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Sistema Único de Saúde

Sonia Lucena de Andrade c/colaboração de: Amália Leonel Nascimento

O SUS QUE TEMOS... O SUS QUE QUEREMOS!

E O SUS QUE PRECISAMOS?

Encarar saúde apenas como ausência de doenças nos legou um quadro repleto não só das próprias doenças, como de desigualdades, insatisfação dos usuários, exclusão, baixa qualidade e falta de comprometimento profissional.

A saúde é um direito universal e fundamental do ser humano, firmado na Declaração Universal dos Direitos Humanos e assegurado pela Constituição Federal

proteção e recuperação”.Garantia da Saúde “A saúde é direito de todos e dever do Estado. . Constituição Federal de 1988. garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para a promoção. artigo 196.

Conceito de Saúde = qualidade de vida moradia trabalho educação transporte alimentação saneamento meio ambiente bens e serviços SAÚDE lazer renda .

Outros Conceitos no SUS • Sistema – refere-e a um conjunto de várias instituições. proteção e recuperação da saúde. * Os elementos integrantes do sistema referem-se ao mesmo tempo às atividades de promoção. que se integram para único fim comum. . dos três níveis do governo e do setor privado contratado e conveniado.

* Seus princípios são a universalização.Outros Conceitos no SUS • Unicidade – é a gestão única. a descentralização e a participação popular. . a integralidade. por cada esfera de governo. a equidade. do conjunto de elementos doutrinários e de organização do sistema de saúde.

2. Seguridade Social Saúde Previdência Assistência Social . o Sistema da Seguridade Social.O lugar do SUS na Constituição 1. O SUS faz parte das ações definidas na Constituição como sendo de “relevância pública”. A saúde faz parte de um sistema mais amplo.

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Princípios do SUS Universalidade Eqüidade Integralidade Participação Popular Regionalização e Hierarquização Descentralização e Comando único O SUS pode ser entendido como um núcleo comum (único). . e uma forma de organização e operacionalização. que concentra os princípios doutrinários. os princípios organizativos.

a prevenção de doenças. É fundamental a integração de ações. . independente de sexo. investindo mais onde a carência é maior.Princípios Doutrinários • Universalidade – Acesso aos serviços de saúde a todas as pessoas. É o princípio da justiça social. atendendo todas as suas necessidades. ocupação. • Eqüidade – Tem como objetivo reduzir as desigualdades. raça. mas tratando desigualmente os desiguais. o tratamento e a reabilitação. incluindo a promoção da saúde. renda. • Integralidade (da pessoa e das ações) – Considerar a pessoa como um todo. não através da igualdade. etc.

buscando o comando unificado dos mesmos. • Descentralização – É distribuir o poder e responsabilidade entre os três níveis do governo. • Participação Social – A participação da sociedade se concretiza através dos Conselhos de Saúde e das Conferências de Saúde. com direção única. na maioria das vezes. Ex: municipalização. • Hierarquização – Os serviços devem ser organizados em níveis crescentes de complexidade. um processo de articulação entre os serviços existentes.Princípios Organizativos • Regionalização – É. . circunscritos a determinada área geográfica. planejados nesta área a partir de critérios epidemiológicos e definição da clientela atendida.

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feitas em consenso pelas três esferas de governo e materializadas em Portarias Ministeriais. vem sendo. A partir daí. socialmente.Legislação do SUS O SUS foi criado pela Constituição Federal de 1988 e regulamentado pelas Leis n. 8. . 8.142/90. construído especialmente por meio de Normas Operacionais Básicas.080/90 e n.

. incorporando novas dimensões.Constituição Federal • Constituição Federal de 1988: A “Constituição Cidadã” foi um marco fundamental na redefinição das prioridades da política do Estado na área da saúde pública. define o SUS como ação de “relevância pública”. diretrizes. estabelece seus princípios. competências e financiamento. – Ela estabelece o conceito de saúde.

. diretrizes gerais e condições para organização e funcionamento do sistema. • Direção única do SUS. • Realização integrada das ações de vigilância sanitária. Ou seja. vigilância epidemiológica. de 1990: – Detalharam os princípios.080 e Lei nº 8.Leis Orgânicas da Saúde • Lei nº 8. exercida pelas três esferas do governo: União.142. definiram as competências do SUS: • Prestar assistência às pessoas por intermédio de ações de promoção. inclusive farmacêutica. assistência terapêutica integral. saúde do trabalhador. estados e municípios. prevenção e recuperação da saúde.

• Ex: NOB 01/93 e NOB 01/96 .Normas Operacionais Básicas • São instrumentos utilizados para a definição de estratégias e movimentos tático-operacionais que reorientam a operacionalidade do SUS. • Tais normas definiram as competências de cada esfera de governo e as condições necessárias para que estados e municípios (descentralização) pudessem assumir as novas atribuições no processo de implantação do SUS. a partir da avaliação periódica de sua implantação e desempenho.

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Gestores do SUS • FEDERAL – Ministério da Saúde • ESTADUAL – Secretaria de Estado da Saúde • MUNICIPAL – Secretaria Municipal de Saúde .

Funções Gestoras na Saúde a) Formulação de políticas / planejamento b) Financiamento c) Coordenação. controle e avaliação d) Prestação direta de serviços de saúde . regulação.

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. estimulando o debate e a negociação entre as partes. Estas comissões intergestores têm desempenhado papel relevante na formulação e na implementação da política de saúde e têm contribuído na complexa tarefa de desenvolver as diretrizes do SUS no Brasil. As decisões se dão por consenso (e não por votação).Comissões Intergestores São instâncias que integram a estrutura decisória do SUS.

Comissão Intergestores Bipartite • CIB na direção Estadual: – É constituída paritariamente por representantes da Secretaria Estadual de Saúde e das Secretarias Municipais de Saúde . incluindo obrigatoriamente o Secretário de Saúde da Capital . ou similar. indicados pelo Conselho de Secretários Municipais de Saúde (Cosems).

. são definidos diretrizes.Comissão Intergestores Tripartite • CIT na direção Nacional – É composta por representantes do Ministério da Saúde. programas. estratégias. projetos e alocação de recursos do SUS. do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) e do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems). – Na CIT.

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2. 3. 4.Financiamento do SUS • Dividido nos seguintes blocos: 1. Atenção básica Atenção de média e alta complexidade Vigilância em Saúde Assistência Farmacêutica .

– Estados: terão que gastar. . nos anos subseqüentes. da variação nominal do Produto Interno Bruto (PIB). – Municípios: comprometem 15% de suas contas. Os recursos financeiros para o SUS têm sido insuficientes para dar suporte a um sistema público universal de qualidade. acrescido de 5% e. no mínimo. 12% das suas receitas próprias com a saúde.Financiamento do SUS • Emenda Constitucional nº 29/2000: – União: limite mínimo de gasto foi estabelecido como o valor empenhado em 1999.

– Plano de Saúde – base das programações e atividades que serão desenvolvidas por cada nível de direção do SUS. Estados e Municípios devem apresentar os requsitos: – Fundo de Saúde – conta especial onde serão depositados e movimentados os recursos financeiros do SUS.Financiamento do SUS • Para receber os recursos federais. – Conselho de Saúde – órgão colegiado de caráter permanente e deliberativo. composto por representantes do governo prestadores de serviço – (25%). – Contrapartida dos recursos para a saúde no respectivo orçamento. Cargos e Salários elaborado por comissão. – Plano de Carreiras. sob fiscalização do Conselho de Saúde. Sua finalidade é exercer o controle social sobre a gestão e implantação do SUS. . profissionais de saúde (25%) e usuários (50%). – Relatórios de Gestão – mecanismo de acompanhamento da execução do plano de saúde e da aplicação dos recursos recebidos.

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Avanços a celebrar Aumento na quantidade de serviços: • Cobertura do PSF • Exames de imagem • Procedimentos de hemodiálise • Nº de consultas de pré-natal • Cobertura vacinal por DPT • Consultas médicas por internação • Procedimentos de quimioterapia • Cirurgias cardíacas .

Avanços a celebrar Melhoria na qualidade de serviços: • Programa Nacional de Imunização – cobertura vacinal e erradicação de doenças • Sistema Nacional de Transplantes – número de transplantados • Programa de Controle do HIV/Aids – tratamento e prevenção da doença • Saúde Mental – desospotalização e humanização dos serviços .

O SUS em números Em 20 anos de existência. o SUS tornou-se de enorme relevância e com resultados inquestionáveis à população: • • • • • • • 6 mil Hospitais 440 mil Leitos Ambulatoriais 63 mil Unidades Ambulatoriais 26 mil Equipes de Saúde da Família 215 mil Agentes Comunitários de Saúde 13 mil Equipes de Saúde Bucal Em mais de 5 mil municípios!!! .

Números anuais do SUS • 12 milhões de internações hospitalares • + de 1 bilhão de procedimentos em atenção primária à saúde • 50 milhões de consultas médicas • 2 milhões de partos • 300 milhões de exames laboratoriais • 1 milhão de tomografias computadorizadas • 9 milhões de exames de ultra-sonografia • 140 milhões de doses de vacina • + de 15 mil transplantes de órgãos .

mas como uma solução com problemas. espera em filas.Percepção do SUS “O SUS não deve ser visto como um problema sem solução. tempo perdido na recepção. • Mas o nível de conhecimento acerca do SUS da população em geral é muito pequeno.” • As percepções negativas estão fortemente associadas ao tempo de espera: demora em ser atendido. . • E o SUS vem perdendo a batalha da comunicação com a sociedade brasileira: mídia.

Desafios a superar • • • • • • Universalização Financiamento Modelo Institucional Modelo de Atenção à Saúde Gestão do Trabalho Participação Social .

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limitações e reajustes de coberturas • PQSS: Programa de Qualificação da Saúde Suplementar da ANS. e ainda não fica satisfeito • O plano de saúde pode falhar quando você + precisa • E na hora da aposentadoria ou caso de demissão? • Fique atento aos planos segmentados! • Exclusões. nem os planos são tão bons • Você paga duas vezes. Fique atento! • O Nutricionista nos Planos de Saúde: tratamento multiprofissional? Número de consultas e procedimentos suficientes? .As armadilhas dos Planos de Saúde • Nem o SUS é tão ruim. 2005.

Diferença entre os dois sistemas .

Diferença entre os dois sistemas .

não abra mão de seus direitos!!! .Seja qual for o plano.

080/90 – Lei nº 8.142/90 .Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde • Objetivo: promover o respeito destes direitos e assegurar seu reconhecimento efetivo e sua aplicação. • Base legal: – Constituição Federal (art. 196) – Lei nº 8.  Necessidade de promover mudanças de atitude em • Redação: – Ministério da Saúde – Conselho Nacional de Saúde – Comissão Intergestora Tripartite todas as práticas de atenção e gestão que fortaleçam a autonomia e o direito do cidadão.

.1. Todo cidadão tem direito ao acesso ordenado e organizado aos sistemas de saúde.

. Todo cidadão tem direito a tratamento adequado e efetivo para seu problema.2.

acolhedor e livre de qualquer discriminação. .3. Todo cidadão tem direito ao atendimento humanizado.

.4. Todo cidadão tem direito a atendimento que respeite a sua pessoa. seus valores e seus direitos.

5. . Todo cidadão também tem responsabilidades para que seu tratamento aconteça da forma adequada.

Todo cidadão tem direito ao comprometimento dos gestores da saúde para que os princípios anteriores sejam cumpridos.6. .

ed.. 2004. • O SUS no seu município: garantindo saúde para todos. 2001. . MS.Bibliografia Consultada: • Sistema Único de Saúde. • SUS: Princípios. • Seu Plano de Saúde: Conheça os abusos e armadilhas / IDEC: Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor. 2007.br . amalia. CONASS.ª reimpr. 2007. • O SUS pode ser seu melhor plano de saúde / IDEC: Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor. 3. • SUS: avanços e desafios. – 2. 2007.nascimento@ufpe. Gestão Municipal de Saúde: textos básicos.2003. Coleção Progestores – Para entender a gestão do SUS. Coleção Progestores – Para entender a gestão do SUS. CONASS. MS.

mais que de governos.O SUS QUE QUEREMOS “A necessária repolitização da Saúde não deve significar a sua partidarização.” . o SUS deve ser reafirmado. constantemente. Ao contrário. como política de Estado.