Capítulo 2

Acerca do Objeto do Serviço Social: Uma proposta de Construção
Prof. Luan

Equipe Helder José Santos Izabela Nobre Renata Câmara Marilia Rocha Ana Celeste

A Construção do Objeto
Nesta perspectiva são destacadas duas grandes Possibilidades de construção do objeto, dicotomizando-as em perspectivas da integração social e perspectiva da libertação social, assumindo uma forma de ver que caracterizou o próprio movimento de Reconceituação do serviço social. A perspectiva era a construção de um serviço social revolucionário a partir do conceito de classes, das contradições do sistema capitalista, de denúncia da ideologia dominante.

conforme Marilda Iamamoto(1982). situandose. no âmbito das ciências sociais. instrumento de uma outra classe. Neto destaca que cabe ao serviço social as demandas sociais prático-empíricas. como profissão.O pensamento da luta de classes serviu de pano de fundo para uma identificação da profissão com ideal de uma ou outra classe. como um sistema de saber de segundo grau. podendo ser. é funcional a lógica do capital monopolista e dinamizando pelas forças conservadoras. . Netto (1992) defende a tese de que o serviço social. Nesta perspectiva o serviço social hora servi ao capital e ora aos trabalhadores.

são negadas qualquer possibilidade de um estatuto teórico e metodológico. dividindo assim o campo cientifico entre as ciências e suas aplicações. . reduzindo a profissão a penas uma execução.O serviço social não se instaurará profissão. Ao mesmo tempo em que Netto destaca no texto o caráter profissional do objeto de intervenção. e seu objeto será um complexo heteróclito de situações que demandam intervenções sobre variáveis empíricas.

organizações. e manifestação de interesses. A construção do objeto não se faz hoje fora do contexto institucional. representação. aspecto determinado de uma realidade total sobre qual irá formular um conjunto de reflexão e de proposições para intervenção. . em que se exerce o poder profissional. identidades. se enfrentam as estratégias de sobrevivência com as exigências da reprodução e as formas de percepção.Baptista considera que o objeto da intervenção profissional do assistente social é o segmento da realidade que lhe é posto como desafio.

o objeto da intervenção deve responder a um processo complexo de relações sociais em que se entrecruzam demandas políticas.Instituição e Poder As reflexões sobre poder institucional e o saber profissional vão recolocar a questão do objeto profissional numa outra ótica que aquela exclusiva de classes contra classes. mas articulada a ela na analise das relações de poder. o jogo do poder burocrático e tecnocrático e pressões dos usuários. uma lógica de campo especifico da atuação da área da assistência social. As instituições passaram a ser vistas como local de lutas de poderes. . hegemonia e contra hegemonia.

. entre a instituição e usuários. entre as políticas sociais e o projeto institucional. ora tomando-se o projeto profissional como uma mediação integradora e harmonizadora de conflitos. ora valorizandose o conflito entre os diferentes atores institucionais. num processo contraditório de interesses e projetos concretos. entre os próprios profissionais. Sob os prisma podemos nos salientar os conflitos entre auxiliares e profissionais.As relações institucionais podem ser vistas sob diferentes ângulos.

Não podendo tomar posição por nenhum partido. Inseridas em relações de forças e que. inclusive o de aliado dos dominados que se condicionam e constroem as estratégias de ação profissional.Há também os que consideram o serviço social no papel de mediador de conflitos. . A relação dos usuários com as instituições são relações complexas. por sua vez podem se estruturar em relações d força em que o assistente social pode exercer vários papéis.

A Proteção Social de Assistência Social são prestadas em dois níveis: Básica e Especial. A partir de uma perspectiva Histórica traduzida pelas formas de ajuda social. Do ponto de vista da atuação profissional interventiva. mas deixa de contemplar a complexidade das relações de poder. inserindo-os na rede de Proteção Social do município. o foco do trabalho não apenas descobrir regularidade e padrões. mas também se desenvolvem em processo de ruptura.A Proteção Social É a garantia de inclusão a todos os cidadãos que se encontram em situação de vulnerabilidade e/ou em situação de risco. . de construção e desconstrução de legitimações segundo o contexto e as relações sociais e o campo de forças em que se coloca. mas trabalhar estratégia de intervenção nas diferentes trajetórias e coletivas que se produzem nas relações sociais. Os ser visos profissionais podem ser vistos na ótica de continuidade históricas.

A Questão Social .

Por isso. que para enfrentá-la recorreu à implementação de políticas sociais (Heidrich. p. consciencializou essa classe da sua condição de exploração e levou à contestação da mesma. 1). deu origem ao empobrecimento do proletariado. O processo de urbanização. somado ao da industrialização. . em especial para a sociedade burguesa. mas ao mesmo tempo. a Questão Social atingiu contornos problemáticos.A Questão Social surgiu na Europa Ocidental do século XIX. 2006. designando o fenômeno de pobreza crescente entre os membros da classe operária.

monopolizada por uma parte da sociedade. a Questão Social pode ser definida como: O conjunto das expressões das desigualdades da sociedade capitalista madura. o trabalho torna-se mais amplamente social. 27). enquanto a apropriação dos seus frutos se mantém privada. que têm uma raiz comum: a produção social é cada vez mais coletiva. p. .Segundo Iamamoto (1999.

a Questão Social modificou-se. Segundo Heidrich (2006). o modelo liberal nasceu com o capitalismo e preconizou a não intervenção do Estado nas atividades de mercado.O mundo capitalista sofreu várias alterações ao longo do século XX e. Estas medidas mostraram-se ineficazes na medida em que o mercado não tem o poder de se auto-regular. o Welfare State e o Estado Neoliberal. sendo que a adopção de qualquer destes modelos derivou das transformações da Questão Social. conseqüentemente. deixando à sorte de cada um o seu fracasso ou sucesso. Pereira (2001) destaca três modelos de organização do Estado durante o século XX: o Estado Liberal. .

que é um meio-termo e tem em conta os diferentes estatutos sociais. o Welfare State veio trazer mais segurança no emprego e ganhos em justiça e direitos sociais. Existem três tipos de Welfare State: o Liberal. que limita o acesso das políticas sociais aos realmente pobres. o conservador. e o socialdemocrata. 1991). . que é o mais abrangente (Esping-Andersen.Segundo Esping-Andersen (1995).

um sistema centrado nos grandes Estados e nas grandes indústrias. Segundo esta perspectiva. passamos do Welfare Capitalism. . 1998). menos organizado e influenciado por fluxos financeiros e de informação. O capitalismo conseguiu afirmar-se como a única alternativa face à crise (Heidrich. para o Capitalismo Global. 2006). No mundo do trabalho ocorrem mudanças. as ideias Liberais ganham força. desestabilizando a vida profissional e familiar dos indivíduos e retirando poder aos Estados no controlo da economia (Mingione.Perante uma crise global no último terço do século XX.

mas sim em “novas formas para velhos conteúdos”. precariedade laboral. . “ as distintas expressões da questão social” não se traduzem numa “ nova” Questão Social. descendentes do capitalismo feroz que se vivencia atualmente. p. No entanto. pobreza e exclusão social. Estas novas condições. 2).Assim. os países industrializados parecem ser cada vez mais afetado pelo desemprego. são apelidadas de a “Nova” Questão Social. e segundo Mota (2000.

mas também político. terapeutas. entre os quais educadores sociais. Hoje o campo da intervenção social está permeado por diferentes atores. histórico.Forças e Mediações A construção do objeto profissional é um processo teórico. promotores sociais. imbricado e implicado tanto nas relações sociais mais gerais como nas relações particulares e especificas do campo das políticas e serviços sociais e das relações interprofissionais. agentes comunitários etc. .

Uma relação complexa . que passa pelos processos de hegemonia e contra hegemonia. sem perder. gênero. cultura. de dominação de raça. È com referência as relações de poder que vimos considerando a teoria e a prática do serviço social. portanto a referencia as relações estruturais do poder e as suas manifestações concretas nas relações do dia a dia. é evidente. . etnia.È na perspectiva relacional que vamos visualizar a questão do objeto profissional. O poder em si é uma relação.

nas condições históricas dadas. com os sujeitos da ação profissional . poder. È nessa contradição que vai se construir sua identidade profissional e o objeto de sua intervenção profissional.O foco da Intervenção social se constrói nesse processo de articulação do poder dos usuários e sujeitos da ação profissional no enfrentamento das questões relações complexas do dia a dia. acesso. organização. pois envolvem a construção de estratégia para dispor de recursos. informação. agilidade.

. A construção e desconstrução de mediações no processo de fragilização e fortalecimento do poder implica um instrumental operativo para captar as relações e elaborar estratégia que constituem o campo de uma profissão de intervenção social na constante relação teoria e prática.È ai que se dá o trabalho sobre as mediações complexas na dinâmica das relações particulares e gerais dos processos de fragilização social.