Racionalidade Argumentativa e Filosofia Argumentação e Lógica Formal Opção B – Lógica Proposicional

Sumário

- Lógica proposicional

- Linguagem proposicional
- Condições de verdade das conectivas lógicas verofuncionais -Tabelas de verdade - Determinação do valor de verdade de proposições compostas

Lógica Proposicional
Domínio da lógica matemática, lógica simbólica ou, ainda, lógica clássica criado nos finais do século XIX por G. Boole e G. Frege.
 Estuda as formas proposicionais geradas por cinco conetivas, ou operadores verofuncionais de formação de frases

 Estuda os argumentos dedutivos cuja validade depende exclusivamente da
relação entre formas proposicionais simples ou compostas  Usa uma linguagem própria – linguagem proposicional/simbólica

Proposições simples e proposições compostas A lógica proposicional distingue entre proposições simples, ou atómicas, e proposições compostas, complexas ou moleculares.

Proposição composta Proposição simples -É aquela que não pode decompor-se noutra Exemplo: A Natureza renasce Contém um ou mais operadores de formação de frases Exemplo
«É Primavera e a Natureza renasce.»

Contém a palavra «e» (operador usado para formar a frase composta)

» Exemplos «O João pensa que é Primavera.» «A Natureza renasce se. e só se.» «É possível que o João tenha razão . «se… então».Operadores verofuncionais «Não». é Primavera. «ou». «se e só se» e outros Operadores não verofuncionais «X pensa que…». «e». «é possível que…» Exemplos «Se é Primavera. então a Natureza renasce.» «Não é Primavera e a Natureza renasce.

formada pela aplicação da conectiva não verofuncional «X pensa que…» Com as conetivas não verofuncionais não é possível determinar o valor de verdade da proposição composta pela conectiva verofuncional «e» .Operadores de formação de frases. ou conectivas lógicas Se considerarmos que  «P» e «Q» são a forma proposicional de duas proposições simples  «P» e «Q» são verdadeiras podemos concluir que: Não podemos saber se «X pensa que P…» é verdadeira ou falsa «X pensa que P…» – proposição composta «P e Q» é verdadeira «P e Q» – proposição composta.

ou conectivas lógicas Frase composta: «Se é Primavera.» Contém duas frases declarativas simples: «É Primavera. O seu valor lógico (verdadeiro / falso) pode ser determinado a partir do valor lógico das frases simples e das condições de verdade da conectiva. à frase simples «É Primavera. então a Natureza renasce.Operadores de formação de frases. «A Natureza renasce. . Frase composta «O João pensa que é Primavera.» Foi formada usando a conectiva verofuncional «se…então».».» O seu valor lógico (verdadeiro / falso) não pode ser determinado a partir do valor lógico das frases simples Mesmo que a proposição simples seja verdadeira.» – é verdadeira ou falsa. não podemos saber se a proposição composta – «O João pensa que é Primavera.» Frase formada aplicando a conectiva não verofuncional «x pensa que…».

«↔» (se.  Para expressar a forma de uma qualquer proposição possível. ou interpretação Indicação da letra proposicional usada para expressar uma determinada proposição .)  Usar parêntesis para definir o âmbito das conectivas  Definir um dicionário. «→» (se… então). usar variáveis proposicionais (maiúsculas do início do alfabeto: A. Q. e só se. C…)  Para expressar os operadores de formação de frases ou conectivas lógicas verofuncionais usar: «~» (não). usar letras proposicionais (maiúsculas do meio do alfabeto: P. B. R…). «» (ou).Linguagem proposicional  Para expressar proposições simples específicas. «» (e)...

Q Alternativas ~P. P ⇒ Q P ⇔ Q. então Q P se. P ≡ Q . –P P & Q. P.Q P ⊃ Q.Símbolos lógicos CONETIVAS LÓGICAS OU VEROFUNCIONAIS Símbolo ¬ ∨ ∧ → ↔ Nome Negação Disjunção Conjunção Condicional Bicondicional Exemplo ¬P P∨Q P∧Q P→Q P↔Q Significado Não P P ou Q PeQ Se P. e só se.

» Procedimentos Dicionário P: A música é uma arte. Identificar a(s) conectiva(s 3.R)e definir a interpretação do argumento construindo um dicionário 2. a pintura é uma arte. Escrever a forma proposicional → (se… então) P→Q «P → Q» é uma proposição condicional formada pela ligação das proposições simples «P» – antecedente – e «Q» – consequente. Identificar as proposições simples com as letras proposicionais (P. então.Exemplo 1 Formalizar proposições compostas «Se a música é uma arte. 1. .Q. Q: A pintura é uma arte.

Âmbito das conetivas Exemplo «Para a sobremesa.» Frase declarativa:  com três proposições simples ligadas pelas conectivas «e» e «ou»  não está definido o âmbito de cada uma dessas conectivas  é o âmbito da conjunção e da disjunção que permite definir qual proposição expressa  linguagem natural – definição através da pontuação  linguagem proposicional – definição através de parêntesis TOMA ATENÇÃO NO EXEMPLO A SEGUIR: a . quero fruta e gelado ou mousse de chocolate.

«Para a sobremesa.Âmbito das conetivas Exemplo Para a sobremesa.» Forma proposicional (P  Q)  R O que define o âmbito das conetivas é o parênteses. R: Para a sobremesa quero mousse de chocolate. pois encontra-se fora do parênteses. quero fruta e gelado ou mousse de chocolate. quero fruta e gelado ou mousse de chocolate. ao estar fora do parênteses opera sobre as proposições que estão no seu interior. Q: Para a sobremesa quero gelado. A disjunção é a conectiva principal. No exemplo ao lado a disjunção opera sobre o P∧ Q. portanto o âmbito da disjunção é maior. Interpretação P: Para a sobremesa quero fruta. .

As condições de verdade de uma conectiva são as circunstâncias. expressas em tabelas de verdade.Condições de verdade das conetivas lógicas O valor de verdade das proposições compostas depende do valor de verdade das proposições simples existentes na fórmula e das condições de verdade das conetivas verofuncionais usadas para as formar. em que a proposição composta é verdadeira ou falsa. P Q ( P → Q)  ~Q VV VF FV FF . Construir uma tabela de verdade Na coluna da direita. escreve-se a forma proposicional e calculam-se os valores de verdade para cada circunstância.

Têm duas colunas. Se a fórmula tiver três proposições simples. há quatro possibilidades de V/F. Cada possibilidade / linha é uma circunstância da tabela P ~P V F P V V F F V V F F Q R V V F V V V F V V F F F V F F F P Q VV VF FV FF . escrevem-se as letras proposicionais e todas as possibilidades de combinação dos seus valores de verdade.OPERAÇÕES LÓGICAS E TABELAS DE VERDADE – COMO CONSTRUIR UMA TABELA DE VERDADE/INSPETOR DE CIRCUNSTÂNCIA. há duas possibilidades de V/F. Construir uma tabela de verdade As tabelas de verdade servem para determinara o valor de verdade das formas proposicionais compostas. Na coluna da esquerda. há oito possibilidades de V/F. Se a fórmula tiver uma proposição simples. Se a fórmula tiver duas proposições simples.

. os valores lógicos (verdadeiro / falso) das proposições compostas geradas por cada conetiva. Unária TODAS AS OUTRAS CONETIVAS SÃO BINÁRIAS. pois «P  Q» e «Q  P» têm o mesmo valor lógico Só é verdadeira na condição de P  Q» e «Q  P» serem verdadeiros Na coluna da direita de cada tabela. APLICAM-SE A MAIS DO QUE UMA PROPOSIÇÃO SIMPLES: É comutativa.Condições de verdade da negação e da conjunção Única conetiva que se aplica a uma única proposição simples ou composta.

pois «P  Q» e «Q  P» têm o mesmo valor lógico. Só é falso quando P  Q é falso A disjunção é comutativa. .Condições de verdade da disjunção Disjunção Inclusiva PQ V V V F Disjunção exclusiva PwQ F V V F As condições de verdade da disjunção inclusiva (e / ou) são diferentes das condições de verdade da disjunção exclusiva (ou… ou) Só é falso quando P w Q são V ou F simultaneamente.

Condições de verdade da condicional e da bicondicional A condicional não é comutativa. quando o antecedente é V e o consequente F A bicondicional é comutativa. pois na circunstância de «P» verdadeiro e «Q» falso. «P → Q» e «Q → P» não têm o mesmo valor de verdade Só é falsa na condição de P ser V e Q ser F. pois «P ↔ Q» e «Q ↔ P» têm o mesmo valor lógico Só é falsa quando P e Q tem valores lógicos distintos .

 Baseado nas condições de verdade das conetivas lógicas verofuncionais. .Inspector de circunstâncias  Sequência de tabelas de verdade que testam a validade dos argumentos dedutivos.  Consiste em determinar o valor de verdade de cada uma das premissas e da conclusão do argumento.

corro. pois : Um argumento é válido desde que não exista um único caso no qual se verifique a possibilidade das premissas serem verdadeiras e a conclusão falsa . INTERPRETAÇÃO Formalização Se corro sinto-me bem. Logo. por isso o argumento é considerado inválido. mas na terceira linha a circunstância verificada torna a conclusão falsa. Sinto-me bem . P→Q P: Corro Q: Sinto-me bem Q P P V V F F Q V F V F P→Q V F V V Q V F V F P V V F atenção F Na primeira linha as premissas são V e a conclusão V.Argumento Análise do seguinte argumento em termos de validade ou invalidade.

sou Espanhol P Q PVQ ~P Q V V F F V V F F F V F V V F F V V F V F O argumento é considerado válido e sólido. porque não existe um único caso/circunstância com premissas verdadeiras e conclusão falsa O argumento é sólido porque as premissas são Verdadeiras e a conclusão também. .Argumento Interpretação P: Sou Português Q: Sou Espanhol Formalização PVQ ~P Q Ou sou Português ou Espanhol. Não sou Português. Logo.

Isto é. um inspetor de circunstâncias mostra-nos o que terá de acontecer às premissas para nos permitir refutar a conclusão de um argumento válido.• • • • • • Um inspector de circunstâncias permite-nos não só saber se um argumento é válido. então Q P Logo. Logo. Logo. Ora. Consideremos este argumento simples: Se os nossos sentidos são fiáveis. a verdade é que os nossos sentidos merecem toda a confiança. Q . o mundo exterior existe. não há dúvida que o mundo exterior existe. a existência do mundo exterior é irrecusável. Ora. Se P. os nossos sentidos merecem confiança. então o mundo exterior existe. mas também em que circunstâncias é que um argumento válido pode ter uma conclusão falsa.» Eliminando o ruído e reformulando o argumento na sua forma canónica obteremos o seguinte: Se os nossos sentidos são fiáveis.

A única circunstância que torna ambas as premissas verdadeiras (linha 1) torna a conclusão igualmente verdadeira. Q • Um inspector de circunstâncias mostra-nos que se trata de um argumento válido: • P Q Se P.• Interpretação: • P: Os nossos sentidos são fiáveis Q: O mundo exterior existe • Uma formalização parcial deste argumento será a seguinte: • Se P. . então Q P Logo. então Q P Logo. Q P Q P→Q VVVVV P VFFVF Q FVVFV FFVFF • Não há circunstâncias em que as premissas sejam verdadeiras e a conclusão falsa.

mas se este caso existir o argumento é inválido. Assim sendo. quer os argumentos inválidos podem conter um caso com premissas e conclusão verdadeiras. quer os argumentos válidos podem conter um caso com premissas e conclusão falsas. .• Um argumento é válido desde que não exista um único caso no qual se verifique a possibilidade das premissas serem verdadeiras e a conclusão falsa.

Então. Ao estudo da lógica só interessam as falácias formais. P→Q ~Q Raciocínio Válido Logo. então. não passo no exame. a voluntária por sofisma. A falácia involuntária é designada por paralogismo. ~P Passo no exame. afirmarmos o Q: Fazer uma consequente cometemos a falácia da viagem. Afirmação do antecedente Modus ponens Se passo no exame. Q . Não faço uma viagem. afirmação do consequente P→Q P Raciocínio Válido Logo. Se passo no exame. aquelas que ocorrem apenas da forma lógica do argumentos . comete-se a falácia da negação do antecedente. Negação do consequente Modus tollens Interpretação P: Passar no exame.FALÁCIAS Formais – Afirmação do consquente e negação do antecedente REGRAS DA DEDUÇÃO Designa-se por falácia todo o raciocínio ou inferência que e apresenta incorreto ou inválido. Então. faço uma viagem. Se em vez de e negar consequente se negar o antecedente. faço uma viagem Se em vez de afirmarmos o antecedente . então. faço uma viagem.

Q Só é valido quado se afirma o antecedente. logo no caso acima e uma falácia . afirmarmos o consequente cometemos a falácia da afirmação do consequente • • • P→Q Q Raciocínio inválido Logo.Falácia da afirmação do consequente •Se em vez de afirmarmos o antecedente .

~P Raciocínio inválido Só é válido quando se nega o consequente . comete-se a falácia da negação do antecedente.Falácia da negação do antecedente • Se em vez de e negar consequente se negar o antecedente. •P → Q • ~P • Logo.

Leis de Morgan ~(p ^ q) = ~p v ~q ~( p v q) = ~p ^ ~q .

Negação de proposições compostas Negar uma proposição simples «P» equivale a aplicar-lhe a « ~ ». da disjunção e da condicional há as seguintes formas proposicionais equivalentes: Negação de proposições Conjunção ~ (P  Q) Formas proposicionais equivalentes ~P  ~Q Disjunção ~P  Q ~ (P  ~Q) Leis de De Morgan Condicional ~ (P → Q) P  ~Q . Para a negação da conjunção. Negar uma proposição composta «P  Q» equivale a aplicar a « ~ » a toda a fórmula.

ou conectivas lógicas verofuncionais. «se… então». «se. e só se» e outras equivalentes.RESUMO Lógica proposicional Domínio da lógica formal que estuda os argumentos dedutivos cuja validade depende dos valores de verdade de proposições formadas graças a palavras e expressões do tipo «não». «e». O valor lógico. «ou». Operadores de formação de frases. ou conectivas lógicas verofuncionais Palavras ou expressões que se juntam a uma ou várias frases simples e compostas para formar novas frases. destas novas frases pode ser determinado a partir dos valores de verdade das frases simples a que foram aplicados os operadores. . ou valor de verdade. a que chamamos operadores de formação de frases.

. O valor lógico.Valor lógico Palavras ou expressões que se juntam a uma ou várias frases simples e compostas para formar novas frases.P. destas novas frases pode ser determinado a partir dos valores de verdade das frases simples a que foram aplicados os operadores. ou valor de verdade. Letras proposicionais Letras usadas para traduzir cada uma das proposições específicas de uma dada forma proposicional. Há diferentes notações. usámos maiúsculas do meio do alfabeto. Âmbito de uma conectiva A proposição ou proposições a que a conectiva se aplica. R… Deve indicar-se sempre quais as proposições designadas por cada letra proposicional – é o que se chama estabelecer o dicionário. Q.

cada uma das possibilidades de combinação do valor lógico das proposições simples de uma fórmula. . para uma proposição composta. Circunstância Na lógica proposicional. permitindo determinar os correspondentes valores lógicos da proposição composta. consideram todas as possibilidades de combinação dos valores lógicos das proposições simples. simbolizadas pelas letras proposicionais. Cada circunstância corresponde a uma linha da tabela.Tabelas de verdade São dispositivos gráficos que. Para uma fórmula com 2 proposições simples há 4 possibilidades e para uma com 3 há 8 possibilidades de combinação desses valores.

que é verdadeira se «P» for falsa e falsa se «P» for verdadeira. Contingências Proposições. Negação Diz-se de uma proposição composta da forma «P». O valor lógico depende do valor de verdade das proposições simples. . cuja verdade ou falsidade não pode ser determinada por meios lógicos.Tautologias Proposições que são verdadeiras em virtude da forma lógica. As tautologias são verdades lógicas. pois são verdadeiras em todas as circunstâncias logicamente possíveis da tabela de verdade.

Exemplo Se todos os homens são mamíferos. P → R . Logo. se todos os homens são mamíferos. Interpretação P -Todos os homens são mamíferos Q. Se são animais. são seres vivos. então. são seres vivos. então.Todos os mamíferos são animais R: Todos os animais são seres vivo Formalização P→Q Q→R Logo.Argumentos hipotéticos Argumentos hipotéticos são argumentos dedutivos cujas proposições – premissas e conclusão – são proposições condicionais. então. são animais.