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RELAÇÃO MÉDICO-PACIENTE GRAVES E TERMINAIS

Prof. ASSIS SANTOS ROCHA

Atitudes diante da morte (ARIÈS, 2003): 1 – A morte domada, séculos IX e X, saber que se morrer ou esperar a morte no lar era comum. ia

2 – A morte de si mesmo, sec. XI e XII, estabelece-se uma relação entre a morte e a consciência de sua individualidade. 3 – A morte do outro, sec. XVIII e 1ª metade do sec. XIX: a morte temida é a do outro, que passa a ser considerada como uma ruptura.

4 – A morte interdita, segunda metade do século XIX, tão familiar no passado, torna-se vergonhosa e não falada.
No século XX, entre 1930 a 1960, desloca-se o local da morte: hospitais e asilos.

encontramos profissionais da saúde:  Qualificados e preparados tecnicamente para lidar com a doença.Médico lidando com morte No século XXI.  Despreparados tecnicamente para lidar com o sofrimento.  Voltados predominantemente para a cura. . a morte e o processo de morrer.  Se aperfeiçoando com o avanço tecnológico.

e. doenças que comprometem a saúde. a morte não é domínio especial de nenhuma disciplina em particular ou especialidade de nenhum ramo da medicina.Viver pode significar inúmeras “mini-mortes”: o final do crescimento e do seu potencial. Pelo contrário. de continuidade. de história. de estimulação emocional. A morte de um ente querido deixa no ser humano um imenso vácuo – de identidade. predomina a lembrança universal da vida e de seus significados. da presença da pessoa amiga etc. Na prática clínica. finalmente. de feedback social. perdas múltiplas. a morte. . menor vitalidade e maior dependência com o envelhecimento.

Definição de morte – “cessação irreversível das funções circulatória circulatória e respiratória ou cessação completa das funções de todo o cérebro. incluindo o tronco encefálico” (SADOCK. p. SADOCK. Tanatologia – é o estudo de comportamentos. . 2007. pensamentos e sentimentos relacionados à morte. 77).

Ausência de reflexos. Ausência de respostas calóricas. Ausência de reflexo da córnea. .Critérios clínicos para a morte cerebral em adultos e crianças Coma. Ausência de impulso respiratório com PA 60 mmHg ou 20 mmHg. Ausência de reflexos de sucção e protação labial. Ausência de respostas motora. Ausência de resposta das pupilas à luz. Ausência de tosse em resposta à sucção traqueal.

. 5 – Coesão familiar. 7 – Comunicação aberta versus segredos. pelo morto. 3 – Posição ocupada. 2 – Forma da morte. 4 – Momento do ciclo vital. na família.Reações à morte: 1 – Normas e expectativas naturais. 8 – Disponibilidade de recursos sociais e econômicos. 6 – Flexibilidade do sistema familiar.

Como ultrapassar esta fase:  Confrontar com o corpo da pessoa falecida. diminuído na morte esperada.Luto normal: é uma resposta a uma perda previsibilidade dos seus sintomas e de seu curso.  Assim a realidade começa a firmar-se.  Se não forem realizadas poderá resultar um sentimento de profundo pesar nos próximos anos.  Participar do enterro/cerimônias funerárias. . SENTIMENTOS FRENTE AO LUTO: com A) Dormência (atordoamento) emocional: não acreditam no que aconteceu.

B) Inquietação ansiosa: sensação de quere ter a pessoa morta de volta. amigos e parentes que não fizeram o suficiente para evitar a morte. Culpa – recordam tudo o que gostariam de ter dito ou feito para a pessoa falecida. . Sub-fases: Raiva – dos médicos .

 O luto pode ocorrer mais rapidamente.  A maioria se recupera de dentro de 1 a 2 anos.  Atinge seu auge entre 4 e 6 semanas mais tarde.C) Tristeza  Mais forte cerca de 2 semanas após a morte. lugares ou alguma coisa capazes de lembrar a pessoa morta.  Desencadeada por pessoas.  Para alguns a morte é apenas uma etapa de um ciclo contínuo e não “ponto final” da existência. Seguida de reclusão e silêncio.  Crianças normalmente não compreendem o significado da morte antes dos 3 ou 4 anos.  Recomenda-se voltar às suas atividades normais. .

. a realidade da morte e a experiência da perda. Podem ocorrer reações vivenciais não-normais (longa duração. incapacidade de pensar em outra coisa.  É importante compartilhar o choro. compreensiva e silenciosa.Solidariedade terapêutica  Ajuda pela presença solidária. seus sentimentos de dor e sofrimento.  Ajudar na reorganização da vida e no reinvestimento de outras relações e projetos de vida. fazer do quarto da pessoa morta um santuário ou sacralizá-la).

. AIDS em fase final. nefropatias com insuficiência renal. esclerose múltipla.Paciente terminal: • “Fora de possibilidades terapêuticas”. Principais doenças que levam ao paciente terminal: • Neoplasias avançadas. • Sofre de uma doença incurável em fase avançada para a qual não há recursos médicos capazes de alterar o prognóstico de morte em curto ou médio prazo. cardiopatias graves.

aparelhos ou medicamentos invasivos são utilizados para adiá-la.Humanização da morte  Ortotanásia – permite que a morte ocorra naturalmente.  Distanásia – prolongamento do momento da morte. A morte é iminente.  Eutanásia – antecipação do momento da morte. Com consentimento do paciente ou da família. mas medidas são tomadas para acelerar o processo. são retirados suportes que prolongam a vida artificialmente. A morte não é iminente. Há sofrimento. o paciente tem condições de viver por mais tempo. mas o paciente é submetido a terapias que amenizam a dor e o sofrimento da doença. sem que haja perspectiva de melhora ou de cura. .

.O médico e o paciente terminal . .“Comunicar ou não o grave diagnóstico?” .Rejeição + impotência = contratransferência. -Atitudes defensivas: redução do número de visitas.Despreparo (voltado para a vida orgânica). redução no tempo das consultas e/ou encaminha o paciente a outro profissional.

.Escutar o paciente e seus familiares.Fundamental que o médico primeiro elabore o tema nele mesmo para depois ajudar os demais.Preparar o paciente e a família para a morte e o morrer. . .O PAPEL DO MÉDICO . compreender suas reações psicológicas. descobrir suas aflições. .De pouca serventia são: médicos apressados e frios. .Sempre evitar mentira.

narcóticos.Terapêutica visando eliminar determinados sintomas sem influir diretamente no curso da enfermidade com: analgésicos. noutras com ansiolíticos e antidepressivos. .De início pode utilizar eufemismos. . secção de nervos sensitivos.Estar disponível para minorar o sofrimento físico e emocional.. . .Dar apoio. dar respostas parciais (mas verdadeiras) ou formular tudo como se fossem hipóteses. orientação e empatia.

Direitos do paciente terminal     Direito à verdade Direito ao diálogo Autonomia e decisão Terapia e benefício .

2003): a) Negação b) Rancor c) Barganha d)Depressão e) Aceitação .Estágios de reações emocionais diferentes pelos quais os doentes terminais passam (KÜBLERROSS.

 Contras – “silenciar ou evitar o assunto. são atitudes que não anulam os sinais”. ou mesmo contornar a verdade. O paciente raramente desconhece sua doença por completo.PORQUE ALGUNS MÉDICOS OMITEM A VERDADE  Prós – poupar o paciente. evitar depressão. .

“Assim como um dia bem aproveitado proporciona um bom sono. uma vida bem vivida proporciona uma boa morte” Leonardo na Vinci .