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Max Weber

Gabriel Cohn

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Exagerar é a minha profissão Contato apaixonado com os grandes problemas políticos do dia Busca incansável do conhecimento através de uma erudição sem paralelo nas CS deste século Intensidade da dedicação à pesquisa e à reflexão metodológica Desgaste pessoal até ao pleno colapso psíquico Recuperação fulgurante da capacidade criadora Ímpeto exacerbado das investidas contra o que lhe parecia errado, contidas no momento mesmo em que tudo parecia dar-lhe razão

Exagerar é a minha profissão • Durante a fase decisiva da Primeira Guerra, críticas às hesitações e aos erros do governo alemão (Guilherme II) • Investidas contra os grupos revolucionários após a renúncia de Guilherme II que comprometiam com sua ação a integridade nacional alemã • Sufocada a revolução pelo governo social-democrata (burguesia e militares), volta-se contra a direita em ascensão

ao cientista isso é vedado .Exagerar é a minha profissão • Pouco coerente com o político • Muito mais coadunado com a postura do cientista • Ao político é dado fazer alianças.

O tipo ideal • Recurso metodológico para orientar o cientista no interior da inesgotável variedade de fenômenos observáveis da vida social • Enfatizar determinados traços da realidade até concebê-los na sua expressão mais pura e consequente • São construídos no pensamento do observador. no plano das idéias sobre os fenômenos e não nos próprios fenômenos .

O tipo ideal • A realidade social só pode ser conhecida quando aqueles traços seus que interessam intensamente ao pesquisador são metodicamente exagerados para em seguida se poderem formular com clareza as questões relevantes sobre as relações entre os fenômenos .

mas já estão delineados nos primeiros trabalhos • Tese do trabalho é de que as causas do declínio da cultura européia antiga não são externas ao império romano. organização escravista do trabalho e comércio exterior costeiro) As causas sociais do declínio do Império Romano .• Coerência da obra weberiana – temas e modos de tratá-los vão ganhando forma ao longo dos anos. são causas sociais • Cultura decai em razão de uma lenta erosão de suas bases sociais – processos econômicos e políticos para examinar como se desagregam as instituições básicas do mundo antigo (cidades.

qual o seu significado contemporâneo? • À primeira vista.• Em que medida essa narrativa histórica é importante para nós. a postura assumida por Weber apresenta-se como se fosse meramente contemplativa • A leitura do texto permite constatar que Weber não se limita a uma postura contemplativa diante do processo que examina e que a referência e alusões a problemas contemporâneos se multiplicam no texto As causas sociais do declínio do Império Romano .

que resultaria na diferenciação entre uma perspectiva a) historiográfica e uma b) sociológica a) Preocupação com o caráter peculiar de uma configuração cultural e com as causas disso b) Questão dos elementos dessa configuração que tenham um caráter mais geral e possam ser encontrados em outras épocas e em outros lugares As causas sociais do declínio do Império Romano .• Já nessa época Weber estava às voltas com a distinção metodológica entre duas ordens diversas de problemas.

• Lançava as bases para um tratamento mais amplo de praticamente todos os aspectos que o absorveriam ao longo da sua vida acerca do seu grande tema de estudos: o capitalismo moderno e o processo de racionalização da conduta de vida da qual ele é expressão A histórica agrária de Roma e sua importância para o direito público e privado .

Toda burocracia tem a tendência de alcançar o mesmo efeito pela sua expansão. Também a nossa”. tal como ocorreu na Antiguidade” .Condições agrárias da Antiguidade • “O bloqueio da iniciativa econômica privada pela burocracia não é específico da Antiguidade. • “Tudo indica que a burocratização da sociedade irá assenhorear-se do capitalismo entre nós em algum momento.

Análise comparativa de Weber • Como se justificam as referências ao capitalismo moderno e à sua tendência para a burocratização? • Exame comparativo entre traços de um período e traços encontrados em outros. pois a cidade antiga é uma instituição política. dois tipos de cidade são inteiramente diversos. ao passo que a cidade medieval é fundamentalmente econômica . admitindo-se a especificidade de cada um e a circunstância de que a comparação sempre incidirá sobre aspectos parciais e selecionados dos processos em confronto • Colocados nos seus contextos particulares.

mas. de traços que não fossem congruentes com essa racionalização .Análise comparativa de Weber • Não opera na busca do que seja comum a várias ou a todas as configurações históricas. permitirá trazer à tona o que é peculiar a cada uma delas • Visão comparativa apurando-se cada vez mais. em outras configurações históricas. orientada pela busca daquilo que é específico ao mundo ocidental moderno – a presença de um capitalismo organizado em moldes racionais e a racionalização da conduta em todas as esferas da existência humana – em termos da busca.

Análise comparativa de Weber • Pesquisa histórica pode nos ajudar em duas coisas: a) Apontar os traços que reputamos importantes no nosso mundo contemporâneo e que também estejam presentes em outras épocas e lugares. devido a causas específicas a serem examinadas em cada caso b) Assinalar traços existentes no nosso universo histórico particular que possam ser apontados como responsáveis pelas diferenças entre ele e os demais (sendo que eles figurarão na análise como causas dessa diferença). .

como um componente significativo nuclear de toda a relação social . que desempenha papel fundamental no esquema weberiano. ela seria incorporada ao esquema analítico e associada à idéia de luta.Luta e seleção • Temas prioritários para Weber no final do século XIX: a) Integridade cultural da nação alemã b) Definição dos seus segmentos aptos a dirigi-la em um período de crise do poder • Idéia de seleção é importante: despojada das analogia biológicas.

os seus objetivos e mesmo a sua orientação básica e os seus portadores. mas ela própria não pode ser suprimida • A luta encontra-se em toda parte e por vezes afirma-se tanto mais quanto menos é percebida ou quando adota no seu transcurso a forma de uma omissão cômoda ou de uma complacência ilusória .Sentido da neutralidade valorativa nas ciências sociais • É impossível eliminar a luta de qualquer vida cultural • Pode-se mudar os seus meios.

Sentido da neutralidade valorativa nas ciências sociais • Quando se decide avaliar uma ordenação das relações sociais de qualquer natureza é preciso examinar sempre e sem exceções a que tipo de pessoas ela oferece as maiores chances de tornarem-se dominantes pela via da seleção interna ou externa • Gostaria de recordar isso àqueles numerosos colegas que crêem na possibilidade de operar com conceitos unívocos baseados na idéia de progresso no tratamento de desenvolvimentos sociais .

da dominação e do poder • A luta pela existência que ocorre no confronto entre alemães e poloneses nas fronteiras da Prússia é analisada contra o pano de fundo da luta pela direção da sociedade alemã como um todo . do confronto de interesses e valores inconciliáveis.Sentido da neutralidade valorativa nas ciências sociais • Relação entre processo de diferenciação interna e integração da sociedade e a luta pela existência em seu interior (diferença com relação a Durkheim) • Weber é o analista por excelência do conflito.

da relação entre juízos de valor e conhecimento científico • A adesão a determinados valores (éticos. tão importante para Weber. ainda que esta necessariamente seja despojada de valorações no seu desenvolvimento interno • Noções como cultura e nação são conceitos de valor. que orientam a pesquisa e não podem ser neutralizadas ou eliminadas .Sentido da neutralidade valorativa nas ciências sociais • Deve ser lido com atenção no seu tratamento do tema. estéticos ou de qualquer natureza) sempre está envolvida na seleção de um tema para análise.

política .Sentido da neutralidade valorativa nas ciências sociais • Posição destacada que a dimensão relativa à luta pelo poder ocuparia sempre no pensamento weberiano • Ênfase sobre a economia entendida como ciência da política econômica nacional. subordinada aos interesses de poder nacionais • Defende a autonomia da dimensão política – exorcizar a idéia de que ela seja determinada pela economia. no sentido mais extremo de que o exame das condições da ativ. econômica permitiria deduzir as condições correspondentes da ativ.

Sentido da neutralidade valorativa nas ciências sociais • Deve-se distinguir claramente: a) Ciência econômica no sentido estrito do termo – disciplina preocupada com o uso mais adequado de meios específicos para a obtenção de fins também específicos num contexto de escassez • O cientista deve abster-se de qualquer juízo de valor na sua análise – não lhe cabe reivindicar um caráter imperativo para suas conclusões b) Política propriamente dita – envolve decisões baseadas em valores fundamentais e inquestionados .

colidem com outros . que deve tomar decisões impulsionadas por interesses que entrarão em choque com interesses alheios e que têm por fundamento último certos valores.Ciência e política – duas vocações • Um dos grandes temas weberianos • Conferências sobre Ciência como Vocaçao e Política como Vocação a) Postura correta do cientista – só é lícito reconstruir os fatos considerados significativos e analisálos conforme as exigências universais do método científico b) Homem de ação – voltado para as questões práticas.

do maior alcance intelectual e espiritual sejam transformados aqui em questões de uma „produtividade‟ técnico-econômica e sejam convertidas em tópico de discussão de uma disciplina técnica como a Economia”.O ser e o dever ser • A distinção não é feita para desacreditar os imperativos para a ação em nome de algum ascetismo científico • É para preservá-lo de considerações que lhes são alheias e que não captam o seu real alcance • “... .eu não posso suportar quando problemas da mais alta importância.

é a que mais diretamente se dedica ao tema da relação entre meios e fins: “Qualquer análise reflexiva dos elementos últimos da ação significativa humana está em princípio ligada às categorias de „fim‟ e „meio‟ • Domínio da ciência empírica como o dos meios. dentre as CH.Sobre a objetividade do conhecimento • A economia nunca poderá ter como tarefa a descoberta de normas e ideais de caráter imperativo das quais se pudessem deduzir algumas receitas para a prática • A Economia. e não o dos fins .

dando uma estimativa do que será sacrificado para se atingir o objetivo da forma proposta Pode ministrar ao agente o conhecimento dos próprios valores envolvidos no objetivo procurado . Pode assinalar as consequências que adviriam da consecução de certos fins pelos meios propostos.• • • • Sobre a objetividade do conhecimento A ciência não pode propor fins à ação prática Pode ministrar elementos para a avaliação da conveniência de certos meios propostos para se atingir fins dados.

fundadas no sentido objetivo do decurso histórico. apenas aquilo que „pode‟ e – em certas circunstâncias – aquilo que quer fazer • Combate a idéia de que a Ciência possa engendrar “concepções de mundo” de validade universal. Esse sentido objetivo não existe e por isso mesmo não existe uma ciência social livre de pressupostos valorativos.Sobre a objetividade do conhecimento • Uma ciência empírica não está apta a ensinar a ninguém aquilo que „deve‟. . mas sim.

apenas aquilo que „pode‟ e – em certas circunstâncias – aquilo que quer fazer • Combate a idéia de que a Ciência possa engendrar “concepções de mundo” de validade universal. .Sobre a objetividade do conhecimento • Uma ciência empírica não está apta a ensinar a ninguém aquilo que „deve‟. Esse sentido objetivo não existe e por isso mesmo não existe uma ciência social livre de pressupostos valorativos. fundadas no sentido objetivo do decurso histórico. mas sim.

mas é constituído nela própria. como já dado.Distinção entre conhecimento empírico e juízo de valor • Condena a confusão entre estas duas ordens heterogêneas de idéias e não a tomada de partido pelos próprios ideais • Toma a objetividade de maneira problemática • O objeto social não se impõe à análise. através dos procedimentos metódicos do observador • Trata-se de atribuir ordem a aspectos selecionados daquilo que se apresenta como uma multiplicidade .

. mas tampouco é mero veículo para a introdução de tais ou quais “visões de mundo” nos resultados da pesquisa.Distinção entre conhecimento empírico e juízo de valor • O pesquisador não é visto como um metódico registrador de dados. • Ênfase em que a validade do conhecimento obtido se mede pelo confronto com o real e não com quaisquer valores ou visões de mundo.

Religião e racionalidade econômica • Estudos sobre hinduísmo e budismo e sobre o confucionismo e taoismo ( religiões da Índia e da China) .