÃO DO SEMINÁRIO EM GOIÁS .1 A REFORMA SE IMPÕE NO BRASIL E SEUS REFLEXOS CHEGAM À DIOCESE DE GOIÁS • 4.1 OS PRIMEIROS PASSOS PARA A REFORMA 3.3 O CONCÍLIO E A UNIFICAÇÃO DO EPISCOPADO ENTORNO DO PAPA • 4.• • • • CAPÍTULO III: O GERMINAR DA REFORMA 3.1 Tendências políticas e ideológicas do Bispo cego • CAPÍTULO IV: A REFORMA AVANÇA • 4.2 DOM FRANCISCO E O ALINHAMENTO COM O IMPÉRIO 3.

• CONSIDERAÇÕES FINAIS • REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS • BIBLIOGRAFIA CONSULTADA .

77). p. • “Os missionários católicos acompanhavam de perto a expansão colonial lusitana. Portugal já constituía um verdadeiro reino cristão. segundo os desígnios de Deus. • Essa evangelização deixou “uma rica experiência histórica. A atividade missionária constituía um aspecto da expansão da Cristandade” (AZZI.Antecedentes históricos • Evangelização – Missão primordial da Igreja • Na realidade. repleta de luzes e também de sombras” (PUEBLA 6). os missionários consideravam-se a serviço da Coroa para expandir as fronteiras da fé. 1987. incumbindo-lhes especificamente da pregação católica. 67). Segundo eles. p. . Tratava-se de dilatar e ampliar a Cristandade nas novas terras descobertas (AZZI. 1987.

. na pessoa do rei. São investidos de “poderes pontifícios” para administrar. a instituição eclesiástica. trata-se de uma “proteção”. e a Santa Sé. assim. Estabelece-se. ou “apadrinhamento”. tendo em vista a propagação da fé cristã e a consolidação da Igreja (MATOS. um solene compromisso entre o Estado. promovendo e sustentando as “obras religiosas”. p. 2001. nos seus respectivos territórios.Padroado: Aliança jurídica entre Trono-Altar Como a expressão sugere. “tutela”. 101). Basicamente temos aqui uma concessão dos papas a monarcas considerados “mui católicos” e profundamente comprometidos com os interesses da Igreja.

• Padroado: Aliança jurídica entre Trono-Altar Papa Silvestre e Constantino: Edito de Milão .

• Padroado: Aliança jurídica entre Trono-Altar Coroação de Carlos Magno .

• Padroado: Aliança jurídica entre Trono-Altar As terras de ultramar .

.• Padroado e direitos reais: • Nomeação para cargos eclesiásticos. • Placet real.

p. As principais foram a tomada de consciência dos reis “do grande dever que lhes competia na promoção e difusão da fé e por muito tempo desempenharam essa tarefa. 23). 2006. gozou de independência e autonomia” (AZZI. p. . Se houve desvantagens. também existiram vantagens. no Brasil. 24). 1987.PRÓS E CONTRAS: “por efeito do padroado. Por outro lado. os missionários gozaram da proteção e do favor do Estado para o trabalho da evangelização” (CASTRO. a Igreja nunca.

. Brasil . Goiás (1872).Seminários: Portugal (1566).UMA ANÁLISE DOS PRIMÓRDIOS DA REFORMA • O Concílio de Trento (1545-1563) .RJ(1739).Decreto Cum adulescentium aetas (1563) .

UMA ANÁLISE DOS PRIMÓRDIOS DA REFORMA Realidade brasileira no Séc XIX: . Brasil Reino Unido (1815).“Independência” (1822). .Liberalismo.Conflitos Igreja – Império brasileiro: Bulas Sollicita Catholicae Gregis. menos a Igreja. . 1975. na nova constituição. Praeclara Portugaliae Algarbiorum.Família real vem para o RJ (1808). . . • . p.Constituição de 1824 – regalismo: o clero lutou “a favor de liberdade para todo o mundo. 673). na Constituinte” (KIEMEN.

que reúne o primeiro sínodo do Brasil em 1707. p. O velho Portugal exportara para a novel Nação aquele ambiente intelectual (. 649). Merece destaque a atuação de D. • Estaríamos diante de um período de sérias apreensões para a vida militante da Igreja no Brasil. . 2006.) em que vários sacerdotes eram mais fiéis ao padroado do que verdadeiros filhos da Igreja Católica.UMA ANÁLISE DOS PRIMÓRDIOS DA REFORMA • O espírito da reforma em tempos anteriores teve “alguns prenúncios. Sebastião Monteiro da Vide. onde são promulgadas as Constituições Primeiras do Arcebispado da Bahia” (AZZI. 1974b. A Santa Sé era considerada em plano inferior.. 145). p.. mas faltou a continuidade necessária. Os seus representantes julgados “inúteis” (SILVA.

destaca-se D. Romualdo Antônio de Seixas. . “pela sua preclara inteligência e pela decidida luta empreendida em defesa dos direitos da Igreja contra as pretensões e usurpações do governo regalista”.O GERMINAR DA REFORMA • A década de 20 do Séc. segundo Azzi (Cf. 359). • Entre os bispos desse período. p. XIX marca o início do movimento de reforma no Brasil. arcebispo da Bahia. 1974. em 1827.

Feijó = • Ultramontanismo X Regalismo • X .O GERMINAR DA REFORMA • Dom Romualdo Seixas X Pe.

1948. têm os mesmos direitos que o Santo Padre em toda a Igreja Catholica. p. 390).A lei do celibato é simplesmente disciplinar” (Apud: MAGALHÃES. 2º . Diogo Feijó tinha como proposta que: 1º . Faço o máximo empenho na confirmação desse titular da Igreja.“Os bispos em suas dioceses. p. p. é cismático em começo de ação. 2010. embora detenha o carro a tempo” (ALMEIDA. 206). E para tal vou até a separação da Igreja brasileira da de Roma” (apud: VIEIRA. o Pe.621). • “Quanto ao Doutor Moura a questão é outra. 1925.O GERMINAR DA REFORMA • Em suma. • “é mais do que regalista. .

O GERMINAR DA REFORMA • Por sua vez. 1949. Preferiu ser. • Frei Dagoberto Romag Ofm (apud: ALMEIDA. . p. p. • “Feijó não soube. antes de tudo. o Bispo primaz do Brasil. Dom Romualdo quis e soube aliar os dois amores” (ALMEIDA. 682). um cidadão. 681). 1949. segundo Vilhena de Morais. 690) fez a seguinte afirmação: “Felizmente surgiu um homem providencial que fez baquear o Regente Feijó e salvou a comunhão eclesiástica com Roma”. não quis servir ao mesmo tempo à Igreja e à Pátria. p. “é a perfeita antítese de Feijó” (apud: ALMEIDA. 1949.

p. 1975. Antônio Joaquim de Melo em 1851 (AZZI. Antônio Ferreira Viçoso. com a eleição de D./ É somente na década seguinte que se inicia o terceiro centro de irradiação na diocese de São Paulo. 902). . em torno do eixo Belém-Bahia.A REFORMA AVANÇA • A REFORMA EM TRÊS TEMPOS E CENTROS GEOGRÁFICOS: • O primeiro grupo de bispos reformadores se constitui na década de vinte. tendo como figura principal o arcebispo Dom Romualdo Seixas./ O segundo grupo se estabelece na diocese de Mariana durante os anos quarenta. sob a liderança de D.

Dom Francisco e o alinhamento com o Império • • • • Dom Francisco Ferreira de Azevedo Nomeação: 1819. • Limitações: filiação natural. cegueira. Tendências ideológicas: claras influências liberais. Entrada na Diocese: 1824. . restrições da bula Sollicita Catholicae Gregis.

seminários de meninos (. 154).Dom Francisco e o alinhamento com o Império • Conforme a bula pontifícia de Leão XII. que criava as Dioceses de Goiás e Cuiabá.) de que legitimamente gozam as outras Igrejas catedrais daquelas regiões” (apud: SILVA. devia-se constituir os “cabidos. erário. dos seminários. • Além de prescrever a manutenção financeira do Cabido. mesas episcopais. das Catedrais e a decente habitação dos Bispos.. 2006. . zelo.. p.

o Côn. Trindade. 2006. 410). • “O defeito do pobre Prelado da Igreja de Goiás não vinha da falta de seminário. Francisco. mas alia esta falta ao contexto histórico. 2006. eram também os sinais do tempo” (SILVA. 159). ao fazer uso do “também” . à realidade que vivia a Igreja e toda a sociedade naquele momento histórico. isto é. Francisco é de irrestrita solidariedade ao Império” (SILVA. • Apesar de tentar defender D. p. p. inclui a falta do seminário. .Dom Francisco e o alinhamento com o Império • “A palavra de D.

Francisco: • Sem recursos para criar um seminário. p. BRASIL. . Francisco começa por educar ele próprio os novos aspirantes ao sacerdócio (Cf. havia “um religioso costume que cada vigário formasse o seu substituto. • Também outros padres o faziam. 1920b. o qual.Dom Francisco e o alinhamento com o Império • A formação no período de D. Segundo o Côn. 10). 2006. D. Trindade. como que preparando um sucessor.182). seria Padre-Mestre” (SILVA. p. além de pároco.

nesse primeiro tempo (1820-1840) da reforma. Francisco.Dom Francisco e o alinhamento com o Império • Devido às próprias limitações físicas de D. . mas também sem combatê-las de modo mais enérgico. Feijó. aliadas às suas influências políticas. a longa espera para ser sagrado Bispo e exercer todas as prerrogativas de um Bispo. às restrições do governo à bula de criação da Diocese. • Portanto. não houve sua repercussão na Diocese de Goiás. prevaleceu na Diocese goiana o alinhamento com o Império. sem que se que fizesse oposição aos erros regalistas da Constituição e sem que se defendesse as propostas do Pe.

p. 904). • visitas pastorais. Pedro II • Dom Antônio Viçoso • Dom Antônio Joaquim de Melo • Segundo Azzi (Cf. . 1975. • e criação do seminário para a formação de um novo clero virtuoso e santo.A REFORMA SE IMPÕE NO BRASIL E SEUS REFLEXOS CHEGAM À DIOCESE DE GOIÁS • Ponto importante: o Imperador D. os Bispos deram maior ênfase e destaque para três linhas de ação: • reforma do clero antigo.

) boa esperança temos de novos companheiros e dignos cooperadores por ser o nosso principal cuidado obedecer à determinação do Sagrado Concílio de Trento estabelecendo o nosso Seminário. no meio das enfermidades que o oprimiam. • (. 2007. p. a necessidade da instalação do Seminário” (2006. 217). • Segundo o Côn. onde os aspirantes ao Sacerdócio possam beber uma doutrina sólida. .. provem sua vocação e se formem no espírito Eclesiástico (In: NETO. concebe. esse Bispo estava sob a influência do eixo Belém-Bahia. 1863) • Formado no Seminário de D. Romualdo Seixas. 1862. p.. Trindade: “ao tomar posse de sua diocese.A REFORMA SE IMPÕE NO BRASIL E SEUS REFLEXOS CHEGAM À DIOCESE DE GOIÁS • Dom Domingos Quirino (1860. 140).

Romualdo Coelho.. que obteve do nosso Sumo Pontífice uma recomendação para França (. 1875) • Formado no seminário de D. • Carta pastoral de 8 de fevereiro de 1869: • Sim. somos obrigados em consciência a fazer todos os sacrifícios a bem de nossa Diocese. enquanto Deus nos dá algum vigor.) (In: SILVA. esse Bispo estava sob a influência do eixo Belém-Bahia. 219).A REFORMA SE IMPÕE NO BRASIL E SEUS REFLEXOS CHEGAM À DIOCESE DE GOIÁS • Dom Joaquim Gonçalves de Azevedo (1867.. . 2006. e neste intuito empreendemos uma viagem pelo Araguaia até Belém do Pará para cuidarmos da educação de alguns meninos nos bons seminários da Europa. o que só poderíamos conseguir por intermédio do Bispo daquela diocese. p.

O CONCÍLIO VATICANO I • Unificação do episcopado brasileiro entorno do Papa (infalibilidade). • Decreto contra o impedimento de comunicação direta com o Papa e contra o placet: • condenamos e reprovamos as sentenças dos que dizem poder-se impedir licitamente esta comunicação do chefe supremo com os pastores e rebanhos. não tem força ou valor. ou a subordinam ao poder secular. . a ponto de afirmarem que o que é determinado pela Sé Apostólica em virtude da sua autoridade para o governo da Igreja. a não ser depois de confirmado pelo beneplácito do poder secular (DZ 3062).

/ Essa fundação. digno dos maiores louvores (ASSIS. presidente da Província de Goiás à Assembleia legislativa (1872): • Cabe-me a satisfação de vir anunciar-vos a abertura do Seminário Episcopal de Goyaz. Joaquim e a criação do Seminário em Goiás • Relatório do Ministro da Justiça (1868): “Todas as Dioceses. á notável perseverança e firmes crenças do Exm.D. por conhecer sua utilidade em uma província onde o ensino secundário é diffícil. p. Sr. excepto a de Goyaz. • Antero Cícero de Assis. 1872. Joaquim Gonçalves de Azevedo. que occupou a attenção de diversos bispos desta diocese. e os constantes cuidados do Governo Imperial. Bispo D. possuem seminarios” (SOUZA./ Conseguio elle e dotou esta província com o melhoramento moral de que ella mais carecia talvez. 1869. devemos aos louváveis esforços. p. por tanto. 1). 41). . tornando-se.

• • • • • D. se punha em prática a implantação da reforma tridentina em Goiás. 1877 – transferência. a realidade da Diocese de Goiás não era diferente. 1879 – fechamento do seminário. Azzi (1992) afirma que a história do clero no Brasil sofreu uma trajetória de crises e reformas . . Depois de tantos esforços. Como se vislumbra. Joaquim e a criação do Seminário em Goiás 45 anos depois da criação da Diocese. Como se pode perceber. A criação do seminário era o coroamento da reforma tridentina em Goiás. mas antes de ser um ponto de chegada era apenas mais um ponto de partida sujeito a constantes retrocessos. de modo mais concreto. era preciso recomeçar.

. de modo local. a importância da formação eclesiástica para a vida da Igreja. na Diocese de Goiás.: • As ambiguidades da aliança Igreja-Estado e suas consequências para a evangelização e autogestão eclesial no Brasil e. portanto.Considerações finais • Analisou-se. • Em meio a tudo isso. XIX. • Os esforços pela reforma católica tanto geral como local. • Os nomes do episcopado brasileiro que se evidenciaram nesse movimento de reforma no Séc.

OBRIGADO! .

Marcos Valério Rodrigues Goiânia / 29 de novembro de 2013 .Instituto de Filosofia e Teologia Santa Cruz Curso de Teologia Trabalho de Conclusão de Curso Murah Rannier Peixoto Vaz Orientador: Pe.